Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Resenha Game: Batman - Arkham Origins
Foi tudo culpa da Rocksteady.
Foi o estúdio inglês, aliado ao gênio criativo de Paul Dini que gerou um monstro chamado Batman - Arkham Asylum.
O game de 2009 levou às mãos de todos os gamers e fãs de quadrinhos do mundo a mais sensacional versão interativa do Batman que o mundo já vira até então.
O game foi um hit absoluto entre fãs e não-fãs de quadrinhos, laureado com diversos prêmios, e tornou a tarefa de criar jogos de super-heróis indigesta para todos os estúdios desenvolvedores dali por diante.
Pra piorar, em 2011 a empresa voltou à carga, e pariu o monstruoso (no bom sentido) Batman - Arkham City, que ampliava o escopo de Arkham Asylum em todos os aspectos deixando fanboys com lágrimas nos olhos a cada curva do caminho.
Sim. A série Batman - Arkham era a quintessência do que um game de super-heróis deveria ser, mostrando o respeito e o carinho dos desenvolvedores pelo personagem e todo o seu universo, aos quais souberam entender como nenhuma outra empresa fizera antes, e pelos fãs, que finalmente se viram numa posição em que podiam dizer, com todas as letras, que eram a noite.
Sabendo como os dois games da série Batman - Arkham eram sensacionais, não era de surpreender que os fãs tenham ficado com o pé atrás com relação ao inevitável terceiro capítulo da saga quando foi divulgado que Paul Dini e a Rocksteady não estariam envolvidos com o game.
Ao invés disso, o jogo ficou por conta dos estúdios da Warner Bros. Games Montreal, divisão da Warner Bros. Interactive Entertainement . Não que a desenvolvedora fosse "verde" em se tratando dos games do morcego. Foi esse o estúdio responsável por Batman - Arkham City: Armored Version, lançado para o Wii-U, a partir do game original da Rocksteady, então, os sujeitos tinham background no assunto. Além disso, como uma divisão da Warner, teriam acesso a escritores e roteiristas que entendessem do riscado, e, afinal de contas, depois de dois games espetaculosos, era difícil errar a mão, bastava não fazer cagada.
E, após jogar Arkham Origins por duas madrugadas quase inteiras, posso dizer que a WB Games Montreal não fez cagada.
Mas foi basicamente só o que o estúdio fez: Evitar a cagada.
Arkham Origins mostra um Batman jovem, recém iniciando sua carreira como vigilante mascarado, após cerca de dois anos de combate soturno ao crime, Batman ainda conta com o status de lenda urbana para a opinião pública, muitos bandidos ainda o consideram apenas uma superstição e a polícia afirma que ele não existe, embora investigue suas atividades sem a certeza de que se trata de um único homem, ou vários e existam ordens para detê-lo assim que for identificado.
É nesse contexto que, na véspera do Natal, o gângster Máscara Negra elabora um plano para dar cabo dessa nova ameaça ao status quo da corrupta e decadente cidade de Gotham City:
O bandido oferece uma recompensa de 50 milhões de dólares pela cabeça do Homem-Morcego, e convoca alguns dos mais perigosos assassinos do mundo para fazer o serviço e clamar o pagamento.
Como é praxe na série, isso coloca o cruzado encapuzado numa espiral de eventos interligados que o farão passar por uma noite infernal lutando por sua sobrevivência.
Pois bem... Arkham Origins está longe de ser um mau game.
Não é, é muito bom. As mecânicas funcionais de Arkham Asylum e City estão todas lá, mantidas incólumes, como o espetacular sistema de combate, os gadgets do cinto de utilidades, e as capacidades investigativas do maior detetive do mundo (Essas aliás, recebendo uma melhoria em relação aos jogos anteriores), o problema é que a WB não consegue repetir o apuro técnico aos mínimos detalhes da produtora anterior.
Há, por exemplo, pequenas falhas de renderização, e profundidade, e a cidade simplesmente não é tão bonita em Origins quanto era em Asylum e City.
Além dessa questão na parte gráfica, que vá lá, não é primordial, existe uma questão mais grave:
O roteiro.
Arkham Origins não é nem de longe tão grave e imersivo quanto seus antecessores. O entredo do game não é urgente como o de Arkham Asylum e especialmente de Arkham City (Sim, Paul Dini faz muita falta), e os chefes de fase são, em sua maioria, mornos se comparados à bandidagem cascuda que já deu as caras na série anteriormente. Pra piorar há decisões que são simplesmente imperdoáveis como reutilizar o vilão Crocodilo (Killer Croc) com um visual totalmente diferente dos outros games, e em confrontos que não são, nem de longe, comparáveis ao duelo de Arkham Aylum, provavelmente o mais tenso do game.
Por outro lado, se a WB Montreal cometeu equívocos na realização do game, há também boas sacadas.
Pra versão brasileira do jogo, por exemplo, a dublagem é digna de nota.
Como Arkham Origins mostra um Batman novato, Kevin Conroy, legendário dublador do personagem (infelizmente) não está na versão em inglês do game com sua voz de tenor, tendo sido substituído por Roger Craig Smith, uma perda e tanto.
Para amainar a dor dos brasileiros, na versão em português, o elenco de dublagem do game é o mesmo dos filmes da série Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, com Ettore Zuim como Batman e Márcio Simões como Coringa, uma boa ideia dos produtores da versão nacional, embora Guilherme Briggs, como Bane, seja de doer.
O roteiro, apesar dos pesares, tem algumas boas tiradas conforme a trama se desenvolve, e as várias missões paralelas, o retorno do sistema de desafios (incluindo uma versão com cenários para o Exterminador, um dos antagonistas do game), e até a inserção de um modo multiplayer, são todas aquisições interessantes que somam para a experiência Arkham Origins, ainda assim, embora seja um bom game de super-herói, ele perde feio na comparação com os games anteriores.
Aparentemente faltou colhão à WB Montreal pra assinar o game, que carece de personalidade mais do que de qualidade.
Ainda assim, vale a compra, e aí, faça o seguinte: Jogue Arkham Origins, Arkham Asylum e Arkham City na sequência cronológica, e não na ordem de lançamento. Assim as coisas devem ficar mais equilibradas, e o caçula da família não faz tão feio.
