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sábado, 25 de julho de 2026

Resenha Cinema: Supergirl


 Faz algum tempo que eu não faço isso, então eu peço desculpas se estiver meio enferrujado, mas, vamos lá:

Após alguns anos entregue à uma gerência que parecia não saber ao certo o que fazer com seus personagens de quadrinhos, a Warner colecionou um tremendo festival de quase acertos e erros crassos que fazia lá muito sentido considerando o plantel de super-heróis que o estúdio tinha em seu catálogo... A empresa que podia fazer filmes com Superman, Batman e Mulher-Maravilha, três dos quatro personagens que eu colocaria em um Monte Rushmore conceitual de super-heróis, parecia não ter muita ideia do que fazer com esses personagens porque os colocava nas mãos de cineastas e roteiristas que não entendiam o que fazia esses personagens funcionarem em primeiro lugar.

Passamos anos vendo Zack Snyder ver o Superman como um deus desejando ser um homem e o Batman como um sociopata assassino (e meio burro, haja vista que exterminava capangas mas poupava o Coringa)... Durante o reinado de Snyder, tivemos alguns pontos brilhantes, como Mulher-Maravilha, que interpretou Diana como uma guerreira de imenso poder com uma alma gentil e algo ingênua (ao menos em seu primeiro filme solo),  Aquaman, que usou de maneira bastante competente a versão do personagem interpretada por Jason Momoa e Shazam (eu realmente gostei daquele primeiro filme). Houve, também, algumas boas ideias que foram mal executadas (eu gosto de Flash. Achei que o filme tem um arco bastante definido para o personagem, boas sacadas de viagem no tempo e conversa com os demais filmes dos personagens da Liga da Justiça), alguns desastres tão completos que foram arquivadas sem jamais ver a luz do dia (Batgirl...), e Adão Negro, um filme tão bosta que foi uma bala de prata disparada direto no coração de um universo que claudicava sob a batuta de executivos de visão curta.

Mas eis que a Warner resolveu jogar o que ainda restava do Snyderverso pela janela e cooptar James Gunn, que fizera fama no cinema indie e ganhou os holofotes ao co-criar, a versão MCU dos Guardiões da Galáxia, um inesperado sucesso que se tornou a improvável segunda melhor trilogia da Marvel no cinema (Capitão América ainda é a melhor.).

Gunn assumiu o comando da DC no cinema após realizar os ótimos O Esquadrão Suicida e Pacificador para a Warner, mostrando que ele entendia tanto de personagens secundários de uma editora, quanto da outra, mas, a primeira iniciativa de Gunn nesse novo DCU, foi o pai de todos os super-heróis, Superman, que ganhou um filme que foi minhas sessões de cinema favoritas de 2025, e meu filme favorito do Superman em todos os tempos. Após o sucesso (moderado) do último filho de Krypton nas bilheterias ficou a pergunta:

Qual o próximo personagem da DC a ganhar sua versão no cinema?

A resposta pegou a maioria dos fãs de surpresa. Enquanto a maioria de nós imaginava que o Batman ou a Mulher-Maravilha, os outros pilares da Trindade sagrada da DC se uniria ao Superman sob o sol amarelo desse novo universo, na verdade quem apareceu foi alguém que nós havíamos visto brevemente ao final de Superman: Supergirl.

A escolha, estranha para a maioria, foi justificada por Gunn que disse que, nessa nova fase da DC no cinema, os filmes recebem luz verde conforme a qualidade dos roteiros propostos ao estúdio. Então, se um grande roteiro da Supergirl ou, pasmem, do inimigo do Batman, Cara de Barro surge na mesa de Gunn, esse filme recebe prioridade sobre outras (e mais óbvias) escolhas. E, segundo Gunn, o roteiro de Supergirl apresentado por Ana Nogueira (que adapta a ótima série Supergirl: Mulher do Amanhã) era bom demais pra passar, sem contar que a personagem central dera as caras ao final de Superman, o que já a colocava um passo à frente de eventuais caras novas, então, voilá: 

Supergirl, 2026, que eu assisti na semana passada, mas sobre o qual resolvi falar só agora.

Supergirl nos mostra Kara Zor-El (a engraçadinha Milly Alcock, a versão mais jovem de Rhaenyra Targaryen em A Casa do Dragão), que, conforme ficamos sabendo em Superman, viaja pelo espaço procurando bares em planetas orbitando sóis vermelhos para, com seus poderes enfraquecidos, poder se embebedar. Conforme seu 23° aniversário se aproxima, Kara e Krypton seguem viagem juntos, enquanto ela ignora as ligações de Clark (David Corenswet), que deseja ardentemente que ela volte para a Terra e dê uma chance para que o planeta se torne um lar para ela, tanto quanto é, para ele.

