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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Resenha Série: WandaVision, Temporada 1, Episódio 5: Em Um Episódio Muito Especial...


Após um quarto episódio que levantou o nível de série uma barbaridade, WandaVision teve um quinto capítulo igualmente movimentado, cheio de revelações e surpresas.
O episódio cinco de WandaVision abre com o casal título encarando as mazelas de ter recém nascidos em casa. Toda a estética do seriado criado pelos poderes de Wanda emulam os anos 1980, tanto a decoração do set quanto as roupas usadas pelos personagens em cena, quanto a abertura do programa, que emula Caras e Caretas e Três é Demais, e até mesmo os temas abordados (luto sendo o mais óbvio deles) é TV oitentista à perfeição.
Enquanto tentam, com a ajuda de Agnes, pacificar os bebês Billy e Tommy, Wanda e Visão discutem sobre a presença da vizinha na casa, resultando em uma tremenda quebra da ilusão, restabelecida quando Wanda, e o riso da "plateia" fazem a situação soar como um tipo de piada, e mascarada pelo fato de os bebês resolvem seguir as regras da série, e darem um salto temporal, indo de recém nascidos a meninos de cinco anos de idade em um piscar de olhos.
Enquanto os gêmeos não param de usar seus poderes para burlar as regras impostas por seus pais, do lado de fora de Westview, Monica Rambeau está sendo testada e re-testada por conta de seu período dentro do "hex", o hexágono energético ao redor da cidade. Conforme ela relata a sensação de luto que envolvia estar presa na ilusão, o diretor Hayward declara Wanda uma terrorista, e se aproveita do momento em que Darcy, Woo e Monica planejam entrar em contato com Westview usando tecnologia dos anos 80, para tentar um ataque à Feiticeira Escarlate (eu nem sei se deveria usar esse título já que o episódio fez questão de apontar que Wanda não tem um codinome).
A coisa obviamente não sai conforme Hayward planejava, e pela primeira vez na série, Wanda sai do hex para confrontar a E.S.P.A.D.A. e dar um ultimato aos seus "espectadores": Wanda conseguiu o que quer, e não deixará que ninguém tire isso dela.
Darcy, entretanto, escolhe uma forma mais sutil de abordagem, e consegue regar a semente de dúvidas que já estava plantada na cabeça do Visão, criando a primeira grande cisma do casal quando o sintozoide resolve confrontar Wanda a respeito das coisas estranhasocorrendo em Westview, apenas para a campainha do lar do casal soar e deixar as coisas ainda mais estranhas...
"Em Um Episódio Muito Especial..." foi, de longe, o melhor episódio da série até o momento, conseguindo equilibrar os temas do seriado criado por Wanda com os acontecimentos do mundo fora de Westview, além de nos mostrar um pouco dos eventos que antecederam a "Anomalia Maximoff" e fazer a trama avançar, com Visão começando a ver além do que Wanda criou para eles, e uma grande surpresa que é, potencialmente, o primeiro toque do vindouro multiverso Marvel dos cinemas ao final do capítulo.
WandaVision começa sua segunda metade com o pé direito e haja unha para aguentar até a próxima sexta, torcendo para que a série mantenha a qualidade crescente.

"Você não acredita em mim...
-Eu quero, mas nesse momento estou ignorando inteiramente as estatísticas."

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Resenha Série: Deuses Americanos, Temporada 3, Episódio 4: The Unseen

 


O quarto episódio de Deuses Americanos começa com a chegada dos orixás aos EUA, trazidos pelas orações e súplicas dos escravos que foram levados aos campos de algodão do sul dos Estados Unidos para fazer a fortuna de seus mestres, que quebraram o pacto que a constituição norte-americana fez com Deus, de garantir que todos os homens seriam iguais naquele país... É mais um dos bons recortes que vêm abrindo os episódios dessa temporada, mas seguem carecendo do impacto dos "Chegando à América" do primeiro ano, e uma boa abertura para o episódio que engata de onde o anterior havia parado.
Conforme nós vimos ao final do capítulo passado, Shadow chegou à casa de Bilquis para encontrar sinais de uma luta, poças de sangue, o Technical Boy e nada da deusa do amor. Somando dois e dois, o protagonista acredita que o novo deus fez algo com a deusa antiga, mas, após surrar brevemente seu desafeto (a quem Shadow ainda não perdoou pela tentativa de linchamento da primeira temporada), ele descobre que foi o oposto.
Em seu último encontro, Bilquis desarranjou Technical Boy de alguma forma, e ele precisa encontrá-la se quiser voltar à sua velha forma, algo que não será capaz de fazer sem ajuda já que a deusa do amor foi capturada pela poderosa firma de segurança que serve a Bill Sanders, a última "refeição" de Bilquis. As circunstâncias, então, tornam ele e Shadow aliados, ainda que desconfortáveis, e os dois saem por Nova York para tentar descobrir o paradeiro da divindade convertida em prostituta.
Enquanto isso, Quarta-Feira segue tentando tirar Deméter do asilo onde ela está internada. Após esbarrar na presença aparentemente inamovível de seu curador, Larry Hutchinson (Sebastian Spence), que casualmente também é o diretor da casa de saúde e, Cordelia descobre, exatamente o golpista aproveitador que Quarta-Feira supunha.
Para tirá-lo do caminho, tudo o que o Pai de Todos necessita é o HD do computador pessoal de Hutchinson algo que ele pode obter facilmente através de seu séquito pessoal, os motoqueiros do bar Valhalla East, a menos que o luto de Johan (Marilyn Manson), vocalista da banda Blood Death por seus companheiros de palco tenha consequências explosivas sobre os planos de Odin...
E, fechando a trinca de linhas narrativas desse capítulo, nós voltamos ao purgatório para explorar o destino de Laura, que, segundo o Guia do Purgatório, é grandioso, e por isso há deuses tentando impedi-la de cumpri-lo. Mais do que isso, o destino se manifesta quando o cadáver de Sweeney é encontrado no cemitério onde Laura o deixou antes de virar pó...
The Unseen é outro episódio bem abaixo dos dois primeiros capítulos da temporada atual. Ainda que não seja tão ruim quanto o anterior, é filler descarado até a raiz da alma, o que me leva a pensar se, a exemplo do que acontecia com as séries da Marvel na Netflix, os showrunners de Deuses Americanos não deveriam considerar reduzir o número de episódios por temporada ao invés de esticar a trama até ela ficar tão fina quanto pareceu aqui... Seja como for, o próximo episódio será o mid-season, vamos torcer para que a série reencontre seu ritmo e, quem sabe, faça a trama andar um pouco.

"-Isso foi por me linchar, caipira.
-Eu já pedi desculpas por aquilo.
-Desculpas não aceitas. Nem agora, nem nunca." 

sábado, 30 de janeiro de 2021

Resenha Série: WandaVision, Temporada 1, Episódio 4: Interrompemos Nossa Programação

 


WandaVision passou seus primeiros três episódios intrigando (e irritando levemente) a audiência com sua proposta doida de inserir dois Vingadores em uma quase inofensiva sitcom que saltava uma década a cada capítulo adquirindo o visual e a linguagem do tipo de programa que desejava emular, dos cenários às gags, enquanto deixava claro que havia alguma coisa de estranho acontecendo por trás do idílio parcial de que a Feiticeira Escarlate e o sintozoide Visão partilhavam. Havia diversas pistas de que algo estava errado naquele mundo em algum nível, mas nós só chegamos perto de descobrir o quanto no capítulo passado, Agora em Cores, quando Wanda expurgou "Geraldine" de sua vizinhança.
O quarto episódio da série, finalmente começa a nos dar respostas, e o faz de uma das melhores maneiras que o MCU é capaz:
Mostrando o quanto esse universo é genuinamente compartilhado (ao menos quando convém).
Interrompemos Nossa Programação abre durante o "Blip", o momento em que o Professor Hulk estalou os dedos e trouxe todas as pessoas que Thanos apagara da existência de volta à vida. Nós acompanhamos a confusão de Monica Rambeau (Theyonah Parris) despertando de um cochilo na cadeira do hospital onde acompanhava sua mãe, Maria Rambeau (Lashana Lynch) que passara por uma cirurgia para extrair um tumor, cinco anos após ter pegado no sono.
A vemos ser inteirada da situação e a acompanhamos voltar ao trabalho na E.S.P.A.D.A. (que, nos quadrinhos é uma agência especializada em Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Alienígena, mas no MCU é uma Equipe de Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Armada), onde o diretor Hayward (Josh Stamberg) a ajuda a recebe e envia de volta a campo para um caso de desaparecimento.
No caso, o desaparecimento de uma cidade inteira, Westview, Nova Jersey.
Chegando ao local, Monica é recebida pelo agente Jimmy Woo (Randall Park, que, eu gosto de pensar, realmente saiu pra jantar com Scott Lang e aprendeu aquele truque do cartão) que mal termina de explicar o que sabe a respeito do caso antes de vê-la ser tragada pelo campo energético que cerca a cidade.
Não demora para que um enorme perímetro de segurança seja montado ao redor de Westview com agentes de todos os ramos do governo e especialistas das mais diversas áreas sendo convocados para contribuir com a pesquisa em andamento, incluindo a astrofísica doutora Darcy Lewis (Kat Dennings, que finalmente terminou seu estágio e concluiu seu PHD).
Juntos eles descobrem a sitcom sendo encenada dentro do campo de força, a verdadeira identidade do "elenco", e tentam contatar Wanda (parte das perturbações que vimos nos três primeiros capítulos) e resgatar Monica.
Interrompemos Nossa Programação é, de longe, o melhor episódio de WandaVision até agora, não apenas por começar a responder perguntas da audiência, mas por fazê-lo através de dois personagens que são titanicamente carismáticos, no caso Woo e Darcy (que além de carismática ainda tem a pele de alabastro os lábios de rubi e os cabelos de noite de Kat Dennings), que trazem a série de vez para o MCU como conhecemos e amamos.
Está lá, na presença desses dois, o falatório sci-fi que é a espinha da Marvel nos quadrinhos, o alto risco dos eventos para o nosso mundo, a comédia polvilhada por cima de toda a trama, tudo o que fez o Universo Cinemático Marvel ser o gigante que é hoje, além de, de lambuja, ainda nos dar um vislumbre do que está se passando com a protagonista.
E, encerrando o episódio, nós temos a mesma cena que encerrou o capítulo anterior, mas dessa vez, com tempo para que Monica seja capaz de nos contar o que todos já suspeitavam...