Volta Rocksteady! E que venha o "Arkham World".
"-Você não é um vigilante veterano! Você é um jovem com um fundo de investimento e muita raiva!
-Eu sou a razão pela qual os criminosos de Gotham respiram aliviados quando o sol nasce."
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Medo e Vergonha

O professor desceu a lomba a passos rápidos e hesitantes. Parou em frente ao prédio, uma casa de três pisos à margem da calçada de uma insuspeita rua residencial tranquila nos limites do centro da cidade, respirou fundo e tocou a campainha.
O breve período entre o soar da sineta e o ruído da porta sendo destrancada por dentro, breves segundos, bastaram para ele pensar em ir embora.
"Não tem ninguém. Estão todas ocupadas".
Mas, o tempo foi demasiado curto para ele empreender sua fuga, logo após o ruído da fechadura, a porta se abriu e um rapaz moreno, com os cabelos raspados na lateral e alisados no alto da cabeça surgiu.
-Pode entrar. - Disse, amigável.
O professor hesitou brevemente, mas, termendo que alguém o visse na entrada da casa, e soubesse de que se tratava o endereço, resolveu entrar logo.
Adentrou o prostíbulo olhando em volta como se fosse um negro invadindo de penetra uma festa da Ku Klux Klan.
O ambiente não tinha nada de assustador ou fetichista. Era apenas uma sala de estar contígua a um estreito hall de entrada. O piso, de parquê marfim, fê-lo lembrar da casa da avó. O sofá de couro branco desgastado não parecia um convite ao pecado, e a música, Ryhanna entoando Only Girl em altíssimo volume, não era nada de muito diferente do que ele estava acostumado a ouvir saindo dos MP3 players dos seus alunos.
O rapaz, muito solícito, perguntou se ele tinha marcado com alguma menina.
-Não... Não marquei nada com ninguém. Se não tiver ninguém disponível eu volto outra hora... - Disse o professor, virando as costas em direção à porta de saída.
Foi, porém, detido pelo rapaz que o recepcionara:
-Não, não... Têm meninas disponíveis. E rapazes... O senhor quer ver rapazes ou meninas?
O professor ficou olhando pra ele um instante, decidindo se deveria sentir-se ofendido, ou não.
-Meninas. Só meninas. - Disse em um balbucio.
O rapaz se prontificou a guiá-lo até a suíte. Um quartinho de dois por dois metros com um pequeno banheiro contíguo. Havia uma cama de casal coberta com lençóis emulando a pelagem das zebras, um criado-mudo sobre o qual repousavam lenços umedecidos, preservativos, lubrificantes à base d'água e acessórios eróticos diversos e um televisor preso à parede onde um homem e uma mulher realizavam uma performance sexual típica dos filmes pornográficos: Acrobática, explícita, e minimamente erótica.
O rapaz voltou após alguns minutos dizendo:
-A Rainha já vem, se o senhor quiser, pode ir tomando banho. - E largou uma toalha enrolada sobre a cama.
O professor ficou apreensivo. "A Rainha"? Como assim "A Rainha? Qual Rainha? Ficou pensando na rainha da Inglaterra, a Elizabeth, e não gostou da imagem mental. Depois pensou na Helen Mirren, e aí se animou. A Helen Mirren é extremamente sexy. Tomou banho, teve cuidado especial em lavar as partes íntimas. Após o banho, secou-se e começou a vestir as roupas até dar-se conta de que não precisaria delas no que estava por vir. Andou nu até a cama e sentou-se, olhando o filme pornográfico que passava na TV.
Sentiu-se envergonhado de toda a situação. Ele, um homem adulto, um educador, ali. Nu em um lugar desconhecido, prestes a trocar dinheiro por alívio sexual com uma desconhecida completa que obviamente não se sentia nem remotamente excitada por ele. Que tipo de pessoa ele havia se tornado?
Na verdade, que tipo de pessoa o divórcio o havia tornado?
Antes de sua esposa e ele terminarem um relacionamento de anos ele jamais teria se sujeitado à quilo. Jamais teria ido para a internet em uma janela de navegação anônima do computador do serviço pesquisar prostitutas nas imediações de seu local de trabalho. Jamais.
Ele não era assim. Era um bom homem. Um homem correto, respeitador, educado, razoavelmente inteligente e bem informado.
Além disso era um sujeito romântico. Que gostava dos pormenores da relação homem-mulher. Que sentia prazer no flerte, na ostentação do sentimento, no dormir abraçadinho, nas preliminares e em dar prazer à mulher a quem amava tanto quanto no ato sexual em si.
E agora... Agora, por solidão... Por despeito, talvez, ali estava ele, prestes a manchar a si próprio, a pessoa que era, em nome de trinta minutos de prazer carnal?
Não parecia certo. Não parecia correto. Não parecia algo com que ele pudesse conviver.
Resolveu desistir da perfídia vespertina que se avizinhava.
Levantou-se da cama e pôs-se à vestir as cuecas. Foi quando a porta se abriu.
O professor, antes de se virar, já começara a ensaiar o discurso de desculpas. Ao terminar de vestir a roupa de baixo, encarou quem acabara de entrar. Uma morena quase da sua altura, cabelos negros encaracolados que chegavam ao meio das costas. Cintura fininha, seios do tamanho certo para suas mãos, pernas quilométricas, vestindo um conjunto de lingerie rendada púrpura e negro transparente deixando todas as partes certas parcialmente à mostra no lusco-fusco do quarto.
Ela deu oi, e imediatamente se virou, tirando a calcinha e o sutiã, não teve jeito. O corpo respondeu à visão, e toda a sua determinação se esvaiu com o sangue que lhe abandonou o cérebro da se alojar temporariamente mais ao sul de seu corpo.
"Pro inferno com as convenções sociais", pensou. "Essa é só uma transação financeira igual a qualquer outra", "ela e eu somos adultos e, de comum acordo, aceitamos essa situação e essa breve conjunção carnal"... Todas essas conjecturas lhe passaram pela cabeça na fração de segundo entre a visão da bunda da jovem e o momento em que ela se virou novamente para ele e após olhá-lo brevemente, fechou um olho e perguntou:
-Tu não é professor?
