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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Resenha Série: WandaVision, Temporada 1, Episódio 5: Em Um Episódio Muito Especial...


Após um quarto episódio que levantou o nível de série uma barbaridade, WandaVision teve um quinto capítulo igualmente movimentado, cheio de revelações e surpresas.
O episódio cinco de WandaVision abre com o casal título encarando as mazelas de ter recém nascidos em casa. Toda a estética do seriado criado pelos poderes de Wanda emulam os anos 1980, tanto a decoração do set quanto as roupas usadas pelos personagens em cena, quanto a abertura do programa, que emula Caras e Caretas e Três é Demais, e até mesmo os temas abordados (luto sendo o mais óbvio deles) é TV oitentista à perfeição.
Enquanto tentam, com a ajuda de Agnes, pacificar os bebês Billy e Tommy, Wanda e Visão discutem sobre a presença da vizinha na casa, resultando em uma tremenda quebra da ilusão, restabelecida quando Wanda, e o riso da "plateia" fazem a situação soar como um tipo de piada, e mascarada pelo fato de os bebês resolvem seguir as regras da série, e darem um salto temporal, indo de recém nascidos a meninos de cinco anos de idade em um piscar de olhos.
Enquanto os gêmeos não param de usar seus poderes para burlar as regras impostas por seus pais, do lado de fora de Westview, Monica Rambeau está sendo testada e re-testada por conta de seu período dentro do "hex", o hexágono energético ao redor da cidade. Conforme ela relata a sensação de luto que envolvia estar presa na ilusão, o diretor Hayward declara Wanda uma terrorista, e se aproveita do momento em que Darcy, Woo e Monica planejam entrar em contato com Westview usando tecnologia dos anos 80, para tentar um ataque à Feiticeira Escarlate (eu nem sei se deveria usar esse título já que o episódio fez questão de apontar que Wanda não tem um codinome).
A coisa obviamente não sai conforme Hayward planejava, e pela primeira vez na série, Wanda sai do hex para confrontar a E.S.P.A.D.A. e dar um ultimato aos seus "espectadores": Wanda conseguiu o que quer, e não deixará que ninguém tire isso dela.
Darcy, entretanto, escolhe uma forma mais sutil de abordagem, e consegue regar a semente de dúvidas que já estava plantada na cabeça do Visão, criando a primeira grande cisma do casal quando o sintozoide resolve confrontar Wanda a respeito das coisas estranhasocorrendo em Westview, apenas para a campainha do lar do casal soar e deixar as coisas ainda mais estranhas...
"Em Um Episódio Muito Especial..." foi, de longe, o melhor episódio da série até o momento, conseguindo equilibrar os temas do seriado criado por Wanda com os acontecimentos do mundo fora de Westview, além de nos mostrar um pouco dos eventos que antecederam a "Anomalia Maximoff" e fazer a trama avançar, com Visão começando a ver além do que Wanda criou para eles, e uma grande surpresa que é, potencialmente, o primeiro toque do vindouro multiverso Marvel dos cinemas ao final do capítulo.
WandaVision começa sua segunda metade com o pé direito e haja unha para aguentar até a próxima sexta, torcendo para que a série mantenha a qualidade crescente.

"Você não acredita em mim...
-Eu quero, mas nesse momento estou ignorando inteiramente as estatísticas."

sábado, 30 de janeiro de 2021

Resenha Série: WandaVision, Temporada 1, Episódio 4: Interrompemos Nossa Programação

 


WandaVision passou seus primeiros três episódios intrigando (e irritando levemente) a audiência com sua proposta doida de inserir dois Vingadores em uma quase inofensiva sitcom que saltava uma década a cada capítulo adquirindo o visual e a linguagem do tipo de programa que desejava emular, dos cenários às gags, enquanto deixava claro que havia alguma coisa de estranho acontecendo por trás do idílio parcial de que a Feiticeira Escarlate e o sintozoide Visão partilhavam. Havia diversas pistas de que algo estava errado naquele mundo em algum nível, mas nós só chegamos perto de descobrir o quanto no capítulo passado, Agora em Cores, quando Wanda expurgou "Geraldine" de sua vizinhança.
O quarto episódio da série, finalmente começa a nos dar respostas, e o faz de uma das melhores maneiras que o MCU é capaz:
Mostrando o quanto esse universo é genuinamente compartilhado (ao menos quando convém).
Interrompemos Nossa Programação abre durante o "Blip", o momento em que o Professor Hulk estalou os dedos e trouxe todas as pessoas que Thanos apagara da existência de volta à vida. Nós acompanhamos a confusão de Monica Rambeau (Theyonah Parris) despertando de um cochilo na cadeira do hospital onde acompanhava sua mãe, Maria Rambeau (Lashana Lynch) que passara por uma cirurgia para extrair um tumor, cinco anos após ter pegado no sono.
A vemos ser inteirada da situação e a acompanhamos voltar ao trabalho na E.S.P.A.D.A. (que, nos quadrinhos é uma agência especializada em Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Alienígena, mas no MCU é uma Equipe de Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Armada), onde o diretor Hayward (Josh Stamberg) a ajuda a recebe e envia de volta a campo para um caso de desaparecimento.
No caso, o desaparecimento de uma cidade inteira, Westview, Nova Jersey.
Chegando ao local, Monica é recebida pelo agente Jimmy Woo (Randall Park, que, eu gosto de pensar, realmente saiu pra jantar com Scott Lang e aprendeu aquele truque do cartão) que mal termina de explicar o que sabe a respeito do caso antes de vê-la ser tragada pelo campo energético que cerca a cidade.
Não demora para que um enorme perímetro de segurança seja montado ao redor de Westview com agentes de todos os ramos do governo e especialistas das mais diversas áreas sendo convocados para contribuir com a pesquisa em andamento, incluindo a astrofísica doutora Darcy Lewis (Kat Dennings, que finalmente terminou seu estágio e concluiu seu PHD).
Juntos eles descobrem a sitcom sendo encenada dentro do campo de força, a verdadeira identidade do "elenco", e tentam contatar Wanda (parte das perturbações que vimos nos três primeiros capítulos) e resgatar Monica.
Interrompemos Nossa Programação é, de longe, o melhor episódio de WandaVision até agora, não apenas por começar a responder perguntas da audiência, mas por fazê-lo através de dois personagens que são titanicamente carismáticos, no caso Woo e Darcy (que além de carismática ainda tem a pele de alabastro os lábios de rubi e os cabelos de noite de Kat Dennings), que trazem a série de vez para o MCU como conhecemos e amamos.
Está lá, na presença desses dois, o falatório sci-fi que é a espinha da Marvel nos quadrinhos, o alto risco dos eventos para o nosso mundo, a comédia polvilhada por cima de toda a trama, tudo o que fez o Universo Cinemático Marvel ser o gigante que é hoje, além de, de lambuja, ainda nos dar um vislumbre do que está se passando com a protagonista.
E, encerrando o episódio, nós temos a mesma cena que encerrou o capítulo anterior, mas dessa vez, com tempo para que Monica seja capaz de nos contar o que todos já suspeitavam...

"-É Wanda... É tudo a Wanda..."

sábado, 23 de janeiro de 2021

Resenha Série WandaVision, Temporada 1, Episódio 3: Agora em Cores

 
Com seu terceiro episódio devidamente lançado e assistido, WandaVision deixou bastante claro o que, pra mim, é seu principal problema na noite de ontem:
A metragem mais do que econômica de cada capítulo.
Os, em média vinte e cinco minutos de história de cada episódio não são o suficiente para dar à audiência o verdadeiro escopo do que está acontecendo, e se na semana passada o lançamento duplo de episódios mitigou esse problema, ontem ficou claro que, se WandaVision não emplacar como poderia, parcela de culpa vai para a Disney+ e a estratégia (furada) de lançar os episódios a conta-gotas (algo que eu já havia apontado em The Boys, lançada da mesma maneira pela Amazon).
Maratonados ao longo de uma tarde de sábado ou domingo, a sensação de coito interrompido deixada por cada episódio da série não existiria, e seria possível admirar a história proposta pela Marvel como ela deseja ser: Um filme de várias horas de duração.
Mas enfim, agora que eu já fiz meu pequeno protesto, vamos ao episódio:
Agora em Cores (os episódios, inclusive os dois primeiros, só ganharam títulos essa semana), ambientada e gravada como uma sitcom familiar dos anos 1970 ao estilo The Brady Bunch abre com Wanda e Visão sendo visitados pelo médico local, Dr. Stan Nielsen (Randy Oglesby) que atesta que, de fato, a feiticeira escarlate está grávida, e, mais que isso, está grávida de quatro meses a despeito de sua barriga ter surgido apenas há umas doze horas.
E, conforme o casal se prepara para a iminente chegada do bebê, e a gestação segue em velocidade extremamente elevada, os poderes de Wanda começam a ameaçar sair de controle, espalhando o caos não apenas pela residência dos dois, mas por toda Westview.
Apesar de repetitivo, não dá para não mencionar a estética do episódio. Agora em Cores, dos cenários ao figurino, do tema de abertura à maquiagem/cabelo emula à perfeição o visual dos seriados dos anos 1970 (acredite, eu sei, era só o que passava na TV aberta nos anos 1980). Outro ponto positivo é que o episódio finalmente parece oferecer à audiência pistas mais claras do que está ocorrendo em Westview, e da extensão do controle (ou da falta de controle) que Wanda exerce sobre essa realidade, como os cochichos acusatórios divididos entre Agatha e Herb (David Payton), que parecem saber mais a respeito do que está acontecendo do que deixam transparecer, ou a forma como Geraldine sai da residência Maximoff após questionar a perfeição da vida criada pela Feiticeira Escarlate...
A despeito da estratégia de lançamento besta, WandaVision tem lenha pra queimar, e abriu espaço para explorar o lado mais assustador dos poderes da Feiticeira Escarlate e permitir que a audiência saiba o que está acontecendo nos subúrbios de Westview.
Agora é esperar mais uma semana pelos próximos vinte minutos da história.

