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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Top 10 Negativo: 2011




Bons filmes surgiram nas salas de cinema desse ano, meus dez favoritos estão na lista da postagem anterior, mas, não há ano que acabe sem que haja a temida lista dos dez piores filmes dos últimos 365 dias.
Valem pra lista dos piores o mesmo critério que existe pra lista dos melhores, além disso, é preferível laurear filmes que tinham algum hype. As Crespusculetes podem ficar tranquilas, não vejo mais essas bombas, então, vampiremos, caipiras virgens e lassiesomens estão fora da lista.
Vejamos, pois, o pior das salas de cinema no ano que vai acabar:

10° - Transformers 3 - O lado oculto da Lua

Eu adoro a série Transformers, mesmo o contestado segundo longa me agradava. Lá estava tudo o que eu queria ver, ação descerebrada e Megan Fox entre piadinhas infames. Transformers é um tremendo guilty pleasure. Mesmo esse terceiro capítulo tem seu valor, entretanto não deu pra aliviar o lado do povo de Cybertron. A terceira inclusão dos comandados de Optimus Prime ao cinema é um samba do robô gigante doido repleto de equívocos e que só não é perda total por que os robôs gigantes são perfeitos e a pancadaria é extremamente qualificada.
Péssimo roteiro, clichês pró-militarização, grandes atores relegados a pontas de luxo, e SEM MEGAN FOX????!!!!!
Não, Michael Bay, aí já é forçar a amizade.

9° - As Viagens de Gulliver

Jack Black é um dos sujeitos mais engraçados do cinema contemporâneo, mas nem ele salva essa equivocada adaptação do romance de Jonathan Swift. Na modernização da história Lemuel Gulliver vira um jornalista frustrado que só quer saber de impressionar a chefe, ele viaja ao Triangulo das Bermudas e pronto, acorda na areia sendo amarrado pelos Lilliputianos.
Cheio de trocadilhos sem graça a respeito de tamanho, com efeitos visuais capengas e trama bobinha, As Viagens de Gulliver não vale nem o dinheiro da locação.
Você estava melhor em Os Muppets, Jack.

8° - Caça as Bruxas

Nicolas Cage está falido. Ele levou um golpe milionário do contador e a sua situação ficou tão apertada que ele teve até que vender parte de sua coleção de gibis. Quem coleciona gibis sabe o tipo de dor que Nick sentiu tendo que fazer isso.
Pior do que vender sua coleção de gibis foi ser obrigado a aceitar qualquer proposta de emprego. Só isso explica coisas como Caça as Bruxas. Medonha mistura de gêneros onde Cage é um cavaleiro cruzado desertor que junto com seu companheiro Felton (O Hellboy Ron Pearlman) é coagido a escoltar uma menina acusada de bruxaria até um mosteiro onde será julgada.
Efeitos especiais medonhos, trama xaropona, e bom elenco subaproveitado escorraçam esse filme pro rodapé da filmografia de Nick.

7° - Esposa de Mentirinha

O que há de errado com esse filme em uma palavra?
Adam.
Em duas?
Adam Sandler.
O comediante não aprendeu nada em Tá Rindo do Quê, segue caminhando no rastro do seu personagem no filme de Judd Appatow e fazendo pseudocomédias medonhas e entregando qualquer resquício de decência em troca de suas mansões, carrões e o que quer mais que seja onde Sandler gasta sua grana.
Esposa de Mentirinha tem um dos piores plots dos filmes de Sandler, e estamos falando do sujeito que protagonizou Little Nick e A Herança de Mr. Deeds.
Pra piorar?
Ele tem um público muito fiel.

6° - A Árvore da Vida

Quem gostou do filme disse que quem não gostou não entendeu a genialidade da obra. Quem gostou disse que é um filme sobre a transitoriedade da vida e a dificuldade de se compreender o ato de estar vivo. Que desde a cena com o Big Bang Terrence Mallick mostra toda a sua capacidade de filmar a narrativa à sua maneira, e que os personagens á deriva na tela estão sugerindo à audiência uma pergunta:
Qual o sentido da vida?
Bueno, eu garanto que não é ver essa bomba. A fita pretenciosa, arrastada e pedante do bissexto Malick dura pouco mais de duas horas, mas parecem ser seis.
Nada acontece. Brad Pitt faz cara de Marlon Brando, Sean Penn faz cara de coitado, e quando tu pensa que vai acontecer algo, não acontece nada.
Mallick faz um filme a cada duzentos anos pra garantir que a gente esqueça como o último foi chato e faça a bobagem de lhe dar mais uma chance.