Ele engoliu em seco e perguntou:
-Tu é minha aluna?
-Não - Ela respondeu, rindo. -Mas te achei com cara de professor de português.
Uma onda de alívio, somada a uma brochada épica. Mesmo com aquela mulher linda, nua, a pouco mais de um metro dele, o cagaço fizera seu serviço.
Disparou o discurso de desculpas, que aquele não era ele, que ela era muito bonita mas ele não podia fazer aquilo, se ficava devendo alguma coisa pelo banho que tomara... Ante a compreensão da jovem, terminou de se vestir, juntou seus livros e saiu do puteiro com a honra razoavelmente intacta e uma certeza:
Quando a fibra moral da vergonha faltar, sempre se pode contar com o medo.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Trailer de Capitão América 2 - O Soldado Invernal
E saiu o trailer completo de Capitão América 2 - O Soldado Invernal.
A prévia de cerca de dois minutos e meio mostra muita pancadaria, explosões, conspirações governamentais nos mais altos escalões da SHIELD, além de uma sugestão de flerte com a Viúva Negra e uma sugestão dos problemas de Steve Rogers para se encaixar no mundo novo onde despertou após décadas no gelo.
Pode-se ver Robert Redford como o novo manda-chuva da SHIELD, Samuel L. Jackson na pele de Nick Fury, Scarlett Johansson como uma Viúva Negra recém saída do cabeleireiro e Anthony Mackie em ação com as asas do Falcão e até Frank Grillo sem a máscara do Ossos Cruzados, embora nenhum sinal de Emily VanCamp como a Agente Treze ou de Georges Saint Pierre como Bartoc, o Saltador...
Prematuro dizer qualquer coisa a respeito do filme, mas parece divertido.
A prévia de cerca de dois minutos e meio mostra muita pancadaria, explosões, conspirações governamentais nos mais altos escalões da SHIELD, além de uma sugestão de flerte com a Viúva Negra e uma sugestão dos problemas de Steve Rogers para se encaixar no mundo novo onde despertou após décadas no gelo.
Pode-se ver Robert Redford como o novo manda-chuva da SHIELD, Samuel L. Jackson na pele de Nick Fury, Scarlett Johansson como uma Viúva Negra recém saída do cabeleireiro e Anthony Mackie em ação com as asas do Falcão e até Frank Grillo sem a máscara do Ossos Cruzados, embora nenhum sinal de Emily VanCamp como a Agente Treze ou de Georges Saint Pierre como Bartoc, o Saltador...
Prematuro dizer qualquer coisa a respeito do filme, mas parece divertido.
Rapidinhas do Capita
Olha só que maneiro. A produção de O Espetacular Homem-Aranha 2 começou a divulgar o filme com mais vontade através do tumblr do Clarim Diário.
A página é cheia de referências aos acontecimentos do filme anterior, incluindo aí notícias a respeito do julgamento de Curt Connors, o Lagarto (Rhys Iffans), as flutuações das ações da Oscorp na bolsa de valores (Em alta mesmo após os acontecimentos do primeiro filme), a reação da população à ameaça super-humana, a abordagem da polícia ao crime organizado após a morte do capitão Stacy... Enfim, uma porção de pílulas de informação para situar a audiência ao mundo do herói aracnídeo no período entre os dois filmes.
Mais bacana do que isso, só as pequenas menções a personagens dos quadrinhos embutidas nessas pequenas matérias. O julgamento de Curt Connors, por exemplo, é coberto por Ned Leeds, Joy Mercado cobre a área financeira, falando sobre os avanços da divisão de robótica da empresa, encabeçada por Spencer Smythe e a pesquisa de um aparato voador sendo desenvolvido para o exército, enquanto Kate Cushing escreve a matéria sobre a polícia de Nova York, incluindo aí uma declaração do detetive Stan Carter.
Quem quiser ver essas e novas notícias que devem surgir até o lançamento do filme pode ir até o site dar aquela olhada. Tudo em inglês, claro:
http://thedailybugle.tumblr.com/
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E enquanto a gente começa a contagem regressiva pra Thor 2 - O Mundo Sombrio, com Chris Hemsworth já pedindo o Ragnarok no terceiro filme e Tom Hiddleston dançando na Coréia, Capitão América 2 - O Soldado Invernal ganha um novo pôster em preparação para o trailer do filme que deve sair hoje.
Enquanto Thor 2 - O Mundo Sombrio, dirigido por Alan Taylor estréia em 1° de novembro no Brasil, Capitão-América 2 - O Soldado Invernal, dirigido por Nick e Joe Russo, estréia em 11 de abril de 2014 e terá sua primeira prévia divulgada hoje, às duas da tarde.
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E o Ben Kingsley?
O ator britânico que interpretou o Mandarim em Homem de Ferro 3 disse que está trabalhando em um projeto secreto com a Marvel.
Atenção, se tu ainda não assistiu Homem de Ferro 3, não continue lendo, vou distribuir uns spoilers...
Kingsley fez fãs fervorosos do super-vilão chinês engasgarem de ódio e torcerem os narizes ao interpretar Trevor Slattery, um ator beberrão e narcoléptico que fingia ser o Mandarim para Aldrich Killian (Guy Pearce), o verdadeiro vilão do filme.
Pois bem, seria esse "projeto secreto", uma reviravolta na vida do ferroso com Kingsley interpretando o verdadeiro Mandarim?
Há algumas pistas nos três filmes do Homem de Ferro que apontam nessa direção. Entre elas o fato de A Irmandade dos Dez Anéis do primeiro longa não ter nada a ver com a operação de Killian no terceiro, o fato de Trevor admitir ter feito algumas cirurgias plásticas para incorporar o Mandarim (Cirurgias pra se parecer com alguém, talvez?), e de onde Killian tirou recursos pra deixar de ser um cientista escroto mendigando atenção em 2000 para se tornar um puta empresário fodelão do submundo em 2013?
