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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Resenha Game: Batman - Arkham Knight


Se existe um lugar onde os fãs do Batman de qualquer corrente podem se sentir à vontade para amar seu personagem sem encontrar qualquer tipo de mazela, esse lugar é a série de games Arkham.
Ao menos os capítulos desenvolvidos pela Rocksteady, Arkham Asylum e Arkham City, já que o prequel da Warner Montreal, Arkham Origins, não chegou a ser unanimidade como seus predecessores.
O estúdio inglês, aliado ao gênio criativo de Paul Dini, um dos grandes escritores de super-heróis da DC contemporânea, criaram um retrato do Batman à prova de fãs chatos.
Como o leitor deve saber, existem inúmeros fãs chatos do Batman.
Existem as pessoas que preferem essa ou aquela interpretação do homem morcego, e que torcem o nariz para as demais.
Existem os que não gostam do Batman falastrão de Frank Miller, os que odeiam George Clooney, Val Kilmer e Joel Schumacher pelo que eles fizeram ao Batman, aqueles que tem a cara de Adam West em um alvo de dardos na porta do banheiro e aqueles que se ouvirem falar sobre "a maldição do morcego" de Allan Grant, mais uma vez, vão perder as estribeiras. Existem, pasmem, até os caras que avacalham os Batman de Christian Bale e Christopher Nolan por ser "pouco Batman".
Há fãs de todos os tipos, mas nenhum deles têm do que se queixar com relação ao Batman da série Arkham.
O homem morcego engendrado pela equipe criativa do game é a quintessência do que o Batman deveria ser, é simplesmente perfeito. A combinação equilibrada dos talentos dedutivos, do artista marcial, da utilização dos gadgets, à aplicação de ciência embaladas num traje de morcego com o vozeirão de Kevin Conroy é Batman no pico do que significa ser Batman.
Isso havia ficado muito claro em Arkham Asylum e Arkham City, e teve seus relances no bom Arkham Origins, e explicava a ausência de unhas nas mãos dos nerds conforme se aproximava a data de lançamento (adiada duas vezes) de Batman - Arkham Knight, prometido último capítulo da série, que elevaria a fórmula "Batman enfrenta uma noite tenebrosa" à enésima potência quando toda a cidade de Gotham é feita refém pelos inimigos do morcego.
Passou-se um ano desde que as muralhas de Arkham City foram derrubadas. O crime caiu a índices baixos como nunca antes vistos, e toda a cidade mergulhou em um inesperado mar de tranquilidade.
Mas isso não dura.
O Espantalho, Jonathan Crane, às vésperas do feriado de Halloween, comete um hediondo atentado na cidade, e promete que é apenas uma gota no oceano. O vilão planeja detonar uma bomba com a mais nova e poderosa versão do seu gás do medo na cidade de Gotham.
As autoridades agem rápido, evacuando mais de seis milhões de pessoas em vinte e quatro horas, deixando na cidade apenas policiais, bombeiros, criminosos, e o Batman.
O herói inicia sua jornada rumo ao inferno engendrado pelo Espantalho, que não está agindo sozinho em sua empreitada nefasta.
O vilão uniu forças com o Pinguim, Duas Caras, e um novo antagonista, um misterioso líder militar conhecido apenas como Arkham Knight. Um mercenário de passado sombrio que traz seu exército particular à cidade de Gotham para destruir o Homem Morcego de uma vez por todas.
Como desgraça pouca é bobagem, o maior detetive do mundo ainda precisa lidar com o retorno de um vingativo Charada, constantes aparições de uma criatura conhecida como morcego-humano, incêndios criminosos perpetrados pelo Vaga-Lume, o desejo de vingança de Harley Quinn, além de um sem número de atentados, sequestros, e participações de criminosos diversos que se aproveitam da Terra de Ninguém em que Gotham se tornou para realizar suas atividades sem a intervenção do lei.
