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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Vivendo em Idiocracy


No ano de 2006 foi lançado pelo diretor Mike Judge o filme Idiocracy. Se tu não conhece, eu recomendo fortemente que assista.
A comédia de Judge narra a história do soldado Joe Bauers, vivido por Luke Wilson, um preguiçoso militar norte-americano que, na ânsia de não trabalhar, aceita se submeter à um experimento científico que deveria congelá-lo por alguns anos de hibernação criogênica.
Uma série de problemas, porém, faz com que Joe tenha seu período de "descanso" estendido em mais de 500 anos, fazendo-o despertar em um futuro onde a humanidade alcançou o ápice de sua estupidez, burrice e idiotia, tornando o medíocre Joe o homem mais inteligente da face da Terra.
A comédia era uma ácida crítica, não apenas ao norte-americano médio, mas à humanidade em geral no início do novo milênio, mostrando um povo intelectualmente preguiçoso, bruto, que fundamentava todo o seu estilo de vida em entretenimento idiotizante, slogans de grandes companhias e em tentar passar a perna uns nos outros.
Ainda não se passaram dez anos desde a apresentação do sombrio (ainda que bem humorado) futuro distópico de Judge, e é engraçado (e alarmante) perceber que, nesses oito anos desde 2006, a humanidade deu tantos e tão largos passos em direção ao conceito da Idiocracia.
Os millenials, a geração atual, são uma turba de imbecis auto-indulgentes que cresceram em um mundo repleto de tecnologia sem a qual eles não sabem viver mas não sabem como funciona (e nem querem aprender já que o Google e a Wikipédia tem todas as respostas).
Um grupo de pessoas absolutamente desprovidas de capacidade de empatia, de humildade, ou de educação, pois cresceu na certeza de que aquele buraco na parte de baixo da barriga é o centro do universo, que adula a juventude e a aparência e faz pouco da experiência e da sabedoria, que aprendeu que deve ser incluída em tudo, sem , entretanto, ter educação para desfrutar de nada.
Duvida?
Vá ao cinema, e constate duas coisas:
Primeiro, hoje em dia, há cinemas, como o Cineflix, que abriram mão de exibir filmes com idioma original. Se apanhar a programação do shopping Total, por exemplo, tu irá constatar que os únicos filmes exibidos legendados, são aqueles nos quais a produtora não viu potencial de aceitação entre as crianças, e não quis dublar ainda para a exibição em tela grande.
Se tu reclamar, vai ouvir do cinema que, estranhamente, apesar de a qualidade das dublagens vir decaindo a "ouvidos vistos" nos últimos anos, a demanda por filmes dublados é maior do que a demanda por filmes legendados.
Por que?
Porque temos uma geração que não gosta de ler.
Uma geração de analfabetos funcionais que não consegue absorver um texto escrito sem emoticons, mas que pode ir ao cinema.
Como eles não estão interessados em aprender, e a maioria dos filmes são feitos pensando exatamente neles, os cinemas passam mais e mais filmes dublados (Inclusive uma dica: Na dúvida se um filme vale a pena ser visto, ou não, procure saber se ele tem cópias dubladas, se a resposta for negativa, provavelmente o filme é bom.).
Ah, sim... A segunda constatação que uma ida ao cinema garante:
A geração atual é incapaz de passar duas horas sem:
-Mexer no telefone celular.
-Conversar com a pessoa do lado.
-Tirar uma, ou mais, fotos.
Sério.
É praticamente impossível ir ao cinema e não ver, pelo menos uma dessas três coisas, acontecer.