Poderia ser uma boa forma de remediar o que ficou com cara de um puta desperdício de um baita de um vilão na terceira incursão solo de Tony Stark na telona.
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Cronologias...
Vinha andando pela Washington Luiz, guarda-chuva sob do braço, o céu carregado acima de si, prenunciando o temporal, e pensando se ainda haveria tempo para levar seu cachorro para dar uma voltinha antes que o mundo desabasse como fizera durante o dia inteiro nas cercanias da metrópole.
Andava ouvindo o ruído de seu tênis a chapinhar na água empoçada nas depressões da judiada calçada e o eventual som dos carros a trafegar no que era uma das mais tranquilas ruas do Centro.
Acabara de passar em frente à casa de uma moça com quem saíra pouco tempo antes e de quem, por mais bonita, maneira e exótica que fosse, ele não se arrependia de ter desistido, quando viu, andando na direção oposta, um homem.
Tinha cerca de metro e oitenta e cinco de altura. Talvez um e oitenta e quatro... Quiçá um e oitenta e seis. Os cabelos grisalhos estavam presos em um coque mal ajambrado na parte posterior de sua cabeça. Tinha uma barba rala, comprida e espetada sob o maxilar e o queixo, onde tornava-se pontuda, e era também rajada de branco. Ele usava óculos de grau com uma armação preta retangular que pouco faziam para esconder-lhe as fartas sobrancelhas, essas plenamente negras.
Tinha seus cinquenta e tantos anos. Talvez sessenta. E vestia uma calça jeans escura, uma camisa branca e um blazer preto. Nos pés calçava tênis brancos bastante judiados e que pareciam confortáveis barbaridade, e portava uma pasta de couro preta, não dessas pastas executivas, mas uma pasta sem alças, bastante cheia apoiada junto ao flanco esquerdo.
Havia algo de familiar naquele homem que atraiu sua atenção. Algo naquele rosto marcado, de pele muito branca com algumas rugas profundas ao redor dos olhos castanho-escuros... O que poderia ser?
Ele não sabia, ainda assim, não foi capaz de desviar o olhar do tal sujeito, que, ele então percebeu, também o encarava fixamente.
Estranhou o fato de não ter desviado o olhar, mas o sustentado, e perceber que o outro também fazia o mesmo.
Quando se cruzaram, o velho baixou os olhos e maneou a cabeça, seguindo seu caminho. O jovem parou a observá-lo, vendo-o se afastar andando com passos decididos, e apenas então, deu-se conta:
Aquele era ele.
Sim. Por surreal que pudesse parecer, aquele homem com quem dividira a calçada era ele daqui a alguns anos. Ele não sabia como, não sabia por que, mas tinha a certeza inabalável de que aquele homem era ele próprio em vinte ou vinte e cinco anos. Não chegou a formular teorias que explicassem tal prodígio tomando forma em um ponto qualquer do Centro de Porto Alegre. Não parou para admirar a beleza surreal de poder vislumbrar a si próprio na terceira parte da vida, nem para conjecturar o que estaria sentindo sua contraparte ao ver-se a si próprio aliviado do peso dos anos que agora os separavam. Não. Nada disso lhe passou pela cabeça. Tinha um único pensamento:
Deveria perseguir àquele homem e dizer que era ele próprio? Ele saberia? Ou ficaria tão chocado e estarrecido quanto estava sua persona contemporânea? Ele não tinha como saber. Não ousava deduzir que tipo de ocorrência ímpar firmara aquele encontro improvável, tampouco prescrutar as intenções de seu eu do futuro, mas ainda assim, tinha ganas de segui-lo e agarrá-lo pelo colarinho dizendo "Sou eu!", "Somos eu!". Mas e então? O que aconteceria? E se, ao se aproximar do homem notasse que não fora mais senão desatenção que o fizera tomar aquele desconhecido por uma encarnação futura de si mesmo? E se ao olhá-lo de frente após abordá-lo de forma impensada notasse que tudo não passara de uma ilusão de ótica?
Ou pior...
E se abalroasse o homem com sofreguidão, o chacoalhasse pela camisa e descobrisse que sim, era ele mais velho? E se fosse capaz de persuadi-lo a partilhar informações acerca dos dias vindouros e então ficasse sabendo que nada de bom lhe era reservado no futuro? E se descobrisse as tragédias que estavam por vir, as mazelas que seria incapaz de evitar, se agendasse as desgraças todas com antecedência, mas nada pudesse fazer para evitá-las? De que adiantaria estar ciente do malfeito sem que nada houvesse para impedi-lo de se concretizar?
Pois é assim com muitas das piores coisas da vida. Elas nos pegam de surpresa, e simplesmente nos deixam de mãos atadas. Seriam essas mazelas irremediáveis menos dolorosas se fossem sabidas de antemão? Ou então a vida seria nada, senão o intervalo entre um malefício e outro? Um sádico jogo de espera em que nada há o que se fazer exceto contar os dias entre uma desgraça e a seguinte?
Ele não sabia... Não tinha certeza, mas ainda assim, em um ímpeto, correu vinte metros atrás do outro.
Em sua mente uma única pergunta. Uma única pergunta sobre uma única pessoa.
Correu até o outro estar perto o suficiente para ser tocado se esticasse o braço, mas então, nesse ponto, deteve-se.
O mais velho, como que confirmando sua identidade, não se virou. Parou brevemente de andar, como se esperasse por alguma coisa, mas após um breve instante de hesitação, retomou sua caminhada. O jovem chegou a tomar fôlego para gritar uma pergunta, mas as palavras trancaram em sua garganta. E ele observou o velho andar sozinho até desaparecer numa esquinas alguns quarteirões adiante.
Rumou até em casa, saiu com seu cão, correram de volta pra casa antes que desabasse violenta chuvarada lavando a alma da cidade, tomou banho, e se esforçou o máximo que pôde para esquecer do encontro sinistro que vivenciara horas antes. Quase conseguiu quando falou com ela... Mal sabia ele, porém, que naquela conversa teria a resposta à pergunta que formulara ao velho.