Ao mesmo tempo, um grupo de piratas espaciais liderado por Krem dos Morros Amarelos (Matthias Schoenaerts) chega ao planeta da jovem Ruthye (Eve Ridley), e, após matar sua família para roubar as armas criadas por seu pai, um talentoso ferreiro, a deixa para trás para remoer sua perda.

Eventualmente os caminhos de Ruthye e Kara se cruzam, e a jovem pede que a kryptoniana a ajude a obter sua vingança. Se inicialmente a Supergirl não está interessada em se juntar à cruzada da jovem, as coisas mudam quando Krem rouba a nave de Kara e acerta Krypto com um dardo envenenado que os piratas usam para tortura, e que matará o super cão em três dias, a menos que ela seja capaz de rastrear o vilão e tomar o antídoto que ele carrega consigo.

Essa jornada coloca Kara e Ruthye em uma jornada que as fará encarar perigos, encontrar aliados inesperados, e fazer com que as duas sejam forçadas a repensar sua forma de ver a vida após a tragédia.

Supergirl não é tão bom quanto Superman. Nem de longe. Também não é tão bom quanto O Esquadrão Suicida ou Pacificador, mas não é um filme tão ruim quanto o fracasso de bilheteria daria a entender.

O longa acerta em centrar a atenção em Kara. Milly Alcock manda muito bem como a jovem amortecida por uma vida de tragédia que não consegue encontrar seu lugar após ver seu lar e sua família serem vagarosamente destruídos. É fácil entender porque ela não é uma pessoa completa e otimista como seu primo, especialmente quando vemos, em flashbacks, como ela foi forçada a dar adeus a todas as coisas que amava antes de ser desovada na Terra.

O restante do elenco é bom. Eve Ridley é ótima no papel da vingativa Ruthye, David Krumholtz faz um ótimo trabalho com uma pequena participação como Zor-El, e Jason Momoa interpreta Jason Momoa interpretando Lobo, que meio que está lá e é exatamente o que se esperaria dessa versão do personagem. Quem deu azar foi Schoenaerts, que ficou com o palito mais curto e ganhou um papel genérico de vilão psicopata, que, vá lá, cumpre a proposta.

A direção de Craig Gillespie é segura, as cenas de ação são boas o suficiente, e se os efeitos visuais não são particularmente assombrosos, estão em par com o que o gênero tem proporcionado nos últimos anos. A trilha sonora é razoável, com direito a algumas canções engraçadinhas surgindo em momentos específicos e o design de produção, apesar do esmero, deixa o espaço sideral do DCU praticamente igual ao da Marvel e o de Star Wars...

No geral, Supergirl é um filme que, longe de ser perfeito, faz sua parte para esticar as fronteiras desse DCU com uma história que, a despeito de suas falhas, tem coração e personalidade. De minha parte, vale a ida ao cinema.

"-Eu me preocupo que você não encontre sua gente.

-Esse é o problema, Clark... Eu não tenho gente."

terça-feira, 30 de junho de 2026

Resenha série: The Boys


Enquanto o amor da minha vida e eu não encontramos outra série de que ambos gostemos igualmente (aparentemente The Pitt é a única), vamos assistindo algumas de que um gosta muito e o outro suporta assistir Fallen Skies, The Bear... O Poder e a Lei, Um Cavaleiro dos Sete Reinos... E, quando estou sozinho em casa, assisto uma das que ela realmente não  suporta, como, por exemplo, The Boys ou Geração V.

Embora eu tenha parado de fazer as resenhas do programa há algum tempo, assisti a todas as temporadas da adaptação da obra de Garth Ennis e Darick Robertson para o Prime Video, ainda que, à certa altura, eu tenha me dado conta de que estava acompanhando a série muito mais por hábito e teimosia do que por prazer.

A segunda temporada de The Boys já não havia sido tão boa quanto a primeira. Nem tudo o que funcionara naqueles primeiros episódios de estreia sobreviveu aos anos seguintes, e essa tendência só se acentuaria conforme a série caminhava para o desfecho.

O terceiro ano trouxe algumas boas ideias. A principal delas foi, sem dúvida, Soldier Boy, vivido por Jensen Ackles. Um escroto divertidíssimo com jeitão de velho preconceituoso, a versão da série era bastante diferente de sua contraparte dos quadrinhos e apresentado como o "pai" do Capitão Pátria e, talvez, o único ser vivo do planeta capaz de derrotá-lo, embora nós saibamos que isso não aconteceu, mesmo com Maeve, além de Hughie e Bruto turbinados por Composto V temporário, para ajudar no quebra.