As pessoas que comandam o mundo hoje em dia têm uma necessidade quase patológica de conexão e compartilhamento. Elas precisam da sensação de que o mundo sabe o que elas estão fazendo, na hora em que estão fazendo, mesmo que o mundo não ligue a mínima.
Um exemplo tristemente verídico:
Quinta-feira fui assistir Interestelar. Durante a projeção, a moça sentada ao meu lado atendeu à uma ligação, respondeu vários SMS ou whatsapp, e a todo o momento perguntava ao seu namorado o que havia acabado de acontecer na tela (Claro que ela não sabia. Como é que se acompanha um filme sem tirar os olhos do celular?).
Na fileira da frente, um sujeito entrou e sentou-se quase diante de mim. Ele tirou os sapatos, colocou os pés no encosto da cadeira da frente, e tirou uma foto de si mesmo, provavelmente para colocar no facebook (o antro maior dos retardados do mundo), e legendar com algo como "o filme já vai começar".
Fiquei, de imediato, com a impressão de que o sujeito era um completo imbecil, impressão que se confirmou quando o verdadeiro dono do assento onde ele estava chegou, obrigando-o a se mudar várias e várias cadeiras para a esquerda, e privando-me do prazer de dar-lhe um soco no ouvido caso ele tirasse uma foto com flash durante o filme.
Esse mau comportamento, ainda que mais habitual nos mais jovens (adolescentes sempre foram idiotas por natureza, mas a geração atual é muito, muito, muito mais), não é infantil, os dois casos que relatei, foram protagonizados por adultos, (no entanto, quando fui ver Como Treinar o Seu Dragão 2, com uma platéia formada quase que exclusivamente por pitôcos, o silêncio foi sepulcral, talvez porque as crianças vão ao cinema para ver filmes, e não para contar para o "mundo" que foram ver.).
Claro, reduzo a questão ao cinema por ser o programa de que participo onde fica mais evidente, pra mim, a degradação da capacidade de convívio da espécie humana, mas a sala escura não é o único lugar onde se percebe tais coisas.
Vá à uma sala de aula, tanto faz se da rede pública ou privada, e veja a que tipo de comportamento os professores são expostos enquanto tentam ensinar alguma coisa à uma geração hiper-protegida e hipo-educada pelos pais.
Conheço alguns professores que já foram atingidos com latas de lixo por pedirem que cessasse a conversa, e outros que foram assediados com ultimatos inamistosos por pais de alunos que tiveram confiscado os celulares de que não desgrudavam durante as aulas.
Vivemos em um mundo onde pessoas como os "humoristas" do Pânico, Justin Bieber, Charlie Sheen, Anitta e Miley Cirus são referências de comportamento, onde a celebridade pela celebridade é idealizada e até encorajada pela mídia idiotizante, onde as pessoas formam comunidades de "anti-sociais" em redes sociais e onde o resultados dos reality shows é amplamente divulgado pela mídia e onde a maior parte da população se revolta quando o vilão da novela comete alguma maldade mas não liga quando um político corrupto é libertado apenas um ano após ser preso por corrupção, onde a bunda se tornou o símbolo máximo de tudo o que é desejável e magnífico na obra humana...
Alguns de nós tentam desesperadamente sobreviver na Idiocracia, enquanto outros tantos faturam alto com ela, e a maioria faz parte do sistema, numa Matrix de lesados.
É por isso que eu tomei a decisão de, daqui a dez anos, ter um filho, e passar os dezoito anos seguintes tratando de educá-lo em completo isolamento para que ele possa dominar o mundo.
O mais assustador é que, se as coisas continuarem na toada em que estão agora, o trabalho nem sequer será muito difícil.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Resenha Cinema: Interestelar


