Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Resenha Cinema: Relatos Selvagens
O cinema brasileiro engatinha se for comparado ao cinema dos nossos hermanos de além da fronteira sudoeste. Sério... Chega a ser uma comparação maldosa. Só pra ficar no prêmio máximo do cinema, enquanto os portenhos já levantaram dois Oscar, com Luís Puenzo e seu A História Oficial em 86, e Juan Jose Campanella com O Segredo dos Seus Olhos (que é o filme do mês na TNT e vale demais uma espiada), nós continuamos tentando, e se batemos na trave com o excelente Cidade de Deus, a verdade é que o longa de Fernando Meirelles foi nosso último competidor com chances reais de prêmio.
E hoje, enquanto o carro chefe do nosso cinema é o Leandro Hassum, reciclando (com resultados lamentáveis) a comédia de Jerry Lewis, Jim Carrey e Eddie Murphy, os seguidores de são Maradona produzem cinema de qualidade, com filmes de gêneros diversos, bem escritos, bem produzidos, bem dirigidos e bem atuados.
Exemplar mais recente da qualificada produção cinematográfica dos hermanos a desembarcar por aqui, Relatos Selvagens é outra demonstração da inequívoca superioridade do cinema argentino.
O longa de Damián Szifrón (em seu primeiro longa-metragem) é, na verdade, uma pequena coleção de curtas, Pasternak, As Ratas, O Mais Forte, Bombita, A Proposta e Até que a Morte Nos Separe, as seis histórias não têm ligação entre si, exceto por todas tratarem de violência, vingança, e do prazer de, eventualmente, perder o controle.
Pasternak, o hilário segmento inicial estrelado por Darío Grandinetti e María Marull, mostra o que acontece quando os passageiros de um avião vão descobrindo um ponto em comum no passado uns dos outros.
As Ratas, estrelado por Julyetta Zilberberg, Rita Cortese e César Bordón se concentra no que acontece quando o desejo de vingança de uma garçonete indo ao encontro da sede de justiça de uma cozinheira quando confrontadas pela presença de um desafeto do passado da primeira.
Em O Mais Forte, segmento com um quê de Encurralado (primeiro longa de Steven Spielberg) com Leonardo Sbaraglia e Walter Donado, um desentendimento na estrada escalona até um confronto de proporções trágicas.
Bombita, protagonizado por Ricardo Darín, mostra um engenheiro de demolições que vê sua vida desmoronar a partir do momento em que seu carro é rebocado por engano, numa espiral de desacertos que o leva além o limite, fazendo-o explodir.
Em A Proposta, o segmento mais fraco do longa, o milionário Mauricio (Oscar Martínez)está disposto a tudo para impedir que seu filho vá pra cadeia. Mas apenas até achar que estão tentando tirar vantagem dele.
E no segmento final, o ótimo Até que a Morte nos Separe, a noiva Romina (Erica Rivas, genial) descobre, durante a festa de casamento, que o noivo Ariel (Diego Gentile) tem um caso com uma das convidadas, o resultado é uma explosão de tristeza inicial, que, aos poucos, vai dando lugar à ira, e então a um determinado desejo de vingança, com resultados constrangedores e hilários.
Com um roteiro ágil e esperto do próprio Szifrón, música sublime de Gustavo Santaolalla e um elenco na ponta dos cascos (se ferver Wagner Moura, Selton Mello e Lázaro Ramos numa panela não sai meio Ricardo Darín), Relatos Selvagens é uma ótimo programa, e certamente vale o ingresso.
Veja no cinema.
"Que violência? Estou descrevendo uma realidade. Onde está a violência?"
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Resenha Cinema: Drácula - A História Nunca Contada
O sucesso dos filmes da Marvel em geral, e de Os Vingadores em Particular, tornou-se o bê-a-bá dos filmes de super-herói. Prova disso é que a DC/Warner engatilhou tudo para seguir, no cinema e na TV, os moldes da Casa das Ideias e gerar, não um, mas dois universos compartilhados por seus heróis.
A Fox tem planos semelhantes para as franquias da Marvel de que detém os direitos, e até a Sony planeja fazer um universo cinemático do Homem-Aranha à partir dos injustiçados filmes estrelados por Andrew Garfield.
Não chega a ser surpresa que todos os estúdios que possuem super-heróis no seu caderno de franquias planeje copiar o modelo bilionário da Marvel. Executivos de estúdio querem é dinheiro, e se super-heróis são o lance mais rentável do momento, faz sentido que os engravatados tentem jogá-los às dezenas nas telonas seguindo a fórmula mais rentável.
Por que diabos do inferno eu abri a resenha do Drácula falando da Marvel?
Bem...
Seria cômico se não fosse trágico, mas a última encarnação de Drácula nas telonas é um filme de super-herói.
Verdade.
Drácula - A História Nunca Contada é um filme de super-herói sem tirar nem pôr. Os pôsteres já denunciavam isso, e, assistindo o filme, fica a certeza de que o Vlad Dracul do longa do estreante Gary Shore nasceu pra liderar uma equipe formada por Frankenstein, Lobisomem e o Monstro da Lagoa Negra...
Na trama (roteirizada por Matt Sazama e Burk Sharpless) Vlad (um esforçado Luke Evans) é o príncipe da Transilvânia. Apesar de ser o marido dedicado de Mirena (Sarah Gadon) e o pai amoroso de Ingeras (o Rickon Stark de Game of Thrones Art Parkinson), Vlad traz em seu passado a sombra do tempo em que esteve à frente do exército turco.
Durante seus anos de mocidade, à serviço do sultão de quem é vassalo, Vlad forjou uma reputação tenebrosa, erigida em sangue e morte, e ficou conhecido como Drácula, o Empalador.
Vlad espera que esses anos tenham ficado para trás, mas quando o novo sultão Mehmed (Dominic Cooper) aparece no feriado de Páscoa demandando mil meninos para lutarem em suas fileiras, e mais Ingeras para ser seu refém real, o príncipe percebe que, não apenas está para entrar em guerra, mas em uma guerra que não tem como vencer, a menos que esteja disposto a apostar tudo o possui, tudo o que ama, e até mesmo sua humanidade.
Não chega a ser ruim, esse novo Drácula, na verdade, o primeiro terço do filme é bastante interessante, jogando de maneira criativa com os fatos históricos que embasam a lenda do vampiro mais famoso do cinema.
