Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Rapidinhas do Capita
E o spin-off mais desnecessário da história do cinema tem diretor.
Sexteto Sinistro, filme focado no tradicional grupelho de inimigos do Homem-Aranha (com uma formação provavelmente bem diferente daquela dos quadrinhos), será dirigido por Drew Goddard, do meia-boca O Segredo da Cabana, que vai dirigir o roteiro escrito por si próprio mais Roberto Orci, Alex Kurtzman, Jeff Pinkner e Ed Solomon, num daqueles casos clássicos de "obra-prima" escrita a trocentas mãos que raramente acaba bem.
Ah, os ilustres roteiristas responsáveis pelo Sexteto (que, no filme, deve ser formado por Doutor Octopus, Electro, Abutre e Lagarto, Rino e Duende Verde entrando nos lugares de Homem-Areia, Mystério e Kraven/Duende Macabro), também responderão pelo filme solo do Venom, ou, o segundo spin-off mais desnecessário da história do cinema...
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Só hoje de manhã consegui assistir ao espetáculo de reinauguração do Beira-Rio, que aconteceu no último sábado, dia 5.
Me queixei muito, antes da referida festa, de um bocado de coisas:
Do fato de a organização do evento ter sido entregue à uma empresa de comunicação muito mais identificada com o rival, ao fato de terem começado a vender os caríssimos ingressos sem que o nome do que era prometido como "uma grande atração internacional" fosse divulgado, à ideia de realizar um evento cheio de alegorias em estilo carnaval ou abertura de Jogos Olímpicos, e ao fato de o adversário no amistoso de inauguração ser um pobre coitado time uruguaio, que, junto com Argentina e Colômbia só se segura no nome e na lembrança de áureos tempos.
Após ver a festa, duas queixas permaneceram:
O Peñarol é um adversário risível, representando um futebol que nos últimos cinco anos desapareceu do mapa.
A banda Blitz, de Evandro Mesquita, e o D.J. Fatboy Slim, são duas atrações completamente despropositadas e sem nenhuma ligação sequer com o Internacional.
Mas a festa foi bonita.
A homenagem aos atletas de outrora, gloriosa, ver Falcão, fardado de vermelho e branco no centro do gramada, foi épico.
A voz embargada de Fabiano dizendo que lamentava não ter conquistado grandes títulos, mas que havia tentado, ao som de Because, dos Beatles, me fez verter lágrimas.
Os jogadores campeões de todos os tempos, narrando o apoteótico gol de Adriano Gabiru contra o Barcelona, como se fossem torcedores comuns olhando o jogo pela TV, foi a síntese do que é ser Colorado.
E ainda que eu seja ranheta o suficiente pra ter visto mil defeitos nas mais de duas horas de espetáculo, as performances de artistas e cantores gaúchos (muito melhor integradas ao evento do que Blitz e Fatboy), e os depoimentos de campeões de todas as décadas, valeram demais.
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E Stan Lee deixou J. K. Rowling pra trás em termos de retorno financeiro em bilheterias.
Explica-se:
Com o lançamento de Capitão-América 2 - O Soldado Invernal, a grife Marvel com seus nove filmes chegou a 2 bilhões, quatrocentos e cinquenta milhões de dólares em bilheterias nos EUA, contra dois bilhões, trezentos e noventa milhões de dólares de Harry Potter.
Contando os filmes da marca realizados por outras produtoras, como os X-Men e Quarteto Fantástico da FOX, e o Homem-Aranha da Sony, a marca é ainda maior, com mais de cinco bilhões de dólares.
E pra quem acha que, com os lançamentos dos filmes derivados de Harry Potter, como a trilogia baseada nos livros sobre a fauna do mundo do bruxo, Rowling e a Warner vão retomar a dianteira, não esqueça que a Marvel tem filmes agendados até 2028.
Então vai longe a dianteira da Casa das Ideias.
