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segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha: A Segunda Vez É Ainda Melhor



Havia assistido a'O Espetacular Home-Aranha na quinta-feira. O filme funcionou pra mim, entretanto, por diversas razões que vão de distrações enquanto via o filme ao inevitável reflexo de assisti-lo comparando aos longas da trilogia dirigida por Sam Raimi, acho que posso não ter sido inteiramente justo com a visão de Mark Webb do cabeça de teia.
No sábado à noite fui rever o filme, e, prestando a devida atenção, e já sem o impacto da novidade, adivinhem?
O filme melhora, e muito!
Não que os defeitos desapareçam, não, de forma alguma, eles ainda existem, e ainda são visíveis, mas se tornam mais palatáveis, compreensíveis e até inofensivos.
Eu evito ler as críticas antes de ver o filme e antes de escrever as resenhas da Casa do Capita, abro precedentes justamente aos filmes que me deixam mais ansioso, como Vingadores, Homem-Aranha e o Batman, mas ainda assim, evito os reviews completos, prefiro ficar na zona das primeiras impressões e outros textos mais sucintos. Quando vi as críticas de O Espetacular Homem-Aranha na sexta-feira percebi que a maioria dos especialistas gostaram, Ana Maria Bahiana, Luiz Carlos Mertem e Roberto Sadovski curtiram o filme do teioso, mas alguns nerds ressentidos, tanto fãs quanto críticos, picharam bonito o longa. Mas será que todas as queixas procedem?

O texto a seguir não é recomendado a quem ainda não assistiu o filme ou não gosta de spoilers, então, siga por sua conta e risco.


Ainda aqui? Beleza, então:

Origem.
O peso dado aos pais de Peter no roteiro de James Vanderbilt não incomoda, não removeu nada da importância de tio Ben e tia May na criação de Peter e criou um ótimo conflito familiar entre os Parker remanescentes, além de ser um catalisador bastante sólido pra o fato de Peter se enfiar em um laboratório de última geração.
A ideia de a origem de Peter como o Homem-Aranha estar ligada de maneira mais direta aos experimentos de Richard Parker não apareceram no filme (Ainda bem), de modo que a única queixa pode ser o fato de Peter ser picado na nuca e não na mão pela aranha fatídica.
Não existe o deslumbramento do filme de 2002 nas cenas em que Peter descobre seus super-poderes, mas isso não é um defeito, as cenas mostradas pra esse fim são muito boas e servem bem à trama.
Confesso que senti falta da clássica frase que diz que grandes poderes trazem grandes responsabilidades, mas o conceito está lá, embutido na fala de tio Ben de que Richard Parker acreditava que se uma pessoa tem alguma habilidade ela tem a obrigação moral de usá-la em prol de todos.
Senti falta, também como fã de quadrinhos, da sequência da Luta Livre, aliás, fica aqui minha grande queixa com relação à origem do personagem n'O Espetacular Homem-Aranha, pra mim era parte intrínseca da origem do personagem o fato de Peter, como qualquer jovem pobre normal, querer lucrar com seus poderes recém descobertos.

Gwen Stacy.
O fato de Gwen ser apresentada como uma "rival intelectual" a Peter não me causou nenhuma estranheza, aliás, a senhorita Stacy ser mostrada como uma loura burra sim, seria estranho. Nos quadrinhos a loirinha era uma menina muito inteligente e colega de Peter na faculdade. A crítica do Omelete a classifica como "Uma super-estagiária", ora, como assim, super-estagiária? Ao que parece a função da guria era guiar visitas pela Oscorp, e ela tinha um crachá que dava acesso ao laboratório do Connors, isso lá é ser "super"?
Se alguma coisa na encarnação dela do filme pode causar estranhamento é o fato de ela ter aquele mundaréu de irmãos e sua mãe ainda estar viva. Quanto à sua posição nas indústrias Oscorp, como estagiária do doutor Connors, isso não é nenhum absurdo, e inclusive foi uma ideia retirada do (ótimo) desenho animado Spectacular Spider-Man, e funciona.
Confesso que não me agradou o fato de ela conhecer a identidade secreta de Peter, mas isso pode trazer desdobramentos interessantes no futuro, além do mais, ajuda a estabelecer que Peter é o Homem-Aranha, sua namorada é namorada do Aranha, ao contrário de Lois Lane ou Rachel Dawes, que podem ser interesse romântico apenas de um dos lados da persona de seus heróis. E ainda rendeu umas cenas bem maneiras dos dois juntos no plano dramático sem ser melado como o romance Mary Jane/Peter Parker da trilogia anterior.

