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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Tanto Quanto


A Marilene, trinta e poucos, loira, bonita, bem maquiada e bem vestida, sentada na mesa da praça de alimentação do shopping diante dos restos de um Mclanche Feliz mexia o pé num ritmo frenético que, acompanhado do tec-tec que o sapato fazia ao bater em seu calcanhar, era testemunho irretocável de sua impaciência.
Do outro lado da mesa o Maurício, trinta e tantos, moreno, aparência mediana, vestindo camiseta e jeans, sorria feito um guri bobo enquanto abria a base do sabre-de-luz de brinquedo e colocava novas pilhas.
A Marilene até fechou um olho antevendo o "prrwow" de quando a lâmina de LEDs fosse acionada.
O prrwow veio... Crianças de mesas próximas olharam pro Maurício com os olhos brilhando, ele continuava sorrindo.
Um menino mais desprendido se aproximou. Perguntou se era a espada do Star Wars, cheio de intimidade. O Maurício confirmou. Perguntou se o moleque queria brandir a arma. Ele inclusive usou essa palavra mesmo. "Brandir".
O guri talvez não tenha entendido o significado do verbo, mas certamente entendeu o gesto que o Maurício fez, desligando o aparelho e oferecendo o cabo do brinquedo.
O moleque apanhou o objeto, o ligou e ficou olhando a lâmina luminosa fazendo "hoooom", maravilhado.
"Maneiro", disse. O Maurício falou "É uma arma mais elegante. Para tempos mais civilizados.".
A Marilene se perguntou de onde ele tirava essas coisas.
O guri devolveu o brinquedo do Maurício, que desligou e ligou um par de vezes. Ficou remexendo o negócio pra lá e pra cá, recebendo, vez que outra, o sorriso cúmplice de algum outro marmanjo que passava. Chegou a bater a espada na mesa e sorriu ao ouvi-la emitir um "Tczhack" alto, como o ruído de um cabo de aço eletrificado estalando.
Virou pra Marilene, sorrindo enquanto se preparava para guardar o aparelho de volta na caixa e disse a mesma coisa que dissera o gurizinho momentos antes.
"Maneiro.".
A Marilene entortou a boca de desgosto.
Falando sério. Já tinha visto o filme, pela segunda vez, diga-se de passagem, entendia a importância que aquilo tudo tinha pro Maurício, e, pelo que ela percebera, pra dezenas de outras pessoas, tinha até uns caras fantasiados na fila do cinema, pelo amor de deus...
Agora essa. O Maurício, dois dias depois da tal da pré-estréia que não podia esperar, fazia ela voltar ao cinema pra ver o mesmo filme de novo, e, tão empolgado, passava numa loja de brinquedos e gastava mil reais numa espadinha de plástico e alumínio que acendia luzinhas.
Que ninguém a entendesse errado.
A Marilene amava o Maurício. Não tivesse certeza de que era ele o homem de sua vida ela nem ligaria onde ele torrava seu suado dinheiro e se ele parecia ter idade mental de onze anos. Mas se ela planejava uma vida ao lado daquela criatura, talvez fosse melhor que ele não fosse tão constantemente subjugado por seus delírios juvenis.
Ela suportava o videogame, os quadrinhos e a literatura infanto-juvenil, suportava as idas apressadas ao cinema a cada novo longa de super-herói, mas brincar de espadinha de laser no shopping era um pouco demais.
Como a bateção com o sapato no calcanhar não surtisse efeito, a Marilene suspirou alto e falou:
-Maurício... Não tá um pouco demais esse amor todo por Star Wars?
O Maurício, sorridente a princípio, percebeu na cara da Marilene o desagrado, e quando falou, estava muito sério:
-Tem poucas coisas nessa vida que eu amo tanto quanto Star Wars.
E ligou o sabre que iluminou seu rosto, ainda sério, de azul.
Aí, apareceu mais um gurizinho que pediu pra pegar a espada, e o rosto do Maurício se abrandou e ele deixou o moleque brincar um pouco dizendo "Aventura? Excitação? Essas coisas buscar um Jedi não deve.".
E a Marilene achou melhor não falar nada. Se o Maurício, de fato, era o homem de sua vida, era melhor ela aprender a conviver com as eventuais excentricidades dele do que aprender que ela não era uma das poucas coisas nessa vida que ele amava tanto quanto Star Wars.
Fingiu um sorriso quando o gurizinho foi embora, mas por dentro amaldiçoou George Lucas.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Rapidinhas do Capita


Batman VS. Superman - A Origem da Justiça só estréia em março do ano que vem, mas os bilhetes pro filme já estão em pré-venda na Alemanha, onde a duração do filme parece ter sido revelada.
Segundo o site de venda de ingressos, o longa que reunirá o cruzado encapuzado e o homem do amanhã terá duração de duas horas e trinta e um minutos.
É apenas oito minutos a mais do que os 143 minutos de O Homem de Aço, fato que já levantou as orelhas de fãs desesperados pra saber como vão condensar Batman e seu elenco de apoio, mais Superman e seu elenco de apoio, mais Mulher-Maravilha, Flash, Ciborgue, Aquaman Lex Luthor e Apocalipse em duas horas e meia de projeção.
O longa que dará o pontapé inicial ao universo compartilhado DC, levando ao filme da Liga da Justiça, é dirigido por Zack Snyder com roteiro de Chris Terrio e estréia em 24 de março do ano que vem.

