Eu sempre sei que quatro de maio (ou may the fourth) é o dia de Star Wars. Eu nem sempre lembro que o dia quatro de maio é o dia quatro de maio. Às vezes a correria diária não nos permite parar e olhar o calendário mesmo para ver as datas mais importantes. Hoje mesmo, o dia da criação máxima de George Lucas teria passado batido pra mim se uma loiraça linda não houvesse me chamado a atenção para a data.
Foi então que, em nome tanto da efeméride, quanto do fato de que, há muito tempo eu não me sentia tão feliz, que resolvi fazer algo que eu não fazia há muito tempo:
Um infame top 10 Casa do Capita, que será, na verdade, um top 11, já que é meu ranking de Star Wars no cinema. Os onze longa metragens que compõe a franquia, sem contar especiais da TV (sem Holiday Special), séries (O Mandaloriano), mini-séries (Kenobi), filmes para a TV (Caravana da Coragem) ou animações de nenhuma espécie. À lista:
11 - Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi
Há quem tenha esse filme em conta mais alta, seja pelo claro valor de produção. Com todos os seus defeitos, Os Últimos Jedi é um espetáculo no que tange a efeitos visuais e trilha sonora, por exemplo. Ainda assim, se eu tivesse que apagar um filme da existência, não seria Esquadrão Suicida, Ultravioleta ou The Room.
Não. Seria Os Últimos Jedi.
O longa de Rian Johnson parece ter como única intenção "subverter expectativa", descartar todas as sementes plantadas pelo filme anterior e terminar de destruir os personagens da trilogia original, em especial Luke Skywalker, que deixa de ser o herói que se recusa a matar Darth Vader por ser capaz de ver uma fagulha de bem no arruinado Anakin Skywalker, para virar o cínico maldito que está a dois passos de apunhalar seu sobrinho porque ele está tendo um pesadelo. Se isso não fosse o suficiente, uma perseguição em baixíssima velocidade, Leia voando pelo espaço, uma trama paralela totalmente inócua em um planeta cassino e nós temos o pior filme da história de Star Wars.
10 - Star Wars: Episódio IX - A Ascensão Skywalker
Se A Ascensão Skywalker tem alguma qualidade, além de tornar Poe Dameron, Rey e Finn um trio, algo que gerou uma inesperada e genuinamente divertida dinâmica ao filme, é ter desfeito tudo o que pôde de Os Últimos Jedi.
O retorno de J. J. Abrams a Star Wars aconteceu após diferenças criativas entre o diretor originalmente contratado para o longa, Colin Trevorrow, e a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, o afastarem da produção, fazendo com que o sujeito conhecido por ser muito bom começando histórias e péssimo as terminando, fosse convocado para terminar a história que havia começado em 2015... Se Abrams já não é exatamente um grande finalizador de histórias sobre as quais detém controle criativo, imagine o quanto ele foi bem ao tentar amarrar as pontas soltas deixadas por Johnson em Os Últimos Jedi... De algum modo Palpatine retorna. De algum modo ele tem um planeta escondido onde foi capaz de fabricar uma frota infinita de destróieres estelares equipados com canhões de Estrela da Morte. De algum modo Rey é neta de Palpatine. De algum modo Han Solo é capaz de gerar um fantasma da Força. E, de algum modo, Rey decide que, apesar de ser neta de Palpatine, ela é todos os Jedi e agora se chama Skywalker... Não chega a ser surpresa que Star Wars tenha estado longe do cinema desde então.
9 - Han Solo: Uma História Star Wars
Outro filme cuja equipe criativa original (no caso Chris Miller e Phil Lord, a dupla por trás de Uma Aventura Lego, os filmes d'O Aranhaverso e o excelente Devoradores de Estrelas) foi trocada após bater cabeça com Kathleen Kennedy. Ao contrário de Colin Trevorrow, porém, Miller e Lord já haviam começado a trabalhar ativamente na direção do longa quando foram demitidos e substituídos por Ron Howard, que provavelmente fez o melhor que pôde para contar a história de origem do cafajeste de coração de ouro mais querido daquela galáxia bem, bem distante, mas falhou miseravelmente. Han Solo: Uma História Star Wars detém a mácula de ser o filme de menor bilheteria na história da franquia. A despeito de um bom elenco encabeçado por Alden Ehrenreich, Emilia Clarke, Donald Glover e Woody Harrelson, o filme é vítima de uma trama inofensiva, convencional até a medula, que parece mais ansiosa em responder perguntas que ninguém jamais fez a respeito do contrabandista que roubou o coração da princesa mais foda da galáxia, do que contar uma história própria. O resultado é um filme que não chega a ser ruim a ponto de desagradar, mas também não tem qualidade pra ser memorável por nada além de ser inócuo.