Capitão George Stacy
O capitão Stacy de um inspirado Dennis Leary não é o velhinho de cabelos brancos e personalidade camarada que acreditava na inocência do Homem-Aranha como víamos nos quadrinhos.
O capitão Stacy de O Espetacular Homem-Aranha é um policial linha-dura, ainda na ativa, e disposto a tirar das ruas tanto o monstruoso Lagarto quanto o vigilante mascarado conhecido como Homem-Aranha. Entretanto, ao descobrir a identidade secreta do escalador de paredes ele percebe a importância que o herói terá no futuro, e torna-se, ainda que brevemente, seu aliado.
A cena de sua morte, pedindo que Peter fique longe de Gwen, é outra com a maior cara dos gibis, reinterpretando o pedido que o personagem faz ao herói no quadrinho.

O Lagarto.
Mesmo com a ótima caracterização de Rhis Ifans ouvi reclamações de que a família Connors não aparece ou é mencionada no filme. Não é inteiramente verdade.
Curt usa sua aliança de casamento na mão esquerda, então, ele é ou foi casado, apenas não fazia diferença pra trama do filme mostrar sua esposa e filho, conteúdo que pode ser explorado no futuro, já que, diferente de Sam Raimi, Mark Webb não matou seu vilão no fim do longa.
Martha e Billy Connors não foram descartados pela produção, apenas não deram as caras, talvez estivessem em férias, talvez a obsessão de Curt com suas experiências pra Oscorp o tivessem afastado da família, vai saber.
O visual do personagem quando transformado em monstro ficou ótimo, emulando de maneira bruta o visual do personagem nos quadrinhos desenhados por Steve Ditko e John Romita Sr.
Vou me esforçar pra não chamar de imbecil quem se queixou do fato de o Lagarto, alter ego escamoso de Connors, falar e tramar. O personagem É assim nos quadrinhos. Uma monstruosidade reptiliana imbuída de todo o conhecimento científico de Connors. O plano dele de transformar a população de Nova York em lagartos é a cara dos gibis de Stan Lee, Roy Thomas e outros dos roteiristas dos anos sessenta. O Lagarto só se transformou em uma besta selvagem nos anos noventa, na mini-série Tormento, onde, aliás, o Homem-Aranha estranha o fato de o Lagarto não falar.

Peter Parker, jovem descolado.
Porque Peter consegue se equilibrar em cima de um skate e usa lentes de contato ao invés de óculos. Isso faz dele descolado? Que bobagem.
O Peter Parker interpretado com maestria de cavaleiro jedi por Andrew Garfield continua sendo um nerd azarado e sem jeito com as meninas. Ele é genial, inseguro e introspectivo, apenas não é um completo imbecil como Tobey Maguire o interpretou no longa de 2002. É algo vingativo como era o personagem dos quadrinhos, apenas tem mais presença de espírito, mais espinha e é menos desajeitado.
Mas descolado?
Não, definitivamente ele não é "descolado".

Máscara, uniforme, equipamento...
A máscara surge no filme inspirada pela luta livre, sim, mas de maneira bem mais discreta e em um contexto diferente. Além do mais, responde à uma função prática: O anonimato de que o personagem necessita para caçar o assassino de Ben Parker sem colocar sua identidade civil em risco.
O uniforme também tem uma função específica, otimizar os saltos do personagem com as teias ao reduzir a resistência do ar como acontece com atletas de diversos esportes.
As teias são um capítulo a parte. Aparentemente James Cameron e Sam Raimi convenceram o mundo de que era impossível um jovem estudante do secundário elaborar o fluído de teia porque a 3M ainda não havia pensado em nada semelhante (Pra mim sempre pareceu que o fluído de teia poderia ser um sucesso comercial se não se dissolvesse após uma hora, não entendo como ninguém nunca explorou a ideia de que Peter estava pensando no fluido como um adesivo permanente que não funcionava direito.).
De qualquer forma, no longa de Mark Webb Peter compra seu fluído de teia da Oscorp, um produto chamado biocabo, mas desenvolve o sistema de lançamento de teias por conta própria, o que já é um avanço.