"-É Wanda... É tudo a Wanda..."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Resenha Série: Deuses Americanos, Temporada 3, Episódio 3: Ashes and Demons

 


Mais uma semana se passa e a terceira temporada de Deuses Americanos segue tentando reencontrar o caminho ao seguir, de maneira mais opaca, os passos da sua temporada inicial. Ashes and Demons abre novamente com uma boa sequência do passado, mais especificamente do ano de 1765, no oeste da Pennsylvania, quando uma fazendeira desesperada decide oferecer um sacrifício aos velhos deuses na esperança de salvar as filhas da inanição.
Eu sempre gosto desses pequenos recortes que temos tido nos últimos episódios, e ainda que eles não tenham, nem de longe o mesmo brilho dos "Chegando à América" da primeira temporada, eles contribuem para a mitologia do seriado.
O recorte em questão nos apresenta a deusa das colheitas Deméter (vivida por Gwynne Phillips em 1765), que, conforme eu supunha, surge na história para ocupar o lugar de Ostara, limada da trama junto com os desastres ecológico/agrários que haviam sido prometidos no primeiro season finale da série.
Após encontrar o cartão postal com o endereço de sua velha paixão, Quarta-Feira e Cordelia (Ashley Reyes) descobrem que Deméter (agora Blythe Danner) está internada em uma casa de repouso onde sua insistência em se auto intitular uma deusa é tratada como um delírio pelos médicos e enfermeiros, mas encontra algum eco entre os outros internos, dando-lhe a fagulha de adoração de que ela precisa para viver.
Enquanto isso, em Lakeside, Shadow e os demais habitantes da idílica cidadezinha começam a fazer buscas por Allison, que segue desaparecida após 48 horas. Nosso protagonista ainda tem tempo para curtir um momento de constrangimento do xerife Mulligan e um momento de aproximação com Marguerite antes de um sonho levá-lo a procurar por Bilquis.
Bilquis, por sinal, está tendo uma tremenda crise de consciência. Se antes ela devorava homens inteiros e dormia como uma deusa logo depois, o fato de sua última refeição ter uma família preocupada com seu paradeiro a fez embarcar em uma guilt trip pesada, interrompida por uma invasão súbita a seu apartamento.
E, por fim, após ser pulverizada no primeiro episódio ao tentar devolver a moeda de Sweeney, nós reencontramos Laura às voltas com o pós-vida.
Nós vemos a Sra. Moon visitando o mais modorrento e burocrático purgatório desde que Geena Davis e Alec Baldwin morreram em Os Fantasmas se Divertem, onde há filas sem fim, funcionários mandando os recém chegados lerem os panfletos, fichas, portas, guichês e lâmpadas fluorescentes por todos os lados, além de uma exposição em VHS da vida do falecido que, por sinal, dá à Laura uma nova perspectiva de sua própria existência...
Ashes and Demons foi um grande escorregão em uma temporada que, até aqui, vinha funcionando. 
Não apenas porque não acontece praticamente nada que faça a trama se movimentar adiante, mas também porque a divisão de foco entre três núcleos (quatro, se contarmos as breves aparições de Bilquis e Technical Boy) acaba dispersando uma história que, se não estava exatamente sendo um primor de dinâmica nos dois episódios anteriores, ao menos estava acertadamente centrada em Shadow.
Não bastasse isso, todo o segmento com Laura, ainda que tenha algum mérito em sua tentativa de desvelar um pouco dos elementos de sua personalidade, vão na contramão da muito mais sombria e melhor primeira passagem da personagem pelo além vida, quando ela se sentou junto com Anúbis para ver o que seria a sua eternidade... Ainda assim, houveram breves prenúncios de que tanto Shadow quanto Quarta-Feira terão coisas com que lidar no futuro próximo.
Vamos torcer para que esse capítulo tenha sido apenas um tropeço, e não uma queda.

"-Eu sou a arquiteta de todas as merdas na porra da minha vida."

sábado, 23 de janeiro de 2021

Resenha Série WandaVision, Temporada 1, Episódio 3: Agora em Cores

 
Com seu terceiro episódio devidamente lançado e assistido, WandaVision deixou bastante claro o que, pra mim, é seu principal problema na noite de ontem:
A metragem mais do que econômica de cada capítulo.
Os, em média vinte e cinco minutos de história de cada episódio não são o suficiente para dar à audiência o verdadeiro escopo do que está acontecendo, e se na semana passada o lançamento duplo de episódios mitigou esse problema, ontem ficou claro que, se WandaVision não emplacar como poderia, parcela de culpa vai para a Disney+ e a estratégia (furada) de lançar os episódios a conta-gotas (algo que eu já havia apontado em The Boys, lançada da mesma maneira pela Amazon).
Maratonados ao longo de uma tarde de sábado ou domingo, a sensação de coito interrompido deixada por cada episódio da série não existiria, e seria possível admirar a história proposta pela Marvel como ela deseja ser: Um filme de várias horas de duração.
Mas enfim, agora que eu já fiz meu pequeno protesto, vamos ao episódio:
Agora em Cores (os episódios, inclusive os dois primeiros, só ganharam títulos essa semana), ambientada e gravada como uma sitcom familiar dos anos 1970 ao estilo The Brady Bunch abre com Wanda e Visão sendo visitados pelo médico local, Dr. Stan Nielsen (Randy Oglesby) que atesta que, de fato, a feiticeira escarlate está grávida, e, mais que isso, está grávida de quatro meses a despeito de sua barriga ter surgido apenas há umas doze horas.
E, conforme o casal se prepara para a iminente chegada do bebê, e a gestação segue em velocidade extremamente elevada, os poderes de Wanda começam a ameaçar sair de controle, espalhando o caos não apenas pela residência dos dois, mas por toda Westview.
Apesar de repetitivo, não dá para não mencionar a estética do episódio. Agora em Cores, dos cenários ao figurino, do tema de abertura à maquiagem/cabelo emula à perfeição o visual dos seriados dos anos 1970 (acredite, eu sei, era só o que passava na TV aberta nos anos 1980). Outro ponto positivo é que o episódio finalmente parece oferecer à audiência pistas mais claras do que está ocorrendo em Westview, e da extensão do controle (ou da falta de controle) que Wanda exerce sobre essa realidade, como os cochichos acusatórios divididos entre Agatha e Herb (David Payton), que parecem saber mais a respeito do que está acontecendo do que deixam transparecer, ou a forma como Geraldine sai da residência Maximoff após questionar a perfeição da vida criada pela Feiticeira Escarlate...
A despeito da estratégia de lançamento besta, WandaVision tem lenha pra queimar, e abriu espaço para explorar o lado mais assustador dos poderes da Feiticeira Escarlate e permitir que a audiência saiba o que está acontecendo nos subúrbios de Westview.
Agora é esperar mais uma semana pelos próximos vinte minutos da história.

"-Wanda? Onde está Geraldine?
-Ela saiu, querido. Ela teve que correr pra casa."

