Pesquisar este blog

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Resenha Cinema: Círculo de Fogo


Era tão óbvio que ia dar certo que se houvesse bolsa de apostas ela não pagaria nada.
Guillermo del Toro, dirigindo um filme sobre monstros e robôs gigantes se engalfinhando...
Essa é, de uma forma porcamente reduzida, a premissa de Círculo de Fogo, mais recente empreitada cinematográfica do diretor mexicano que sabe tudo de monstros (Blade II, Hellboy e Hellboy II - O Exército Dourado, O Labirinto do Fauno...), e que entrega exatamente o que foi prometido desde a primeira imagem de Círculo de Fogo:
Diversão em estado bruto.
Da região do anel de fogo do Pacífico, emergem criaturas gigantescas chamadas de Kaiju, que passam a devastar as cidades do planeta no melhor estilo Godzilla., iniciando uma guerra que se arrasta por anos, consumindo os recursos do planeta, e levando a humanidade às raias da extinção
Para combater os Kaiju a humanidade desenvolve os Jaegers, construtos mecânicos de tamanho tão colossal quanto os Kaiju, operados por duplas de pilotos que agem em sistema de ponte neural, criando uma sincronia perfeita que permite que os dois humanos ajam como se fossem os hemisférios do cérebro da máquina, operando-a e enfrentando os Kaiju no mano-a-mano.
O problema é que mesmo o programa Jaeger se mostra ineficaz contra a ferocidade dos Kaiju.
Quando a derrota se torna iminente, e o programa Jaeger está prestes a ser terminado, um último e desesperado esforço é feito, tirando da aposentadoria um legendário Jaeger, considerado obsoleto, e pilotado por uma dupla formada por um veterano calejado e uma impetuosa novata, que, juntos, podem ser a última esperança de impedir o fim da espécie humana.
Pela premissa se vê que realismo não era a principal preocupação de del Toro e seu roteirista, Travis Beacham, e, ao assistir Círculo de Fogo, se percebe que realismo não era a preocupação deles em momento algum.
Círculo de Fogo tem todas as melhores qualidades do cinemão pipoca de blockbusters literais que destroem meio-mundo e mais um pouco em nome do entretenimento. Desde que vemos o primeiro Kaiju, uma criatura abissal com características evocando animais marinhos, com olhos e sangue azul fluorescente ganhando vida à perfeição graças aos efeitos visuais de primeiríssima linha, e um imenso mecha é colocado no mar por helicópteros para barrar-lhe o caminho, fica bem clara a proposta do filme e seu sucesso em cumpri-la.
A partir do momento em que o espectador entra na brincadeira e leva a sua suspensão de descrença até o nível exigido, é impossível não vibrar com os ataques dos Kaiju, as lutas com os Jaegers e até com os pequenos triunfos dos personagens, mesmo daqueles que não envergam roupas robô gigantes.
Os personagens, aliás, conseguem ser, quase todos carismáticos, o protagonista, Charlie Hunnam, um Channing Tatum loiro, é o típico herói de filme de ação, o Marechal Stacker Pentecost do ótimo Idris Elba é o arquétipo do líder militar durão, mas justo, e a Mako Mori de Rinko Kikushi é outra epítome, a da mocinha que pode muito mais do que sua aparência frágil sugere.
Os demais personagens são igualmente arquetípicos (e também têm nomes maneiros como Hercules Hansen, Tendo Choi e Hannibal Chau.), passando pelos cientistas loucos doutores Hermann Gottlieb (Burn Gorman) e Newton Geizler (Charlie Day), o piloto fodão e metido a besta Chuck Hansen (Robert Kazinsky), e até o buldogue inglês que é o mascote da missão.
Com começo, meio e fim bem estabelecidos, fica até um certo alívio pelo fato de Círculo de Fogo (inexplicavelmente) não ter caído no gosto do público médio, pois um sucesso desmedido de bilheteria poderia levar à produção de desnecessárias continuações.
Círculo de Fogo funciona como está, trabalhando no subconsciente da audiência como uma versão anabolizada e extremamente qualificada de cada um dos episódios daquele velho seriado japonês que todos nós gostávamos tanto de ver na infância.