Para suportar a violenta onda de crimes em uma cidade do tamanho de Gotham, o cruzado encapuzado precisa utilizar em sua totalidade o seu arsenal de tecnologia, que inclui todos os aparelhos vistos nos games anteriores, mais algumas novidades como o sintetizador de voz, o auxílio da Mulher-Gato, do Robin, e de Asa Noturna, mais o apoio logístico e técnico da Oráculo Barbara Gordon, Alfred, e Lucius Fox, além do que prometia ser a grande novidade do game:
O novo Batmóvel, uma versão revista e remodelada do bólido visto brevemente no início de Arkham Asylum.
Com esse auxílio, Batman precisará enfrentar a mais longa de todas as noites, conforme luta contra os monstros que planejam destruir seu mundo, e contra os seus próprios demônios pessoais, espreitando nos mais obscuros recantos de sua mente, uma batalha que pode custar a vida do guardião de Gotham City.
Espetacular.
Como eu disse lá em cima, há muito pouco do que se queixar na série Batman Arkham, e o escopo de Arkham Knight, é uma soma de tudo o que havia de bom nos outros games e ainda mais.
A história, escrita por Sefton Hill e Martin Lancaster com apoio de Geoff Johns não fica muito atrás do que Paul Dini criou para os outros games da franquia, com um sentido de urgência palpável que aumenta a cada minuto conforme as reviravoltas na trama se empilham. Arkham Knight é uma tremenda história de Batman, em vários aspectos, superior e até mais corajosa do que muita coisa feita nos quadrinhos e no cinema com o herói, e uma sequência diretíssima dos games anteriores (de todos eles).
A mecânica de combate baseada em contra-ataque do game foi melhorada, permitindo ao homem morcego enfrentar até cinquenta inimigos ao mesmo tempo. Essas lutas inacreditavelmente lotadas, acontecem sem que haja queda na taxa de frames do jogo. Uma variedade maior de tipos de inimigos foi colocada nos mapas, capangas de escudo, eletrificados, armados e médicos que recuperam antagonistas nocauteados, tornando os desafios de predador mais... Bom... Desafiadores.
A presença da Mulher-Gato, Robin e Asa Noturna também adicionam um interessante elemento ao combate, a luta em parceria.
Quando um aliado está no campo de batalha com o Batman, com um botão, o player pode alternar o controle entre o morcego e um dos seus sidekicks, num balé que geralmente resulta em nocautes em dupla que são muito bonitos e parecem ter sido arrancadas das páginas dos quadrinhos.
Mais prática, outra novidade, os Fear Multi Takedown Moves, permitem ao Homem Morcego cair matando em cima de até 5 inimigos armados sem sofrer nenhum arranhão, oferecendo uma série de novas ferramentas para instilar o terror no coração da bandidagem.
Mas e a grande novidade do game? E o Batmóvel?
Bueno... Confesso que temia um pouco pelo excesso de holofote sobre o mais icônico carro da cultura pop.
Assim como deve ter acontecido com várias outras pessoas, eu fiquei receoso de que Batman - Arkham Knight fosse se tornar Batmobile: Arkham Knight.
E de certo modo, é o que acontece.