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Resenha Série: Deuses Americanos, Temporada 3, Episódio 2: Serious Moonlight

 


Quando deixamos Shadow na semana passada, ou melhor, Mike Ainsel, na semana passada, ele estava sob a desconfortável mira de uma espingarda que, nós descobrimos, é manuseada pela "gerente da propriedade", Marguerite (Lela Loren). Não é o único desconforto pelo qual o protagonista passa enquanto se estabelece em Lakeside. Ele ainda precisa ficar em um apartamento que não tem calefação e cuja lareira tem um cartaz dizendo, em letras grandes e com ponto de exclamação, "não usar", mas, se Marguerite é uma tremenda escrota (e, aparentemente, meio racista), o resto da população de Lakeside parece bastante amigável. Da dona da loja de conveniência local, Ann-Marie (Julia Sweeney), ao xerife Chad Mulligan (Eric Johnson), todos parecem dispostos a abraçar Shadow e fazê-lo se sentir em casa, incluindo Alison (Andi Hubick), a gatinha que achou Shabow bonitão quando ele desembarcou em Lakeside e que o ajuda a escolher um casaco para suportar o frio polar da cidadezinha.
Mas Shadow não fica em Lakeside.
Ele recebeu um convite para o velório de uma antiga conhecida, e deve rumar a Chicago para atender ao evento, uma rota que o levará a um novo encontro com Quarta-Feira que, embora não tenha recebido o mesmo convite, resolve aparecer assim mesmo, para a ira do Czernobog (Peter Stormare).
Falando em Quarta-Feira, o memorial de Zorya Vechernyaya não é a única parada do Pai de Todos nessa semana. Antes disso ele passa pelo consultório de Tyrell (Denis O'Hare), o deus da guerra nórdico Tyr, convertido em um dentista que reduziu sua dieta ao moderado derramamento de sangue da cadeira do consultório. Tyr, apesar de generosamente jurar lealdade à causa de Odin, é apenas um degrau para garantir que o Pai de Todos chegue à sua próxima recruta...
Ainda há tempo para reencontrarmos Zoraya Utrenyaya (Martha Kelly) e Zorya Polunochnaya (Erika Kaar), que novamente faz um truque com a lua para Shadow, além de Salim (Omid Abtahi), que segue procurando pelo jinn, e Sr. Ibis (Demore Barnes). Também vemos Bilquis se alimentando à sua maneira toda particular de um magnata do T.I. (vivido por Gil Bellows), e Shadow ser acusado de um crime...
A despeito disso tudo, Serious Moonlight não chega a realmente avançar a trama de Deuses Americanos, e novamente dá a impressão de que a série está tentando reencontrar o ritmo e a voz de seu excepcional primeiro ano. 
Há até um card ao estilo Chegando á América no começo do episódio, narrado por Whiskey Jack e mostrando os colonos europeus massacrando os nativos americanos, além do retorno daquele claro subtexto racial que permeava a série em seu começo... Parece uma demonstração de que Deuses Americanos está tentando voltar à velha forma, e isso é louvável, mas até o momento, eu só consigo ver boas intenções, das quais, nós todos sabemos, o inferno está cheio.
Os Novos Deuses ficaram totalmente de fora do episódio, o que, francamente, não chega a me incomodar haja vista como esses "vilões" são chatos e modorrentos, e foi bom ver novamente o Czernobog e as irmãs Zorya, vamos esperar que o terceiro episódio nos dê um pouco mais para avaliar e faça a série parar de claudicar e andar pra frente.

"Metade da arte da guerra é saber quando trocar de lado."


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Resenha Série WandaVision, Temporada 1, Episódio 2: Não Mude o Canal

 


O segundo episódio de WandaVision, disponibilizado em uníssono com o primeiro na última sexta, é, a exemplo do primeiro capítulo, uma homenagem a um tipo muito específico de série de décadas passadas com algumas pistas eventuais do pano de fundo, ainda oculto, dos eventos que levaram o casal até essa idílica existência na cidadezinha de Westview.
Mas se o primeiro episódio fora econômico em suas pistas à exceção da sequência de pesadelo do jantar, o segundo capítulo ousa um pouco mais, e, se não chega a dar muitas explicações, abriu um leque de possibilidades para os fãs especularem a respeito.
A ambientação se moveu dos anos 1950 para a década de 60, e a inspiração deixa de ser The Dick Van Dyke Show (que aparentemente foi a grande inspiração do episódio de estreia, incluindo o cenário e a abertura) e passa a ser sitcoms como Jeannie é um Gênio e A Feiticeira.
Na trama, após uma sequência inicial onde, em meio a alguma piadas inofensivas, Wanda e Visão são acordados durante a noite por um ruído misterioso, apenas para descobrirem que se tratava simplesmente de um galho batendo em sua janela, o casal se prepara para apresentar um espetáculo de ilusionismo.
A vizinhança onde vivem está organizando um show de talentos para arrecadar fundos para a escola local, e, desejando se integrar à comunidade, eles farão uma apresentação como o casal de mágicos Ilusão e Glamor.
Antes disso, porém, Wanda irá conhecer Dottie (Emma Caulfield Ford), chefe do comitê de organização do evento beneficente, e Visão vai até a reunião da vigilância do bairro, na verdade uma fachada para os homens da vizinhança fofocarem. Enquanto Wanda encontra dificuldades para se encaixar no grupo de Dottie, que não fica impressionada com a nova moradora, Visão acaba tendo problemas ao acidentalmente engolir um chiclete, e quando o casal se reencontra para sua apresentação, o sintozoide está "bêbado" por conta da goma de mascar em suas engrenagens internas, o que coloca sua apresentação, e seu segredo, em risco diante de seus novos vizinhos, a menos que Wanda possa intervir.
Novamente WandaVision acerta na pinta ao recriar, ipsis litteris, a ambientação, clima, cenários e valor de produção do tipo de seriado que homenageia. Um desavisado poderia acreditar, realmente, que estava vendo um seriado dos anos 60, tamanha a fidelidade de WandaVision para com o tipo de programa que deseja emular. 
A grande diferença do primeiro capítulo para esse é que as perturbações que Wanda experimenta são mais frequentes. O ruído na janela do início do episódio, o rádio durante seu encontro com Dottie, até um invasor misterioso que surge no desfecho do capítulo... Tudo começa a dar pistas de que Wanda e Visão estão presos em um tipo de ilusão sobre a qual a Feiticeira Escarlate tem (ao menos algum nível de) controle, mas que frequentemente é invadida pela realidade, além de trazer à baila novos jogadores como a organização E.S.P.A.D.A, e Geraldine (Teyonah Parris, que, nós sabemos, foi escalada para viver Monica Rambeau no MCU)...
Como? Por que? De que modo isso tudo está conectado?
Só saberemos conforme a série avançar. 
E eu estarei plantado na frente da TV para ver.

"-Em um número de mágica de verdade, tudo é falso."

sábado, 16 de janeiro de 2021

Resenha Série: WandaVision, Temporada 1, Episódio 1: Filmado em Estúdio com Plateia ao Vivo

 


Após longo período de trevas o MCU voltou, ontem a fazer parte da vida dos fãs que, ao menos no meu caso, já estavam com saudades desses personagens que têm feito parte do nosso entretenimento por tantos anos nos cinemas. WandaVision, pontapé inicial da Fase 4 do MCU chegou ao Disney+ ontem com os dois primeiros episódios da série que promete preparar o terreno para Doutor Estranho No Multiverso da Loucura e sabe-se lá mais quantos lançamentos da Marvel nos anos vindouros.
No episódio de estreia, sem nenhum tipo de explicação, nós encontramos Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany) instalados no subúrbio da cidadezinha de Westview onde o casal pretende levar a vida mais normal possível, uma tarefa que pode ser excessivamente desafiadora para duas das criaturas mais poderosas do MCU, a Feiticeira Escarlate e a inteligência artificial tornada em robô senciente, ambos criados pelo poder da Joia da Alma, especialmente quando os dois se veem forçados a receber o chefe de Visão, Sr. Hart (Fred Melamed), e sua esposa (Debra Jo Rupp), enquanto a enxerida vizinha do lado, Agnes (Kathryn Hahn), fica xeretando o jantar.
O primeiro episódio de WandaVision é extremamente esquisito. Todo o desenvolvimento da trama segue o estilo de uma série doméstica da década de 1950, como The Dick Van Dyke Show e The Honeymooners, da fotografia em preto e branco à decoração do set, passando pelo tema da visita do chefe sem o conhecimento da esposa, os efeitos visuais e a maneira como o texto é entregue...
É surpreendente, em um primeiro momento, a maneira como Jac Schaeffer, a equipe de roteiristas e o diretor Matt Shakman estão comprometidos em fazer com que o primeiro episódio seja, até a raiz da alma, igual a uma sitcom da metade do Século XX, mas apenas até começar a contrabandear pequenos glitches na inocente perfeição suburbana do seriado, com o casal incerto a respeito do desenrolar de sua história de amor ou de sua mudança para Westview, a propaganda da torradeira Stark denunciando Visão como um robô, ou o incidente à mesa de jantar que fazem com que a atmosfera idílica do episódio comece a ganhar os contornos de um pesadelo...
Em apenas vinte e sete minutos, a Marvel chega ao Disney+ com uma série inquietante e original, que levada a cabo por uma equipe claramente comprometida com a proposta e dois atores que parecem estar se divertindo demais com a possibilidade de viver esses personagens em um cenário totalmente alienígena, mostra que, bem conduzido, o MCU ainda tem lenha pra queimar.
Vamos torcer para que a série mantenha o ritmo...

"-Minha esposa e seus discos voadores...
-Meu marido e sua cabeça indestrutível..."