"Hoje, no limiar de nossa esperança, no fim de nosso tempo, nós escolhemos acreditar não apenas em nós mesmos, mas uns nos outros. Hoje, nenhum homem ou mulher desta base está sozinho. Hoje, nós enfrentamos os monstros à nossa porta. Hoje, nós estamos cancelando o apocalipse!"

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Rapidinhas do Capita


Hoje é aniversário do meu avô...
Seria, ao menos. Se ele não tivesse morrido. Eu já falei a respeito... Meus avós biológicos, o pai de minha mãe e o pai de meu pai... Nunca tive contato com eles. O meu avô paterno morreu antes de eu nascer, e o pai de minha mãe nunca teve contato comigo ou meus irmãos, o padrasto da minha mãe, a quem nunca chamei de "vô", mas que se referia a mim constantemente como "meu neto", foi o único avô que conheci, com quem assisti TV, passeei, disputei queda de braço e que me ensinou coisas como amarrar os cadarços e cortar a carne.
Senti saudades dele, ontem. Geralmente, quando chegava o dia treze de agosto, eu visitava ele e minha avó, o cumprimentava com um abraço meio de lado e desejava um feliz aniversário... O Henrique não era de ganhar presentes. Ele era um pouco como o Red Foreman da série That's 70's Show, meio truculento, rude, mas divertido e muito disposto, o tipo de sujeito que estava com alguma dificuldade pra caminhar, mas ninguém se animou a lhe dar uma bengala pois ele podia acabar batendo em alguém na rua com ela...
Frequentemente penso no Henrique.
Especialmente agora que minha avó também não está bem. Em como seriam as coisas se ele ainda estivesse vivo. Se não tivesse adoecido... Será que ainda trabalharia com noventa anos de idade?
Acredito que sim... Sem o afinco ou as viagens de antes, mas ao menos sairia diariamente com sua pasta executiva lá pelas oito da manhã e retornaria por volta das cinco da tarde para ver os noticiários mais sensacionalistas da TV... Saudades do meu avô.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Quando a Microsoft anunciou seu novo console, o X-Box One, na E-3, em junho desse ano, o videogame de última geração do Bill Gates funcionaria assim:
-O jogador precisaria estar conectado à internet para poder jogar.
-O console precisaria efetuar checagens online a cada 24 horas.
-Haveria bloqueio por região.
-Não se poderia emprestar ou vender jogos, pois games usados seriam bloqueados.
-Jogos baixados rodariam apenas quando o console estivesse online.
-O uso do Kinect será obrigatório.
-Jogos auto publicados seriam proibidos.
Pouco depois a Sony foi mostrar o Playstation 4, que aparentemente não precisava de nada disso pra funcionar, de modo que, de junho pra cá, tudo isso, eu disse TUDO, todos os itens da lista, foram sendo alterados ou simplesmente removidos.
A companhia diabólica do Bill Gates está alterando tanto o X-Box One que até ele ser lançado, em novembro, periga já ser X-Box Two, ou Three... É por essas e outras que eu vou de PS4 de novo.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

TRADUÇÕES:

Ele disse:
-Não, meu filme preferido dessas comédias românticas é Um Lugar Chamado Nothing Hill, a situação do Hugh Grant é a que dialoga mais comigo...

Mas na verdade ele quis dizer:
-Eu não sei, essas porras dessas comédias românticas parecem todas iguais pra mim, e todas as que eu me lembro tem o Hugh Grant no elenco...

