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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Resenha Série: Luke Cage, Temporada 2, Episódio 5: All Souled Out


Após ser intimado e informado de que está sendo processado por Cockroach, Luke aparece na presença do detestável advogado Ben Donovan (Danny Johnson) na companhia de seu próprio conselheiro legal:
Foggy Nelson (Elden Henson) em pessoa.
Eu preciso dizer, sinto muita falta de Demolidor, pra mim, segue sendo, disparado, a melhor série da Marvel/Netflix, seguida, com alguma distância, por O Justiceiro, se é pra ter três séries da Marvel por ano, deveria ser Demolidor e mais duas, então, gostei de ver Foggy no episódio. É exatamente esse tipo de coisa que faz valer a pena ter um universo compartilhado de personagens. Não precisar explicar o passado de Foggy e Donovan (advogado do Rei do Crime), ou porque Foggy sugere a Luke que utilize uma máscara para combater o crime...
De qualquer forma, Luke acaba descobrindo que, se for ao tribunal, provavelmente será pitado como um vigilante brutal que age fora da lei, tem problemas de temperamento e é capaz de arremessar um Fusca.
Isso lhe deixa com a opção de fazer um acordo financeiro com Cockroach, no valor de cem mil dólares.
Para levantar essa quantia, Luke pensa em aceitar o patrocínio da Nike aventado por Bobby Fish, e que não é mais uma opção após a surra que Luke levou de Bushmaster ser mostrada pro mundo inteiro, em jogar futebol americano, o que ele descobre não ser possível, já que seus poderes não são naturais (o que me fez pensar que, após a fusão entre Disney e Marvel poderemos ter mutantes nos esportes do MCU?), e até em participar de uma série documental estilo Bear Grylls onde ele seria levado pra enfrentar animais selvagens. Com isso, Luke resolve seguir o conselho de Foggy e aceitar participar de festas e eventos por dinheiro.
Seu primeiro cliente? Raymond "Piranha" Jones.
O banqueiro de Black Mariah e Shades está comemorando a fortuna que está levantando após a fusão da Atreus Plastics, e se dispõe a pagar cento e cinquenta mil dólares a Luke pela presença do herói do Harlem em sua festa.
Aqui, há que se destacar que as presenças de Chez Lamar Shepherd e Elden Henson no episódio trouxe uma leveza extremamente bem-vinda à série, especialmente na sequência da festa. O jeitão de de vendedor de carros usados de Piranha e a calma nerd de Foggy balanceiam bem a fachada estoica de Luke, e eu francamente acho que a série poderia se valer muito de mais interações como essa em seus episódios vindouros. Seria pedir demais que Piranha se tornasse o Leo Getz de Luke Cage?
Enfim, enquanto Luke curte um bico como Herói de Aluguel (êêêêêêêê, finalmente!!!), Misty voltou a ter alguma coisa de interessante para oferecer.
Além de finalmente ganhar seu braço-mecânico, algo pelo qual os fãs provavelmente estavam esperando desde que ela levou um tiro no braço na primeira temporada, a detetive Knight teve uma boa série de cenas de flashback mostrando sua relação com o detetive Rafel Scarfe (Frank Whaley).
As sequências em questão mostraram uma boa mistura dos bons momentos que ela viveu tendo Scarfe como seu parceiro e amigo, ao mesmo tempo em que deixou claro o quanto o fato de Scarfe ser um policial corrupto foi danoso para ela. Esse conflito bastante humano também é uma coisa da qual a série poderia se servir mais.
Enquanto isso, tivemos um bocado de Mariah, Comanche e Shades. O segmento do trio de criminosos talvez tenha tanto tempero por sua imprevisibilidade. Enquanto nós sabemos que Luke vai ficar bem, não apenas porque sua pele é impenetrável, mas também porque ele é o protagonista do programa, o pessoal do Harlem's Paradise está meio que por conta própria. No sétimo episódio qualquer um deles pode ser arremessado de uma janela, apunhalado, baleado ou esmagado. Há muita coisa em jogo para esses personagens, e as coisas podem seguir qualquer direção. Bushmaster pode entrar por uma janela e decapitar Mariah como ele fez com um bocado de gente nesse capítulo.
De qualquer forma, Luke Cage ainda não alcançou os melhores momentos de sua primeira temporada, tampouco chega perto de Demolidor, mas ao menos parece ter encontrado consistência. Após um vagaroso quarto episódio, a série deu mais uma acelerada. Esperemos que continue acelerando, aou, pelo menos, se mantenha assim.