Melhor a DC começar a se mexer, e direito.
Dúvida
O Ari tinha todos os defeitos do mundo, mas de idiota tinha só a cara e o jeitão de caminhar.
Quando sua namorada, a Sônia, um notório chicletão, daquelas pessoas bem grudentas, que têm que estar sempre perto do amado, começou a, de repente, acrescentar distância entre os dois de qualquer forma que fosse possível, o Ari percebeu que havia algo de podre no seu reino da Dinamarca particular.
O Ari não era um sujeito particularmente ciumento. Não porque fosse muito bonito, muito superior ou muito seguro de si. Ele não era ciumento unicamente porque achava que o ciúme era um desperdício de energia.
Era virtualmente impossível tu passar vinte e quatro horas do dia monitorando os passos de uma pessoa, e mesmo que fosse possível, vá lá, com celulares, dispositivos de rastreamento, e o escambau, que tipo de relacionamento saudável deria erigido sobre o alicerce da desconfiança?
Era, pro Ari, fato comprovado que, se uma pessoa quisesse trair a outra, ela trairia quando tivesse a oportunidade, e não havia nada que a outra pudesse fazer.
Posto isso, o Ari, que não era particularmente adepto da crença em amores eternos e almas gêmeas e amores da vida, só esperava que, no momento em que a vontade do um de estar com outro alguém fosse grande demais pra conter, a pessoa tivesse a educação de avisar.
Era, sem falácias, o que ele faria numa situação dessas.
Mas o Ai, além de não ser idiota e ter esse senso de respeito comum fora da realidade, ainda era realista o suficiente pra saber que, pra imensa maioria das pessoas, esse curso de ação era impensável.
E aí o Ari se via em uma sinuca:
Se não estava tudo bem, e ele sabia que não estava tudo bem, o que fazer?
Forçar uma confrontação com a Sônia, alguém que, mesmo desapontando-o, ainda lhe era uma pessoa cara?
E se ela não o estivesse traindo?
E se fosse apenas um momento ruim pra ela e ela precisasse de mais espaço, ficar sozinha, pensar na vida, quem sabe até remoer a seu modo alguma frustração?
Com que direito ele a acusaria do que quer que fosse? Que bem faria, sendo, ou não, verdade?
Mas ao mesmo tempo, se ficasse em silêncio, o Ari estaria sujeitando-se à uma condição tão deplorável que não sabia como se olharia no espelho pela manhã, o que, se ao menos o livraria de ter que ver a própria carranca, também tornaria difícil pentear o cabelo.
Foi assim, sob o prisma dessa dúvida, que naquela tarde de sábado o Ari resolveu falar com a Sônia, e colocar tudo em pratos limpos.
Tocou no interfone da casa dela. Ela atendeu gritando "Quem?", que era uma coisa que dava nos nervos do Ari. Ele sempre se perguntava o que custava dizer o "é", entre o "quem" e o ponto de interrogação.
Gritar "Quem?" no interfone era uma das manias da Sônia que incomodava o Ari.
Ao entrar ela o recebeu com as mãos erguidas como quem está sendo assaltada, e deu-lhe um beijinho estalado nos lábios voltando pra cozinha, de onde saíra para recepcioná-lo.
Ela estava misturando, com as mãos, leite, farinha, e um composto preparado para fazer pão de queijo. Disse:
-Tô preparando pão de queijo. Assim que eu terminar de misturar, faço as bolinhas, coloco numa forma untada com manteiga e, em meia hora, vamos estar nos entupindo. Tomara que fiquem bons...
O Ari não respondeu. Continuou escorado com o ombro contra o marco da porta, expressão indefinida. Pensava em como entrar na seara que pretendia trilhar ali.
Resolveu ser franco e direto:
-Sô... Posso te perguntar uma coisa?
Ela virou o rosto, olhando pra ele com a barriga colada ao balcão da cozinha:
-Claro...