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E Tom Hardy fez beiço e sentiu na carteira os atrasos nas filmagens de O Regresso. O longa de Alejandro Gonzáles Iñarritu estrelado por Leonardo DiCaprio sofreu diversos atrasos em sua produção devido ao clima inclemente das locações.
Com a extensão das filmagens, Tom Hardy foi obrigado a abandonar a produção de Esquadrão Suicida, onde interpretaria o personagem Rick Flagg, que acabou com Joel Kinnaman.
O filme de vingança de Iñarritu estréia nesta sexta-feira nos EUA, no Brasil, apenas em 4 de fevereiro, que é para podermos assistir Até que a Sorte nos Separe 3 e Bem Casados no cinema.
Enquanto isso, Esquadrão Suicida, filme sobre o grupo de supervilões da DC que aceitam missões suicidas em troca do perdão de suas penas, escrito e dirigido por David Ayer, estréia em 4 de agosto.

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E, no lugar mais apropriado da Terra (ou de sua órbita), vai ter uma das sessões mais maneiras de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força.
Os astronautas Tim Peake, Timothy Kopra e Yuri Malenchenko tinham um projetor e uma tela à bordo de seu foguete, e vão chegar à Estação Espacial Internacional onde uma cópia de O Despertar da Força os estará aguardando.
Ver Star Wars no espaço...
Nada mau.

Revendo Star Wars: Episódio VII


Acho que nenhum fã de loga data que se preze vai assistir O Despertar da Força apenas uma vez, e a maioria vai, da mesma maneira que eu, assistir mais de duas.
O Despertar da Força já destruiu recordes no mundo todo, e, tivesse estreado na China simultaneamente com os demais mercados, já poderia ser a maior abertura da história do cinema. A crítica tem sido, em geral, positiva, e os fãs obviamente gostaram.
Mas a pergunta é:
Star Wars - O Despertar da Força, é tudo o que estão dizendo?
Para responder essa pergunta, a partir daqui haverão muitos e muitos e muitos spoilers do filme, então, permaneça longe dessa zona se ainda não tiver assistido ao longa.

Ainda aqui?
OK.

Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força é excelente. Mas não. Não é perfeito. É difícil fazer um julgamento definitivo de um longa que, muito mais do que os Episódio I e IV é descaradamente um primeiro capítulo.
Se Uma Nova Esperança se segurava tranquilamente como um filme isolado, que poderia ser assistido por um espectador que nunca mais veria Star Wars de novo com a certeza de ter visto um longa com começo, meio e fim, algo que se repetia, em menor escala, com A Ameaça Fantasma, não se pode dizer o mesmo de O Despertar da Força.
O longa de J.J. Abrams é um óbvio primeiro filme de uma trilogia, e todas as suas resoluções são parciais. Enquanto os episódios VIII e IX não forem lançados, fica difícil de decidir, ao menos pra mim, se O Despertar da Força é essa Coca-Cola toda, ou não.
Isso por si só, já depõe levemente contra o novo longa. Muitas coisas ficam no ar, com muitas situações carecendo de maior desenvolvimento e mais explicações.
Talvez o personagem que mais se ressente desse desenvolvimento sonegado seja o vilão Kylo Ren.
O personagem de Adam Driver não é Darth Vader. Ainda que toda a sua figura evoque essa aura, com sua altura, a máscara, a roupa negra, o timbre de voz grave abafado pelo elmo, os poderes impressionantes da Força, Ren não convence apesar do óbvio talento de seu intérprete.
O filho de Han Solo e Leia Organa, Ben Solo (ou Organa-Solo? Ou Skywalker-Solo?), é um personagem dividido, segundo ele próprio. Constantemente açoitado pela sedução da luz.
Será essa a razão para seus poderes, tão impressionantes no início do filme, parando disparos de rifle blaster em pleno ar e invadindo a mente dos rebeldes da Resistência como se fosse um passeio no parque, falharem tão miseravelmente na hora do vamos ver?
Ren não consegue invadir a mente de Rey, que, OK, é dito ser "mais poderosa na Força do que ela mesma sabe", mas que não dispõe, até onde sabemos, de treinamento algum.
Ela não apenas não permite que Kylo Ren leia sua mente, como lê a do vilão, que fica desmoralizado e vai correndo contar tudo pro Supremo Líder Snoke.
Tudo bem, vamos dar um crédito à Rey e à Força.
Falamos mais disso ali adiante...
Então, OK, vamos dar crédito à Rey, e supôr que, enquanto receptáculo do Força, ela seja usada pelo poder, e não o contrário.
É uma explicação.
E quanto a Finn?
O Stormtrooper que trabalhava no setor sanitário da base Starkiller certamente é treinado em combate. Ele sabe atirar e tudo mais...
Mas como é que ele consegue enfrentar Kylo Ren em um duelo de sabres-de-luz?
Quer dizer... Ren foi treinado por Luke, depois por Snoke, era de se esperar que ele soubesse esgrimar.
Rey obviamente tem noções muito boas de luta com armas de haste, já que aparece se defendendo com um bastão em Jakku, o que dá a dica de que aquela é sua arma de escolha, mas Finn deixa bem claro que nem considera o sabre-de-luz uma arma, e ainda assim, dá um suadouro em Ren, que só consegue vencê-lo trapaceando.
Mesmo se levando em conta que Kylo Ren estava ferido por um tiro da violenta balestra de Chewbacca e talvez abalado por ter acabado de assassinar o próprio pai (eu disse que essa era uma violenta zona de spoilers), a impressão que eu tive ao final do longa, é que Snoke ou Luke foram muito reticentes com o treinamento de Ren, e que se ele enfrentasse um Obi-Wan Kenobi no auge da forma, O Despertar da Força seria um filme de 14 segundos.
E Rey?
Rey é outra personagem que carece de explicações, mas, talvez por ter mais tempo de tela do que Ren, e termos mais insights de seus passado, ela se ressinta um pouco menos da falta de informação.
A personagem de Daisy Ridley, uma órfã abandonada em Jakku onde espera pacientemente pelo retorno de sua família, aparece como uma tradicional ingênua heroica, e logo deixa claro que tem poderes da Força ainda maiores do que os de Kylo Ren.