A Trama.
Vi muita gente criticar a quantidade de coincidências fortuitas presentes no longa, a principal é Gwen, colega de Peter, trabalhar na Oscorp, onde também trabalha Curtis Connors, ex-colega de Richard Parker.
De fato, tremenda coincidência, mas é tão improvável? Se Gwen é uma cientista em potencial, não seria natural que ela tentasse uma vaga de estágio na grande empresa do ramo de Nova York? Eu não vejo isso como um problema ou uma forçação de barra maior do que Peter ser melhor amigo de Harry Osborn, filho de Norman Osborn, dono das indústrias Oscorp e futuro Duende Verde.
Outra recriminação ao roteiro diz respeito ao fato de não haver um desfecho à linha narrativa de Peter procurando pelo assassino do tio Ben. Ora, essa linha narrativa não precisa de desfecho. Peter simplesmente percebe, após a conversa com George Stacy e o incidente da ponte, que tem responsabilidades muito maiores do que vingança. Não existe necessidade de um desfecho àquela linha narrativa pro desenvolvimento do personagem, o abandono dela, na verdade, é que mostra o amadurecimento de Peter.
O sumiço do doutor Ratha (Irffan Khan, que eu estava esperando perguntar pro Peter se ele sabia quem estava na nota de mil rupias), sim, pode ser um evento que cause algum desconforto, mas se o personagem desapareceu pra sumir com a bazófia da predisposição genética (A possibilidade de que Peter se tornou o Homem-Aranha por causa de experimentos de seu pai.), seu sumiço é bem vindo.

A cena pós-créditos.
Não gostei da cena pós créditos. Achei ela extremamente genérica, apenas como um aviso de "Ei, vai ter outro, OK?", entretanto, o fato de a tal cena não revelar muita coisa exceto que existe uma "verdade" sobre seus pais que Peter ainda não descobriu dá aos produtores e roteiristas carta branca pra pesar o que funcionou e o que não funcionou nesse primeiro longa e saber o que se pode limar e o que deve permanecer pra futuras sequências.
E que elas não demorem.

sábado, 7 de julho de 2012

Tô Dentro

O Lisandro chegou todo pimpão com o video game embaixo do braço na casa do Maurício, ligou os cabos, colocou pra rodar o jogo do Capitão-América e disse sorrindo que nem guri de kichute novo:
-Te liga aqui, esse jogo é do caralho. Maior cópia da jogabilidade do game do Bátima, mas ficou maneiro.
O Maurício pegou o controle e jogou um pouco, constatou que a descrição do Lisandro fazia justiça:
-Pior, parece mesmo com o Arkham Asylum. O que tu tem naquela sacola? - Perguntou apontando com o queixo pra uma sacola plástica branca que Lisandro largara no chão próximo à sua mochila.
-Dois cachorros quentes e duas Fanta Maracujá. - Respondeu o Lisandro. - Vou meter no freezer e a gente come depois, pode ser?
-Arram - Respondeu Maurício, ainda jogando, mas olhando pro Lisandro de rabo de olho.
Lisandro voltou da cozinha do amigo sorrindo.
-Que horas a Clarisse chega? - Perguntou.
-Tá de plantão, hoje, não chega até às dez horas.
-Bom, não vai dar tempo de terminar o Capitão-América, mas tem mais coisa... ó, Marvel Vs. Capcom 3, Incrível Hulk, as expansões do GTA, Thor... Fiz um pacote de jogo de super-herói, eheheheh.
Maurício pausou o jogo e encarou Lisandro:
-Que alegria toda é essa?
-Que alegria, rapaz, tá me estranhando? Alegria é coisa de boiola. - Retrucou Lisandro, antes de cair na gargalhada.
Maurício fechou um olho encarando o amigo e disse:
-É com ela, né? Esses teus acessos de faceirice e de tristeza sempre têm a ver com ela.
Lisandro não disse nada. Sorriu de maneira enigmática e falou:
-Pode ser...
-E aí? O que vocês dois tão fazendo? Foram "à público"? - Perguntou Maurício.
-Não... Ainda não. - Respondeu Lisandro, sério. -Não dá.
-Então?
-Estamos tramando um golpe perfeito.
-Que golpe?
-Estamos fingindo que eu não sou louca, perdida e inapelavelmente apaixonado por ela.
-E vai dar certo?
-Como é que eu vou saber? Provavelmente não... A gente sabe que golpes perfeitos são complicados e têm tudo pra dar errado, que pessoas podem se ferir, e tudo mais, mas... - Lisandro hesitou.
-Mas o quê? - Quis saber Maurício.
-Tentando eu fico perto dela. E proximidade com ela faz qualquer risco valer mais que a alternativa.
-Que é?
-Estar longe dela, cabeça... Então, se me der a chance de estar por perto, o que ela sugerir, eu tô dentro. Vai, sai do jogo aí que eu vou te mostrar como é que se faz pro Homem-Aranha limpar o chão com o Magneto.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Resenha Cinema: O Espetacular Homem-Aranha