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Rapidinhas do Capita


Se eu fosse um déspota de nível global, um tipo de tirano comandando o mundo com mão de ferro, eu criaria um campo de lutas até a morte. Essa arena funcionaria para reduzir à metade as coisas ruins do mundo.
Por exemplo, N'Sync e Backstreet Boys... Um dos dois ainda vá, mas os dois, não. Tem limite pra lixo. Então, toca pro Campo da Morte e se enfrentem até o fim, na pior das hipóteses o mais apto sobrevive, e a humanidade se livra do outro, na melhor, os dois morrem.
Fernando & Sorocaba contra Bruno & Marrone, Anitta versus Valeska Popozuda, Eliana se engalfinhando com Ana Hickmann, Gugu x Celso Portiolli, Raul Gil enfrentando Gilberto Barros, Marcelo Rezende e Datena, até a morte, o elenco do Legionários e o de Pânico se matando mutuamente...
Parece cruel? Desumano? Meio cri-cri?
Eu tenho um argumento crucial pra convencer o mundo a abraçar meu campo da morte:
As portas levadiças com grades se erguem de um lado e de outro da arena, de uma porta sai o garoto propaganda das Casas Bahia, do outro, o garoto-propaganda do Open English. Isso mesmo. "Quer pagar quanto?" versus "CuRsinho de inglêis onláine", e uma única certeza:
Não há possibilidade de ambos sobreviverem ao confronto.
Vai me dizer que a ideia não começou a ficar mais palatável?

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

E o Vin Diesel, que nasceu pra interpretar Drax, o destruidor, não será o Drax em Guardiões da Galáxia, o papel do alien fortão ficou para o lutador Dave Bautista.
O ator fortão, veloz e furioso vai emprestar seu vozeirão para o alienígena planta Groot,que será gerado por computação gráfica na adaptação do quadrinho.
Segue a torcida para que Jim Carrey dê voz ao guaxinim espacial Rocket Racoon, e que o filme não seja uma bomba atômica de proporções épicas.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Em uma nova leva de boatos dobre o vindouro Batman Versus Superman especulou-se entre outras coisas, que Orlando Bloom pode ser o Batman no novo filme, assim como Scott Adkins (o capanga de Van Damme em Os Mercenários 2), mas a melhor especulação é que a DC estaria recontratando Christian Bale para reprisar seu Bat-papel no filme.
Segundo os boatos, esse retorno custaria à Warner Bros. cinquenta milhões de dólares, além de, ao menos em um primeiro momento, contradizer tudo o que ficou estabelecido em O Cavaleiro das Trevas Ressurge.
No fim das contas, ter Bale de volta, ou o personagem ser interpretado por Joseph Gordon-Levitt, dando sequência aos eventos da trilogia de Christopher Nolan, seriam as melhores formas de colocar um personagem tão rico quanto o Batman na série do Superman sem deixar claro o desespero de repetir a fórmula da Marvel de fazer fortunas nas bilheterias colocando crossovers no cinema...

