Pesquisar este blog

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Casa do Capita: Game of Thrones - Temporada 5


Eu ando muito azedo ou GoT está muito ruim?
Como eu ainda vejo algumas coisas muito boas por aqui e por ali, vou ter que tirar o meu da reta e apostar na segunda opção.
Cuidado, esse texto contém alguns spoilers.
A quinta temporada de Game of Thrones foi muito ruim. Tivemos dez episódios onde dois se salvaram, o oitavo, Durolar, e o décimo, Misericórdia da Mãe, este, por sinal, sequer comparado com o outro, mas bem acima de uma temporada que, no geral, arrancou mais bocejos do que unhas.
Ao longo dos dez episódios da temporada, a série ultrapassou os livros, e, infelizmente, o fez tomando atalhos em algumas ocasiões, e indo em outra direção completamente em tantos outros... Muitos personagens foram solenemente ignorados, eventos importantes dos livros, alterados de maneira catastrófica, e momentos que prometiam-se memoráveis, transformados em mais do mesmo.
Por mais que Game of Thrones seja uma adaptação, e compreenda-se a necessidade de alterações para que o programa funcione, Game of Thrones se afastou tanto d'As Crônicas do Gelo e Fogo que mais parece um fanfic ligeiramente baseado nos livros.
O mais graves dos defeitos talvez seja alterar completamente o comportamento de alguns personagens para justificar o corte de outros.
O que fizeram com Stannis Baratheon nessa temporada, por exemplo, foi imperdoável. Não apenas por adulterar o pretenso rei dos livros e todo o destino de sua família, mas também por que seu arco acabou ficando extremamente tortuoso em termos de escrita, transformando um personagem de determinação pétrea num zelota claudicante.
O encontro de Daenerys e Tyrion teve alguns bons momentos, entretanto, o preço para que ele ocorresse foi amargo.
Além da infundada morte de Sor Barristan Selmy, os Imaculados, cantados e decantados como a mais fodaça força militar dos sete reinos e além se transformou num monte de garotinhos juvenis criados a leite com pêra, ovomaltino e sanduíche de mortadela que não são capazes de suportar dez minutos de porrada com alguns playboys mascarados.
Sério, depois de toda a propaganda, chega a ser castrador (rá) ver a facilidade com que os Filhos da Harpia massacram o exército treinado desde o berço da mãe dos dragões.
Enquanto isso, no Norte, Mindinho, o único cara que parece saber o que está fazendo na série, entregou a Sansa de mão beijada pra ser currada e surrada por Ramsey Bolton.
Os estupros na série, diga-se de passagem, se tornaram até cansativos, de tão banalizados.
Pra piorar, no caso de Sansa, pegaram uma personagem que crescia e ganhava importância nos livros, e a ancoraram num papel de vítima de onde simplesmente parece não haver saída, ao menos não sem ajuda.
Enquanto isso, o núcleo Lannister em Porto Real se divide. Enquanto Cersei segue quase à risca o caminho da rainha nos livros, com suas maquinações se voltando contra ela na forma do Alto Pardal, a caminhada peladinha, e até mesmo sor Robert Strong, Jaime, um personagem que, na literatura, se encaminha para um ato de redenção brilhante, numa série de capítulos que dava gosto de ler em O Festim dos Corvos, se transforma em garoto de recados da irmã/amante e vai pra Dorne com Bronn (e não com Ilin Payne).
Dorne, aliás, merece troféu.
O que prometia ser um núcleo fodelão após a excepcional participação de Oberyn Martell na temporada quatro se mostrou um porre, cheio de personagens xaropes (As serpentes da areia, por exemplo, foram de amargar), intriguinhas de vingança infantis, e sequências de luta de dar sono.
Enquanto isso Arya Stark vai se transformando em ninja na Casa do Preto e Branco. Tutelada por Jaquen H'gahr (que nem deveria estar lá, já que nos livros, supõe-se, tem um papel importante a cumprir em outras partes numa subtrama interessantíssima deixada de lado na série), mas, ao invés de cumprir suas tarefas conforme ocorre no livro, fica obcecada com a presença de um visitante de Westeros, em outra alteração de comportamento de um personagem que não acrescenta nada.
Provavelmente o único núcleo que não deixou a desejar ao longo do ano 5 foi o de Jon Snow, na Muralha.
O Senhor Comandante da Patrulha da Noite fez bonito, e o grande episódio da temporada (e certamente um dos melhores da série) foi protagonizado por ele, enfrentando o Inverno como nós jamais havíamos visto antes.
Infelizmente, parece que em Game of Thrones nenhuma boa ação fica impune, e o melhor personagem da série junto com Tyrion, exalou seus últimos suspiros no season finale.
Com muito mais baixos do que altos ao longo do quinto ano, Game of Thrones mostra que, infelizmente, a tendência de piorar à cada temporada parece ter se tornado regra, uma faceta perigosa em um programa que acaba de encontrar seu ponto mais baixo após dez episódios onde oito foram mornos ou menos.
Se Game of Thrones teve algum mérito em 2015, foi o de me encorajar a assistir Better Call Saul, para a qual eu estava um tanto quanto displicente, mas que é, essa sim, excelente.