Ontem enfrentei a chuva inclemente que castigava Porto Alegre e finalmente assisti a O Espetacular Homem-Aranha, filme dirigido por Mark Webb que reinicia a franquia do herói aracnídeo nos cinemas sob um novo enfoque, ignorando os três filmes concebidos por Sam Raimi em 2002, 2004 e 2007.
Com minha camiseta de Aranha, sentado na penúltima fileira do cinema, numa posição bem centralizada, escondi minha carranca sob os óculos 3-D e esperei que, mesmo com as expectativas lá na estratosfera, o filme funcionasse pra mim.
E voilá, ele funciona.
O Espetacular Homem-Aranha mostra Peter Parker (Andrew Garfield), jovem nerd, estudante do secundário que vive sob uma sombra. Treze anos antes, seu pai e sua mãe, o deixaram com seus tios e saíram para nunca mais voltar.
A despeito de ter sido criado em um lar de amor e compreensão, Peter jamais superou o desaparecimento de sua mãe Mary (Embeth Davidtz) e seu pai Richard (Campbell Scott) Parker, e é justamente essa inconformidade com o fato de não saber que faz com que o caminho de Peter se cruze com o do doutor Curtis Connors (Rhys Ifans), renomado cientista que trabalha nas indústrias Oscorp e busca de maneira incessante uma forma de misturar o genoma de espécies diferentes de modo a suprir as deficiências humanas, em especial a sua própria: A amputação do braço direito.
É na Oscorp, procurando por seu passado que Peter é exposto à aranha geneticamente alterada que o pica e altera seu corpo dando-lhe poderes aracnídeos. Preocupado com as possíveis consequências da exposição, Peter se aproxima gradativamente de Connors, e o trabalho conjunto dos dois somado às anotações de Richard pode ser a chave para o sucesso da empreitada de Connors.
A aproximação de Peter e Connors, porém, causa transtornos no lar dos Parker. Os recém adquiridos segredos de Peter o colocam em rota de colisão com os tios Ben e May (Martin Sheen e Sally Field), e é justamente após uma discussão com seu tio que Peter deixa um assaltante que poderia segurar facilmente escapar.
O mesmo assaltante que atira em Ben, matando-o.
É aí que começa, de fato, o filme. Peter Parker, inicialmente um vigilante vingativo, vai aprender que grandes poderes trazem grandes responsabilidades, ao mesmo tempo em que precisa aprender a conviver com suas novas habilidades, e lidar com a perda do tio Ben, Peter se aproxima de sua colega, Gwen Stacy (Emma Stone), e continua na busca por sua origem e sua identidade enquanto Connors toma uma decisão extrema com relação à sua experiência que pode acabar em desastre na forma do Lagarto.
É um ótimo filme.
O Espetacular Homem-Aranha é honesto, divertido e bem estruturado, nada acontece ao acaso na trama que pode, sim, desagradar a alguns puristas. Eu senti falta de elementos que considero seminais pro personagem dos quadrinhos, mas isso não tira o brilho do filme nem o prejudica em demasia pra plateia em geral. A despeito de ter um roteiro redondinho, o filme por vezes parece dar uma corrida, obviamente já que, em cerca de duas horas e dez minutos, precisa-se contar duas origens (Herói e vilão), apresentar personagens e situações e preparar o terreno para o alavancamento da história, ainda assim, não é nada que estrague a experiência.
Mark Webb tem mão firme, mas não pesada, e manda bem na condução do roteiro (iniciado por James Vanderbilt e mexido por Alvin Sargeant e Steve Kloves), a trilha sonora de James Horner é muito boa, e o elenco, ótimo. Martin Sheen interpreta o tio Ben que todo o fã do Aranha sempre imaginou, aquele amigão bonachão que sabe cobrar quando acha justo, Rhys Ifans é o doutor Connors dos gibis, um homem bom e brilhante que acaba vergando sob uma aura de tormento e necessidade de auto-afirmação, Sally Field, mesmo aparecendo pouco como a tia May, dá seu recado nas suas poucas participações, ás vezes sem precisar dizer nada. Emma Stone é um achado no papel de Gwen Stacy, além de parecer uma versão em carne e osso da personagem desenhada por John Romita Sr. ela convence como a tímida e brilhante aspirante a cientista que estagia na Oscorp, o que dá a personagem mais função na trama do que ser apenas o interesse romântico do herói ou a donzela em perigo. Ainda há Dennis Leary, ótimo no papel de George Stacy, pai da mocinha e policial obstinado, mas não tem outra:
O filme pertence a Andrew Garfield.
O ator É Peter Parker e É o Homem-Aranha. Ele é um moleque apaixonado, ele é um adolescente rebelde, ele se arrepende de suas más decisões, e se apavora com o modo como as coisas mudam a seu redor sempre parecendo crível, sempre honesto, sempre convincente. Quando enverga a fantasia de super-herói (Aliás, parabéns ao departamento de figurino do filme, o uniforme, em movimento, é excelente. Tem uma mobilidade que não era visível nas fotos do filme e com a luz correta funciona à perfeição) ele se transforma, soltando seu lado mais sarcástico sob o anonimato que a máscara oferece e o poder que o uniforme evoca, sem contar que é a efígie cuspida e escarrada do Peter Parker desenhado por Steve Ditko.
Não, O Espetacular Homem-Aranha não é um filme perfeito. Entrando na inevitável comparação com o longa de 2002, provavelmente, enquanto filme, O Espetacular Homem-Aranha é inferior a Homem-Aranha, inclusive porque carece do impacto do filme de Sam Raimi, afinal, Mark Webb reconta uma história que mal completou dez anos nas telonas. Porém, na caracterização dos personagens, especialmente do protagonista, a versão 2012 do herói dá uma surra de relho no filme estrelado por Tobey Maguire.
E eu tenho certeza de que, com o desenvolvimento da história no inevitável O Espetacular Homem-Aranha 2, esse filme vai ganhar um espaço no coração da audiência, talvez, tão grande quanto o espaço que têm os filmes de Sam Raimi.