Não foi de graça que Christopher Nolan se transformou em um dos deuses do vasto panteão da nerdolândia no decorrer da última década. Nesse período, o sujeito fez a trilogia do Cavaleiro das Trevas, elevando Batman a um patamar cinematográfico inédito, criou a fabulosa trama de vingança regada à prestidigitação e ficção científica de O Grande Truque, o intrincado (e hypado) espetáculo de sonhos dentro de sonhos de A Origem, e ainda havia sido o criador por trás dos ótimos Amnésia e Insônia...
O cara manja do riscado, e a reverência de seu público não é gratuita.
Eu havia lido pouco a respeito de Interestelar quando comprei o ingresso para assistir ao filme na noite de ontem. Sabia apenas que lidava com viagens interplanetárias e que era estrelado por Matthew McConaughey, Anne Hathaway e Jessica Chastain.
E era isso.
Cheguei ao cinema e me sentei com minha garrafa de Fanta para descobrir o que mais havia na nova empreitada de Christopher Nolan:
No filme somos apresentados à uma Terra em um futuro não especificado. Uma Terra que vai levando sua vida mais ou menos da mesma maneira que nós fazemos hoje, mas com uma diferença importante:
A escassez de alimentos.
Uma praga desconhecida surge, transformando em poeira lavouras inteiras de trigo, que se extingue. A seguir, o mesmo ocorre com soja, e sistematicamente com todas as culturas, até que resta apenas o milho.
Engenheiros, físicos e administradores se tornam dispensáveis à medida que, em um mundo que precisa desesperadamente de comida, são os fazendeiros que garantem o sustento de todos.
Um desses fazendeiros é Cooper (Matthew McConaughey), um ex-piloto de testes, astronauta que jamais saiu da Terra e engenheiro, viúvo precoce que toca uma fazenda de milho com seus filhos, Tom (Timothée Chalamet) e Murphy (Mackenzie Foy), e o sogro Donald (John Lithgow).
A vida da família é boa dentro de suas limitações, mas Cooper gostaria de fazer mais. Gostaria de fazer aquilo que acredita que nasceu para fazer.
Sua chance surge quando uma espécie de anomalia gravitacional ocorre na casa de Cooper e sua família, praticamente lhe dando um mapa para chegar até a última base da NASA, que continua operando em segredo da opinião pública.
Uma operação chamada Projeto Lázaro, chefiada pelo professor Brand (Michael Caine), e formada por sua filha Amelia (Anne Hathaway) e os exploradores Doyle (Wes Bentley) e Romily (David Gyasi), planeja utilizar um recém descoberto buraco de minhoca próximo à uma das luas de Saturno, e procurar, em uma galáxia distante centenas de milhares de anos-luz, por planetas capazes de sustentar a vida humana, em uma missão tão inédita quanto perigosa.
À bordo da espaçonave Endurance, o grupo de exploradores deverá ir mais longe do que qualquer ser humano jamais sonhou em chegar para garantir a manutenção de sua espécie.
Amparado pelo trabalho do físico teórico Kip Thorne (que escreveu a primeira versão do roteiro junto com Jonathan Nolan e serviu como consultor do longa), Christopher Nolan cria uma história sensacional, não sobre o espaço, mas sobre tempo, e sobre os efeitos do primeiro sobre o segundo, e o que isso faz com Coop e seus filhos.
Em sua viagem além do buraco de minhoca, até uma galáxia à beira do horizonte anômalo de um imenso buraco-negro chamado Gargantua, o tempo se torna mais relativo do que nunca.
Em uma das mais sensacionais sequências do filme, a equipe da Endurance vai à superfície de um planeta, e após algumas poucas horas de uma incursão que termina em tragédia, retornam à sua nave-mãe para descobrir que vinte e três anos haviam se passado, deixando Coop com mensagens de Tom para lhe mostrar tudo o que ele havia perdido no tempo que passou fora.
As anomalias temporais causadas pela proximidade com o Gargantua, porém, não são os únicos percalços encontrados pela equipe.
Planetas cobertos de água, com marés que se recolhem formando ondas maiores do que cordilheiras montanhosas, mundos gélidos onde as nuvens se solidificam devido à baixa temperatura e composição atmosférica criando glaciares suspensos que se erguem ameaçadoramente sobre os viajantes e até mesmo a insanidade gerada pelo medo e pela solidão em outros membros do projeto Lázaro são apenas alguns dos problemas com os quais a equipe de Coop e Amelia precisa lidar, tudo isso e mais o crescente desespero do piloto de voltar pra casa a tempo de rever seus filhos, agora adultos (vividos por Casey Affleck e Jessica Chastain).
Contando com um elenco acima da média encabeçado por um maduro Matthew McConaghey (quem poderia supôr que, em um ano, veríamos três excelentes filmes estrelados por ele, e os três com grandes atuações, "baybe"?), e contando ainda com David Oyelowo, Topher Grace, Ellen Burstyn, e Matt Damon, mais o excepcional cinematógrafo Hoyte Van Hoytema, e a música sensacional de Hans Zimmer, Christopher Nolan habilmente usa a grandeza e os mistérios do universo para contar uma história de família, sobre o amor entre pais e filhos, tornando o que, à primeira vista, parece seu maior filme, no mais intimista, e talvez o melhor.
Palmas para Christopher Nolan.
Um dos melhores filmes do ano, corra pra ver no cinema. Vale dois ingressos.