Com a saída de Maeve da série, a quarta temporada apresentou a Mana Sábia (Susan Heyward), super cujo poder é a inteligência extraordinária que passa a orientar os planos de um Capitão Pátria cada vez mais paranoico e decidido a levar seus delírios de grandeza até as últimas consequências. A temporada se encerrou com o assassinato Victoria Neuman dando fim a qualquer chance de aliança entre os Boys e quaisquer Supers já que Bruto parecia convencido de que apenas o fim de todos os produtos da Vought poderua dar fim à guerra. As ações dos mocinhos ao longo da temporada não são em nada e ela termina com Hughie, Francês e Leitinho presos e os supers em geral, e o Capitão Pátria em particular, comandando os Estados Unidos.

Entre uma temporada e outra ainda tivemos Gen V, um spin-off que parecia prometer consequências importantes para a série principal, incluindo a Marie Moreau (a ótima e gatíssima Jaz Sinclair), apresentada como uma potencial adversária para o Capitão Pátria, um vírus capaz de matar Supers e uma trama envolvendo Victoria Neuman na primeira temporada e Mana Sábia, na segunda, que acabaram abandonadas com o cancelamento da série.

Então, finalmente chegaram os episódios derradeiros de The Boys e, sem entrar em muitos detalhes, até porque não lembro de todos, basta dizer que o último ano manteve a trajetória descendente de qualidade que acompanhou The Boys desde sua segunda temporada. A trama tornou-se mais enrolada do que uma orgia de minhocas, enquanto o gore e o choque pelo choque passaram a substituir aquilo que antes era sustentado por bons personagens e uma narrativa sólida.

Mas esse não é o verdadeiro problema da série.

O problema é que The Boys encolheu.

O mundo que antes parecia existir para além de seus protagonistas foi desaparecendo aos poucos. A Vought deixou de agir como um conglomerado com interesses próprios. Stan Edgar tornou-se irrelevante. Os Sete deixaram de ter agendas individuais. Aos poucos, tudo passou a existir apenas em função do Capitão Pátria ou do Bruto.

Essa mudança fica particularmente evidente no próprio Capitão Pátria. Nas primeiras temporadas, a pergunta nunca foi se ele conseguiria vencer um confronto. Era óbvio que conseguiria. A tensão estava em descobrir o que ainda o impedia de agir livremente. Quando esses freios desapareceram, a série resolveu o problema diminuindo a competência do próprio personagem. Isso é evidenciado quando boa parte da quinta temporada revolve em torno da ideia de impedir que o vilão consiga o composto V original, ou então ele se tornará imortal e invencível. Ainda assim, quando ele obtém a fórmula (em uma patacoada que descaracteriza o Soldier Boy e depõe contra a alardeada super inteligência da Mana Sábia), o roteiro cria uma nova solução que jamais havia sido mencionada para o problema: Recriar em Kimiko a explosão removedora de V do Soldier Boy. Não é uma vitória conquistada pelos protagonistas, são os escritores mudando as regras do jogo nos acréscimos da partida.

À despeito de alguns bons momentos nos episódios finais, especialmente  entre Bruto e Hughie, e de um final que, dadas as circunstâncias estabelecidas pelo próprio programa, faz sentido, é difícil assistir à série sem perceber que, no começo, havia uma narrativa carregando uma mensagem. No final, havia uma mensagem sendo transmitida através de uma narrativa.

Pode parecer uma diferença pequena, mas não é. Quando a mensagem passa a ser o objetivo de uma história, a voz dos personagens começa a desaparecer. Hughie, Francês e Bruto percorrem essencialmente o mesmo arco dramático diversas vezes. Conflitos reaparecem sem evolução, enquanto a trama passa a priorizar a reafirmação de seus posicionamentos em detrimento do desenvolvimento dos personagens e da história. À certa altura, um personagem aparece para dizer como é difícil concluir uma história com diversos protagonistas. Ao invés de consertar sua narrativa, The Boys prefere fazer uma piada com metalinguagem para reconhecer o defeito.

A série também passou a confiar menos na inteligência do espectador. Não por ter se tornado política, sempre foi, muitas obras, algumas das melhores o são, mas porque deixou de confiar na compreensão do espectador. Antes a série sugeria. Depois começou a sublinhar. Em seguida passou a repetir. E, por fim, martelar uma posição política que já estava perfeitamente clara desde o primeiro episódio.

