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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Resenha Cinema: Rambo: Até o Fim


É bem possível que se Rambo: Programado para Matar não tivesse tido uma recepção ruim de audiências de teste a seu depressivo final tirado do livro fonte escrito por David Morrell, onde o Cel. Trautman matava John na delegacia após perceber que o veterano não seria capaz de se reintegrar à vida civil, fazendo os produtores do longa optarem por gravar um novo final onde John se rendia e era preso, nós tivéssemos perdido a longeva série que, durante muito tempo, foi o pedal onde Sylvester Stallone se impulsionava para disputar uma guerra de bilheterias musculosas com Arnold Schwarzenegger.
A Rambo: Programado para Matar, de 1982, seguiu-se Rambo II: A Missão, de 1985 co-roteirizado por James Cameron onde Rambo ia ao Vietnã resgatar prisioneiros de guerra, e então Rambo III, de 1988, onde John ia ao Afeganistão resgatar Trautman e lutar contra os invasores soviéticos, e que foi o último longa do atormentado boina verde até que, em 2008, Stallone voltaria ao papel aos sessenta e dois anos em Rambo IV, co-escrito e dirigido por Sly, que colocou o ex-militar em mais uma missão de resgate, dessa vez em Mianmar salvando a vida de missionários religiosos sem noção, e terminava com Rambo retornando aos Estados Unidos, para o rancho de sua família.
Mais onze anos se passaram desde o último Rambo, e ontem Stallone voltou ao cinema com Mais uma aventura de um de seus personagens fundamentais, a primeira acontecendo nós EUA desde o filme original.
Rambo está vivendo no rancho de sua família no Arizona.
Ele tem dividido seus dias entre domar cavalos selvagens, forjar cutelaria, tomar parte em missões de resgate na região como voluntário, e ajudar na criação de sua sobrinha Gabriela (Yvette Monreal), uma tarefa que divide com Maria (Adriana Barraza).
Com dezessete anos, Gabriela está prestes a entrar na faculdade quando descobre a localização do pai biológico que a abandonou, ainda na infância.
À revelia dos conselhos de Rambo e de Maria, Gabriela resolve viajar ao México para encontrar seu genitor.
As coisas, porém, dão errado para Gabriela, e ela acaba nas mãos de uma gangue de traficantes de mulheres chefiada pelos irmãos Martínez ( Sérgio Peris-Mencheta e Oscar Jaenada).
Rambo, então, resolve viajar até o outro lado da fronteira e recuperar a única família que lhe resta, mesmo que isso signifique começar mais uma guerra.
Dirigido por Adrian Grunberg, mesmo diretor de Plano de Fuga, com Mel Gibson, Rambo: Até o Fim é facilmente o filme mais fraco da franquia.
Seus oitenta e nove minutos são extremamente ligeiros e o roteiro escrito por Matthew Cirulnick, Dan Gordon e o próprio Stallone é econômico ao limite, os personagens são mais ou menos apresentados, o fiapo de trama estabelecido e partimos logo pra ação, e não há nada de errado com isso.
Após o primeiro longa da franquia (Talvez com uma exceção ao terceiro), Rambo sempre foi basicamente isso: Uma desculpa para os tiroteios, flechadas e facadas.
E Até o Fim entrega tudo aquilo que os fãs da série esperam.
O longa conta com um repertório de violência que supera até mesmo os píncaros de brutalidade alcançados pelo filme anterior, quando Rambo arrancava a garganta de um homem do pescoço usando as próprias mãos.
Dessa vez, Rambo usa, não apenas sua força quase sobre humana, suas habilidades no uso da faca, do arco e flecha, e de armas diversas, mas também sua astúcia na hora de receber invasores em sua casa, quando ele transforma seu rancho, celeiro e os túneis abaixo deles em armadilhas mortais que fariam Kevin McCallister e Jigsaw ficarem orgulhosos.
Rambo: Até o Fim certamente não irá cativar críticos de cinema pelo mundo, e definitivamente não é pra todas as audiências, mas os fãs da franquia certamente irão se fartar de ver o herói septuagenário matar bandidos absolutamente desprezíveis com todos os requintes de crueldade que a mente humana é capaz de conceber.
Os vilões são desumanos de tão ruins para que a audiência possa celebrar quando eles são brutalmente eviscerados, carbonizados, empalhados e imolados.
Não é bonito, não é particularmente bem filmado ou bem escrito, mas é uma sessão de cinema rápida e divertida para os fãs da série.

"-Eu quero que eles saibam que a morte está vindo. E que não há nada que eles possam fazer..."

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Resenha Série: The Boys, Temporada 1, Episódio 6: The Innocents


Após termos um vislumbre do tamanho da conspiração engendrada pela Vought para transformar bebês em super-humanos os enchendo de Composto-V desde a maternidade os rapazes começam a pensar no que fazer com essa informação que mostra, não apenas que a maior empresa dos EUA está colocando crianças em risco, mas também que a sua história a respeito de os super-heróis serem escolhidos por Deus é uma fraude.
Antes de dar o próximo passo na guerra contra os super, porém, Billy precisa ter uma conversa com Hughie.
O líder da equipe anti-super-heróis não está satisfeito com a proximidade entre o novato e Luz-Estrela, e percebe que, o que deveria ser um meio para um fim, está se tornando mais do que isso.
A conversa entre os dois leva a um bem-vindo momento para sabermos mais sobre Butcher, que até aqui era pouco mais do que uma pilha de raiva e tiradas sarcásticas. O background do sujeito justifica plenamente seu ódio pel'Os Sete em geral, por Capitão Pátria em particular.
A esposa de Billy, Rebecca, desapareceu sem deixar rastros há oito anos, após ser violentada pelo super-herói mais poderoso do mundo.
Para Billy, todos os super são o inimigo, e enquanto Hughie parece estar começando, aos poucos, a superar a perda de Robin por conta de sua proximidade com Annie/Luz-Estrela, Butcher não é capaz de aceitar a perda de Becca. Mais do que isso, ele não acredita que deva, pois seria o mesmo que aceitar um sistema corrupto e falido que permite que criaturas super-poderosas a serviço de uma mega-corporação andem pelas ruas colocando vidas em perigo de maneiras impossíveis.
Isso nos leva a uma cena cheia de humor negro em um grupo de apoio para pessoas transformadas em "dano colateral" pela ação de super-heróis (indo de uma mulher que ficou paralisada após ser salva de forma meio desajeitada por um super a um sujeito que teve uma amputação tenebrosa durante uma aventura sexual com uma heroína), e então ao banco da praça que vimos Billy vigiando de seu apartamento no flashback em The Female of the Species. O último lugar onde Becca Butcher foi vista com vida, e lá, Karl Urban finalmente tem a oportunidade de demonstrar um pouco mais do que palavrões e caras de maluco, e entregar um pouco de drama ao pedir que Hughie jamais esqueça quem é o inimigo.
Mas isso não é tudo o que está acontecendo.
A revelação de Luz-Estrela na Eu Creio Expo deu o que falar, e, novamente, Madelyn Stillwell não conseguiu ler a situação que se desfraldava diante dela já que o apoio à jovem super-heroína alcançou as alturas após seu discurso no evento religioso. Sua revelação sobre ter sido assediada na chegada a'Os Sete inclusive respingou feio em Profundo, e, somado à sua desastrada tentativa de resgate do golfinho, acabou causando seu remanejo para Ohio em meio ás gravações do reality show "Supers na América", que deve servir como propaganda para ajudar a aumentar a aceitação dos super-heróis nas forças armadas.
É nesse segmento que temos um vislumbre das verdadeiras origens do Capitão Pátria, criado isolado em uma sala azulejada sem nenhum contato humano, o que explica, em grande parte, a sua gravíssima patologia mental.
E, enquanto Hughie e Billy tentam acertar os ponteiros, Frenchie convence Leitinho a ajudá-lo a contatar Mesmer.
Na adolescência um super-herói capaz de ler a mente das pessoas ao fazer contato físico, Mesmer cresceu e ganhou a cara de Haley Joel-Osment (que, assim como Rodrigo Maia e o Sam Tarly de Game of Thrones tem aquelas caras que não dá pra evitar de querer dar um bofetão), e se tornou um fracassado que ganha a vida assinando boxes em DVD da sua antiga série de TV em convenções frequentadas por figuras aleatórias como o velocista de segunda linha Onda de Choque, Tara Reid e Billy Zane...
A ideia de Frenchie funciona, e, através de Mesmer, eles descobrem, não apenas que a moça se chama Kumiko, mas que ela tem uma história de vida trágica, tendo sido sequestrada ainda na infância por um grupo terrorista que treinou ela e o irmão para se tornarem parte das tropas e que sua transformação em super não foi mero acaso, mas parte de um esforço deliberado para criar super-terroristas.
De posse dessa informação Billy busca a ajuda de Raynor no FBI, mas descobre que os rapazes estão por sua conta, uma posição bastante desconfortável já que eles podem ter confiado na pessoa errada...
The Innocents foi um bom episódio de The Boys (meu favorito ainda é Good for the Soul, mas este ficou em um segundo lugar bem próximo). Finalmente a equipe de produção parou de acenar e sugerir motivações e backgrounds para realmente nos mostrar porque essas pessoas são quem são.
Uma das maiores provas de força desse capítulo é a performance de Urban e de Antony Starr, que está fazendo de Capitão Pátria um dos maiores psicopatas da TV recente.
Além deles, há um comentário esperto a respeito da manipulação da imagem, e escalar Haley Joel Osment como o herói-mirim que hoje está na pior é uma sacada de meta-linguagem que, por mais óbvia que possa parecer (Birdman que o diga), merece crédito.
The Innocents teve um equilíbrio entre personagens, humor e trama que teria sido muito bem vindo desde o início da série, mas que, se for mantido nos próximos dois episódios, pode me deixar quase ansioso pela segunda temporada.

"-De onde eu estava vendo parecia que você estava com a língua enfiada na garganta do inimigo."