"-Não faça promessas que não pode cumprir, senhor Parker.
-Mas são o melhor tipo..."

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Resenha Filme: Homem-Aranha 3


A verdade é que a expectativa de todo mundo estava nas alturas... Depois do excelente filmes de estréia em 2002 e da sequência espetacular em 2004, parecia óbvio pra todo mundo que o terceiro filme da série Homem-Aranha, novamente sob a batuta de Sam Raimi, iria arrasar o mundo do cinema em quadrinhos naquele ano de 2007.
Desde a primeira foto, mostrando um Homem-Aranha abatido vestindo uma versão negra do seu traje, os fãs do cabeça de teia pelo mundo afora só falavam da possibilidade de ver o Venom no filme (O que só seria confirmado bem depois do começo da produção do longa), antes disso, porém, muita coisa aconteceu.
Thomas Haden-Church, que havia estado muito bem em Sideways - Entre Umas e Outras, fora contratado para viver o Homem-Areia, um dos mais clássicos vilões da galeria do cabeça de teia, a primeira foto de Church usando a indefectível camisa listrada de verde e preto com a calça marrom era de levar lágrimas aos olhos dos fãs hardcore.
Outros bons nomes se juntaram ao elenco, James Cromwell foi escalado para viver o do capitão George Stacy, e a linda Bryce Dallas Howard foi a escolhida para estar sob a tiara de Gwen Stacy, talvez o grande amor da vida de Peter Parker nos quadrinhos, e, finalmente, Topher Grace, o Eric Foreman de That's 70s Show ganhou o papel de Eddie Brock, que nos quadrinhos, coberto de gosma preta, transforma-se no Venom, vilão favorito dos fãs sub-15 do herói aracnídeo.
Além desses, todo o elenco principal retornava, lá estava Tobey Maguire (Meio gorducho...), Kirsten Dunst, mais bonita do que estivera nos dois primeiros filmes, James Franco, novamente na pele de Harry Osborn, além de Rosemary Harris, J. K. Simmons, Elizabeth Banks e Bill Nunn (Respectivamente: Tia May, J. Jonah Jameson, Betty Brant e Joe Robertson).
Toda a equipe de criação dos primeiros longas de volta, à exceção de John Dykstra, o mago responsável pelo design dos efeitos visuais dos dois primeiros longas, e Danny Elfman, compositor da trilha, substituídos respectivamente por Scott Stokdyk e Christopher Young, e lá estava um filme que tinha tudo pra dar certo.
Mesmo que as terceiras partes das séries de Superman, Batman, Blade e X-Men tivessem sido muito ruins, parecia que, se havia um filme capaz de quebrar essa escrita, era Homem-Aranha.
Mas não foi o que aconteceu...
Homem-Aranha 3 mostrava Peter Parker finalmente em paz com sua dupla identidade. Se nos filmes anteriores ser Homem-Aranha era um fardo com qual o jovem fotógrafo tinha de lidar, nesse terceiro ele finalmente abraçara com gosto seu alter ego e via sua vida entrar nos eixos. Bem na faculdade, namorando a mulher dos seus sonhos, e finalmente vendo o Homem-Aranha ser aceito como um herói pela mídia.
Entretanto, na vida do Peter Parker de Sam Raimi nada funciona por muito tempo. Ao mesmo tempo em que decide pedir Mary Jane em casamento Peter é atacado por um vingativo Harry Osborn, turbinado pelo soro do Duende Verde, descobre que o verdadeiro assassino de seu tio Ben, Flint Marko, ainda pode estar à solta, que o fotógrafo Eddie Brock pode ficar com seu emprego no Clarim e, não bastasse tudo isso, ainda se torna alvo de um simbionte alienígena que vê nele um parceiro perfeito.
Conforme vê sua vida degringolar em várias frentes, Peter vai sendo dominado pelos seus instintos mais obscuros, tornando-se presa fácil para o simbionte.
Enquanto luta contra Marko, transformado no Homem-Areia após um acidente, e lidar com a trama engendrada por Harry para destruir sua vida pessoal, o herói ainda precisa enfrentar seu próprio lado negro, o que pode colocá-lo em rota de colisão com mais um mortífero antagonista.