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Resenha Série: Deuses Americanos, Temporada 3, Episódio 1: A Winter's Tale

 


Quando de seu lançamento, no agora distante ano de 2017, Deuses Americanos me pegou de surpresa por diversas razões. A principal, talvez, tenha sido a qualidade do piloto, provavelmente um dos melhores primeiros episódios que eu já assisti em uma série.
The Bone Orchard era uma aula de criação de expectativa que, de maneira geral, a primeira temporada da série atendeu bem pra mais de metro.
Mas então veio a segunda temporada, em 2019. Amaldiçoada pela saída dos showrunners Bryan Fuller e Michael Green, de peças importantes do elenco (Gillian Anderson e Kristin Chenoweth), e brigas internas dos produtores com o canal Starz, que financia a bagunça toda, Deuses Americanos se tornou uma sombra do que havia sido, uma série que teve severos problemas narrativos e de desenvolvimento e que viveu de lampejos (como o ótimo Treasure of the Sun) e da excepcional química entre Emily Browning e Pablo Schreiber, e Deuses Americanos se tornou a série que mais havia decaído da primeira para a segunda temporada. Um tombo tão violento que eu francamente não sabia se valia a pena assistir ao terceiro ano da história sobre deuses do mundo levados até os Estados Unidos por seus fiéis...
Mas ei, é janeiro. Há poucas opções de entretenimento nos serviços de streaming, e eu resolvi dar uma nova chance à adaptação em nome do autor do material-fonte e agora showrunner Neil Gaiman.
Um cara que escreveu Sandman merece essa deferência, não é?
A Winter"s Tale começa três meses após os eventos de Moon Shadow, o capítulo que encerrou a segunda temporada. Shadow (Ricky Witthle) agora é Mike Ansel, ele se desvencilhou de Quarta-Feira (Ian McShane) e trabalha em um metalúrgica em uma cidadezinha no interior de Milwaukee onde as coisas estão indo surpreendentemente bem para o ex-condenado.
Ele tem uma oportunidade de promoção no emprego, tem amigos e até um interesse amoroso em potencial na colega Sadie (Zarrin Darnell Martin). Mas aparentemente três meses é mais tempo do que Quarta-Feira pode dispor para seu homem de confiança, e o Pai de Todos ressurge no caminho de Shadow exatamente no instante em que tudo começa a dar errado para "Mike" e os dois voltam à estrada na nova versão de Betty, agora um motorhome.
Enquanto isso, Laura (Emily Browning) está na Louisiana tentando fazer com que Mad Sweeney volte à vida através das artes do Barão Samedi, mas descobre que ressuscitar um deus não é tarefa fácil, e que, para trazer o leprechau de volta, ela talvez precise abrir mão de algo que possui...
Do lado dos vilões, Sr. Mundo resolve que "caras brancos não estão com nada", e troca a cara de Crispin Glover pela de Dominique Jackson e vira a Sra. Mundo, e a Sra. Mundo não está satisfeita com a modorrice de seu complexo tecnológico-industrial, e nem com a lerdeza de Quantum (Quantum? Tecnical?) Boy (Bruce Langley) em trazer Bilquis (Yetide Badaki) para o lado dos Novos Deuses.
Se há um grande acerto em A Winter's Tale foi retomar a estrutura de road movie da primeira temporada com Shadow e Quarta-Feira viajando pelos EUA e conhecendo velhos deuses como Whiskey Jack (o sumidão Graham Greene) enquanto Odin oferece algumas poucas e evasivas respostas sobre a verdadeira origem de Shadow e seu papel na Guerra que se avizinha.
Outra das boas sacadas é devolver a Shadow o protagonismo da série. Na primeira temporada o senso de assombro e estranheza justificavam a perene cara de confuso de Ricky Witthle, e na segunda ele foi relegado à uma dolorosa posição de acessório durante quase que a integralidade dos oito capítulos. Nesse primeiro episódio do novo ano, porém, ele parece mais decidido a agir por si próprio, e mesmo quando vê seus planos serem melados por Quarta-Feira, ainda parece estar disposto a tentar andar com as próprias pernas.
Fora isso, há muito pouco o que realmente avaliar nesses primeiros 56 minutos da temporada (além de uma ponta de Marilyn Manson e uma trilha sonora excelente), mas na semana que vem eu provavelmente vou acessar o Prime Video para descobrir se Deuses Americanos reencontrou seu passo, ou está fadada ao esquecimento.

"-Eu preciso de você, Shadow."

sábado, 19 de dezembro de 2020

Resenha Série: O Mandaloriano, Temporada 2, Episódio 8: O Resgate

 


E infelizmente chegou o momento de nos despedirmos de Din Djarin, Grogu, Cara Dune e companhia... Após oito episódios espetaculares, quiçá mais espetaculares do que os do ano passado, O Mandaloriano encerrou sua segunda temporada com um season finale que elevou os adjetivos "grandioso" e "sensacional" a níveis intergalácticos.
O Resgate começa com a Slave I em franca perseguição a um transporte classe Lambda do Império. A bordo da nave, o doutor Parshing (Omid Abtahi), que nós havíamos conhecido nos primeiros episódios da temporada passada, sendo levado ao encontro do Moff Gideon onde irá continuar seu trabalho com Grogu. Ou iria...
Pilotada por Boba Fett, a Slave I é mais do que páreo para o transporte imperial, e, de posse de Parshing, Mando, Cara Dune, Boba e Fennec podem dar seu próximo passo rumo ao resgate de Grogu: Conseguir reforços.
De volta a Trask, Mando reencontra Bo-Katan e Koska Reeves (Axe Woves não está com o grupo...) com uma proposta tentadora para a pretensa rainha de Mandalore: Um Cruzador imperial leve em troca de ajuda na abordagem da nave de Gideon.
Se inicialmente Katan não parece interessada na barganha, a menção de Mando à presença de Gideon na espaçonave, e sua garantia de que ela pode ficar com o sabre sombrio após a segurança da criança estar assegurada a fazem mudar de ideia. Na cultura de Mandalore, a arma ancestral dos mandalorianos é uma arma ainda mais poderosa do que um Cruzador.
Com um plano devidamente divisado, Mando e sua equipe se preparam para a abordagem da espaçonave, uma tarefa que deve ser realizada de maneira totalmente sincronizada pois, enquanto Bo-Kattan, Koska, Fennec e Cara se engalfinham com os stormtroopers e a tripulação da espaçonave, Mando deve chegar furtivamente ao compartimento onde estão os Dark Troopers e desativá-los, ou as chances de sucesso da empreitada irão de poucas a nulas...
O episódio escrito por Jon Favreau e dirigido por Peyton Reed é a proverbial chave de ouro para encerrar a temporada. A ação é extremamente competente, os momentos de emoção são vendidos com vontade pelo elenco, em especial Pedro Pascal, e os efeitos visuais são a maravilha que nós aprendemos a esperar de O Mandaloriano pelos últimos dezesseis capítulos.

ATENÇÃO!
Daqui pra baixo, haverá uma seção com spoilers do capítulo, então, se não tiver assistido ao episódio, ainda, vá ver e volte depois.

Eu não me canso de dizer que, entra semana, sai semana, e eu fico de queixo caído com a qualidade técnica e narrativa de O Mandaloriano.
A série é perfeita em todos os aspectos e consegue tirar tanto de tão pouco tempo com seus econômicos episódios de cerca de meia hora, que é impossível não louvar o trabalho de Favreau, Filoni e companhia. O ponto é que, em alguns momentos, como com as participações de Bo-Katan, Boba Fett e Ahsoka Tano, a série mostrou que é capaz de ainda mais do que isso. Que em seus trinta e poucos minutos, ela pode abraçar um universo ainda maior do que aquele faroeste galáctico delicioso que nós tivemos na primeira temporada de maneira tão competente quanto faz seu feijão com arroz.
E ontem, a série mostrou que pode cobrir uma distância ainda maior.
Dois episódios atrás, em A Tragédia, Grogu foi colocado por Mando em uma pedra de um antigo templo Jedi para se comunicar com um Jedi que fosse capaz de ouví-lo através da galáxia. O episódio terminou com o bebê Yoda capturado após ter enviado seu chamado, mas nós não sabíamos se alguém ou quem o havia recebido.
Eu me lembro de ter pensado, após o episódio, que sensacional seria se Luke Skywalker tivesse ouvido aquele chamado, mas logo afastei a ideia. Naquele momento, me senti um fanboy ganancioso. Como se tudo o que O Mandaloriano vinha me oferecendo semana após semana não fosse o suficiente.
Kathleen Kennedy, Jar-Jar Abrams e Rian Johnson haviam me convencido que o Star Wars da Disney não é para os fãs de Star Wars, então o que eu já vinha recebendo, deveria ser o suficiente, certo?
Errado.
Do segundo em que o caça X-Wing entrou no cruzador de Gideon até o momento em que o salvador misterioso se revelou para Mando, Grogu e seus aliados trazendo a seu lado R2-D2, eu finalmente pude ver, com arrepios nos pêlos dos braços e um sorriso que simplesmente se recusava a deixar o meu rosto, o Star Wars que eu estava esperando há mais de trinta anos.
Aquele era o Jedi que destruiu a Estrela da Morte I e redimiu Darth Vader. Era um mestre totalmente treinado, sereno, poderoso com a Força e ciente de seu lugar no universo, não era aquele velho amargo e inútil que apareceu num filme que eu tento esquecer há três anos e cinco dias.
Ontem, O Mandaloriano devolveu definitivamente Star Wars aos fãs na forma do Luke Skywalker. O Luke que todos nós, mesmo os que preferiam Leia, Han ou Obi-Wan, aprendemos a amar, e por isso eu jamais deixarei de ser grato à série.

OK! A zona de spoilers termina aqui.