Resenha Blu-Ray: O Destino de Júpiter


E pensar que lá se vão dezesseis anos desde Matrix revolucionar o cinema com sua intrincada mitologia cyberpunk (Até hoje não consegui fazer minha mãe e meu pai entenderem o que eram os agentes e nem o conceito de realidade virtual da Matrix) e o bullet time...
Após Matrix vieram Matrix Reloaded e Revolutions, além do game Enter the Matrix, Speed Racer e Cloud Atlas - A Viagem... E parece que a capacidade dos irmãos Wachowski de fazer bons filmes se perdeu quando Neo se sacrificou por todos nós, ou se foi junto com os colhões de Larry quando ele virou Lana...
Bricadeiras de mau gosto à parte, sou um dos defensores de Speed Racer, um filme que não tinha nada de errado, exceto a forma como foi vendido.
Eu assisti a adaptação do anime no cinema e entendi que era um bom filme infantil, repleto de gags ótimas para a piazada, infelizmente, o estúdio o vendeu como uma fita de ação, o "novo filme dos criadores de Matrix", e a decepção foi geral...
A carreira de produtores de Lana e Andy também não foi das mais bacanas... Se eles começaram com o pé direito com a excelente adaptação do quadrinho V de Vingança, Ninja Assassino foi um filme tão ruim que dispensa comentários além de "Eca..".
Quando começaram a surgir as notícias a respeito da nova empreitada da dupla, este O Destino de Júpiter, eu confesso que não me empolguei nem um pouco, prova disso é que, a despeito da enxurrada de marketing sobre o filme, eu o ignorei solenemente durante sua passagem pelo cinema, escolhendo conscientemente que ele fosse lançado em home video para conferir a empreitada.
Após 127 dos mais cansativos minutos da minha vida, posso dizer que não me arrependo de ter deixado a ópera espacial dos Wachowskis passar em branco na telona.
O longa narra a história de Júpiter Jones (a gatinha Mila Kunis), filha de um estudante inglês de cosmologia, e de uma professora russa de matemática aplicada que após a perda trágica do marido (participação relâmpago de James D'Arcy, o Jarvis de Agent Carter), foge para os Estados Unidos.
Na América, Júpiter sobrevive trabalhando como faxineira com a mãe (pois é, de professora de matemática aplicada à faxineira, vá entender...), os tios, e os primos, odiando cada dia de sua vida, até seu caminho se cruzar com o de Caine Wise (Channig Tatum), um caçador espacial contratado por Titus Abrasax (Douglas Booth, de Noé) para encontrar a reencarnação genética de sua mãe, no caso Júpiter, a proprietária por direito do planeta Terra.
Sim, a encarnação genética prévia de Júpiter, mãe de Titus, Kalique (Tuppence Middleton) e Balen (Eddie Redmayne), era a matriarca de uma raça de milenares criaturas alienígenas proprietários de uma super mega corporação espacial que são donos de planetas inteiros, onde cultivam vida, e, após alguns séculos, fazem "colheitas", extinguindo populações inteiras para produzir o néctar vital que lhes garantem longevidade indefinida.
Essa trinca de oligarcas espaciais, descobre que Júpiter é a reencarnação genética de sua mãe, e precisam que ela assine um documento abrindo mão da posse (ou morra, no caso de Balen, que já é o herdeiro legal) do planetinha azul que vale uma inacreditável fortuna galáctica.
Caine, porém, descobre quase que acidentalmente a identidade régia de Júpiter, e muda de lado, colocando-se como um guardião da jovem e a ajudando a retomar seu posto por direito genético, e impedir a destruição da Terra!
Eu adoraria dizer que é ruim mas é bom, mas estaria mentindo quanto à segunda parte.
O Destino de Júpiter é muito ruim.
A salada de referências a ficções científicas prévias (Incluindo Star Trek, Star Wars, O Guia do Mochileiro da Galáxia e até mesmo Matrix) não tem lastro, o roteiro é fraco, com personagens rasos e mal escritos.
A entidade messiânica de Mila Kunis faz Neo parecer o rei Lear, Caine Wise, o guardião parte-homem-parte-lobo-albino-parte-anjo equipado com patins voadores a jato e buracos portáteis estilo ACME é um pastiche, os atores parecem constrangidos em interpretar seus papéis, à exceção de Redmaine, que manda tudo pro inferno, encarna a diva insana dá suas falas aos sussurros ou aos berros, nunca pisca e controla sua nave pelado dentro de uma piscina de gosma.
Os efeitos especiais não adicionam nada à vida de quem já viu qualquer filme de aventura espacial nos últimos anos, e nem mesmo as sequências de ação são boas. O ponto alto do filme é quando Vanessa Kirby aparece de lingerie, e a única inovação do roteiro é o fato de Sean Bean não morrer (Ops, spoiler alert atrasado).
Sofrendo do mesmo mal de filmes que não decolaram como as prequências de Star Wars, o Homem de Aço, e tantos outros filmes que careciam de identidade, profundidade ou apenas se levaram a sério demais, O Destino de Júpiter é o grande tombo dos Wachowski, o momento em que a megalomania dos irmão/irmã não encontrou nenhum tipo de lastro ou mensagem e foi apenas mais do mesmo.

"Eu odeio minha vida..."

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Top 10 Casa do Capita: Os Casais Mais Maneiros do Cinema

Sim, bitches, mais um dia dos namorados chegou, noite de fazer aquele programinha romântico (Pôquer com os amigos? Maratona de Better Call Saul? Doritos e pornografia na internet?), de sentar na calçada e ficar maldizendo os casais que passarem de mãos dadas, ou apenas de celebrar o amor.
E que maneira melhor de celebrar o amor do que com mais um infame top 10 Casa do Capita (Não responda)? Este, dedicado aos casais mais maneiros do cinema, com ênfase, claro, nos casais nerds:
À lista:

10 - Tyffani Maxwell & Pat Solatano Jr. ( Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, O Lado bom da Vida, David O. Russel, 2012)


O bipolar tentando se reaproximar da esposa traidora após oito meses em um sanatório, e a viúva promíscua tentando se reencontrar após a crise decorrente da morte prematura do marido foram vividos com maestria pela deliciosa Jennifer Lawrence e Bradley Cooper. No longa de David O. Russel, o amarfanhado "boy meets girl" ganha tempero e verve graças à doença mental e a um casal cheio de química.