E não me entenda mal: Pessoalmente eu concordo com boa parte das críticas políticas feitas e das posições  assumidas por The Boys. O meu problema nunca foi a mensagem.

O problema é que personagens, causalidade e estrutura dramática foram sendo sacrificados para reforçar uma mensagem que já havia sido compreendida há muito tempo.

Ainda considero a primeira temporada de The Boys uma das melhores adaptações de quadrinhos já produzidas para a televisão. Justamente por isso é tão frustrante ver onde a série terminou, não porque suas ideias tenham mudado, elas sempre estiveram lá e sempre foram pertinentes, o problema foi outro:

Histórias não sobrevivem apenas por defender boas causas. Elas sobrevivem porque conseguem fazer com que essas causas pareçam inevitáveis dentro do mundo que constroem. No começo The Boys fez isso melhor do que qualquer outra série de super-heróis havia feito até então, mas infelizmente, em algum momento, começou a acreditar mais na força de sua mensagem do que na voz de seus personagens e justamente aí, The Boys deixou de ser uma grande história.

"Eu não te dei escolha... Eu não ia parar."

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Star Wars Day: Rankeando Star Wars

 Eu sempre sei que quatro de maio (ou may the fourth) é o dia de Star Wars. Eu nem sempre lembro que o dia quatro de maio é o dia quatro de maio. Às vezes a correria diária não nos permite parar e olhar o calendário mesmo para ver as datas mais importantes. Hoje mesmo, o dia da criação máxima de George Lucas teria passado batido pra mim se uma loiraça linda não houvesse me chamado a atenção para a data.

Foi então que, em nome tanto da efeméride, quanto do fato de que, há muito tempo eu não me sentia tão feliz, que resolvi fazer algo que eu não fazia há muito tempo:

Um infame top 10 Casa do Capita, que será, na verdade, um top 11, já que é meu ranking de Star Wars no cinema. Os onze longa metragens que compõe a franquia, sem contar especiais da TV (sem Holiday Special), séries (O Mandaloriano), mini-séries (Kenobi), filmes para a TV (Caravana da Coragem) ou animações de nenhuma espécie. À lista:

11 - Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi

Há quem tenha esse filme em conta mais alta, seja pelo claro valor de produção. Com todos os seus defeitos, Os Últimos Jedi é um espetáculo no que tange a efeitos visuais e trilha sonora, por exemplo. Ainda assim, se eu tivesse que apagar um filme da existência, não seria Esquadrão Suicida, Ultravioleta ou The Room. 

Não. Seria Os Últimos Jedi.

O longa de Rian Johnson parece ter como única intenção "subverter expectativa", descartar todas as sementes plantadas pelo filme anterior e terminar de destruir os personagens da trilogia original, em especial Luke Skywalker, que deixa de ser o herói que se recusa a matar Darth Vader por ser capaz de ver uma fagulha de bem no arruinado Anakin Skywalker, para virar o cínico maldito que está a dois passos de apunhalar seu sobrinho porque ele está tendo um pesadelo. Se isso não fosse o suficiente, uma perseguição em baixíssima velocidade, Leia voando pelo espaço, uma trama paralela totalmente inócua em um planeta cassino e nós temos o pior filme da história de Star Wars.


10 - Star Wars: Episódio IX - A Ascensão Skywalker 

Se A Ascensão Skywalker tem alguma qualidade, além de tornar Poe Dameron, Rey e Finn um trio, algo que gerou uma inesperada e genuinamente divertida dinâmica ao filme, é ter desfeito tudo o que pôde de Os Últimos Jedi.

O retorno de J. J. Abrams a Star Wars aconteceu após diferenças criativas entre o diretor originalmente contratado para o longa, Colin Trevorrow, e a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, o afastarem da produção, fazendo com que o sujeito conhecido por ser muito bom começando histórias e péssimo as terminando, fosse convocado para terminar a história que havia começado em 2015... Se Abrams já não é exatamente um grande finalizador de histórias sobre as quais detém controle criativo, imagine o quanto ele foi bem ao tentar amarrar as pontas soltas deixadas por Johnson em Os Últimos Jedi... De algum modo Palpatine retorna. De algum modo ele tem um planeta escondido onde foi capaz de fabricar uma frota infinita de destróieres estelares equipados com canhões de Estrela da Morte. De algum modo Rey é neta de Palpatine. De algum modo Han Solo é capaz de gerar um fantasma da Força. E, de algum modo, Rey decide que, apesar de ser neta de Palpatine, ela é todos os Jedi e agora se chama Skywalker... Não chega a ser surpresa que Star Wars tenha estado longe do cinema desde então.

