Certa feita, eu lembro de ter escrito algo a respeito d'O Momento, referindo-me àquelas encruzilhadas fundamentais da vida das pessoas, quando é necessário escolher um caminho e, ou colher os frutos de uma escolha acertada, ou arcar com as consequências de uma escolha equivocada.
Se minha memória ainda me serve de alguma coisa, creio ter escrito algo a respeito de "pena e comiseração para com aqueles que deixam passar 'o momento'", ou algo que o valha. É uma opinião que eu mantenho hoje, tantos anos depois (embora provavelmente fosse escrever a respeito de forma menos pretensiosa), essa de que, há momentos de definição na vida de todos nós, quando uma escolha pode nos encaminhar por uma estrada de realizações ou enveredar por uma trilha de desgostos. Se parece um pouco fatalista, deve ser porque, nos últimos anos, eu não estive rodando pela estrada, mas sendo arrastado pelas mais acidentadas trilhas do desgosto.
Eu já falei a respeito disso antes. Sobre como, entre os anos de 2020 e 2021, eu vivi uma profunda crise onde quase tudo o que poderia ter dado errado na minha vida, deu, como um um tipo de dominó da tristeza. Não foi fácil, e, à certa altura do processo (que ainda não terminou), eu me vi encarando essas encruzilhadas quase que diariamente, encarando escolhas das mais simples, como "saio da cama, ou continuo deitado?", até "Vou ao dentista ou pago a conta de luz?". Eu não sei em quantas dessas encruzilhadas eu fiz a escolha correta, porque, como quase tudo na vida, muitas vezes "certo" ou "errado" é questão de perspectiva e perspectiva é questão de tempo, então nenhuma resposta é definitiva.
Bom... Quase nenhuma...
Há sete meses e quatro dias, eu estava em uma dessas encruzilhadas. Estava com o celular na minha mão, pensando se deveria, ou não, pressionar a setinha... Eu não sei ao certo o que me levou a escolher "Sim. Pressione a seta, seu maldito idiota", se foi mera impaciência após o que pareceram horas olhando para a tela do telefone com uma expressão de aflição estampada na cara, euforia do abismo ou apenas uma desmedida fagulha de otimismo... Realmente não sei. O fato, porém, é que enviar aquela mensagem foi, sem nenhuma sombra de dúvida, uma das melhores decisões que eu tomei nos últimos dez anos, uma das cinco melhores decisões que eu tomei na vida, e a segunda melhor decisão que eu tomei no ano passado. A segunda porque, um mês e quatro dias depois, eu tomei a melhor decisão do ano passado (e uma das três melhores decisões da minha vida), quando eu, tomado de uma infundada onda de confiança, pedi a mulher da minha vida em namoro.
Isso foi há seis meses, hoje. E eu não me lembro de já ter estado mais feliz, mais completo ou mais emocionalmente realizado. Obrigado, lindeza, por um semestre perfeito. Eu te amo.