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Resenha Série: O Justiceiro, temporada 2, episódio 11: The Abyss


The Abyss, décimo primeiro episódio da segunda temporada de O Justiceiro correu basicamente como se poderia esperar após os eventos de The Dark Hearts of Men... Na verdade, correu exatamente como se poderia esperar, com Frank sendo mantido sob custódia policial no hospital após ter surtado ao acreditar ter baleado três mulheres inocentes, alheio ao fato de que foi tudo um plano de Billy Russo e Krista Dumont após a psiquiatra ter conversado com Madani e descoberto o "ponto de pressão" de seu inimigo.
Filler até a raiz da alma, The Abyss não é tão incompetente quanto seu antecessor, em grande parte, por conta da participação especial de Deborah Ann Woll, que surge para acrescentar um pouco de boniteza à série como Karen Page.
Conforme era de se esperar, Karen e Madani se unem para ajudar a desvelar a tramoia de Billy, enquanto Amy surge para salvar a vida de Frank.
Sim, salvar, pois a localização do protagonista é pública e notória, e os Schultz colocaram o preço da cabeça do Justiceiro em cinco milhões de dólares.
Novamente o lance da recompensa colocando um alvo gigante nas costas de Frank é uma boa sacada. Adiciona um bom senso de urgência à trama, sem sombra de dúvidas. Muito menos inspirada é a porcaria do plano de Billy e Krista, que está desde o incício a uma análise forense de ser desmantelado.
Aliás, essa facilidade para desmascarar a armação do senhor e senhora Retalho é um dos pontos mais baixos do capítulo, quiçá da temporada. Porque, a despeito da execução claudicante, é possível entender porque os escritores tentaram uma manobra besta dessa.
Eles queria mostrar Billy atingindo um ponto central da psique de Frank. Queriam o Retalho numa posição de superioridade, com Frank aparentemente derrotado, e pronto pra se reerguer pra reta final da temporada. OK, é compreensível.
O problema é que o roteiro trata o trauma todo de maneira leviana. Num instante, Frank está pronto para morrer porque matou inocentes. No seguinte, é como se nada tivesse acontecido e ele está pronto pra fugir da polícia e retomar sua caçada humana como se nada tivesse acontecido.
Quando o próprio roteiro não parece se levar suficientemente a sério, não há talento de Jon Bernthal que dê jeito, e a coisa toda simplesmente degringola.
Conforme eu disse ali em cima, quem salva toda essa linha narrativa é Deborah Ann-Woll. Sua Karen Page é alguém capaz de sentir empatia por Frank Castle de uma maneira que Madani, Curtis ou Amy não sabem.
A forma como ela entende o peso do passado de Frank e suas decisões assassinas é particularmente compreensível tanto porque sabemos que a loirona matou David Wesley, quanto porque a investigadora também perdeu familiares (conforme vimos na terceira temporada de Demolidor), isso sem contar a óbvia química entre Woll e Bernthal, que sempre partilham uma honestidade desarmadora em cena. Explorar o relacionamento entre Karen e Frank é uma das melhores sacadas desse universo compartilhado moribundo, e quisera eu que mais vezes os crossovers entre personagens de séries distintas fossem tão bem sacados quanto esse.
Outra coisa bem sacada é o plano de fuga que Frank e suas gurias bolam, e é sempre bom ver o Justiceiro com a polícia em seu encalço. Falando em polícia, sobra espaço até para o detetive Mahoney obter uma rara vitória sobre o Justiceiro e Madani, que vinham saracoteando na cabeça do pobre policial que literalmente comeu o pão de o diabo amassou em Demolidor, vamos torcer para que o curso de ação bem louco escolhido por ele não acabe com a morte do único tira honesto e competente da Nova York da Marvel/Netflix.
Pelo lado dos vilões, houve espaço para Billy Russo se abrir com Krista e transparecer que pode realmente estar interessado em seguir sua vida ao lado da psiquiatra, mantendo-o como um dos mais humanos antagonistas de uma adaptação de super-herói; E, para John Pilgrim descobrir que sua escapadela regada a uísque, cocaína e boquetes teve um preço mais alto do que ele poderia supor...
Apesar de melhorar, e muito, com relação ao capítulo anterior, The Abyss ainda não retomou o bom ritmo que a temporada vinha tendo até seu nono episódio.
Uma coisa que segue destoando são os Schultz. Todas as cenas envolvendo o casal de evangelistas e John Pilgrim poderiam ter ido cortadas e a trama da temporada seguiria basicamente a mesma. Com dois capítulos pela frente, as tramas paralelas de Billy Russo e dos Schultz seguem desconexas, e é de se imaginar se elas se encontrarão em algum momento, ou se permanecerão separadas até o desfecho do capítulo treze...

"-Você pode escolher amar de novo. Outra pessoa ao invés de outra guerra.
-Eu não quero."

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Resenha Série: Punho de Ferro, Temporada 2, Episódio 6: The Dragon Dies at Dawn


Após quatro episódios que estiveram à altura dos melhores momentos de Jessica Jones e de Luke Cage, Punho de Ferro meteu o pé no acelerador em seu quinto capítulo e no sexto não parece estar disposto a afrouxar.
The Dragon Dies at Dawn segue de onde o quinto capítulo terminou. Danny está se recuperando do ritual que roubou o punho de ferro para Davos enquanto Misty interroga Joy e Mary para descobrir que as irmãs Graça são parte fundamental da transferência do coração do dragão. Com Danny convalescendo, cabe a Colleen e Misty encontrar as tatuadoras taburi e tentar descobrir os detalhes do ritual.
Enquanto isso, Danny aceita uma oferta de uma especialista em capturar Punhos de Ferro, Mary Walker, o que dá a Ward e Joy tempo para finalmente conversarem a respeito do que aconteceu entre eles e Howard.
Ao mesmo tempo Davos leva adiante seu plano de livrar Nova York de todo e qualquer crime, usando o punho de ferro como a derradeira ferramenta de purificação da cidade.
Novamente cabe dizer que, por mais que saibamos que Davos é o vilão aqui, até o momento sua sanha vigilante não é das mais nocivas. Óbvio que seus métodos são questionáveis, mas ele realmente está fazendo o que prometeu, caçando criminosos e defendendo os fracos e oprimidos. É quase uma aposta certa que, em algum momento, Davos vai acabar explodindo alguém que não devolveu o livro na biblioteca, mas até lá, Davos é um Punho de Ferro mais competente do que Danny, sendo, inclusive, capaz de concentrar seu chi em ambos os punhos ao mesmo tempo, o que é muito maneiro.
A melhor parte do episódio, no entanto, foi a missão conjunta de Colleen e Misty.
A amizade das duas parece um pouco artificial, é verdade, mas esse episódio é quase um piloto não-oficial para as filhas do dragão, com a policial elogiando os instintos justiceiros de Colleen e tentando convencê-la a se juntar à polícia.
Pra coroar o segmento, ainda tivemos uma excelente cena de luta da dupla contra as irmãs Garça. Claro, Colleen faz quase toda a coreografia de luta, e não há, de fato, nenhuma razão para as três tatuadoras, de repente, serem lutadoras de kung-fu, mas que se dane, Punho de Ferro abraçou os quadrinhos com vontade e isso inclui um pouco de absurdo, se a qualidade da série se mantiver nesse nível eu não vou me queixar se cada garçom de restaurante em Chinatown for um Bruce Lee em potencial.
Ward e Joy seguem sendo um dos pontos fracos da série, e não porque haja algo de errado na relação dos dois ou as interpretações de Pelphrey e Stroup, considerando tudo a relação deles é tão verossímil quanto as circunstâncias do programa permitem, mas ao mesmo tempo ela é um constante lembrete do rocambole folhetinesco que quase afundou a primeira temporada da série.
Mesmo com a elogiável humanização dos dois personagens, a verdade é que Joy era mais interessante quando era amiga de Danny, e Ward é mais interessante agora que é amigo de Danny... Será que é pedir demais que eles todos façam logo as pazes?
E, falando em más lembranças da primeira temporada, a tentativa de Danny de argumentar com Davos é um pouco irritante. Por mais que nós estejamos cientes de que Danny o vê como um irmão essa impulsividade e ingenuidade cegas são parte do que tornava o personagem irritante na primeira temporada, mas ei, que bom, após os eventos que encerram o capítulo parece justo dizer que isso não deve se repetir no futuro.
The Dragon Dies at Dawn segue firme no caminho de tornar Punho de Ferro uma das minhas séries Marvel Netflix favoritas junto com Justiceiro e Demolidor. Faltando quatro capítulos para o fim da temporada acertadamente mais curta resta torcer para que o programa não sofra a vertiginosa queda de qualidade que ocorreu na primeira temporada.


"-Eu não como carne. Matar animais para se sustentar é uma desgraça.
-Claro que não come. É só um vegetariano que mata gente..."

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Rapidinhas do Capita


Foi uma entrevista qualquer pra MTV falando de outro filme, mas a ruivíssima Jessica Chastain comentou que já andou conversando com a Marvel, onde quase assumiu o papel que ficou com Rebecca Hall em Homem de Ferro 3, mas que ficou de fora porque, em suas próprias palavras, se ia fazer um filme de herói, pra que ser a civil aborrecida? A ruiva queria um uniforme e queria chutar umas bundas.
Pronto.
Foi o estopim para a indicada ao Oscar ser ligada à Capitã Marvel, filme anunciado pelos estúdios Marvel para 2018.
Chastain foi rápida em ir ao twitter e desmentir a informação, e, de uma forma ou de outra, raramente o primeiro nome cogitado para um papel chega ao set de filmagem no histórico da Marvel no cinema.
Ainda assim, Jessica Chastain com sua gloriosa cabeleira ruiva e seu bocão ficaria fenomenal de maiô e botas até o joelho voando por aí...