A segunda temporada de O Mandaloriano terminou em aberto. 
Nós não sabemos o que o futuro reserva para Din Djarin. A despeito de todas as pontas soltas deixadas pelo finale, nem sequer sabemos se haverá uma terceira temporada de O Mandaloriano. 
No fim dos créditos de encerramento do capítulo há uma cena que nos leva à uma conhecida fortaleza nos desertos de Tatooine onde, de certa forma, O Livro de Boba Fett é aberto, então é possível que, no ano que vem, ao invés de O Mandaloriano, nós tenhamos a série solo de Boba, mas o que eu posso dizer é que, no que depender de mim, nós deveríamos ter as duas coisas.
E eu nem mesmo me sinto ganancioso em dizer isso.

"Nós vamos nos encontrar novamente."

sábado, 12 de dezembro de 2020

Resenha Série: O Mandaloriano, Temporada 2, Episódio 7: O Crente

 


Eu já mencionei como a temporada de O Mandaloriano parece curta? Já devo ter mencionado, mas aqui vai, de novo: Que temporada curta!
Já estamos a apenas um episódio do fim, e, rapaz, eu já sinto com saudade de Din Djarin, Grogu e companhia, especialmente após o episódio de ontem, O Crente, que foi outro dos pontos altos dessa temporada, especialmente em se tratando de ação e da atuação de Pedro Pascal.
De início somos levados até os campos de sucata de Karthon, onde reencontramos Migs Mayfeld (Bill Burr), o ex-atirador de elite do Império convertido em mercenário que participou do episódio 6 da primeira temporada, O Passageiro. 
Mayfeld está cumprindo uma pena de 50 anos pela tentativa de fuga malfadada de então, até que a xerife da Nova República Kara Dune surge requisitando a custódia do prisioneiro.
Kara não está só, ela vem acompanhado de um séquito formado por Fennec Shand, Boba Fett e Mando, que sabe que, como um ex-agente, Mayfeld tem acesso a códigos e acessos utilizados pelos remanescentes do império de Palpatine, dos quais Mando precisa para resgatar Grogu das garras de Moff Gideon.
Sob pressão, Mayfeld concorda em ajudá-los a conseguir o que querem, mas para isso, precisa ir até o planeta Morak, onde o império tem uma operação de mineração onde o grupo poderá encontrar os terminais de onde Mayfeld pode acessar as informações de que eles precisam. Chegar ao terminal, porém, não será tarefa fácil. A refinaria de rhydonium, um mineral extremamente volátil que deve ser transportado com todo o cuidado do mundo mesmo sob o ataque de piratas, do Império está bem estabelecida e protegida, o que leva o grupo a planejar um acesso sorrateiro até a base inimiga, numa operação que demanda que Mando dê uma trabalhada em seu código de conduta para mostrar o quanto ele realmente se importa com Grogu, e que ás vezes a linha que separa mocinhos e bandidos é bastante tênue...
Conforme eu disse ali em cima, O Crente é um dos melhores episódios da temporada. Mostrando novamente o poder de concisão de O Mandaloriano, o capítulo co-escrito e dirigido por Rick Famuyiwa tem ótimas sequências de ação, como a perseguição pelas estradas florestais de Morak e humor (quase todo cortesia de Burr, um comediante que merece uma espiada), mas também alguns questionamentos morais interessantes a respeito do universo de Star Wars, como o fato de que Mayfeld traz consigo traumas e arrependimentos a respeito de seu período no exército imperial, incluindo a maneira como os oficiais mais ranqueados das fileiras de Palpatine não hesitam em mandar suas tropas para a morte certa. O tipo de insight que geralmente não temos chance de ver nos filmes onde as linhas entre lado luminoso e lado sombrio são mais sólidas que a grande muralha de Adriano e que, embora possa ser problemático já que estamos lidando basicamente com nazistas espaciais, traz um bom tópico de discussão para a franquia.
Em 34 minutos de TV de excelência O Mandaloriano acerta na pinta novamente, e prepara o terreno para um final de temporada que promete um novo encontro entre Mando e Gideon e, quem sabe, entre Mando e Grogu.

"Moff Gideon, você tem algo que eu quero. Você pode pensar que faz alguma ideia do que tem em seu poder, mas não faz. Em breve ele estará de volta comigo. Ele significa mais pra mim do que você jamais saberá."

sábado, 5 de dezembro de 2020

Resenha Série: O Mandaloriano, Temporada 2, Episódio 6: A Tragédia

 

Atenção! Há alguns spoilers do episódio abaixo!
Se ainda não assistiu, volte aqui depois.
Parece mentira que só faltam dois episódios para o fim da temporada de O Mandaloriano. Esses seis episódios passaram rapidamente. Rapidamente demais, considerando que as semanas que os separam cada uma dessas meia-horas de Star Wars em toda a sua glória se estendem como se os dias durassem 72 horas cada...
Mas enfim, o décimo quarto capítulo da série, que tem o agourento título de A Tragédia, na verdade abre com as coisas parecendo muito bem. Mando e Grogu estão na Razor Crest se dirigindo a Tython, planeta que abrigou os Jedi e onde há uma pedra sobre a Criança poderá se conectar a outros de sua estirpe e seguir com seu treinamento... A maneira como Mando chama Grogu pelo nome e o observa reagir à suas orientações é uma das maiores demonstrações de afeto do caçador de recompensas para com seu pequeno companheiro, e a maneira como ele se justifica a respeito de porque eles devem se separar, parece mais endereçada a ele mesmo do que a Grogu.
Seja como for, as coisas vão bem. Eles encontram a pedra mágica, Mando posiciona Grogu no topo, e nada parece acontecer até que uma espaçonave terrivelmente familiar surge no céu ao mesmo tempo em que o bebê Yoda entra em uma espécie de transe e é envolto em um campo de Força . Incapaz de tirar Grogu do local, ele resolve interpelar o intruso e ganhar tempo para o bebê fazer suas coisas Jedi.
Ao encontrar o estranho misterioso e rápido no gatilho, Mando descobre que ele é Boba Fett (vivido por Temuera Morrison, o ator que deu vida a Jango Fett em Episódio II e voz a todos os clone troopers em The Clone Wars), a quem havíamos visto brevemente no encerramento do primeiro capítulo da temporada, e que após sobreviver ao fosso do Sarlacc, onde deveria ter sido digerido por mil anos, está atrás de seus pertences, no caso, a armadura que Mando confiscou de Vanth em Tatooine, e não está sozinho.
Cobrindo o ex-caçador de recompensas que até um ano atrás era o Mandaloriano mais maneiro da galáxia está Fennec Shand (Ming-Na Wen)! Muito mais viva do que na última vez em que a havíamos visto.
Conforme Mando não reconhece Boba como um mandaloriano legítimo, por um breve instante parece que teremos um impasse mexicano se resolvendo com pássaros sibilantes, mas, assim que uma trégua é estabelecida entre as partes para que negociações sejam travadas, os remanescentes do Império surgem e tudo vai pro inferno.
Sem entregar tudo o que ocorre no episódio, pode-se dizer que A Tragédia é um festival de porradaria encabeçado por caçadores de recompensa e stromtroopers que não fica devendo em nada aos filmes da série e que, entre outras coisas, nos mostra o quão fodão Boba Fett é, o quanto Robert Rodriguez, diretor do episódio, parecia estar com vontade de colocar as mãos em Star Wars, e quanta qualidade a série é capaz de entregar em pouco mais de meia hora de episódio. Entra semana e sai semana e eu continuo embasbacado com o nível de qualidade de O Mandaloriano em todos os aspectos, tanto técnicos quanto narrativos, e A Tragédia não é exceção, muito antes pelo contrário.
A estrutura de "missão da semana", que por sinal eu adoro, é deixada de lado em nome de um episódio com graves e verdadeiras implicações para o futuro, que traz novos e importantes personagens ao palco, e que fará Mando revisitar personagens que pensávamos terem ficado no passado.
Parece que, repetindo a estrutura do primeiro ano, novamente teremos uma série de pequenas aventuras auto contidas e apenas vagamente conectadas confluindo para um gran-finale que deve começar a se desvelar no próximo capítulo.
Será uma longa, longa semana até a próxima sexta-feira...

"-Você é muito especial, garoto."

sábado, 28 de novembro de 2020

Resenha Série: O Mandaloriano, Temporada 2, Episódio 5: A Jedi

 