Ari sentiu o estômago se encolher. Respirou fundo. Odiava aquele tipo de confrontação:
-Olha... Eu não quero te ofender... Eu não quero que tu tenha raiva de mim... Mas eu preciso te perguntar uma coisa. E preciso que tu me responda com toda a sinceridade do mundo...
Ela tirou as mãos da bandeja, estavam sujas de leite e da massa e de farinha. Ela ia limpar num pano de prato, sem descolar os olhos dele, mas ele a deteve:
-Não... Lava as mãos... Não emporcalha teu pano de prato...
Ela disse "Que se foda o pano de prato.", e limpou as mãos nele.
Eram outras duas das manias da Sônia que irritavam o Ari:
Ela era bagunceira e desbocada.
-O que tu quer saber? - Ela perguntou, agressiva.
A agressividade dela, fez com que Ari tivesse certeza de que sim, ela o traíra. Era a agressividade de alguém prestes a ser confrontado com sua própria culpa. Aquilo deixou o Ari com raiva:
-Tu tá insatisfeita com a nossa relação? Tem alguma coisa entre nós que não te serve? Que te cansa? Que te exaspera de algum modo? Tem alguma coisa no convívio comigo que tu não consegue suportar?
Ela ficou olhando pra ele com uma expressão entre incrédula e confusa.
-Do que é que tu tá falando? - Perguntou.
Ele respirou fundo de novo. Se endireitou junto à porta, ergueu os ombros:
-Tu tem... Procurado algo de que tu sente falta fora da nossa relação?
Ele franziu o cenho, levando uma fração de segundo pra entender a pergunta da forma como ele a colocara:
-Tu tá me perguntando se eu tô te traindo?
Ficaram se olhando por um bom tempo, ambos em silêncio, até o Ari erguer as sobrancelhas generosas e perguntar:
-...Tá?
Ela respirou fundo, apoiando a bunda no balcão da cozinha e encarando a parede coberta com o balcão por alguns momentos.
Voltou-se pra ele:
-E se eu disser que não? Que não tô te traindo? Como vai ser?
O Ari não entendeu. Ficou olhando pra Sônia sem saber o que dizer. Deu de ombros.
Ela falou:
-Eu vou ter que aceitar um sorriso de alívio teu, uma brincadeirinha, um beijo e um abraço, e vamos seguir a vida comigo ignorando o fato de que tu, não só não confia em mim, mas também acha que eu sou uma puta fodedeira que precisa de mais caralho ou que quer dar diferente de como dá pro namorado, e aí, sai procurando quem queira?
O Ari odiava quando a Sônia desembestava a falar palavrão. Toda a sua família era de gente que falava palavrão, e ele tinha pânico daquilo.
-Eu... Eu não sei. - Ele respondeu, francamente. Não sabia como seria.
Se tivesse pensado antes, provavelmente teria formulado uma teoria, mas não pensara em como as coisas seguiriam após ele sanar a dúvida, apenas precisava saná-la.
Sônia continuou:
-E se eu disser que sim? Que eu tô dando pra outro? Que ando arriando a calcinha e abrindo as pernas pra outro cara. Ou outros. O que seria pior? Se fossem vários ou se fosse um só? E se eu dissesse que lamento muito, mas sim, ando trepando com mais gente? O que aconteceria? Tu iria me agredir? Gritar comigo? Confessar que também fodeu com alguma puta por aí quando teve chance?
O Tom agressivo da Sônia fez o Ari entortar o rosto numa careta. Ela percebeu:
-Tu não tá gostando do meu tom? Tu acha que falar merda pra alguém é aceitável contanto que tu seja polido e te desculpe de antemão, mas é horrível se tu for humano e te emputecer e falar palavrão?
-Eu não disse isso. - Defendeu-se Ari.
-Não importa... - Disse a Sônia, deixando os braços caírem e deixando o corpo correr pelo balcão da cozinha até sentar no piso frio.
