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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Star Wars Day: Rankeando Star Wars

 Eu sempre sei que quatro de maio (ou may the fourth) é o dia de Star Wars. Eu nem sempre lembro que o dia quatro de maio é o dia quatro de maio. Às vezes a correria diária não nos permite parar e olhar o calendário mesmo para ver as datas mais importantes. Hoje mesmo, o dia da criação máxima de George Lucas teria passado batido pra mim se uma loiraça linda não houvesse me chamado a atenção para a data.

Foi então que, em nome tanto da efeméride, quanto do fato de que, há muito tempo eu não me sentia tão feliz, que resolvi fazer algo que eu não fazia há muito tempo:

Um infame top 10 Casa do Capita, que será, na verdade, um top 11, já que é meu ranking de Star Wars no cinema. Os onze longa metragens que compõe a franquia, sem contar especiais da TV (sem Holiday Special), séries (O Mandaloriano), mini-séries (Kenobi), filmes para a TV (Caravana da Coragem) ou animações de nenhuma espécie. À lista:

11 - Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi

Há quem tenha esse filme em conta mais alta, seja pelo claro valor de produção. Com todos os seus defeitos, Os Últimos Jedi é um espetáculo no que tange a efeitos visuais e trilha sonora, por exemplo. Ainda assim, se eu tivesse que apagar um filme da existência, não seria Esquadrão Suicida, Ultravioleta ou The Room. 

Não. Seria Os Últimos Jedi.

O longa de Rian Johnson parece ter como única intenção "subverter expectativa", descartar todas as sementes plantadas pelo filme anterior e terminar de destruir os personagens da trilogia original, em especial Luke Skywalker, que deixa de ser o herói que se recusa a matar Darth Vader por ser capaz de ver uma fagulha de bem no arruinado Anakin Skywalker, para virar o cínico maldito que está a dois passos de apunhalar seu sobrinho porque ele está tendo um pesadelo. Se isso não fosse o suficiente, uma perseguição em baixíssima velocidade, Leia voando pelo espaço, uma trama paralela totalmente inócua em um planeta cassino e nós temos o pior filme da história de Star Wars.


10 - Star Wars: Episódio IX - A Ascensão Skywalker 

Se A Ascensão Skywalker tem alguma qualidade, além de tornar Poe Dameron, Rey e Finn um trio, algo que gerou uma inesperada e genuinamente divertida dinâmica ao filme, é ter desfeito tudo o que pôde de Os Últimos Jedi.

O retorno de J. J. Abrams a Star Wars aconteceu após diferenças criativas entre o diretor originalmente contratado para o longa, Colin Trevorrow, e a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, o afastarem da produção, fazendo com que o sujeito conhecido por ser muito bom começando histórias e péssimo as terminando, fosse convocado para terminar a história que havia começado em 2015... Se Abrams já não é exatamente um grande finalizador de histórias sobre as quais detém controle criativo, imagine o quanto ele foi bem ao tentar amarrar as pontas soltas deixadas por Johnson em Os Últimos Jedi... De algum modo Palpatine retorna. De algum modo ele tem um planeta escondido onde foi capaz de fabricar uma frota infinita de destróieres estelares equipados com canhões de Estrela da Morte. De algum modo Rey é neta de Palpatine. De algum modo Han Solo é capaz de gerar um fantasma da Força. E, de algum modo, Rey decide que, apesar de ser neta de Palpatine, ela é todos os Jedi e agora se chama Skywalker... Não chega a ser surpresa que Star Wars tenha estado longe do cinema desde então.