As empalações, o domínio turco, o mestre vampiro vivido pelo ótimo Charles Dance, tudo funciona a contento no início de Drácula - A História Nunca Contada.
O problema é que no seu segundo ato o filme se torna o tal longa de super-herói que foi mencionado no início, com Drácula descobrindo seus super-poderes, suas fraquezas, e lutando contra sua sede de sangue humano, e o terceiro ato, então, é quando o longa descamba de vez.
Se por um lado é bom ver um vampiro ser um vampiro, torrar na luz do sol, ter medo de símbolos sagrados, alergia à prata, virar morcego, beber sangue, por outro é meio decepcionante ver que, em nome da censura branda (O PG-13 norte-americano), partes importantes do mito dos vampiros em geral, e do Drácula em especial, foram sonegados, como a sensualidade e a crueldade (No filme, Drácula "empalava uma vila para poupar outras dez"...).
Apesar da boa produção de arte, de algumas atuações interessantes (de Evans e Dance), e do começo animador, Drácula - A História Nunca Contada acaba vergando sob o peso dos efeitos visuais e da tentativa de transformar um monstro clássico do cinema em um super-herói com direito a super-poderes e capa vermelha esvoaçante, está bem acima de Frankenstein Entre Anjos e Demônios em termos de qualidade e é mais divertido que O Lobisomem, mas isso é muito pouco para o mais famoso vampiro do cinema.
Espere o DVD.
"Homens não temem espadas. Eles temem monstros."
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Resenha Cinema: Debi & Lóide 2
Acho que foi Luís Fernando Veríssimo, um dos maiores escritores do Brasil, certamente o melhor cronista e meu ídolo literário pessoal quem disse que a comédia não precisa ser limitada pelo bom-gosto, mas pelo bom-senso.
Eu concordo.
É muito difícil, pra não dizer impossível, fazer comédia sem arriscar entrar um pouco na zona da apelação.
Mestres na arte de entrar nessa zona, até acampar nela, mas sem se tornarem cidadãos de lá, os irmãos Farrelly iniciaram, em 1994, uma bem-sucedida sequência de ótimas comédias com um filme que era apelativo, bobo e engraçado.
Justamente Debi & Lóide - Dois Idiotas em Apuros, talvez a melhor comédia de estréia do cinema.
À desventura de Harry Dunne e Lloyd Christmas seguiu-se o ótimo (e subestimado) Kingpin - Esses Loucos Reis do Boliche, Quem Vai Ficar com Mary e Eu, Eu mesmo e Irene, a sequência foi quebrada com o meia-boca As Aventuras de Osmose Jones, e retomaram as boas comédias com O Amor é Cego, para em seguida lançarem os meia-boca Ligado em Você, Amor em Jogo e Antes Só do que Mal Casado, em seguida, dois tropeços fortes com Passe Livre e Os Três Patetas.
A qualidade decrescente dos filmes recentes da dupla, talvez explique essa volta a Debi & Lóide.
O longa metragem estrelado em 94 por Jeff Daniels e Jim Carrey custou pouco mais de 16 milhões de dólares, faturou mais de 250 milhões, rendeu uma série animada e um prequel (que no Brasil também se chamava Debi & Lóide 2) além de ter sido o começo da ascensão de Jim Carrey ao estrelato.
Além de tudo isso, o filme tinha uma qualidade de comédia física, um pastelão completo e descarado, que emulava com sucesso coisas como O Gordo e o Magro e Os Três Patetas original (qualidade que os Farrelly não conseguiram reproduzir em sua versão, vejam só, d'Os Três Patetas) que cativou a audiência, que ria tanto das caretas de Carrey, quanto dos acessos de fúria de Daniels, quanto das piadas escatológicas de peido e dos diálogos non-sense (Não temos comida, não temos emprego e as cabeças de nossos mascotes estão caindo".
Vinte anos se passaram, e Harry e Lloyd estão de volta.
Mais velhos mas nem um pouco mais maduros, os dois imbecis se veem novamente às voltas com uma viagem ao redor dos EUA, mas, desta vez, eles estão tentando salvar Harry, que precisa urgentemente de um transplante de fígado ou morrerá. Sua única esperança é a recém descoberta Penny (A gatinha Rachel Melvin) filha ilegítima de Harry com um antigo caso da juventude, a vagabunda titânica Fraida (Kathleen Turner).
Penny foi abandonada por Fraida vinte anos antes, e adotada por um brilhante cientista, doutor Pinchellow.
O caminho de Harry e Lloyd se cruza com o do pai adotivo de Penny, que os encarrega de encontrar a filha em uma convenção científica realizada em El Paso, levando consigo uma brilhante invenção de bilhões de dólares que é um presente para toda a humanidade.
O que eles não sabem é que a interesseira esposa do doutor, Adele (Laurie Holden) está mancomunada com o faz-tudo da casa Travis (Rob Riggle) para matar o cientista e herdar sua fortuna, e o malvado casal não pretendem deixar o par imbecis chegarem ao Novo México vivos e de posse da misteriosa invenção bilionária.
A trama, um completo disparate, é apenas uma desculpa para os Farrelly darem carta branca a Daniels e Carrey, e deixar que os dois sejam os mais completos e perfeitos imbecis que o cinema já viu uma segunda vez.
E funciona.
O vasto e diverso arsenal de piadas de Daniels e Carrey é tão ininterrupto que até pra quem não gosta desse tipo de comédia é difícil não rir um pouco. À certa altura do filme, a audiência não aguenta mais ver aqueles dois sujeitos passando vergonha, mas o faz rindo.
Debi & Lóide 2 é quase uma revisita à trama original, está tudo lá, os cenários baratos, as sequências com os dois idiotas irritantes dentro do carro, as decisões moralmente reprováveis e a completa falta de noção ou respeito (seja por idosos, deficientes ou animais) que culmina com os dois dementes se dando mal ou escapando de se dar mal por muito pouco.
E ainda é engraçado.
Agindo como se tivessem dez anos de idade, levando o desconforto e a insensatez a níveis estratosféricos, Carrey e Daniels lembram à audiência que comediantes eles são (Três sequências, a remoção do cateter, a cena dos cachorro-quentes e a vingança por causa da brincadeira dos funis, sozinhas, já valeriam um ingresso) num festival de bobagens de deixar Charles Chaplin, Buster Keaton, Laurel e Hardy, Moe, Curly e Larry orgulhosos.