-Tu não me respondeu... O que é que muda se eu tiver te traído? O que é que tu vai fazer? Dizer que me odeia? - Lágrimas lhe escorriam abundantemente rosto abaixo.
O Ari se agachou diante dela, estava sério. Limpou-lhe o rosto com o lado de fora do dedo mínimo:
-Eu te amo por quase toda a minha vida adulta. Isso não há o que mude. - Disse.
Ela o encarou, os olhos úmidos, a maquiagem em volta dos olhos escorrida.
Ari suspirou:
-O que mudaria, é que eu ia estar fulo contigo... E não estaria mais por perto.
Sônia tentou pegar as mãos dele, mas ele as afastou.
Olhou pra ela com uma interrogação nos olhos.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Rapidinhas do Capita
Só ontem vi a primeira foto de Evan Peters caracterizado como Mercúrio para X-Men - Dias de um Futuro Esquecido.
Claro, não foi ontem que a primeira foto do ator com seu figurino foi divulgada, já haviam sido mostradas algumas fotos antes, mas eu não tinha prestado muita atenção, o que, os leitores hão de me perdoar, é resultado da quantidade ultrajante de mutantes prometidos nesse filme, e a certeza de que a maioria deles simplesmente não fará mais do que mera figuração no longa.
Notei que Peters está com os cabelos grisalhos, a exemplo de Aaron Taylor-Johnson, que interpretará o mesmo papel em Os Vingadores 2 - A Era de Ultron (Já havia escrito sobre isso, aqui. Por serem mutantes e Vingadores, tanto Mercúrio quanto a Feiticeira Escarlate podem ser usados na franquia X da Fox e pelos Vingadores dos estúdios Marvel, como, me ocorreu agora, também deveria valer para o Fera, e o Wolverine, que são ambos X-Men e Vingadores...).
De qualquer modo, comparei o visual do personagem em seus respectivos filmes, e achei que os dois funcionam.
Enquanto o Mercúrio de Os Vingadores 2 usa um uniforme bem tradicional no estilo super-heroico Marvel Studios, com cores chamativas e até meio feioso (Normal em Os Vingadores, quem não lembra do pânico generalizado entre os nerds quando surgiram as primeiras fotos do traje do Capitão América?), o traje de X-Men - DduFE tem uma cara mais minimalista e descolada. Uma jaqueta de couro algo metálica, e camiseta do Pink Floyd por baixo (pra dar a cara setentista que a ambientação do filme pede) completado por um óculos de piloto que faz sentido considerando os dons do personagem.
Em suma: Duas caracterizações que são coerentes tanto para com o personagem, seus poderes e características, quanto para com as respectivas franquias (X-Men de trajes pretos de couro, Vingadores com múltiplas camadas de múltiplas cores).
Peters e Taylor-Johnson não têm do que se queixar, e nem os fãs.
E tu? Qual prefere?
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E depois de drones darem as caras no novo RoboCop, e na premissa da sequência de Top Gun que Tom Cruise e os produtores do original tentam emplacar, o conceito pode surgir no reboot do Quarteto Fantástico.
Segundo o site Nerdist o Doutor Destino de Toby Kebbell (que se não tirar o elmo nenhuma vez já será bem melhor que o de Julian McMahon) usará seus famosos Doombots (cópias mecânicas exatas da armadura de Von Doom) como drones no filme.
O que seria uma notícia excelente acaba tirando o sorriso do rosto dos fãs quando se menciona o fato de que os Doombots do filme seriam movidos telecineticamente pelo bom doutor.
Esse filme não consegue dar uma boa notícia sem jogar um balde de água fria em cima...
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Enquanto isso, em uma galáxia bem, bem distante, comenta-se que Star Wars - Episódio VIII que começa a ser rodado agora, em maio, não vai direto para os tradicionais Pinewood Studios.