"-Wanda? Onde está Geraldine?
-Ela saiu, querido. Ela teve que correr pra casa."

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Resenha Série WandaVision, Temporada 1, Episódio 2: Não Mude o Canal

 


O segundo episódio de WandaVision, disponibilizado em uníssono com o primeiro na última sexta, é, a exemplo do primeiro capítulo, uma homenagem a um tipo muito específico de série de décadas passadas com algumas pistas eventuais do pano de fundo, ainda oculto, dos eventos que levaram o casal até essa idílica existência na cidadezinha de Westview.
Mas se o primeiro episódio fora econômico em suas pistas à exceção da sequência de pesadelo do jantar, o segundo capítulo ousa um pouco mais, e, se não chega a dar muitas explicações, abriu um leque de possibilidades para os fãs especularem a respeito.
A ambientação se moveu dos anos 1950 para a década de 60, e a inspiração deixa de ser The Dick Van Dyke Show (que aparentemente foi a grande inspiração do episódio de estreia, incluindo o cenário e a abertura) e passa a ser sitcoms como Jeannie é um Gênio e A Feiticeira.
Na trama, após uma sequência inicial onde, em meio a alguma piadas inofensivas, Wanda e Visão são acordados durante a noite por um ruído misterioso, apenas para descobrirem que se tratava simplesmente de um galho batendo em sua janela, o casal se prepara para apresentar um espetáculo de ilusionismo.
A vizinhança onde vivem está organizando um show de talentos para arrecadar fundos para a escola local, e, desejando se integrar à comunidade, eles farão uma apresentação como o casal de mágicos Ilusão e Glamor.
Antes disso, porém, Wanda irá conhecer Dottie (Emma Caulfield Ford), chefe do comitê de organização do evento beneficente, e Visão vai até a reunião da vigilância do bairro, na verdade uma fachada para os homens da vizinhança fofocarem. Enquanto Wanda encontra dificuldades para se encaixar no grupo de Dottie, que não fica impressionada com a nova moradora, Visão acaba tendo problemas ao acidentalmente engolir um chiclete, e quando o casal se reencontra para sua apresentação, o sintozoide está "bêbado" por conta da goma de mascar em suas engrenagens internas, o que coloca sua apresentação, e seu segredo, em risco diante de seus novos vizinhos, a menos que Wanda possa intervir.
Novamente WandaVision acerta na pinta ao recriar, ipsis litteris, a ambientação, clima, cenários e valor de produção do tipo de seriado que homenageia. Um desavisado poderia acreditar, realmente, que estava vendo um seriado dos anos 60, tamanha a fidelidade de WandaVision para com o tipo de programa que deseja emular. 
A grande diferença do primeiro capítulo para esse é que as perturbações que Wanda experimenta são mais frequentes. O ruído na janela do início do episódio, o rádio durante seu encontro com Dottie, até um invasor misterioso que surge no desfecho do capítulo... Tudo começa a dar pistas de que Wanda e Visão estão presos em um tipo de ilusão sobre a qual a Feiticeira Escarlate tem (ao menos algum nível de) controle, mas que frequentemente é invadida pela realidade, além de trazer à baila novos jogadores como a organização E.S.P.A.D.A, e Geraldine (Teyonah Parris, que, nós sabemos, foi escalada para viver Monica Rambeau no MCU)...
Como? Por que? De que modo isso tudo está conectado?
Só saberemos conforme a série avançar. 
E eu estarei plantado na frente da TV para ver.

"-Em um número de mágica de verdade, tudo é falso."

sábado, 16 de janeiro de 2021

Resenha Série: WandaVision, Temporada 1, Episódio 1: Filmado em Estúdio com Plateia ao Vivo

 


Após longo período de trevas o MCU voltou, ontem a fazer parte da vida dos fãs que, ao menos no meu caso, já estavam com saudades desses personagens que têm feito parte do nosso entretenimento por tantos anos nos cinemas. WandaVision, pontapé inicial da Fase 4 do MCU chegou ao Disney+ ontem com os dois primeiros episódios da série que promete preparar o terreno para Doutor Estranho No Multiverso da Loucura e sabe-se lá mais quantos lançamentos da Marvel nos anos vindouros.
No episódio de estreia, sem nenhum tipo de explicação, nós encontramos Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany) instalados no subúrbio da cidadezinha de Westview onde o casal pretende levar a vida mais normal possível, uma tarefa que pode ser excessivamente desafiadora para duas das criaturas mais poderosas do MCU, a Feiticeira Escarlate e a inteligência artificial tornada em robô senciente, ambos criados pelo poder da Joia da Alma, especialmente quando os dois se veem forçados a receber o chefe de Visão, Sr. Hart (Fred Melamed), e sua esposa (Debra Jo Rupp), enquanto a enxerida vizinha do lado, Agnes (Kathryn Hahn), fica xeretando o jantar.
O primeiro episódio de WandaVision é extremamente esquisito. Todo o desenvolvimento da trama segue o estilo de uma série doméstica da década de 1950, como The Dick Van Dyke Show e The Honeymooners, da fotografia em preto e branco à decoração do set, passando pelo tema da visita do chefe sem o conhecimento da esposa, os efeitos visuais e a maneira como o texto é entregue...
É surpreendente, em um primeiro momento, a maneira como Jac Schaeffer, a equipe de roteiristas e o diretor Matt Shakman estão comprometidos em fazer com que o primeiro episódio seja, até a raiz da alma, igual a uma sitcom da metade do Século XX, mas apenas até começar a contrabandear pequenos glitches na inocente perfeição suburbana do seriado, com o casal incerto a respeito do desenrolar de sua história de amor ou de sua mudança para Westview, a propaganda da torradeira Stark denunciando Visão como um robô, ou o incidente à mesa de jantar que fazem com que a atmosfera idílica do episódio comece a ganhar os contornos de um pesadelo...
Em apenas vinte e sete minutos, a Marvel chega ao Disney+ com uma série inquietante e original, que levada a cabo por uma equipe claramente comprometida com a proposta e dois atores que parecem estar se divertindo demais com a possibilidade de viver esses personagens em um cenário totalmente alienígena, mostra que, bem conduzido, o MCU ainda tem lenha pra queimar.
Vamos torcer para que a série mantenha o ritmo...

"-Minha esposa e seus discos voadores...
-Meu marido e sua cabeça indestrutível..."

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Resenha Cinema: Mulher-Maravilha 1984

 