9 - Han Solo: Uma História Star Wars 

Outro filme cuja equipe criativa original (no caso Chris Miller e Phil Lord, a dupla por trás de Uma Aventura Lego, os filmes d'O Aranhaverso e o excelente Devoradores de Estrelas) foi trocada após bater cabeça com Kathleen Kennedy. Ao contrário de Colin Trevorrow, porém, Miller e Lord já haviam começado a trabalhar ativamente na direção do longa quando foram demitidos e substituídos por Ron Howard, que provavelmente fez o melhor que pôde para contar a história de origem do cafajeste de coração de ouro mais querido daquela galáxia bem, bem distante, mas falhou miseravelmente. Han Solo: Uma História Star Wars detém a mácula de ser o filme de menor bilheteria na história da franquia. A despeito de um bom elenco encabeçado por Alden Ehrenreich, Emilia Clarke, Donald Glover e Woody Harrelson, o filme é  vítima  de uma trama inofensiva, convencional até a medula, que parece mais ansiosa em responder perguntas que ninguém jamais fez a respeito do contrabandista que roubou o coração da princesa mais foda da galáxia, do que contar uma história própria. O resultado é um filme que não chega a ser ruim a ponto de desagradar, mas também não tem qualidade pra ser memorável por nada além de ser inócuo.

8 - Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones

As Guerras Clônicas são mencionadas brevemente pela princesa Leia em sua mensagem para Obi-Wan Kenobi no primeiro filme da série. Durante anos os fãs pensaram no que teria sido esse conflito, e como ele teria sido lutado. No segundo longa metragem da trilogia prequel, nós temos um vislumbre de como a contenda começou.

Apesar de algumas ideias interessantes de intriga política (todas abatidas pela escrita canhestra de Lucas, que, sabe-se lá por que, resolveu que iria dirigir e escrever sozinho os roteiros dos três filmes da trilogia) nós somos premiados com um protagonista choramingão na figura de Anakin Skywalker, uma investigação sonolenta conduzida por Obi-Wan, e, claro, o libelo anti-areia de Any tentando seduzir Padmé Amídala. O resultado não poderia ser diferente: O pior filme da segunda trilogia da franquia.

7: Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma

Há alguns pontos genuinamente brilhantes em A Ameaça Fantasma. Qui-Gon Jinn sendo provavelmente o mais brilhante deles. O mestre Jedi sábio e tranquilo vivido por Liam Neeson é, ao lado do visual cabuloso de Darth Maul, o ponto mais alto do longa que levou Star Wars de volta aos cinemas após um hiato de dezesseis anos. Esses pontos mais altos provavelmente são o que me levam a relevar um pouco a forma como George Lucas conduz com mão pesada a trama política envolvendo a federação de comércio, o senado galáctico, as tensões entre humanos e gungans em Naboo, a péssima direção dispensada a Jake Lloyd (que jamais se recuperou do ódio que seu Anakin Skywalker recebeu dos fãs), tudo o que envolve Jar Jar Brinks e o fato de a Força deixar de ser um campo de energia místico e se tornar uma infestação. Ainda assim, o longa termina com um dos três melhores duelos de sabres de luz na história da série e a promessa de vermos como um gurizinho doce e inocente se transformaria em um dos vilões mais casca-grossa do cinema encheu todos os fãs de esperança (infundada, ou não) pelo que viria dali a três anos.

6: Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith

O episódio final da trilogia prequel de Star Wars foi um longa carregado de todos os problemas de assolaram os dois filmes anteriores. A escrita de George Lucas seguiu desastrada, sua direção, emocionalmente estéril, os ambientes totalmente digitais onde ele escolheu situar todas as cenas do filme tão  convincentes quanto a saúde frágil de um político condenado... Entretanto, o fato de o longa se ver obrigado a amarrar todas as pontas soltas que separavam os episódio III e IV deu uma urgência quase palpável às duas horas e vinte minutos do filme. As Guerras Clônicas são concluídas com as mortes de Dookan e Grievous, Anakin se rende ao lado sombrio, Palpatine dissolve o senado e forma o império, Padmé dá à luz gêmeos e Obi-Wan enfrenta o novo aprendiz de Darth Sidious no grande duelo de sabres de luz da série. Nem tudo funciona (a luta entre Yoda e Sidious desaponta particularmente, assim como Padmé literalmente morrer de falta de vontade de viver), novamente a trama política é mal conduzida, e as notas emocionais do longa não conectam como deveriam, ainda assim A Vingança dos Sith é o melhor filme da trilogia prequel com alguma folga.