Oh, não.
As primeiras cenas da nova trilogia seriam gravadas no Marrocos, mesma locação usada para fazer o papel de Tatooine nos episódios I, II, III e IV...
Ah... E estranhamente, por mais desprovida de lastro, essa, sim, é uma boa notícia.
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quarta-feira, 2 de abril de 2014
O Novo Quarteto Fantástico
Hoje, com a notícia da escolha do ator que interpretará Victor Von Doom, o Doutor Destino em O Quarteto Fantástico, reinício da encarnação em celuloide do primeiro super-grupo da Marvel nos cinemas, me pus a pensar no que a Fox está fazendo com a franquia...
Se tem um quadrinho de super-herói que poderia se valer de um reboot cinematográfico, esse quadrinho é Quarteto Fantástico...
O filme de estréia do grupo, lá de 2005, era até bem intencionado.
A formação da equipe, com Ioan Gruffudd, Jessica Alba, Michael Chiklis e Chris Evans, embora não fosse a ideal (Jessica Alba, por mais linda e gostosa que seja, por melhor que fique de colante, não nasceu pra ser Sue Storm), funcionava.
O diretor Tim Story conseguiu trabalhar sobre o roteiro e dar uma dinâmica familiar ao grupo, e se o filme tinha um defeito gravíssimo, era a escalação do galã televisivo Julian McMahon como Victor Von Doom, o Doutor Destino, e o fato de terem transformado o cientista/feiticeiro/monarca da Latvéria em um homem de negócios espertinho, vaidoso e truculento.
Mas o filme era uma matiné bem razoável, com um final que apontava em direção à melhoras futuras.
Infelizmente, elas não se confirmaram, e a sequência, Quarteto Fantástico & O Surfista Prateado, que seguiu brincando com a ideia de dinâmica familiar e apostando demais em um tom levinho e cômico acabou tirando toda a urgência da trama que envolvia a iminência do fim do mundo com a chegada de Galactus (No filme um tipo de nuvem corrosiva...) à Terra, e removendo toda a nobreza inerente à Norrin Raad ao torná-lo um coadjuvante resmungão e desinteressante.
A crítica e o público chiaram, e o Quarteto voltou pra gaveta.
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O Quarteto Fantástico aparentemente não teve a mesma sorte dos X-Men, ressuscitados com maestria por Bryan Singer após o fatídico X-3.
Josh Trank, escalado como diretor, talvez seja a coisa mais certa do novo filme, já que demonstrou em Poder sem Limites, que sabe colocar super-poderes em um contexto humano e realista.
O roteiro é de autoria de Simon Kindberg, que, se acertou a mão em Sherlock Holmes, errou feio em Jumper, Sr. e Sra. Smith, e X-Men 3 - O Confronto Final.
E aí chegamos ao que parece ser o maior problema de O Quarteto Fantástico:
O elenco.
Escalados nos papéis do grupo de astronautas bombardeados por radiação cósmica e abençoados com super-poderes estão:
Miles Teller, como Reed Richards, o Senhor Fantástico.
Jamie Bell como Ben Grimm, o Coisa.
Michael B. Jordan, como Johnny Storm, o Tocha Humana.
Kate Mara, talvez a única escolha razoavelmente cabível, como Sue Storm, a Mulher Invisível (Ou seria Garota Invisível?).
E, o já citado Toby Kebbel como Victor Von Doom, o Doutor Destino.
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Fala sério... Que elenco mais doente é esse?
Nenhum, repito, NENHUM dos atores parece ideal para o papel em que foi alocado.
Miles Teller, egresso de comédias que agora deve ter um papel sério (?) em Divergente como o cerebral Reed Richards?
Jamie Bell, o garoto de Billy Elliot, o Tin Tin em pessoa, como o poderoso Coisa?
Michael B. Jordan como o irmão mais jovem e loiro da garota invisível?