Homem-Aranha 3 era um filme repleto de promessas e condições de cumpri-las, entretanto, aquele que seria o último longa do herói dirigido por Sam Raimi acabou não vingando.
Embora tivesse boas sequências de ação, e uma ou outra sacada interessante, Homem-Aranha 3 acabava se mostrando como um produto visivelmente conflituoso. De um lado via-se as tentativas de Raimi de manter o foco intimista na história de amor de Peter e Mary Jane prestando homenagens aos gibis que ele crescera lendo, e de outro a mão da Sony e dos produtores empurrando Venom, popularíssimo entre os leitores neófitos, goela abaixo do diretor que já tornara pública a sua aversão ao personagem.
Como resultado disso o longa tinha três vilões mas não tinha tempo de desenvolvê-los a contento mesmo que os conflitos que transformaram Harry em um sucessor de Norman já fossem conhecidos.
O surgimento do simbionte que dava origem ao Venom era rápido e insípido, o que de certo modo fazia justiça ao personagem do gibi, que sempre foi raso como um pires e galgado apenas no visual de "Homem-Aranha do Mal", mas acabava sendo apenas um acessório sem graça no cinema. Sua aparição como o vilão, após se unir a Eddie Brock só não era mais despropositada do que o fato de sua influência transformar Peter em um emo violento e dançarino.
Melhor sorte teve Flint Marko, o Homem-Areia de Haden Church, que até teve um background interessante, embora excessivamente melodramático (Mantendo a tradição da trilogia de Sam Raimi de ter vilões que eram vítimas em todos os filmes).
O excesso de vilões e subtramas paralelas tornava Homem-Aranha 3 um filme apressado e abrupto, ainda colocava personagens caríssimos aos fãs como Gwen e o capitão Stacy em papéis que, pra serem coadjuvantes, precisariam ser aumentados.
Pra piorar, a música do filme sentiu falta de Danny Elfman. A partitura de Christopher Young não tinha nenhuma música memorável, de modo que várias sequências de ação eram embaladas pelo main theme do filme original num arranjo mais rapidinho com a maior cara de trilha sonora de filme de TV.
Melhor sorte tiveram os efeitos visuais, que funcionaram a maior parte do tempo, embora na grande batalha final houvessem algumas texturas que ficavam devendo às do filme anterior, e muitos dos efeitos dos poderes do Homem-Areia parecessem reciclagens de A Múmia.
Mas talvez o grande golpe de misericórdia do terceiro longa fosse a retcon à morte do tio Ben no filme original. Todo fã de quadrinhos (e de cinema depois do longa de 2002) sabia que o assassino de tio Ben foi um ladrão que Peter deixou escapar por ser irresponsável, certo?
É... Era assim até o terceiro filme colocar a morte, ainda que acidental, de Ben Parker na conta de Flint Marko.
Mesmo tendo feito uma bela carreira no cinemas, faturando mais de oitocentos e noventa milhões de dólares só em bilheterias, Homem-Aranha 3 acabou azedando a relação de Raimi com a Sony, tanto que antes do reboot que estréia oficialmente amanhã, no Brasil, o diretor estava já em estágio de pré-produção de um Homem-Aranha 4, que teria como vilão o Abutre a ser vivido por John Malkovich até que as divergências criativas com a Sony acabaram de vez com a parceria.
Uma pena. Homem-Aranha 3 não convenceu ninguém, e deu uma derrubada bonita na qualidade da série aracnídea no cinema, ainda assim, a despeito dos defeitos do terceiro longa, Homem-Aranha e Homem-Aranha 2 têm um lugar muito especial no coração de todos os fãs do personagem.
Hoje vou conferir o reboot da franquia, e amanhã conto por aqui se essa nova encarnação do cabeça de teia merece a mesma deferência por parte dos fãs.

"-Buscando perdão? Tente uma religião."