Uma das hipóteses é que a menina talvez seja o receptáculo escolhido pelo lado luminoso para se opôr ao lado sombrio e trazer equilíbrio à Força (pelo que deu pra entender, o placar estava 2 x 1 para o lado malvado, já que eram Snoke e Ren contra o exilado Skywalker), então, talvez a Força enquanto energia viva tenha ampliado os poderes de Rey além da própria compreensão da menina (que tem o insight de usar os truques mentais e tudo mais aparentemente sem jamais ter treinado...) de modo a usá-la para esse fim.
A questão, se for esse o caso, é porque a Rey?
Ao final do longa Luke parece reconhecê-la. Talvez seja apenas o reconhecimento de um dos Jedi mais poderosos de todos os tempos à uma outra usuária da Força.
Mas pode ser mais.
Na literatura, um dos filhos de Han e Leia, Jacen, é seduzido pelo lado sombrio tornando-se Darth Caedus. Ele eventualmente é derrotado por sua irmã gêmea, Jaina.
Talvez o conflito seja repetido nos novos filmes mas, ao invés de uma irmã, com uma prima antagonizando o ex-Jedi.
Nesse caso, Rey seria filha de Luke, escondida em Jakku para manter-se protegida de seu primo malvado e do Supremo Líder Snoke.
Faria sentido (algum sentido, afinal. Eu não sei, se eu fosse me exilar naquele adorável planeta paradisíaco onde Luke está no fim do filme, eu poderia levar minha filha comigo ao invés de abandoná-la à própria sorte num deserto, mas vai saber...).
Curiosamente, Ben, o nome verdadeiro de Kylo Ren, na literatura era o nome do filho de Luke com Mara Jade Skywalker, em homenagem ao velho mestre do Jedi.
Os problemas de O Despertar da Força, porém, não acabam aí.
A Base Starkiller é um depoimento à duas incompetências de gravíssima ordem:
Primeiro, ao setor de inteligência da Resistência.
Como é que o principal (único?) inimigo dos caras constrói uma arma abissal em um planeta e eles não ficam sabendo até um sistema planetário inteiro (que não, não é Coruscant, isso é dito no filme, é o sistema Hosnian) ser obliterado? O que é que a general Leia Organa estava fazendo enquanto o general Hux apagava sóis pra municiar um canhão interplanetário?
Segundo, o setor de engenharia da Primeira Ordem.
Esses caras não aprenderam nada com a Estrela da Morte I e a Estrela da Morte II? Será que eles são incapazes de construir uma arma definitiva que não exploda em milhões de pedaços se for atingida por alguns tiros de X-Wing? Ao menos dessa vez tinha uma grande tampa blindada ao invés de uma janela que podia ser acessada por um torpedo de prótons...
Por falar na base Starkiller, é interessante pensar que ela é dez vezes maior do que a Estrela da Morte, e, ainda assim, durante sua invasão, Han, Chewie e Finn simplesmente esbarram com a Rey lá dentro como se estivesse na feira.
Por falar em Han e na base Starkiller, é lá onde se dá a morte do contrabandista.
O salafrário mais maneiro da galáxia é assassinado pelo próprio filho ao tentar conversar com ele e convencê-lo a retornar ao lado da luz (numa prova cabal de que é sempre fatal ouvir a opinião da esposa a respeito da criação dos filhos.).
É difícil ter uma opinião racional sobre a morte do personagem de Harrison Ford.
Han Solo sempre foi um dos meus personagens preferidos. Vê-lo morrer nas mãos de um vilão claudicante como Kylo Ren parece em O Despertar da Força, de maneira absolutamente idiota, é, pra mim, fã de Han Solo, um desserviço.
Eu até posso entender que a morte de Han serve para completar o trajeto de Ren rumo à escuridão (além de sanar um desejo histórico de Ford, que quer Han morto desde O Império Contra-Ataca, ou tu acha que o final com o personagem congelado em carbonita é por acaso?), mas ainda assim, eu não gostei.
Dá a impressão de um passo dado na direção de ocupar o espaço dos velhos personagens com os novos, o que não é lá muito lisonjeiro. Mas o resultado disso, como tudo mais em O Despertar da Força, nós provavelmente só veremos de fato em Episódio VIII, ou IX.
Até lá, o longa de Abrams está na quarta colocação entre meus favoritos da série. A frente dos episódios I, II e III, mas certamente bem, bem distante, de IV, V e VI.