Toby Kebbel como o tirânico regente da nação leste-européia da Latvéria...?
Olha, desde que Heath Ledger deu show em O Cavaleiro das Trevas é difícil pichar escolhas de elenco antes de ver o resultado final, mas sejamos francos, por mais que fãs xiitas possam reclamar de Ben Affleck como Batman e de Gal Gadot como a Mulher-Maravilha, são escolhas estranhas, até irritantes, mas que fazem algum sentido sob determinado parâmetro, como o visual, por exemplo.
Os nomes escolhidos por Trank e a FOX para Quarteto Fantástico simplesmente não fazem sentido. Nem mesmo se o filme se dispôr a adaptar a versão Ultimate dos heróis, esse elenco se justifica.
E nem vamos entrar no mérito da troca de etnia do Tocha Humana.
Michael B. Jordan pode ser boa-pinta, carismático e bom ator, mas por que escalá-lo no papel de um personagem branco?
Imagine a chiadeira se fizessem o contrário, e escalassem um ator branco para interpretar Otelo, o Pantera Negra ou Martin Luther King...
O Quarteto Fantástico pode torrar línguas mundo afora e ser um filmaço, mas francamente, não parece andar nesse caminho...
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Rapidinhas do Capita
E saiu mais um trailer de O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro, com algumas cenas inéditas e que podem dar pano pra manga.
Assista e atice aquela vontade louca de ver maio chegar logo:
E aí? Notou a cena a que me refiro?
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A cena em questão é essa aqui:
Onde vemos o Duende Jr. apanhando Gwen Stacy. Em trailer anteriores, Gwen aparecia sendo jogada no ar, aparentemente inerte, até ser resgatada pelo Homem-Aranha.
Baseado na cena acima, no figurino de Gwen (muito semelhante ao usado pela personagem na história A Noite em Que Gwen Stacy Morreu), e na violência do ataque do Aranha contra o Duende no final da prévia, podemos imaginar que os produtores vão chutar o pau da barraca e matar a Gwen já nesse segundo filme?
E ainda temos que esperar até maio pra descobrir.
Um mês! Um mês inteiro!!!!
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E divulgaram o escolhido para interpretar o vilão Victor Von Doom em O Quarteto Fantástico, filme que vai rebootar a primeira Super-Família do Universo Marvel no cinema:
Toby Kebbell, de Rock'n Rolla, Cavalo de Guerra e Fúria de Titãs 2 vai usar a armadura cinzenta e o manto verde do vilão.
Ou o terno bem cortado, dependendo da abordagem escolhida dessa vez...
O que eu acho?
Acho que está no mesmo patamar do resto do elenco. E isso está longe de ser um elogio.
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terça-feira, 1 de abril de 2014
Macarrão
Eles escolheram seus respectivos pratos no restaurante, variedades distintas de macarrão com molhos e acompanhamentos igualmente distintos. Ela pediu nhoque com molho de nata, ele pediu fusilli longo com molgo quatro queijos e iscas de carne incrementado com almôndegas. Ela beberia Sprite, ele beberia Fanta Laranja.
Foram ao caixa fazer o pedido e pagar a conta, ele se ofereceu para pagar o pedido dela, mas ela negou. Se ofereceu para pagar a dele, ele riu, ignorando o que, pra ele, era uma oferta absurda.
Pagaram, apanharam a plaquinha que guiaria o garçom, e escolheram uma mesa razoavelmente próxima.
Ele puxou a cadeira para ela, esperou que ela se ajeitasse, então sentou-se diante dela. Ela apanhou o celular da bolsa e começou mexer no aparelho:
-Adoro wi-fi zone... - Disse.
-É ótimo pra conversas... - Ele retrucou, se escorando no espaldar da cadeira.
Ela ergueu os olhos fazendo uma careta de quem entendeu a reprimenda e a ignorou solenemente.