O poderoso "tanque de bilhão de dólares" (visivelmente inspirado no Batmóvel de Batman: O Cavaleiro das Trevas, tanto o quadrinho quanto o filme, inclusive com ecos da Bat-Pod) propelido por foguete, capaz de arrancar árvores, postes e colunas de seu caminho sem reduzir a velocidade, de esmerilhar a fachada de edifícios como se nada estivesse acontecendo e de reduzir carros e até tanques inimigos à sucata em uma batida está presente em quase metade do jogo. Mais do que isso, o batcarro se torna uma das principais ferramentes para resolver puzzles, e um elemento fundamental para transitar entre as três ilhas do imenso mapa de Gotham (cinco vezes maior do que o mapa de Arkham City e sem nenhum sistema de viagem rápida), e para os combates entre tanques (?).
Sim. Tu leu certo:
Combate entre tanques.
Veja, Gotham foi sitiada pelas forças do Arkham Knight, um líder militar fodelão, e o espaço nas ruas é partilhado por policiais, bandidos, e pela milícia do Knight, formada principalmente por pequenos tanques de combate remotos.
Esses veículos militares não-tripulados são a principal oposição nas ruas (que, diga-se de passagem, jamais estiveram tão vivas e cheias de gente), e um prato cheio para o modo de combate do Batmóvel.
Com o toque de um botão, o carro altera sua configuração, tornando-se um tanque de guerra armado com metralhadoras e um canhão de 60 mm. capaz de demolir a blindagem leve dos tanques inimigos. Mais do que isso, nesta configuração, o veículo se torna mais lento, mas muito mais manobrável, sendo capaz de rodar em todas as direções, se esquivar de projéteis inimigos e alcançar áreas que pareciam inacessíveis.
Além disso, o veículo é equipado com um lançador de arpéu e cabo de aço, tornando-o capaz até mesmo de escalar paredes.
O Batmóvel é a principal novidade do game, mas ao mesmo tempo, provavelmente seu maior defeito.
Por mais divertido que seja arrasar tudo em seu caminho pilotando o tanque de corrida do Batman, o veículo é extremamente contraditório para com o tipo de Batman predador sombrio que vemos em todo o resto do jogo (e nos games anteriores). Mais do que isso, o veículo blindado pessoal armado até os dentes explodindo tanques inimigos e destroçando carros e prédios, por mais "não letal" que seja, parece ferir os princípios do homem que odeia armas de fogo, aqueles "objetos idiotas e covardes".
Por sorte, esse estranhamento e o excesso de uso do Batmóvel são diluídos na diversão de uma história imersiva e de dezenas de missões secundárias, em sua maioria, excelentes enquanto percorremos um mundo aberto gigantesco.
Os gráficos são um disparate, pela primeira vez desde que comprei o PS4, tive a sensação inequívoca de estar jogando um game da nova geração. Texturas, profundidades, movimento, efeitos de luz, tudo é perfeito graficamente falando em Arkham Knight dos arranha-céus ladeados por estátuas abissais e luzes de neon, ao modo como o vento infla a capa do Batman quando ele plana, ou a forma como as gotas de chuva escorrem pelo capuz.
O trabalho de dublagem, encabeçado pelo Batman definitivo Kevin Conroy, mais papas como Troy Baker e Nolan North, além do (regente Denethor) John Noble, soa bem demais aos ouvidos, tanto que nem me atrevi a ver a versão em português (Acertadamente conduzida por dubladores profissionais, como Ettori Zuim e Manolo Rey, sem extravagâncias como Roger e Pitty.).
Se Arkham Knight realmente for o jogo derradeiro da Rocksetady a frente da Bat-franquia, será motivo para luto, mas ao mesmo tempo, a série termina com pompa e circunstância, num jogo excepcionalmente escrito e executado à perfeição.
Um experimento em larguíssima escala, tanto em termos de tamanho, quanto de possibilidades de gameplay, quanto de quantidade de personagens e coragem na hora de explorar os aspectos mais sombrios da psiquê do herói, e aprofundar de maneira jamais vista sua relação com seu arqui-inimigo.
Não é apenas bom. É obrigatório.