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Resenha Cinema: Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força


Pra muita gente é uma espera que se arrasta desde 2005. Pra outros tantos, é uma espera que se arrasta desde 1983. Depende, claro, de o quanto tu gosta de Star Wars, do teu ponto de vista, e de o quanto as "prequências" engendradas por George Lucas a partir de 1999 foram satisfatórias (ou insatisfatórias...).
Desde que a Disney comprou a Lucasfilm e anunciou uma nova trilogia (além de diversos derivados), todos ficaram em compasso de espera, aguardando ansiosamente por dezembro de 2015, quando o filme seria lançado.
Meses de tensão e catarse quando cada nova imagem e cada novo vídeo eram jogadom na internet lançando uma pequena luz sobre a produção que, na melhor tradição dos longas de J.J. Abrams era envolta em mistério, e ontem, pós essa longa espera, finalmente, era hora de voltar ao cinema e assistir Star Wars novamente.
Conforme o tapete de letras que sobre pela tela nos diz logo de cara, a vitória de Luke, Leia e Han ao final de O Retorno de Jedi não significou paz na galáxia.
Das cinzas do antigo Império de Palpatine, surgiu a Primeira Ordem, um grupo militar organizado à imagem e semelhança do Império sob o comando do Supremo Líder Snoke (Andy Serkis), do general Hux (Domhnall Gleeson) e de Kylo Ren (Adam Driver).
Opondo-se à Primeira Ordem existe a Resistência, uma organização que segue os moldes da Aliança Rebelde, lutando extra-oficialmente em uma guerra que se estende por anos, desde que Luke Skywalker (Mark Hamill) se retirou em um exílio secreto após sua tentativa de treinar uma nova geração de Jedi terminar de forma trágica.
Quando o filme começa, estamos no planeta Jakku, para onde a general Organa (Carrie Fisher) enviou seu melhor piloto, Poe Dameron (Oscar Isaac) em busca do que pode ser a salvação da Resistência:
A localização de Skywalker.
Dameron obtém um mapa de Lor San Tekka (Max Von Sidow), e o esconde em seu dróide BB-8 após um ataque da Primeira Ordem acabar com sua captura e o completo genocídio dos aldeões sob ordens de Ren.
Enquanto Dameron é levado à bordo da nave de Ren para ser interrogado, BB-8 se afasta o máximo que pode do conflito, perdendo-se no interminável deserto do planeta.
Surge Rey (Daisy Ridley).
Uma sucateira que vaga pelo deserto procurando peças que possam ser vendidas a Unkar Plutt (Simon Pegg) em troca de comida.
Rey e BB-8 eventualmente se encontram e o dróide convence a garota a ajudá-lo a chegar ao entreposto Niima, onde Poe Dameron deveria estar.
Mas Poe segue preso em poder de Ren, que extraiu de sua mente a localização do mapa e já iniciou uma busca por BB-8 em Jakku.
O que a Primeira Ordem não sabe é que o stormtrooper FN2187 (John Boyega) está disposto a tudo para desertar. Inclusive ajudar na fuga de Dameron.
Os dois fazem uma arrojada escapada em um Tie-Fighter, mas são avariados e caem em Jakku, onde FN2187, rebatizado Finn por Dameron, perde seu companheiro após o pouso forçado.
Após vagar horas pelo deserto, ele chega ao entreposto Niima, bem a tempo de encontrar Rey e BB-8 e se envolver em uma nova fuga quando os stormtroopers reconhecem o dróide a quem Rey e Finn acompanham.
Incapazes de lutar contra as forças da Primeira Ordem, o trio precisa fugir, e acaba conseguindo isso ao embarcar numa velha espaçonave. Casualmente, a lata velha mais rápida da galáxia.
A movimentação da Millenium Falcon eventualmente atrai a atenção de seu antigo dono, Han Solo (Harrison Ford)e seu co-piloto Chewbacca (Peter Mayhew)Juntos, os quatro precisarão trabalhar juntos para levar BB-8 até a resistência, uma tarefa que se torna mais e mais complicada à medida em que a Primeira Ordem está disposta a tudo para impedir este reencontro, inclusive usar de maneira indiscriminada sua nova arma definitiva:
A base Starkiller.
Um poderoso engenho construído ao redor de um planeta vivo que apaga sóis para destruir sistemas planetários inteiros.
É muito bacana.
O Despertar da Força tem tudo o que nos habituamos a ver em Star Wars. O admirável universo habitado por criaturas bizarras, heróis ingênuos e vilões desprezíveis. A sensação de "futuro desgastado" dos filmes originais está lá, tão palpável quanto nos anos setenta/oitenta, graças à decisão de J.J. Abrams de apostar em efeitos práticos, fantasias, máscaras e cenários, ao invés de computação gráfica em cada frame conforme ocorreu nos episódios I, II e III.
Claro, há muita computação gráfica, as batalhas aéreas, por exemplo, são todas geradas por computador, e são excelentes. Há apenas uma luta no espaço, as demais são todas batalhas travadas dentro da atmosfera de planetas, a batalha em Takodana é espetacular, e ali vemos toda a perícia de Poe Dameron, uma mistura de Han Solo, Luke Skywalker e Wedge Antilles no tocante a pilotagem.
Toda a pirotecnia do CGI porém, não tira a alma do filme. O Despertar da Força é escrito por Michael Andt e o veterano da série Lawrence Kasdan (o mesmo dos episódios V e VI), que conseguem equilibrar espetáculo e personagens vivos.
Rey e Finn, personagens centrais do filme, ganham personalidades arquetípicas conforme pede a cartilha de Star Wars, mas têm camadas que permitem que eles sejam mais do que meros arquétipos.
O diretor também acerta a mão ao emular de maneira bastante óbvia a atmosfera e a trama de Uma Nova Esperança em tudo, desde a mensagem secreta escondida no dróide em um planeta desértico que acaba nas mãos de uma pessoa jovem ingênua e corajosa, passando pelo personagem mais velho e experiente que guia o novo grupo de heróis, e o temível vilão que tem uma história familiar intrincada, passa por uma crise de identidade e serve a um mestre que é verdadeiramente podre até a raiz da alma.
Mais do que isso, há referências visuais óbvias à batalha de Yavin, à caverna de Dagobah, à Hoth, Tatooine e Endor. Maz Kanata (Lupita Nyongo) ecoa como Yoda em sua sabedoria milenar, e o nazismo visual do Império alcança seu ápice quando, antes de usar a estação Starkiller, o general Hux se dirige às tropas da Primeira Ordem em formações que emulam descaradamente os discursos inflamados de Hitler, com direito a saudações de mão e flâmulas escarlates.
Em meio aos novos personagens, surgem os antigos, Han, Leia, Chewie, R2-D2 (Kenny Baker), C-3PO (Anthony Daniels), almirante Ackbar (Tim Rose/Erik Bauersfeld), para fazer o obrigatório fan-service, que inclui referências à trilogia original (Que a Força esteja com você, Eu tenho um mau pressentimento sobre isso, ou a volta de Kessel em menos de doze (e não quatorze) parsec.).
Equilibrando-se bem entre todos os elementos obrigatórios de Star Wars, de sua galáxia pequena o suficiente para todo mundo se cruzar por acaso como se morasse em André da Rocha, a comédia, o melodrama, a tensão, as risadas e lágrimas, a aventura e o misticismo, Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força é uma excelente volta da franquia à sua melhor forma.
Não é perfeito. Não é melhor do que os filmes originais. Mas respira. Vive. E diverte.
Que venha o episódio VIII.

"-É verdade. Tudo. O lado sombrio. Os Jedi. É tudo real."



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Rapidinhas do Capita


Feliz aniversário, torcida Colorada. Hoje é 17 de dezembro, e há exatos nove anos, a essa hora, já havíamos pintado o mundo de vermelho após derrotar o Barcelona por 1 x 0 com gol de Adriano Gabiru.
O Internacional de Clemer, Ceará, Índio Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Fernandão, Alex; Alexandre Pato e Yarlei, de Marcelo Boeck, Renan, Elder Granja, de Vargas, Luís Adriano, Gabirú, Perdigão, Abel Braga, Paulo Paixão e Fernando Carvalho que foi ao Japão e voltou coroado como o maior do mundo em um ano mágico, que mostrou a todo o planeta o que a torcida colorada já sabia:
Papai é o maior.