De súbito, começou a dançar com os ombros e cantarolar em voz baixa conforme tirava os olhos da tela do aparelho e o fitava:
-You're so vain... You probably think this song is about you... You're so vain... I bet you think this song is about you... Don't you, don't you, don't you...
Ele riu do outro lado da mesa, olhando a dança dela, que o encarava com uma expressão repleta de sarcasmo.
-Quié isso, alemoa?
-É uma música pra ti. - Ela disse. -Me pareceu apropriada...
Ele franziu o cenho:
-E de onde tu tirou essa epifania súbita?
Ela sorriu enquanto punha o celular em espera e o guardava novamente na bolsa.
-Coisas que eu li...
-Bernard Cromwell?
-Cornwell. - Ela corrigiu. -Mas não... Não foi lendo nada do Cornwell...
Ficaram em silêncio algum tempo.
Ela perguntou:
-É pra eu abrir o meu whats de novo?
-Faça o que tu tiver que fazer, gentil donzela. - Ele respondeu após se endireitar na cadeira.
Ela riu. Então ficou séria:
-Desculpa. Eu fui estúpida.
-Não. - Ele respondeu.
-Tu não me desculpa? - Ela perguntou.
-Eu te desculpo. - Ele disse. - Mas não. Tu é estúpida. Com a tua estupidez eu já me acostumei. É fácil te aguentar sendo estúpida. Especialmente agora que nós somos só amigos. Quando a gente namorava, sim. Aí era difícil suportar tua estupidez, mas eu suportava. Estupidez é tranquilo. É um traço de personalidade. É do teu jeito de ser. Tu não foi estúpida. Foi má. Fosse em outros tempos e eu teria me levantado e ido embora.
Ela não disse nada. Ficou parada em silêncio por algum tempo. Ele evitou olhar pra ela. Ele suspirou:
-Desculpa ter sido má.
Ele olhou pra ela. Ela continuou:
-Eu fui má. Tem razão. Eu só... Sei lá. Achei que-
-Não tem problema. Eu te desculpo. Mas já passou da hora de tu parar de achar.
Ela continuou em silêncio.
-Eu sei do que tu tá falando. - Ele seguiu. -Mas não sou nem um pouco vaidoso. E certamente não sou tão burro. Talvez tenha sido excessivamente otimista algumas semanas atrás. No lance das fantasias. Achei, de fato, que pudesse ser. Depois percebi que não. Nem precisei ir a fundo. Não sou um imbecil e muito menos um "menino lindo". Então, não. Não pensei que essa canção fosse a meu respeito.
Ela não disse nada. Continuou séria, olhando pra frente, olhos baixos.
Ele abrandou o tom:
-Mas não te preocupa. Também não sou amargo. Sei ficar feliz pelas pessoas que eu amo.
Ela sorriu pra ele.
-Menos por ti. Aquele filhote de Cannigia que tu arrumou pra ti eu queria que morresse decapitado enquanto dormia e tu acordasse com a cabeça dele te olhando no travesseiro.
-Monstro! - Ela disse, começando a gargalhar em seguida.
Logo o macarrão deles chegou, e eles comeram, conversando e rindo, depois ele a levou até em casa, e na volta, percebeu que havia amadurecido, talvez encontrado sua parcela de paz, e aprendido a ser genuinamente feliz por aqueles a quem amava.
Resenha Cinema: Tudo por Justiça
É engraçado como um único elemento pode fazer a diferença e tornar um filme mais do que ele seria em outra situação.
Falando assim parece que esse único elemento pode ser pouca coisa, mas no caso de Tudo por Justiça, é "só" o elenco.
Não me entenda mal, ó, leitor. Tudo por Justiça não é um mau filme. Muito antes pelo contrário.