8 - Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones
As Guerras Clônicas são mencionadas brevemente pela princesa Leia em sua mensagem para Obi-Wan Kenobi no primeiro filme da série. Durante anos os fãs pensaram no que teria sido esse conflito, e como ele teria sido lutado. No segundo longa metragem da trilogia prequel, nós temos um vislumbre de como a contenda começou.
Apesar de algumas ideias interessantes de intriga política (todas abatidas pela escrita canhestra de Lucas, que, sabe-se lá por que, resolveu que iria dirigir e escrever sozinho os roteiros dos três filmes da trilogia) nós somos premiados com um protagonista choramingão na figura de Anakin Skywalker, uma investigação sonolenta conduzida por Obi-Wan, e, claro, o libelo anti-areia de Any tentando seduzir Padmé Amídala. O resultado não poderia ser diferente: O pior filme da segunda trilogia da franquia.
7: Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma
Há alguns pontos genuinamente brilhantes em A Ameaça Fantasma. Qui-Gon Jinn sendo provavelmente o mais brilhante deles. O mestre Jedi sábio e tranquilo vivido por Liam Neeson é, ao lado do visual cabuloso de Darth Maul, o ponto mais alto do longa que levou Star Wars de volta aos cinemas após um hiato de dezesseis anos. Esses pontos mais altos provavelmente são o que me levam a relevar um pouco a forma como George Lucas conduz com mão pesada a trama política envolvendo a federação de comércio, o senado galáctico, as tensões entre humanos e gungans em Naboo, a péssima direção dispensada a Jake Lloyd (que jamais se recuperou do ódio que seu Anakin Skywalker recebeu dos fãs), tudo o que envolve Jar Jar Brinks e o fato de a Força deixar de ser um campo de energia místico e se tornar uma infestação. Ainda assim, o longa termina com um dos três melhores duelos de sabres de luz na história da série e a promessa de vermos como um gurizinho doce e inocente se transformaria em um dos vilões mais casca-grossa do cinema encheu todos os fãs de esperança (infundada, ou não) pelo que viria dali a três anos.
6: Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith
O episódio final da trilogia prequel de Star Wars foi um longa carregado de todos os problemas de assolaram os dois filmes anteriores. A escrita de George Lucas seguiu desastrada, sua direção, emocionalmente estéril, os ambientes totalmente digitais onde ele escolheu situar todas as cenas do filme tão convincentes quanto a saúde frágil de um político condenado... Entretanto, o fato de o longa se ver obrigado a amarrar todas as pontas soltas que separavam os episódio III e IV deu uma urgência quase palpável às duas horas e vinte minutos do filme. As Guerras Clônicas são concluídas com as mortes de Dookan e Grievous, Anakin se rende ao lado sombrio, Palpatine dissolve o senado e forma o império, Padmé dá à luz gêmeos e Obi-Wan enfrenta o novo aprendiz de Darth Sidious no grande duelo de sabres de luz da série. Nem tudo funciona (a luta entre Yoda e Sidious desaponta particularmente, assim como Padmé literalmente morrer de falta de vontade de viver), novamente a trama política é mal conduzida, e as notas emocionais do longa não conectam como deveriam, ainda assim A Vingança dos Sith é o melhor filme da trilogia prequel com alguma folga.
5 - Star Wars: Episódio VII: O Despertar da Força
Dois mil e quinze foi o ano em que a Disney lançou sua versão de Star Wars nos cinemas do mundo para chacoalhar os alicerces do capitalismo corporativo e tornar a série um colosso multi-bilionário. Os fãs estavam em polvorosa, e eu era um dos nerds fantasiados para a estréia de O Despertar da Força.