9 - Loretta Castorini & Ronny Cammareri (Cher e Nicolas Cage, Feitiço da Lua, Norman Jewison, 1987)


Loretta (Cher), uma viúva prestes a cumprir a promessa de se casar com um perfeito filhinho de mamãe italiano (Danny Ayello), às vésperas do casamento se envolve com o destrambelhado irmão caçula do noivo, Ronny (Cage).
Na pele de Cher e Nicolas Cage, o casal protagonista exala uma química insuspeita, se sobressaindo em um longa cheio de subtramas deliciosas com elenco de apoio afiado, que, na ponta dos cascos, deixa a audiência acreditando no amor e cantarolando That's Amore.
Todo mundo junto:
When the moon hits the sky like a big pizza pie, that's amore...

8 - Clementine Kruczynski & Joel Barish (Kate Winslet e Jim Carrey, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Michel Gondry, 2004)


Joel (Carrey), de coração irremediavelmente partido, contrata a Lacuna Inc. para apagar de sua memória as lembranças de sua namorada perfeita, Clementine (Kate Winslet), mas será que apagar uma pessoa de sua mente é o suficiente se ela for a tua alma gêmea?
O filme romântico mais esquisitão de todos os tempos se equilibra confortavelmente sobre os ombros de um casal onde todo mundo com um coração batendo dentro do peito consegue se ver ao menos um pouquinho.

7 - Kim Boggs & Edward Mãos de Tesoura (Winona Ryder e Johnny Depp, Edward Mãos de Tesoura, Tim Burton, 1990)


A encantadora fábula sobre a patricinha suburbana Kim (Ryder), que se torna alvo das atenções de Edward (Depp), um experimento incompleto engendrado por um excêntrico cientista local e acolhido por sua mãe, Peg (Diane Wiest) é a epítome do cinema de Tim Burton, e, talvez, o trabalho do diretor onde sua obsessão por fábulas sombrias e um determinado tipo de estética melhor trabalhou em prol da história.
Some-se a isso um casal protagonista escalado de maneira inspiradíssima, com um Depp esbanjando fragilidade, e uma Winona Ryder no auge da beleza, e tudo funciona.

6 - Ellie & Carl Fredricksen (UP - Altas Aventuras, Pete Docter e Bob Petersen, 2009)


Na sensacional animação da Pixar, Carl Fredricksen, um irascível octogenário recém viúvo resolve amarrar milhares de balões de hélio na casa que corre o risco de perder, e viajar até a América do Sul, realizando o sonho de sua falecida esposa. Um plano que poderia ter funcionado, não fosse a presença de Russel, o moleque de oito anos de idade que fica preso na varanda de Carl.
Up - Altas Aventuras é uma deliciosa comédia animada ao melhor estilo Pixar, cheia de momentos de rir alto, mas em seu cerne, é apenas a consequência da adorável história de amor partilhada por Ellie e Carl, que em poucos minutos em cena, deixam claro o tipo de casal que eram.

5 - Adrian & Rocky Balboa (Talia Shire, Sylvester Stallone, Rocky - Um Lutador, (além de Rocky II, III, IV e V), John G. Avildsen, 1976)


Rocky (Stallone), um boxeador semi-profissional com um cartel pouco convidativo, tem a chance de sua vida ao receber a proposta de enfrentar o campeão mundial dos pesados, Apollo Creed (Carl Weathers).
Mas essa chance não é maior do que a chance que Balboa gostaria de ter com a irmã mais nova de seu amigo Paulie (Burt Young), a tímida balconista da pet shop local, Adrian (Talia Shire), que vive uma vida tão dura e miserável quanto a de Rocky. Juntos, esses dois azarões têm chance de serem felizes, em um romance tão tocante quanto inesquecível.