5 - Star Wars: Episódio VII: O Despertar da Força 

Dois mil e quinze foi o ano em que a Disney lançou sua versão de Star Wars nos cinemas do mundo para chacoalhar os alicerces do capitalismo corporativo e tornar a série um colosso multi-bilionário. Os fãs estavam em polvorosa, e eu era um dos nerds fantasiados para a estréia de O Despertar da Força. 

Hoje, com o benefício da perspectiva, é bastante fácil perceber os defeitos e os problemas do filme, mas isoladamente, o sétimo Star Wars a chegar às telonas era quase perfeito. O novo elenco era carismático e se misturou bem com os heróis de outrora, os efeitos e a trilha sonora eram de cair o queixo, e havia potencial a dar com pau para Star Wars seguir lançando um filme por ano, faturando bilhões para os acionistas do Mickey, até o inferno congelar apenas baseado em todas as sugestões de mistério da trama. Claro, nós sabemos o que houve com a série a partir de Os Últimos Jedi, mas eu lembro bem da sensação de assistir O Despertar da Força no cinema.

4 - Rogue One - Uma História Star Wars

Star Wars jamais havia escolhido exatamente qual lado da cerca que separa ficção científica e fantasia queria habitar, e isso nunca foi um problema. Rogue One não seria o filme a escolher um gênero em detrimento do outro, mas a acrescentar uma nova opção ao rol:

O filme de guerra.

O longa dirigido por Gareth Edwards foi, sem sombra de dúvida, o produto de Star Wars sob o selo Disney que melhor envelheceu. Com um tom mais maduro do que seus predecessores imediatos, a história sobre como a Aliança Rebelde pariu uma bigorna para obter os planos da Estrela da Morte e garantir uma chance de vitória contra o Império galáctico, Rogue One não apenas é um triunfo em si, mas ainda é o embrião para Andor, que se tornaria a melhor coisa com Star Wars no título desde a década de 1980.

3 - Star Wars: Episódio VII - O Retorno de Jedi

O terceiro longa da trilogia original é excelente em quase todos os sentidos. Talvez o ponto baixo do longa seja a presença dos ewoks (originalmente seria um exército de wookies, mas o orçamento do longa não cobria a ideia). À parte disso, no entanto, temos alguns dos melhores momentos da franquia. O encontro derradeiro entre Luke e Vader, o resgate de Han das garras de Jabba, o Hutt, o ardil do imperador Palpatine sobre a capacidade operacional da segunda Estrela da Morte... Tudo para encerrar com chave de ouro o que se tornaria uma das trilogias fundamentais da história do cinema.

3 - Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança 

Quando o que, na época era apenas "Guerra nas Estrelas" chegou às telas em 1977, o público não estava preparado para a salada de referências que ia de Flash Gordon a Akira Kurosawa embrulhada em efeitos especiais de última geração, conceitos que deixariam uma marca indelével no cinema do Século XX e alterariam a cultura pop para sempre. A história de uma aliança rebelde encabeçada por uma princesa que não levava desaforo pra casa, um salafrário cheio de coração e um garoto da fazenda conduzido por um velho eremita a um universo muito maior do que ele supunha existir foi um fenômeno sem precedentes que apresentou personagens que viveriam para sempre na mente e no coração de uma base de fãs que aumentaria exponencialmente a cada ano pelas décadas seguintes.

1 - Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca

Não tem pra mais ninguém. O Império Contra-Ataca não é apenas o melhor filme de Star Wars, é um dos filmes fundamentais do cinema em geral. A retaliação brutal de Darth Vader e Palpatine após a destruição da Estrela da Morte começa nos primeiros minutos de filme, quando a base rebelde em Hoth é atacada. A partir daí é um crescendo incessante conforme Han, Leia, Chewie e C-3PO são engolidos por vermes gigantes, traídos em Bespin e encaram o próprio lorde negro de Sith, enquanto Luke procura por mestre Yoda para concluir seu treinamento e se tornar, de fato, um Jedi, mas apenas se puder ser capaz de colocar seus sentimentos de lado e não arriscar a derrota definitiva ao tentar salvar seus amigos.