E a certeza de que acabaria seus dias exatamente como a contraparte que encontrara naquela tarde:
Andando merecidamente sozinho até desaparecer.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Top-10 Casa do Capita -Filmes Esportivos
Entra ano, sai ano e se tem uma coisa que jamais deixa de dar as caras nos cinemas mundo afora são filmes baseados em esportes. De dramas pesados como A Luta Pela Esperança a bobagens completas como Escorregando Para a Glória, as histórias de superação envolvendo atletas de modalidades variadas sempre foram um prato cheio para Hollywood construir grandes cifras e grandes filmes.
Após assistir de novo a 42 - A História de Uma Lenda, e ainda sob o efeito do excepcional Rush - No Limite da Emoção, nasceu mais um infame Top-10 Casa do Capita, onde resolvi elencar o que seriam os meus filmes preferidos com temática esportiva.
À lista, pois:
10 - Homens Brancos Não Sabem Enterrar (Ron Shelton, 1992)
A divertidíssima sessão da tarde recheada de belas cenas de basquete urbano mostra Sidney Deane (Wesley Snipes), um jogador de basquete de rua do tipo "hustler". Ele aposta em suas partidas, trama pequenos golpes, e manja as putarias do jogo enquanto leva a vida da melhor maneira possível.
Quando é enganado por outro pilantra bom de bola, o branquelo Billy Hoyle (Woody Harrelson), Sidney percebe que, juntos, os dois têm a chance de dobrarem seus ganhos e se tornarem os donos das quadras de Los Angeles se conseguirem parar de brigar um com o outro.
Maneiríssimo.
9 - Campo dos Sonhos (Phil Alden Robinson, 1989)
Ray Kinsella (Kevin Costner), um fazendeiro que planta milho no Iowa começa a ouvir vozes em sua plantação. A mensagem diz "Se você construir, ele virá.".
Ray não sabe o que deve construir, e nem quem virá em decorrência disso, ainda assim, é perseguido por essa mensagem até que uma visão lhe faz entender que ele deve construir um campo de beisebol, que fará com que "Shoeless" Joe Jackson, legendário jogador do Chicago White Sox, um dos oito banidos no escândalo Black Sox, em 1919, venha jogar em seu campo.
A despeito de Jackson já estar falecido, Ray se põe a erguer o "diamante" em meio ao seu milharal, e o que advém dessa empreitada é algo pela qual Ray jamais poderia esperar.
Tocante em um momento, cômico em outro, o filme de Alden Robinson é uma prazerosa sessão de cinema que toca mesmo quem não faz ideia do que foi o Black Sox scandal e nem sequer suporta o esporte.
8 - Jerry Maguire - A Grande Virada (Cameron Crowe, 1996)
Jerry Maguire (Tom Cruise) tem tudo. É um agente esportivo de sucesso, com dinheiro, prestígio, uma bela noiva... Tudo muda, porém, após um incidente envolvendo um dos seus atletas, quando ele questiona a moralidade de seus métodos. Jerry escreve uma carta de intenções em forma de memorando, colocando as pessoas antes do dinheiro.
Essa nova filosofia não é lá muito bem recebida por seus colegas e superiores, e após ser chutado da agência onde trabalha com um único cliente, o jogador de futebol americano Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr.) e sua secretária, Dorothy Boyd (Reneé Zellweger), Jerry precisa lutar para reconstruir sua carreira sobre as fundações de suas novas crenças em uma divertida e tocante jornada de aprendizado.
Uma das melhores atuações da carreira de Cruise, com a direção esperta de Crowe e um show à parte de Gooding Jr. que infelizmente jamais repetiu performance igual.
7 - Quando Sábado Chegar (Marie Giese, 1996)
Jimmy Muir (Sean Bean, num dos raros filmes em que ele não morre) é um beberrão que trabalha em uma cervejaria em Sheffield, na Inglaterra. Apaixonado por futebol, Jimmy tem talento, mas nenhuma disciplina para alcançar seu verdadeiro potencial.
Ao ser descoberto por um olheiro em uma pelada com seus amigos do pub, Jimmy ganha uma vaga em um time amador bem organizado, que culmina com o que pode ser sua grande chance, uma peneira no Sheffield United, entretanto, o alcoolismo e sua falta de responsabilidade, podem impedi-lo de realizar seus sonhos.
Não chega a ser uma pérola, mas é um competente drama esportivo com o esporte bretão usado de maneira competente como plano de fundo. Dá de 10 x 0 fora o baile em Gol.
6 - Seabiscuit - Alma de Herói (Gary Ross, 2003)
Em meio aos anos da grande depressão o povo dos EUA estava desesperado por sonhos aos quais se agarrar. Um deles foi o cavalo de corrida Seabiscuit.
Pequeno e manco, o cavalo é salvo de ser sacrificado pelo treinador Tom Smith (Chris Cooper), e comprado pelo fabricante de carros Charles Howard (Jeff Bridges), que investe nas corridas tentando se refazer após perder seu filho. Fechando a equipe, surge o jóquei Johnny "Red" Pollard (Tobey Maguire), parcialmente cego de um olho.
Juntos, esses três homens alquebrados e seu cavalo temperamental mostram à toda uma nação que mesmo dos lugares mais improváveis, um vencedor nato pode se erguer se tiver uma chance.
Drama bem dirigido, com elenco carismático e boas atuações, vale ter na estante.
5 - Menina de Ouro (Clint Eastwood, 2004)
Maggie Fitzgerald (Hillary Swank) é uma garçonete que sonha em se tornar uma boxeadora. A despeito de todas as mazelas de sua vida e de todas as dificuldades, Maggie recusa-se a desistir de seus sonhos, ela é uma batalhadora durona.
Mas ser duro não é o bastante, segundo o treinador Frankie Dunn (Eastwood), que tenta dissuadi-la de investir na carreira de pugilista e se recusa o quanto pode a ser seu treinador.
Eventualmente a tenacidade de Maggie acaba por dobrar o velho treinador, que toma a jovem sob sua tutela, e a ajuda a galgar os degraus da nobre arte até a chance de lutar pelo cinturão, onde uma tragédia pode barrar o caminho que Maggie sonhava trilhar, e arrancar Frankie de sua zona de conforto, apartado de todos os riscos verdadeiros.