"-Sempre haverá sangue nas ruas."

Resenha Série: Luke Cage, Temporada 2, Episódio 4: I Get Physical


Após estabelecer que Luke Cage se tornou mais poderoso do que antes nos primeiros episódios da nova temporada, a série inicia seu quarto capítulo com o protagonista levando uma coça daquelas.
Tão previsível quanto o fato de que a bandidagem continuará atirando em Luke independente de ser público e notório que o sujeito é à prova de balas, é o fato de que o vilão da vez pode bater em Cage, não importa o quão forte ele seja.
OK, é legal que o herói da série encare desafios, mas talvez fosse mais interessante se os desafios não fossem sempre armas com munição perfurante ou sujeitos capazes de surrar um cara praticamente invulnerável... De qualquer forma, o fato de Bushmaster ser capaz de nocautear Luke mesmo após o upgrade de sua força e invulnerabilidade, nos leva a crer que, se o bandido jamaicano tivesse aparecido na temporada passada, ele provavelmente teria matado o herói do Harlem de tanta pancada.
Outro ponto igualmente previsível e algo preguiçoso da série é a forma como Misty Knight trata seu trabalho. Eu já havia falado sobre a completa falta de profissionalismo e respeito pela hierarquia que a detetive demonstra desde que voltou à ativa, e é impressionante que ela siga, não apenas repetindo os mesmos erros, mas também sendo incoerente.
Ela e Luke vão juntos até o armazém onde Cage conheceu Bushmaster no Brooklyn, nesse momento, Misty não está preocupada com a legalidade da situação. Ter um civil aprimorado consigo está OK até que eles encontrem o cadáver decapitado de Nigel, aí, ela não pode deixar Luke ir embora de fininho porque seria ilegal...
Misty, Misty, Misty... Tu foi a melhor coisa da primeira temporada da série, não se torne um acessório irritante e preguiçoso de roteiro tão rápido, por favor.
Falando em acessórios irritantes, Claire, após o chilique de Luke no capítulo anterior, fez as malas e se mandou de Nova York pra visitar sua abuelita em Havana. Isso, somado à ida de Bobby Fish para San Diego para cuidar da filha doente, deixa Luke contando apenas com Misty Knight e seu deturpado senso de legalidade para encarar a guerra de gangues que se avizinha.
Quem poderia ser uma nova aliada é Tilda Dillard. A filha de Black Mariah é visitada por Luke, e até ajuda o protagonista a se livrar dos efeitos de uma concussão com um preparado fitoterápico que é tão fictício que até funciona.
É difícil, porém, ter certeza de quais são as intenções de Tilda para com Luke. As intenções e disposições da personagem ainda são misteriosas, e eu não colocaria minha mão no fogo por ela.
Quem continua sendo interessante nesse começo da série são justamente Shades e Mariah.
Os dois personagens têm a linha narrativa melhor definida e as preocupações mais palpáveis. Shades continua sem confiar plenamente em Piranha Jones (Chaz Lamar Shepherd), o banqueiro de investimentos que controla todo o patrimônio do casal, e, pra ser franco, só de olhar para Piranha Jones, eu entendo ele totalmente.
A melhor cena do episódio foi, sem dúvida, o encontro entre Mariah e Bushmaster. A conversa dos dois, a respeito da construção do Harlem's Paradise e a receita do rum Bushmaster teve todos os ingredientes de uma boa confrontação de inimigos jurados. Impressionante como a série mantém seus vilões personagens com motivações mais interessantes do que seu protagonista. Tomara que Cheo Hodari Coker não repita o erro de matar um dos melhores personagens no sétimo episódio a exemplo do que aconteceu com Boca de Algodão na primeira temporada.
Enfim, o capítulo se encerrou com complicadores no horizonte de Luke. O herói foi intimado em um processo movido por Cockroach por conta do ataque de Luke. Ainda tivemos o primeiro vislumbre do braço robô de Misty (que não é criação da Stark Enterprises, mas da Rand Industries), além da revelação de que o amigo de Shades, Comanche (Thomas Q. Jones) é um informante da polícia a serviço do capitão Ridenhour (Peter Jay Fernandez), isso, somado à revelação de que a hostess Billie (a lindona Tarah Rodgers) também é uma informante, mas a serviço de Bushmaster, transformou o Harlem's Paradise em um ninho de ratos.
Após três episódios com ritmo promissor, a série pisou no freio pra garantir que a audiência sentisse o peso da queda de Luke Cage. Após digerir isso, resta esperar pra ver como a coisa toda vai se desenrolar daí pra frente.