5° - Fúria Sobre Rodas

Nicolas Cage está falido. Ele levou um golpe milionário do contador e a sua situação ficou tão apertada que ele teve até que vender parte de sua coleção de gibis. Quem coleciona gibis sabe o tipo de dor que Nick sentiu tendo que fazer isso.
Pior do que vender sua coleção de gibis foi ser obrigado a aceitar qualquer proposta de emprego. Só isso explica coisas como Fúria Sobre Rodas.
Esse horroroso filme de aventura na estrada misturado com terror não encontra o tom em momento algum, a ação é mal feita, os personagens rasos, e a trama completamente sem sentido.
De bom só as pernocas da Amber Heard e a trilha sonora, cheia de boas músicas.
Esse nem na TV a cabo.

4° - O Turista

Angelina Jolie é extremamente sexy e já provou ser talentosa em mais de uma oportunidade. Johnny Depp viu sua carreira dar uma guinada após Piratas do Caribe, e de ator cult amiguinho de Tim Burton se transformou (merecidamente, ou não)em astro de primeira grandeza de Hollywood.
A união dos dois na tela só podia dar em um bom filme, certo?
Errado.
O Turista é previsível, chato e implausível. É totalmente idiota, cheio de clichês xaropões e a Angelina Jolie tem mais química comigo do que tem com Depp.

3° - Sucker Punch - O Mundo Surreal

Zach Snyder tentou alguma coisa aqui que não deu certo... Não foi o elenco, o time de gracinhas vestidas de colegiais armaduradas encabeçado por Emily Browning e Abbie Cornish funciona. As sequências de ação idem. Os efeitos especiais estilo "previsão do tempo" estão OK. O que está errado...? Talvez o fato de que cada uma das sequências de ação do longa parece uma versão reciclada de algum outro sucesso do cinema?
Ou o fato de o elenco de apoio, com alguns nomes reconhecíveis não ser aprovetado de maneira apropriada?
Ah... Já sei... Que tal o fato de o filme não fazer o menor sentido, e nem sequer disfarçar?
É... Pode ser por aí.

2° - Cowboys & Aliens

Parecia sonho de nerd, James Bond, Indiana Jones, Olivia Wilde, uma história de ficção científica passada no velho oeste, com vaqueiros e índios enfrentando alienígenas, tudo isso na mão de Jon Favreau, que realizou os divertidos filmes do Homem-de-Ferro.
Mas, o que era uma premissa curiosa e com potencial acabou num filme que até começa interessante, mas que descamba justamente quando acrescenta os aliens ao coquetel de mocinhos e bandidos que se desenhava no início do longa.
Cheio de reviravoltas inúteis e prejudicado por algumas ideias cretinas, Cowboys $ Aliens prometeu muito, e cumpriu quase nada.
Tremendo desperdício de potencial.

1° - Lanterna Verde

Esse ano não teve pra ninguém, Ryan Reynolds e Martin Campbell conseguiram mostrar que a Warner só acerta, mesmo, é com o Batman, ao esculachar o Lanterna Verde. O longa até tem seus pontos positivos, Mark Strong no papel de Sinestro, Geoffrey Rush como Tomar-Re e Michael Clarke Duncan como Kilowog e todo o núcleo de Oa são interessantes e mereciam mais tempo em cena. O problema, mesmo, foi o elenco humano, perdido e subaproveitado em um roteiro que, na ânsia de mostrar tudo o que o Lanterna podia ser, não mostrou nada a contento, e transformou o herói esmeralda em um naufrágio de bilheteria.
Bem-feito.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Top 10 Cinema: 2011




Mais um ano se encaminha a passos largos rumo ao fim, e, como é de hábito, o cinema foi uma das boas coisas que aconteceram no ano. Não posso fechar mais um ciclo miserento de 365 dias sem publicar na Casa do Capita o infâme Top 10, com os melhores filmes de 2011.
Lembrando, mais uma vez, apenas filmes que tenham sido lançados no Brasil ao longo do ano em cinema, DVD, BR disc ou na TV a cabo, e, claro, que eu tenha assistido. Isso exclui potenciais estrelas como Amor a Toda a Prova e Um Conto Chinês, que, infelizmente, não deu pra eu assistir. Vamos, então, aos dez eleitos do ano:

10° - Missão Madrinha de Casamento

Confesso que relutei um pouco em colocar a comédia de Kirsten Wiig, Paul Feig e Judd Apatow na lista. Houveram bons filmes "sérios" que poderiam estar aqui, mas achei que a comédia que mais me arrancou risadas nesse ano merecia figurar na lista.
No filme vemos como Annie (Wiig) perde as estribeiras enquanto tenta conciliar o fracasso de sua vida afetiva e profissional com a missão de organizar a despedida de solteira e a festa de casamento da melhor amiga Lillian (Maya Rudolph), que está sendo seduzida pelo bom-gosto e graça de Helen (Rose Byrne), esposa do chefe do noivo que a adota como protegida e tenta puxar o tapete da protagonista.
Os momentos constrangedores (o chilique de Annie no Chá de Panela organizado por Helen é de deixar o espectador sem ar.), o elenco de apoio ótimo e a subversão de algumas das convenções mais chatas das comédias românticas garantem o espaço ds Damas de Honra na lista.