4 - Céline & Jesse (Julie Delpy, Ethan Hawke, Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol, Antes da Meia-Noite, Richard Linklater, 1995, 2004, 2013)


O casal que se conheceu em um trem, parou em Viena para partilhar uma única noite juntos antes de voltarem para suas vidas normais, se apaixonaram, perderam contato, se reencontraram nove anos depois, em Paris, e vivem juntos desde então formando sua própria família, tem nos mostrado desde 1995 como é que se faz uma história de amor de verdade.
Os apaixonados mais tagarelas do cinema são sempre bem vindos de volta.
Contando as horas até 2022?

3 - Annie Hall & Alvy Singer (Diane Keaton e Woody Allen, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Woody Allen, 1977)


Alvy (Allen), um neurótico e intelectual comediante judeu de quarenta anos, reflete sobre o amor e seu mais recente relacionamento com Annie (Keaton) uma jovem e insegura aspirante a cantora.
O inovador romance de Alvy e Annie, lança uma luz sobre o tema da incompatibilidade dos casais, e debocha de maneira espirituosa dos finais felizes hollywoodianos ao nos apresentar um casal que poderia e até deveria ficar junto, mas que descobre que, encontrar sua alma gêmea, é apenas metade do trabalho.

2 - Leia Organa & Han Solo (Carrie Fisher e Harrison Ford, Star Wars episódios IV, V e VI, George Lucas, Irving Kershner, Lawrence Marquand, 1977, 1980, 1983)


Star Wars pode ser sobre o crescimento de Luke Skywalker, o conflito do Império contra a Aliança Rebelde, e a redenção de Darth Vader, tudo sensacional e muito bacana. Mas Star Wars também tem uma das mais descoladas histórias de amor do cinema, com a aristocrática princesa de Aldeeran se apaixonando pelo salafrário contrabandista Han Solo.
Carrie Fisher e Harrison Ford formaram um dos mais sensacionais casais do cinema, e deixaram bem claro que cinema de aventura espacial, também tem coração.

1 - Gwen Stacy & Peter Parker (Emma Stone e Andrew Garfield, O Espetacular Homem-Aranha 1 e 2, Marc Webb, 2012 e 2014)


Tobey Maguire e Kirsten Dunst podem ter partilhado um dos beijos mais icônicos do cinema em Homem-Aranha (2002), mas a verdade é que os dois formavam um casal muito do chato. Os constantes sequestros de Mary Jane, a ranhetice dos dois naquele pseudo romance vai-não-vai em que MJ estava sempre namorando alguma outra pessoa e Peter estava suspirando à distância era um pé nas bolas.
O Espetacular Homem-Aranha pode ter todos os defeitos do mundo, mas a química do casal protagonista Gwen e Peter, era excepcional, e de tão bacana, transbordou da telona, tornando os intérpretes Andrew Garfield e Emma Stone, um casal de verdade.
Descolados e divertidos, Gwen e Peter eram tão bons que poderiam ter um filme só deles, sem Homem-Aranha ou supervilões, e eu teria ido ver.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Adeus, Mr. Lee