Vernáculo


Quando a Verônica se mudou de Sorocaba pra Canoas, ela sabia que estava dando um passo que mudaria sua vida completamente. Pela primeira vez em sua existência, a Verônica estaria longe da família, numa terra de pessoas estranhas, com hábitos totalmente diferentes daqueles aos quais ela era afeita.
Ainda assim, a oportunidade de trabalho que lhe fora oferecida na cidade, um pólo universitário na região metropolitana da capital gaúcha, era boa demais pra ser ignorada, de modo que Verônica resolveu apostar no sucesso profissional em detrimento do conforto cálido de estar pertinho da mãe e do pai em caso de emergência, e arriscar.
Após semanas ouvindo as recomendações de sua mãe, muito preocupada, e as piadas de gaúcho do seu pai, Verônica se mudou sentindo uma ponta de aflição que começou a apertar seu coração dentro do peito na véspera da viagem e foi aumentando até fazer ela pensar que eu coração não bateria mais quando ela se despediu de sua mãe e pai no aeroporto, e ter certeza de que ele havia parado de bater quando o avião decolou.
Mas não, seu coração seguiu funcionando durante a viagem. Apesar de descompassado, ele seguiu batendo. Ela o sentiu apertar-se dentro do peito diversas vezes durante a viagem, pensando em tudo o que estava deixando pra trás. Mas tentou engolir o medo concentrando-se em porque estava se mudando.
Nem completara trinta anos e poderia coordenar um curso universitário. Coordenar! Não era uma oportunidade que surgisse com frequência, especialmente pra uma moça jovem como ela. Todos aqueles anos em que ela deixara de ir à festas para se estudar, o dinheiro investido em mestrado, doutorado e tudo mais... Tudo seria finalmente recompensado. Mas para Verônica, desconfiada que era, havia o medo. O medo do desconhecido. De falhar. De estar dando um passo maior que a perna. E com medo, Verônica dormiu um sono agitado.
A chegada a Canoas, uma cidade feia com as piores qualidades de uma cidade grande e todos os defeitos de uma cidade pequena, não ajudou muito.
Descer do metrô na estação Mathias Velho, bairro onde ficava a pensão onde ela iria morar até se estabelecer e alugar um apartamento, e andar até a casa onde ela se hospedaria, talvez tenha sido o trajeto mais longo e tortuoso que ela já cumprira em sua vida. Cada passo foi dado com incerteza e hesitação, embora as instruções que lhe haviam sido dadas fossem bastante claras.
Conversar com a dona da pensão a acalmou um pouco. Era uma mulher relativamente jovem, dos seus quarenta e poucos anos, muito sorridente. Preencher a ficha de hospedagem foi fácil, conhecer algumas das colegas de pensão, também. Mas estar sozinha em seu quarto pela primeira vez foi difícil. Tão difícil que Verônica pensou que não fosse conseguir.
Mas Verônica perseverou. Deu algumas escorregadas, aprendeu através dos erros e seguiu em frente. Adaptou-se, enfim, à nova rotina. Fez amigas, e amigos, o emprego ajudou muito. Era tudo com o que ela sonhara pra sua vida profissional, e sua formação, suas habilidades, sua personalidade, tudo conspirava para que ela tivesse sucesso na busca pela excelência na sua área.
Verônica saiu da pensão. Alugou um apartamento pequeno próximo à universidade onde trabalhava, acostumou-se com as particularidades da cidade. As pequenas diferenças da vida na cidade gaúcha comparada à sua vida em Sorocaba. Não era tão diferente. Como em qualquer parte do mundo, havia pessoas chatas, mas também havia pessoas bacanas. A comida não era tão diferente, à exceção da fixação dos gaúchos com carne. A música que tocava aqui era o mesmo lixo que tocava lá com raras exceções. O chimarrão era algo com que se habituar, mas no fim das contas era só um chá amargo que o pessoal do estado levava muito a sério... O que a Verônica estranhava, mesmo, era o jeito de as pessoas falarem. Não o sotaque. Cada lugar tinha o seu, normal. Se à princípio ela estranhou o modo cantado como o pessoal enunciava, logo se acostumou àquela sensação de estar vivendo em um musical. Não era isso. O que ela estranhava, mesmo, eram os termos.
Aprender que "carpim" era meia. Que "se pelar" era tirar a roupa. Que "pechada" era colisão... Isso tomou algum tempo da Verônica, e frequentemente à surpreendia.
Como aconteceu quando ela conheceu o Paulo.
O Paulo trabalhava na mesma universidade que a Verônica. Regulava de idade com ela. Pouco mais velho, um ano, ou dois. Era um sujeito gentil, cuca fresca. Era professor, ensinava filosofia, que ele mesmo admitia ser um lance meio inútil nos dias de hoje, mas era um apaixonado. Não era um chato metido a erudito. Era bacana de conversar, antenado, cheirava bem, estabelecido na vida, solteiro... Não chegava a ser bonito, mas aí, também, já era querer demais.
Ele e a Verônica tiveram essa atração mútua quase que pronto ao se conhecerem. Tomavam o cafezinho juntos na sala dos professores, vez que outra almoçavam, ele a acompanhava até em casa, já que ela morava perto da universidade... E a Verônica chegou a pensar que o Paulo fosse o último tijolo que faltava na construção de sua nova vida. Até aquela sexta-feira...
Era uma sexta-feira qualquer, final de expediente, a Verônica passou pelo Paulo no corredor a caminho do seu escritório, e perguntou qual era a boa do final de semana. O Paulo, então, sorriu de lado e respondeu:
-Amanhã tenho uma festa de criança pra ir. Vou me fartar de tanto comer negrinho.
E deu uma gargalhada.
A Verônica sorriu amarelo, e foi trabalhar. No fim do expediente, após ter ficado com o episódio na cabeça, chegou à conclusão de que fora uma brincadeira de mau gosto, que o Paulo obviamente não era um homossexual pedófilo e meio racista, mas, assim, mesmo, resolveu não esperar ele para acompanhá-la até em casa.
No fim das contas, até a Verônica descobrir que "negrinho" era brigadeiro, o estrago já estava feito.
Uma sombra de pedofilia racista pairava sobre o Paulo toda a vez que ela o via, de modo que, aquele tijolo, continuou faltando na sua construção.