O longa apresenta personagens espetaculares como Yoda e Lando Calrissian, planta as sementes do romance mais maneiro da galáxia, e ainda tem um dos desfechos abertos mais incríveis do cinema após os heróis serem brutalmente massacrados pelos vilões, algo para o qual ninguém estava preparado após o otimista encerramento do longa original. 

Ao elevar todas as apostas a níveis estratosféricos apenas para esmagar os mocinhos sob o punho de ferro do vilão, O Império Contra-Ataca criou um fenômeno que a série jamais conseguiria equiparar, e criar o melhor filme de Star Wars já realizado.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Encruzilhadas


Certa feita, eu lembro de ter escrito algo a respeito d'O Momento, referindo-me àquelas encruzilhadas fundamentais da vida das pessoas, quando é  necessário escolher um caminho e, ou colher os frutos de uma escolha acertada, ou arcar com as consequências de uma escolha equivocada. 

Se minha memória ainda me serve de alguma coisa, creio ter escrito algo a respeito de "pena e comiseração para com aqueles que deixam passar 'o momento'", ou algo que o valha. É uma opinião que eu mantenho hoje, tantos anos depois (embora provavelmente fosse escrever a respeito de forma menos pretensiosa), essa de que, há  momentos de definição na vida de todos nós, quando uma escolha pode nos encaminhar por uma estrada de realizações ou enveredar por uma trilha de desgostos. Se parece um pouco fatalista, deve ser porque, nos últimos anos, eu não estive rodando pela estrada, mas sendo arrastado pelas mais acidentadas trilhas do desgosto.

Eu já falei a respeito disso antes. Sobre como, entre os anos de 2020 e 2021, eu vivi uma profunda crise onde quase tudo o que poderia ter dado errado na minha vida, deu, como um um tipo de dominó da tristeza. Não foi fácil, e, à certa altura do processo (que ainda não terminou), eu me vi encarando essas encruzilhadas quase que diariamente, encarando escolhas das mais simples, como "saio da cama, ou continuo deitado?", até "Vou ao dentista ou pago a conta de luz?". Eu não sei em  quantas dessas encruzilhadas eu fiz a escolha correta, porque, como quase tudo na vida, muitas vezes "certo" ou "errado" é questão de perspectiva e perspectiva é questão de tempo, então nenhuma resposta é definitiva.

Bom... Quase nenhuma...

Há sete meses e quatro dias, eu estava em uma dessas encruzilhadas. Estava com o celular na minha mão, pensando se deveria, ou não, pressionar a setinha... Eu não sei ao certo o que me levou a escolher "Sim. Pressione a seta, seu maldito idiota", se foi mera impaciência após o que pareceram horas olhando para a tela do telefone com uma expressão de aflição estampada na cara, euforia do abismo ou apenas uma desmedida fagulha de otimismo... Realmente não sei. O fato, porém, é que enviar aquela mensagem foi, sem nenhuma sombra de dúvida, uma das melhores decisões que eu tomei nos últimos dez anos, uma das cinco melhores decisões que eu tomei na vida, e a segunda melhor decisão que eu tomei no ano passado. A segunda porque, um mês e quatro dias depois, eu tomei a melhor decisão do ano passado (e uma das três melhores decisões da minha vida), quando eu, tomado de uma infundada onda de confiança, pedi a mulher da minha vida em namoro.

Isso foi há seis meses, hoje. E eu não me lembro de já ter estado mais feliz, mais completo ou mais emocionalmente realizado. Obrigado, lindeza, por um semestre perfeito. Eu te amo.

sábado, 29 de novembro de 2025

No Lugar Dela...