"-Todo mundo adora ver um rei cair..."

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Resenha Série: Luke Cage, Temporada 2, Episódio 3: Wig Out


Atenção para os spoilers!
O terceiro episódio da temporada de Luke Cage resolveu dar uma acelerada nas coisas tanto no quesito drama, quanto na ação.
Após espicaçar Cockroach na porrada, Luke precisou chamar Claire pra manter o bandido vivo. Obviamente a enfermeira não ficou satisfeita tanto com a violência do ataque de Luke ao criminoso quanto com seus pedidos de segredo a respeito de sua intervenção.
Após um breve sermão, Claire chama uma ambulância para Cockroach, e Misty para Luke.
Apesar de a detetive não prender Cage, fica claro que a relação entre o herói do Harlem e a enfermeira noturna não vai bem. Após um par de discussões, Luke grita com Claire e esmurra um buraco na parede do apartamento dela.
Apesar de entender a necessidade de colocar um pouco de drama na mistura, me parece que apenas dois episódios é muito pouco tempo pra fazer Luke ir de sujeito cuca-fresca e boa-gente a vigilante violento e namorado abusivo.
Por mais que a fama e o poder possam subir à cabeça de qualquer pessoa, é difícil não considerar estranho que, de repente, Luke tenha toda essa raiva fervendo dentro de si.
De qualquer forma, ao menos essa raiva serviu pra embalar uma boa sequência de luta entre Luke e os capangas de Bushmaster (não. Eu não vou chamá-lo de Surucucu e nem de "Cobra Mestra"), embora, eu não possa deixar de me perguntar por que, à essa altura do campeonato, as pessoas seguem dando tiros em Luke Cage... Será possível que os bandidos de Nova York ainda não tenham entendido que não adianta?
Uma cena envolvendo uma granada, porém, é bem bacana. Com direito, até, a uma expressão de dúvida na cara de Cage antes de o artefato explodir.
Enquanto Luke estava distribuindo porrada e destruindo seu relacionamento, Misty estava destruindo sua carreira.
Na primeira temporada da série, em diversas ocasiões, Simone Missick carregou o programa nas costas. Sua linha narrativa era dinâmica e, por vezes, mais interessante do que a de Luke, por isso é um pouco desapontador ver a personagem fazendo tanta bobagem.
Por mais que a audiência consiga entender que Misty conhece as intenções de Luke como herói, e que ela seja uma veterana condecorada da polícia, fica difícil conceber que uma detetive experiente fosse fazer besteira o bastante pra ser rebaixada à bedel de escola dias depois de ser reintegrada à força. A quantidade de atos impensados e insubordinações puras dela são de amargar.
Por sorte as neuras da personagem, que tem, provavelmente, o arco mais sem-graça até aqui, garantiram uma excelente participação especial:
Colleen Wing (Jessica Henwick), a melhor parte de Punho de Ferro deu as caras em uma divertida sequência de pancadaria em um bar evocando As Filhas do Dragão dos quadrinhos e mostrando que:
A) Jessica Henwick merecia uma série melhor, e B) que eu quero muito me casar com ela.
Enquanto os heróis patinam, a bandidagem manda bem.
Mariah Dillard e Shades seguem com uma boa linha narrativa. O segmento do estranho casal de vilões é um ótimo drama criminal, e poderia render, por conta própria, uma boa série. A dinâmica de Theo Rossi e Alfre Woodard é divertida e cheia de uma química insuspeita. A forma como a balança de poder dos dois oscila é sempre dinâmica e as cenas dos dois jamais parecem encheção de linguiça.
O encerramento do capítulo, com um novo encontro entre Luke e Bushmaster, agora com o vilão carregado de energia graças às suas ervas (É. O jamaicano se recarrega com ervas. Enfim...), promete dar uma sacudida na arrogância que parecia ter tomado conta do protagonista após o recente aumento de seu poder.
Outro momento digno de nota no episódio foi a interação entre Claire e James Lucas, onde pudemos ver um lado totalmente diferente do pastor demonizado por Luke. Na cena, o pai do protagonista parece um homem gentil e até divertido, bem diferente da carranca que usa ao tratar com seu filho.
Enfim, Wig Out se destacou em diversos aspectos dos demais capítulos da temporada até aqui, e, apesar de alguns tropeços, mostrou que o segundo ano de Luke Cage, tem potencial de melhora.
Vamos esperar pra ver...