Dia de luto para todos nós, nerds de plantão.
Christopher Lee, o Drácula preferido de oito em dez fãs, o mago Saruman, de O Senhor dos Anéis, e O Hobbit, o Conde Dookan, de Star Wars episódios II e III, faleceu no domingo, último dia 7 de junho, aos 93 anos de idade.
Nascido em 27 de maio de 1922, Lee iniciou sua carreira de ator no teatro, sendo escalado desde cedo no papel de vilões.
Formado em literatura clássica, Lee brecou a carreira no final da década de 30 para lutar na Guerra de Inverno contra os soviéticos. Sua carreira militar seguiu durante a Segunda Guerra Mundial, quando serviu como oficial de inteligência na RAF.
Ao fim do conflito, pôde dedicar-se a carreira de ator, em que, embora não tenha atuado em grandes papéis, esteve presente em mais de trinta filmes. Sua carreira decolou quando uniu-se ao estúdio Hammer Films, que se tornaria uma instituição em termos de cinema de horror por mais de vinte anos. Seu primeiro papel na Hammer foi como o monstro de Frankenstein em A Maldição de Frankenstein, de 1957, seria, entretanto, no papel de outro monstro clássico que Lee encontraria o papel que o alçou ao estrelato:
O vampiro conde Drácula.
Lee interpretaria o papel em cinco produções entre 58 e 70, com grande êxito comercial.
Lee ainda interpretaria Rasputin, Sherlock Holmes, Fu Manchu,Henry Jackyll e Mr. Hyde, além de Scaramanga, o Homem da Pistola de Ouro, um dos mais famosos vilões de James Bond.
Não bastasse tudo isso, o ator ainda reencontraria o grande público já na década de 2000, quando foi (claro) vilão em duas das franquias mais famosas do cinema, O Senhor dos Anéis, e Star Wars, respectivamente como Saruman, o branco, e conde Dookan.
Além disso, firmou uma longa parceria com Tim Burton, atuando em diversos filmes do diretor, entre eles A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, A Fantástica Fábrica de Chocolate e Sombras da Noite.
Segundo o "Telegraph", citando fontes próximas à família de Lee, o ator morreu no Hospital Chelsea e Westminster, em Londres. O artista estava se tratando havia três semanas, por conta de uma insuficiência cardíaca e respiratória. No dia 27 de maio, ele completou 93 anos no hospital.
De acordo com o site britânico, o anúncio da morte de Lee demorou a sair porque a mulher do ator, a ex-atriz e modelo dinamarquesa Gitte Lee (nascida Birgit Kroencke) decidiu esperar até que todos os parentes próximos fossem avisados.
Além de um ator de carreira extremamente longeva, com mais de duzentos filmes no cartel, Lee emprestou seu vozeirão a gravações musicais da Rhapsody of Fire e Manowar, que lhe garantiu o título de metaleiro mais velho do mundo.
Hoje, guardemos todos um momento de silêncio para o velhote de 1,96m com cara de mau mais bacana do cinema. Saruman, Drácula, Dookan e toda a patota à quem ele ajudou a dar vida, merecem.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

O Intruso Noturno


A Janaína, morena brejeira, cabelos castanho-escuros encaracolados lá pelo meio das costas bem desenhadas, pele morena, olhos escuros, bela estampa.