9° - Missão: Impossível - Protocolo Fantasma

Ethan Hunt (Tom Cruise) volta às telonas na quarta aventura da franquia para limpar o nome da MIF após sua equipe ser acusada de uma explosão no Kremlin.
Preso a uma equipe que não selecionou, Hunt precisa encontrar o verdadeiro autor do atentado e impedir que ele dispare uma ogiva nuclear contra os EUA dando início à Terceira Guerra Mundial, tudo isso sem o apoio financeiro logístico e técnico da IMF.
O diretor Brad Bird acaba com o show de um homem só de Tom Cruise, tornando todos os agentes da equipe essenciais ao sucesso da missão. Além disso, acrescenta um pouco de humor à franquia, garantindo que M:I não incorra no erro de se levar a sério demais, o que poderia ser trágico para um filme que transita no limiar do absurdo, e entrega um dos melhores exemplares do cinemão de ação do ano.

8° - Contra o Tempo

A ficção científica de Duncan Jones não chega a ser um filme acima de críticas, pelo contrário, pequenas incongruências no roteiro podem até incomodar físicos especialistas na teoria das super cordas e jogadores de Assassin's Creed, além de um ou outro furo que pode perturbar ao espectador mais atento. Porém não se pode fechar os olhos para as qualidades do longa, onde o capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) é forçado a reviver uma devastadora explosão de um trem de passageiros nos arredores de Chicago até descobrir uma pista que leve até o terrorista responsável pela tragédia.
Ao mesmo tempo Stevens tenta entender como chegou até a cápsula onde recebe as orientações da oficial Goodwin (Vera Farmiga), porém, a reposta pode ser terrível.
Evocando características de clássicos como O Feitiço do Tempo e RoboCop, Contra o Tempo é um thriller de ficção científica dos mais competentes, deixando a gente na ponta da cadeira e roendo as unhas em vários momentos.

7° - Um Novo Despertar

Jodie Foster e Mel Gibson se juntaram novamente após o divertido Maverick pra contar a desventura de Walter Black, executivo madíocre e homem em profunda depressão que, após uma tentativa frustrada de suicídio encontra uma nova forma de viver através do fantoche de castor que encontra numa lixeira.
Contando ainda com Anton Yelchin e Jennifer Lawrence o longa dirigido por Foster narra com leveza e tranquilidade o momento mais atribulado da vida dos personagens sem tomar partido, e usando o show de atuação de Gibson e Yelchin para contar uma bonita história de busca por redenção.

6° - Super 8

Foi como se eu entrasse em um De'Lorean e voltasse à década de 80, quando os filmes da Amblin enchiam meus olhos de espetáculo e minha mente infantil de ideias fabulosas para brincadeiras que durariam a semana inteira.
Foi essa a sensação que tive ao assistir a joint venture de J. J. Abrams e Steven Spielberg ressucitando os filmes de temática e elenco infanto-juvenil do porte de Os Goonies, Os Heróis Não Têm Idade e Conta Comigo.
Os piás de Super 8, que ao fazer um filme caseiro de zumbis esbarram com um visitante de outro mundo após um (espetacular)acidente de trem, tinha todos os elementos que me fizeram ser um guri sonhador na infância. A aventura, a tensão, a comédia e as descobertas do amor, do afeto e da coragem.
ótimo elenco infantil despertando o fedelho faceiro que vive dentro de cada um de nós.

5° - Meia-Noite em Paris

Difícil não se encantar com a fábula de Woddy Allen e seu Gil Pendler(Owen Wilson), que viaja à Cidade Luz dos anos vinte para conhecer seus ídolos e aprender que inadequação e insegurança não são fenômenos intrínsecos ao século XXI enquanto o diretor monta uma ode à toda a forma de arte.
O elencão de primeira, a história surreal de um homem que não se sentia confortável no seu próprio tempo, o cenário magnífico da capital francesa e a direção sempre competente de Allen se juntam e formam o filme mais doce do ano, e, melhor, que ainda tem suas pontadas de acidez pra evitar o coma diabético.