"A profecia se cumpriu. Gotham queima."

sábado, 27 de junho de 2015

Tem Seu Valor


A Raquel, estatura mediana, magrinha, cabelos castanhos crespos, olhos castanho-escuros, bonitinha, direita, sem arroubos, lavava os pratos na cozinha após o almoço de sábado. Na sala, ouvia o som da TV conforme seu marido, Antônio, alto, quadradão, cabelos e olhos escuros, zapeava entre os canais sem aparentemente encontrar nada que o agradasse na programação do sábado à tarde.
Ali pelas tantas, entrou um som de música... Algum instrumento de sopro, talvez? A Raquel não identificou o instrumento, mas identificou a melodia.
Que música era aquela, perguntou-se.
Antes que tivesse chance de matutar, com os braços de espuma de detergente até os cotovelos, percebeu a aproximação do Antônio, que entrou rodopiando na cozinha como quem dá um passo de dança. Ele abriu a boca:
-Eu preciso te falar... Te encontrar de qualquer jeito... Pra sentar e conversar... Depois andar de encontro ao vê-entuuuuuuuú...
A Raquel arregalou os olhos e encarou o Antônio:
-Que é isso, Toni?
O Antônio a enlaçou pela cintura, e a puxou de encontro a si:
-Eu preciso respirar... O mesmo ar, que te rodeia... - E cheirou o cangote da Raquel. -E na pele quero ter, o mesmo sol que te bronzei-aaaaaaaa... - E lambeu o ombro da Raquel. -Eu preciso te tocar, e outra vez te ver sorrindo... Te encontrar num sonho lí-in-dúúúúúúúúúúúúúúúúúú...
Ajoelhou-se no chão da cozinha, ergueu a saia da Raquel, afastou a calcinha dela pro lado, e beijou-lhe delicadamente o monte de Vênus.
Raquel tentou afastá-lo, empurrando-lhe a cabeça pra longe do próprio púbis com as duas mãos.
-Que é que tu tá fazendo, homem de Deus? Que sem-vergonhismo é esse?
O Antônio se levantou, abriu dois botões da blusa da Raquel:
-Já não dá mais pra viver... Um sentimento sem sentido... Eu preciso descobriiiir, a emoção de estar contí-iguuuuuuú...Ver o sol amanhecer, e ver a vida acontecer, como um dia de dumingúúúúúúúúúúúúúúúúúú...
Deu um trancaço na Raquel, colando seu pélvis à coxa dela, e a olhando languidamente. Ela olhou em volta, baixou os olhos:
-Tá... Peraí, então... Deixa eu terminar de lavar esse prato e a gente vai pro quar-
Ele a interrompeu:
-Faz de conta que ainda é cê-edúúúúúúúúúúúúúúúúúú... Tudo vai ficar por conta da emoçã-aaa-ummmmmmmm, faz de conta que ainda é cê-edúúúúúúúúúúúúúúúúúúú-úúúúúúúúúúúú, e deixa falar a voz do coraçaummmmmmmm...
Abriu-lhe o sutiã e beijou-lhe os seios conforme baixava-lhe a calcinha por sob a saia e a puxava para que se juntasse a ele no piso laminado da cozinha.
Cerca de uma hora e meia depois, suada e desalinhada, Raquel recebeu um beijo estalado do marido, que a ajudou a se levantar, e terminou de lavar a louça enquanto ela foi ao banheiro tomar uma ducha e se recompôr.
Não falaram mais no assunto, e o resto do sábado transcorreu como todos os outros sábados do casal até ali.
O mesmo durante a semana, em que nada de novo ou remotamente marcante acontecera. No sábado, o Antônio acordou ali pelas dez, foi bater uma bola no parque, na volta passou pelo mercado e chegou em casa com as compras perto do meio dia.
A Raquel acordou um pouco mais tarde, quase onze da manhã, fez uma limpezinha leve na casa, passeou com o cachorro e ficou esperando que o Antônio chegasse.
Quando ele chegou, ela preparou o almoço enquanto ele tomava banho, serviu enquanto ele se vestia, e eles comeram juntos.
Quando terminaram, ele disse que cuidava da louça e ela ficou na sala, olhando TV.
Olhou para os próprios pés... Mudou de canal uma vez... Duas... Nada de bom passando. Ouviu o som da esponja roçando no aço inox das panelas, e mordeu o lábio inferior.
Ligou o som.
Ali pelas tantas, entrou a Raquel, toda vamp, toda fatal na cozinha. O Antônio olhou pra ela e deu um sorriso, e ela começou:
-Fecho os olhos pra não ver passar o tempo...Sinto falta de você...Anjo bom, amor perfeito no meu peito... Sem você não sei vivêêêêr... Vem, que eu conto os dias,Conto as horas pra ter ver, Eu não consigo te esquecer... Cada minuto é muito tempo sem você, sem vocêêêêê-êêêêêêêêêêê...
E saltou no Antônio, o enlaçando com as pernas enquanto o beijava com sofreguidão.
Enquanto abaixava os calções e dava um jeito de se deitar no chão sem machucar a Raquel, Antônio ainda pensou como é que tinha gente que não percebia o valor das músicas do Michael Sullivan.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Rapidinhas do Capita


É oficial. A Marvel e a Sony bateram o martelo e escolheram o novo Homem-Aranha do cinema.


Tom Holland, de O Impossível será o terceiro ator a envergar o colante azul e vermelho no cinema depois de Tobey Maguire e Andrew Garfield.
O ator londrino de dezenove anos recém completados fechou acordo para viver o Homem-Aranha em três a quatro filmes solo (um para cada ano de Peter no colegial), e mais uma quantidade ainda desconhecida de filmes da Marvel, que devem incluir Capitão-América - Guerra Civil, e Vingadores: Guerra Infinita partes 1 e 2.
Surgiram boatos afirmando que Homem Formiga, que estréia no mês que vem, já terá diversas alusões ao universo do Homem-Aranha, inclusive com menções à Oscorp, empresa de Norman Osborn.