Hoje, com o benefício da perspectiva, é bastante fácil perceber os defeitos e os problemas do filme, mas isoladamente, o sétimo Star Wars a chegar às telonas era quase perfeito. O novo elenco era carismático e se misturou bem com os heróis de outrora, os efeitos e a trilha sonora eram de cair o queixo, e havia potencial a dar com pau para Star Wars seguir lançando um filme por ano, faturando bilhões para os acionistas do Mickey, até o inferno congelar apenas baseado em todas as sugestões de mistério da trama. Claro, nós sabemos o que houve com a série a partir de Os Últimos Jedi, mas eu lembro bem da sensação de assistir O Despertar da Força no cinema.
4 - Rogue One - Uma História Star Wars
Star Wars jamais havia escolhido exatamente qual lado da cerca que separa ficção científica e fantasia queria habitar, e isso nunca foi um problema. Rogue One não seria o filme a escolher um gênero em detrimento do outro, mas a acrescentar uma nova opção ao rol:
O filme de guerra.
O longa dirigido por Gareth Edwards foi, sem sombra de dúvida, o produto de Star Wars sob o selo Disney que melhor envelheceu. Com um tom mais maduro do que seus predecessores imediatos, a história sobre como a Aliança Rebelde pariu uma bigorna para obter os planos da Estrela da Morte e garantir uma chance de vitória contra o Império galáctico, Rogue One não apenas é um triunfo em si, mas ainda é o embrião para Andor, que se tornaria a melhor coisa com Star Wars no título desde a década de 1980.
3 - Star Wars: Episódio VII - O Retorno de Jedi
O terceiro longa da trilogia original é excelente em quase todos os sentidos. Talvez o ponto baixo do longa seja a presença dos ewoks (originalmente seria um exército de wookies, mas o orçamento do longa não cobria a ideia). À parte disso, no entanto, temos alguns dos melhores momentos da franquia. O encontro derradeiro entre Luke e Vader, o resgate de Han das garras de Jabba, o Hutt, o ardil do imperador Palpatine sobre a capacidade operacional da segunda Estrela da Morte... Tudo para encerrar com chave de ouro o que se tornaria uma das trilogias fundamentais da história do cinema.
3 - Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança
Quando o que, na época era apenas "Guerra nas Estrelas" chegou às telas em 1977, o público não estava preparado para a salada de referências que ia de Flash Gordon a Akira Kurosawa embrulhada em efeitos especiais de última geração, conceitos que deixariam uma marca indelével no cinema do Século XX e alterariam a cultura pop para sempre. A história de uma aliança rebelde encabeçada por uma princesa que não levava desaforo pra casa, um salafrário cheio de coração e um garoto da fazenda conduzido por um velho eremita a um universo muito maior do que ele supunha existir foi um fenômeno sem precedentes que apresentou personagens que viveriam para sempre na mente e no coração de uma base de fãs que aumentaria exponencialmente a cada ano pelas décadas seguintes.
1 - Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca
Não tem pra mais ninguém. O Império Contra-Ataca não é apenas o melhor filme de Star Wars, é um dos filmes fundamentais do cinema em geral. A retaliação brutal de Darth Vader e Palpatine após a destruição da Estrela da Morte começa nos primeiros minutos de filme, quando a base rebelde em Hoth é atacada. A partir daí é um crescendo incessante conforme Han, Leia, Chewie e C-3PO são engolidos por vermes gigantes, traídos em Bespin e encaram o próprio lorde negro de Sith, enquanto Luke procura por mestre Yoda para concluir seu treinamento e se tornar, de fato, um Jedi, mas apenas se puder ser capaz de colocar seus sentimentos de lado e não arriscar a derrota definitiva ao tentar salvar seus amigos.
O longa apresenta personagens espetaculares como Yoda e Lando Calrissian, planta as sementes do romance mais maneiro da galáxia, e ainda tem um dos desfechos abertos mais incríveis do cinema após os heróis serem brutalmente massacrados pelos vilões, algo para o qual ninguém estava preparado após o otimista encerramento do longa original.
Ao elevar todas as apostas a níveis estratosféricos apenas para esmagar os mocinhos sob o punho de ferro do vilão, O Império Contra-Ataca criou um fenômeno que a série jamais conseguiria equiparar, e criar o melhor filme de Star Wars já realizado.






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