4° - Cisne Negro

Dareen Aronofsky e seu conto sombrio e perturbador sobre a bailarina Nina (Natalie Portman, ótima) e como ela vergou sob a pressão de agradar a todos que a cercavam.
Perfeita para ser o Cisne Branco, Nina é absorvida por um buraco negro de loucura conforme tenta, a qualquer custo, se tornar o Cisne Negro.
Sem pressa Aronofsky conduz a platéia pelo labirinto que transforma a doce Nina em uma mulher perturbada e á beira da loucura.
Não bastasse tudo isso, ainda há uma cena de sexo entre Portman e Mila Kunis. Tinha como ser melhor?

3° - Bravura Indômita

Eu sei, outro filme de 2010, verdade, mas só estreou por aqui em 2011, assisti em Janeiro, fazer o quê? Não posso deixar de listar o tremendo faroeste dos irmãos Cohen na lista de melhores. Na história da menina Mattie Ross (Hailee Steinfeld, excepcional) e seu contratado, o xerife federal Reuben 'Rooster' Cogburn(Jeff Briges, soberbo) em busca de Tom Chaney, assassino do pai da garota, encontramos um fabuloso encontro entre o que há de melhor na filmografia dos Cohen, o cinismo e a irreverência a serviço da narrativa, e o que de mais glorioso existe no cinemão de western, heróis bravos e destemidos, donzelas em apuros e duelos cheios de chumbo e pólvora.

2° - X-Men - A Primeira Classe

2011 foi um ano de apostas em remakes que deram estranhamente certo. OK, X-Men - Primeira Classe não chega a ser um remake, é mais um retcon, ainda assim, está lá, sendo (re)contada a origem dos filhos do átomo da Marvel em celulóide.
Matthew Vaughn e Bryan Singer contaram como surgiu a amizade entre Charles Xavier (James MacAvoy) e Eric Lehnsherr (Michael Fassbender), e como essa amizade levou à criação dos X-Men, antes de ruir e colocar os dois mutantes mais poderosos da Terra em lados opostos na guerra de raças nos papéis de Professor X e Magneto.
Bom elenco, trama sólida, efeitos especiais competentes, e um sopro de vida pra franquia Mutante que capengou com X-3 e X-Men Origens - Wolverine.
Quando começam as aulas da Segunda Classe?

1° - Planeta dos Macacos - A Origem

Quem poderia imaginar que o melhor filme do ano seria justamente o remake de um filme que, apesar de cult e das múltiplas sequências, nem chegava a ser unanimidade?
Pois é, o diretor Rupert Wyatt contou a história de como os símios mascarados dos anos sessenta se tornaram o que eram quando Taylor pousou na Terra através de César (Andy Serkis, espetacular), o chimpanzé super inteligente que iniciou uma revolução movida a produtos químicos e fúria. Uma trama repleta de detalhes assustadoramente familiares que nos faz pensar no que acontece nos laboratórios farmacêuticos ao redor do mundo e o grande filme da temporada.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Resenha DVD: Meia-Noite em Paris


Woody Allen deu uma pausa em sua (excelente) aventura européia e retornou a sua Nova York para fazer o ótimo Tudo Pode dar Certo, depois disso, o diretor retornou ao velho continente, mais precisamente à Cidade Luz, para produzir mais uma pequena jóia em sua filmografia.
Meia-Noite em Paris narra a história de Gil Pendler (Owen Wilson), roteirista hollywoodiano tentando migrar para a literatura que esbarra na falta de confiança no próprio talento. Gil é fascinado pelo passado, mais especificamente pela Paris da década de 20, lar de grandes escritores, artistas e músicos a quem venera.
Em uma viagem à Cidade Luz com a noiva Inez (Rachel McAdams) e os futuros sogros, Gil, tentando evitar os amigos chatos da noiva, Paul (Um insuportável Michael Sheen) e Carol (Nina Arianda), resolve caminhar pela capital francesa, é quando soam as doze badaladas da meia-noite e Gil é convidado a tomar uma carona em um Peugeot antigo, sendo levado até uma festa onde encontra Cole Porter, Zelda e Scott Fitzgerald (Alisson Pill e Tom Hiddleston), e é apresentado a Ernest Hemingway (Corey Stoll, impagável.).
Nessas incursões ao passado Gil se apaixona pela bela Adriana (Marion Cotillard), oferece ideias e recebe dicas, dividindo seu tempo na cidade entre evitar os programas da noiva e dos sogros e comparecer aos eventos de seus ídolos.
É embalado pela boa trilha sonora de Stephane Wrembel e sob a bela fotografia de Darius Khondji que Gil vai aprender que seus anseios e inadequações não são problemas exclusivos do século XXI, nem tampouco males insolúveis, contanto que ele encontre as respostas para suas dúvidas e resolva o que quer fazer de sua vida.
Meia-Noite em Paris é ótimo, uma ode à arte e a cultura como eles devem ser: Bens ao alcance de todos, e não um santo Graal sobre um pedestal inatingível.
Isso fica claro na diferença que o roteiro de Allen cria entre o pedante "pseudointelectual" vivido por Sheen, arrogante e cheio de si, desfilando sua cultura de enciclopédia em qualquer oportunidade, e os gênios autênticos que criaram as obras de que ele fala, todos acessíveis, afáveis, divertidos e calorosos.
O elenco tem além de Owen Wilson (Bem, fugindo do seu papel de sempre), Adrien Brody (Um hilário Salvador Dalí), Kathy Bates, Carla Bruni e Léa Seydoux.
Tratando alguns dos maiores artistas, escritores e dramaturgos da história com leveza, sem levar nada a sério demais, Woody Allen cria um adorável "feel good movie" onde há espaço pra o romance, a arte, e o impossível. Não poderia haver melhor cenário pra esses elementos do que Paris.