"-Nós ainda somos pioneiros, nós mal começamos. Nossas maiores realizações não podem estar atrás de nós, pois nosso destino é lá em cima."

Rapidinha do Capita


E a Warner divulgou ontem à noite o segundo trailer de O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos. A prévia mostra mais do que deve ser o capítulo mais abundante de pancadaria da trilogia:



De se borrar nas calças...
Chega logo, dezembro!!!!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Resenha Game: Call of Duty - Advanced Warfare


Call of Duty - Ghosts foi, facilmente, o pior jogo da história recente da franquia. Se salvavam algumas ambientações interessantes no single player, um par de modos de multi-player (o infected era bem bacana), o cachorro Riley, e meio que era isso. No geral, o game desapontou na geração anterior tanto em termos de jogabilidade quanto de visual, e eu confesso que cheguei a flertar com a ideia de comprar Battlefield 4 pra PS4 ao invés de CoD - Advanced Warfare. Acabei sendo dissuadido por causa do Kevin Spacey.
A cara digitalizada de um dos meus atores preferidos me fez comprar um game que, a bem da verdade, me parecia cada vez mais uma ideia idiota.
Sejamos francos, alguém imagina uma ideia mais pueril pra revitalizar uma franquia do que colocar umas armaduras cabulosas e umas armas laser nos soldados?
Mas após uma noite de Call of Duty - Advanced Warfare, posso dizer que os exoesqueletos deram uma refrescada muitíssimo bem vinda à jogabilidade da série, oferecendo uma variação de movimentos e possibilidades que vão fazer a alegria dos viciadinhos de plantão no multiplayer e que começam a ser explorados ainda na campanha.
Aliás, à ela:
Na campanha de CoD-AW o jogador personifica o soldado Jack Mitchell (Dublado por Troy Baker, que parece ter se tornado onipresente após seu brilhante trabalho em The Last of Us), durante uma missão em Seul, Coréia do Sul em 2054, Mitchell é gravemente ferido, e perde seu melhor amigo, Will Irons.
Afastado do exército, Micthell é cooptado pelo pai de seu amigo, Jonathan Irons (Kevin Spacey), fundador e presidente da empresa de operativos militares privados Atlas.
Um grupo mercenário com acesso aos mais poderosos e avançados armamentos à disposição do mundo, e força armada mais poderosa do planeta que terceiriza seu poder de fogo à qualquer nação que for capaz de pagar seu preço.
Ao mesmo tempo em que Mitchell se une à Atlas, o grupo terrorista KVA, liderado pelo tecnofóbico Joseph Hades Chkheidze inicia uma série de ataques pelo mundo, o que torna a empresa de Irons, mais prestigiosa organização militar do planeta, a única resposta à altura da escalada assassina do KVA.
Conforme lutam contra a organização durante anos, acumulando sucessos e fracassos, Mitchell e seus companheiros acabam encontrando evidências de que, na guerra entre a Atlas e a KVA, discernir aliados e inimigos pode ser mais difícil do que eles imaginavam a princípio.
Ainda que absolutamente previsível, a história de Call of Duty - Advanced Warfare é coerente, bem amarrada, e bem interpretada. Ajuda o fato de termos Kevin Spacey, renderizado à perfeição, declamando parte dos textos. Um ator do calibre do "Keyser Soze" é convincente até declamando receita de bolo de batata, então, qualquer clichê ganha veracidade na boca digital do intérprete de Jonathan Irons.