Show de Swank, Eastwood e Morgan Freeman, todos indicados ao Oscar.
4 - Rush - No Limite da Emoção (Ron Howard, 2013)
A era de ouro da Formula retratada pela rivalidade entre o metódico austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl) e o playboy britânico James Hunt (Chris Hemsworth), dois ases do volante com personalidades e estilos de pilotagem totalmente opostos, com uma única afinidade:
O amor pela velocidade.
Na temporada 1976 essa rivalidade alcança seu ápice quando os dois pilotos encontram-se dispostos a tudo para alcançar o ponto mais alto do pódio em um esporte onde cada homem entrava no cockpit sabendo que existia vinte por cento de chance de morrer antes da bandeirada final.
Adrenalístico drama esportivo dirigido com estilo por Ron Howard, com boas atuações ambientação nota dez e momentos de tensão de roer as unhas. Espetaculoso.
3 - Maldito Futebol Clube (Tom Hooper 2009)
Brian Clough (Michael Sheen) arrancou o Derby County das profundezas da segunda divisão do campeonato inglês e levou a equipe até o título da primeira divisão no ano seguinte amparado em seu brilhantismo, no conhecimento de seu amigo e parceiro Peter Taylor (Timothy Spall), e no seu ódio mortal por Don Revie (Colm Meaney), treinador do poderoso Leeds United, então a maior potência do futebol inglês.
O longa de Tom Hooper (O Discurso do Rei) mostra, então como foi que Clough ficou com o cargo de Revie após este ser escolhido para ser o novo treinador da seleção inglesa, e como se deu sua passagem relâmpago pelo comando do time.
Toda a elegância de Tom Hooper ilustrando de maneira divertida uma página de uma das grandes personalidades do futebol inglês. Obrigatório pra todo mundo que ama futebol.
2 - Rocky - Um Lutador (John G. Avildsen, 1976)
Rocky Balboa (Sylvester Stallone) é um lutador de boxe miserável que sobrevive cobrando dívidas para agiotas da Filadélfia enquanto espera pela sua grande chance com quase trinta anos.
Essa grande chance chega quando o campeão Apollo Creed (Carl Weathers) visita a cidade do amor fraterno e uma série de coincidências o leva a procurar um joão ninguém a quem dar uma chance de ouro.
O que deveria ser um espetáculo protagonizado por Creed se transforma em um combate violento à medida em que Rocky, se dedica de corpo e alma a treinar para a luta que pode mudar sua vida, e torná-lo, se não um campeão, alguém com algo de que se orgulhar.
Grande filme da vida de Sly Stallone, com tudo o que um grande drama esportivo deveria ter, exceto talento.
1 - Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)
Jake La Motta (Robert De Niro, genial), ex-campeão peso-médio de boxe relembra sua vida desregrada e a forma como seu temperamento explosivo e violento o levou a ser um monstro dentro dos ringues, onde esmigalhou adversários até chegar ao cinturão, e fora, onde aterrorizou sua família com seus ciúmes e sua paranoia injustificados.
Aula de Martin Scorsese, usando todos os artifícios que existem para mostrar a brutalidade de uma luta de boxe, show de De Niro, excepcional muito além das transformações físicas (o corpo esguio e musculoso do lutador La Motta, e os 25 quilos de banha ganhos pelo ator para retratar o La Motta aposentado se apresentando como comediante), de Joe Pesci e de Cathy Moriarty no que talvez seja o grande drama esportivo de todos os tempos e uma das grandes injustiças da Academia.
Pra assistir de boca aberta, fascinado com tudo, da belíssima fotografia de Michael Chapman à edição afiada de Thelma Schoonmaker passando pelos efeitos sonoros, que usaram o som de melões e tomates sendo esmagados para dar "voz" aos socos durante as lutas de La Motta.
Após assistir de novo a 42 - A História de Uma Lenda, e ainda sob o efeito do excepcional Rush - No Limite da Emoção, nasceu mais um infame Top-10 Casa do Capita, onde resolvi elencar o que seriam os meus filmes preferidos com temática esportiva.
À lista, pois:
10 - Homens Brancos Não Sabem Enterrar (Ron Shelton, 1992)
A divertidíssima sessão da tarde recheada de belas cenas de basquete urbano mostra Sidney Deane (Wesley Snipes), um jogador de basquete de rua do tipo "hustler". Ele aposta em suas partidas, trama pequenos golpes, e manja as putarias do jogo enquanto leva a vida da melhor maneira possível.
Quando é enganado por outro pilantra bom de bola, o branquelo Billy Hoyle (Woody Harrelson), Sidney percebe que, juntos, os dois têm a chance de dobrarem seus ganhos e se tornarem os donos das quadras de Los Angeles se conseguirem parar de brigar um com o outro.
Maneiríssimo.
9 - Campo dos Sonhos (Phil Alden Robinson, 1989)
Ray Kinsella (Kevin Costner), um fazendeiro que planta milho no Iowa começa a ouvir vozes em sua plantação. A mensagem diz "Se você construir, ele virá.".
Ray não sabe o que deve construir, e nem quem virá em decorrência disso, ainda assim, é perseguido por essa mensagem até que uma visão lhe faz entender que ele deve construir um campo de beisebol, que fará com que "Shoeless" Joe Jackson, legendário jogador do Chicago White Sox, um dos oito banidos no escândalo Black Sox, em 1919, venha jogar em seu campo.
A despeito de Jackson já estar falecido, Ray se põe a erguer o "diamante" em meio ao seu milharal, e o que advém dessa empreitada é algo pela qual Ray jamais poderia esperar.
Tocante em um momento, cômico em outro, o filme de Alden Robinson é uma prazerosa sessão de cinema que toca mesmo quem não faz ideia do que foi o Black Sox scandal e nem sequer suporta o esporte.