Atenção! Há alguns spoilers do episódio abaixo, então vá assistir e volte depois.
Entra semana, sai semana, e O Mandaloriano segue mostrando que dá pra fazer Star Wars bom, mas bom, MESMO, sem refazer os filmes originais com mais efeitos visuais e menos cérebro, dividir a base de fãs pra satisfazer o próprio ego ou espicaçar o que foi feito antes, em menos de 40 minutos de narrativa de altíssima qualidade, e se isso não é bater com o pau mole na cara de Jar-Jar Abrams, Rian Johnson e Kathleen Kennedy, então eu não sei mais o que é...
Desde o final da primeira temporada O Mandaloriano vinha mergulhando com vontade no universo das séries animadas The Clone Wars e Rebels, as quais eu não acompanhei (assisti alguns episódios de TCW mas quase nada de Rebels, pra ser mais exato), mas de cujas tramas me mantive vagamente informado porque, afinal, elas fazem parte do cânone Star "Warsiano". O sabre sombrio nas mãos de Moff Gideon abriu as portas para Bo-Katan, e Bo-Katan abriu as portas para Ahsoka Tano.
A discípula de Anakin Skywalker que, desiludida com as políticas do Conselho Jedi abandonou a ordem e cuja partida foi um dos tijolos que levaram O Escolhido para o lado sombrio da Força surgiu sendo detestada por público e crítica no longa animado que servia de piloto à série de Dave Filoni e George Lucas, mas ao longo das sete temporadas de The Clone Wars, foi ganhando profundidade e nuances a ponto de, hoje em dia, dividir espaço com Leia, Luke, Han, Obi-Wan, Chewie, Yoda e Darth Vader como uma das favoritas da base de fãs da franquia.
Ahsoka ganha a cara de Rosario Dawson (paulatinamente se tornando o equivalente feminino de Harrison Ford no altar da divindade nerd) que chega a parecer ter sido a inspiração para o visual original da personagem, tamanha sua semelhança com a versão animada da Jedi togruta. Ela está em Corvus, o planeta florestal que abriga a cidade de Calodan, conforme Bo-Katan havia contado a Mando. E ela não está lá a passeio.
Quando Mando e o bebê Yoda (a partir da próxima semana eu vou começar a chamar ele por outro nome, garanto.) chegam ao planeta, eles descobrem que Ahsoka é uma pedra no sapato da magistrada local, Morgan Elsbeth (Diana Lee Inosanto, afilhada de Bruce Lee), que ao lado de seu pistoleiro de confiança, Lang (Michael Biehn, o ator perfeito para interpretar ex-militares durões mastigados pela vida) mais um pequeno exército de soldados e dróides de combate, mantém Calodan sob seu cruel jugo, uma cidade inteira refém para manter Ahsoka afastada. Morgan tem algo que Ahsoka deseja, e Morgan deseja a Jedi morta. Tanto que está disposta a pagar um alto preço pela cabeça de sua inimiga. Um preço que ela oferece a Mando, sem saber que ele também procura por Ahsoka.
Eu não vou entrar em detalhes de nenhuma espécie sobre o que se desenrola após esse preâmbulo que abre A Jedi, mas permita-me dizer que esse episódio, além de um banquete de revelações, é, de longe, o melhor da temporada, e um dos melhores da série como um todo.
Da ambientação Kurosawana de Calodan à forma como o episódio abraça o lado faroeste de Star Wars passando pela maneira como seus quarenta minutos nos lambuzam com a trilogia sequência, a original e o universo expandido que chegou a ser condenado à morte pela Disney e a inspirada interpretação de Dawson, dando carne, osso, seriedade e altivez à Ahsoka, A Jedi é tudo o que Star Wars deve ser, tudo o que Star Wars precisa ser para lembrar seu lugar de direito como a franquia espacial mais amada da galáxia.
Mal posso esperar pela próxima sexta, quando O Mandaloriano irá mostrar de novo que esse é o caminho. 
E tenho dito.

"-Eu gosto de primeiras vezes. Boas ou más, elas são sempre memoráveis."

sábado, 21 de novembro de 2020

Resenha Série: O Mandaloriano, Temporada 2, Episódio 4: O Cerco


 Em minha primeira semana assistindo O Mandaloriano sem perna de pau, olho de vidro ou cara de mau, a viagem àquela galáxia bem, bem distante se mostrou um passeio agridoce sob certos aspectos que explicarei mais adiante.
Enfim, após os reparos à Razor Crest realizados pelo mon-calamari que disse não ser capaz de consertá-la, mas apenas de fazê-la voar, se mostrarem estritamente o que fora prometido, Mando tenta usar seu pequeno side-kick como um engenheiro elétrico na tentativa de fazer sua espaçovane parecer menos com um calhambeque em meio ao vácuo. As coisas obviamente não funcionam como esperado, e sem ser capaz de fazer os reparos de que precisa para chegar ao planeta indicado por Bo Kattan no capítulo anterior, Mando resolve fazer um pequeno desvio até Nevarro, e reparar sua espaçonave.
Ao chegar ao planeta do antigo QG dos Mandalorianos, percebemos que muita coisa mudou de lá pra cá. Greef Karga (Carl Weathers, que também dirige esse episódio) e Cara Dune (Gina Carano), que antes estavam na raspa do tacho da Orla Exterior, agora são respectivamente o administrador e a xerife locais, levando lei e ordem ao que antes era uma colméia nefasta de escória e vilania.
A avenida principal é um mercado, a cantina, uma escola, e Dune leva a justiça de Greef a todos os malfeitores comedores de furões que tentam se entranhar na região.
Até mesmo Mythrol (Horário Sanz), a primeira recompensa que vimos Mando capturar na série está de volta. Não mais congelado em carbonita, mas usando seus préstimos de contador para pagar sua dívida com Karga.
Se os amigos de Mando estão fazendo bom progresso em Nevarro, a verdade é que ainda há algumas coisas fora do alcance deles em termos de competência e poder de fogo. Coisas que, com um Mandaloriano autêntico em seu grupo, podem ser arranjadas, como a invasão a um posto avançado imperial que tem tirado o sono de Greef.
Mando não é o tipo de pessoa que dá as costas aos seus amigos, e lá vão os três para as regiões dos campos de lava de Nevarro para dar um fim à instalação imperial abandonada, antes que alguém resolva ocupá-la, uma missão que irá revelar um pouco mais sobre as experiências para as quais a Criança estava sendo preparada, e o papel do Moff Gideon  nos planos nefastos dos herdeiros de Palpatine.
Há muita coisa para amar em O Cerco. De Scout Troopers em motos speeder, Tie Fighters em combates aéreos em baixa atmosfera e o Bebê Yoda comendo biscoito recheado, o cerne da série segue sendo o que Star Wars tem de melhor e mais apaixonante.
O agridoce que eu mencionei lá no início, porém, está ligado a maneira como esse episódio parece ligar O Mandaloriano à trilogia sequência, em especial, ao Episódio IX.
E, se por um lado, seria bom ter um pouco de contexto para aqueles filmes horrorosos para ver se eles ficam me os terríveis com um pouco de background, por outro, eu não posso deixar de temer que a mediocridade dos episódios VII e IX, ou o escárnio vil do episódio VIII contaminem um programa que, nos últimos dois anos, eu aprendi a amar.
Seja como for, é bom ver o universo de O Mandaloriano se expandir um pouco, e assegurar à audiência que há algo maior acontecendo no pano de fundo do programa.

"-Você perdeu alguém?
-Eu perdi todos..."


sábado, 14 de novembro de 2020

Resenha Série: O Mandaloriano, Temporada 2, Episódio 3: A Herdeira

 


Após os problemas aracnídeos enfrentados pela tripulação da Razor Crest no capítulo anterior, Mando, a criança e a senhora Sapo chegam, claudicantes à Trask, a lua aquática para onde ele deveria ir em busca de outros mandalorianos.
Chegar ao planeta com a nave em frangalhos e apenas com o cockpit pressurizado já foi difícil, pousá-la nessas condições mostra-se uma tarefa ainda mais desafiadora, e que cobra da Razor praticamente tudo o que ela tinha a oferecer...
Após juntar a Sra. Sapo ao Sr. Sapo conforme havia prometido, Mando recebe o que lhe fora acordado, a localização de alguém que pode levá-lo a outros de sua estirpe. Em uma cantina ele conhece alguns marinheiros Quareen (Trask é habitada basicamente por Quareens e Mon-Calamaris, duas das mais famosas espécies aquáticas de Star Wars) que viram outros em armaduras de beskar, e aceitam levá-lo até eles, apenas a algumas horas de viagem de barco.
A viagem não ocorre sem sobressaltos, ainda assim, Mando eventualmente encontra outros três mandalorianos, Koska Reeves (a lutadora do WWE Sasha Banks/Mercedes Varnado), Axe Woves (Simon Kassianides, de Agentes da S.H.I.E.L.D.) e Bo-Katan (personagem da animação The Clone Wars que, em um duplo orgasmo nerd para os fãs do programa, é interpretada por sua dubladora original, Katee Sackhoff).
Entretanto, embora tenha motivos de sobra para ficar feliz por encontrá-los, Mando vira as costas e vai embora assim que os três tiram seus capacetes ao vê-lo.
Aparentemente, eles contam, não há apenas um caminho a trilhar para os mandalorianos...
De qualquer forma, eventualmente Mando é convencido a se juntar aos três em uma missão, em troca da localização de um membro da ordem Jedi para quem ele deve entregar a criança.
A missão dos três envolve o saque a um cargueiro Gozanti imperial (capitaneado por um oficial imperial interpretado por Titus Welliver, da série Bosch) carregado de armas sendo enviado ao Moff Gideon (Giancarlo Esposito), uma missão que, se cumprida com sucesso, pode ser um passo rumo à independência de Mandalore...
A Herdeira já seria um puta programa apenas por ser outro episódio excepcional de O Mandaloriano, mas em seu terceiro capítulo, a série dá um passo além, e volta a mergulhar no lore mais profundo de Star Wars referenciando tanto a animação A Guerra dos Clones quanto eventos mostrados na temporada anterior, além de trazer à baila um pouco da intrincada política mandaloriana e mostrar as diferenças entre os múltiplos séquitos da cultura guerreira (e nos explicando o motivo pelo qual alguns mandalorianos como Jango Fett e todos os que apareceram na animação não têm melindres em tirar o elmo enquanto Mando, a Armeira e todo o pessoal de Nevarro proibia tal prática). Mais do que isso, o episódio escrito por Jon Favreau (que tal um remake dos episódios I, II, III, VII, VIII e IX escritos, produzidos e dirigidos por ele e Feloni?) e dirigido por Bryce Dallas Howard ainda tem boas sequências de ação, mais amostras do apetite infinito do bebê Yoda, e cita um nome que certamente fez os apaixonados por The Clone Wars tremerem nas chinelas de antecipação pelo próximo capítulo.
Outros trinta minutos de excelência de O Mandaloriano que, além de entreter, pavimenta o caminho para o futuro da série...
Eu adoro esse programa.