9 - Han Solo: Uma História Star Wars 

Outro filme cuja equipe criativa original (no caso Chris Miller e Phil Lord, a dupla por trás de Uma Aventura Lego, os filmes d'O Aranhaverso e o excelente Devoradores de Estrelas) foi trocada após bater cabeça com Kathleen Kennedy. Ao contrário de Colin Trevorrow, porém, Miller e Lord já haviam começado a trabalhar ativamente na direção do longa quando foram demitidos e substituídos por Ron Howard, que provavelmente fez o melhor que pôde para contar a história de origem do cafajeste de coração de ouro mais querido daquela galáxia bem, bem distante, mas falhou miseravelmente. Han Solo: Uma História Star Wars detém a mácula de ser o filme de menor bilheteria na história da franquia. A despeito de um bom elenco encabeçado por Alden Ehrenreich, Emilia Clarke, Donald Glover e Woody Harrelson, o filme é  vítima  de uma trama inofensiva, convencional até a medula, que parece mais ansiosa em responder perguntas que ninguém jamais fez a respeito do contrabandista que roubou o coração da princesa mais foda da galáxia, do que contar uma história própria. O resultado é um filme que não chega a ser ruim a ponto de desagradar, mas também não tem qualidade pra ser memorável por nada além de ser inócuo.

8 - Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones

As Guerras Clônicas são mencionadas brevemente pela princesa Leia em sua mensagem para Obi-Wan Kenobi no primeiro filme da série. Durante anos os fãs pensaram no que teria sido esse conflito, e como ele teria sido lutado. No segundo longa metragem da trilogia prequel, nós temos um vislumbre de como a contenda começou.

Apesar de algumas ideias interessantes de intriga política (todas abatidas pela escrita canhestra de Lucas, que, sabe-se lá por que, resolveu que iria dirigir e escrever sozinho os roteiros dos três filmes da trilogia) nós somos premiados com um protagonista choramingão na figura de Anakin Skywalker, uma investigação sonolenta conduzida por Obi-Wan, e, claro, o libelo anti-areia de Any tentando seduzir Padmé Amídala. O resultado não poderia ser diferente: O pior filme da segunda trilogia da franquia.

7: Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma

Há alguns pontos genuinamente brilhantes em A Ameaça Fantasma. Qui-Gon Jinn sendo provavelmente o mais brilhante deles. O mestre Jedi sábio e tranquilo vivido por Liam Neeson é, ao lado do visual cabuloso de Darth Maul, o ponto mais alto do longa que levou Star Wars de volta aos cinemas após um hiato de dezesseis anos. Esses pontos mais altos provavelmente são o que me levam a relevar um pouco a forma como George Lucas conduz com mão pesada a trama política envolvendo a federação de comércio, o senado galáctico, as tensões entre humanos e gungans em Naboo, a péssima direção dispensada a Jake Lloyd (que jamais se recuperou do ódio que seu Anakin Skywalker recebeu dos fãs), tudo o que envolve Jar Jar Brinks e o fato de a Força deixar de ser um campo de energia místico e se tornar uma infestação. Ainda assim, o longa termina com um dos três melhores duelos de sabres de luz na história da série e a promessa de vermos como um gurizinho doce e inocente se transformaria em um dos vilões mais casca-grossa do cinema encheu todos os fãs de esperança (infundada, ou não) pelo que viria dali a três anos.

6: Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith

O episódio final da trilogia prequel de Star Wars foi um longa carregado de todos os problemas de assolaram os dois filmes anteriores. A escrita de George Lucas seguiu desastrada, sua direção, emocionalmente estéril, os ambientes totalmente digitais onde ele escolheu situar todas as cenas do filme tão  convincentes quanto a saúde frágil de um político condenado... Entretanto, o fato de o longa se ver obrigado a amarrar todas as pontas soltas que separavam os episódio III e IV deu uma urgência quase palpável às duas horas e vinte minutos do filme. As Guerras Clônicas são concluídas com as mortes de Dookan e Grievous, Anakin se rende ao lado sombrio, Palpatine dissolve o senado e forma o império, Padmé dá à luz gêmeos e Obi-Wan enfrenta o novo aprendiz de Darth Sidious no grande duelo de sabres de luz da série. Nem tudo funciona (a luta entre Yoda e Sidious desaponta particularmente, assim como Padmé literalmente morrer de falta de vontade de viver), novamente a trama política é mal conduzida, e as notas emocionais do longa não conectam como deveriam, ainda assim A Vingança dos Sith é o melhor filme da trilogia prequel com alguma folga.