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Além do protagonista, a Sony/Marvel divulgou a escolha do diretor dos novos Homem-Aranha, será Jon Watts, diretor do terror Clown, e de Cop Car, filme independente exibido no Festival de Sundance desse ano.
Diretor de curtas e filmes para a TV, Watts se enquadra no papel de diretores-fantoche que aparentemente agrada à Marvel em seus longas, e vai na contramão de nomes mais experimentados que chegaram a ser aventados antes do anúncio.

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No papel de fã do personagem, e considerando os nomes que estavam em disputa com Holland (Matthew Lintz, Charlie Plummer e Asa Butterfield), acredito que os estúdios encontraram um bom equilíbrio entre semelhança com o personagem dos quadrinhos e talento.
Holland mandou muito bem em O Impossível, e poderá ser visto ainda esse ano em No Coração do Mar ao lado do Thor Chris Hemsworth.
Dançarino de formação, Holland já estava dando piruetas na internet para provar que é capaz de fazer justiça às acrobacias do herói aracnídeo.


É, oficialmente, o fim de uma era.
Agora é começar a especular os demais nomes do elenco do novo filme do cabeça de teia, (Alguém falou em Bryan Cranston como Norman Osborn?), e torcer para que finalmente tenhamos o equilíbrio entre o grande filme, e o grande protagonista, algo que os fãs do Homem-Aranha ainda não viram.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Quadrinhos: Demolidor 7


Mais uma vez a Panini brinca com meus sentimentos e Demolidor atrasa pra chegar a Porto Alegre. Por sorte o atraso da vez foi menor do que o anterior, e o gibi atrasou apenas umas duas semanas, ainda assim, magoa, dona Panini, então, mais juízo na próxima vez.
O homem sem medo da Marvel vive um grande momento, com um gibi sensacional e uma série de TV espetaculosa, de modo que a única coisa realmente acima de qualquer suspeita que eu tenho lido/assistido com gente usando colante, tem o duplo D entrelaçado em algum lugar.
Os quadrinhos são o assunto da vez, e eu não vou repetir que Demolidor é o melhor gibi em série sendo lançado no Brasil, tampouco vou ficar me derretendo em elogios ao escritor Mark Waid e aos artistas Chris Samnee e Peter Krause, vou dizer apenas que, se tu curte quadrinhos de super-heróis, não ler Demolidor é um pecado.
Após os eventos da edição anterior, Demolidor 7 segue mostrando a mudança de Matt Murdock para São Francisco após ele perder a licença para advogar em Nova York.
Ao lado de sua sócia/side-kick/interesse romântico Kirsten McDuffie, Matt se prepara para seis horas a bordo de um avião para sua nova casa, mas uma inesperada tempestade o faz parar em Milwaukee, onde ele tem um inesperado encontro com o vilão conhecido como Pensador Louco!
Na história seguinte, o diabo da guarda está empenhado em construir uma relação amigável com as autoridades de São Francisco, e para isso, colabora com a polícia em investigações enquanto se aclimata a uma cidade que mudou muito desde o tempo em que ele viveu lá.
Com o Matt sendo celebrado como uma celebridade agora que sua identidade é de domínio público, o Demolidor atrai a atenção do anti-herói conhecido como Mortalha, que tem planos para um velho conhecido de Matt que também se mudou para a Califórnia.
Depois, enquanto Kirsten precisa lidar com a nova realidade do escritória de Nelson e Murdock, sem Nelson, Matt precisa impedir que o Mortalha se alie a Leland Owlsley, o Coruja, em uma série de ações que podem ter um único objetivo.
Com cento e quarenta páginas, Demolidor 7 reúne as edições 0.1, 1, 2, 3 e 4 de Daredevil.
Papel esperto no miolo, capa cartão, R$18,90 nas melhores casas do ramo, e quem não lê não sabe o que está perdendo.

"Meu amigo Foggy adora me lembrar que torcer pra dar certo não é um plano..."