Fótons são partículas fundamentais únicas na natureza. Únicas porque são simultâneamente partículas e ondas. É um caso singular no mundo da física. Dependendo do tipo de barreira colocada em seu caminho, os fótons se comportam como uma coisa, ou como a outra, sempre na ânsia de chegar a seu destino.
Fótons começam sua vida no núcleo de estrelas como o Sol, e, em seu começo,  surgem como radiação gama de altíssima intensidade, aquele tipo violento de radiação que, após uma eventual exposição, no pior dos casos te faz derreter lenta e dolorosamente em nível molecular sobre uma cama de hospital, e, no melhor, te transforma no incrível Hulk.
Entretanto, a jornada do coração de uma estrela até sua superfície é árdua e demorada. Essas partículas de energia estão  cercadas por outras tantas, elas se chocam, esbarram e acotovelam como um pobre porto alegrense andando pela Voluntários da Pátria em uma tarde quente do dia vinte e três de dezembro, e isso faz com que essas poderosas unidades de radiação gama vão perdendo potência durante o percurso, que pode durar centenas ou até milhares de anos. E quando finalmente escapam das entranhas escaldantes do astro-rei, elas transformaram-se em luz visível, acompanhada de radiação infravermelha e ultravioleta — e é por isso que podemos enxergar o brilho do Sol.
Perceba que essa forma de energia passa milênios aprendendo a andar. Oito minutos vencendo, à velocidade da luz, o vácuo espacial que separa o Sol da Terra. E a primeira coisa em que ela toca, são as sardas ungidas com protetor solar fator 99 do teu rosto…
No lugar dela, eu diria que valeu a pena.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

...Ou Talvez Não Seja o Fim...




Talvez não seja o fim.
Talvez não seja necessário ficar no chão depois de cair.
Talvez a dor não seja perene.
Talvez a tristeza não fique agarrada na gente como se fosse um carrapato atingido por radiação gama.
Talvez, a última pessoa que tu amou, só tenha sido a última pessoa que tu amou até aquele momento.
Talvez, haja um novo começo.
Talvez, se possa fazer como o Superman, e sair da cama, colocar um pé na frente do outro, e tomar as melhores decisões possíveis.
Talvez, às vezes, a vida preste.
Talvez, a felicidade esteja a uma mensagem de whatsapp de distância.
Talvez, a primeira pessoa que tu amou, vá ser a última pessoa que tu vais amar.

sábado, 10 de junho de 2023

Provavelmente o Fim

 Ultimamente eu me flagro, quase todos os dias, pensando nas coisas que deram errado na minha vida.

É um longo exercício de futilidade e auto-flagelação que não leva a nada, exceto à certeza de que a responsabilidade pela minha própria tragédia é integralmente decorrente das minhas ações.

O exercício toma um grande tempo porque, em dois anos, tudo o que podia ter dado errado pra mim, deu errado.

Não é um exagero. Não é uma hipérbole. É um fato.

Profissionalmente, academicamente, sentimentalmente, financeiramente... Tudo foi por água abaixo. Mesmo minha saúde, que, como diria a saudosa Rita Lee, não era de ferro, não, mas jamais me deixara excessivamente na mão, resolveu arriar, e eu me deparei com problemas de saúde que jamais imaginei que enfrentaria e que são dolorosamente debilitantes. Como se isso não fosse o suficiente, meus problemas financeiros pioraram, e eu me vi enredado em um processo judicial após sofrer um golpe de meu antigo empregador. Isso tudo, extraiu um alto preço da minha saúde mental, e eu mergulhei em uma profunda depressão que me fez passar semanas trancado em casa sem conseguir sair da cama enquanto vislumbrava a maneira como tudo desmoronou ao meu redor e o quanto eu estava impotente para lidar com a situação.

Essa foi uma das razões para eu ter me afastado do blog. Eu não tinha nada de positivo para compartilhar com ninguém. Nada de interessante. Nada de bom... E, contrariando o adágio popular, minha miséria não adora companhia. Muito antes pelo contrário. Eu sempre preferi sofrer quieto no meu canto.

E é o que eu tenho feito nesses últimos anos.

As coisas não melhoraram pra mim. E eu não vejo uma possibilidade de mudança no horizonte. Estou tentando me manter vagamente funcional. Eventualmente tento fazer algo que gosto, como jogar RPG com meus amigos, assistir um filme, ler um livro, jogar videogame... Meu médico me mandou praticar exercício, então voltei a fazer musculação. Ajuda um pouco, mas cada vez ajuda menos e se torna mais doloroso...