"Você pode enganar a mim, mas não pode enganar Ernest Hemingway!"

sábado, 24 de dezembro de 2011

Mais um Natal


O Leonel chegou a pensar em comprar uma caixa de presente bem bonita, um papel de presente bem maneiro, e encher ela com tudo o que ele prometera dar a ela durante todo aquele tempo.
Pensou em colocar gibis, filmes, camisetas com estampas maneiraças, livros divertidos e outros nem tanto, jogos de video game... Mas conforme materializava a ideia, foi dando-se conta das coisas com que queria presenteá-la e não conseguiria colocar lá.
Uma serenata matutina cantando Brown eyed girl, do Van Morrison, aprendida ao longo de exaustivas semanas escondido com o violão do irmão. Todos os beijos de bom dia e de boa noite que pretendia dar nela ao longo de anos. Uma caminhada de mãos dadas pela praia com água até as canelas. As coisas dela e as dele se tornando "as nossas". O último gole de milhões de Coca-Colas. O controle remoto pra ela escolher o que ver na TV. Brigas, reconciliações, choros e sorrisos, na proporção de mil sorrisos pra cada choro, incluídos aí choros de alegria. O privilégio de batizar o cachorro. O privilégio de escolher o filme que veriam na sexta-feira. Resmungos rabugentos por ser um filme dinamarquês em preto e branco. Suspiros apaixonados. Gritos exasperados. Gargalhadas expontâneas. Sorrisos falsos pra aquela amiga dela que ele não suportava...
Coisas demais. Coisas demais pra uma caixa. Pra dividir espaço com as coisas que ele podia materializar.
Leonel abandonou a ideia. Sentiu-se mal, ao imaginar que podia estar sonegando um sorriso dela. O sorriso dela era dessas coisas que não se sonegava.
Mas acreditou, de verdade, que talvez, estivesse facilitando muitos sorrisos futuros ao ficar na dele.
Colocou seu fone de ouvido e foi trabalhar.
Hey where did we go,
Days when the rains came
Down in the hollow,
Playin' a new game,
Laughing and a running hey, hey
Skipping and a jumping
In the misty morning fog with
Our hearts a thumpin' and you
My brown eyed girl,
You my brown eyed girl...

Feliz Natal, gurizada.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Teoria...


Uma grande rede de super mercados aqui do RS tem por hábito fazer grandes comerciais de TV na época das festas de fim de ano. Nesse 2011 não foi diferente, lá no final de novembro já começara a espocar pela TV a propaganda de Natal do Zaffari versão 2011.
Na trama do comercial, embalado por No Dia Em Que Eu Saí De Casa, de Zezé di Camargo e Luciano, um jovem vai morar fora do Brasil, trabalhando como auxiliar de cozinha em um restaurante. Pelo filme, parece ser na Europa, digamos que seja na França. Sua mãe lhe pergunta se ele vai voltar a Porto Alegre no Natal, mas ele, sem dinheiro nem liberação do chefe, diz que só por milagre ele conseguirá. Veja por si próprio no endereço abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=TkXgJi6PAOc