Deixe o bom-gosto em casa e leve o bom-humor pro cinema.
Com essa receita é difícil não aproveitar.
"-Ei, Lloyd, olha as gostosas às doze horas.
-Isso é daqui a quase três horas, porque não posso olhar agora?"
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Casa do Capita - Filme Imaginário: Uncharted
Calma que eu sei... Uncharted está tenebrosamente próximo de deixar de ser um filme imaginário. Inclusive o que impulsiona essa postagem é a notícia de que Mark Boal, roteirista de Guerra ao Terror e A Hora Mais Escura, irá escrever o script do longa que será produzido por Avi Arad, dirigido por Seth Gordon, diretor de Quero Matar Meu Chefe, e deve ser estrelado por (ugh) Mark Wahlberg, ligado ao prjeto desde seus primórdios.
Mas e se, ao invés do Avi Arad, fosse tu, o produtor de Uncharted?
Como o filme ficaria pra ti?
Pra mim, Uncharted teria que ser tratado com muito respeito, levando em consideração seus personagens, arquétipos tremendamente carismáticos que são o que faz a série da Naughty Dog se diferenciar de outros games de aventura e exploração acrobática.
Para garantir que as interações entre os personagens fossem mais importantes do que a pirotecnia, o meu escolhido para comandar a empreitada seria Peter Weir, diretor que já mostrou que, não só respeita seus personagens (Sociedade dos Poetas Mortos, O Show de Truman), mas consegue equilibrá-los com ação e aventura como fez em Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo.
O primeiro longa obviamente seguiria o modelo de Uncharted - Drake's Fortune, primeiro game da série quando o McGuffin foi o El Dorado, mas, se tudo corresse bem, e o filme fosse bem sucedido como os games, na sequência poderíamos ter Among Thieves, Drake's Deception e A Thief's End...
E quanto ao elenco?
Bueno, aqui vai ele:
Nathan Drake:
Para interpretar o espirituoso explorador, um arqueólogo, historiador e ginasta auto-didata que não pensa duas vezes em colocar o seu na reta em nome da verdade oculta sob mitos ancestrais (e do lucro), o meu escolhido é Nicolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game os Thrones. O dinamarquês já demonstrou na série que sabe ser sarcástico, porra-louca e heroico na medida em que pede o papel, e é só imaginar Coster-Waldau de jeans e camiseta pra gente praticamente ver o Drake dos games.
Elena Fisher:
A intrépida jornalista investigativa que não poupa esforços em nome de um documentário é o principal interesse romântico de Drake na série, e isso não chega a ser surpresa. Loira, doce, bonita e bem-disposta, Elena é tudo de bom.
A atriz para interpretar a gatíssima repórter, tinha que ser igualmente bonita e doce.
Eu imediatamente pensei em Greta Gerwig. A loirinha com cara de boa-moça de Arthur - O Milionário Irresistível e Frances Ha tem todas as ferramentas para preencher o coração de Nathan.
Victor Sullivan:
Victor "Sully" Sullivan é mais do que um comparsa de Nathan, é um amigo fiel, um mentor, e uma figura paterna.
O velho golpista iria até o inferno para ajudar seu protegido, e não poupa esforços para fazê-lo mesmo quando se considera velho demais pra essas merdas.
Para interpretar o sujeito bonachão e escamoso eu pensei em Kevin Kline. O ator tem o tipo físico, o bigode e os cabelos grisalhos, experiência com comédia, armas de fogo e tipos galantes, além de talento de sobra.
Chloe Frazer:
Chloe Frazer não é apenas um interesse romântico para Drake. É uma versão mais sombria do caçador de tesouros, com vácuo moral muito mais extenso que o dele, e disposta a ir consideravelmente mais longe para alcançar seus objetivos, mesmo que seja necessário fazer muitas coisas moralmente reprováveis no processo.
A morena de voz aveludada e curvas estonteantes que seria uma das protagonistas de um eventual segundo filme nasceu para ser interpretada por ninguém além de Megan Fox.
A mulher mais gostosa do cinema norte-americano ia tirar de letra a sexualmente agressiva ladra de túmulos que manipula seus amantes como se fossem violinos.
Charlie Cutter:
À primeira vista Charlie parece apenas um capanga grandalhão e agressivo, mas isso é apenas fachada.
Um sujeito instruído e amigável, Charlie poderia ser um explorador muito competente se não sofresse de uma severa claustrofobia, mas ainda assim, é um valioso companheiro para Drake, como deixa bem claro no terceiro game da série.
Com sua aparência criada à imagem e semelhança de seu dublador, Graham McTavish (que havia dublado o o vilão Lazarevich em Among Thieves), não há razão para Charlie Cutter, que apareceria apenas no terceiro filme, não ser interpretado na telona pelo mesmo ator, que já mostrou em Rambo IV e na trilogia O Hobbit, que se garante diante das câmeras.
Gabriel Roman:
O caçador de tesouros e senhor do crime britânico que cruza o caminho de Nathan, Sully e Elena na caçada ao El Dorado em Drake's Fortune seria vivido com justiça por Stephen Lang.
O Coronel Miles Quaritch de Avatar tem a idade e a aparência certa além de ter pinta de quem aguenta uma bela caça ao tesouro depois de erguer um império criminoso.
Atoq Navarro:
O arqueologista sul-americano que comanda uma tropa de mercenários bem-treinados à serviço de Roman é um osso duro de roer, e vê potencial mercadológico em tudo, até mesmo em compostos químicos ancestrais com perigosas e imprevisíveis características mutagênicas.
Para viver o vilão, que tal outro egresso de Game of Thrones?
Meu escolhido foi Pedro Pascal, o Oberyn Martell, o ator já demonstrou talento na interpretação e na pancadaria, e tiraria de letra um quebra pau com Nathan Drake.
Flynn:
Harry Flynn surgiria junto com Chloe no segundo filme, um conhecido de longa data de Nate, Flynn convence o amigo a se juntar a ele na busca por Shambhala, a popular Xangri-lá. As intenções do britânico, porém, não são das mais nobres, pois o que ele busca de fato, e a Pedra Cintamani, uma poderosa relíquia que é alvo do criminoso de guerra Zoran Lazarevich.