8 - Jerry Maguire - A Grande Virada (Cameron Crowe, 1996)
Jerry Maguire (Tom Cruise) tem tudo. É um agente esportivo de sucesso, com dinheiro, prestígio, uma bela noiva... Tudo muda, porém, após um incidente envolvendo um dos seus atletas, quando ele questiona a moralidade de seus métodos. Jerry escreve uma carta de intenções em forma de memorando, colocando as pessoas antes do dinheiro.
Essa nova filosofia não é lá muito bem recebida por seus colegas e superiores, e após ser chutado da agência onde trabalha com um único cliente, o jogador de futebol americano Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr.) e sua secretária, Dorothy Boyd (Reneé Zellweger), Jerry precisa lutar para reconstruir sua carreira sobre as fundações de suas novas crenças em uma divertida e tocante jornada de aprendizado.
Uma das melhores atuações da carreira de Cruise, com a direção esperta de Crowe e um show à parte de Gooding Jr. que infelizmente jamais repetiu performance igual.
7 - Quando Sábado Chegar (Marie Giese, 1996)
Jimmy Muir (Sean Bean, num dos raros filmes em que ele não morre) é um beberrão que trabalha em uma cervejaria em Sheffield, na Inglaterra. Apaixonado por futebol, Jimmy tem talento, mas nenhuma disciplina para alcançar seu verdadeiro potencial.
Ao ser descoberto por um olheiro em uma pelada com seus amigos do pub, Jimmy ganha uma vaga em um time amador bem organizado, que culmina com o que pode ser sua grande chance, uma peneira no Sheffield United, entretanto, o alcoolismo e sua falta de responsabilidade, podem impedi-lo de realizar seus sonhos.
Não chega a ser uma pérola, mas é um competente drama esportivo com o esporte bretão usado de maneira competente como plano de fundo. Dá de 10 x 0 fora o baile em Gol.
6 - Seabiscuit - Alma de Herói (Gary Ross, 2003)
Em meio aos anos da grande depressão o povo dos EUA estava desesperado por sonhos aos quais se agarrar. Um deles foi o cavalo de corrida Seabiscuit.
Pequeno e manco, o cavalo é salvo de ser sacrificado pelo treinador Tom Smith (Chris Cooper), e comprado pelo fabricante de carros Charles Howard (Jeff Bridges), que investe nas corridas tentando se refazer após perder seu filho. Fechando a equipe, surge o jóquei Johnny "Red" Pollard (Tobey Maguire), parcialmente cego de um olho.
Juntos, esses três homens alquebrados e seu cavalo temperamental mostram à toda uma nação que mesmo dos lugares mais improváveis, um vencedor nato pode se erguer se tiver uma chance.
Drama bem dirigido, com elenco carismático e boas atuações, vale ter na estante.
5 - Menina de Ouro (Clint Eastwood, 2004)
Maggie Fitzgerald (Hillary Swank) é uma garçonete que sonha em se tornar uma boxeadora. A despeito de todas as mazelas de sua vida e de todas as dificuldades, Maggie recusa-se a desistir de seus sonhos, ela é uma batalhadora durona.
Mas ser duro não é o bastante, segundo o treinador Frankie Dunn (Eastwood), que tenta dissuadi-la de investir na carreira de pugilista e se recusa o quanto pode a ser seu treinador.
Eventualmente a tenacidade de Maggie acaba por dobrar o velho treinador, que toma a jovem sob sua tutela, e a ajuda a galgar os degraus da nobre arte até a chance de lutar pelo cinturão, onde uma tragédia pode barrar o caminho que Maggie sonhava trilhar, e arrancar Frankie de sua zona de conforto, apartado de todos os riscos verdadeiros.
Show de Swank, Eastwood e Morgan Freeman, todos indicados ao Oscar.
4 - Rush - No Limite da Emoção (Ron Howard, 2013)
A era de ouro da Formula retratada pela rivalidade entre o metódico austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl) e o playboy britânico James Hunt (Chris Hemsworth), dois ases do volante com personalidades e estilos de pilotagem totalmente opostos, com uma única afinidade:
O amor pela velocidade.
Na temporada 1976 essa rivalidade alcança seu ápice quando os dois pilotos encontram-se dispostos a tudo para alcançar o ponto mais alto do pódio em um esporte onde cada homem entrava no cockpit sabendo que existia vinte por cento de chance de morrer antes da bandeirada final.
Adrenalístico drama esportivo dirigido com estilo por Ron Howard, com boas atuações ambientação nota dez e momentos de tensão de roer as unhas. Espetaculoso.
3 - Maldito Futebol Clube (Tom Hooper 2009)
Brian Clough (Michael Sheen) arrancou o Derby County das profundezas da segunda divisão do campeonato inglês e levou a equipe até o título da primeira divisão no ano seguinte amparado em seu brilhantismo, no conhecimento de seu amigo e parceiro Peter Taylor (Timothy Spall), e no seu ódio mortal por Don Revie (Colm Meaney), treinador do poderoso Leeds United, então a maior potência do futebol inglês.
O longa de Tom Hooper (O Discurso do Rei) mostra, então como foi que Clough ficou com o cargo de Revie após este ser escolhido para ser o novo treinador da seleção inglesa, e como se deu sua passagem relâmpago pelo comando do time.
Toda a elegância de Tom Hooper ilustrando de maneira divertida uma página de uma das grandes personalidades do futebol inglês. Obrigatório pra todo mundo que ama futebol.
2 - Rocky - Um Lutador (John G. Avildsen, 1976)
Rocky Balboa (Sylvester Stallone) é um lutador de boxe miserável que sobrevive cobrando dívidas para agiotas da Filadélfia enquanto espera pela sua grande chance com quase trinta anos.
Essa grande chance chega quando o campeão Apollo Creed (Carl Weathers) visita a cidade do amor fraterno e uma série de coincidências o leva a procurar um joão ninguém a quem dar uma chance de ouro.
O que deveria ser um espetáculo protagonizado por Creed se transforma em um combate violento à medida em que Rocky, se dedica de corpo e alma a treinar para a luta que pode mudar sua vida, e torná-lo, se não um campeão, alguém com algo de que se orgulhar.
Grande filme da vida de Sly Stallone, com tudo o que um grande drama esportivo deveria ter, exceto talento.