"-Você sabe quem eu sou?
-Você é Luke Cage. Se acha mais rápido que Usain Bolt.
-Eu nunca disse isso..."

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Vantagem


Ela e ele, deitados lado a lado no sofá.
Estavam espremidos, os dois, mesmo ela sendo bem pequenininha. Ele não se importava. Ficar espremido com ela significava que eles estavam totalmente em contato, corpos colados dos pés à cabeça. Ou ao menos que ele estava em contato com ela, inteira. Ela, por sua vez, ficava lhe devendo uns trinta centímetros de diferença.
Ele comentou isso. Que era mais vantajoso pra ele ter ela assim, colada em si, do que para ela, por conta da diferença de altura.
-Trinta centímetros de vantagem pra mim. - Ele sorriu.
Ela suspirou e resmungou:
-Mais, até... Eu estou encolhendo com a idade...
Ele riu da ideia:
-Como assim, "encolhendo"? - Quis saber, divertido.
-Eu estou. Tô te falando. Minhas roupas estão ficando mais compridas... Meus sapatos estão largos... Eu tô encolhendo.
Ele riu, abraçado nela:
-Tu tá é ficando mais assanhada, por isso as roupas parecem compridas. Tu *gostaria* que elas estivessem mais curtas pra tu poder mostrar mais as pernas. - Ele disse, enfatizando o "gostaria".
Ela não respondeu à maldosa provocação. Continuou:
-E meus sapatos? - Perguntou.
-Estão velhos e alargaram. "You need new clothes". - Ele disse, imitando o Chandler, de Friends, em um episódio onde Monica menciona sutiãs rasgados e calças manchadas.
Ela riu, mas ficou séria novamente, e, colocando a mão pra trás para tocar no rosto dele disse:
-Eu não sou mais aquela guria de vinte e poucos anos que tu conheceu... Eu tenho rugas...-
Ele a interrompeu:
-Rugas? Onde?
Ela não especificou:
-Eu tenho... Ruga... Cabelo branco... E tô encolhendo. Tu ainda vai querer ficar comigo quando eu for uma velhinha pequena?
Ele riu de novo. Estava, de fato, se divertindo, senão com a conversa, com os termos que ela usava. Ela continuou, muito solene:
-Eu sei que tu te apaixonou por mim por quem eu era em meu interior, mas-
Ele interrompeu de novo:
-Não. Não, foi. Lamento a franqueza, mas a verdade é que se fosse só teu interior, nós seríamos apenas melhores amigos, e pronto. Eu sou raso assim. Eu não me apaixonei só pela tua mente e o teu coração, eu me apaixonei pelo conjunto todo. Não teria, provavelmente, me apaixonado só pelas tuas pernas, pelo teu rosto, mãos e ombros... Não. Mas... Olha, tu te lembra de mim, lá atrás, quando já estávamos juntos, secando teu decote e olhando a tua bunda...
-Eu lembro... - Ela disse, rindo.
-Pois é. Era a coisa toda. Nunca foi só uma parte. Foi o conjunto. A coisa toda, junta e misturada.
Ela sorriu, virando a cabeça, e ele também fez uma contorção para conseguir beijá-la. No meio do beijo, porém, ela estacou, descolando seus lábios dos dele:
-Mas peraí! - Ela disse -Isso quer dizer que, comigo ficando velha e feia, tu não vai me amar pra sempre!
Ele parou de sorrir e respondeu:
-É... Eu não vou te amar pra sempre. Eu já te amo pra sempre.