OK, aqui vai a minha teoria:
O colega dele, que parece ser o responsável pela vaquinha, é o vilão da trama, vamos chamá-lo de Louis. Ele viu que o jovem que é o herói da história, vamos chamá-lo de Gumercindo, era o primeiro na preferência do chef para assumir a função de sous chef no restaurante.
Claro, o guri não tinha família nem amigos no país, então podia se dedicar inteiramente ao trabalho, Louis não, Louis, com uma esposa alcoólatra e um filho asmático precisava daquele emprego, ainda tinha que acompanhar a esposa às reuniões do AA, e trabalhava à noite como segurança pra que o filho pudesse fazer aulas de natação, ele não podia fazer como aquele brasileiro imundo e passar o dia todo na cozinha penteando os pêlos do saco do Chef.
Vendo que o jovem conseguiria a vaga que ele tanto almejava, e dominado pela frustração, Louis armou seu plano em uma epifânia.
Organizou a vaquinha para "ajudar" o colega brasileiro a voltar pra casa e ver a mãe. Inclusive foi falar com o patrão, dizendo-lhe como o "amigo" estava abatido, e que talvez fosse bom ele receber uma folga no fim do ano. Com isso, Gumercindo ganha de presente essa viagem à terra natal, e reencontra a mãe e a irmã caçula. Tudo parece bem.
Rá.
Quando ele volta, pouco antes do ano novo, Loui foi promovido a sous chef do restaurante em regime emergencial por causa do movimento de final de ano. Gumercindo, inebriado pelo tempo que passou sob a asa da mãe e no seio familiar é relapso com seus afazeres, o fato de Louis fazer o possível para atrapalhar não ajuda, e ele logo é demitido pelo chef.
Procura emprego em outros restaurantes da região, mas não consegue nada, acaba trabalhando como chapista em uma lanchonete McDonald's. O dinheiro minguado o faz viver em condições degradantes, e deseperado, tanto pelo fracasso profissional quanto pela saudade da família, Gumercindo sucumbe às drogas.
No momento de maior desespero ele se prostitui no Bois de Bolougne, onde faz coisas inomináveis em troca de uma pedra de crack. Após três anos e quatro overdoses ele é preso ao furtar a carteira de um comerciante marroquino que o contratara para um programa e extraditado ao Brasil.
Aqui, faz o tratamento de desintoxicação, tem duas recaídas até se recuperar totalmente.
Hoje ele leva uma vida normal, vai aos jogos do grêmio, corre no gasômetro, trabalha no Subway próximo à Redenção e namora um rapaz chamado Jorge, que caiu no gosto de sua mãe. Está feliz o Gumercindo.
Mas não deixa de se perguntar, de vez em quando, como as coisas teriam sido se ele não tivesse voltado pra casa naquele Natal.
Ah, o Louis virou Chef principal de uma filial do restaurante em que trabalhou com Gumercindo, se divorciou da pinguça e está brigando pela guarda do filho na justiça, deve ganhar.