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Uma ordem judicial tinha bloqueado o uso do aplicativo trocador de mensagens whatsapp por 48 horas a partir da meia-noite de ontem.
Eu, particularmente, comemorei.
Ultimamente é impossível ir ao cinema sem um retardado do teu lado ou na tua frente passar o filme inteiro trocando mensagens pelo whatsapp.
Embora ainda fosse ser necessário suportar os debiloides que falam durante o filme, uma parcela dos retardados seria suprimida por dois dias de paz parcial nas salas de cinema, e, com sorte, algumas dessas pessoas cometeriam suicídio por não poder trocar mensagens instantâneas "de grátis".
Infelizmente uma segunda decisão judicial derrubou a liminar de ontem, e a paz acabou.
Comemorem imbecis, vocês recuperaram o direito de viver com suas fuças enfiadas dentro do celular, o que, claro, têm todo o direito de fazer, mas não deveriam fazer no cinema.

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Assisti ontem, totalmente por acaso, ao trailer de Até que a Sorte nos Separe 3, com o ex-obeso, agora apenas gordo, Leandro Hassum.
A prévia, na verdade um spot de TV pescado na TV a cabo, me fez desejar ardentemente que todos os cineastas brasileiros seguissem o exemplo de Guilherme Fontes e escondessem seus filmes por 20 anos.