Alie-se a isso uma bem sacada viagem ao redor do mundo dividida em capítulos (como a Atlas trabalha por contratos, nunca a divisão em capítulos dos games de CoD fez tanto sentido na campanha) com (alg)uma variedade de missões a cumprir, algumas delas oferecendo liberdade sem precedente na série, sem aquele oficial comandante com um reluzente "follow me" amarelo em cima da cabeça, mais a adição dos exo-trajes, que existem no game em três versões, cada uma delas com suas próprias especificações e vantagens oferecendo ao jogador a possibilidade de experimentar força, velocidade e resistência ampliados, a capacidade de planar por curtos períodos, clipar-se à paredes ou aeronaves inimigas com um lançador de gancho, e até pequenos períodos de invisibilidade, e de novíssimas armas que incluem granadas inteligentes, projéteis teleguiados e armas de energia direta (yeah, armas laser, motherfucker...), e a campanha do game se segura bem por suas 6 a 10 horas de jogo.
Se os exo-trajes refrescam a campanha, o que fazem pelo multiplayer é ainda maior. Com uma jogabilidade intuitiva e divertida, os exoesqueletos especializados abrem uma inacreditável leque de possibilidades já nos death matches tradicionais, nos modos como capture a bandeira ou os novos Uplink e CTF são a alma da festa, que recebeu de volta a possibilidade de personalizar seu soldado e não oferece poucas recompensas práticas ou cosméticas para fazê-lo e detonar seus amigos com estilo nos versus, ou ajudá-los em uma partida do modo Exo Survival, uma caótica combinação de objetivos cooperativos para até três tarados por armas e tiros.
Para aqueles que, como eu, odeiam a ideia de passarem horas sendo assassinados por algum adolescente asiático de 1,60m que pesa 92 Kgs, e nunca sai do sofá, existe o Combat Readiness Program, um amistoso ambiente onde os "noobs" podem se encontrar e jogar com seus bonequinhos sem nome, misturados à bots do PC, tudo sem marcação de score, apenas pra pegar a manha do jogo, e, se algum sádico filho da puta aparece e começa a matar às centenas, e excluído da sala, garantindo que novatos não se sintam desencorajados a experimentar uma jogatina on-line mais casual.
Com uma ideia bem sacada otimizada pela engenharia de fases tanto no single quanto no multiplayer, a Sladgehammer conseguiu com Call of Duty - Advanced Warfare dar um necessário respiro à série sem tirar nada daquilo que a tornou o FPS mais vendido dos games.
Nada mau para o primeiro CoD do estúdio. Mal posso esperar pelo que eles farão a seguir.

"-O que você está vendo é guerra avançada."