Resenha Cinema: Missão: Impossível - Protocolo Fantasma


Foi lá em 1996 que Ethan Hunt ganhou, pela primeira vez, a cara de Tom Cruise. No filmão (Que apesar de superestimado é muito bom) de Brian de Palma o agente Hunt era traído e incriminado por seu mentor, Jim Phelps (Jon Voight) e precisava improvisar um grupo para limpar o próprio nome.
Era um ótimo filme de espionagem/ação. Me lembro da sequência, talvez uma das mais famosas do cinema moderno, em que Ethan entrava pelo teto em uma sala selada da CIA para apanhar os arquivos NOC suspenso por cabos, maneiríssimo.
Em 2000 Cruise voltaria à pele de Hunt na sequência óbvia do sucesso de 96. Dessa vez nas mãos de John Woo, Hunt trabalhava com Luther (Ving Rhames, reprisando o papel do filme anterior), Billy Baird (John Polson) e Niah Nordoff (Thandie Newton) para recuperar um vírus roubado por Sean Ambrose (Dougray Scott) um agente renegado da MIF. Esse Missão: Impossível 2, mais centrado na pancadaria do que o predecessor não foi lá uma grande obra cinematográfica. Tinha algumas ótimas sequências, mas, de alguma forma, o estilo Woo e suas assinaturas, os pombos e os impasses armados, não casaram bem com a franquia, e, embora seja uma fita de ação bastante competente, tem como maior mérito ter tirado o péssimo Scott, então escalado para o papel de Wolverine, em X-Men, do longa mutante após ele se lesionar em uma cena com Cruise.
Foi apenas em 2006 que Hunt retornou aos cinemas para Missão: Impossível III. Dessa vez nas mãos de J. J. Abrams, criador de Felicity e Lost (eca).
O diretor não fez feio, e entregou um filme superior ao anterior em todos os aspectos, a começar pelo vilão, saía o Ambrose afetado de Scott, e entrava o frio vendedor de armas Owen Davian de Phillip Seymour-Hoffman. Na equipe de Hunt havia o retorno de Luther, novamente Rhames, e a adição da delicinha Maggie Q como Zhen Lei e de Jonathan Rhys-Meyers como Declan Gormey. O elencão ainda tinha Lawrence Fishburne, Billy Crudup, Simon Pegg, Keri Russel (A Felicity em pessoa), e Michelle Monaghan como a futura esposa de Hunt, Julia.
Estava tudo lá, as sequências de ação improváveis, as engenhocas malucas, os lugares exóticos e a obrigatória música tema de Lalo Schifrin.
Missão: Impossível III tinha tudo o que um filme de ação precisa ter, e funcionou perfeitamente. Claro, haviam os quase obrigatórios arroubos interpretativos de Cruise, que chorou, caiu, correu e se desbragalou, mas isso nem chega a incomodar quando vemos o astro sendo arremessado em um carro pela explosão de um míssil alguns metros atrás dele.
Foi com empolgação de fã, então, que ontem fui ao cinema assistir ao quarto longa da franquia, Missão: Impossível - Protocolo Fantasma.
Dessa vez a direção da aventura de Ethan Hunt ficou a cargo de Brad Bird, egresso das animações (O Gignte de Ferro, Os Incríveis, Rattatouille), fazendo o seu debut em filmes de live action. Cruise obviamente retorna ao papel de Ethan Hunt. Na produção, saiu Paula Wagner, parceira de longa data de Cruise, e entrou J. J. Abrams, que, ao lado de Bird tem pinta de ser um dos maiores responsáveis pelo que dá certo no longa, aliás, vamos a ele:
Ethan Hunt está preso em uma cadeia russa. Ele é libertado pela agente Jane Carter (Paula Patton) e por Benji Dunn (Simon Pegg, reprisando o papel do capítulo anterior) para uma missão: Roubar arquivos secretos do Kremlin para descobrir a identidade de um terrorista em potencial que deseja controlar o arsenal nuclear soviético. Entretanto, quando uma violenta explosão destrói o lugar com o grupo de Hunt lá, e o IMF é implicado como autor do atentado elevando a tensão entre russos e americanos à níveis da Guerra Fria, o governo dos EUA extingue o IMF, e declara Hunt e seus colegas como procurados.
Cabe então ao grupo de agentes encontrar o verdadeiro culpado, e evitar um conflito nuclear enquanto limpa seus nomes, tudo isso sem o apoio logístico, técnico e financeiro da IMF.
Além disso, Hunt não pode escolher sua equipe, sendo obrigado a permanecer com Benji e Jane, mais o agente Brandt (Jeremy Renner), que se tornara analista e acaba caindo de para-quedas na missão. Agora os quatro espiões precisam realizar uma corrida contra o tempo que vai da Rússia a Dubai e à Índia planejando e improvisando enquanto tentam evitar um holocausto atômico.
É um filmão dos mais divertidos, inclusive, "divertido" é uma palavra que poucas vezes caiu tão bem em um filme da franquia, o roteiro abre espaço pra diversos momentos cômicos que não soam forçados ou gratuitos, apenas mostram que os personagens sabem rir de si mesmos e da situação em que se encontram mesmo quando a coisa degringola. Não se preocupe, porém, Missão: Impossível não virou uma comédia, todos os gadgets, explosões e uma pequena dose de drama continuam lá, garantindo que nós não nos esqueçamos de que estamos vendo um filme de espião da melhor qualidade.
Outro ponto fortuito do roteiro de Josh Appelbaum e André Nemec é que finalmente Missão: Impossível não é um show de Cruise sendo levemente auxiliado por uma equipe. Todos os agentes do Longa desempenham papéis importantes no filme, tanto sendo bem desenvolvidos quanto ganhando seus momentos de brilho, Jeremy Renner inclusive tem uma cena a lá Cruise, suspenso no ar e fazendo malabarismos (OK, não é como Hunt escalando o Burj Khalifa, de quase um quilômetro de altura pelo lado de fora, mas é maneiro.), enquanto Paula (ohmygod) Patton cai na porrada em mais de uma ocasião e até o técnico Benji dispara seus tiros.
O bom elenco tem ainda Anil Kapoor (Tava esperando ele perguntar quem queria ser um milionário...), Léa Seydoux, Josh Holloway, Tom Wilkinson, além de Ving Rhames e Michele Monaghan, em pontas.
Óbvio, não é um filme que se sustente na plausibilidade, em várias ocasiões nós sabemos que o que está acontecendo no filme é impossível, mas... OK, não me obrigue a fazer esse trocadilho, nem Anthony Hopkins conseguiu dar dignidade a piadinhas com o nome do longa.
Missão: Impossível - Protocolo Fantasma não faz feio, é mais um ótimo capítulo da franquia de Ethan Hunt e se sustenta sozinho, sem precisar dos demais, entretenimento de primeiríssima linha.