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E temos mais uma razão para ir ao cinema ver Homem Formiga.
O filme que ficou órfão do ótimo Edgar Wright e caiu no colo do sem-graça Peyton Reed confirmou meio sem querer que Peggy Carter, a deliciosa Haley Atwell estará no longa metragem.
Um anúncio do longa pedia uma stand-in (um ator de mesma altura e constituição física que é usada para fins técnicos como iluminação e figurino) para a atriz inglesa.
Um rumor de alguns meses atrás dizia que Hank Pym (Michael Douglas) apareceria em um flashback, reunindo-se com membros fundadores da SHIELD, como Peggy Carter, Howard Stark (Que no filme deve aparecer como John Slattery, que fez o papel em Homem de Ferro 2, e não como Dominic Cooper, intérprete do herói em Capitão América - O Primeiro Vingador), Alexander Pierce (Que foi Robert Redford em O Soldado Invernal) e Arnin Zola.
Comentou-se, inclusive, que a inserção de outros personagens do Universo Cinemático Marvel teria sido o estopim para a saída de Wright.


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Recentemente a Sony revelou que vai lançar um derivado de O Espetacular Homem-Aranha totalmente dedicado à personagens femininas do universo aracnídeo.
A atriz Felicity Jones, que viveu a secretária Felícia (Hardy???) em O Espetacular Homem-Aranha 2, ao ser perguntada se interpretaria a Gata Negra no derivado, se fez de desentendida (mas não tanto) na resposta:
-Ser embalada a vácuo em um uniforme de couro e sair dando saltos mortais? Eu adoraria.
Dessa resposta podemos discernir que Jones sabe quem é a Gata Negra e está disposta a fazer (ou voltar) ao papel (que, baseado em fotos da produção teria participação bem maior e mais ativa antes da intervenção do estúdio).


Lisa Joy Nolan, roteirista de Burn Notice atualmente escreve o Spin-Off feminino aracnídeo para a Sony (que aparentemente planeja sugar até a última gota do Homem-Aranha antes de deixar os direitos do cabeça de teia retornarem à Marvel), que trata O Espetacular Homem-Aranha 2 como um fracasso de bilheteria ainda que o filme do herói aracnídeo tenha rendido mais na bilheteria do que sucessos como Batman Begins, Homem de Ferro e O Homem de Aço.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Resenha Cinema: Os Mercenários 3


Ah, a celebração da testosterona... O prazer de dizer ao mundo "Nós não estamos velhos demais pra isso."... A liberdade de fazer filmes sem saber atuar... Todas as maravilhas que apenas o cinema hollywoodiano oitentista oferece, de maneira rediviva, na cinessérie Os Mercenários.
O festival de músculos e rugas iniciado por Sylvester Stallone em 2010 segue após o episódio de 2012 trocando algumas caras amassadas por outras e adicionando um pouco de sangue novo à mistura.
No arremedo de trama dirigido por Patrick Hughes, os dispensáveis de Barney Ross (Stallone), Lee Christmas (Jason Statham), Gunnar Jansen (Dolph Lundgren), Tool Road (Randy Couture) e Hale Caesar (Terry Crewes) partem para uma missão de resgate, arrancando o colega Doc (Wesley Snipes) da prisão onde ele esteve nos últimos oito anos.
Após causar a quantidade tradicional de destruição gratuita, eles partem para Mogadíscio, na Somália, onde foram contratados pela CIA para dar fim a um perigoso traficante de armas chamado Simms.
Ao chegar ao local, Barney e seu grupo descobrem que o tal Simms na verdade é Conrad Stonebanks (Mel Gibson), um dos fundadores do grupo, dado como morto anos antes.
A missão fracassa, um dos membros é gravemente ferido, e Stonebanks escapa.
Temendo pela vida de seus companheiros, Barney dissolve o grupo, mas é coagido pelo agente Drummer (Harrison Ford) a continuar a caçada.
Para isso, ele recorre a Bonaparte (Kelsey Grammer), que o ajuda a montar uma nova equipe de jovens mercenários incluindo o especialista em armas Mars (Victor Ortiz), o hacker Thorn (Glenn Powell), a lutadora Luna (A campeã do UFC Ronda Rousey), e Smilee (Kelan Lutz).
Porém, talvez mesmo a combinação da experiência de Barney com os recursos e a vitalidade de seu novo grupo sejam insuficientes para capturar Stonebanks, um sujeito tão obstinado e perigoso quanto qualquer membro do time original de Ross.
É ruim, mas é bom.
O festival de auto referência (do "get to the choppa de Trench ao "I am the Hague de Ross, passando pelo "evasão fiscal" de Doc ou o fato de Drummer ser um piloto de helicóptero e mencionar que o Church de Willis está "out of the picture", e o background SRRS de Stonebanks...) e não-atuações dos mercenários (reforçado por Snipes, Lutz e Rousey, que têm todo o espectro emocional de um naco de presunto cru) é quebrado pela adição de quatro atores de verdade ao elenco.
Kelsey Grammer, que rouba o espaço que talvez pertencesse a Mickey Rourke com mérito, Harrison Ford, que assume o lugar de Bruce Willis, numa substituição que acrescenta, e, especialmente Antonio Banderas, roubando totalmente a cena com seu mercenário Galgo, o espanhol que não para de falar nunca, se sente mais jovem do que de fato é, e precisa de um serviço porque matar gente é a única coisa que sabe fazer, e é muito bom nisso, além, claro, de Mad Mel Gibson, que interpreta o melhor vilão da franquia até aqui, merecia mais tempo em cena e deveria ter matado mais gente (Todos os jovenzinhos e um ou dois membros originais, talvez?).
É graças a esses quatro, às boas sequências de ação e à assumida comicidade do filme (que ainda tem o retorno de Schwarzenegger como Trench e Jet Li como Yin Yang) que nós podemos perdoar os efeitos especiais com cara de série de TV e o roteiro todo esburacado.
Que venha Os Mercenários 4, mas que sumam com os jovens mercenários e mantenham só os vovôs briguentos. Eles é que têm permissão pra quebrar tudo com zero talento dramático.

"-Quão difícil pode ser matar dez homens?"

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Rapidinhas do Capita


Em entrevista ao The Big Issue, George Romero, papa absoluto do movimento zumbi, sintetizou em uma frase tudo o que me faz ser o único fã de zumbis que despreza The Walking Dead.
Segundo o diretor, que afirmou ter negado um convite para dirigir um episódio da série, o programa hit de público é "Uma novela com zumbis ocasionais".
Baseado no que eu vi do programa, e admito que não foi muito, pois achei chato demais, concordo com o mítico cineasta.

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Mas eita... A lutadora de MMA Jessica Eye, da divisão feminina do UFC, a mesma organização de Anderson Silva, Georges St. Pierre, Quinton Jackson e afins declarou em entrevista que não consegue namorado, e que está "solteira e cem por cento com tesão faz um longo tempo".
Jessica, dona de um cartel de 11 vitórias e uma derrota no UFC, declarou que enfrenta escassez de homens dispostos o suficiente para namorar uma lutadora.
"Os meninos têm medo de mim. Acho que sou muito confiante para eles", revelou a lutadora, que continuou dizendo que não vai sair com qualquer um apenas por necessidade.
O que eu posso dizer?
Se pudesse, casava com a Jessica Eye agora, sem pensar duas vezes por mais que houvesse o risco de toda a DR terminar em olho roxo, e por mais que fosse a típica relação em que o homem tem a última palavra sendo "Sim, senhora" ou "Não me bata mais!".
Imagina, uma moça bonita, gostosa e que pode te defender numa briga? Deve ser o mais próximo que uma pessoa de verdade pode chegar de namorar a Hit Girl.



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Surgiu uma imagem promocional de Guardiões da Galáxia novinha em folha. Na arte Drax, o destruidor aparece com as feições de Dave Bautista, e Gamora tem a cara de Zoe Saldaña.
No longa escrito e dirigido por James Gunn que estréia em agosto do ano que vem, conheceremos Peter Quill, o Senhor das Estrelas, filho de um alienígena e uma terráqeua que se torna o líder da tropa, que conta ainda com o alienígena planta Groot (interpretado por Vin Diesel) e Rocket Racoon (dublado por Bradley Cooper).

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Resenha Blu-Ray: Alvo Duplo


Após uma frustrante sessão de cinema em que aturei Ashton Kutcher tentando desesperadamente atuar, cheguei em casa e resolvi tentar uma nova experiência cinematográfica, quem sabe algo menos pretensioso.
Depois de um breve escrutínio na grade do serviço de locação da TV a cabo, resolvi apostar cinco mangos em Alvo Duplo.
Filme estrelado por um mestre na arte de não atuar, Sylvester Stallone.
Alvo Duplo mostra o assassino de aluguel Jimmy Bobo (um Stallone na sua zona de conforto e parecendo menos "embotoxado" do que em seus recentes trabalhos anteriores), criminoso de carreira, no mundo do crime desde a adolescência, que após 26 prisões, quatro julgamentos e duas condenações vive na moita, fazendo seu trabalho da maneira mais rápida e limpa possível.
Seu trabalho consiste em ser contratado por gente ruim para matar gente ainda pior. Sua única regra é:
Nada de mulheres. Nem crianças.
Trabalhando em Nova Orleans com um parceiro, Louis Blanchard (Jon Seda), Jimmy acaba de realizar mais um serviço rotineiro, apagando um chantagista, mas, na hora de coletar o pagamento, eles são emboscados em um bar, onde Louis é assassinado, e Jimmy é atacado pelo mercenário Keegan (Um esforçado Jason Momoa, o Khal Drogo) escapando da morte por um triz.
Ao mesmo tempo, o detetive Taylor Kwon (Sung Kang, da série Velozes e Furiosos) chega à cidade em busca de pistas sobre a morte de seu ex-parceiro, Hank Greely (Holt McCallany), justamente o alvo do último trabalho de Jimmy e Louis.
Fazendo a conexão entre a morte de Greely e a de Louis ao acaso, Kwon acaba chegando a Bobo, e após alguma tensão, os dois percebem que estão atrás das mesmas pessoas, e resolvem unir forças em busca de seu inimigo em comum.
A premissa rasa diz tudo. Alvo Duplo é quase um filme de ação oitentista com toda a violência e simplicidade que um filme dos anos oitenta pedia (Até uns peitos e bundas são mostrados porque todo mundo sabe que, em filme de ação oitentista, sempre tinha que aparecer um par de tetas, pelo menos).
Seguindo o modelo de investigação clássica do cinema, onde cada parada leva à seguinte, e em cada uma há um tiroteio que faz justiça ao título original do filme, Bullet to the Head (que poderia ser livremente traduzido como "balaço na cabeça", e balaços na cabeça não faltam ao filme).
A direção de Walter Hill egresso do cinema de ação 70/oitentista com fitas como Warriors - Selvagens da Noite, 48 Horas, partes um e 2, e Inferno Vermelho não fede nem cheira, e do elenco, que ainda tem Christian Slater, Adewale Akinnuoye-Agbaje e a gatinha Sarah Shahi, se salva, mesmo é Jason Momoa, interpretando até mais do que o roteiro com estrutura de video game (tem até um smartphone ao qual os protagonistas apelam para receber a próxima "missão") exigiria.
Em suma, uma hora e meia de diversão razoável, com alguns peitinhos de fora, piadinhas infames, tiros, facadas, machadadas, pancadarias e explosões conforme pede a cartilha do cinema macho.
Vale os cinco pilas da locação.