E não pelas razões que seus fãs mais ardorosos gostariam de pensar que é. O longa não é demasiado complexo, cheio de nuances ou intelectualmente desafiador das formas que provavelmente Zack Snyder gostaria que fosse. Ele é um filme com boas ideias que são frequentemente suplantadas numericamente pelas suas más ideias e pela ausência de poder de síntese de seu realizador. Eu já falei a respeito disso em mais de uma vez...
Entre os acertos daqueles filme, porém, está a apresentação da Mulher-Maravilha de Gal Gadot, que foi uma inesperada (ao menos pra mim) bola dentro de Snyder.
A magricela de carinha bonita da franquia Velozes & Furiosos era provavelmente a última atriz de Hollywood, dentro da etnia e faixa etária, que eu imaginaria no papel da princesa das amazonas, mas ei, se eu já acertei em cima da pinta ao imaginar atores em certos papéis (quando assisti Tudo Pode dar Certo disse que Henry Cavill seria um ótimo Superman, por exemplo...), já errei muito, também, e sempre admiti. E Gadot foi um desses meus erros de julgamento.
Não tanto por sua breve aparição em BvS, mas especialmente por seu filme solo, lançado no ano seguinte. Sob a batuta da diretora Patty Jenkins, Gadot provou ao mundo que ela era provavelmente a escolha mais acertada da Terra para o papel ao mostrar força e ternura em níveis estratosféricos no corretíssimo Mulher-Maravilha que faturou mais de oitocentos milhões de dólares em bilheterias pelo mundo e foi o melhor filme do DCUE lançado até então.
Após três anos e um problemático filme da Liga da Justiça, Diana (mais ou menos) volta aos cinemas em uma nova aventura solo.
Mulher-Maravilha 1984 abre com uma lembrança de Diana em Themiscyra, quando ela aprendeu com Antíope (Robin Wright) e Hipólita (Connie Nielsen) a importância da verdade...
Corta para Washington, 1984.
Diana mora na capital dos EUA onde ajuda a manter a paz na cidade da maneira que pode. Salvar uma vida aqui, impedir um assalto ali... Tudo isso enquanto mantém sua existência em relativo segredo e leva uma vida discreta trabalhando como pesquisadora no Instituto Smithsonian.
A paz de Diana é ameaçada quando, após impedir um assalto a uma joalheria em um shopping, o caminho de Diana se cruza com um antigo artefato de natureza misteriosa que acaba parando na mesa de sua colega, a tímida e retraída mineralogista Dra. Barbara Minerva (Kristen Wigg), atraindo a atenção do empresário Maxwell Lord (Pedro Pascal).
E antes que Diana possa investigar a fundo o que está acontecendo, ela é surpreendida quando inexplicavelmente Steve Trevor (Chris Pine) ressurge em seu caminho, dando o pontapé inicial para uma série de eventos cataclísmicos que ameaçam o mundo inteiro...
Mulher-Maravilha 1984 é um filme bastante irregular.
Uma coisa que já deveria ter ficado clara para os cineastas e roteiristas de Hollywood é que filmes de super-herói com múltiplos antagonistas geralmente não funcionam porque nas duas horas que normalmente compõe um longa-metragem é muito difícil apresentar e desenvolver os personagens de forma que a audiência se interesse por todos da mesma forma. Na melhor das hipóteses um deles inevitavelmente irá ser escanteado pela narrativa e se tornará um pastiche ou um acessório. Na pior, serão os dois.
O roteiro do novo Mulher-Maravilha acaba fazendo as duas coisas em algum momento. Durante seu primeiro ato, o relegado é Lord, que mesmo com o carisma de Pascal não consegue convencer como uma ameaça real em nenhum momento, na verdade, o personagem parece muito menos um vilão e mais uma vítima da própria ambição. Durante o terceiro ato, é Barbara quem fica em segundo plano, o que é uma pena pois a personagem tinha um arco que, se está longe de ser particularmente original, funcionava muito bem na proposta do filme, e Wigg surpreende pelo compromisso.
Outra coisa que não chega a convencer em MM84 é a ambientação oitentista. 
Essa tendência entre alguns filmes de quadrinhos, de revisitar décadas passadas apenas por injustificada nostalgia já estava cansando durante a série X-Men. Por mais que haja uma mensagem sobre consumismo exacerbado no longa, algo que a cultura norte-americana abraçou com todo o gás nos anos de Reagan na Casa Branca, não é como se nossos anos 2010 não padecessem do mesmo mal a ponto de a mensagem não poder ser entregue em um filme contemporâneo.
Se por um lado, eu gosto do fato de o longa dar uma piscada aos fãs de quadrinhos ao colocar Diana em Washington na década de 1980 (algo que George Pérez fez quando recontou a origem da personagem após a Crise nas Infinitas Terras), por outro a ambientação é puro confete sem propósito...
Uma outra decisão discutível é a forma como o longa aborda a relação entre Diana e Steve Trevor redivivo.
A química do casal continua firme, mas a presença do piloto de volta à vida de Diana após quase setenta anos é espremida entre corre-corre, falatório expositivo e sequências de ação de uma maneira que rouba a reunião de significado. Ainda assim, eu gosto do fato de que Patty Jenkins respeita o personagem o suficiente para que, mesmo sendo arrastado por Diana de um lado pro outro, ele jamais se torne um palerma como aconteceu com Finn nos Star Wars da Disney ou com todo mundo que contracena com a Capitã Marvel...
De toda a sorte, faltou inspiração ao roteiro (de Jenkins, Geoff Johns e Dave Callaham) para aproveitar melhor o tempo do casal juntos, ou explorar o efeito que os anos 1980 teriam sobre um homem que nasceu no Século XIX além de gags visuais.
No tocante às sequências de ação o longa novamente fica devendo. O assalto ao shopping é algo cartunesco, quase como a sequência de abertura de Superman III, enquanto a luta entre a Mulher-Maravilha e a Mulher-Leopardo do fim do filme é extremamente mal coreografada e aborrecida. A sequência com os veículos de combate no Cairo, porém, é bem intencionada, provavelmente a melhor do filme.
Em termos de efeitos visuais o longa não compromete, mas também não traz nada de novo além das sequências de voo (eu gosto de como Diana aprende a voar praticamente usando o método de Arthur Dent nos livros d'O Guia do Mochileiro das Galáxias), que são boas, mas desnecessárias.
O elenco faz o melhor que pode com o material, e MM84 além de estar longe de ser um primor de script, se espicha além do necessário com quase duas horas e meia de projeção, mas nada que fira a dignidade dos envolvidos.
A exemplo do que ocorreu com o longa onde a amazona debutou em 2016, Mulher-Maravilha 1984 tem acertos e erros em profusão e por vezes as boas ideias são suplantadas tanto pelas ideias ruins, quanto por uma execução desastrada. 
Há um belo recado no cerne de MM84, porém. A respeito da importância de se trabalhar duro para conseguir o que se deseja, de aceitar que tudo na vida tem um preço e que há coisas que estão simplesmente fora do nosso alcance, e que tudo bem. Não é o fim do mundo...
Isso é uma das coisas que os erros de Jenkins e companhia não conseguiram roubar da Mulher-Maravilha: Ela é um símbolo de esperança, mas também de compreensão e de bons sentimentos, e apesar das lambanças na execução, o filme entrega essa mensagem, mesmo que de forma algo atabalhoada.
Em suma: Mulher-Maravilha 1984 não é um desastre total, mas está longe de ser a maravilha que a personagem merecia, ainda assim, com o ano que temos tido, eu teria assistido ao longa nos cinemas sem grandes arrependimentos.

"Nada de bom nasce de mentiras. E grandeza não é o que você imagina."

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Resenha Cinema: Os Novos Mutantes


Algum tempo atrás, ao fazer a resenha de X-Men: Fênix Negra, eu mencionei como os filmes dos mutantes da Marvel realizados pela Fox eram semelhantes a um relacionamento abusivo, onde os fãs eram a vítima que, a despeito de ser frequentemente destratados, eventualmente voltavam a se colocar em uma posição de risco pensando nos bons momentos que haviam passado juntos.
Nas mãos da 20° Century Fox, os X-Men alcançaram píncaros de qualidade dramática como Logan, momentos de diversão que pareciam extraídos das páginas de gibis, como Deadpool, X-Men 2, X-Men Primeira Classe e Dias de Um Futuro Esquecido, chegaram às profundezas da bazófia com coisas como X-Men III, Wolverine Imortal, e X-Men Origens: Wolverine, e flutuaram por águas de cândida indiferença "nhé" com Fênix Negra, Apocalypse, Deadpool 2 e X-Men: O Filme, que a despeito de sua importância e qualidades, tem o mesmo nível de investimento de um piloto do Syfy...
Seja como for, após quase duas décadas explorando os mutantes criados por Lee e Kirby no distante ano de 1963, a Fox foi comprada pela Disney, tornando-se parte do pecúlio do MCU e deixando fãs ansiosos pela possibilidade de ver os alunos do professor Xavier fazerem parte do multi bilionário universo cinematográfico da Marvel.
Tudo parecia muito bem encaminhado, exceto por um detalhe:
Em suas tentativas de tornar os mutantes, sua grande fatia do mercado super-heróico, mais rentável, a Fox resolvera experimentar com os filmes.
A raposa havia dado sinal verde para filmes até então impensáveis, como o melodramático faroeste de estrada de Logan, e a anárquica comédia de ação censura +18 de Deadpool, ambos sucessos de público e crítica, e, ao mesmo tempo, liberara o diretor Josh Boone (de A Culpa é das Estrelas) e o roteirista Knate Lee para fazer o primeiro filme de horror estrelado por mutantes, esse Os Novos Mutantes.
O longa, teve seu primeiro e interessante trailer divulgado há mais de três anos, em treze de outubro de 2017, com lançamento programado para abril de 2018, mas aí, com a compra da Fox pela Disney, Os Novos Mutantes entraram em um limbo.
Ao contrário dos outros lançamentos mutantes de 2018, o longa não era mais um capítulo de uma série, casos de Fênix Negra e Deadpool 2, mas a tentativa de emplacar uma nova franquia.
Com atmosfera de filme de horror, e escopo diminuto na comparação com outros filmes de super-herói, Os Novos Mutantes foi sendo empurrado com a barriga pela Disney, sofrendo sucessivos adiamentos e chegando até a namorar com um lançamento direto na plataforma Disney + até que, em meio à reabertura parcial dos cinemas em ano de Covid-19, o estúdio do Mickey resolveu apostar com o longa, jogando-o nos cinemas em um momento onde ninguém pode julgar um fracasso de bilheteria.
Ontem, eu era uma das cerca de doze pessoas na sala de cinema para conferir o longa...
Os Novos Mutantes abre com a jovem Danielle Moonstar (Blu Hunt) sendo despertada por seu pai (Adam Beach) em meio ao que parece ser um tornado ou alguma catástrofe natural de grandes proporções. Dani foge, se separa de seu pai, perde a consciência, e quando desperta, está algemada à uma cama em um hospital. Eventualmente a doutora Cecilia Reyes (Alice Braga) surge para explicar à jovem que ela está em uma instalação psiquiátrica que tem por função abrigar jovens mutantes cujos dons representam um risco à segurança deles mesmos, e de outros e ensiná-los a controlar suas habilidades.
Há apenas outros quatro pacientes no local, Sam Guthrie (Charlie Heaton), um jovem sulista que causou um acidente em uma mina com seu poder se se ejetar em altas velocidades como um míssil, Rahne Sinclair (Maisie Willians), uma transmorfa escocesa capaz de assumir forma lupina, Roberto da Costa (Henry Zaga), um playboy brasileiro que se inflama e alcança temperaturas comparáveis a uma mancha solar, e Illyana Rasputin (Anya Taylor-Joy), uma jovem russa com a habilidade de transitar para uma realidade paralela de onde é capaz de drenar magia...
Esses cinco adolescentes estão encarcerados com Reyes porque, em algum momento, causaram a morte de alguém, e não estão aptos ao convívio com outras pessoas. Se encarcerar adolescentes que, além dos hormônios comuns à idade, ainda têm habilidades super humanas já não parece uma ideia das mais tranquilas, as coisas começam a ficar ainda mais perigosas conforme a chegada de Danielle desencadeia uma série de eventos sinistros, e todos os internos passam a ser confrontados pelos seus piores temores enquanto questionam quem está, de fato, por trás de seu cativeiro...
Olha, podem me julgar, mas eu gostei do filme.
Eu francamente não entendo porque a Fox enterrou Os Novos Mutantes e lançou Fênix Negra. O filme de Josh Boone pode não ser uma grande maravilha, mas dentro de sua proposta e escopo, ele funciona bem o suficiente para distrair por uma hora e trinta e quatro minutos de maneira muito mais competente do que outras inchadas e equivocadas incursões do universo X nas telonas.
Grande parte do que faz o longa funcionar é justamente a ideia de que o longa existe em um cantinho do X-Verso e está perfeitamente confortável ali, contando uma história centrada nesses cinco jovens estranhos.
Eu gosto de uma história a respeito de párias, do pessoal que senta no fundão da sala de aula não porque é descolado demais pra sentar na primeira fileira, mas porque não sabe se encaixar na ribalta, e Os Novos Mutantes é uma boa trama para esses tipos.
O elenco é bastante interessante, em especial Maisie Willians, que entrega uma atuação terna e honesta para Rahne (eu lia os gibis dos Novos Mutantes e achava que a pronúncia era "rãne", fiquei chocado ao descobrir que era "wrein".), e especialmente a magnética Anya Taylor-Joy como a agressiva e marrenta Illyana (que, quando conjura sua armadura mística interdimensional, recebe o mesmo efeito sonoro da transformação de Colossus nos primeiros longas da série, numa piscadela sutil aos fãs que conhecem a relação dos dois personagens nos quadrinhos.), mas estão todos bem em seus papéis. 
Nem tudo são flores, e o longa tem uma série de idiossincrasias e pequenos furos, mas nada que o torne a bomba inassistível que o período na prateleira da Fox pode levar a crer. A aura de filme de terror claustrofóbico ajuda a justificar a escala reduzida, os efeitos visuais são OK, e as relações entre os protagonistas são bem construídas o suficiente para que a audiência se importe com todos eles muito mais do que com alguns dos antigos personagens dos X-Filmes. Se a primeira metade do filme é excessivamente formulaica, em seu segundo ato o longa abraça a estranheza inerente de sua proposta e entrega uma interessante e bem-intencionada fita de gênero.
Talvez seja efeito do longo período de abstinência, mas eu gostei da experiência de ver Os Novos Mutantes no cinema, e não tenho pudores em dizer que, a despeito das eventuais falhas, valeu o preço do ingresso.