Moça bonita, e, poderia-se dizer, moça direita.
Estudava, trabalhava, maior de idade e vacinada. Sabia o que queria da vida, e se estava sozinha, meu filho, era por livre e espontânea vontade, pois pretendentes havia, e havia vários.
Como não haveriam, quando além da morenice descontraída e do rostinho de menina sapeca, com aquela bolsinha sob os olhos risonhos como têm a Larissa Riquelme e a Emanuelle Araújo, ela ainda tinha corpo de rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel?
Tudo no lugar, tudo no tamanho ideal, tenra e deliciosa?
Pretendentes havia, meu querido, apenas nenhum que despertasse na Janaína a mais remota vontade de se desfazer de sua rotina. De seu trabalho e de seu estudo e de seus planos para o futuro.
Janaína não se importava de dormir sozinha depois de um dia estafante por, muito melhor só do que mal acompanhada.
E era o que fazia, dormia. Dormia gostoso na cama de meio-casal sob as cobertas com seu corpo delicioso espremido dentro de um pijaminha feminino sumário, mas confortável.
estava no bom do sono, aquele momento em que nem sonhando a pessoa está, está só dormindo, mesmo. Curtindo a recarga da bateria, ali pelas quatro e meia, cinco da madrugada, quando sentiu um beijinho no pescoço.
Sensação gostosa, aquele teco estalado no pescoço, do ladinho, ali na altura da carótida. Encolheu-se gostoso pra dentro das cobertas.
Novo beijo, esse mais alto, quase onde o pescoço encontra o maxilar. Uma cócega.
Janaína riu, apertando os olhinhos fechados.
Nova investida, dessa vez, uma lambidinha.
Janaína quase sorriu de novo, mas estava, etão, desperta o suficiente para se dar conta de que, fora dormir sozinha. Pior que isso: Morava sozinha.
Pânico!
Abriu os olhos sentindo a respiração de alguém em seu pescoço, olhou, e em meio à penumbra, iluminado parcamente pela luz azulada do televisor ainda ligado, reconheceu a pessoa que se debruçava sobre ela:
Era Boris Casoy!
O septuagenário âncora de telejornais, cujo bordão "Isso é uma vergonha" tornara-se referência na época do SBT.
Boris Casoy estava sobre Janaína, a beijando de maneira sôfrega, esticando a língua pra fora da boca na tentativa de alcançar-lhe o pescoço longo, agarrado aos pulsos esguios da jovem.
Fios dos cabelos brancos e finos do apresentador escapavam de seu penteado conforme ele lutava para vencer a resistência de Jana e beijar-lhe os lábios, e, o horror, ela percebeu que ele estava usando a armadura de músculos transparente do Immortan Joe, e cuecas tipo sunga da Zorba, daquelas com abertura na frente, azul-refrigerador.
O pavor crescia em Janaía, que finalmente encontrou fôlego pra gritar!
E acordou sozinha em sua cama, sem sinal de ninguém ao seu redor. Na TV, Boris Casoy, apresentando o Jornal da Noite, falava sobre o escândalo na FIFA.
Janaína desligou a TV, virou-se para o lado e fechou os olhos.
Talvez, apenas talvez, desse uma chance ao próximo pretendente que lhe cruzasse o caminho.
Ou isso, ou desistiria de dormir vendo Jornal da Noite, pelo menos...