Para interpretar Harry Flynn com seu pesado sotaque da terra da rainha, meu escolhido foi Paddy Considine. O premiado ator inglês tem a aparência e a voz certa, é talentoso, e embora pudesse ter alguns anos a menos, já mostrou que merece chances maiores na telona.
Zoran Lazarevic:
O genocida sérvio que busca forma sobrenaturais de aumentar seu poder e se tornar invencível é o tipo do vilão nefasto que a gente adora ver se dar mal. Com sua frieza psicopata, tendências megalomaníacas e face parcialmente coberta de cicatrizes, Lazarevic é um vilão bastante unidimensional, e precisa de um ator que dê suporte físico à sua presença ameaçadora mais do que de um intérprete talentoso.
O casca-grossa Vinnie Jones, ex-jogador de futebol dono da expulsão mais rápida da história do esporte e egresso dos filmes de bandido de Guy Ritchie cairia como uma luva no papel com seu porte físico grandalhão e sua carranca vilanesca.
Katherine Marlowe:
A manipuladora líder da Ordem Hermética, fleumática britânica com delírios de domínio global que tem um passado em comum com Sully e Nate, e é a grande mente criminosa por trás de Uncharted 3 - Drake's Deception, parece ter sido feita com Hellen Mirren em mente, longe de mim desapontar alguém.
Até porque, Hellen Mirren tem todos os atributos para interpretar uma manipuladora e fleumática britânica com delírios de domínio global, além de toneladas de talento e charme para acrescentar ao terceiro filme da série.
Talbot:
Guarda-costas que jamais deixa Marlowe desprotegida e é um estudioso de formas de domínio da mente e um acrobata tão competente quanto Drake, Talbot prova-se um adversário extremamente complicado de bater no terceiro game da série, e seria um vilão indigesto no cinema.
Para dar cara à versão de carne e osso do malvadão, meu escolhido é Dominic West, o ator inglês acostumado a papéis de malvado (foi o traíra de 300 e o Retalho de Justiceiro - Em Zona de Guerra), West tiraria de letra a impassividade do vilão em seu terno bem cortado e seu penteado que nunca desmancha.
Mas e se, ao invés do Avi Arad, fosse tu, o produtor de Uncharted?
Como o filme ficaria pra ti?
Pra mim, Uncharted teria que ser tratado com muito respeito, levando em consideração seus personagens, arquétipos tremendamente carismáticos que são o que faz a série da Naughty Dog se diferenciar de outros games de aventura e exploração acrobática.
Para garantir que as interações entre os personagens fossem mais importantes do que a pirotecnia, o meu escolhido para comandar a empreitada seria Peter Weir, diretor que já mostrou que, não só respeita seus personagens (Sociedade dos Poetas Mortos, O Show de Truman), mas consegue equilibrá-los com ação e aventura como fez em Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo.
O primeiro longa obviamente seguiria o modelo de Uncharted - Drake's Fortune, primeiro game da série quando o McGuffin foi o El Dorado, mas, se tudo corresse bem, e o filme fosse bem sucedido como os games, na sequência poderíamos ter Among Thieves, Drake's Deception e A Thief's End...
E quanto ao elenco?
Bueno, aqui vai ele:
Nathan Drake:
Para interpretar o espirituoso explorador, um arqueólogo, historiador e ginasta auto-didata que não pensa duas vezes em colocar o seu na reta em nome da verdade oculta sob mitos ancestrais (e do lucro), o meu escolhido é Nicolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game os Thrones. O dinamarquês já demonstrou na série que sabe ser sarcástico, porra-louca e heroico na medida em que pede o papel, e é só imaginar Coster-Waldau de jeans e camiseta pra gente praticamente ver o Drake dos games.
Elena Fisher:
A intrépida jornalista investigativa que não poupa esforços em nome de um documentário é o principal interesse romântico de Drake na série, e isso não chega a ser surpresa. Loira, doce, bonita e bem-disposta, Elena é tudo de bom.
A atriz para interpretar a gatíssima repórter, tinha que ser igualmente bonita e doce.
Eu imediatamente pensei em Greta Gerwig. A loirinha com cara de boa-moça de Arthur - O Milionário Irresistível e Frances Ha tem todas as ferramentas para preencher o coração de Nathan.
Victor Sullivan:
Victor "Sully" Sullivan é mais do que um comparsa de Nathan, é um amigo fiel, um mentor, e uma figura paterna.
O velho golpista iria até o inferno para ajudar seu protegido, e não poupa esforços para fazê-lo mesmo quando se considera velho demais pra essas merdas.
Para interpretar o sujeito bonachão e escamoso eu pensei em Kevin Kline. O ator tem o tipo físico, o bigode e os cabelos grisalhos, experiência com comédia, armas de fogo e tipos galantes, além de talento de sobra.
Chloe Frazer:
Chloe Frazer não é apenas um interesse romântico para Drake. É uma versão mais sombria do caçador de tesouros, com vácuo moral muito mais extenso que o dele, e disposta a ir consideravelmente mais longe para alcançar seus objetivos, mesmo que seja necessário fazer muitas coisas moralmente reprováveis no processo.
A morena de voz aveludada e curvas estonteantes que seria uma das protagonistas de um eventual segundo filme nasceu para ser interpretada por ninguém além de Megan Fox.
A mulher mais gostosa do cinema norte-americano ia tirar de letra a sexualmente agressiva ladra de túmulos que manipula seus amantes como se fossem violinos.
Charlie Cutter:
À primeira vista Charlie parece apenas um capanga grandalhão e agressivo, mas isso é apenas fachada.
Um sujeito instruído e amigável, Charlie poderia ser um explorador muito competente se não sofresse de uma severa claustrofobia, mas ainda assim, é um valioso companheiro para Drake, como deixa bem claro no terceiro game da série.
Com sua aparência criada à imagem e semelhança de seu dublador, Graham McTavish (que havia dublado o o vilão Lazarevich em Among Thieves), não há razão para Charlie Cutter, que apareceria apenas no terceiro filme, não ser interpretado na telona pelo mesmo ator, que já mostrou em Rambo IV e na trilogia O Hobbit, que se garante diante das câmeras.
Gabriel Roman:
O caçador de tesouros e senhor do crime britânico que cruza o caminho de Nathan, Sully e Elena na caçada ao El Dorado em Drake's Fortune seria vivido com justiça por Stephen Lang.