"Isso não é um hospital, Pocahontas, é uma jaula."

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, episódio 8: What I Know

 


What I Know, season finale de The Boys é a síntese perfeita do que foi a segunda temporada da série como um todo. Muito mais divertida do que a primeira temporada, mas longe de ser perfeita. É basicamente o que nós temos ao longo dos sessenta e sete minutos desse oitavo episódio que encerra o ano para os supers menos heroicos da TV.
As coisas foram de mal a pior no episódio passado. A sessão do congresso a respeito dos desmandos da Vought virou um banho de sangue que conseguiu convencer o público de uma única coisa: Há super vilões infiltrados em solo americano, e a única coisa capaz de deter um super, é outro super.
Com isso, a Vought está a dois passos de se tornar a fornecedora de Composto V do governo dos EUA, e passar a contar com super militares e super patrulheiros de fronteira para combater o mal doméstico e no estrangeiro.
A menos que os rapazes possam evitar.
O plano de Billy, Leitinho, Francês e Kimiko é bastante simples: Usar toda a tecnologia e criatividade possível para atacar Os Sete de frente e mandar eles todos gritando pro inferno de uma vez por todas. E se a Vought fizer mil novos supers para cada um que eles matarem, foda-se. Eles continuarão matando todos até acabar a munição. Annie, porém, quer tentar uma outra abordagem antes de partir para o enfrentamento direto, e pede uma chance de tentar evitar o derramamento de sangue.
Luz-Estrela espera poder contar com a ajuda da Rainha Maeve após a amazona ter salvado sua vida no episódio passado, e enquanto ela e Hughie tentam isso, Billy recebe uma vista inesperada.
Becca escapou do complexo da Vought e surge na porta do esconderijo dos rapazes pedindo que Bruto a ajude a recuperar seu filho, levado por Capitão Pátria e Tempesta. Billy prontamente se dispõe a fazê-lo, não apenas por saber o perigo que o mundo corre se um psicopata e uma nazista criarem um filho super-poderoso, mas também porque ele vê na coisa toda uma oportunidade de recuperar sua mulher.
Os rapazes, então, partem para resgatar o moleque, sabendo que pode ser uma viagem só de ida, na esperança de reunir a família Bruto de uma vez por todas.
É surpreendente como What I Know consegue amarrar tantas pontas soltas da primeira temporada e preparar terreno para a terceira depois de ter literalmente desperdiçado dois capítulos dos oito que tinha para esse ano. Ainda assim, fica claro que se o quarto e quinto capítulos dessa temporada tivessem sido melhor aproveitados, eventos que viram nota de rodapé nesse episódio, como o desmascaramento de um dos Sete, poderiam ter sido infinitamente melhor aproveitados. Falando em nota de rodapé, a mesma coisa acontece com alguns dos temas que o programa tenta usar para dialogar com nossa realidade, como a ligação do patrono da Igreja da Coletividade Alastair Adana (Goran Visnjic) com políticos e CEOs corporativos, ou a ideia de ter professores armados para defender crianças de ataques em escolas... São todas críticas sociais válidas, mas que simplesmente são atiradas na tela sem receber o devido tratamento e que acabam virando apenas ruído de fundo. Se esses temas tivessem sido contrabandeados à realidade da série com a mesma competência que o sucesso da retórica nazista entre extremistas foi, e eu estaria aplaudindo o programa.
Entretanto, mesmo com sua falhas, a segunda temporada de The Boys deu um inegável salto de qualidade. Tanto nos quesitos narrativa quanto diversão pura em simples, a versão 2020 da série é mais competente do que a primeira, e se a progressão se mantiver, o terceiro ano do programa pode me aguardar, pois eu estarei na frente da TV para assistir e do computador para elogiar.

"As garotas dão conta, mesmo..."

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 7: Butcher, Baker, Candlestick Maker

 


Após o quarto e quinto episódios muito ruins, e um sexto episódio OK, The Boys reencontrou seu caminho no penúltimo episódio da temporada.
Com um segmento de abertura surpreendentemente sombrio para os padrões geralmente mais satíricos da série, mostrando os efeitos que estar constantemente preso dentro de uma bolha de discurso de ódio podem causar em uma pessoa solitária, Butcher, Baker, Candlestick Maker chuta a porta com força para nos preparar para o season finale.
Enquanto os Rapazes e Mallory se preparam para usar o conhecimento de Facho de Luz a respeito do que a Vought anda aprontando em Sage Grove para justificar uma ação do congresso dos EUA contra o guarda-chuva corporativo d'Os Sete, Tempesta e Capitão Pátria se assumem publicamente como um casal, elevando os índices de aprovação da nazista e do psicopata a níveis estratosféricos.
E enquanto o testemunho de Facho de Luz aparentemente não é o suficiente para pegar a Vought de jeito, ser os queridinhos da mídia não é o bastante para Tempesta e Capitão Pátria. Eles desejam ser uma família e, adivinhe só?
Eles até já têm um filho.
Por falar em relações entre pais e filhos, Connie Butcher (Lesley Nicol) está em Nova York, e gostaria de reunir a família uma última vez já que Sam (John Noble) não está na melhor das formas e não tem a melhor das relações com seu primogênito, William.
Enquanto Mallory e Leitinho vão tentar convencer o doutor Jonah Vangelbaum (John Donam), chefe do projeto do Composto V e o responsável pela criação do Capitão Pátria a falar contra sua antiga empregadora, Billy vai participar meio a contragosto de sua reunião familiar enquanto Francês e Kimiko tentam manter a deputada Neuman (Claudia Doumi) em segurança e Hughie fica de pajem do Facho de Luz, comendo pizza e assistindo pornografia no meio da tarde.
Como se tudo isso não fosse o suficiente, Hughie descobre que Annie foi taxada como traidora pelos Sete, e agora está sob custódia na Torre Vought, e ele tem apenas uma pessoa a quem recorrer para ajudá-lo em uma tentativa de resgatar Luz-Estrela...
Sim, Butcher, Baker Candlestick Maker é um ótimo retorno da série a seus melhores momentos, tem menos cara de filler e mais conteúdo, dando a impressão de que finalmente está tentando mover as peças no tabuleiro para algum lugar.
Nós temos até espaço para ver o relacionamento de Kimiko e Francês evoluir, o de Elena e Rainha Maeve ruir, e um vislumbre do que acontece com quem erra o pé no tratamento com a Igreja da Coletividade, mas os maiores temas do episódio são mesmo as relações entre pais e filhos e como elas moldam a vida dessas pessoas, e um nem sempre sutil subtexto político que tem os dois pés bem fincados na realidade dos EUA (e infelizmente brasileiro, por proximidade ideológica), agora nos resta esperar até amanhã para descobrir se haverá alguma espécie de resolução para os eventos dessa temporada, ou se ela é realmente uma espécie de transição e nós ficaremos no vácuo até o ano que vem.