"-Nós vamos lutar ou você planeja me entediar até a morte?"

terça-feira, 16 de abril de 2013

Homem de Fundamento



O seu Parreira, cinquenta e tantos anos, começando a ficar grisalho, julgava-se um homem bem sucedido.
Jamais fora jogar em um cassino em Las Vegas e perdera uma fortuna, nem fizera um cruzeiro marítimo a bordo de um navio de vinte e seis andares ao redor das ilhas gregas, tampouco tivera em sua cama duas capas de Playboy ao mesmo tempo. Pra ser franco, não tivera nenhuma, e só subira em um navio quando resolveu passear com a patroa no Cisne Branco na orla do Guaíba, e isso já tinha alguns anos, e a maior aposta que fizera na vida fora abandonar o exército para se tornar escriturário, o que, no final das contas, fora uma aposta que ele ganhou.
Se o emprego não era, nem de longe, dos mais atrativos, o Parreira, unindo a disciplina militar à qual se afeiçoara ao longo de seis anos na corporação, a tirou de letra, e galgou os degraus da função até se tornar escriturário chefe da repartição, e pouco tempo depois, da região. Se aposentaria nessa função, e receberia uma aposentadoria digna que permitiria, quem sabe, fazer o tal cruzeiro com sua esposa, a Neyde, sua parceira de mais de trinta anos de luta diária com quem construíra uma vida, um lar e uma família.
Seu Parreira tivera, com Neyde, três filhos.
O mais velho, Oscar, formara-se engenheiro e seguira carreira militar, era capitão da aeronáutica e chegara a flertar com a aviação civil em face da iminente aposentadoria da frota da FAB, mas fora dissuadido por seu Parreira, que o aconselhou a segurar as pontas e continuar sendo um militar, que era um futuro muito mais garantido, considerando-se a baderna que era o mercado aéreo brasileiro. Oscar seguira o conselho do pai, permaneceu firme na Força Aérea, e, recém casado com uma boa moça que conhecera na Bahia, a Roselis, já preparava um primeiro neto para o Parreira.
O do meio, Adhemar, era um moleque rebelde. Queria ser jogador de futebol e odiava a escola. Seu Parreira, ao custo de muito esforço, conseguiu obrigar o fedelho a concluir o ensino médio e cursar, pelo menos educação física na universidade, pra ter um ofício caso o seu futebol fosse menor do que ele supunha. Provou-se certo. Adhemar não era tão bom de bola quanto imaginava, e se não fosse a faculdade, poderia ter ficado muito tempo desempregado. Mas não. Assim que percebeu que suas maiores glórias no esporte seriam nas peladas de final de semana, abraçara a carreira de educador físico. Mais que isso, cursara fisioterapia e tornou-se preparador físico de um bem conceituado clube de vôlei de Santa Catarina. Longe de ser o que Parreira queria, ao menos ainda era uma vida digna e que o moleque construíra por si próprio, com o pai apenas ajudando-o a dar o primeiro passo
Seu Parreira tinha ainda outro tesouro edificado junto à Neyde. Juliana. Sua princesinha, como não podia deixar de ser. A filha mais nova tinha o belo nariz e o sorriso de Neyde, mas herdara os cabelos escuros e os olhos claros da família de Parreira. Era alta, esguia e bonita como deveriam ser todas as moças de dezenove anos. Ainda era aplicada, tirava boas notas, estudava, queria ser geóloga e trabalhar com extrativismo mineral, o que em tempos de pré-sal e da companhia de extrativismo daqueles ricaços cujos filhos matam todo mundo lá no centro do país era certeza de escolha acertada.
Se havia alguma coisa em Juliana que não agradava ao Parreira, era o fato de ela ter, na opinião dele, "dedo podre pra homem".
Parreira queria sua filha casada. Não queria que ela fosse uma desfrutável que pula de cama de homem em cama de homem, dessas que acha que calcinha é adorno de tornozelo. De jeito nenhum, pra ele isso seria um destino pior que a morte. Mas, baseado no tipo de namoradinho que a Juliana sempre levara em casa... Ele já começava a se perguntar se o lugar da Juliana não era sendo a maior freira geóloga a serviço do Vaticano.
O primeiro namorado só não foi um espanto total porque era justamente o primeiro, conforme a Neyde o lembrou veementemente enquanto lhe entregava o antiácido, era um fedelho magrelo, com uma franja azul-marinho penteada por cima dos olhos que estavam mais maquiados que os da Juliana. O fedelho parecia um graveto, todo vestido de preto com botinas de militar e calça preta, e uma camiseta que nem lhe cobria o umbigo.
Entrou na casa a passos miúdos e nem sequer se dignou a erguer aqueles olhos cheios de rímel quando o cumprimentou com um "tudo bem?" quase inaudível.
Parreira não gostou do fedelho, e fez questão de deixar isso claro enquanto a Juliana se arrumava. Aterrorizando o moleque com histórias das atrocidades que o irmão dela, Oscar, que era da Força Aérea, faria a quem quer que maculasse sua irmãzinha.
Pareceu funcionar, ele nunca mais viu o fedelho de franja.
O outro namoradinho que apareceu, foi uma nova decepção. O moleque se vestia como um cantor de rap (Parreira jamais seria visto dizendo "rapper".), falava feito um cantor de rap, mas era branco como uma vela. Não bastasse todo o rap, nem mesmo era negro, o que faria dele ao menos um artigo genuíno. Era um branquelo criado a ovomaltine na Bela Vista que achava que era supimpa usar bermudas de boxeador, uma meia esticada e a outra arriada e camiseta de futebol americano com um boné cuja aba não apontava direito nem pra um lado nem pra frente. Entrou na casa mexendo os braços de um jeito esquisito e cumprimentou o Parra com um "E aí, dos meu?".
Aquele o Parreira aterrorizou por si próprio, afiando a sua faca de desossar na sala enquanto destrinchava um frango pra Neyde e assistia um documentário sobre a Guerra da Coréia no History Channel.
Depois do cantor branco de rap apareceu um bunda mole que estudava medicina. A Neyde reclamou que devia ser aquele, afinal, seria médico. O problema foi que, no breve período em que conversou com o rapaz, o Parreira descobriu que o sujeito jamais trabalhara na vida, que sua casa, carro e universidade eram bancadas pelo pai, que também era médico, cirurgião plástico, e que arranjaria emprego pro filho na sua própria clínica.
Obviamente aquele borra-botas mantido pelo pai não era homem suficiente pra sua Juliana, que além de ser sua princesinha era uma moça difícil, que colocava as coisas na cabeça e não era facilmente dissuadida, e que certamente esmigalharia aquele cretino.
Neyde começou a reclamar, após o sétimo namorado da Juliana ser reprovado na sabatina de Parreira (O quarto era um espírita fanático, que parecia ver gente morta que nem o molequinho daquele filme com o Duro de Matar e quase chorou de tanto que o Parreira tirou sarro dele a noite inteira. O quinto parecia um sujeito normal, mas quando o Parreira descobriu que ele não tinha nenhuma profissão exceto a de músico, e que só tocava cover do Jorge Vercilo no Olaria na sexta de noite, botou a correr. O sexto era bombeiro, o Parreira tava gostando dele até o sujeito dizer que ia apagar o fogo da Juliana, aí quase deu briga com o vizinho da casa ao lado tendo que segurar o Parreira pra ele não bater mais no rapaz. E o sétimo era um moço loiro, alto e muito bonito, que tinha uma loja de surfe e praticava o esporte, mas a verdade é que o Parreira jamais seria cativado por um sujeito que começava todas as suas frases com "Mó legal, aêêêê", de modo que nenhum vingou...), disse que daquele jeito a Juliana ou ficaria solteira, ou ficaria com um sujeito que o pai não aprovara, e o Parreira retorquiu que era muito melhor ela ficar solteira e morando com eles mais um pouco do que sair desajuizada pelo mundo com um qualquer que não seria capaz de protegê-la, mantê-la, de ser o bastião de uma família de verdade.
E o Parreira não estava brincando. Pra ele era importante que um homem soubesse ser provedor, mesmo que não fosse necessário. Agora mesmo tava aí a Coréia do Norte querendo bombardear todo mundo. E se tivesse uma III Guerra Mundial? Como é que ele ia dormir sabendo que a filhinha dele tava por aí de mãos dadas com um borra botas que não seria capaz de protegê-la? E se o apocalipse zumbi começasse de repente? Como ele ia perdurar com a Neyde sabendo que sua filha estava com um sujeito que era presa de zumbi? Como é que ele ia ter sossego sabendo que seu genro era um bunda-mole que não seria capaz de aguentar dez minutos de porrada com um palhaço que se engraçasse com sua filha ofendendo-lhe a honra?
Não... Mil vezes melhor com ele do que com um incompetente.
Foi então que numa sexta-feira qualquer a Juliana chegou em casa dizendo que ia se arrumar pra ir ao cinema. Quando o Parreira perguntou com quem, ela disse que era com o Nathan, e foi quando o Parreira viu o moço, um pouco mais velho que a Juliana, cabelo preto, barba, vestido sobriamente de tênis, jeans e camisa aberta sobre camiseta, óculos... Parecia normal. Era pouco mais alto que o Parreira, tinha constituição física sólida. Sacudiu a cabeça de cima pra baixo desejando boa noite ao Parreira, e apertou a mão da dona Neyde quando ela se aproximou. Não sentou enquanto não foi convidado a fazê-lo, e quando o fez, sentou-se ereto em apenas uma das almofadas do sofá, com os dois pés no chão, e quando os moveu, não foi pra sentar em cima de uma das pernas como aquela bicha fantasmagórica fizera, não, cruzou a perna como devem fazer os homens de fundamento. Conversou sobriamente com dona Neyde sob o escrutínio atento de Parreira, até que este resolveu dirigir-lhe a palavra:
-Mas me diz, Nathan... O que é que tu faz pra viver?
-O que for necessário. - Respondeu o rapaz, olhando firme nos olhos do interlocutor no exato momento em que a Juliana saía pronta do quarto e avisava que já dava para irem.
Só mais tarde o Parreira descobriu que o Nathan era professor de geografia, mas já não importava. Fora conquistado pelo "O que for necessário.". "Aquilo, sim", diria mais tarde, "era um homem de fundamento.".