Resenha Game: The Evil Within


Desde as primeiras notícias, The Evil Within era alardeado como o retorno do estilo de jogo Survival Horror à sua origem.
Esse reencontro com as raízes do pavor seria garantido pela presença do diretor Shinji Mikami, um dos criadores da série Resident Evil que esteve ligado à série de zumbis da Umbrella Corporation até Resident Evil 4, o último bom capítulo da franquia.
Após um bom tempo de jogo, podemos ver porque Mikami é um dos papas da matéria, e também que o terror oriental é bem mais aterrorizante que o ocidental.
Em The Evil Within o jogador assume o comando do detetive Sebastian Castellanos, policial veterano da cidade fictícia de Krimson City, enquanto volta de uma investigação com seus parceiros Joseph Oda e a novata Julie Kidman, o trio é desviado para investigar um homicídio em massa no hospital psiquiátrico Beacon. Chegando ao local, Sebastian e Joseph encontram um médico semi-consciente, e são atacados por uma misteriosa aparição de capuz branco.
Deste momento em diante, a realidade se torna uma fronteira bastante tênue, à medida em que Sebastian se vê sendo lançado em diferentes mundos saídos de pesadelos aparentemente independentes uns dos outros, como memórias aleatórias de mentes atormentadas habitadas por criaturas feitas da matéria-prima de que é feito o inferno.
Conforme luta por sua sobrevivência, Sebastian, com a ajuda de Julie e Joseph, descobre que o paciente Leslie pode ser a chave para resolver o enigma da misteriosa figura de branco, um mistério que se estende por décadas no passado de Krimson City e pode, inclusive, ter ligações com a morte da esposa de Sebastian e do filho do casal.
É um bom jogo.
Amparado em mecânicas clássicas de games de terror, The Evil Within se ergue sobre o terreno da atmosfera para imergir o jogador em um mundo distorcido e sombrio. A ambientação, com suas nebulosas realidades paralelas habitadas por seres medonhos, grotescos e desfigurados (como o Keeper, que lembra muito Pyramid Head, mas sem os estupros) traz ecos de Silent Hill, cenas inteiras parecem retiradas de Resident Evil (há inclusive uma mansão absolutamente igual àquela do primeiro RE), e a variação entre o jogo de tiro e a furtividade, além da constante busca nos cenários dilapidados por itens que possam ser usados para melhorar suas armas e aumentar suas habilidades, lembram The Last Of Us.
Ao contrário do game da Naughty Dog, porém, os personagens principais de The Evil Within são rasos, unidimensionais e arquetípicos como parece ser a regra dos games japoneses, Sebastian Castellanos está longe de ser Joel, na verdade, de tão sem graça, o detetive do KCPD fica devendo até ao bom mocismo de Leon S. Kennedy, e nem mesmo o bom trabalho de dublagem de Anson Mount (de Hell on Wheels) consegue salvar o texto reciclado de outros milhares de policiais decadentes estilo noir ao pior estilo Max Payne.
Muito mais frustrante do que personagens unidimensionais ou mesmo a história sem sentido, são alguns dos aspectos da jogabilidade.
O sistema de auto save é mais temperamental que o Açougueiro, e volta e meia decide não funcionar, ou funcionar quando lhe convém (salvamento manual, só muito no início das fases, algo extremamente frustrante quando se morre de maneira boba após uma longa e aborrecida sequência de stealth), o sistema de câmeras eventualmente atrapalha, e o fato de o player nem sempre poder escolher se deve optar pela abordagem furtiva ou o combate (minha mãe não criou covardes, minha primeira escolha sempre é deitar a porrada no monstro que aparece na tela) incomoda, tornando confrontos mais difíceis do que eles poderiam (ou deveriam) ser, confrontos, aliás, podem ser particularmente frustrantes, uma vez que alguns chefões requerem que o jogador execute objetivos secundários extremamente específicos, e muitas vezes idiotas, para vencê-los, num processo de tentativa e erro que eleva o contador de mortes do jogador à níveis estratosféricos, e ainda nos faz ver e rever as aborrecidas apresentações cinemáticas dos monstros e encarar uma tela de load xarope com alguma dica inútil como "Ás vezes fugir é a melhor abordagem", transformando o que poderiam ser confrontações épicas com seres de fazer neguinho se borrar de medo, num sem número de repetições chatas que roubam o impacto das lutas decisivas.
Essas falhas, porém, não eclipsam as melhores qualidades de The Evil Within, o uso esperto de luz e sombras (jogar sem eventualmente sacar a arma por ter se assustado, literalmente, com a própria sombra, é tarefa complicada), a aplicação sinistra do som (muitas vezes os gemidos e gritos de coisas que nós nem mesmo podemos ver nos faz ficar com o coração na boca em um corredor úmido e mal iluminado), e o encorajamento à criatividade (atrair aquele desgraçado pra essa armadilha e prender fogo no calhorda ou desmontar a armadilha e usar as peças pra fazer um virote violento para a besta?) e à exploração (pensar que com mais cem unidades de gel verde tu pode aumentar o fôlego de Castellanos e correr por mais tempo te encoraja a entrar em todos os quartos escuros que tu vê pelo caminho.) aliados à uma atmosfera de tensão crescente e sugestão de pavor perene além da escassez de recursos e à uma engenharia criativa de monstros e fases tornam a experiência de The Evil Within muito satisfatória.
Pode parecer pouco frente ao que o game prometia, mas ei, satisfatório é bem melhor que frustrante.
Vale a jogatina.

"-Doutor... O que diabos está havendo?"

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Rapidinhas do Capita


Foi uma entrevista qualquer pra MTV falando de outro filme, mas a ruivíssima Jessica Chastain comentou que já andou conversando com a Marvel, onde quase assumiu o papel que ficou com Rebecca Hall em Homem de Ferro 3, mas que ficou de fora porque, em suas próprias palavras, se ia fazer um filme de herói, pra que ser a civil aborrecida? A ruiva queria um uniforme e queria chutar umas bundas.
Pronto.
Foi o estopim para a indicada ao Oscar ser ligada à Capitã Marvel, filme anunciado pelos estúdios Marvel para 2018.
Chastain foi rápida em ir ao twitter e desmentir a informação, e, de uma forma ou de outra, raramente o primeiro nome cogitado para um papel chega ao set de filmagem no histórico da Marvel no cinema.
Ainda assim, Jessica Chastain com sua gloriosa cabeleira ruiva e seu bocão ficaria fenomenal de maiô e botas até o joelho voando por aí...