sábado, 10 de agosto de 2013

Rapidinhas do Capita


O Ramiro era muito desconfiado, mas não era particularmente perspicaz.
Uma noite, o Ramiro e sua namorada, a Laura, saíram juntos pra fazer um lanche, e, enquanto comiam, desatou a chover.
Na saída, o Ramiro montou um engenho com dois volantes de ofertas do Big e uma sacola plástica, e fez a Laurinha, pequenininha, de salto alto, correr com ele segurando aquele troço em cima da cabeça de sob uma marquise à outra até chegarem em casa com nada molhado exceto os pés.
Ao chegarem na casa dela ele perguntou:
-Ficou molhada?
E ela suspirou, vaga:
-Não... Contigo eu nunca fico molhada...
Só mais tarde o Ramiro percebeu as múltiplas interpretações daquela declaração e ficou se remoendo, sem conseguir dormir.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Há, nessa vida, coisas que deveriam durar menos:
O sucesso do sertanejo universitário. O horário eleitoral gratuito. As propagandas no cinema antes de começarem os trailers. A segunda-feira. Uma gripe. A fase Slott nos roteiros do Homem-Aranha. filmes com a Katherine Heigl. O intervalo entre as trilogias de Star Wars. O período em que eu fico sem te ver...
E outras que deveriam durar mais. Muito mais:
O chocolate no meio do picolé Tablito. O gás da Coca-Cola. O sábado. O pote de Nutella. Campanhas publicitárias com o Joel Santana falando inglês. Gibi bom. O inverno. Bons jogos de videogame. Filmes com o Leonardo DiCaprio. O elástico das cuecas sem costura Zorba. O tempo que eu passo do teu lado...

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Ah, pros fãs de pancadaria e nostalgia cinematográfica oitentista, Mel Gibson foi confirmado em Os Mercenários 3. Antonio Banderas, que trabalhou com Stallone em Assassinos, também.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Rapidinhas do Capita