O Coronel Miles Quaritch de Avatar tem a idade e a aparência certa além de ter pinta de quem aguenta uma bela caça ao tesouro depois de erguer um império criminoso.
Atoq Navarro:
O arqueologista sul-americano que comanda uma tropa de mercenários bem-treinados à serviço de Roman é um osso duro de roer, e vê potencial mercadológico em tudo, até mesmo em compostos químicos ancestrais com perigosas e imprevisíveis características mutagênicas.
Para viver o vilão, que tal outro egresso de Game of Thrones?
Meu escolhido foi Pedro Pascal, o Oberyn Martell, o ator já demonstrou talento na interpretação e na pancadaria, e tiraria de letra um quebra pau com Nathan Drake.
Flynn:
Harry Flynn surgiria junto com Chloe no segundo filme, um conhecido de longa data de Nate, Flynn convence o amigo a se juntar a ele na busca por Shambhala, a popular Xangri-lá. As intenções do britânico, porém, não são das mais nobres, pois o que ele busca de fato, e a Pedra Cintamani, uma poderosa relíquia que é alvo do criminoso de guerra Zoran Lazarevich.
Para interpretar Harry Flynn com seu pesado sotaque da terra da rainha, meu escolhido foi Paddy Considine. O premiado ator inglês tem a aparência e a voz certa, é talentoso, e embora pudesse ter alguns anos a menos, já mostrou que merece chances maiores na telona.
Zoran Lazarevic:
O genocida sérvio que busca forma sobrenaturais de aumentar seu poder e se tornar invencível é o tipo do vilão nefasto que a gente adora ver se dar mal. Com sua frieza psicopata, tendências megalomaníacas e face parcialmente coberta de cicatrizes, Lazarevic é um vilão bastante unidimensional, e precisa de um ator que dê suporte físico à sua presença ameaçadora mais do que de um intérprete talentoso.
O casca-grossa Vinnie Jones, ex-jogador de futebol dono da expulsão mais rápida da história do esporte e egresso dos filmes de bandido de Guy Ritchie cairia como uma luva no papel com seu porte físico grandalhão e sua carranca vilanesca.
Katherine Marlowe:
A manipuladora líder da Ordem Hermética, fleumática britânica com delírios de domínio global que tem um passado em comum com Sully e Nate, e é a grande mente criminosa por trás de Uncharted 3 - Drake's Deception, parece ter sido feita com Hellen Mirren em mente, longe de mim desapontar alguém.
Até porque, Hellen Mirren tem todos os atributos para interpretar uma manipuladora e fleumática britânica com delírios de domínio global, além de toneladas de talento e charme para acrescentar ao terceiro filme da série.
Talbot:
Guarda-costas que jamais deixa Marlowe desprotegida e é um estudioso de formas de domínio da mente e um acrobata tão competente quanto Drake, Talbot prova-se um adversário extremamente complicado de bater no terceiro game da série, e seria um vilão indigesto no cinema.
Para dar cara à versão de carne e osso do malvadão, meu escolhido é Dominic West, o ator inglês acostumado a papéis de malvado (foi o traíra de 300 e o Retalho de Justiceiro - Em Zona de Guerra), West tiraria de letra a impassividade do vilão em seu terno bem cortado e seu penteado que nunca desmancha.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Top 10 Casa do Capita: Chatos da Sala Escura
Qualquer pessoa que, como eu, gosta de filmes, e de filmes visto como foram feitos pra ser vistos, em tela gigante, com som fodão, sala escura e imersão total, adora ir ao cinema.
Infelizmente, com a decadência intelectual da humanidade nos últimos anos, é cada vez mais difícil ir ao cinema sem se deparar com toda a sorte de malas-sem-alça, mal-educados, burros, tacanhos e idiotas que são incapazes de atender às mais simples regras do bom convívio e do respeito ao espaço alheio.
A coisa anda tão feia, que nas raras ocasiões em que eu vou ao cinema, e consigo assistir um filme sem me incomodar com algum trouxa, tenho ímpetos de pedir o telefone pra todo mundo na sala, convidar todos para namorarem comigo, e ir sempre com eles ao cinema.
Com esses tipinhos insuportáveis em mente, surgiu mais um infame top-10 Casa do Capita, esse, dedicado aos tipos mais irritantes, e com mais chance de apanhar, que encontramos ao tentar ver um filme.
10 - O Sussurrante:
O sussurrante é uma mistura de todos os outros chatos do cinema, a diferença é que ele acha que faz um favor por manter o tom de voz baixo, bem baixo. O problema é que, para o acompanhante do Sussurrante, é difícil ouvir as palavras cochichadas ao pé do ouvido enquanto tenta ver o filme, então, o sussurrante grita cochichando, fazendo um violento zumbido de fundo, e tornando a sessão de cinema dos seus vizinhos parecida com a tarefa de atravessar um enxame.
9 - O Inquieto:
O Inquieto sempre senta atrás de ti, e não na tua frente. O Inquieto se remexe, chuta a tua cadeira, te crava o joelho nas costas e faz a sola de seus sapatos ranger contra o piso, ou, em momentos de tensão, sapateia feito um demente com a cueca cheia de bicho-carpinteiro.
A capacidade de imersão do Inquieto é tamanha que o infeliz acha que está sozinho na sala de projeção e reage fisicamente àquilo que vê na telona.
8 - O Ansioso:
O ansioso não aguenta esperar pelo desenrolar da história pra ter suas dúvidas respondidas. O ansioso, vê uma pergunta surgir na tela e quer resposta de imediato. Como o ansioso não é telepata e não pode se comunicar com os personagens do filme, o ansioso pergunta pra quem está do seu lado, ignorando o fato de que a outra pessoa está vendo o filme ao mesmo tempo e tem acesso exatamente às mesmas informações.
Mas o ansioso não liga, ele quer saber. Ele precisa saber. E Deus o livre de ter que esperar até o fim do filme.
7 - O Desatento:
O desatento é uma variação do Ansioso. O desatento volta e meia se vira pra falar com a pessoa do lado, não porque não teve acesso à uma resposta imediata às suas dúvidas, mas porque não estava prestando atenção no filme. Ele olhou pro relógio, foi pensar na vida, ou, desgraçadamente chato e mal-educado, foi responder um whatsapp ignorando o incômodo que o facho de luz de seu celular causa em que está efetivamente tentando ver o filme.