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E temos mais uma razão para ir ao cinema ver Homem Formiga.
O filme que ficou órfão do ótimo Edgar Wright e caiu no colo do sem-graça Peyton Reed confirmou meio sem querer que Peggy Carter, a deliciosa Haley Atwell estará no longa metragem.
Um anúncio do longa pedia uma stand-in (um ator de mesma altura e constituição física que é usada para fins técnicos como iluminação e figurino) para a atriz inglesa.
Um rumor de alguns meses atrás dizia que Hank Pym (Michael Douglas) apareceria em um flashback, reunindo-se com membros fundadores da SHIELD, como Peggy Carter, Howard Stark (Que no filme deve aparecer como John Slattery, que fez o papel em Homem de Ferro 2, e não como Dominic Cooper, intérprete do herói em Capitão América - O Primeiro Vingador), Alexander Pierce (Que foi Robert Redford em O Soldado Invernal) e Arnin Zola.
Comentou-se, inclusive, que a inserção de outros personagens do Universo Cinemático Marvel teria sido o estopim para a saída de Wright.


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Recentemente a Sony revelou que vai lançar um derivado de O Espetacular Homem-Aranha totalmente dedicado à personagens femininas do universo aracnídeo.
A atriz Felicity Jones, que viveu a secretária Felícia (Hardy???) em O Espetacular Homem-Aranha 2, ao ser perguntada se interpretaria a Gata Negra no derivado, se fez de desentendida (mas não tanto) na resposta:
-Ser embalada a vácuo em um uniforme de couro e sair dando saltos mortais? Eu adoraria.
Dessa resposta podemos discernir que Jones sabe quem é a Gata Negra e está disposta a fazer (ou voltar) ao papel (que, baseado em fotos da produção teria participação bem maior e mais ativa antes da intervenção do estúdio).


Lisa Joy Nolan, roteirista de Burn Notice atualmente escreve o Spin-Off feminino aracnídeo para a Sony (que aparentemente planeja sugar até a última gota do Homem-Aranha antes de deixar os direitos do cabeça de teia retornarem à Marvel), que trata O Espetacular Homem-Aranha 2 como um fracasso de bilheteria ainda que o filme do herói aracnídeo tenha rendido mais na bilheteria do que sucessos como Batman Begins, Homem de Ferro e O Homem de Aço.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

E Tem Outra Coisa...


-E então? - Emerson perguntou ao Gerson. -Como estão as coisas?
-Tudo na mesma... - Respondeu Gerson, sem se aprofundar.
-Na boa? - Quis saber Emerson.
-Na boa. - Disse Gerson, dando de ombros.
Emerson, porém, não pareceu convencido:
-Sério?
-Sério. - Reafirmou Gerson, sem muita convicção.
-Então... Tu não sente falta dela? - Perguntou Emerson, mandando a sutileza lá pra casa do Capita.
Gerson ergueu os olhos, os baixou de novo e respondeu num suspiro:
-Claro que sinto.
-E ainda assim, tá na boa? - Perguntou Emerson, sorrindo sarcástico.
Gerson suspirou de novo:
-É como ler E Tem Outra Coisa..., tá ligado?
-Não...
-E Tem Outra Coisa é o sexto livro da trilogia d'O Guia do Mochileiro da Galáxia. Foi escrito depois da morte do Douglas Adams por um escritor chamado Eoin Colfer...
-Hã... - Aquiesceu sem muita certeza o Emerson. -E daí?
-E daí - Continuou Gerson. -Que é bacana. Tem seus momentos engraçados, diverte... Mas não é a mesma coisa.
Emerson ficou em silêncio, mas balançou a cabeça em sinal de que entendia.