"Você quer ser o corno ou o cara que fode a esposa?"

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 6: The Bloody Doors Off

 



The Bloody Doors Off, sexto episódio da nova temporada de The Boys não chega a expiar os pecados dos capítulos quatro e cinco, mas ao menos ganha em termos de diversão e (alguma) importância narrativa.
O capítulo começa com (e é entrecortado por) vislumbres do passado do Francês, que ajudam a explicar sua obsessão em salvar Kimiko não importa a que custo. Esses flashbacks vão nos sendo mostrados conforme acompanhamos a missão dos rapazes de entrar nas instalações do Centro Sage Grove, um hospital/sanatório/asilo que Annie encontrou ao futricar nos arquivos do laptop de Tempesta, para tentar descobrir o que a Vought está tramando naquele lugar.
Eles acabam descobrindo mais do que podiam imaginar ao dar de cara com o ex-membro d'Os Sete Facho de Luz (Shawn Ashmore, o Homem de Gelo da franquia X-Men usando os poderes do Pyro...), com quem os rapazes partilham um passado repleto de rancores, e que está até o pescoço nos negócios escusos que Tempesta está supervisionando para o conglomerado industrial.
E, quando a meleca acerta o ventilador, o grupo se vê separado, com Leitinho, Kimiko e Francês presos dentro das instalações, e Annie, Bruto e Hughie precisando lidar com os problemas do lado de fora. 
Os demais membros d'Os Sete aparecem menos nesse episódio, mas ainda tempos tempo para ver como o Capitão Pátria lida com um relacionamento que é menos Edipiano do que o que ele mantinha com Stillwell (aqui vai um pequeno spoiler: Não muito bem) e que Maeve usou os poderes do Profundo para tentar obter um ás no jogo que inevitavelmente terá que travar com o líder da equipe pela segurança de Elena.
Por falar no Profundo, ele aparece vagando pelo set de filmagens de A Origem dos Sete e oferecendo uma Fresca para o Trem Bala. Considerando que o velocista azul está chegando perto do fundo do poço com sua aposentadoria compulsória, não é de se surpreender que ele seja o próximo alvo da Igreja da Coletividade, especialmente agora que a organização está demonstrando seu poderio com a reformulação da imagem do herói subaquático...
Conforme eu disse ali em cima, The Bloody Doors Off não chega a ser um primor, mas, comparado ao tanto que os episódios anteriores haviam sido insatisfatórios, é um puta avanço. A ação dentro de Sage Grove é intensa e bastante divertida, com diversos super-poderes bacanas, nojentos, ou as duas coisas ao mesmo tempo (destaque óbvio para o sujeito com a "Linguiça do Amor".). O maior mérito dessa sequência de ação talvez seja o fato de que ela serve a um propósito narrativo, e não é apenas barulho tentando tornar um capítulo aborrecido menos enfadonho.
É através dos acontecimentos em Cedar Grove que temos, tanto um vislumbre do passado dos rapazes (de Francês, Mallory e Facho de Luz em especial), e uma oportunidade de ver a relação entre Annie e Bruto se aprofundar.
A subtrama da Igreja da Coletividade não parece ir a lugar nenhum, e com apenas dois episódios para o fim da temporada, eu já estou conformado com a ideia de que isso vá ser melhor explorado apenas no terceiro ano, o que eu ainda não consigo entender é que espécie de clímax nós podemos esperar agora que faltam apenas dois episódios para a série terminar e não existe nenhuma espécie de conclusão narrativa à vista...
Enfim, vamos torcer para que ao menos o nível de diversão se mantenha. 

"-Todos que eu já amei estão enterrados. Mas então eu encontrei você. Nós encontramos um ao outro. E agora nenhum de nós terá que ficar sozinho novamente."


terça-feira, 6 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 5: We Gotta Go Now




We Gotta Go Now começa no meio das filmagens de A Origem dos Sete, o longa metragem a respeito do super-grupo estrelado pelos próprios heróis sendo interrompidas pelo vazamento de um vídeo do Capitão Pátria acidentalmente matando um civil enquanto casualmente massacra um terrorista. O pesadelo de relações públicas para o maior herói da Vought tem uma solução simples, segundo Tempesta, mas o Capitão Pátria não parece interessado em ouvir conselhos da pessoa roubando seu holofote. Ao menos não imediatamente...
Ao mesmo tempo, após ter escolhido o plano de ação mais idiota possível para recuperar Becca no episódio passado e ter sido rejeitado por ela, Billy parece decidido a abandonar de vez a luta contra os supers. Ele vai até a casa de sua tia para apanhar Terror, seu glorioso buldogue inglês a caminho da Argentina, mas acaba sendo duplamente interceptado. Primeiro por Hughie e Leitinho, e depois por Black Noir, que estava no encalço dos rapazes no episódio passado, levando a um grande impasse na casa da aparentemente inofensiva tia de Billy, Judy (Barbara Gordon).
E ainda temos tempo para ver a Rainha Maeve e sua namorada Elena (Nicola Correia-Damude) passarem por uma apresentação de como elas serão repaginadas como o novo grande casal lésbico dos Estados Unidos, a revelação de que Trem Bala está sendo compulsoriamente aposentado d'Os Sete, a decisão de Kimiko de procurar uma nova carreira e como isso impacta em sua relação com Francês, e descobrirmos que o Profundo se casou com uma das noivas em potencial que a Igreja da Coletividade lhe apresentou no episódio passado em mais um passo de sua tentativa de voltar a'Os Sete, e Annie reencontra sua mãe na pior companhia possível.
We Gotta Go Now é o episódio mais fraco da temporada até aqui. Quiçá um dos piores da série como um todo.
É difícil não ter a impressão de que os três primeiros episódios da temporada foram um ponto fora da curva, especialmente quando a opção da Amazon de tornar a série semanal parecem ter tornado os defeitos dos episódios mais evidentes do que suas qualidades.
O pior de tudo é a maneira como os personagens parecem estagnados nesses dois últimos dois capítulos, com arcos e subtramas se movimentando a passo de tartaruga em direção a lugar nenhum.
Vamos torcer para que o quarto e quinto episódios sejam acidentes de percurso em momentos de transição, e que a série reencontre o caminho para seus três últimos episódios.

"Nós estávamos esperando um final feliz, é? Bem, eu lamento Hughie, aqui não é esse tipo de casa de massagem."

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, episódio 4: Nothing Like It in the World



Quando Nothing Like it in the World começa, é basicamente dividindo os grupos e suas respectivas maneiras de lidar com os eventos do capítulo passado.

Kimiko segue tentando lidar com a morte do irmão nas mãos de Tempesta, e apesar de suas intenções, o Francês simplesmente não sabe se conectar com ela para consolá-la. Capitão Pátria não ficou nada satisfeito após a novata no grupo ter sido a responsável por eliminar o super-terrorista e ganhado um sonoro boost midiático no processo e começa a tocar o terror em todo mundo que cruza seu caminho, incluindo Maeve, Trem Bala e Annie, que confidencia a Hughie que não sabe muito bem pra onde as coisas irão de agora em diante.

Ao mesmo tempo, Billy vai ao encontro de Mallory se desculpar por ter, conforme ela aventara, ferrado tudo, mas recebe uma bandeira branca da ex-chefe. Uma tremenda bandeira branca:

A localização de Becca.

E uma pista a respeito da heroína de segunda classe dos anos 70 Liberdade, cujo nome estava por todos os lados nos arquivos da falecida Reynor. Os rapazes então, se dividem, e enquanto Bruto vai ao encontro de sua mulher, em uma área segura da Vought, Annie e Hughie vão para a Carolina do Norte investigar Liberdade junto com um contrariado Leitinho da Mãe.

Sem entrar no terreno dos spoilers, Nothing Like it in the World dá uma visível pisada no freio na comparação com os episódios anteriores. Ao longo de mais de uma hora, a trama avança muito pouco, e algumas das decisões dos personagens simplesmente não fazem sentido quando paramos para pensar a respeito. Outro problema é o ritmo do capítulo. Se eu elogiei o dinamismo do episódio anterior, é difícil não ficar surpreso com o quanto a trama parece arrastada aqui. Por mais que eu goste de ver Annie e Hughie juntos, e haja algo de maneiro em vê-los junto com Leitinho, a quantidade de exposição no segmento é excessiva e aborrecida mesmo que culmine com uma revelação interessante a respeito de um d'Os Sete.

Nos momentos focados em Billy, nós temos a oportunidade de ver o personagem de Karl Urban mostrar níveis de fragilidade que enriquecem o personagem apenas para, em seguida, mostrá-lo tomando o tipo de decisão tacanha que parece uma muleta narrativa das mais baratas, o que é algo frustrante, quase desonesto.

Ainda há tempo no episódio para vermos que a reformulação da imagem de Profundo organizado pela Igreja da Coletividade continua a passos largos, e que o nível de egocentrismo do Capitão Pátria é ainda mais perturbador do que se poderia imaginar...

No final das contas Nothing Like it in the World não foi dos episódios mais inspirados de The Boys, e eu não sei se a ideia da Amazon, de adotar um formato semanal para a temporada, não tem parte da culpa pelo tanto que esse capítulo soa insatisfatório, ou se a responsabilidade pesa sobre os três primeiros episódios da temporada, bem acima da média, seja como for, vamos torcer para que a segunda metade da temporada retome a qualidade.