Aí, quando volta a prestar atenção à tela, o desatento perdeu o fio da meada, e cochicha para seu (/sua) acompanhante "Quê que aconteceu?".
6 - O Engraçadinho:
O engraçadinho é um cara divertido, que não leva nada a sério e adora fazer uma piada. E o engraçadinho faz piadas.
Muitas.
Inclusive durante o filme.
O engraçadinho vê uma possibilidade de fazer graça, e lá vai ele, bradando pra todo mundo a tirada cômica que lhe veio à mente.
A pior coisa que podemos fazer com um engraçadinho, é encorajá-lo rindo. Por sorte, a imensa maioria dos engraçadinhos não tem graça nenhuma, de modo que é relativamente fácil ignorá-lo, embora a vontade de fazer "Shhhh!" ou de esganá-lo possa ser grande.
5 - O Reclamão:
O reclamão vai ao cinema a contragosto. Ele, normalmente, não queria ver aquele filme, não queria ver legendado/dublado, não gosta daquele ator, não gosta daquele assento, e, acredito, nem gosta de cinema, vai apenas para externar que não gosta e tentar atrair mais adeptos à sua causa.
O reclamão se queixa em alto e bom som, jamais em voz baixa. Se durante um filme tu escutar alguém dizer que não conseguiu ler a legenda, que aquele lugar é ruim, que o refrigerante está quente, e que aquele filme não é do gênero que ele supôs que fosse pelo título (O quê? Um Novo Despertar não é uma comédia?), pode apostar que está diante de um reclamão.
4 - O Adivinho:
O adivinho, a exemplo do ansioso, não aguenta esperar, a diferença é que, ao contrário do ansioso, que pergunta o que vai acontecer, o adivinho formula suas teorias em tempo recorde, e as fala, bem alto, achando que é um gênio porque sacou que O Hobbit - Uma Jornada Inesperada ia terminar com um close no olho do Smaug, ou que o Kouba ia dizer pro Caesar no final de Planeta dos Macacos: O Confronto, mesmo que essas (e outras) cenas fossem as mais previsíveis dos filmes em questão.
Mas o adivinho não acha. O adivinho se acha o espertão, e fala antes, e bem alto, na certeza de que vão achar que ele é o cara mais perspicaz da sala, quando na verdade é só o mais otário.
3 - O "Faixa de Comentários":
Quando se compra um DVD ou Blu-Ray, existe a possibilidade de ativar o recurso faixa de comentários, onde o diretor, roteirista, e demais profissionais relacionados à criação do filme, tecem comentários sobre como determinadas cenas foram elaboradas, o que mudou do roteiro à filmagem, como se acresceram os efeitos visuais, enfim...
O chato de cinema "Faixa de Comentários" acha que seus comentários são tão pertinentes que devem ser divididos com todos os demais espectadores, então ele os ladra em alto e bom som durante o filme inteiro.
Infelizmente, via de regra, o "Faixa de Comentários" é um completo imbecil, cuja qualidade da linha de raciocínio é inversamente proporcional ao volume de sua voz, e o único comentário que ele pode fazer que agradaria aos demais membros da audiência é "estou indo embora"
2 - O Social:
O social não admite a possibilidade de estar com um amigo/a ou namorado/a do lado e não conversar com ele. Isso torna o social uma péssima companhia para ir ao cinema, pois, para o social, duas horas de silêncio são inadmissíveis.
Com isso, o social se torna um tremendo chato durante um filme, pois tudo na tela faz ele lembrar de algum episódio de seus dia ou da sua vida ou até de outro filme que ele viu certa feita, e ele precisa dividir isso, verbalmente, com seu (sua) acompanhante como se estivesse na sala de casa.
Existem sociais do sexo masculino, mas a imensa maioria dos sociais são mulheres(ao contrário dos engraçadinhos, que são quase sempre homens).
1 - O Millenial:
O millenial é antenado, moderno, tecnológico, sua vida só existe se estiver nas redes sociais e ele é o tipo mais chato no cinema (ganhando por pouco do social).
O millenial tira uma selfie antes do filme, compartilha no facebook, e legenda com "No cinema".
Durante a exibição, o millenial não pode desligar o celular, ignorando todas as regras da boa educação, mas o millenial não pode ignorar as mensagens que recebe de todas as redes sociais de que participa, e fuça furiosamente no celular durante toda a projeção para contar como é o filme que, na verdade, não está assistindo.
O millenial, eventualmente, pode tentar tirar uma selfie, com flash, durante o filme. Esse exemplar da espécie corre sérios riscos de levar um soco no ouvido, e ter seu celular arremessado a grandes distâncias.
Resenha Game: Assassin's Creed - Unity
Ah, o fim do ano... As festas se aproximando, o espírito natalino se espalhando e a chegada do décimo-terceiro salário garantindo que o orçamento não fique (ainda mais) comprometido por conta dos lançamentos recentes do Playstation 4, que estão me fazendo varar noites acordado e me causando urticária por passar horas e horas experimentando jogos sem, efetivamente, conseguir terminar nenhum.
O último foi esse Assassin's Creed - Unity, primeiro lançamento da muitíssimo bem-sucedida franquia da Ubisoft para a nova geração de consoles (eu sei, Assassin's Creed - Black Flag também saiu para PS4, mas foi uma versão revista de um game criado para PS3), e sequência do que deve ser o último lançamento da franquia para a geração anterior de consoles, Assassin's Creed - Rogue (golpe sujo da Ubisoft, lançar, simultaneamente os dois games. Azar deles, comprei um só, e só comprarei o outro quando entrar naquelas promoções de custar 30 reais e olhe lá...).
Em Assassin's Creed Unity acompanhamos a trajetória de Arno Victor Dorian, um jovem de origem franco-austríaca que, aos oito anos de idade perdeu seu pai, um membro da ordem dos Assassinos, e foi adotado por François de la Serre, um pequeno nobre de Versalhes e Grão-Mestre templário da França.
De la Serre, um bom homem, acolheu Arno e o criou junto com sua própria filha, Élise, e em respeito a seu inimigo tombado, jamais tentou cooptar Arno para a causa dos Templários.
O jovem cresceu com algum conforto, apaixonado pela filha de seu tutor, e envolvendo-se em confusões e altercações devido à sua paixão pelo jogo e pelo álcool.