"-Sua bravura não será esquecida. Esse é o caminho."


sábado, 7 de novembro de 2020

Resenha Série: O Mandaloriano, Temporada 2, Episódio 2: A Passageira

 



Ah, O Mandaloriano... É tão bom ter esse período em que sabemos que a cada semana poderemos ver Star Wars sem nos preocupar com qual parte da mitologia será vilipendiada pelos diretores e roteiristas contratados pela Lucas Film. É tão bom poder dizer "Hoje tem Star Wars" sem estar com cara de quem vai receber visita da sogra...
Enfim, ontem teve Star Wars, "e dos bons, Chaves", já diria Seu Madruga.
Após ajudar os mineradores de Mos Pelgo e o serife Cobb Vanth a se livrar de um dragão Krayt e recuperar a armadura de Bobba Fett, Mando e o bebê Yoda estão voltando a Mos Eisley quando uma emboscada os faz ter que tomar o caminho mais longo de volta.
Naquela conhecida Cantina, Mando acaba dando sorte, e encontra Peli Motto e um conhecido, Dr. Mandíbula, que, aparentemente, conhece alguém que pode ser capaz de colocá-lo em contato com mais mandalorianos. Após uma breve negociação, Mando descobre sobre uma localização em Trask, uma lua estuária no sistema vizinho, ao redor do gigante gasoso Kol Iben, onde há alguém que pode levá-lo a seu povo, mas, para isso, ele deverá dar uma carona a uma passageira, uma alienígena com aparência anfíbia creditada apenas como "Senhora Sapo", e interpretada por Misty Rosas e dublada por Dee Bradley Baker.
A Senhora Sapo, Peli informa, precisa ser levada até Trask, para que seus ovos sejam fertilizados por seu marido. A questão é que os ovos, mantidos em um recipiente com temperatura controlada, são muito frágeis para viajar em velocidade da luz, então a viagem deve ser feita à moda antiga. Mando não está particularmente satisfeito com a perspectiva de viajar em sub-luz, o que o deixaria vulnerável a piratas e senhores da guerra, mas acaba sendo convencido por Peli Motto.
A viagem em baixa velocidade acaba se provando realmente uma ideia ruim, embora não pelas razões que Mando supunha, e culmina com o trio naufragando com a Razor Crest parcialmente destruída em um planeta congelado, o que leva a um encontro tenebroso com os habitantes locais...
A Passageira mantém o ritmo que se tornou uma tradição na temporada passada, em um episódio o programa acena com o que parece ser o pano de fundo para um arco que ocupará todos os capítulos, no caso a possível presença de Bobba Fett na série, para no seguinte nos jogar em quarenta minutos de aventura basicamente inconsequente.
E quer saber?
Eu gosto.
O segundo episódio da temporada de O Mandaloriano é divertido, tem boas cenas de ação, humor, e flerta de maneira agradável com o horror em seu desfecho, um feito surpreendente já que o episódio é dirigido por Peyton Reed, de As Apimentadas e Homem-Formiga 1 e 2.
Alguém poderá dizer que o episódio é mero filler, mas os eventos que transcorreram aqui podem ter consequências no futuro imediato de Mando, há um elemento temático relacionado a paternidade/maternidade no cerne do episódio, e temos Mando dizendo "Que a Força esteja com vocês" e X-Wings, então, que a série se sinta à vontade para me trazer mais filler desse tipo sempre que quiser... Enfim, semana que vem tem mais Star Wars.

"Coloque uma marca nele e não haverá lugar onde você poderá de se esconder de mim."

sábado, 31 de outubro de 2020

Resenha Série: O Mandaloriano, Temporada 2, Episódio 1: O Xerife


 
A Disney comprou Star Wars em meados de 2012, e passou os quatro anos seguintes mostrando que não sabia muito bem o que fazer com a franquia. Entre uma trilogia sequência horrorosa, com três filmes que não conseguiam dialogar entre si, um filme para o qual ninguém ligou, e um filme OK, salvo do fracasso na sala de edição por um diretor salva-vidas, os Star Wars da Disney eram tão ruins que faziam a trilogia prequel parecer um trabalho de Dennis Villeneuve.
Era óbvio que comprar a propriedade intelectual e jogá-la no cinema sem um plano concreto de que direção seguir só não havia sido um tiro no pé completo porque fãs são meio masoquistas, e parecem estar sempre dispostos a levar mais um tabefe no meio da cara, garantindo o lucro à casa do Mickey.
Seja como for, enquanto Star Wars era brutalmente vilipendiado pela Lucas Film com seus filmes comandados por Jar Jar Abrams, Rian Johnson e seja quem for o responsável pelo produto final de Solo, nos bastidores da Disney havia alguém disposto a tentar salvar ao menos uma fração da alma da franquia.
Jon Favreau.
Unindo-se a Dave Filoni, a cabeça por trás das animações de Clone Wars e trouxe à luz O Mandaloriano, o seriado que mostrou aos fãs que o Star Wars da Disney não precisava ser sempre uma bosta, e à Disney, que esse era o caminho.
Após uma excelente primeira temporada de oito episódios com a cara e o jeito de Star Wars, ontem eu estava sentado para assistir ao primeiro episódio da nova temporada (ainda pirateando enquanto a Disney+ não chega oficialmente ao Brasil).
O Xerife abre com Mando (Pedro Pascal) tentando levar a cabo a incumbência que lhe fora dada pela Armeira, e reunir a criança aos demais de sua espécie.
Para encontrar esse grupo de "magos", porém, Mando precisará da ajuda de outros de sua própria estirpe, uma tarefa complicada à medida em que o reduto dos mandalorianos em Nevarro foi devastado pelo restolho do Império a serviço de Moff Gideon (Giancarlo Esposito).
Mando começa a vasculhar a orla exterior da galáxia em busca de informações, e, bem a seu modo, eventualmente descobre que parece haver um mandaloriano em Tatooine.
A bordo da Razor Crest, Mando e a criança chegam a Mos Eisley (onde reencontram a Peli Motto de Amy Sedaris) e partem rumo a Mos Pelgo, o assentamento de mineração no meio do grande oceano de areia.
Lá, Mando conhece o xerife local, Cobb Vanth (Timothy Olyphant), e descobre que as aparências podem ser enganosas, entretanto, antes que os dois possam resolver quaisquer desavenças, ou que Mando possa encontrar o paradeiro do mandaloriano que busca, o surgimento de um dragão Krayt coloca os planos de Mando em pausa, conforme ele aceita ajudar os residentes de Mos Pelgo.
Muita gente torce o nariz para o formato procedural que O Mandaloriano adotou em partes de sua temporada passada, mas eu, francamente, sempre gostei desse tipo de série de TV, com a missão ou o monstro da semana. The Marshall é um ótimo exemplar desse tipo de formato, com uma história auto contida o suficiente para que nós possamos aproveitar um episódio com começo, meio e fim, e ao mesmo tempo acenar com o quadro mais amplo, tanto ao mostrar à audiência o que vem pela frente, quanto com pequenas piscadelas em forma de easter egg ao longo do capítulo.
O episódio, escrito e dirigido por Favreau, volta a caprichar na pegada de faroeste que sempre esteve nos melhores momentos de Star Wars, tem condução acertada, bons personagens, ação divertida e mantém os efeitos visuais surpreendentemente competentes para uma série de TV.
Foi bom voltar à essa galáxia bem, bem distante, conduzido pelas mãos certas, que o restante da nova temporada de O Mandaloriano mantenha o ritmo, e continue nos mostrando que Star Wars ainda respira.

"-Isso não é lugar pra uma criança, sabe?
-Aonde quer que eu vá, ele vai."