segunda-feira, 18 de março de 2013

Top 10 Cinema: Cenas de Luta

Me acordei macho, hoje. Tão macho que resolvi celebrar a macheza como macho de verdade celebra tudo:
Com porrada.
Com isso em mente, tomou forma mais um infame top 10 Casa do Capita, este, dedicado à razão de ser de brucutus e machões mundo afora, a troca franca de sopapos, bordoadas e bofetões. Ligue Eye of The Tiger a todo o volume, assista aos filmes, ou ao menos às cenas de porradaria, e aproveite:


10 - Os Vingadores x Chitauri (Os Vingadores, 2012)
Talvez seja deslumbramento de fanboy, mas não poderia deixar essa pancadaria de fora. A luta generalizada dos heróis mais poderosos da Terra contra a armada alienígena de Loki não tinha como estar fora da lista. As frentes múltiplas encabeçadas por Capitão-América (Chris Evans) e Viúva Negra (Scarlett Johanson) no solo, Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) no ponto de observação, Thor (Chris Hemsworth) no céu, Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) mantendo o perímetro, e Hulk (Mark Ruffalo) esmagando geral enche os olhos, derruba queixos e aviva aquela criança interior.


9 - Policial Rama x Bandidagem no quarto andar (Operação Invasão, 2011)
O festival de socos, tiros, pontapés e joelhaços de The Raid Redemption está mal começando quando o policial Rama (Iko Uwais) esconde um colega ferido em uma alcova de um apartamento e sai sozinho pelos corredores do prédio comandado pelo crime organizado de Jacarta para enfrentar a vagabundagem local de peito aberto e botas com pontas de aço. Muay Thai pra tudo quanto é lado, cutelos voando, e meliantes sendo chutados e degolados em portas arrombadas. Clássico.


8 - Rocky Balboa x Apollo Creed (Rocky - Um Lutador, 1976)
O azarão Rocky Balboa (Sylvester Stallone) tem a chance de sua vida ao subir no ringue com o campeão mundial dos pesados Apollo Creed (Carl Weathers) no dia da independência. Enquanto Creed se farta em dinheiro, fama e auto-promoção, Rocky treina como um desgraçado, corre até vomitar, come gemas de ovos cruas no café da manhã e espanca vacas mortas até quebrar-lhes as costelas. O resultado é visto no ringue. Balboa, com seu queixo de aço e mão de bigorna, vai até o último assalto contra Creed, ambos os lutadores com as caras transformadas em hambúrgueres após doze assaltos de castigo no tradicional estilo de boxe sem guarda consagrado pela série.


7 - Frank Castle x O Russo (O Justiceiro, 2004)
Frank Castle (Thomas Jane) está enchendo a cara de uísque depois de jantar com uma vizinha gostosa (Rebecca Romjin)e dois vizinhos imbecis (Ben Foster e John Pinette)quando é surpreendido pela inesperada visita do Russo (Kevin Nash). O gigantesco assassino contratado de Howard Saint (John Travolta) limpa o chão com a cara do Justiceiro demolindo as paredes do apartamento usando a carcaça do adversário como aríete. Socos, estrangulamentos, facadas, arremessos através de portas e paredes e até banho de sopa quente estão no indigesto menu da briga mais violenta dos filmes baseados em quadrinhos.


6 - Jason Bourne x Castel (A Identidade Bourne, 2002)
Jason Bourne (Matt Damon), o espião amnésico que deu sorte não apenas de ser resgatado, mas de ser resgatado pelo único pesqueiro capitaneado por um homem com mãos firmes o suficiente pra extrair balas de ferimentos durante uma tempestade em alto mar, descobre que vive em Paris e pega uma carona com Marie (Franka Potente) até sua casa. Lá, enquanto procura por pistas de quem é e do que faz da vida, recebe a visita de Castel (Nicky Naudé), outro operativo do Programa Treadstone. Não é uma visita social. Castel e Bourne caem na porrada, até o assassino perceber que está em desvantagem e puxar uma adaga de luta pra equilibrar as coisas. Ele não contava, porém, com a caneta Bic de Bourne sobre a escrivaninha.


5 - Neo x agente Smith (Matrix, 1999)
Neo (Keanu Reeves) está sem telefone após a bala disparada pelo incansável agente Smith (Hugo Weaving) destruir o orelhão que era sua passagem de volta pro mundo real. Contrariando todos os avisos que recebeu de jamais enfrentar um agente, Neo resolve permanecer no velho metrô, e encarar o inimigo.
A gloriosa coreografia de luta idealizada por Yuen Woo Ping usando o fino do wire work e o bullet time dos Wachowski transformam a luta de kung-fu dos lutadores em um balé brutal e definidor, que elenca Smith e Neo como a nêmese final um do outro, e encerra o primeiro round de um combate que ainda teria a ótima Super Brawl de cem Smiths contra um Neo em Matrix Reloaded, e a Mega Brawl de Matrix Revolutions, outros dois tremendos festivais de pancadaria, mas sem a crueza franca desse primeiro embate.


4 - O Narrador x Angel Face (Clube da Luta, 1999)
O Narrador sem nome de Edward Norton vê do outro lado do porão sombrio onde finalmente se sente vivo, o rosto perfeito de seu loiríssimo colega de clube(Jared Leto).
Tomado por uma fúria vil, o Narrador surra brutalmente Angel Face, esmigalhando-lhe os dentes e desfigurando-o por completo. Ao fim da contenda sangrenta, embalada pela cacofonia de socos duros, Tyler Durden (Brad Pitt) pergunta "Qual é o lance, garoto psicótico?". A honesta resposta:
"Eu fiquei com vontade de destruir alguma coisa bonita."


3 - Martin Riggs e Roger Murtaugh x Wah Sing Ku (Máquina Mortífera 4, 1998)
Riggs e Murtaugh (Mel Gibson e Danny Glover)estão velhos demais pra isso. Além do mais, Ku (Jet Li), um dos cabeças da tríade chinesa, é mestre de kung-fu, falhou em sua missão de resgatar o patriarca de seu grupo, e teve o irmão morto. Não é um bom momento para enfrentá-lo.
Mas o gângster chinês desmontou a arma de Riggs com uma mão só. E Riggs e Murtaugh precisam descobrir como...
É catártico o confronto do metódico, veloz, mortal e preciso Ku contra o raivoso Riggs e o desajeitadão Murtaugh. Os dois coroas esmurram, agarram, chacoalham e cabeceiam o adversário para tentar equilibrar seus chutes, socos e estrangulamentos rápidos como raios. O resultado é uma pancadaria franca, entre três estilos completamente diferentes que deixa a gente na ponta da cadeira, fazendo caretas de dor, e até soltando eventuais gargalhadas.


2 - Wong Fei-Hung x John e Ho Sung (O Mestre Invencível 2, 1994)
Wong Fei (Jackie Chan) havia desistido de lutar a pedido de seu pai, um pacifista convicto. Entretanto, quando criminosos passam a desrespeitar o povo local roubando valiosos artefatos, Wong pode não ter alternativa, exceto cair na porrada.
A luta final do filme, entre Chan e os vilões Ken Lo e Kar Lok Chin é brutal. Em desvantagem numérica Wong é brutalmente surrado pelos dois bandidos até encher a cara de gasolina industrial e turbinar o seu drunken box. Depois de limpar o chão com Ho Sung, Wong volta-se para John e seu pé nervoso que chuta feito um helicóptero, e vai à forra com juros, correção e a mistura de artes marciais e comédia que consagrou Jackie Chan.