Resenha Série: Luke Cage, Temporada 2, Episódio 2: Straighten It Out


Atenção! Pode haver spoilers!
O primeiro capítulo da nova temporada de Luke Cage terminou com o herói do Harlem dando risada na cara de uma bala Judas, tu sabe, aquelas que meio que matavam ele dois anos atrás.
Luke foi explodido e baleado com a bala assassina, mas não ficou sequer arranhado, ainda fez pose para o seu relações públicas, D.W. (Jeremiah Craft) e prendeu Arturo Rey (Otto Sanchez), tudo isso fez Luke perceber que ele está mais indestrutível e forte do que antes.
Claire tem a teoria de que o banho químico que ela deu nele para salvá-lo na primeira temporada pode ter reforçado as conchas de abalone da pele impenetrável de Luke, e quer testá-lo.
Essa é a deixa para uma montagem de treino com algumas personalidades esportivas que devem ser importantes nos EUA mas que eu não conheço, mostrando Luke correndo, saltando, jogando pneus bem pesados à grandes distâncias...
Eu cresci nos anos 80, então sei admirar uma boa "training montage", mas a verdade é que o "teste" de Luke foi bem meia-boca. Todo mundo sabe que Luke consegue jogar coisas longe, praticamente todas as cenas de ação de Jessica Jones envolvem ela jogando coisas ou pessoas longe, e Luke, ao menos em teoria, é mais forte que ela. Não seria legal ter visto quanto peso Luke consegue erguer antes de sentir dor nos joelhos? Que tipo de impacto é necessário pra tirar ele do lugar? Que temperatura até ele começar a sentir uma queimadura?
Enfim, nós descobrimos que ele pode arremessar um pneu de 200 quilos através de um campo, saltar três metros além do recorde mundial de salto em distância e correr mais rápido de Usain Bolt, sem saber quanto ele podia arremessar, saltar ou correr antes, mas enfim...
Enquanto Luke tira selfies e mais ou menos testa seus super-poderes, Shades e Mariah veem os planos de se tornarem limpos serem atrasados pela prisão de Arturo.
Shades, que não via Arturo como a melhor opção de comprador para as armas Hammer, aproveita o desrespeito de El Tercero, e o mata, reduzindo a lista de potenciais interessados na mercadoria que ele e Mariah têm para negociar.
Aliás, é difícil não supôr que Shades está tramando contra os planos de Mariah. Assistindo Straighten It Out eu tive a nítida impressão de que a bala Judas que ele ofereceu a Arturo era sabotada. O ex-capanga de Cascavel já deixou claro que não vê com tanto entusiasmo a ideia de Mariah de se tornar uma empresária legítima, e eu não me surpreenderia se ele desse um golpe em algum momento da trama...
Falando em Mariah e em golpes, a ex-vereadora parece decidida a retomar sua carreira política e, seguindo a orientação de uma marketeira, resolve se reaproximar de uma filha de que nunca ouvíramos falar, Tilda Dillard (Gabrielle Dennis), médica que toca uma loja de produtos fitoterápicos...
Mariah não é a única genitora tentando se reaproximar de sua prole, porém. James Lucas volta a tentar falar com Luke, e novamente é rechaçado pelo filho.
Isso leva Luke a ter uma discussão com Claire a respeito da família. O casal têm problemas no tocante a esse assunto, e, devo confessar, eu também tenho um pouco. Problemas familiares do tipo "meu pai não me entende" à essa altura do campeonato, especialmente após ter suportado uma temporada inteira de Jessica Jones baseada na mesma premissa e com Demolidor surgindo (com sorte) no final do ano sugerindo que a Ma~e de Matt pode estar de volta... É drama familiar demais pra séries de super-heróis...
De qualquer forma, o novo vilão da vez, Bushmaster, aparece cuspindo balas. Pra fora do próprio peito.
O bandidão jamaicano não é tão à prova de balas quanto Luke, e após ouvir falar sobre Luke Cage, parece tão decidido a derrubar o herói do Harlem quanto Mariah Dillard. Para isso, porém, ele parece precisar de um composto de ervas chamado "Sombra da Noite", que supostamente é a fonte de suas habilidades. Um jamaicano ganhando super-poderes graças a erva? Soa como uma piada ruim, mas vejamos. Pouco vimos de Bushmaster até o momento, e, pelo pouco que vimos, ele é um personagem consideravelmente menos interessante do que Cornell era, mas parece menos exagerado e caricato do que Willys Striker.
O episódio se encerra com Luke rastreando e encontrando Cockroach (Dorian Missick), que ataca o vigilante do Harlem com a característica espingarda de seis canos dos quadrinhos, e leva uma surra homérica diante dos olhares assustados da família do bandido, mostrando que toda a situação, da pressão de ser uma celebridade quebrada de grana, até a reaproximação do pai e os atritos com Claire, podem estar afetando Luke mais do que ele poderia supôr.
Após o começo seguindo a cartilha, o segundo episódio de Luke Cage cobriu um bom terreno em menos de uma hora de capítulo. Ainda houve tempo para mostrar Misty lutando pra se reintegrar à polícia após seu gravíssimo ferimento, e Claire atendendo a um sermão do pastor Lucas.
Longe de empolgar, ao menos Straighten It Out mostrou um pouco de intenção.
Que seja boa.