"Você tem fãs. Eu tenho soldados."

sábado, 3 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 3: Over the Hill, with the Swords of a Thousand Men



Apesar do título quilométrico, o terceiro episódio dessa temporada de The Boys é o mais curto até aqui. E, a metragem de 56 minutos se justifica à medida em que nesse capítulo, pela primeira vez na temporada, as linhas narrativas mais ou menos paralelas de todos os protagonistas e co-protagonistas  convergem para um único ponto, o que, eu devo dizer, foi bem bacana.
O episódio começa com os rapazes em um iate, algumas milhas distantes da costa, onde eles mantém o super terrorista Kenji cativo. Enquanto Kimiko tenta convencer seu irmão a aceitar a proteção de Mallory, Billy espera trocar o rapaz pela localização de Becca, mas enquanto espera a chegada de seus contatos, ele se desculpa com Hughie por tê-lo esmurrado no desfecho do capítulo anterior.
O pedido de perdão de Billy não é dos melhores, mas ainda pior é o soco que Hughie acerta em seu colega.
Fica claro, nessa cena, que Hughie não está lidando bem com o retorno de Billy, o perigo no qual eles estão se envolvendo e as implicações morais de toda a situação. Mais do que isso, os rapazes parecem estar em completa dissonância, cada um com sua própria agenda pessoal, e esse tipo de desunião não pode ser boa para a equipe.
Enquanto os rapazes tentam juntar os cacos, Os Sete estão envolvidos em seus próprios negócios. Nesse caso, um longa metragem estrelado pelos próprios heróis intitulado A Origem dos Sete, que tem seu roteiro todo pichado por Tempesta enquanto Black Noir, Rainha Maeve e Luz das Estrelas bocejam e Trem Bala parece estar lidando com algum percalço em sua recuperação...
Ao mesmo tempo, o Capitão Pátria segue atormentando Becca, decidido a fazer Ryan (Cameron Crovetti) usar seus poderes, nem que para isso precise lhe dar um empurrãozinho e o Profundo segue sua "reprogramação" com a Igreja da Coletividade.
As coisas dão uma guinada quando os planos de Hughie e Annie rendem frutos, e o que parecia uma vitória fundamental dos rapazes os coloca de vez na mira da Vought e dos Sete, incluindo Profundo, que aconselhado por Carol parte em busca de seu momento de brilhar e voltar ao convívio da maior super-equipe da Terra.
E tudo isso é só a primeira metade do episódio, pois a segunda é toda tensão e ação, com direito, inclusive, a um impasse mexicano envolvendo Billy, Hughie, Capitão Pátria e Luz das Estrelas, alguns dos heróis mostrando quem realmente são, tudo isso regado a destruição, sangue e entranhas de baleia.
É fácil perceber porque a Amazon decidiu disponibilizar os três primeiros capítulos da temporada simultaneamente, para então passar a publicar um por semana em seu serviço de streaming. Esses capítulos são, facilmente, os melhores da série até aqui, e mesmo quem tinha uma relação morna com o programa, como é o meu caso, não pode negar o aumento na qualidade da série em seu segundo ano.
Over the Hill, with the Swords of a Thousand Men é ótimo, e consegue confluir uma série de tramas que vinham sendo exploradas desde o a temporada passada, incluindo o plano de Annie e Hughie para tentar tornar o Composto V público, com ideias mais novas, aventadas nos dois capítulos anteriores, como a ascensão de Tempesta e a reformulação do Profundo, além de preparar terreno para o que nos aguarda durante o restante da temporada.
Pela primeira vez desde que eu comecei a assistir a série, eu estou ansioso pelos próximos episódios.

"Eu acho que se houver uma maneira de ferrar tudo, você vai encontrar."
 

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 2: Proper Preparation and Planning


 


Um bocado de coisa acontece em Proper Preparation and Planning, segundo episódio da nova temporada de The Boys. Um bocado, mesmo. É uma hora de televisão que quase se parece com duas ou três, tamanha a quantidade de eventos que se desenrolam durante o capítulo, entretanto, palmas para os realizadores, tudo fica bem delineado o suficiente para que a audiência não se perca no caminho.

O episódio abre com Billy tentando concatenar onde Becca (Shantel VonSantem) está vivendo durante seu período desaparecida, e nos mostrando o que aconteceu com o líder dos rapazes após a cena que encerrou o season finale na temporada anterior. Se antes Bruto queria vingar sua esposa, agora ele a quer de volta, e, para conseguir isso, ele faz um acordo com Mallory (Laila Robins): Entregar o super-terrorista revelado no episódio passado em troca da localização de Becca. Parece um plano simples o suficiente, e que rende algumas das melhores cenas de ação do episódio, especialmente aquelas durante as quais os rapazes tentam capturar o terrorista (Abraham Lim), entretanto, a verdadeira identidade do sujeito pode ser um empecilho ao sucesso do plano...

Enquanto Billy tenta descobrir o paradeiro de Becca, ela tem seu prato cheio uma barbaridade já que, após levar uma mijada de Stan Edgar no episódio passado, Capitão Pátria resolve exercer seu poder absoluto em companhia de sua "família", tentando despertar os poderes de seu filho e transformá-lo em uma espécie de sidekick. E, ainda que Becca tente com todas as forças expulsá-lo, o super-herói mais poderoso do mundo parece irredutível em se sentir no comando em algum lugar após ser confrontado com sua relativa insignificância na cadeia de comando da Vought.

Ao mesmo tempo, o Profundo é apresentado aos métodos da Cientologia, digo, da Igreja da Coletividade. Após ser afiançado da prisão pelo Águia-Arqueiro (Langston Lerman) e apresentado a Carol (Jessica Hetch), ele passa por uma espécie de intervenção turbinada com drogas que o fazem passar por uma reveladora conversa com suas guelras (dubladas por Patton Oswalt).

A coisa toda é uma cômica representação da relação conflituosa que o Aquaman de araque tem com seu corpo. E a maneira leve (para os padrões da série) como a situação toda é tratada provavelmente fazem parte do esforço da trama para tornar um personagem com um cartão de visitas tão detestável como o que Profundo nos mostrou no primeiro episódio da série um pouco menos antipático, mesmo que seja o tornando patético...

Falando nos atos espúrios do Profundo no debite da série, sua vítima inicial, Luz das Estrelas também tem um bocado a fazer nesse episódio.

Ela tem seus primeiros momentos com a Tempesta, e não é injusto dizer que a suoer-heroína elétrica causa uma forte impressão em Annie. Tanto que fica nítida a impressão de que a loira pensa ter encontrado uma confidente e aliada em potência na novata.

Mas além de Tempesta, Trem-Bala (Jessie T. Usher) está de volta à equipe. E aparentemente ele está mordido o bastante para, além de não ligar para o fato de Annie e Hughie terem salvo sua vida na temporada passada, fica na cola da colega o suficiente para descobrir o seu acordo com o Lagartixa.

Como dá pra ver não faltou conteúdo no segundo capítulo da nova temporada de The Boys, ainda assim, com um tema central bem definido e uma condução bastante competente, Proper Preparation and Planning foi mais um capítulo sólido e divertido para o seriado que parece ter encontrado uma voz em seu segundo ano.


"Nós podemos fazer o que quisermos e ninguém pode nos impedir. Agora, essa é uma sensação boa, uma sensação realmente boa."

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, temporada 2, episódio 1: The Big Ride