De qualquer forma, eu tento não me queixar. Tento manter o foco nas coisas imediatas. Dividir meus dias em pequenas unidades de tempo que eu possa gerenciar.

Todo o momento em que eu não estou gerenciando uma pequena tarefa, eu estou pensando nas coisas que deram errado... Nas coisas que eu fiz, que me trouxeram até onde eu estou. Acabado. Doente. Derrotado. Triste. Sozinho...

É, como eu disse antes, um tipo de tortura auto imposta. Eu sei. Mas é inevitável.

Acho que esse ato de ruminar o passado é típico de quem destruiu todas as suas chances de ser feliz.

Todo o tempo eu estou pensando em coisas que eu deveria ter feito. Coisas que deveria ter dito. Arrependimentos. Erros. Equívocos. Falhas. Chances desperdiçadas...

Todo o tempo...

Mas não hoje.

Hoje, eu vou pensar em ti.

Não com tristeza. Não com dor. Não com saudade...

Hoje, eu vou pensa só no dia em que eu estava andando nervosamente em uma calçada, e de repente virei sobre os calcanhares e me deparei com o amor da minha vida.

Feliz nosso dia.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Resenha Série: WandaVision, Temporada 1, Episódio 5: Em Um Episódio Muito Especial...


Após um quarto episódio que levantou o nível de série uma barbaridade, WandaVision teve um quinto capítulo igualmente movimentado, cheio de revelações e surpresas.
O episódio cinco de WandaVision abre com o casal título encarando as mazelas de ter recém nascidos em casa. Toda a estética do seriado criado pelos poderes de Wanda emulam os anos 1980, tanto a decoração do set quanto as roupas usadas pelos personagens em cena, quanto a abertura do programa, que emula Caras e Caretas e Três é Demais, e até mesmo os temas abordados (luto sendo o mais óbvio deles) é TV oitentista à perfeição.
Enquanto tentam, com a ajuda de Agnes, pacificar os bebês Billy e Tommy, Wanda e Visão discutem sobre a presença da vizinha na casa, resultando em uma tremenda quebra da ilusão, restabelecida quando Wanda, e o riso da "plateia" fazem a situação soar como um tipo de piada, e mascarada pelo fato de os bebês resolvem seguir as regras da série, e darem um salto temporal, indo de recém nascidos a meninos de cinco anos de idade em um piscar de olhos.
Enquanto os gêmeos não param de usar seus poderes para burlar as regras impostas por seus pais, do lado de fora de Westview, Monica Rambeau está sendo testada e re-testada por conta de seu período dentro do "hex", o hexágono energético ao redor da cidade. Conforme ela relata a sensação de luto que envolvia estar presa na ilusão, o diretor Hayward declara Wanda uma terrorista, e se aproveita do momento em que Darcy, Woo e Monica planejam entrar em contato com Westview usando tecnologia dos anos 80, para tentar um ataque à Feiticeira Escarlate (eu nem sei se deveria usar esse título já que o episódio fez questão de apontar que Wanda não tem um codinome).
A coisa obviamente não sai conforme Hayward planejava, e pela primeira vez na série, Wanda sai do hex para confrontar a E.S.P.A.D.A. e dar um ultimato aos seus "espectadores": Wanda conseguiu o que quer, e não deixará que ninguém tire isso dela.
Darcy, entretanto, escolhe uma forma mais sutil de abordagem, e consegue regar a semente de dúvidas que já estava plantada na cabeça do Visão, criando a primeira grande cisma do casal quando o sintozoide resolve confrontar Wanda a respeito das coisas estranhasocorrendo em Westview, apenas para a campainha do lar do casal soar e deixar as coisas ainda mais estranhas...
"Em Um Episódio Muito Especial..." foi, de longe, o melhor episódio da série até o momento, conseguindo equilibrar os temas do seriado criado por Wanda com os acontecimentos do mundo fora de Westview, além de nos mostrar um pouco dos eventos que antecederam a "Anomalia Maximoff" e fazer a trama avançar, com Visão começando a ver além do que Wanda criou para eles, e uma grande surpresa que é, potencialmente, o primeiro toque do vindouro multiverso Marvel dos cinemas ao final do capítulo.
WandaVision começa sua segunda metade com o pé direito e haja unha para aguentar até a próxima sexta, torcendo para que a série mantenha a qualidade crescente.