"-Você quer um pouco disso?
-Eu quero."

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Resenha Série: Luke Cage, Temporada 2, Episódio 1: Soul Brother #1


A primeira temporada de Luke Cage fora irregular.
O herói de pele impenetrável era maneiro, socialmente relevante, e tinha um elenco bacana encabeçado por Mike Colter, com bons coadjuvantes, mas careceu de um grande antagonista.
Após matar Boca de Algodão o programa perdeu seu antagonista mais interessante, e, com um caricato Cascavel fazendo caretas pra câmera, perdeu muito de sua qualidade.
Ainda assim, após os eventos de Os Defensores, uma série igualmente irregular, Carl Lucas estava pronto pra voltar pra casa.
A segunda temporada de Luke Cage começa exatamente de onde Os Defensores havia parado, assumindo que a audiência acompanhou a última incursão do herói do Harlem na Netflix, e retomando daí.
Agora uma celebridade no bairro, Cage segue lutando contra a injustiça de forma microscópica, tentando fazer a diferença em uma vizinhança. Sua popularidade aumentou tanto que há papelotes de heroína sendo vendidas nas ruas com seu nome estampado, e o correto Luke obviamente odeia essa ideia.
Ao mesmo tempo em que tenta descobrir a origem dessas drogas, Luke precisa lidar com o lado negativo da fama. Todos o conhecem. Todos querem saber o que ele faz. Logo, não há nada comparado a uma vida tranquila em seu futuro imediato, e no daqueles que o cercam.
Isso significa, principalmente, Claire Temple (Rosario Dawson), Bobby Fish (Ron Cephas Jones) e Misty Knight (Simone Missick).
Enquanto Claire tenta mostrar a Luke que não é apenas sua mulher, mas também seu apoio, e Bobby tenta convencer Luke a aceitar pagamento por seus serviços, Misty parece ter superado o trauma da perda de seu braço, e estar pronta para resolver a bagunça que a exposição de Scarfe como um policial corrupto causou, com dezenas de condenações de casos de seu ex-parceiro sendo canceladas.
Não são apenas os aliados de Luke que retornaram, porém...
Mariah (Alfre Woodard) e Shades (Theo Rossi) estão de volta, e, aparentemente, dispostos a limparem seus negócios. A ideia da herdeira de Mama Mabel é legitimar tudo, deixando de lado a necessidade de lavar dinheiro no Harlem's Paradise. Shades, por sua vez, não parece tão convencido, o amante e confidente de Mariah quer espremer a coisa toda para conseguir o máximo de dinheiro possível com os negócios da família Stokes.
E, pra fechar os retornos, James Lucas (o falecido Reg. E. Cathey) pai de Luke (que eu achava que estava morto...) ressurge na vida do filho sabe Deus por que.
Enquanto Luke corre com sua investigação sobre a origem da heroína com seu nome, e Mariah e Shades leiloam o armamento Hammer em seu poder, um novo jogador surge no tabuleiro.
John McIver, o Bushmaster (traduzido como "Cobra Mestra" porque "Surucucu" provavelmente não era um nome maneiro pra um vilão...).
O chefão jamaicano interpretado por Mustafa Shakir aparece com sede do sangue dos Stokes e mostrando que Luke Cage não é mais o único homem à prova de balas do Harlem.
O primeiro capítulo da segunda temporada de Luke Cage começou de maneira convencional. Passeando pelo momento atual dos personagens remanescentes e apresentando algumas caras novas o episódio jogou na segurança. Se a apresentação de Bushmaster foi OK, a chegada de James Lucas à trama pareceu um pouco com um tiro no pé. Por melhor ator que Reg E. Cathey seja, já não tivemos (e temos) drama familiar o suficiente em Luke Cage?
Muito mais interessante seria centrar fogo no conflito do protagonista a respeito de tentar lucrar com sua condição de herói no Harlem. De qualquer forma, foi apenas o primeiro episódio, e ainda há quase doze horas de Luke Cage pela frente.
A propósito: A melhor sacada do capítulo? A cena de amor entre Luke e Claire ao som de Night Nurse.