Resenha Filme: Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith


Era hora de fechar o círculo.
Em 1977 nós havíamos conhecido uma galáxia bem, bem distante, onde um pérfido império dominava com mão de ferro sendo desafiado por um grupo de rebeldes que, não fosse por uma princesa, um contrabandista e um jovem fazendeiro jamais teriam obtido a vitória sobre uma força quase infinita comandada por um lorde negro de grande poder.
Agora, era hora de ver como um menino de Tatooine que crescera para se tornar um jovem e apaixonado Jedi, despencara até as profundezas do lado sombrio da Força, tornando-se Darth Vader.
A Vingança dos Sith abria com uma batalha espacial. De um lado, a frota da república, reforçada pelo mestre Jedi Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) e seu amigo o cavaleiro Jedi Anakin Skywalker (Hayden Christensen), cuja missão era invadir o cruzador do líder separatista Conde Dooku (Christopher Lee), e resgatar o chanceler Palpatine (Ian McDiarmid), sequestrado em Coruscant em uma audaciosa ação do general Grievous.
As Guerras Clônicas já se estendem há três anos, e essa operação pode começar a sedimentar o fim da guerra.
Os Jedi conseguem, sem grandes problemas, acessar a torre de observação da espaçonave, e confrontar os vilões. Obi-Wan é nocauteado por Tyranus, mas Anakin consegue derrotar o sith em um duelo mano a mano, e sob os olhos atentos de Palpatine, o mata a sangue frio ante o encorajamento do Chanceler.
Grievous porém, escapa, prolongando a guerra, enquanto Anakin, Obi-Wan e Palpatine são obrigados a fazer um pouso de emergência com o cruzador arruinado em Coruscant.
Ao se reunir com Padmé, com quem se casou em segredo, Anakin descobre que ela está grávida. Inicialmente feliz com a notícia, o jovem Jedi logo começa a ter pesadelos premonitórios onde vê sua amada morrendo ao dar à luz.
Se o flerte com o lado sombrio já não era suficiente, então, de nada ajuda quando Palpatine indica Anakin para um lugar no Conselho Jedi, causando indignação entre os mestres, que oferecem o assento a Ani, mas não o tornam mestre.
Ao invés disso, Mace Windu (Samuel L. Jackson) pede a Obi-Wan que Anakin observe Palpatine, e seus recorrentes pedidos por mais poderes emergenciais.
Anakin, acossado por suas visões recorrentes da morte de Padmé, desgostoso com o Conselho Jedi que não confia plenamente nele, e embriagado pela adulação insidiosa de Palpatine, não tarde em revelar ao chanceler o pedido do Conselho.
Enquanto Obi-Wan é designado para viajar à Utapau à procura de Grievous, e Yoda parte para Kashyyk para dar suporta ao fronte wookie, Anakin é surpreendido pela notícia de que Palpatine é, na verdade, o lorde negro de Sith, Darth Sidious.
Se inicialmente Anakin tenta fazer o que é certo, reportando sua descoberta a Mace Windu, o jovem Jedi logo sucumbe ao medo, quando Palpatine, após ser derrotado por Windu em um combate que custa a vida de três outros mestres Jedi, garante ao rapaz que apenas ele pode ajudar Skywalker a salvar Padmé.
Anakin, em desespero, ataca Windu à traição, deixando o mestre Jedi à mercê de Sidious, que o mata, e acolhe seu novo discípulo, a quem nomeia Darth Vader.
Enquanto isso, em Utapau, Obi-Wan confronta o general Grievous, e derrota o ciborgue em combate singular (Como Obi-Wan vence todas as brigas que luta sozinho, só posso supôr que Anakin atrapalha ele...), apenas para, em seguida, ser atacado pelos clones ao lado que quem lutava.
Era a Ordem 66, o expurgo Jedi. Uma sugestão aplicada aos soldados clones, e comandada por Palpatine para que, à sua ordem, eles exterminassem os Jedi.
Um a um, os guerreiros que por mais de mil gerações defenderam a paz e ajustiça na galáxia tombaram ante a traição de Sidious.
Mas alguns escaparam, entre eles, Obi-Wan e Yoda.
Enquanto Palpatine enviava Anakin para pôr fim à guerra matando os líderes separatistas no planeta vulcânico Mustafar, Obi-Wan e Yoda descobriam a profundidade real da traição de Anakin ao ver as gravações do ex-Jedi exterminando as crianças aprendizes no templo da Ordem.
Com a ajuda do senador Bail Organa de Alderaan (Jimmy Smits), os dois mestres Jedi formulam um plano. Enquanto Obi-Wan irá deter Anakin, Yoda irá até o Senado para confrontar Sidious.
Enquanto Palpatine declara o golpe Jedi contra a República e a fundação do novíssimo Império galáctico, Obi-Wan procura Padmé perguntando sobre o paradeiro de Anakin, e conta a ela sobre o declínio do Jedi ao lado sombrio.
Em desespero, Padmé parte para encontrar Anakin sem saber que Obi-Wan está oculto em sua nave. Ao chegar lá, ela confronta o pai de seus filhos sobre sua traição, ao ver Obi-Wan, Anakin estrangula Padmé, que cai inconsciente.
Enquanto Anakin e Obi-Wan começam seu duelo definitivo em Mustafar, Yoda e Palpatine lutam no senado em Coruscant.
Enquanto a luta entre o mestre Jedi e o lorde Sith termina sem um vencedor, e com Palpatine fugindo, Obi-Wan desmembra Anakin e o deixa para perecer queimado em um rio de lava após derrotá-lo.
Mas Anakin sobrevive. Encontrado a tempo por Palpatine, e reconstruído com partes cibernéticas e um traje com suporte vital, ele finalmente se torna Darth Vader. E ao questionar Palpatine a respeito de Padmé, e descobrir que, em sua raiva, a teria matado, ele finalmente mergulha na escuridão do lado sombrio.
Enquanto isso, Yoda e Obi-Wan conseguem fazer o parto dos bebês gêmeos de Padmé antes que ela morra. Eles decidem separar as crianças para salvaguardá-las. Enquanto a menina, Leia, é adotada por Bail Organa, Obi-Wan leva o menino, Luke, a Tatooine, onde ele será criado por seus tios emprestados, Owen e Beru, sob a vigília do mestre Jedi, até que a oportunidade para voltar a desafiar o Império se apresente outra vez.
Como nos dois prequels anteriores, A Vingança dos Sith escorrega em diálogos mal-escritos e atuações preguiçosas e/ou ruins. George Lucas se ressentiu nos três filmes da falta de Lawrence Kazdan, e deixou bem claro que, se é um gênio na hora de montar e povoar um universo e edificar efeitos visuais, era um completo imbecil na hora de escrever duas linhas de diálogo quem fazê-las soarem como uma palestra ou um pastiche.
Por sorte, a Vingança dos Sith tem tantas sequências de ação e traça tantos paralelos com os filmes originais, em especial Uma Nova Esperança e O Retorno de Jedi, que fica quase impossível não se divertir com o filme e seus intermináveis duelos de sabre de luz.
Ainda que não seja comparável aos melhores filmes da franquia, em especial O Império Contra-Ataca, A Vingança dos Sith consegue superar seus problemas de roteiro e se perfilar a Uma Nova Esperança em termos de qualidade, e faz com que assistir aos prequels, não seja uma completa perda de tempo.

"-Você era o escolhido! Você deveria trazer equilíbrio à Força. Não jogá-la nas trevas!"