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Rapidinhas do Capita


Você sabe que está ouvindo/lendo/assistindo um veículo da Rede Baita Sol quando o Zé Roberto, aos trinta e oito anos, recebendo estimados quinhentos mil reais por mês é "uma ótima contratação", "reforço de peso", "craque repatriado" e etc, e Diego Forlán, 33 anos, melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, recebendo salários estimados em quatrocentos mil por mês é "aposta de risco", "investimento pesado em jogador velho", "golpe de marketing" e etc...

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-O que tu quer fazer? - Ela perguntou naquela mistura de lânguida e dengosa com meio moleca e descolada que ele aprendera a amar. Ele, se ajeitando no sofá respondeu em forma de pergunta:
-Contigo?
Ela sorriu e o beijou, enquanto confirmava:
-Sim, comigo.
-A gente pode ir ao cinema. Ou ver um filme em casa, mesmo. Ou sair pra jantar, ou chamar uma pizza. Ou só ficar sentado aqui conversando, ou ouvindo uma música que tenha um milhão de significados pra nós dois e mais ninguém. A gente pode jogar video-game, uma vez pra cada um. Mudar pra um apartamento maior. Ou mudar pra uma casa com pátio por causa do cachorro. A gente pode ter um filho. Ou uma filha. Discutir sobre qual vai ser o nome. A gente pode brigar e depois se reconciliar. A gente pode se beijar na chuva, numa reprodução do clichê mais recorrente do cinema. A gente pode organizar uma festa à fantasia e eu vou de Capitão América e tu de Mulher-Aranha. A gente pode ser feliz. A gente pode envelhecer juntos. A gente pode rir dos desencontros, no futuro. A gente pode fazer qualquer coisa... Contigo eu sei que eu posso fazer qualquer coisa.

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Quem mais está roendo as unhas pra assistir a'O Espetacular Homem-Aranha? Estou tentando manter as expectativas baixas, especialmente depois de ter feito maratona dos três filmes anteriores, que são espetaculares, mas tá difícil. Amanhã eu tiro essa febre...

terça-feira, 3 de julho de 2012

Street Smart


A Suzana, dezesseis anos, bonita, descolada, e avoada que não podia ser mais. Não que fosse burra, não era, mas certamente não era "book smart", o tipo de pessoa estudiosa que aprende ouvindo e lendo, era "Street smart" total, daquelas pessoas espertas que vão muito mal na escola, o que lhe causava sérios problemas em casa, mas tinha traquejo pra se livrar dos maiores perrengues. Andava com as companhias erradas, e diziam seus pais, tinha mais sorte que juízo.
Tinha passado mal duas vezes naquela semana, e ouviu de seu pai, o desembargador Fernandes, que era pra ir ao médico dar jeito nisso pra poder se dedicar aos estudos, que ele, com a idade dela, já trabalhava, estudava e ajudava o pai com os afazeres da oficina mecânica, e blá, blá, blá, tudo isso sob o olhar acusador de sua mãe, dona Sofia, que com dezesseis anos já era normalista e noiva do desembargador.
Aí foi a Suzana ao médico. Marcou hora pra de manhã, espertamente pensando em ter uma justificativa pra matar aula naquele dia.
Passou a manhã fora, o dia todo fora, dona Sofia já agoniada, ligou pro celular da filha para repreendê-la, mas não obteve resposta. Ficou fula, mas não era incomum ter uma ligação ou duas eventualmente ignoradas por aquela menina desmiolada.
Ligou novamente meia hora mais tarde, outra vez sem sucesso. E uma terceira ligação uma hora depois, novamente infrutífera. Aí, dona Sofia já estava nervosa, pensando no que podia ter acontecido à Suzana.
Quando o desembargador chegou em casa precisamente às dezoito e trinta e seis, mesmo horário em que chegava todos os dias, ao invés de encontrar a esposa o esperando com o cachimbo e os chinelos, a encontrou desesperada dentro de casa, exclamando à sua mera visão:
-Astolfo, a Suzana sumiu!
Em que se pese que a Suzana não era uma menina caseira, ela também não era do tipo que passa o dia todo fora de casa. Sempre aparecia em casa de duas a três vezes durante o dia pra mudar de roupa, tomar banho, recarregar o celular ou pedir dinheiro, logo, aquela ausência de mais de dez horas, incomunicável, não era natural. Sabendo disso, o desembargador Fernandes já começara a se movimentar para ligar para os amigos da Suzana em busca de notícias quando a porta da frente fez barulho, e a Suzana, muito cabisbaixa, entrou em casa, e, antes que o desembargador e a dona Sofia pudessem repreendê-la, deu o mais profundo suspiro de todos os tempos.
-Oi, gente...
O desembargador ainda pensou em começar um discurso, mas vendo a expressão preocupada de dona Sofia, entregou-lhe a palavra. E ela usou:
-Onde tu andava, minha filhinha? A gente tava morrendo de preocupação, tu sumiu, não atendia o celular...
-Ah, é... Desculpa... Tava no silencioso...
-Minha filha - Começou o desembargador -O que houve?
A Suzana sentou, joelhos cruzados, e, olhando pros próprios pés, disse:
-Pois é... Eu fui ao médico, sabe... E...
-E o que, minha filha? - Perguntou a dona Suzana, aflita.
-Eu tô com câncer terminal, mãe. -Bombardeou a Suzana. -O médico me deu mais seis, sete meses de vida. Um ano no máximo. - Completou.
A dona Sofia e o desembargador Fernandes correram até a filha abraçando-a com carinho, os dois choravam.
-Minha filha - Disse a dona Sofia -Desculpe a nossa intolerância. Nós te amamos tanto...
O desembargador, abraçando a filha e a esposa, também falava:
-Conte com o nosso amor, minha filha, com o nosso carinho e proteção. Vamos fazer tudo pra te ver bem. Tu nunca mais vai ouvir uma palavra de crítica nessa casa, eu te prometo, e tu sabes que quando eu prometo, tu podes levar a sério.
E a dona Sofia completou olhando pro teto, mas falando com o céu:
-Eu daria qualquer coisa pra te ver saudável, minha filhinha, qualquer coisa!
A Suzana, então, desvencilhou-se do abraço, e acariciando os ombros dos dois disse:
-Então eu tenho uma baita notícia pra vocês: Eu não tô com câncer, não, tô grávida. Só não tenho certeza quem é o pai, mas ou é o Buiú, ou é o Zôio, ou o Cadão, enfim, se precisarem de mim tô lá no quarto.
E subiu lépida as escadas, deixando na sala a dona Sofia, em um misto de alívio e baque, e o desembargador contando até mil enquanto esperava os punhos pararem de tremer de fúria pra ir à cozinha pegar um antiácido e se perguntava se queimaria no fogo eterno do inferno se desejasse que a filha desenvolvesse mesmo um câncer, pequenininho, do tipo tratável, no estômago.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Prepotência Romântica