"-Qual é o meu nome?"

Presque Parfait...?


Tudo correu tranquilamente. Sem percalços ou mazelas.
Tudo como deveria ser... ?
Mas era?
Era assim que era pra ser?
Ou era pra ter sido diferente?
Era pra ter tido... Sei lá. Mais drama... Uma sogra de cara amarrada... O noivo com um sabre de luz pendurado na cintura... Não... Não depois de Os Últimos Jedi...
Uma noiva sorrindo muito! ... Nah. Isso definitivamente não faltou. Te conhecendo... Certamente aconteceu, pessoa de sorriso fácil.
O que pode ter faltado... Um quarteto de cordas tocando By Your Side? Ou isso seria brega demais não importa o contexto?
Faltou um raio na cabeça do noivo? Não... Não poderia ter desejado isso.
Ou poderia...? Um pouquinho só, talvez... Não. Melhor, não.
Faltou, então... Completude?
Seria isso o que faltou?
Eu não vou mentir. Me agrada que tenha te faltado algo. Me agrada porque eu senti um eco de amargor na minha língua toda a vez que te procurei e achei que tu estavas demasiado feliz...
Desculpe a franqueza.
Deve ser porque eu estou funcional, estou bem, mas "feliz" é um pouco de exagero.
Então é por isso que saber que te faço falta, me traz satisfação. É baixeza de minha parte, admito. Mas traz.
Entender que tu te sente como eu me sinto... É mais uma coisa que me acalenta.
Por mais que não tenha havido um penetra dizendo um "eu te amo" definitivo de última hora... Um "encontre-me em Montauk" num providencial último segundo... Não houve chegada de última hora quando o padre dizia "fale agora ou cale-se para sempre", ou moça bonita correndo de vestido de noiva pela rua que nem a Mary Jane em Homem-Aranha 2.
Não teve nada disso.
Tudo correu perfeitamente. Sem percalços nem mazelas.
Tudo conforme o figurino.
Seguro e tranquilo...
Como deveria ser...
Não é?
Tudo bem. Um dia a gente vai se encontrar de novo. Eu não vou à parte alguma.