Rapidinhas do Capita


E foi divulgada a extremamente genérica sinopse de Batman v Superman - A Origem da Justiça.
"Temendo as ações de um super-herói quase deus não controladas, o formidável vigilante de Gotham City assume o papel de salvador de Metrópolis, enquanto o mundo discute o tipo de herói que realmente precisa. E enquanto Batman e Superman estão em guerra, uma nova ameaça surge rapidamente, colocando a humanidade em um perigo que jamais conhecera".


Super-heróis que não se conhecem saem na porrada enquanto um vilão age nas sombras, os dois fazem as pazes e o vilão se dá mal.
OK, nada de errado nisso, é a quintessência do super-heroísmo em equipe, afinal de contas, e, vai estabelecer os papéis de Batman e Superman como os alicerces da Liga da Justiça para o vindouro filme do grupo, some-se a isso a declaração de Greg Silverman, de que na hora de fazer filmes de super-heróis "Há também humor, que é uma parte importante.", dando a entender que o constante tom de enterro de O Homem de Aço não deve ser regra nos filmes futuros da DC, e o cenário para o futuro da Liga não parece mais tão mórbido.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


E a excepcional série do Demolidor ganhou novidades. Além de Elektra e do Mercenário (papel que foi oferecido ao astro de, eh, eh, eh, eh, eh Os Mercenários, Jason Statham), Frank Castle, o Justiceiro estará na segunda temporada do show.
Jon Bernthal, de The Walking Dead e Corações de Ferro viverá o anti-herói, militar veterano que, após testemunhar um linchamento da máfia, tem sua família assassinada, passando a dedicar sua vida à uma sangrenta guerra ao crime.
Depois do primeiro ano da série, eu não questiono nada do que a equipe de produção de Demolidor fizer.
Bernthal não seria minha primeira escolha para o papel, mas ei, se os caras disseram que ele é o Castle, então ele é o Castle, ora bolas.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


E Hugh Jackman já confimou que vai mesmo acabar sua trajetória como Wolverine após o terceiro filme solo do mutante canadense.
Quer dizer, mais ou menos...
O ator australiano que não aguenta mais comer omelete de claras para manter o físico de super-herói disse que participaria de Deadpool e de X-Men - Apocalipse, próximos filmes da saga mutante.
Ansioso pra pendurar as garras de adamantium, mas não tanto...

terça-feira, 2 de junho de 2015

A Hora da Mudança?