Resenha DVD: Um Santo Vizinho


Eu vou confessar que não me lembro exatamente quando foi que começou a "mania" de Bill Murray...
É engraçado pensar que hoje, quando se fala em Bill Murray, todo mundo que entende um mínimo de cinema (ou finge que entende um mínimo de cinema) faz "ooooh", "Uau" ou algum outro ruído de deferência, e diz o quanto Bill Murray é foda.
Eu sempre gostei do Murray, mas a verdade é que eu sou de um tempo em que a maioria das pessoas mal e mal sabiam diferenciar Murray e James Belushi (inclusive ganhei um Street Fighter II pra Super NES numa aposta referente ao tema, mas tive a grandeza de não levá-la a cabo, deixando claro o quanto eu era magnânimo.).
Mas foi-se o tempo, e, quando quer que a onda Bill Murray tenha começado (Eu chuto que foi em Encontros e Desencontros), hoje o ator e comediante recebe o devido reconhecimento, ainda que tenha alcançado uma idade em que, infelizmente, os papéis de protagonista se tornaram mais raros, e em filmes que acabam em circuito reduzido em meio aos lançamentos barulhentos e a obrigatoriedade de ter sempre filmes nacionais passando nas salas.
Por sorte, um desses raros papéis de protagonista é o Vincent de Um Santo Vizinho.
Um rabugento veterano do Vietnã, Vincent é um sujeito azedo, beberrão, viciado em corridas de cavalos, que leva a vida entre visitas ao hipódromo, ao bar, e à prostituta grávida com quem mantém um "relacionamento".
Vincent está quebrado, devendo dinheiro a agiotas, com a conta mais de cem dólares negativa no banco e a saúde em frangalhos, e não está nem aí.
O caminho do velho podrão é cruzado pela nova vizinha, Maggie (Melissa McCarthy), que se muda para a casa ao lado, e do filho dela, Oliver (Jaeden Lieberher).
Maggie está se divorciando do marido, e Oliver entra em uma nova escola em meio ao período letivo. Com Maggie trabalhando horas extras para aumentar a renda, o guri fica à mercê do bullying dos novos colegas, e após perder suas chaves e seu celular em uma peça pregada por outro menino, acaba dependendo da boa-vontade de Vincent para contatar sua mãe.
Após alguns encontros breves e pequenas sessões de insultos, onde Vincent tenta arrancar dinheiro da nova vizinha para consertar seu carro, sua cerca, e a árvore (?) em seu quintal, eles acabam fechando um acordo em que Vincent será a babá de Oliver enquanto Maggie trabalha.
O arranjo, claro, culmina com excursões ao hipódromo, longas tardes no bar local, e convívio com a prostituta eslava Daka (Naomi Watts), além de visitas à Sandy, a esposa de Vincent, que, sofrendo de demência, vive em uma instituição.
Por estranho que pareça, o convívio com o velho podrão é benéfico para Oliver, que aprende com Vincent lições importantes de amadurecimento que não receberia de seu pai "abraçador de árvores", e, como não poderia deixar de ser, para Vincent, que, do convívio com o moleque, tira um pouco de alegria em sua vida amargurada.
É um feel-good-movie total, óbvio que só. O roteiro do diretor Theodore Melfi não tem absolutamente nenhuma novidade para acrescentar à cartilha dos feel-good-movies. E quer saber?
Funciona.
Funciona porque o cinema não precisa de mil novidades para um filme funcionar, e alguns temas, por mais batidos que sejam, sempre encontram em uma boa execução, uma forma de se tornar palatáveis.
A execução de Um Santo Vizinho encontra lastro em seu elenco. Bill Murray está excelente no papel de velho rabugento. Por melhor que seja vê-lo fazendo papel de palhaço, Murray tem estofo e talento para ser mais do que isso, e o roteiro de Melfi explora muito bem o potencial do ator em um papel terrivelmente humano.
Melissa McCarthy escapa (graças a Odin) do arquétipo da gorda trapalhona e escandalosa, e entrega uma atuação sensível e divertida sem arroubos. Naomi Watts imprime doçura à uma personagem que, à primeira vista pareceria ridícula. Além dos três ainda há Chris O'Dowd, como o professor Geragthy, e Terrence Howard, como o agiota Zucko, mas, a grande força de Um Santo Vizinho ao lado de Murray é o ator mirim Lieberher.
O moleque exala uma doçura, polidez e inocência genuínas, que contrastam à perfeição com o azedume cínico do velho ranzinza. A química da dupla é adorável como o filme que protagonizam, e ainda que o longa abuse de expedientes re-re-recauchutados pra arrancar risadas e lágrimas, quem é que liga quando o resultado é mais do que satisfatório?
Quisera eu ter conseguido assistir Um Santo Vizinho no cinema.
Assista. Vale demais a locação.