Quando já é um homem feito, Arno acaba sendo indiretamente responsável pela morte de François, assassinado por templários que não partilhavam de seu desejo de conciliação com os Assassinos e discordavam da trégua firmada entre as partes.
Para piorar, os algozes de François conseguem incriminar Arno, que acaba sendo culpado pelo crime e preso na Bastilha.
É lá que ele conhece Pierre Bellec, um Assassino veterano que descobre a herança de Arno, lhe revela a verdade sobre seu pai, e o acolhe na irmandade que trabalha nas trevas para servir à luz.
Tornando-se um Assassino, Arno irá galgar os degraus da irmandade enquanto luta por vingança e redenção, ao mesmo tempo em que tenta revelar a verdade por trás da trama que culmina com a Revolução Francesa.
Assassin's Creed - Unity é um baita jogo. Não é fabuloso, não é maravilhoso, duvido que seja o melhor jogo do ano e nem mesmo é o melhor Assassin's Creed (esse, pra mim, segue sendo Brotherhood, seguido de perto por Black Flag), mas o game deu uma necessária refrescada na franquia.
Se em Black Flag houve um respiro graças ao aprofundamento nas atividades navais (um mero mini-game em Assassin's Creed III), não chegava a ser uma novidade, mas apenas um recurso já visto melhor aproveitado, isso não acontece em Unity.
O novo título não traz nenhuma grande novidade, mas redesenha todas as características da série, dos movimentos de parkour até o combate, passando pelas abordagens de low e high profile na hora das execuções e até o sistema de furtividade.
Embora tudo seja familiar, nada é igual em Assassin's Creed Unity.
Quase...
Na verdade, algumas das falhas mais recorrentes da série ainda estão lá. O protagonista meio sem sal (e será que, algum dia, alguém conseguirá competir com Altair e especialmente com Ezio?), a história que não chega a empolgar no durante e pode ser insatisfatória no final, e até alguns problemas de má resposta nos controles, um problema antigo que fica evidenciado quando a jogabilidade passa por mudanças, por mais sutis que sejam.
Mas calma. Nem só de percalços resultam as novidades em Assassin's Creed - Unity. O game tem seus pontos fortes, e eles não são poucos.
Comecemos pelo que se vê primeiro:
Os gráficos.
Unity tem o que são, de barbada, os melhores e mais belos gráficos da série. Texturas de pele, cabelos, armaduras e roupas são de chorar, a movimentação dos modelos 3-D, a forma como todas essas unidades se movimentam umas sobre as outras e todas elas sobre a brilhante reprodução da Paris do século XVIII.
Em AC-U o ambiente é mais vivo do que jamais foi. A capital francesa às portas da revolução é um colírio, uma megalópole imensa, pulsante de vida, com suas ruas repletas de pessoas, volta e meia milhares delas (nunca houveram tantas multidões em Assassin's Creed, em uma missão, em particular, mais ao final do game, tem tanta gente na rua que dá vontade de ficar apenas observando o povo protestar), e com o apuro visual que a série já consagrou nos primeiros games elevada à enésima potência. Escalar uma das torres da cidade e ver a cidade erigida em detalhes, de seus becos enlameados com o sangue dos sans-culottes aos palacetes dos bairros abastados enquanto a câmera se afasta é um espetáculo.
As escaladas, por sinal, foram redesenhadas no novo título, e se as diferenças para o que havíamos nos acostumado a ver na série são quase imperceptíveis quando se sobe, se tornaram bastante evidentes quando se desce.
Se tu, como eu, era daqueles desgraçados que se matavam diversas vezes ao saltar de uma torre sem encontrar o bom e velho monte de feno embaixo, vai ficar feliz em saber que agora existe um sistema de descida tão eficaz quanto o de subida na hora do "free-running", que gera algumas boas alternativas na hora de uma fuga, e aumenta o estilo do Assassino que não parece mais um saco de batatas despencando de um penhasco ou um mergulhador suicida.
Outro sistema que passou por modificações foi o combate. Eu, francamente, achei menos fluido do que o das outras versões (o combate de Assassin's Creed III ainda é o mais bonito na minha opinião), mas ao menos aumenta um pouco o fator desafio quando ainda não pegamos o jeito.
Outra alteração bem-vinda ao game (além da redução a quase zero das insuportáveis missões de perseguição) foi a possibilidade de o jogador poder escolher a abordagem que pretende usar na hora de cometer um assassinato. Isso é uma mão na roda tanto porque o sistema de cobertura do game é um pouco confuso, o que dificulta as missões furtivas, quanto porque dá mais liberdade ao player para "assinar" sua obra com as características que prefere e domina.
Essa possibilidade de personalização, aliás, não está restrita à forma de cumprir determinadas missões, Unity traz à série uma faceta de RPG totalmente inédita, permitindo alterar as roupas, o equipamento e as habilidades de Arno ao gosto do jogador, tornando toda a experiência de jogo mais pessoal, e servindo à outra novidade do título, a cooperação on-line.
Várias missões do game podem ser realizadas por até quatro jogadores, cada um com seu Arno (então, é uma boa que cada jogador possa mudar tudo, as roupas, as armas, e as cores do seu assassino), com isso, é interessante formar times que possam operar de maneira variada, alguns mais safos na hora de sumir, e outros mais cascudos na hora de descer o martelo de guerra no crânio dos guardas.
O sucesso nas missões (co-op e solo) rende pontos e dinheiro que podem ser usados para comprar melhorias para o seu personagem, e progredir até se tornar um Mestre-Assassino.
Outra faceta recorrente do game, as missões fora do Animus, são bastante reduzidas em Unity, mas as que existem são interessantes, e trazem um bem-vindo intervalo à epopeia de Arno, além de nos dar a oportunidade de rever Rebecca e Shaun (cujas notas e informações com seu indefectível e mordaz humor britânico volta e meia me fazer rir sozinho na sala).
No fim das contas, Assassin's Creed - Unity dá um passo adiante na franquia, mostra que a Ubisoft ainda tem cartas na manga, está disposta a inovar e que a guerra entre Assassinos e Templários ainda tem muito cartucho pra queimar.
Seria interessante, porém, que a produtora pensasse em eliminar as falhas da franquia, e em contar melhores histórias antes de inserir novas mecânicas, que são, sim, muito bem vindas.