5 - Star Wars: Episódio VII: O Despertar da Força 

Dois mil e quinze foi o ano em que a Disney lançou sua versão de Star Wars nos cinemas do mundo para chacoalhar os alicerces do capitalismo corporativo e tornar a série um colosso multi-bilionário. Os fãs estavam em polvorosa, e eu era um dos nerds fantasiados para a estréia de O Despertar da Força. 

Hoje, com o benefício da perspectiva, é bastante fácil perceber os defeitos e os problemas do filme, mas isoladamente, o sétimo Star Wars a chegar às telonas era quase perfeito. O novo elenco era carismático e se misturou bem com os heróis de outrora, os efeitos e a trilha sonora eram de cair o queixo, e havia potencial a dar com pau para Star Wars seguir lançando um filme por ano, faturando bilhões para os acionistas do Mickey, até o inferno congelar apenas baseado em todas as sugestões de mistério da trama. Claro, nós sabemos o que houve com a série a partir de Os Últimos Jedi, mas eu lembro bem da sensação de assistir O Despertar da Força no cinema.

4 - Rogue One - Uma História Star Wars

Star Wars jamais havia escolhido exatamente qual lado da cerca que separa ficção científica e fantasia queria habitar, e isso nunca foi um problema. Rogue One não seria o filme a escolher um gênero em detrimento do outro, mas a acrescentar uma nova opção ao rol:

O filme de guerra.

O longa dirigido por Gareth Edwards foi, sem sombra de dúvida, o produto de Star Wars sob o selo Disney que melhor envelheceu. Com um tom mais maduro do que seus predecessores imediatos, a história sobre como a Aliança Rebelde pariu uma bigorna para obter os planos da Estrela da Morte e garantir uma chance de vitória contra o Império galáctico, Rogue One não apenas é um triunfo em si, mas ainda é o embrião para Andor, que se tornaria a melhor coisa com Star Wars no título desde a década de 1980.

3 - Star Wars: Episódio VII - O Retorno de Jedi

O terceiro longa da trilogia original é excelente em quase todos os sentidos. Talvez o ponto baixo do longa seja a presença dos ewoks (originalmente seria um exército de wookies, mas o orçamento do longa não cobria a ideia). À parte disso, no entanto, temos alguns dos melhores momentos da franquia. O encontro derradeiro entre Luke e Vader, o resgate de Han das garras de Jabba, o Hutt, o ardil do imperador Palpatine sobre a capacidade operacional da segunda Estrela da Morte... Tudo para encerrar com chave de ouro o que se tornaria uma das trilogias fundamentais da história do cinema.

3 - Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança 

Quando o que, na época era apenas "Guerra nas Estrelas" chegou às telas em 1977, o público não estava preparado para a salada de referências que ia de Flash Gordon a Akira Kurosawa embrulhada em efeitos especiais de última geração, conceitos que deixariam uma marca indelével no cinema do Século XX e alterariam a cultura pop para sempre. A história de uma aliança rebelde encabeçada por uma princesa que não levava desaforo pra casa, um salafrário cheio de coração e um garoto da fazenda conduzido por um velho eremita a um universo muito maior do que ele supunha existir foi um fenômeno sem precedentes que apresentou personagens que viveriam para sempre na mente e no coração de uma base de fãs que aumentaria exponencialmente a cada ano pelas décadas seguintes.

1 - Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca

Não tem pra mais ninguém. O Império Contra-Ataca não é apenas o melhor filme de Star Wars, é um dos filmes fundamentais do cinema em geral. A retaliação brutal de Darth Vader e Palpatine após a destruição da Estrela da Morte começa nos primeiros minutos de filme, quando a base rebelde em Hoth é atacada. A partir daí é um crescendo incessante conforme Han, Leia, Chewie e C-3PO são engolidos por vermes gigantes, traídos em Bespin e encaram o próprio lorde negro de Sith, enquanto Luke procura por mestre Yoda para concluir seu treinamento e se tornar, de fato, um Jedi, mas apenas se puder ser capaz de colocar seus sentimentos de lado e não arriscar a derrota definitiva ao tentar salvar seus amigos.

O longa apresenta personagens espetaculares como Yoda e Lando Calrissian, planta as sementes do romance mais maneiro da galáxia, e ainda tem um dos desfechos abertos mais incríveis do cinema após os heróis serem brutalmente massacrados pelos vilões, algo para o qual ninguém estava preparado após o otimista encerramento do longa original. 