Ela estava sentada atravessada no sofá. Com o corpo estendido paralelo ao assento e as costas apoiadas no descanso de braço do móvel. Olhava pra TV assistindo uma dessas séries de que só mulheres gostam, ele não sabia qual era. Ele estava sentado direito no sofá, com os pés dela em seu colo, óculos postos lendo um gibi qualquer enquanto acariciava o pé dela com a ponta de três dedos. De repente ele parou, ergueu os óculos colocando-os sobre a testa e desviou os olhos da revista, mirando ela, que, distraída com a televisão demorou pra ver. Quando viu olhou pra ele, e sorriu o sorriso pelo qual ele se apaixonara.
-Que foi? - Ela inquiriu.
-Nada. - Ele respondeu sorrindo.
Ela olhou de volta pra TV e continuou assistindo seu programa, mas ele não desviava os olhos dela. Ela virou de novo, agora rindo:
-Quié isso, menino? Tu tá me deixando agoniada.
Ele sorriu, e de maneira meio bruta, apanhou-a pelo tornozelo e deu-lhe um beijo estalado no peito do pé. Ela ainda olhava pra ele, e ele, ficando sério de repente, disse:
-Tu não faz ideia, não é?
-Do quê? - Ela quis saber.
-Do quanto eu sou louco por ti. De que eu, que sempre acreditei em amores construídos com muito trabalho e dedicação, me apaixonei por ti à primeira vista. De que, na primeira vez que eu te beijei, eu sabia que era só o que eu ia querer dali pra frente. Do medo que eu, que não tenho medo de nada, sinto de te perder. Do quanto eu me sinto ridículo por acreditar... Acreditar, não. Por saber que tu é minha alma gêmea, mesmo não acreditando em alma gêmea. Do quanto eu quero te aquecer nos dias frios. Do quanto eu quero te refrescar nos dias quentes. E do quanto eu quero te fazer feliz todo dia, pra recompensar o quanto tu me faz feliz a cada minuto, e que não vou te deixar em paz pelo resto da minha vida.
Ela se esgueirou agilmente até estar ajoelhada com o corpo colado no dele, acariciou seu rosto mal barbeado com a mão delicada, e o beijou. Então sorriu de novo, e sem nenhuma modéstia disse:
-Claro que eu tenho ideia, tonto. Na verdade eu sempre tive foi certeza.
Os dois riram e desligaram a TV enquanto voltavam a se beijar, e ele tinha certeza de que uma demonstração tão veemente de prepotência romântica só podia significar que ele encontrara o amor da sua vida.