1 - Tang Lung x Colt (O Vôo do Dragão, 1972)
Tang Lung (Bruce Lee), viajou à Itália para visitar seus parentes que têm um restaurante na Cidade Eterna. Ao chegar lá, porém, descobre que sua família está sendo ameaçada por um grupo de mafiosos. Na tradição dos filmes de artes marciais após algumas lutas há um confronto definitivo.
Este é tão definitivo que toma lugar no Coliseu Romano, onde Tang Lung, o Dragão, enfrenta Colt (Chuck Norris).
Isso mesmo. Bruce Lee x Chuck Norris, no Coliseu Romano, duelando ao entardecer. São miados estridentes, roundhouse kicks e cabelos ruivos pra ninguém botar defeito numa emblemática cena de luta.
Quem vence?
No filme Bruce Lee, que é o mocinho.
Mas, como disse meu amigo Alê, Norris perdeu no cinema, mas Lee morreu na vida real.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Resenha Cinema: Busca Implacável 2


Deve ser uma coisa bonita chegar aos sessenta anos de idade sem precisar se reinventar como ator. Deve ser bacana olhar pra trás e ver coisas como A Lista de Schindler e Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma coexistindo em harmonia na sua filmografia.
Quantos atores podem ver isso, e saber que, não só suas carreiras não estão em stand-by, mas também que se tem todo um novo nicho pra explorar?
Eu sei de um que pode:
Liam Neeson.
O ator irlandês que já viu sessenta invernos e continua firme e forte lançando mais de um filme por ano se transformou em action hero depois dos cinquenta, e não para de produzir. Pra melhorar, ele tem mais capacidade de atuação do que outros colegas que foram action heroes a vida inteira e, ou não têm carga dramática pra explorar, ou fizeram cirurgias plásticas demais pra convencer alguém de que têm mais de duas expressões faciais.
Não é o caso de Neeson, que consegue equilibrar no currículo Simplesmente Amor, As Crônicas de Nárnia, O Preço da Traição, Kinsey - Vamos Falar de Sexo e Os Miseráveis sem canastrar jamais, exceto se o roteiro pedir, como em Esquadrão Classe A, e é provavelmente o único ator vivo que tem o estofo moral pra ameaçar a platéia antes de apresentar o trailer do seu filme.
Neeson também é um cara que conseguiu equilibrar seu trabalho entre grandes produções mainstream, ainda que em papéis secundários, como Cruzada e Fúria de Titãs e filmes menores, de diretores desconhecidos e em centros de cinema mais periféricos, sem, no entanto, enterrar a carreira como Nicolas Cage vem tentando fazer nos últimos anos.
Foi, aliás, em uma dessas peripécias fora do grande circuito que Liam Neeson encontrou o produtor/roteirista Luc Besson, o diretor Pierre Morel e Bryan Mills, que seria o personagem a mostrar nas telonas quão casca-grossa Neeson podia ser.
Na trama de Busca Implacável, de 2008, Bryan Mills viajava à Europa e quebrava Paris para resgatar a filha Kim (Maggie Grace), sequestrada por albaneses traficantes de mulheres.
Era uma ótima fita de pai vingativo à moda antiga, com um Liam Neeson raivoso, atirando, chutando, quebrando ossos, eletrocutando e atropelando todo mundo (Nem a mulher do amigo do herói era poupada de levar um balaço do mocinho á certa altura do filme).
O longa fez boa carreira nos cinemas e quatro anos depois, Neeson volta à pele de Bryan Mills para mais uma aventura cheia de porradaria.
Busca Implacável 2 mostra Bryan Mills em férias na Turquia com a ex-esposa Lenore (Famke Janssen, gatona), recém separada do marido rico do primeiro filme, e a filha Kim. Enquanto curte Istambul com a família, Bryan não sabe que está na mira de diversos parentes vingativos dos bandidos albaneses que matou em Paris anos antes.
Esses homens raivosos, liderados por Murad Krasniqi (Rade Seberdzija) decidem sequestrar Kim, Lenore e o próprio Bryan, para cobrar sangue por sangue.
Busca Implacável 2 é isso. Quase uma repetição do primeiro longa, mas com algumas inversões interessantes, como o fato de que, ao invés de Kim ser sequestrada, o sequestrado agora é Bryan, o que gera uma situação bem maneira do herói orientando sua filha para que ela o resgate (O que, aliás, ele faz de uma forma como só um mestre Jedi do calibre de Qui-Gon Jinn poderia fazer).
Outra boa sacada do roteiro é a motivação simples dos vilões. A vingança familiar não só é perfeitamente condizente para com a série, mas também impede que o filme caia na armadilha dos planos excessivamente elaborados e megalomaníacos dos vilões como aconteceu com a franquia Duro de Matar, e a ambientação na Turquia é bacana, claustrofóbica como grandes cidades asiáticas, e estilosa como uma capital européia.
Nada disso, entretanto seguraria o filme sem o carisma de Liam Neeson.
É a presença do ator que impede que Busca Implacável 2 se transforme em uma sessão de Domingo Maior daquelas mais sem graça, e talvez até deixe Luc Besson salivando por um novo filme que, dependendo do roteiro, eu até gostaria de ver. Aliás, fica aqui minha sugestão para um novo nome para a série:
Busca Implacável: Liam Neeson quebra a Europa.
Eu iria ver todos os filmes no cinema com certeza.

"Kim, preste atenção: Sua mãe e eu seremos raptados."

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Resenha Cinema: Os Mercenários 2


O cinema voltou a ser macho em 2010, quando Sylvester Stallone formou uma confraria de brutos e montou o show de violência e ação descerebrada regada à testosterona de Os Mercenários, filme que fez muito marombeiro suar na tanga ao juntar Stallone, Schwarzenegger e Bruce Willis no mesmo cenário em uma cena.
Sucesso de bilheteria, a união de alguns dos maiores astros de ação dos anos oitenta e dos dias de hoje mostrou que ainda havia espaço pra fitas cheias de explosões e pancadaria cheias de atores incapazes de fazer três expressões faciais contanto que a fita em questão fosse divertida.
Bueno, a sequência era bastante óbvia, pra não dizer obrigatória, e, dois anos depois, chegou ao cinema Os Mercenários 2.
No longa, Barney Ross (Stallone) está de volta, junto com ele continuam Lee Christmas (Jason Statham), Yang (Jet Li), Gunnar (Dolph Lundgren), Hale Caesar (Terry Crews) e Toll Road (Randy Couture), mais a cara nova Billy The Kid (Liam Hemsworth), e o filme, novamente abre com uma ótima sequência de ação.
Após resgatar um bilionário chinês (E um velho amigo, de brinde) e voltar aos EUA, o grupo volta a ser contatado por Church (Bruce Willis), que o coloca em uma missão com Maggie (Nan Yu), para recuperar um item perdido em um avião abatido.
O que deveria ser uma missão simples, porém, se torna uma cruzada de vingança (Porque vingança, como todos sabem, é coisa de macho) após o caminho do grupo de Ross se cruzar com o de Vilain (Jean Claude Van Damme, que a gente não consegue ter certeza se entrou de corpo e alma na brincadeira ou se está levando seu papel muito a sério).
Com um dos seus homens de confiança morto, Barney parte com tudo para dar o troco, e por consequência, salvar o mundo.
O novo filme, dessa vez dirigido por Simon West, de Con-Air, substituto de Stallone na cadeira do diretor é melhor do que seu antecessor. O longa de West sabe rir de si mesmo, e usar o humor e o absurdo em nome do espetáculo que esse filme pode ser.
O roteiro, novamente com a mão de Stallone (que parece estar derretendo, mas mantém a média do seu trabalho de sempre, sendo um herói de ação gente boa), dá mais espaço a Trench (Schwarzenegger) e Church, que têm suas próprias sequências de ação (e incontáveis piadinhas e frases de efeito), além de usar o Gunnar de Lundgren de maneira mais leve e cômica, especialmente se comparado ao ressentido psicopata do primeiro longa. Terry Crews também tem seus momentos de fazer rir, e até Couture ganha lá suas tiradas. Statham aparece mais resmungão e menos risonho do que no primeiro longa, mas tem algumas das melhores cenas de luta do filme. E, claro, há a participação mais do que especial de Chuck Norris, que se apresenta com um novo "Chuck Norris Fact", e gera mais uns dois ou três cada vez que dá as caras no longa como o mercenário Booker.
Não espere nenhum tipo de grande atuação no filme. Não há nenhuma. Não espere, também, um roteiro coeso, ou sequer um bom argumento. Em Os Mercenários 2, isso não existe, nem efeitos especiais convincentes, e nem mesmo um bom trabalho de câmera, pois Os Mercenários 2 é filme de macho, então, o que se encontra no longa é sangue, tiro, explosão e porrada, que é o que homem que é homem gosta de ver no cinema enquanto rosna, baba, bate no peito e grita que é muito macho.
Aliás, Os Mercenários 2, é tão macho que não tem nem mulher bonita. A mocinha do filme, Nan Yu, luta kung fu, dá tiro, e é feia pra danar.
Não tem como um filme ser mais macho que isso.

"-Eu vou voltar.
-A volta dos que não foram? Fique aí esperando. Eu vou voltar.
-Yippee-ki-yay...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Pochete


Eu queria ter o valor necessário pra usar pochete. Digo isso porque só sendo um homem de muita honra, de muito caráter, de moral muito ilibada pra usar pochete.
O cara que usa pochete é diferente, ele trafega altivo entre as outras pessoas ostentando naquela bolsa pendurada no púbis, o quanto é melhor que os demais.
Pra usar pochete um homem tem que ser mais que seguro de si. Ele precisa da certeza inabalável de ser um homem de fundamento, só assim pra usar pochete e não se sentir ridículo. Só com muita fibra. Como o Batman! O Batman pode usar pochete.
Um homem que não tem o caráter absolutamente reluzente de um Batman não pode usar pochete. Se usa, ou é cobrador de ônibus, ou é um vigarista e um aproveitador.
Sim, porque pochete é um crachá. Todas as mães recomendam à suas filhas que não falem com estranhos, mas há aquelas mais atentas que adicionam cautelosas "especialmente se estiver de pochete!", quando a menina está com meio corpo pra fora da porta.
Ás vezes, contudo, a moça pode não se aguentar. Verá o bailado erótico da pochete presa aos quadris do sujeito, dançando languidamente sobre o seu púbis, especialmente se houver, tilintando preso à peça, um chaveiro repleto de chaves e um celular com flip, aí não tem jeito, ela pode acabar cedendo e falando com o estranho de pochete.
Aí, das duas uma:
Ou, com o desastre consumado, ela nunca mais vê o sujeito e reza pro pior não ter acontecido, ou leva ele à sua casa para que ele passe pelo atento escrutínio da família.
-Mãe, hoje eu vou trazer o Bozó, aqui.
-Bozó... Maria das Dores, minha filha, que raio de nome é esse...?
-Mãe... Eu... Eu tenho que te falar uma coisa...
-O quê, Maria das Dores?
-É sobre o Bozó...
-Que tem ele?
-Ele... Bom... Ele meio que... Sabe?
-Desembucha, menina, tá me deixando agoniada!
-Ai, mãe... O Bozó... O Bozó usa pochete...
-JesusMariaJosé! - Grita a mãe abraçando-se à filha, as duas em prantos.
Se ela de fato levá-lo à sabatina familiar, porém, pode ser bom sinal. Se ele não for um pulha completa e absolutamente desavergonhado tentando se infiltrar sorrateiramente em um seio familiar estabelecido, então certamente será um virtuoso, pois por maior que seja uma pochete, nela não há espaço suficiente para carregar meio-termos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Satisfação