Hoje, sete anos atrás, o Inter jogava a primeira partida da final da Libertadores 2006 contra o São Paulo futebol clube de Muricy Ramalho, Rogério Ceni, Lugano, Josué, Mineiro, Danilo e Ricardo Oliveira.
O jogo, realizado no estádio do Morumbi, em São Paulo, teve, apesar da tensão de uma final (um jogador foi expulso de cada time, Josué, pelo São Paulo, e Fabinho, pelo Inter), foi bem jogado, e terminaria com vitória do Inter por 2 x 1, dois gols de Rafael Sóbis, e Edcarlos descontando para os paulistas.
Ao fim do jogo, duas certezas:
O time de Abel Braga, Clemer, Ceará, Bolívar, Fabiano Eller e Jorge Wagner; Edinho, Fabinho, Alex e Tinga; Fernandão e Sóbis, jogava muita bola e era capaz de amordaçar o então campeão do Mundo dentro de sua casa.
E abriu definitivamente as porteiras para o Clube do Povo alcançar, pela primeira vez, o degrau mais alto do futebol sul-americano.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Tremem os pilares do firmamento.
Duas estrelas de Hollywood entraram em rota de colisão. Ou ao menos, uma delas, já que a outra não se manifestou.
Sylvester Stallone, o homem que mostrou a mundo que o único amor verdadeiro é o amor de um homem musculoso por sua arma, magoou com Bruce Willis.
O motivo da querela seria um milhão de dólares.
Explica-se: Por sua participação no vindouro Os Mercenários 3, Bruce Willis recebeu a proposta de três milhões de dólares de salário por quatro dias de trabalho. Aparentemente, Willis é mais duro de tirar de casa do que de matar, e disse que não faria sua participação por menos de quatro milhões, ou, um milhão por dia.
Os produtores, entre os quais está Stallone, resolveram, então, abrir mão da participação do astro careca, no mesmo dia em que confirmavam a presença de outro veterano bom de briga, Harrison Ford.
Em sua conta no twitter, Stallone, após confirmar a saída de Willis e o ingresso de Ford, disse:
"Ganancioso e preguiçoso. Fórmula certa para afundar uma carreira".
Além de Stallone e Ford, também estão confirmados em Os Mercenários 3, Wesley Snipes, Jackie Chan, Mila Jovovich e Kellan Lutz, espera-se que ao menos parte da trupe dos filmes anteriores (Jason Statham, Dolph Lundgren, Randy Couture, e Terry Crews) volte, enquanto especula-se que Steven Seagal, Nicolas Cage e Mel Gibson também podem dar as caras.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Olha que maneiro o que foi noticiado pela agência de notícias Efe. Esse Tarzan depois da dengue da foto acima é Ho Van Lang, vietnamita, idade não divulgada, que viveu na floresta com seu pai, Ho Van Thanh, 82 anos, isolado da civilização por mais de 40 anos fugindo da guerra do Vietnã.
Os dois fugiram para a floresta após um bombardeio atingir a casa onde moravam em 1971. O ataque causou a morte da mãe de Lang e de dois de seus irmãos, mas Lang conseguiu sobreviver, e junto com seu pai, viveu em uma cabana de madeira construída em uma árvore.
Os dois homens vestiam rupas feitas de fibras vegetais trançadas, e viviam de uma pequena horta que plantavam, da coleta de frutas na área, e da caça, realizada com utensílios e armas rústicas manufaturadas de forma artesanal.
Apesar de terem sido encontrados por um irmão mais novo em 1983, os dois se recusaram a voltar à civilização, permanecendo na floresta.
Desde então, várias tentativas infrutíferas de tiras os Ho Van da floresta foram realizadas, mas os dois se recusaram sistematicamente, chegando a se esconder e fugir do resgate, até que na última quarta-feira, Thanh, já impossibilitado de andar sozinho, precisou ser removido de sua cabana, e Lang, foi levado com ele.
No fim das contas, baseado no que a gente vê pelo mundo a fora, a melhor coisa que esses dois podiam ter feito era ter continuado no meio do mato. Garanto que iriam se incomodar menos...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

No Lugar...