Resenha Filme: Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones


Após o balde de água fria que fora A Ameaça Fantasma, começou a surgir a expectativa do que poderia sair do Episódio II.
No início de Uma Nova Esperança, Leia, em sua mensagem a Obi-Wan, falava a respeito das Guerras Clônicas, onde o velho Jedi teria servido ao pai da princesa. Assim, todos esperavam que o filme fosse abarcar esse conflito legendário.
Não foi bem o que aconteceu.
Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones se passava 10 anos após os eventos de A Ameaça Fantasma. Obi-Wan (novamente Ewan Mcgregor) era um mestre Jedi, e Anakin (Hayden Christensen) era seu aprendiz padawan, a República Galáctica encontrava-se à beira da guerra civil com inúmeros sistemas planetários prontos para deixar a República em um movimento separatista.
Em meio à tensão resultante do ganho de força do movimento separatista, Padmé Amidala (Natalie Portman), agora uma senadora de Naboo, sofre um atentado do qual escapa por um triz. Com isso, Anakin é designado para protegê-la, enquanto Obi-Wan precisa partir em uma investigação própria para descobrir a origem das tentativas de matar a senadora.
Enquanto Anakin e Padmé viajam à Naboo para ocultar a senadora, Obi-Wan viaja até o planeta Kamino, lar dos maiores clonadores da galáxia, onde descobre que o mestre Jedi Sifo-Dyas encomendou, anos antes, um exército de clones para atender à república.
A base para o exército clone é o caçador de recompensas mandaloriano Jango Fett, casualmente o responsável por uma das mais recentes tentativas de matar Padmé.
Após uma breve luta com Obi-Wan, Jango foge, mas é perseguido pelo mestre Jedi até o planeta Geonosis.
Ao mesmo tempo, a proximidade constante reacende o amor juvenil de Anakin por Padmé. Não bastasse isso, o jovem e poderoso padawan é assombrado por pesadelos precognitivos que revelam sua mãe, Shmi, em grande perigo.
Incapaz de resistir aos sonhos premonitórios e a seu desejo por Padmé, Anakin parte, acompanhado da senadora, para Tatooine, onde pretende salvar sua mãe de qualquer que seja o doloroso destino ao qual ela está entregue.
Em Geonosis é revelado a Obi-Wan que o líder separatista é o Jedi renegado conde Dooku, ou, Darth Tyranus (Christopher Lee). Dooku trama ao lado do vice-rei da federação de comércio Nute Gunray para criar um novo e poderosíssimo exército dróide para colocar a República de joelhos.
Antevendo sua captura, Obi-Wan transmite as informações a Anakin, para que ele as repasse ao Conselho Jedi em Coruscant.
Anakin, porém, está em Tatooine, onde descobre que sua mãe foi libertada, e casou-se com um fazendeiro chamado Clieg Lars, com quem se casou até ser sequestrada pelos caçadores Tusken.
Anakin não demora a encontrar sua mãe sob o jugo do Povo da Areia, e a vê morrer em seus braços, enfraquecida após padecer nas mãos dos selvagens. Enfurecido, Anakin mata todos os membros da tribo até a última criança.
Após receber a mensagem de Obi-Wan e retransmiti-la ao conselho, Anakin e Padmé resolvem ir a Geonosis eles mesmos, para resgatar o mestre Jedi.
O plano falha, e logo os três estão amarrados a postes em uma arena onde terão de enfrentar bizarras criaturas para deleite dos separatistas e da população de alienígenas insetóides do planeta.
Isso leva a uma violenta batalha campal entre o infinito exército separatista e a ordem Jedi, uma batalha que culmina no duelo entre Obi-Wan e Anakin contra Tyranus, e escala para Tyranus contra Yoda.
Ao final do filme, os Jedi só escapam com vida da batalha graças à intervenção dos clones, que chegam no último instante para dar suporte aos mantenedores da paz e justiça, e dão início às Guerras Clônicas.
A ação de Episódio II era, sem sombra de dúvida, mais afiada do que a do filme anterior. O filme era repleto de batalhas e confrontos por todos os lados, mas isso não mascarou novos problemas com o roteiro.
O longa novamente dirigido e escrito por George Lucas se ressentia de diálogos melhor construídos. Os personagens cuspiam suas falas, invariavelmente expositivas, como se o longa fosse um manual de conspiração. A exceção cabia a Anakin e Padmé, não pelo talento dramático de Hayden Christensen (ele era péssimo.) e Natalie Portman, mas sim porque os diálogos dos dois consistiam apenas em vomitar todos os clichês possíveis e imagináveis para um romance proibido.
A trilha do casal, Across the Stars, composta por John Williams, porém, era linda, e dizia muito mais sobre amor do que as palavras de Lucas poderiam fazer.
Talvez parte do problema tenha sido a forma de Lucas para dirigir o filme. Quase inteiramente gravado sobre telas verdes, em muitas ocasiões havia apenas um ator sendo filmado num quarto azul, onde depois era inserido um cenário, iluminação e até coadjuvantes gerados inteiramente por computador.
A despeito de escantear quase por completo Jar Jar Binks, e entregar o papel de alívio cômico de volta à dobradinha C3-PO e R2-D2, alguns cenários inspirados, como o planeta dos clonadores Kamino, o filme ficou por aí. Não havia nem sequer uma sequência de esgrima de luz memorável como o clímax do filme anterior, e Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones se mostrou um projeto que faria mais uma fortuna, claro, mas que despertou sentimentos divididos na audiência e na crítica, que em geral, o considerou apenas mediano.
Um espetáculo cheio de som e fúria, significando nada.

"-Iniciada, a Guerra dos Clones está."