Ao elevar todas as apostas a níveis estratosféricos apenas para esmagar os mocinhos sob o punho de ferro do vilão, O Império Contra-Ataca criou um fenômeno que a série jamais conseguiria equiparar, e criar o melhor filme de Star Wars já realizado.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Encruzilhadas


Certa feita, eu lembro de ter escrito algo a respeito d'O Momento, referindo-me àquelas encruzilhadas fundamentais da vida das pessoas, quando é  necessário escolher um caminho e, ou colher os frutos de uma escolha acertada, ou arcar com as consequências de uma escolha equivocada. 

Se minha memória ainda me serve de alguma coisa, creio ter escrito algo a respeito de "pena e comiseração para com aqueles que deixam passar 'o momento'", ou algo que o valha. É uma opinião que eu mantenho hoje, tantos anos depois (embora provavelmente fosse escrever a respeito de forma menos pretensiosa), essa de que, há  momentos de definição na vida de todos nós, quando uma escolha pode nos encaminhar por uma estrada de realizações ou enveredar por uma trilha de desgostos. Se parece um pouco fatalista, deve ser porque, nos últimos anos, eu não estive rodando pela estrada, mas sendo arrastado pelas mais acidentadas trilhas do desgosto.

Eu já falei a respeito disso antes. Sobre como, entre os anos de 2020 e 2021, eu vivi uma profunda crise onde quase tudo o que poderia ter dado errado na minha vida, deu, como um um tipo de dominó da tristeza. Não foi fácil, e, à certa altura do processo (que ainda não terminou), eu me vi encarando essas encruzilhadas quase que diariamente, encarando escolhas das mais simples, como "saio da cama, ou continuo deitado?", até "Vou ao dentista ou pago a conta de luz?". Eu não sei em  quantas dessas encruzilhadas eu fiz a escolha correta, porque, como quase tudo na vida, muitas vezes "certo" ou "errado" é questão de perspectiva e perspectiva é questão de tempo, então nenhuma resposta é definitiva.

Bom... Quase nenhuma...

Há sete meses e quatro dias, eu estava em uma dessas encruzilhadas. Estava com o celular na minha mão, pensando se deveria, ou não, pressionar a setinha... Eu não sei ao certo o que me levou a escolher "Sim. Pressione a seta, seu maldito idiota", se foi mera impaciência após o que pareceram horas olhando para a tela do telefone com uma expressão de aflição estampada na cara, euforia do abismo ou apenas uma desmedida fagulha de otimismo... Realmente não sei. O fato, porém, é que enviar aquela mensagem foi, sem nenhuma sombra de dúvida, uma das melhores decisões que eu tomei nos últimos dez anos, uma das cinco melhores decisões que eu tomei na vida, e a segunda melhor decisão que eu tomei no ano passado. A segunda porque, um mês e quatro dias depois, eu tomei a melhor decisão do ano passado (e uma das três melhores decisões da minha vida), quando eu, tomado de uma infundada onda de confiança, pedi a mulher da minha vida em namoro.

Isso foi há seis meses, hoje. E eu não me lembro de já ter estado mais feliz, mais completo ou mais emocionalmente realizado. Obrigado, lindeza, por um semestre perfeito. Eu te amo.

sábado, 29 de novembro de 2025

No Lugar Dela...




Fótons são partículas fundamentais únicas na natureza. Únicas porque são simultâneamente partículas e ondas. É um caso singular no mundo da física. Dependendo do tipo de barreira colocada em seu caminho, os fótons se comportam como uma coisa, ou como a outra, sempre na ânsia de chegar a seu destino.
Fótons começam sua vida no núcleo de estrelas como o Sol, e, em seu começo,  surgem como radiação gama de altíssima intensidade, aquele tipo violento de radiação que, após uma eventual exposição, no pior dos casos te faz derreter lenta e dolorosamente em nível molecular sobre uma cama de hospital, e, no melhor, te transforma no incrível Hulk.
Entretanto, a jornada do coração de uma estrela até sua superfície é árdua e demorada. Essas partículas de energia estão  cercadas por outras tantas, elas se chocam, esbarram e acotovelam como um pobre porto alegrense andando pela Voluntários da Pátria em uma tarde quente do dia vinte e três de dezembro, e isso faz com que essas poderosas unidades de radiação gama vão perdendo potência durante o percurso, que pode durar centenas ou até milhares de anos. E quando finalmente escapam das entranhas escaldantes do astro-rei, elas transformaram-se em luz visível, acompanhada de radiação infravermelha e ultravioleta — e é por isso que podemos enxergar o brilho do Sol.
Perceba que essa forma de energia passa milênios aprendendo a andar. Oito minutos vencendo, à velocidade da luz, o vácuo espacial que separa o Sol da Terra. E a primeira coisa em que ela toca, são as sardas ungidas com protetor solar fator 99 do teu rosto…
No lugar dela, eu diria que valeu a pena.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

...Ou Talvez Não Seja o Fim...