-Sabe... - Disse o Eliseu, no balcão da lanchonete com os amigos. - Se eu fosse um animal, eu gostaria de ser um urso. Um urso pardo, talvez... Mas definitivamente um urso. Mas acho que seria um lobo. Lobos são um pouco mais fracos fisicamentes, e passam por mais trabalho. Eu gostaria de ser assim, um animal caçador. Um predador que é um dos alicerces do seu ambiente...
O Álvaro pensou brevemente enquanto engolia o seu cachorro quente e disse após pigarrear:
-Eu gostaria de ser um cavalo. Mas um cavalo selvagem, tipo um mustangue. Queria correr livre pelo prado fugindo dos índios e comendo milhas e milhas com os meus cascos. Eu acho que seria, sim, um cavalo, talvez, porém, fosse um cavalo de tração. Cheio de potencial, mas sendo sub-utilizado por outros... - Concluiu pesaroso.
Os dois olharam pro Sérgio, que comia um chesse coração.
-E tu, Serjão? Queria ser que bicho?
-Eu queria ser um cachorro, pra poder ficar em casa olhando TV deitado no sofá. De preferência um cachorro de raça, com pedigree, porque aí me convidariam pra cruzar com umas cachorras bem ajeitadas de vez em quando, e eu só teria que tomar banho uma vez por semana.
Os outros dois ficaram olhando pra ele brevemente. O álvaro retrucou:
-OK, isso é o que tu queria ser, mas tu acha que seria...?
-Hã... A mesma coisa, só que um cachorro vira-lata.
Os três voltaram a comer. O Eliseu disse:
-Quero mudar meu voto. Não quero ser um urso ou um lobo, quero ser um cachorro.
-Eu, também. - Suspirou o Álvaro.
Homens, são, pois, simples de satisfazer.

Ideias distintas


O Abílio e a Roberta, ambos extremamente religiosos, viajando juntos para o casamento no Rio natal dos pais dela. Toda a cerimônia aconteceria conforme os sonhos da Roberta, uma menina meiga e doce e dedicada que encontrara em Abílio, um rapaz gentil, educado e centrado, o seu príncipe encantado.
Casarse-iam virgens, à moda da Sandy e do Kaká.
Eram feitos um para o outro, ambos solenes, rebuscados e polidos. Se não casassem um com o outro, talvez jamais se casassem.
Viajavam pois, juntos, de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, onde moravam os pais dela, lá fariam a cerimônia de casamento onde iriam celebrar seu amor diante do Deus a quem devotamente seguiam e às suas respectivas famílias.
Imprevistos, porém, sempre podem acontecer, e Abílio e Roberta tiveram problemas com a conexão do vôo e acabaram em um hotel bem meia-boca pago pela companhia aérea em Santa Catarina. 
Como eram um casal, acabaram colocados em um quarto que possuía unicamente uma cama de casal, sem sofá. 
Naquela noite gélida de agosto, a Beta, não faria o futuro marido dormir no chão frio. Não eram animais de fazenda, podiam controlar-se, deitar-se-iam juntos e dormiriam candidamente, sem malícia, pois. 
Podiam esperar até que seu casamento fosse oficial aos olhos de Deus e diante das leis dos homens, era-lhes importante que fosse assim.
Deitaram-se após escovarem os dentes e vestirem seus pijamas, abafaram-se sob as cobertas e apagaram as luzes dando singelos beijinhos de boa-noite e virando-se cada um para um lado.
Menos de dez minutos depois, porém, a Roberta, friorenta que só ela, tremendo, toda encolhida sob o edredom, cochichou quase batendo queixo ao ouvido do Abílio:
-Bílio? Tá acordado?
O Abílio, acordando, confirmou num grasnado:
-Arram.
A Beta, com voz chorosa suplicou:
-Me pega mais uma coberta? Eu tô tiritando aqui...
O Abílio, alquebrado pela viagem, moído de cansado, porém dedicado, se levantou da cama esfregando os braços, andou até o armário, e apanhou um cobertor. Sonolento, se aproximou da cama e ofereceu a coberta à Roberta, que pediu, novamente com a voz melosa:
-Me cobre?
E Abílio, dedicado e com os olhos cheios de remela, a cobriu com delicadeza e dedicação, voltando a deitar-se.
Era, porém, uma noite bastante fria, e Roberta era suscetível ao frio como um havaiano morando na Sibéria, de modo que, menos de meia hora depois, acordou-se novamente com frio:
-Abílio? Ô Abílio... Tá acordado?
O Abílio, novamente despertou de seu sono, resmungou um "sim" quase ininteligível.
-Ainda tô com frio, Bílio... Me pega mais uma coberta? - Suplicou-lhe a Roberta com a voz cheia de manha.
Novamente ergueu-se Abílio da cama como se fosse um zumbi de George Romero, rengueando com dificuldade até o armário, apanhando um cobertor e o colocando delicadamente sobre a Roberta, que agradeceu-lhe sorridente.
Foi apenas às quatro e quinze da manhã que Roberta cutucou novamente o Abílio.
-Bílio? Ô Bílio? Abílio!
Abílio abriu os olhos, olhando em volta, assustado:
-Quê foi?
-Ai, me deu mais frio... Me pega outra coberta?
Abílio virou-se para Roberta na cama, olhou-a nos olhos, e, com voz aveludada sugeriu em tom de traquinagem:
-Beta... E que tal se, só por hoje, nessa noite fria, a gente fingisse que já somos casados?
A Roberta, surpresa pela audácia e pela malícia contidas na proposta súbita de Abílio sorriu sem graça. Revirou os olhos castanhos brevemente enquanto pensava, o que poderia acontecer de mais? Pensou. Estavam mesmo viajando para se casar, ninguém os condenaria por uma pequena insensatez movida a frio e paixão.
Então, mordendo os lábios de ansiedade, assentiu num cochicho hiperventilado:
-Tá bom, vamos, sim!
Abílio sorriu tocando-lhe o rosto com delicadeza, e então disse:
-Tá, então vai lá e pega tu a tua coberta, nêga.

Homens e mulheres têm ideias bem distintas do que é casamento...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Protesto


A TV brasileira anda um lixo, e não é de hoje. Mesmo a emissora que é referência, vencedora de prêmios internacionais, líder de audiência e tudo mais, a Vênus Platinada Globo, galga a sua grade de programação em novelas que eu nem posso dizer que são chatas pois parei de assistir novelas regularmente já deve ter mais de quinze anos, entretanto, pelo que se ouve falar e se lê, as coisas não melhoraram no mundo do folhetim. E não chega a ser surpresa.
Não é de hoje que vemos horrores como o Zorra Total, o A Praça É Nossa e o Show do Tom (Ainda passa o Show do Tom?) com lugar cativo no horário nobre de todas as redes de maior audiência, e, se tais programas permanecem na ativa, é por que há quem goste e quem assista, o que não chega a ser surpreendente se levarmos em consideração a precariedade da educação no Brasil. Um povo pouco educado e inculto é o maior desejo da classe política imunda que gere a nação a mais de quinhentos anos, logo, não é de se duvidar que a má qualidade da educação e a má qualidade da cultura colocada à disposição da população sejam propositais.
Agora, porém, é o momento de alguém erguer a voz e protestar, pois o que estão tentando tirar das pessoas, agora, é excessivo. Finalmente surge algo de bom na TV, algo que dá prazer a quem assiste, algo capaz de nos prender na cadeira por alguns momentos e nos fazer refletir, e, sem nenhuma razão plausível, uma autoridade arbitrária resolve remover a melhor atração da TV aberta em anos.
Os comerciais da Hope da Gisele Bündchen.
Alguém precisa fazer alguma coisa a esse respeito já! Volta comercial da Hope com a Gisele Bündchen!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Top 10 Cinema: Uniformes de Personagens de Quadrinhos

Foi após a celeuma em cima do uniforme da Mulher-Gato de Anne Hathaway em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que causou a ira de fãs (E não fãs) do morcego ao mostrar uma Mulher-Gato sem as indefectíveis orelhas e com óculos ao invés de máscara, que eu me pus a pensar nos uniformes de super-heroínas e vilãs em adaptações cinematográficas de HQs.
Isso, claro, só podia dar origem a mais um infâme Top 10 Casa do Capita, este dedicado a super-heroínas e super-vilãs e seus uniformes traduzidos à telona ou, em alguns casos, à telinha:



10 - Supergirl - Supergirl (1984)
A gracinha Helen Slater recheou com graça o collant e a micro saia da Supermoça nesse filme medonho que foi expelido das profundezas do Inferno em 1984. Se alguma coisa se salvou em meio ao festival de canastrice do elenco de apoio e á direção e roteiro totalmente perdidos, foram as coxas de Kara Zor-El.


9 - Tempestade - X-Men - O Filme
O Cabelo pode não ter acertado de primeira, mas a roupa de couro preto envergada por (Uh, tererê) Halle Barry em X-Men, X-2, e X-Men 3 sempre foi bacana em celulóide. Diferente dos trajes de Jean Gray, Vampira e Lince Negra, Ororo Munroe ganhou uma capa com fundo prateado que evocava de forma elegante o traje dos quadrinhos.


8 - Viúva-Negra - Homem de Ferro 2
Deus é justo, mas o uniforme da Viúva-Negra... Os generosos atributos físicos de uma ruivíssima Scarlett Johansson espremidos em um apertado traje preto que ainda tinha os braceletes e o cinto dos quadrinhos por si só já valia um filme inteiro.


7 - Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer) - Batman O Retorno
Se existisse uma enciclopédia maneira de verdade, a foto de Michelle Pfeiffer trajada de Mulher-Gato em Batman - O Retorno estaria ilustrando o verbete "sensualidade". Apesar do estilo excessivamente feitichista, era uma adaptação maneira e hardcore do traje dos quadrinhos, especialmente do de Batman - Ano 1.