Saíram tarde do restaurante. Ele, que vinha praticamente jejuando durante a semana, comera um espaguete ao funghi e dois filés, à Capitão, claro, e ela comera uma generosa porção de risoto. Haviam entornado, juntos, oito latas de refrigerante. Ela, de Sprite, ele de Fanta, três laranja, uma uva. Foi ela quem falou, assim que o ar fresco da noite os encontrou, ao pararem na calçada da Riachuelo:
-Bah, guri... Vou ter que abrir a calça pra conseguir chegar em casa... Tô estourando.
Ele riu:
-Tu vai ter que comer cinco mil risotos iguais àquele pra "estourar", alemoa.
-Não... Tomei refri demais... Ou abro a calça ou arroto na tua frente. Tô em dúvida.
-Já te vi sem calça, mas nunca te vi arrotar...
Os dois riram. Começaram a andar em direção à Praça Dom Feliciano, subindo a rua... Ela agarrou o braço dele e deitou a cabeça no seu ombro:
-Tava com saudades tuas...
Ele deu-lhe um beijo na testa, e segurou a mão direita dela com a sua mão esquerda:
-Também tava com saudades de ti, lôra. - E a apertou de encontro a si. Ele fez um ruído de dor e desconforto:
-Pelo amor de Deus, criatura... Não me aperta. - Suplicou.
Ele riu.
Haviam conversado a noite toda. Colocado os assuntos em dia após alguns dias sem se verem.
Ele contara sobre como sua avó parecia cada dia mais frágil. Falara da inconformidade em ver alguém que menos de um ano atrás, andava lépida pela rua procurando sapatos cômodos, mas elegantes e óculos de lentes verdes, definhar a olhos vistos incapaz de se inteirar da realidade. Contou que estava triste. Contou que as coisas não haviam saído como ele esperava e que isso o entristecia ainda mais do que ele achava possível estar triste, e como a ligação dela viera à calhar, pois ele precisava conversar com alguém.
Ela também contara coisas. Seu pai fora ao médico fazer uma consulta de rotina e descobrira-se às portas de um infarto. Nem voltara pra casa, fizera uma cirurgia no dia seguinte. Colocação de um estêncil em uma artéria, mas estava bem, exceto pela dieta, pra um glutão assumido como ele, uma tortura chinesa. Ela contara, também, que comprara um capacho novo para o seu apartamento, que ele precisava ver, e, contara sobre um possível namorado novo. O Wanderlei.
Chegaram em frente ao prédio dela. Ela mexeu na bolsa:
-Peraí, sobe comigo rapidinho pra ver o meu capacho...
Entraram no edifício, subiram as escadas, e chegaram em frente ao apartamento dela. Diante da grade da porta, repousava o capacho branco, imitando a primeira página do Planeta Diário, com uma foto do Superman sob a manchete "Look! Up In The Sky!". Era maneiro, mesmo.
-Maneiríssimo. - Ele disse, agachando-se pra tentar, sem sucesso, identificar o autor do desenho. Era um de seus talentos nerd inúteis. Ele era capaz de reconhecer o trabalho de quase qualquer desenhista que já tivesse visto ao menos uma vez. Aquele, porém, parecia um desenho feito por um artista sem relação com os gibis, ou um artista de gibi que ele nunca vira antes.
-Legal, né? - Ela disse. Lembrei muito de ti quando vi. Falei "vou comprar só pra ver a cara do Ned quando ele vier aqui.".
-Muito bacana, Didi. Muito, mesmo. - Ele disse, sorrindo.
Ela ficou olhando pra ele. Parecia intrigada:
-Tu tá legal, né...?
Ele se levantou gemendo com a mão no quadril:
-Eu sou tão depressivo que te intriga me ver legal, alemoa?
-Dã... Nada a ver. Eu só gosto de te ver assim... Levinho...
-Depois de tudo que eu comi tô tudo, menos levinho.
-Ah... Concordo com ela. Homem que é homem tem que ser bom de gaRfo.
Os dois riram.
Ele tirou o celular do bolso e ergueu as sobrancelhas.
Ela disse:
-Já sei, tá na tua hora. - e o abraçou. -É bom te ver assim... Tu parece... Não feliz... Não é pra tanto, mas parece bem.
-Eu tô bem, alemoa. Podia estar melhor. Mas tô bem. - Ele assegurou, sustentando o abraço.
-Então fica melhor. - Ela cobrou o apertando. Foi a vez dele dar um gemido de desconforto:
-Não é tão fácil...
Ficaram ali abraçados um pouco. Ela disse:
-A gente devia fazer isso mais vezes.
-Antes do Uanderlai a gente fazia... - Ele replicou.
Ela o soltou rindo. Entrou no apartamento, e puxou a grade:
-Boa noite, Ned... Cuidado no caminho. Tá tarde.
Ele deu-lhe uma piscada:
-Meu nome do meio é perigo.
Ela puxava a porta, mas refreou-se. Olhou bem pra ele, sacudiu a cabeça e disse:
-Tu tá bem...
Então fechou a porta, e ele desceu a escada pra ir pra casa.
De certa forma, ele estava, mesmo bem. Não sabia pra onde as coisas se encaminhavam, mas a verdade é que, naquele momento, sob uma ótica específica, tudo estava no lugar. A questão era pra onde tudo iria dali por diante...