Arno, com sua cara de Jean Dujardin e trama de vingança meio reciclada não tem jeito de que vá ser o carro chefe da franquia na nova geração, mas segura as pontas para apresentá-la.
Vale a jogatina.
"Onde outros homens seguem cegamente à verdade, lembre-se: Nada é verdadeiro.
Onde outros homens são limitados por moralidade ou lei, lembre-se: Tudo é permitido."
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Destruição em Massa
O Márcio vinha andando pela rua e, volta e meia, levava a mão à orelha esquerda pra conferir se o brinco estava no lugar.
A preocupação de Márcio era porque o brinco em questão não era desses que perfuram a pele e a carne do lóbulo da orelha, mas um daqueles singelos brincos de pressão, de metal molinho, que, via de regra, são usados por meninas novinhas demais pra furarem as orelhas.
O Márcio, pra ser bem franco, nem queria usar brinco. Nem de orelha furada nem de pressão, mas foi convencido por seu amigo Ângelo de que brincos não eram seara exclusiva de mulheres, piratas e ciganos, e rachou um par dos tais brincos com o amigo, cada um ficaria com uma peça, que usariam orgulhosamente na orelha esquerda, pois brinco na orelha direita era sinal em código de gays para gays, e nenhum dos dois queria ser confundido com um homossexual.
Enfim, lá vinha o Márcio, ostentando o seu brinco de pressão, quando viu, na esquina para onde rumava, a Denise e a Aline.
A Aline, gordinha ruiva, carinha bonita, e a Denise... Ah, a Denise...
A Denise era tipo, o sonho de consumo do Márcio. Era a mãe dos filhos do Márcio se ele decidisse tê-los, a mulher com quem o Márcio, no alto dos seus quinze anos, queria envelhecer junto.
A Denise não era bonita, mas era gostosa. Minha nossa, como era gostosa.
Se de cara lembrava a dona Florinda, do seriado Chaves, tinha o corpo todinho no lugar, e a barriga, prepare-se para babar, igualzinha a da Padmé Amidala em Star Wars - O Ataque dos Clones, naquela parte da arena em Geonosis, sabe? Quando o nexu rasga a blusa dela? Então, a barriga da Denise era igual que nem a da Natalie Portman.
E, não bastasse ter aquele corpo terrivelmente gostoso, a Denise era metida a adulta, tinha uma qualidade algo condescendente, parecia tratar a todos como crianças, mas, salvo raras ocasiões, não parecia estender esse tratamento ao Márcio, e ele via isso como um sinal, ainda que tênue, de apreço, mesmo quando ela era particularmente mordaz para com ele.
A Denise namorava sempre com sujeitos mais velhos que, via de regra, eram tipos bem escrotos, já na casa dos dezoito, vinte anos, que se aproveitavam dela por breves intervalos e depois desapareciam sem deixar vestígios. Quando isso acontecia, a Denise, de coração irremediavelmente partido, não chorava as mágoas para a Aline, ou para alguma outra de suas amigas, as chorava para o Márcio, que, muito jovem e inexperiente, não entendia o conceito de friend zone, e achava que poderia, eventualmente, escalar de ombro amigo até peito acolhedor se fosse paciente.
O Márcio vinha pensando nisso conforme se aproximava, e, quando as meninas o viram, sorriram e o cumprimentaram, ele devolveu as saudações com abraços e beijos, e, seu novo adorno foi imediatamente identificado por Aline:
-De brinco, Márcio?
Ele sorriu, sem graça, confirmando com um acanhado "é", Denise perguntou:
-Furou a orelha?
-Não, não, é de pressão. - Respondeu Márcio, honesto.
Denise, deu um de seus sorrisos jocosos, e falou, realmente virando os cantos da boca pra baixo de tanto desprezo:
-Eu sabia que tu não era homem o suficiente pra furar a orelha.
O Márcio ainda hoje não sabe o que foi, se foram as palavras ou o fato de elas terem sido mergulhadas em escárnio antes de serem servidas aos seus ouvidos, mas aquela sentença proferida pela Denise tocou, dentro do peito pueril de Márcio um alarme. Um alarme que o fez entender, rapidamente, que para a Denise, ele era só um ombro amigo. Só um dos moleques da rua a quem ela podia encher os ouvidos de lamúrias sem ser julgada.
E nada mais.
Foi de posse dessa compreensão súbita, que o Márcio elaborou a resposta que ele sabia, era a resposta definitiva, a genki dama, o meteoro de pégaso, Hiroshima, Nagasaki e atol de Biquíni, o botão vermelho embaixo do tampo de vidro com listras amarelas:
Diria "Se tu acha que a medida de um homem está nas orelhas, não me admira que teus namorados sejam quem são...".
Diria isso, abriria a mão da Denise, colocaria o brinco de pressão sobre ela, e iria embora sem nunca mais falar com ela, nunca mais ouvi-la de coração partido, nunca mais escutá-la desafinando que a vida era uma merda, que o fulano, o beltrano ou o ciclano eram uns nojentos, e que ela nunca mais sairia com um sujeito daqueles na vida.
E pronto. Márcio teria vencido a guerra, saído por cima, vitorioso e de honra limpa.
A Denise que passasse o resto dos seus dias suportando os tipinhos obnubilados que invariavelmente partiam-lhe o coração. Ele iria adiante.
Chegou a tomar fôlego pra falar enquanto levava a mão ao brinco, mas refreou-se...
Que bem lhe faria magoar a coitada da guria?
A Denise, com sua barriga gostosa e pose de adulta era só uma fedelha insegura. Era só uma princesinha suburbana que achava que havia se apaixonado perdidamente uma vez por mês apenas pra descobrir que outro jovem adulto torpe e mal-intencionado havia tirado vantagem dela... O que, de positivo, tiraria Márcio de lhe dar um golpe seco de realidade na boca do estômago bem torneado? Alguma pequena satisfação sádica? Uma sensação vã de justiça urbana adolescente?
Márcio não precisava disso.
Ao contrário de Denise, sabia quem era, e era quem queria ser.
Era mais do que Denise, e qualquer um de seus namorados "adultos" podiam dizer.
Sorriu um sorriso triste para a Denise, e continuou andando sem dizer nada, ciente de que, muitas vezes, a maior prova de força que existe, é ter a arma definitiva de destruição em massa, e escolher não usá-la.
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