1 - Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)
Jake La Motta (Robert De Niro, genial), ex-campeão peso-médio de boxe relembra sua vida desregrada e a forma como seu temperamento explosivo e violento o levou a ser um monstro dentro dos ringues, onde esmigalhou adversários até chegar ao cinturão, e fora, onde aterrorizou sua família com seus ciúmes e sua paranoia injustificados.
Aula de Martin Scorsese, usando todos os artifícios que existem para mostrar a brutalidade de uma luta de boxe, show de De Niro, excepcional muito além das transformações físicas (o corpo esguio e musculoso do lutador La Motta, e os 25 quilos de banha ganhos pelo ator para retratar o La Motta aposentado se apresentando como comediante), de Joe Pesci e de Cathy Moriarty no que talvez seja o grande drama esportivo de todos os tempos e uma das grandes injustiças da Academia.
Pra assistir de boca aberta, fascinado com tudo, da belíssima fotografia de Michael Chapman à edição afiada de Thelma Schoonmaker passando pelos efeitos sonoros, que usaram o som de melões e tomates sendo esmagados para dar "voz" aos socos durante as lutas de La Motta.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Aniversários, Serenata e Darth Vader
Estavam sentados, os dois na soleira da porta do prédio. Sorriam, satisfeitos, dizendo bobagem após bobagem. Não se viam a meses, mas eram bons amigos. Muito bons amigos. Daqueles de abrir o coração, dividir todos os temores, vexames, desventuras, aventuras, aspirações e pensamentos.
Foi numa dessas que o Wellington disse:
-Tô a fim de surpreender a nega véia, tá ligado?
-Ah, é? - Quis saber o Rafael. -Qual é a ocasião?
-Nosso aniversário. Tô querendo fazer um negócio legal pra ela, sabe? Tava pensando em dar um presente bem foda pra ela, levar ela pra jantar num lugar bem legal... Se bobear ir a um motel show, depois... - Desenvolveu Wellington, olhando ao longe.
-Nunca fui a motel... - Confessou Rafael.
-Nunca?
-Não... Bom, não motel, motel, mesmo... Desses que são temáticos e tal, feitos pra sacanagem... Já estive em motel de raiz, só.
-Motel de raiz? Que é isso?
-Bueno... Motel é a junção das palavras "motor" e Hotel", em inglês... São hotéis em beira de estrada, feitos só pra pernoitar durante viagens e tal. Nesses eu já estive. Mas em motel, com cama redonda, espelho no teto, hidromassagem, balanço erótico, pista de dança, pau-de-arara e sistema de roldana, não. Nunca fui.
Os dois riram. O Wellington continuou:
-Eu já fui algumas vezes, por isso que tava na pilha de levar a Rubia... É bacana, até, sabe?
-Deve ser... Eu já tive vontade de ir... Queria ir num daqueles malucos, com suíte temática e tal. Queria ir e levar acessórios, até... - Conjecturou o Rafael.
-Acessórios? Mas olha... O que tu ia levar? Corda, vela e chantili?
-Não... Um elmo do Darth Vader... - Confessou o Rafael, baixando a voz.
-Ah, ah, ah, ah, ah, mas que barbaridade, tu queria te fantasiar de Darth Vader e comer tua guria?
Ele ruborizou:
-Não... Na verdade o elmo era pra ela...
-Mas hein?
-Nem me pergunta, tchê, a fantasia é dela, não minha...
Riram bastante. Depois disso ficaram em silêncio mais um tempo. O Wellington puxou o celular e deu uma olhada na internet em preços de joias, restaurantes e motéis.
Suspirou:
-Bah... Vou ter que escolher entre o presente, o restaurante e o motel...
-Só um deles ou dois de três? - Perguntou o Rafael.
Wellington fez um rápido cálculo e respondeu:
-Dependendo de como for, dois de três...
-Então motel e jantar. - Disparou o Rafael.
-Sério? - Quis saber o Wellington, gostando da ideia.
-Claro. - Confirmou o outro. -Um presente maneiro pra ela seria ótimo, mas é o aniversário de vocês, o presente deve ser pra vocês dois. No aniversário dela aí tu dá um presente irado só pra ela. No aniversário de vocês é mais maneiro que vocês dois se divirtam igualmente... - Explicou.
-Hmmm... - Fez Wellington, entendendo. -Tem razão. Se bem que, na merdinha que eu ando, periga eu me divertir muito mais que ela no motel.
-Então tenha certeza de que vai levar ela num restaurante que ela goste muito. - Aconselhou Rafael, arrancando risadas do amigo.
-Já sei! - Disse Wellington, erguendo a mão à cabeça -Vou fazer uma serenata pra ela, é mais barato que comprar joia, roupa ou outra bobagem, e é um mimo só pra ela.
Rafael riu:
-O que tu vai cantar? A música do automobile?
-Não... - Respondeu Wellington, rindo ao lembrar da versão pobre de La Dona E Mobile, que eles cantavam imitando os três tenores na rua quando eram adolescentes -...Tinha que ser uma música que ela gostasse... E que eu pudesse cantar fazendo segunda voz com alguém que soubesse cantar de verdade... E tocar, também...
-Muito trabalho... - Disse Rafael, cenho franzido. -E a sombra do fiasco paira perigosamente sobre essa ideia, jovem padawan.
-Nah... Nada a ver. O que é que tu sabe de serenata, rapá?
-Eu já fiz serenata... Bom, mais ou menos...
-Tu já fez serenata? - Perguntou Wellington, incrédulo.
-Quem aqui, né, amigo? Nunca fez seresta pro amor de sua vida...
Wellington riu.
-Como foi?
-Não... Não foi nada de produzido... Nem sei se dá pra chamar de serenata. Ela não tava na janela e eu na rua cantando, nem nada. Estávamos os dois deitados um do lado do outro, eu cantarolei pra ela uma música.
-Que música? - Quis saber o Wellington, curioso.
-Eye of The Tiger - Respondeu Rafael, tímido.
Wellington gargalhou:
-Putz, velho, tu e essa guria são muito estranhos.
Rafael sorriu, e em silêncio pensou:
É... Somos, mesmo.
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