Eu não sou o maior fã de Garth Ennis. Pra ser bem franco, eu reconheço as qualidade do sujeito como escritor, mas sua maneira de escrever quadrinhos em geral, super-heróis em particular, jamais ressoou comigo, de modo que o trabalho do norte-irlandês sempre passou meio que batido, pra mim. Eu não sei quanto de minha reação neutra à primeira temporada de The Boys passa justamente por essa falta de afinidade com o trabalho do criador do material-fonte do seriado, mas, seja como for, eu achei a primeira temporada da série boa. 
Não excelente, não fenomenal, não ótima... 
Boa. 
Ainda assim, logo que os três primeiros capítulos do segundo ano foram disponibilizados pela Amazon no seu serviço Prime Video, eu fui logo tratar de me colocar a par de onde andavam os rapazes, Os Sete, e todo mundo entre os dois grupos. 
The Big Ride retoma de onde a temporada anterior terminara. Madelyn Stillwell (Elizabeth Shue) teve seu rosto carbonizado pelo Capitão Pátria (Antony Starr) que incriminou Billy Bruto (Karl Urban) pelo crime, e ainda esfregou a cara do ex-operativo da CIA na sujeira ao mostrar que sua esposa dada como morta não apenas estava viva e bem, mas também havia dado à luz o filho do super-psicopata. Enquanto Billy está sabe-Deus-onde após essa descoberta, Hughie (Jack Quaid), Leitinho (Laz Alonso), e Kimiko (Karen Fukuhara) estão escondidos com um grupo de criminosos do passado de Francês (Tomer Capon) planejando uma fuga dos Estados Unidos. Exceto por Hughie, que não está tão seguro de seu próximo passo. 
A despeito dos pepinos colossais que os rapazes tiveram que encarar na temporada anterior, ele segue em contato com Annie/Luz das Estrelas (Erin Moriarty), e não apenas no sentido "profissional" do relacionamento, conforme seu achaque por ela ter ido à uma cerimônia de premiação com Alden Ehrenreich deixa claro. Hughie e Annie ainda acreditam que podem expor a Vought se conseguirem uma amostra do Composto V para tornar o fato de a empresa criar super-heróis público e, para isso, Annie terá que cruzar seu caminho com o super-herói de quinta categoria chamado Lagartixa (David Thompson), que usa seus poderes de regeneração para propósitos bem menos nobres do que o combate ao mal... 
Enquanto os rapazes pensam no que fazer da vida, o Capitão Pátria tem seus próprios planos. Com a morte de Stillwell, o super-herói mais poderoso do mundo está crente que assumirá o lugar da executiva na gerência d'Os Sete, e deixa isso perfeitamente claro para sua pretensa chefe, Ashley (Colby Minifie). O líder do maior super-grupo da Terra planeja comandar a própria agenda, o próprio marketing e, mais do que isso, decidir quem entra e quem sai da sua equipe. Talvez por isso o choque de realidade que ele leva de Stan Edgar (Giancarlo Esposito) ao tentar barrar a entrada de Tempesta (Aya Cash) na equipe seja um golpe particularmente duro em seu colossal ego. 
Tempesta, por sinal, chega ao grupo chutando a porta. Ela faz transmissões ao vivo dos bastidores dos comerciais da equipe, tem uma presença massiva nas redes sociais e se comunica com os millenials de uma forma como nenhum outro membro da equipe é capaz, e o Capitão Pátria parece não gostar nem um pouco disso, e nem do fato de Edgar deixar bem claro que nenhum d'Os Sete é insubstituível para a Vought. 
E, quando os problemas dos rapazes parecem não terem mais pra onde aumentarem, eles descobrem que estão escondidos com um potencial grupo de traficantes de pessoas que está trazendo super-terroristas para os Estados Unidos, o que os leva a um explosivo encontro com a diretora Reynor (Jennifer Esposito). 
Ainda há tempo para vermos mais um pouco das desventuras do Profundo (Chance Crawford) em Ohio, e seu primeiro contato com a Igreja da Coletividade, uma instituição religiosa que promete ser capaz de devolvê-lo ao seu lugar de direito após ele atingir o fundo do poço e para Hughie e Annie começarem a divergir sobre toda a tentativa de ir à público com o Composto V além, é claro, de termos o retorno de Bruto à cena. 
O segundo ano de The Boys começou bem mais movimentado do que a primeira temporada havia terminado, e isso foi uma coisa boa. A entrada de novos personagens sem roubar em demasia o holofote dos veteranos, também foi positiva, e, de modo geral, esse primeiro episódio pareceu um bom cartão de visitas para a nova temporada, com tramas e temas bem delineados e uma narrativa sólida. Vamos torcer para que os futuros episódios mantenham a boa média. 

" -O ponto é, eu posso ser essa pessoa que ninguém acha que é incrível, mas que no fim das contas pode meio que ser incrível pra caralho."

segunda-feira, 9 de março de 2020

O Segundo trailer de Viúva Negra

A Marvel lançou mais cedo o segundo trailer de Viúva Negra, tardio filme solo de uma das personagens fundamentais do MCU. Na nova prévia podemos ver Natasha se reconectando com sua irmã, a apresentação do vilão Treinador (com direito a demonstrações de seu reflexo fotográfico), e o núcleo familiar formado por Natasha, Yelena, Melina e Alexei.
Confira abaixo:



Dirigido por Cate Shortland Viúva Negra é protagonizado por Scarlett Johansson, à ela juntam-se Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour, Ray Winstone, William Hurt e outros.
A estréia do longa está marcada para o dia 30 de abril.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Resenha Cinema: Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa


Provavelmente a única coisa boa em Esquadrão Suicida era a Arlequina vivida por Margot Robbie.
A atriz australiana, além de ser muito gata, parecia estar genuinamente se divertindo interpretando a despirocada sidekick do Coringa, e, a despeito de sua nauseante reviravolta para o lado do bem no fim do filme, algo pelo qual praticamente todos os vilões do longa passaram (sério... Fazer um filme com vilões onde todos eles têm um lado bom e sensível é uma ideia terrivelmente idiota...), ela provavelmente era a personagem que acabava aquele arremedo de filme com a moral mais elevada, tanto foi assim que antes mesmo de Esquadrão Suicida 2 ganhar um sinal verde, já se falava de um filme onde a personagem pudesse brilhar mais. Se inicialmente a ideia era um filme protagonizado por Harley e o Coringa, tanto o fato de ninguém ter gostado da versão do príncipe palhaço do crime de Jared Leto quanto o fato de que a Arlequina seria inevitavelmente eclipsada pelo personagem mais famoso colocaram essa ideia por terra.
Na sequência um longa das Sereias de Gotham protagonizado pela Arlequina, mais a Mulher-Gato e a Hera Venenosa chegou a começar a ser escrito com forte envolvimento de David Ayer (que provavelmente transformaria as três em uma gangue latina de Los Angeles, porque é o que ele faz com tudo o que dirige/escreve), mas as péssimas críticas a Esquadrão Suicida acabaram afastando Ayer do projeto.
Isso, somado ao poder que a ascensão de Robbie em Hollywood garantiu à atriz e o momento político em Hollywood, todo voltado à inclusão e poder para as mulheres, gerou esse Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa.
No longa, narrado por Harley, nós descobrimos que a ex-psiquiatra era a mente por trás dos melhores e mais bem-sucedidos planos do Coringa, mas que, ao demandar mais crédito do palhaço assassino, acabou sendo escanteada pelo vilão, que terminou o relacionamento dos dois.
Sem a proteção que o relacionamento com o criminoso mais perigoso de Gotham garantia, Harley subitamente se vê na mira de todos os bandidos da cidade, que querem se vingar dela por alguma coisa, ou várias, como é o caso de Roman Sionis (Ewan McGregor), o líder criminoso e dono de night club que odeia Harley por diversas coisas, entre elas, ser uma mulher.
Para sorte de Harley, porém, Roman precisa de uma coisa mais do que da cabecinha linda da Arlequina em uma bandeja:
Um diamante.
Menos valioso por seus trinta quilates do que pelos números das contas onde a fortuna da família criminosa Bertinelli, que estão gravados na joia, o diamante em questão foi roubado pela ladra de rua Cassandra Cain (Ella Jay Basco), que acaba de ser capturada pela polícia.
Apesar de ter uma enorme contingente de capangas fortemente armados e o assassino psicopata Victor Zsasz (Chris Messina) à sua disposição, Sionis concorda em poupar Harley se ela lhe trouxer o diamante, isso faz com que o caminho da Arlequina se cruze com o de Dinah Lance (Jurnee Smollett-bell), a cantora conhecida como Canário Negro, o da policial Reneé Montoya (Rosie Perez), e o da assassina auto-intitulada Caçadora, Helena Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead), quando as quatro se veem sob a mira de Sionis, elas não têm alternativa, exceto trabalhar juntas para dar um fim às maquinações do vilão.
Aves de Rapina: Arlequina e sua Fantabulosa Emancipação é um filme complicado.
Por um lado há boas intenções por todos os lados, e por outro, uma maneira muito desastrada de conduzir as coisas.
Da mesma maneira que Esquadrão Suicida dava a impressão de querer desesperadamente ser Guardiões da Galáxia, Aves de Rapina parece sonhar em ser Deadpool. O longa é anárquico, desbocado, colorido e não se leva a sério, o que são qualidades, mas a trama é uma bagunça, algumas personagens carecem de desenvolvimento, e o filme é tão abertamente anti-homem que ás vezes chega a ser surpreendente que o fracasso do longa nas bilheterias tenha pego o estúdio desprevenido, já que a audiência de filmes baseados em quadrinhos é majoritariamente masculina (sem contar a absolutamente dispensável classificação indicativa para maiores)...
Pra piorar, em sua ânsia de ser um filme anti-homem, o longa muda para pior o histórico de personagens importantes. Tome Reneé Montoya, por exemplo. Nos quadrinhos Montoya é uma das figuras centrais do círculo interno do comissário Gordon na polícia de Gotham. É, ao lado de Harvey Bullock, um dos pilares de confiança de Gordon e do Batman do DPGC, mas isso não servia à mensagem que Aves de Rapina deseja transmitir, então, no longa, a personagem é frequentemente alvo de chacota de seus colegas homens, foi preterida em uma promoção por ser mulher, e não é profissionalmente levada a sério por seus pares...
Zsasz, por sua vez, deixa de ser um psicopata que sente prazer em matar, e se torna um psicopata que sente prazer em matar, mulheres.
Praticamente todos os homens do filme são burros, malvados, estupradores em potencial, ou tudo isso ao mesmo tempo numa forma de firmar ponto que só faz afastar um setor importante da audiência de um filme além de deixar clara a falta de talento da roteirista Christina Hodson, que obviamente não sabe equilibrar uma narrativa para fazer com que todos os personagens sejam interessantes ou importantes (como em Vingadores, ou em Mulher Maravilha, ou em Aquaman...). Isso fica bastante evidenciado na Caçadora de Mary Elizabeth Winstead, um talento desperdiçado no filme em que mal fala, ou em Montoya, cuja sexualidade é mencionada brevemente em uma cena fácil de eliminar para audiências de países mais conservadores, enquanto Ella Jay Basco pouco tem a fazer ou dizer como Cassandra Cain.
Melhor sorte tem a Canário Negro de Jurnee Smollett-Bell, que não apenas tem um arco de personagem claramente desenvolvido, mas também tem algumas ótimas sequências de luta. Falando em cenas de ação, a melhor certamente é a pancadaria de Harley manuseando um bastão no armário de evidências da delegacia, é uma cena divertida e bem coreografada, atrevo-me a dizer, parte da contribuição não-creditada de Chad Stahelski para o longa após a Warner achar que a diretora Cathy Yan ficava devendo no quesito ação (nenhum demérito. Stahelski fez o mesmo pelos irmãos Russo em Capitão América: O Soldado Invernal). Ewan McGregor interpreta Roman Sionis como se estivesse na série do Batman dos anos 1960 ou nos filmes de Joel Schumacher, quando ele está em cena com seus figurinos excessivos é difícil não imaginar que Adam West ou George Clooney surgirão vestidos de Batman para enfrentá-lo a qualquer momento, a dona do filme, porém, é mesmo Margot Robbie.
A atriz é talentosa e é fácil se acostumar com a ideia de passar uma hora e quarenta minutos olhando pra ela, infelizmente sua maneira hiperativa de viver a Arlequina é algo cansativa pra um filme solo, e não se engane, a despeito da grande quantidade de personagens e do título, Aves de Rapina é basicamente um projeto de vaidade da jovem beldade australiana que está presente em praticamente todas as cenas do longa para o bem e para o mal.
Aves de Rapina: Arlequina e sua Fantabulosa Emancipação não é um filme horroroso como seu péssimo desempenho nas bilheterias pode sugerir, mas é desastrado, bagunçado, e dificilmente justifica uma ida ao cinema. Talvez o longa seja capaz de encontrar seu nicho no mercado de aluguéis digitais, ou, talvez, ele acabe relegado à mesma posição de outros longas que brigaram com a própria base de fãs antes mesmo de serem lançados e caia no ostracismo. O tempo dirá.