"-Nós temos que acessar o servidor pelo lado de fora.
-Nós?
-Hã... Bom... Eu cuido dos computadores."

sábado, 17 de dezembro de 2011

Grande Tubarão Branco


O grande tubarão branco não evolui mais. Ele chegou ao seu ápice. É a síntese da perfeição da forma em nome da função. Do olfato apuradíssimo às arcadas dentárias múltiplas, o grande tubarão branco é tudo o que ele precisa ser para ser o senhor do seu domínio. A mais perfeita máquina de caça sub-aquática que existe nos sete mares.
Alguém poderia supor que o megalodon, o parente pré-histórico gigante dos tubarões, o branco entre eles, seria mais eficaz.
Engana-se.
Poderia meter mais medo. Especialmente em criaturas que tem noção de tamanho como as cobras e nós. Mas não seria mais eficiente. Certamente precisaria comer mais de modo a alimentar o corpanzil gigantesco e fazê-lo funcionar a contento, ou seja: Pouco prático.
Não.
O grande tubarão branco é o cara. Nós podemos simpatizar mais com outros animais, mas quem alcançou o píncaro da evolução da espécie foi ele.
Nesses dias doentes em que fiquei acamado de manhã à noite vi, sim, muitos documentários do Discovery HD Theater. E foi justamente assistindo a um sobre o tubarão que não pude deixar de me perguntar se a evolução, forma, função, etc, etc... Não eram apenas parte da coisa toda... Quer dizer, será que, além disso tudo, não há algo mais?
O meu palpite é que há, sim, um item que passa batido pra todo mundo... O grande tubarão branco não tem noção de que alcançou o apogeu da evolução... O grande tubarão branco não sabe que não tem mais no que evoluir. Ele nem sequer toma conhecimento disso quando come a perna de um surfista, ou um leão marinho ou um pneu... Ele não faz a mais remota ideia de que é o máximo que um peixe carnívoro poderia ser.
Talvez por isso o grande tubarão branco seja tão casca grossa. Ele não se deixa levar por essa fanfarronice de "zênite da evolução"... Não. Ele continua lá, com contrição de monge budista, concentração de jedi, e frieza psicopata na sua tarefa diária de comer tudo o que se mexe e sangra dentro d'água.
Se o grande tubarão branco soubesse que é o máximo, talvez ele se tornasse relapso. Talvez ele se deixasse levar pelos elogios. Talvez ele deixasse coisas importantes passarem...
Mais ou menos como o Homem.
O ser humano fez isso. Ele viu que chegou a um ponto em que pode tudo, em que acha que sabe tudo, e que o que não sabe vai descobrir, nem que seja colidindo hádrons.
O ser humano pode até ter alcançado o seu ápice, sei lá. Eu acho brabo que tenha, considerando coisas como nossas políticas econômicas, os conflitos sem sentido, o Pânico na TV, a Maria Gadú, e a matriz energética burra, mas quem sou eu pra afirmar qualquer coisa?
De qualquer forma, se o Homem chegou a seu máximo em termos de evolução, e ele teve suficiente consciência (e uma boa dose de soberba) pra, ao sacar tudo isso batizar a própria espécie de homo sapiens sapiens, ou, homem que sabe que sabe... Puxa... Eu não posso deixar de cogitar a hipótese de que, o quê estragou tudo, foi essa consciência, verdadeira, ou não, de ser o zênite, ápice, apogeu e tudo mais da evolução da espécie.
Talvez, se nós tivéssemos a impressão de que vai vir coisa melhor mais tarde, nós tentássemos parecer menos escrotos pra posteridade, talvez tentássemos ampliar o escopo das coisas boas que a humanidade é capaz de fazer ao invés de perpetuar o que fazemos de errado e doente, talvez, se não fôssemos donos de tanta sapiência, ou ao menos se não fôssemos capazes de saber que sabemos, nós poderíamos estar sendo menos cretinos uns com os outros e com o lugar onde vivemos... Ou, na pior das hipóteses, estaríamos apenas tentando comer a perna dos surfistas no nordeste...