O que há no filme do diretor Scott Cooper (de Coração Louco) que poderia ser interpretado como defeitos, como o plot um tanto quanto óbvio (Trama de vingança familiar), uma qualidade de anacronismo (Toda a trama se passa em 2008, mas se nos fosse dito que é um filme de época produzido e transcorrido nos anos setenta ninguém ficaria exatamente surpreso), e uma ponta bastante aguda de machismo (Apenas um papel feminino relevante no filme, e não chega a ser exatamente lisonjeiro) apenas tornam esse thriller operário mais atraente, o removendo do lugar-comum pra onde tendem a ir as tramas de vingança familiares.
Tudo por Justiça mostra os irmãos Russel e Rodney Baze (Christian Bale e Casey Affleck), filhos da cidade de North Braddock, Pensilvânia, uma localidade erigida ao redor de uma usina siderúrgica.
Enquanto Russel seguiu os passos do pai e ganha a vida fazendo aço na usina, Rodney queria mais, e a sua chance de fuga foi a guerra. Veterano de três incursões ao Iraque, Rodney aposta em cavalos, toma dinheiro emprestado de agiotas e não consegue se encaixar na vida mundana dos proletários de North Braddock contraindo dívidas que Russel tenta pagar trabalhando dobrado.
À sua maneira torta, porém, os dois vivem direito. Russel mora com sua namorada Lena (Zoe Saldaña), Rodney vive com o pai de ambos, um homem adoentado que requer cuidados, e, meio aos trancos e barrancos, os irmãos tocam o barco.
Tudo muda, porém, quando Russel toma parte em um acidente automobilístico com vítimas fatais e é preso.
Enquanto cumpre sua pena, seu pai morre, e Rodney vai novamente ao Iraque, uma quarta incursão de onde volta particularmente marcado.
Quando Russel é libertado a vida de ambos mudou.
Enquanto ele tenta colocar as coisas de volta nos eixos, voltando ao seu emprego na usina e consertando a casa do pai, Rodney, afogando-se em dívidas, força o surpreendentemente complacente e amigável agiota John Petty (Willem Dafoe)a arranjar sua participação nas lutas de boxe sem luvas nas Apalaches, organizadas pelo traficante Harlan DeGroat (Woody Harrelson), um caipira psicopata viciado em violência, álcool, metanfetamina e dinheiro.
No cenário desolador de uma cidadezinha operária em tempos de depressão econômica, os dois irmãos se flagram tentando se encontrar enquanto lutam contra uma espiral de dor, arrependimento e desespero personalizada em DeGroat.
Com os nomes envolvidos é fácil perceber por que é o elenco que torna Tudo por Justiça maior do que poderia ser.
É o esforço e o talento dos atores que arranca o longa metragem da mundaneidade.
Se o hillbilly estricnado de Harrelson chega a ser assustador de tão repulsivo e os traumas do personagem de Affleck e a forma como eles o afetam são palpáveis, com o irmão mais moço de Ben Affleck garantindo, com sua interpretação, que Rodney não se torne antipático, Christian Bale continua sendo o grande nome do elenco.
Se o galês já havia sido monstruoso usando a extravagância de seus personagens como no recente Trapaça, nesse Tudo por Justiça ele dá uma elogiável demonstração de maturidade ao repetir a performance magnética, e fazê-lo sem nenhuma mudança física absurda.
Todo o peso dos acontecimentos sobre seu Russel Baze é demonstrado pelo ex-Batman através de sutis mudanças de postura e olhares.
Com uma direção segura, um roteiro simples e sem firulas de Cooper e Brad Ingelsby, bela fotografia em 35 mm de Masanobu Takayanagi (Filmando inteira e orgulhosamente em filme Kodak conforme os créditos), trilha sonora equilibrada e cheia de cordas de Dickon Hinchliffe, e um elencaço (que ainda conta com boas participações de Forrest Whitaker e Sam Sheppard) Tudo por Justiça garante uma visita sem desapontamentos ao cinema.
"-Você tá com algum problema comigo?
-Eu tô com algum problema com todo mundo."
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