Talvez não seja o fim.
Talvez não seja necessário ficar no chão depois de cair.
Talvez a dor não seja perene.
Talvez a tristeza não fique agarrada na gente como se fosse um carrapato atingido por radiação gama.
Talvez, a última pessoa que tu amou, só tenha sido a última pessoa que tu amou até aquele momento.
Talvez, haja um novo começo.
Talvez, se possa fazer como o Superman, e sair da cama, colocar um pé na frente do outro, e tomar as melhores decisões possíveis.
Talvez, às vezes, a vida preste.
Talvez, a felicidade esteja a uma mensagem de whatsapp de distância.
Talvez, a primeira pessoa que tu amou, vá ser a última pessoa que tu vais amar.

sábado, 10 de junho de 2023

Provavelmente o Fim

 Ultimamente eu me flagro, quase todos os dias, pensando nas coisas que deram errado na minha vida.

É um longo exercício de futilidade e auto-flagelação que não leva a nada, exceto à certeza de que a responsabilidade pela minha própria tragédia é integralmente decorrente das minhas ações.

O exercício toma um grande tempo porque, em dois anos, tudo o que podia ter dado errado pra mim, deu errado.

Não é um exagero. Não é uma hipérbole. É um fato.

Profissionalmente, academicamente, sentimentalmente, financeiramente... Tudo foi por água abaixo. Mesmo minha saúde, que, como diria a saudosa Rita Lee, não era de ferro, não, mas jamais me deixara excessivamente na mão, resolveu arriar, e eu me deparei com problemas de saúde que jamais imaginei que enfrentaria e que são dolorosamente debilitantes. Como se isso não fosse o suficiente, meus problemas financeiros pioraram, e eu me vi enredado em um processo judicial após sofrer um golpe de meu antigo empregador. Isso tudo, extraiu um alto preço da minha saúde mental, e eu mergulhei em uma profunda depressão que me fez passar semanas trancado em casa sem conseguir sair da cama enquanto vislumbrava a maneira como tudo desmoronou ao meu redor e o quanto eu estava impotente para lidar com a situação.

Essa foi uma das razões para eu ter me afastado do blog. Eu não tinha nada de positivo para compartilhar com ninguém. Nada de interessante. Nada de bom... E, contrariando o adágio popular, minha miséria não adora companhia. Muito antes pelo contrário. Eu sempre preferi sofrer quieto no meu canto.

E é o que eu tenho feito nesses últimos anos.

As coisas não melhoraram pra mim. E eu não vejo uma possibilidade de mudança no horizonte. Estou tentando me manter vagamente funcional. Eventualmente tento fazer algo que gosto, como jogar RPG com meus amigos, assistir um filme, ler um livro, jogar videogame... Meu médico me mandou praticar exercício, então voltei a fazer musculação. Ajuda um pouco, mas cada vez ajuda menos e se torna mais doloroso...

De qualquer forma, eu tento não me queixar. Tento manter o foco nas coisas imediatas. Dividir meus dias em pequenas unidades de tempo que eu possa gerenciar.

Todo o momento em que eu não estou gerenciando uma pequena tarefa, eu estou pensando nas coisas que deram errado... Nas coisas que eu fiz, que me trouxeram até onde eu estou. Acabado. Doente. Derrotado. Triste. Sozinho...

É, como eu disse antes, um tipo de tortura auto imposta. Eu sei. Mas é inevitável.

Acho que esse ato de ruminar o passado é típico de quem destruiu todas as suas chances de ser feliz.

Todo o tempo eu estou pensando em coisas que eu deveria ter feito. Coisas que deveria ter dito. Arrependimentos. Erros. Equívocos. Falhas. Chances desperdiçadas...

Todo o tempo...

Mas não hoje.

Hoje, eu vou pensar em ti.

Não com tristeza. Não com dor. Não com saudade...

Hoje, eu vou pensa só no dia em que eu estava andando nervosamente em uma calçada, e de repente virei sobre os calcanhares e me deparei com o amor da minha vida.

Feliz nosso dia.