6 - Batgirl - Birds Of Prey
Engraçado como as mulheres do universo do Batman se dão bem em celulose. Dina Meyer interpretava a Oráculo Barbara Gordon em Birds Of Prey, série nada saudosa e de curta duração que tentou aproveitar o embalo de Smallville em 2002. Se a série era muito chata, durante um episódio, Dina apareceu em flashback usando um fiel e apetitoso uniforme de Batmoça.


5 - Zatanna - Smallville
Eu nunca soube ao certo o que me atraía no uniforme da Zatanna dos quadrinhos. Provavelmente eram as meias arrastão, pois eu também era fã do traje e das côxas da Canário Negro. Foi numa das últimas temporadas de Smallville que a personagem ganhou uma versão em carne (de primeira) e osso. O traje era idêntico ao dos quadrinhos, e ficava particularmente bem na Serinda Swan, atriz que viveu a heroína.


4 - Elektra - Elektra
Jennifer Garner já tinha feito bonito em Alias e em Demolidor, mas foi no horroroso filme de 2005, usando o tradicionalíssimo traje vermelho que ela, de fato, ganhou o imaginário de dez em dez nerds solitários. Apesar de não ser o maiô e as faixas escarlates do quadrinho, a roupa era funcional, fiel e reveladora na medida (Tá, podia ser um pouquinho mais reveladora, vá...).


3 - Mulher-Gato Lee Marywether/Julie Newmar
O tempo nos prega peças, mesmo. Me lembro de voltar correndo pra casa depois da aula na segunda série pra assistir Batman no SBT. Batman, com Adam West, mesmo. Era divertido quando eu tinha oito anos. Hoje, falando da Anne Hathaway, me lembrei da Julie Newmar, que era linda demais, e do traje que ficava bem a beça nela, e que ficou ainda melhor na Lee Marywether, atriz que substituiu a titular da série no longa metragem do herói. Era um traje ridiculamente simples, mas que, com a pessoa certa no interior, funcionava que era uma beleza.


2 - Mística - X-Men - O Filme
OK, o que Rebbeca Romjin usou na cinessérie dos mutantes nem sequer era uma roupa, a mulher andava praticamente pelada coberta de tinta spray e próteses de silicone estratégicamente coladas aqui e ali. Ainda assim, graças à belíssima estampa da atriz/modelo, ninguém reparou que não havia uniforme (ou ninguém ligou), e ficou muito maneiro na telona.


1 - Mulher Invisível - Quarteto Fantástico
Jessica Alba usou o uniforme mais bacana de quadrinhos no cinema no filme meia-boca de Tim Story. A peça única colada ao corpaço da atriz (Que no mesmo ano dançou vestida (Rá) de vaqueira em Sin City, de Robert Rodriguez) era fiel aos trajes usados por Susan Storm nos quadrinhos, ficava legal em movimento, e, se tinha algum defeito, era não ter ficado invisível mais vezes durante a projeção.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Resenha Cinema: Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio


Me lembro como se fosse ontem quando um amigo me convidou pra ver Velozes e Furiosos no cinema.
Corria o ano de 2001, Osama Bin Laden já havia derrubado o World Trade Center, e o filme era sobre carrões tunados em corridas de rua clandestinas cheias de gostosas com pouca roupa. Era estrelado pelo brucutu Vin Diesel, que além da porcaria Eclipse Mortal, fizera uma ponta como Adrian Caparzo em O Resgate do Soldado Ryan, e a voz d'O Gigante de Ferro, na animação de mesmo nome em 99. Como o mundo podia estar mergulhando na Terceira Guerra Mundial, achei que valia a pena ir ao cinema e ver uma bobagem despretenciosa. E fui.
Achei o filme muito divertido. Uma versão bombada e menos hang loose do divertido Caçadores de Emoção, de 91. Saíam os surfistas ladrões de banco, entravam rachadores ladrões de cargas.
Repeti a dose, e assisti + Velozes + Fusiosos no cinema, em 2003. A sequência, sem Diesel, trazia de volta Paul Walker, deslocado no papel de malandro, sumia com todos os outros personagens da franquia, e apresentava Pearce, um canastríssimo Tyrese Gibson. Não era bacana como o anterior.
Em 2006 não vi Velozes e Furiosos - Desafio em Tóquio no cinema. Nem em DVD. Acabei vendo o filme na TV a cabo, e achei maneiro, não era nenhuma obra prima, e o personagem mais legal do filme, o Han, morria antes do fim da película. Mas era divertido, e ainda trazia uma ponta de Vin Diesel no final.
Voltei ao cinema em 2009 e vi Velozes e Furiosos 4. Confesso que ainda não entendi a cronologia da série. Nem se ela existe ou passa a ser ignorada de algum ponto em diante.
De qualquer forma, Velozes e Furiosos 4 é um filme decente. Não é genial, nem excelente, mas é bacana, divertido e despretensioso. O suficiente pra, nesse final de semana, me tirar de casa em um sábado chuvoso pra ver Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio, em que a turma dos carros envenenados acaba no Rio de Janeiro fugindo da lei nos EUA após libertarem Dom Toretto (Diesel).
É divertidíssimo. Não faz nenhum sentido, a geografia do Brasil é solenemente ignorada, existe um deserto pedregoso com lagos de águas verde-caribe no rio de janeiro. Esse deserto carioca é cortado por um poderoso trem! Todos os policiais brasileiros são corruptos, nossos bandidos falam português com sotaque americano, lusitano, ou são dublados ao estilo propaganda da L'oreal, quatro federais gringos sobem o morro e basta que saquem as armas pra que todos os traficantes morram de medo e recuem, a polícia civil carioca usa as viaturas mais tunadas do universo.
Ainda assim, o filme é divertidíssimo. A canastrice de Vin Diesel, Paul Walker, The Rock e companhia limitada não tem preço nem freio. Mas, ao mesmo tempo, também não há breques para as insanas (impossíveis?) sequências de ação de tirar o fôlego, pro bom humor, ás vezes involuntário, mas nem por isso menos engraçado, pras belas mulheres, e pra pancadaria épica entre Diesel e The Rock, cheio de músculos besuntados de óleo, e tensão homoerótica suficiente pra virar hit no bar Ostra Azul (Lembram do Bar Ostra Azul? De Loucademia de Polícia?).
Velozes 5 não decepciona quem sabe o que o espera quando compra o ingresso, a pipoca (miniBis), e a Coca-Cola (Fanta), e quem esperou até (um pouquinho) dos créditos passarem, sabe que vem mais por aí.
Que venha Velozes meia dúzia!

"-Eu te vejo em breve.
-Não, não vê."

terça-feira, 10 de maio de 2011

Muito Bruto


Ela e ele deitados na cama. Abraçadinhos como ela gostava. Ele sentia um calorão danado, mas não se importava com o desconforto. Haviam acabado de fazer sexo, e fora muito bom, pelo menos pra ele. Ela perguntou:
-Aí, amor... Não é o máximo, isso?
-É... Eu ainda acho que posso fazer melhor se praticarmos mais um pouco. - Ele respondeu mordendo de leve o ombro dela.
-Não, bobo. Bom, isso, também. Mas eu me refiro à gente. Nós dois juntos. Tu e eu, vivendo sob o mesmo teto, fazendo as mesmas cosas, jantando nos nossos lugares preferidos, vendo nossos filmes preferidos, ouvindo nossas músicas preferidas, tudo juntinhos.
-É.. É bom demais, mesmo.
-Eu nunca achei que a gente fosse ficar juntos, sabe?
-Não?
-Não... Tinha tanto obstáculo no caminho...
-Tipo o quê?
-Ah, coisas, né?
-Que coisas?
-Ah... A distância, tanto a física quanto a emocional. O modo como tu te fechava, tu não falar como te sente... A minha mãe que dizia que tu não era boa coisa...
-Tua mãe ainda diz que eu não sou boa coisa. Ela vem aqui todo final de semana e diz isso enquanto eu tô te ajudando com as tarefas domésticas.
-Ah, tadinha da mãe. Ela não tem o que fazer. Mas eu sei lá. Achava que não ia rolar. Que tu não gostava de mim.
-Hmmm... Bom, mas e tu?
-Eu?
-E, tu que é uma princesinha cheia de frique-frique. Eu nunca imaginei que tu ia te interessar por mim.
-Ah, mas tu... Por que eu não me interessaria?
-Por que eu sou meio rudezão, assim. Algo tosco, tu parece gostar de caras mais sofisticados, mais alinhadinhos, eu sou mega à vontade.
-Ah, nada a ver. Eu nunca te achei tosco.
-Tu vai me dizer que nada em mim te desagradava?
-Não. Nada em ti me incomodava.
-Nada?
-Nada.
-Nadinha?
-Nadica de nada.
-Hmmm. Então por que tu tá sempre tentando mudar tudo que eu faço?
-Não é mandando mudar, é só corrigindo. Te ajudando a dar uma aparada nas arestas, amor.
-Então nada te incomodava?
-Nada, nadinha, nem... Ah, não...
-O quê?
-Tinha uma coisa, sim.
-O que era?
-Na verdade... Bom, não vou dizer que não incomodava por que incomodava, sim, era bem ruim, mas era, sei lá, quase folclórico, era engraçado.
-O que era?
-O desodorante que tu usava. O que era? Algum Axe bem sem-vergonha?
-Não...
-Por que agora, OK, tu usa Rexona, não é espetacular, mas é decente. Mas aquele de antes... Nossa, parecia perfume vagabundo misturado com budum de pedreiro. O que era aquilo?
-Trés Brut de Marchand.
Ela teve um acesso de riso violento. Riu muito. Usou adjetivos que ele fez questão de esquecer pra se referir ao seu antigo desodorante. No dia seguinte,quando ela chegou em casa, foi colocar absorventes no armário do banheiro e deparou-se com três tubos de Trés Brut de Marchand. Nem era o frasco aerossol, era aquele bem fuleiro de spray em plástico. Quando se virou ele a fitava da porta, desafiador. Ela não disse nada, só fez uma careta.
Ele se decidira. Um sujeito que usava um desodorante chamado "muito bruto", não iria ser dominado pela mulher.