Caiu a casa... Embora algumas vozes ainda tenham a desfaçatez de pedir o cancelamento, advogando em causa da CBF, o senador Romário de Souza Farias, o Baixinho Romário, conseguiu as assinaturas necessárias para criar uma CPI e investigar o Câncer Brasileiro do Futebol, essa dinastia imunda que desde João Havelange, passando por Ricardo Teixeira e chegando a José Maria Marin (e, podemos imaginar, chegando a Marco Polo Del Nero) tem esculhambado o futebol, agindo sempre em nome dos próprios e espúrios interesses em detrimento da lisura de um jogo amado por todo o mundo.
No momento em que o presidente da CBF é preso, o ex-presidente procurado, e até mesmo a FIFA, que no alto de sua soberba mandava e desmandava no futebol do mundo inteiro, chegando ao ponto de ameaçar de maneira velada àqueles que teimavam em se insurgir contra os desmando de sua confederação local (Não, FIFA, eu não esqueci do que vocês fizeram com o Inter em 2005, quando fomos aviltados pela CBF no Brasileirão), viu seu império de corrupção ruir parcialmente. Talvez, não fosse por esse percalço da entidade máxima do futebol, nós sequer tivéssemos a oportunidade de ver a CBF sofrer uma há muito necessária devassa.
Há muito um clubinho de velhos ricos e desprovidos de escrúpulos, o enfraquecimento da CBF é apontado por várias pessoas como o momento ideal para os clubes se unirem e escaparem do jugo da Confederação Brasileira da Falcatrua, formando uma Liga.
O modelo utilizado nos melhores campeonatos do mundo, onde os clubes gerem e organizam o campeonato nacional, e as federações apenas cuidam da seleção nacional, a Liga poderia ser uma forma de tornar o futebol brasileiro mais imparcial, igualitário e justo, fazendo com que todos os clubes tivessem peso igual na hora da tomada das decisões acerca do futuro do torneio.
É um belo sonho, mas a verdade é que, embora o momento seja, realmente propício à mudança, a grande questão é:
Nossos dirigentes querem a formação de uma liga?
Para responder a essa pergunta, precisamos lembrar que o que tivemos de mais semelhante à uma liga, foi o Clube dos Treze, um modelo que acabou encaçapado, ora vejam, por causa de membros do próprio clube que não estavam satisfeitos com o modelo de negociação e divisão de lucros vigente, então. Um modelo de divisão, diga-se de passagem, bem mais igualitário do que o atual, em que a Globo oferece 120 milhões de reais anuais para Corinthians e Flamengo, e apenas 40 para Cruzeiro e Atlético Mineiro, por exemplo.
A CBF não é corrupta de graça. A Confederação mãe do futebol brasileiro não é mais senão reflexo das federações estaduais que a compõe, e dos dirigentes que são regras no futebol brasileiro:
Desunidos. Arrogantes. Amadores. Grosseiros... E burros.
Uma classe de homens que está sempre a postos para apunhalar os colegas pelas costas em nome de uma porcentagem maior.
De nada vai adiantar formar uma liga com os oitenta ou cem ou cento e tantos clubes que formam as quatro divisões principais do campeonato brasileiro enquanto fazer isso for como juntar cento e tantos cães famintos numa sala com três frangos assados.
A derrocada da FIFA ou da CBF, por si só, não agregará nada ao futebol brasileiro enquanto os dirigentes de clubes não forem nada além de reflexos menos influentes dos bandidos que estão sendo retirados do comando.
Uma sacudida que começa por cima só é aproveitável se ela for aliada à uma remodelação que começa por baixo, e isso, infelizmente, ainda está muito, muito longe do nosso horizonte.