"Você não acredita em mim...
-Eu quero, mas nesse momento estou ignorando inteiramente as estatísticas."

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Resenha Série: Deuses Americanos, Temporada 3, Episódio 4: The Unseen

 


O quarto episódio de Deuses Americanos começa com a chegada dos orixás aos EUA, trazidos pelas orações e súplicas dos escravos que foram levados aos campos de algodão do sul dos Estados Unidos para fazer a fortuna de seus mestres, que quebraram o pacto que a constituição norte-americana fez com Deus, de garantir que todos os homens seriam iguais naquele país... É mais um dos bons recortes que vêm abrindo os episódios dessa temporada, mas seguem carecendo do impacto dos "Chegando à América" do primeiro ano, e uma boa abertura para o episódio que engata de onde o anterior havia parado.
Conforme nós vimos ao final do capítulo passado, Shadow chegou à casa de Bilquis para encontrar sinais de uma luta, poças de sangue, o Technical Boy e nada da deusa do amor. Somando dois e dois, o protagonista acredita que o novo deus fez algo com a deusa antiga, mas, após surrar brevemente seu desafeto (a quem Shadow ainda não perdoou pela tentativa de linchamento da primeira temporada), ele descobre que foi o oposto.
Em seu último encontro, Bilquis desarranjou Technical Boy de alguma forma, e ele precisa encontrá-la se quiser voltar à sua velha forma, algo que não será capaz de fazer sem ajuda já que a deusa do amor foi capturada pela poderosa firma de segurança que serve a Bill Sanders, a última "refeição" de Bilquis. As circunstâncias, então, tornam ele e Shadow aliados, ainda que desconfortáveis, e os dois saem por Nova York para tentar descobrir o paradeiro da divindade convertida em prostituta.
Enquanto isso, Quarta-Feira segue tentando tirar Deméter do asilo onde ela está internada. Após esbarrar na presença aparentemente inamovível de seu curador, Larry Hutchinson (Sebastian Spence), que casualmente também é o diretor da casa de saúde e, Cordelia descobre, exatamente o golpista aproveitador que Quarta-Feira supunha.
Para tirá-lo do caminho, tudo o que o Pai de Todos necessita é o HD do computador pessoal de Hutchinson algo que ele pode obter facilmente através de seu séquito pessoal, os motoqueiros do bar Valhalla East, a menos que o luto de Johan (Marilyn Manson), vocalista da banda Blood Death por seus companheiros de palco tenha consequências explosivas sobre os planos de Odin...
E, fechando a trinca de linhas narrativas desse capítulo, nós voltamos ao purgatório para explorar o destino de Laura, que, segundo o Guia do Purgatório, é grandioso, e por isso há deuses tentando impedi-la de cumpri-lo. Mais do que isso, o destino se manifesta quando o cadáver de Sweeney é encontrado no cemitério onde Laura o deixou antes de virar pó...
The Unseen é outro episódio bem abaixo dos dois primeiros capítulos da temporada atual. Ainda que não seja tão ruim quanto o anterior, é filler descarado até a raiz da alma, o que me leva a pensar se, a exemplo do que acontecia com as séries da Marvel na Netflix, os showrunners de Deuses Americanos não deveriam considerar reduzir o número de episódios por temporada ao invés de esticar a trama até ela ficar tão fina quanto pareceu aqui... Seja como for, o próximo episódio será o mid-season, vamos torcer para que a série reencontre seu ritmo e, quem sabe, faça a trama andar um pouco.

"-Isso foi por me linchar, caipira.
-Eu já pedi desculpas por aquilo.
-Desculpas não aceitas. Nem agora, nem nunca."