"Desculpa, guria, eu só sou uma pessoa terrível, eu acho..."

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O Trailer de Morbius

Enquanto a temporada de cinema 2020 não começa (ao menos pra mim...), a Sony divulgou há pouco o primeiro trailer de Morbius, filme que vai tentar repetir o sucesso de Venom, que em 2018 arrecadou mais de 800 milhões de dólares para o estúdio com um filme estrelado por um inimigo do Homem-Aranha, sem o Homem-Aranha.
Na prévia vemos a vida difícil de Michael Morbius (Jared Leto) na infância e na vida adulta, constantemente assoberbado por uma doença sanguínea que o impede de levar uma vida normal até encontrar uma possível cura em morcegos hematófagos.
Confira:



A prévia ainda mostra um poster do Homem-Aranha com a pichação "assassino", e, no final, aventa a possibilidade de um Sexteto Sinistro a caminho?
Estrelado por Leto, Matt Smith, Jared Harris, Adria Arjona, Tyrese Gibson e será dirigido por Daniel Espinoza. O longa tem sua estreia marcada para 31 de julho.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Resenha Série: Watchmen, Temporada 1, episódio 9: See How They Fly


Watchmen tem sido, desde seu início, uma série que se equilibrava sobre o fio de uma navalha.
A graphic novel à qual o programa serviu de sequência precisava de uma sequência tanto quanto eu preciso de outra perna. Sua absolutamente brilhante história estava perfeitamente encapsulada em si própria e podia, até mesmo, ser lida sem a necessidade de se acompanhar todos os apêndices que Alan Moore criou para se perfilar e engordar a narrativa principal, e ainda ser uma obra de arte.
Por isso após descobrir que a série não seria uma adaptação do gibi, mas uma nova história, eu estava mais inclinado a ver e aproveitar o programa, como uma história separada da narrativa do quadrinho, apenas acontecendo no mesmo universo, e não uma sequência direta. E isso pode soar estranho vindo de alguém que, de modo geral, gostou mais dos episódios da série que eram mais focados nos personagens do quadrinho, em especial aqueles que tinham vários personagens do quadrinho interagindo.
Mas é o que eu disse ali em cima:
Watchmen, a série da HBO, se equilibrava sobre o fio de uma navalha.
E um passo em falso poderia ser a diferença entre esse programa ser muito bom ou absolutamente descartável, e após oito episódios de mistérios, sugestões e possibilidades, o nono e último capítulo da série, precisou de uma hora e sete minutos para ganhar um veredicto.
O episódio abre em 1985, com uma revelação a respeito da origem de Lady Trieu que ocorre nos bastidores da gravação do vídeo em que Adrian Veidt explica a Robert Redford como salvou o mundo da Guerra Fria à custa de três milhões de vidas.
Em seguida um novo flashback, dessa vez em 2008, mostra Lady Trieu, já adulta, visitando Karnak para falar com Ozymandias. Ela explica a ele quem é, e o plano que elaborou para tornar o mundo um lugar melhor, mas a conversa não transcorre como ela esperava, ainda assim, após os eventos ocorridos em Europa na semana passada, é Trieu quem envia um transporte para Adrian finalmente escapar de seu exílio, apenas para ver-se aprisionado de uma maneira consideravelmente mais restrita.
No presente, em Tulsa, nós encontramos o senador Joe Keene fazendo um tradicional discurso de vilão diante dos membros da Ciclope após a captura do Doutor Manhattan ter sido bem-sucedida e ele estar se preparando para tomar os poderes divinos do herói atômico, alheio aos fatos de que: Looking Glass está infiltrado entre os membros da Sétima Kavalaria; Angela já descobriu a localização de seu amado; e, pior de tudo, que todo o seu plano já foi sabotado e sequestrado por ninguém mais ninguém menos que Lady Trieu em pessoa.
Com o tabuleiro armado, um desfecho de proporções apocalípticas está prestes a ocorrer, e as consequências podem ser desastrosas a menos que novos e velhos heróis sejam capazes de unir forças para impedir que os poderes de Jon Osterman caiam em mãos erradas.
Bem...
Não é como se See How They Fly seja um desastre completo. O episódio tem lá sua cota de acertos, entretanto há um elemento tremendamente inquietante em ver uma obra-prima ser vilipendiada em nome de algo menor, e por mais interessante que Angela Abar seja enquanto personagem (e ela é), é incômodo e anti-climático ver Watchmen, o quadrinho, ser reescrito para servir à seu arco de personagem, que é uma história infinitamente menor.
E não me entenda errado. Eu sei da importância da questão racial no mundo inteiro, nos EUA em particular, e sei que é infinitamente mais importante do que um gibi a respeito de super heróis em uma distopia oitentista, mas a verdade é que a série de TV está pra questão racial como o quadrinho esteve para a Guerra Fria. Não é uma resolução para o problema, mas apenas a visão de alguém a respeito do tema.
Watchmen, a série de TV, é uma história com uma mensagem relevante para o mundo atual?
Claro. Por vezes chega a colocar a sua mensagem acima da narrativa (algo que ocorre tanto hoje em dia que eu já nem sequer me sinto no direito de detratar o programa por causa disso.), mas ter uma mensagem válida não outorga liberdade para pintar um bigodinho na Mona Lisa.
O programa narra uma boa história. Algo irregular, mas com alguns momentos particularmente inspirados, mas Watchmen, o quadrinho, é uma obra de arte, uma obra de arte que tem muito de sua relevância descartada para aumentar o valor das apostas da série e francamente, isso é parte do que matou Star Wars da Disney pra mim.
Pessoalmente eu não tenho nenhum problema com diversidade, com passagem de bastão, com novas histórias e novos heróis, mas qual é a necessidade de tornar tudo o que veio antes irrelevante? Por que os feitos dos heróis de outrora têm que ser tornados inócuos e suas vidas após suas aventuras têm que ter sido miseráveis para que os feitos de novos heróis tenham destaque?
É tão impossível escrever histórias que não precisem se alicerçar sobre as ruínas do que veio antes que os novos criadores simplesmente são incapazes de fazê-lo?
Seria tão difícil narrar a bela história de Angela Abar conhecendo suas origens, vendo o mundo pelos olhos de seu avô e fazendo as pazes com seu passado sem despir o final de Watchmen de sua relevância? Sem matar, prender e virar a casaca dos personagens de outrora?
Em uma entrevista recente, Damon Lindelof, o criador da série, disse que precisa "contrabandear os legumes em meio à coisas de que a audiência gosta, senão a audiência deixará os legumes de lado", como se as linhas narrativas de Angela, Wade e mesmo de Will Reeves/Justiça Encapuzada fossem como jiló, que precisasse ser mascarado pra ser engolido. A analogia do sujeito não é um absurdo, alegorias são comuns em praticamente qualquer trabalho de ficção com algum grau de ambição, entretanto não parece ser o que Lindelof fez em Watchmen.
Desde criança eu sofro de enxaquecas. Na infância, a única coisa que tornava a nevralgia mais suportável, era Novalgina, na época disponível apenas em gotas. O gosto era horrível, e eu me lembro de uma vez ter pensado que, se pingasse as gotas do remédio em um copo de suco, ele se tornaria mais palatável. Ledo engano.
Acabei tendo que sorver um copo de suco intragável sob o olhar reprovador de minha mãe.
Sob certo ponto de vista, o que Damon Lindelof fez em Watchmen foi muito mais parecido com a minha desventura envolvendo Novalgina em gotas e Tang de laranja do que brócolis no mesmo prato que filé com fritas, ainda assim, sem as presenças de (ou as mudanças em) Laurie, Adrian e Jon, é bem possível que eu tivesse gostado do seriado como um todo, e ele tivesse terminado sem deixar um gosto amargo na minha boca.

"-Qualquer um que almeje obter o poder de um deus deve ser impedido de obtê-lo a qualquer custo."