 



sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, episódio 8: What I Know

 


What I Know, season finale de The Boys é a síntese perfeita do que foi a segunda temporada da série como um todo. Muito mais divertida do que a primeira temporada, mas longe de ser perfeita. É basicamente o que nós temos ao longo dos sessenta e sete minutos desse oitavo episódio que encerra o ano para os supers menos heroicos da TV.
As coisas foram de mal a pior no episódio passado. A sessão do congresso a respeito dos desmandos da Vought virou um banho de sangue que conseguiu convencer o público de uma única coisa: Há super vilões infiltrados em solo americano, e a única coisa capaz de deter um super, é outro super.
Com isso, a Vought está a dois passos de se tornar a fornecedora de Composto V do governo dos EUA, e passar a contar com super militares e super patrulheiros de fronteira para combater o mal doméstico e no estrangeiro.
A menos que os rapazes possam evitar.
O plano de Billy, Leitinho, Francês e Kimiko é bastante simples: Usar toda a tecnologia e criatividade possível para atacar Os Sete de frente e mandar eles todos gritando pro inferno de uma vez por todas. E se a Vought fizer mil novos supers para cada um que eles matarem, foda-se. Eles continuarão matando todos até acabar a munição. Annie, porém, quer tentar uma outra abordagem antes de partir para o enfrentamento direto, e pede uma chance de tentar evitar o derramamento de sangue.
Luz-Estrela espera poder contar com a ajuda da Rainha Maeve após a amazona ter salvado sua vida no episódio passado, e enquanto ela e Hughie tentam isso, Billy recebe uma vista inesperada.
Becca escapou do complexo da Vought e surge na porta do esconderijo dos rapazes pedindo que Bruto a ajude a recuperar seu filho, levado por Capitão Pátria e Tempesta. Billy prontamente se dispõe a fazê-lo, não apenas por saber o perigo que o mundo corre se um psicopata e uma nazista criarem um filho super-poderoso, mas também porque ele vê na coisa toda uma oportunidade de recuperar sua mulher.
Os rapazes, então, partem para resgatar o moleque, sabendo que pode ser uma viagem só de ida, na esperança de reunir a família Bruto de uma vez por todas.
É surpreendente como What I Know consegue amarrar tantas pontas soltas da primeira temporada e preparar terreno para a terceira depois de ter literalmente desperdiçado dois capítulos dos oito que tinha para esse ano. Ainda assim, fica claro que se o quarto e quinto capítulos dessa temporada tivessem sido melhor aproveitados, eventos que viram nota de rodapé nesse episódio, como o desmascaramento de um dos Sete, poderiam ter sido infinitamente melhor aproveitados. Falando em nota de rodapé, a mesma coisa acontece com alguns dos temas que o programa tenta usar para dialogar com nossa realidade, como a ligação do patrono da Igreja da Coletividade Alastair Adana (Goran Visnjic) com políticos e CEOs corporativos, ou a ideia de ter professores armados para defender crianças de ataques em escolas... São todas críticas sociais válidas, mas que simplesmente são atiradas na tela sem receber o devido tratamento e que acabam virando apenas ruído de fundo. Se esses temas tivessem sido contrabandeados à realidade da série com a mesma competência que o sucesso da retórica nazista entre extremistas foi, e eu estaria aplaudindo o programa.
Entretanto, mesmo com sua falhas, a segunda temporada de The Boys deu um inegável salto de qualidade. Tanto nos quesitos narrativa quanto diversão pura em simples, a versão 2020 da série é mais competente do que a primeira, e se a progressão se mantiver, o terceiro ano do programa pode me aguardar, pois eu estarei na frente da TV para assistir e do computador para elogiar.

"As garotas dão conta, mesmo..."

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 7: Butcher, Baker, Candlestick Maker

 


Após o quarto e quinto episódios muito ruins, e um sexto episódio OK, The Boys reencontrou seu caminho no penúltimo episódio da temporada.
Com um segmento de abertura surpreendentemente sombrio para os padrões geralmente mais satíricos da série, mostrando os efeitos que estar constantemente preso dentro de uma bolha de discurso de ódio podem causar em uma pessoa solitária, Butcher, Baker, Candlestick Maker chuta a porta com força para nos preparar para o season finale.
Enquanto os Rapazes e Mallory se preparam para usar o conhecimento de Facho de Luz a respeito do que a Vought anda aprontando em Sage Grove para justificar uma ação do congresso dos EUA contra o guarda-chuva corporativo d'Os Sete, Tempesta e Capitão Pátria se assumem publicamente como um casal, elevando os índices de aprovação da nazista e do psicopata a níveis estratosféricos.
E enquanto o testemunho de Facho de Luz aparentemente não é o suficiente para pegar a Vought de jeito, ser os queridinhos da mídia não é o bastante para Tempesta e Capitão Pátria. Eles desejam ser uma família e, adivinhe só?
Eles até já têm um filho.
Por falar em relações entre pais e filhos, Connie Butcher (Lesley Nicol) está em Nova York, e gostaria de reunir a família uma última vez já que Sam (John Noble) não está na melhor das formas e não tem a melhor das relações com seu primogênito, William.
Enquanto Mallory e Leitinho vão tentar convencer o doutor Jonah Vangelbaum (John Donam), chefe do projeto do Composto V e o responsável pela criação do Capitão Pátria a falar contra sua antiga empregadora, Billy vai participar meio a contragosto de sua reunião familiar enquanto Francês e Kimiko tentam manter a deputada Neuman (Claudia Doumi) em segurança e Hughie fica de pajem do Facho de Luz, comendo pizza e assistindo pornografia no meio da tarde.
Como se tudo isso não fosse o suficiente, Hughie descobre que Annie foi taxada como traidora pelos Sete, e agora está sob custódia na Torre Vought, e ele tem apenas uma pessoa a quem recorrer para ajudá-lo em uma tentativa de resgatar Luz-Estrela...
Sim, Butcher, Baker Candlestick Maker é um ótimo retorno da série a seus melhores momentos, tem menos cara de filler e mais conteúdo, dando a impressão de que finalmente está tentando mover as peças no tabuleiro para algum lugar.
Nós temos até espaço para ver o relacionamento de Kimiko e Francês evoluir, o de Elena e Rainha Maeve ruir, e um vislumbre do que acontece com quem erra o pé no tratamento com a Igreja da Coletividade, mas os maiores temas do episódio são mesmo as relações entre pais e filhos e como elas moldam a vida dessas pessoas, e um nem sempre sutil subtexto político que tem os dois pés bem fincados na realidade dos EUA (e infelizmente brasileiro, por proximidade ideológica), agora nos resta esperar até amanhã para descobrir se haverá alguma espécie de resolução para os eventos dessa temporada, ou se ela é realmente uma espécie de transição e nós ficaremos no vácuo até o ano que vem.

"Você quer ser o corno ou o cara que fode a esposa?"

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 6: The Bloody Doors Off

 



The Bloody Doors Off, sexto episódio da nova temporada de The Boys não chega a expiar os pecados dos capítulos quatro e cinco, mas ao menos ganha em termos de diversão e (alguma) importância narrativa.
O capítulo começa com (e é entrecortado por) vislumbres do passado do Francês, que ajudam a explicar sua obsessão em salvar Kimiko não importa a que custo. Esses flashbacks vão nos sendo mostrados conforme acompanhamos a missão dos rapazes de entrar nas instalações do Centro Sage Grove, um hospital/sanatório/asilo que Annie encontrou ao futricar nos arquivos do laptop de Tempesta, para tentar descobrir o que a Vought está tramando naquele lugar.
Eles acabam descobrindo mais do que podiam imaginar ao dar de cara com o ex-membro d'Os Sete Facho de Luz (Shawn Ashmore, o Homem de Gelo da franquia X-Men usando os poderes do Pyro...), com quem os rapazes partilham um passado repleto de rancores, e que está até o pescoço nos negócios escusos que Tempesta está supervisionando para o conglomerado industrial.
E, quando a meleca acerta o ventilador, o grupo se vê separado, com Leitinho, Kimiko e Francês presos dentro das instalações, e Annie, Bruto e Hughie precisando lidar com os problemas do lado de fora. 
Os demais membros d'Os Sete aparecem menos nesse episódio, mas ainda tempos tempo para ver como o Capitão Pátria lida com um relacionamento que é menos Edipiano do que o que ele mantinha com Stillwell (aqui vai um pequeno spoiler: Não muito bem) e que Maeve usou os poderes do Profundo para tentar obter um ás no jogo que inevitavelmente terá que travar com o líder da equipe pela segurança de Elena.
Por falar no Profundo, ele aparece vagando pelo set de filmagens de A Origem dos Sete e oferecendo uma Fresca para o Trem Bala. Considerando que o velocista azul está chegando perto do fundo do poço com sua aposentadoria compulsória, não é de se surpreender que ele seja o próximo alvo da Igreja da Coletividade, especialmente agora que a organização está demonstrando seu poderio com a reformulação da imagem do herói subaquático...
Conforme eu disse ali em cima, The Bloody Doors Off não chega a ser um primor, mas, comparado ao tanto que os episódios anteriores haviam sido insatisfatórios, é um puta avanço. A ação dentro de Sage Grove é intensa e bastante divertida, com diversos super-poderes bacanas, nojentos, ou as duas coisas ao mesmo tempo (destaque óbvio para o sujeito com a "Linguiça do Amor".). O maior mérito dessa sequência de ação talvez seja o fato de que ela serve a um propósito narrativo, e não é apenas barulho tentando tornar um capítulo aborrecido menos enfadonho.
É através dos acontecimentos em Cedar Grove que temos, tanto um vislumbre do passado dos rapazes (de Francês, Mallory e Facho de Luz em especial), e uma oportunidade de ver a relação entre Annie e Bruto se aprofundar.
A subtrama da Igreja da Coletividade não parece ir a lugar nenhum, e com apenas dois episódios para o fim da temporada, eu já estou conformado com a ideia de que isso vá ser melhor explorado apenas no terceiro ano, o que eu ainda não consigo entender é que espécie de clímax nós podemos esperar agora que faltam apenas dois episódios para a série terminar e não existe nenhuma espécie de conclusão narrativa à vista...
Enfim, vamos torcer para que ao menos o nível de diversão se mantenha. 

"-Todos que eu já amei estão enterrados. Mas então eu encontrei você. Nós encontramos um ao outro. E agora nenhum de nós terá que ficar sozinho novamente."