"-Você precisa se defender, ou então vai ser moído.
-Eu sou pequeno, caso o senhor não tenha notado.
-E, Hitler também era.
-Essa é uma comparação horrível.
-De fato. Mas eu estava provando um ponto."

Resenha DVD: Mapas para as Estrelas


Eu já disse aqui, e repito, que sou um fã de David Cronenberg. O diretor que ganhou a nada elogiosa alcunha de Barão Sangue por não ter medo de ser gore, ainda que tenha feito poucos terrores em seu cartel de produções que, diga-se de passagem, é de alto nível.
Cronenberg é um diretor sem medo de sexo e violência, mas não é um fanático do tipo "choque pelo choque", como Gaspar Noé, por exemplo. Seus filmes não se tratam de penetração e evisceração, mas de histórias de personagens que, geralmente, são vítimas e algozes na própria tragédia, com monstros interiores que são infinitamente mais ricos do que as mutações genéticas de A Mosca, pra ficar no exemplar mais tradicional de horror da filmografia de Cronenberg.
Esse Mapas para as Estrelas é mais um desses filmes do canadense. Os personagens do longa são todos pessoas que exibem uma fachada de glamour em público, mas são, à seu modo, monstros quando se chega perto o suficiente.
A começar por Havana Segrand (Julianne Moore), uma atriz de carreira brilhante que, após ultrapassar a barreira dos cinquenta anos começa a ver o próprio brilho diminuir. Havana é uma mulher definida pelo passado trágico, sua mãe, Clarice Taggart (Sarah Gadon) era uma atriz consagrada e uma mãe abusiva, cujos maus tratos deixaram profundas cicatrizes emocionais na filha. Havana está constantemente procurando por formas de deixar o passado de abusos físicos e sexuais para trás, mesmo formas que pareçam ironicamente ir no sentido oposto.
Havana deseja ardentemente reprisar o papel que consagrou sua mãe no cinema, e um remake em produção é a sua grande chance de exorcizar as memórias que, literalmente, a assombram.
Havana, porém, não é o único personagem assombrado e psicologicamente ferido da história.
Seu terapeuta/massagista/guru de auto-ajuda Dr. Stafford Weiss (John Cusack) é igualmente uma pessoa atribulada tentando projetar uma imagem de auto-controle e sucesso. Suas sessões de manipulação corporal são violentas e ele parece estar sempre em busca de uma forma de desenterrar um novo problema em sua paciente.
A família de Weiss é composta pela esposa Christina (Olivia Willians), uma mulher focada no gerenciamento da carreira do filho do casal, o arrogante ator-mirim Benjie Weiss (Evan Bird), que tenta retomar sua carreira cinematográfica enquanto enfrenta uma desintoxicação e é, a exemplo de Havana, assombrado pelos próprios fantasmas.
Além de Benjie, os Weiss têm uma filha, Agatha (Mia Wasikowska), que esconde sob luvas compridas as cicatrizes de um misterioso incêndio, e volta a Los Angeles após um período afastada, tornando-se assistente pessoal de Havana à revelia do conhecimento do pai.
Todas essas pessoas perturbadas se conectam conforme a história se desenrola, assombradas pelo passado, ou pelo presente enquanto flutuam pelo mundo das celebridades de Hollywood.
Cronenberg é ótimo, mas tem seus filmes maiores e menores. Este Mapas para as Estrelas poderia ser catalogado como um exemplar menor na filmografia do cineasta.
Muito do problema está no roteiro de Bruce Wagner, que, a partir do momento em que amarra todas as pontas do script, conectando cada um dos personagens principais (Que ainda incluem Robert Pattinson como o chofer aspirante a ator e roteirista Jerome), a história perde sua aura de tragédia-sobrenatural-para-quem-não-acredita-em-sobrenatural e se torna mais conveniente e tradicional.
Por sorte, o excelente trabalho do diretor e de um elenco afiado, encabeçado por uma Juliaanne Moore no alto da forma, mandando lá pra casa do capita qualquer resquício de vaidade ou até dignidade.
É ela a força motriz de Mapas para as Estrelas, mas não apenas. Olivia Willians manda bem durante seu tempo em cena, e John Cusack mostra que pode ser mais do que um sujeito engraçadinho. Mia Wasikowska já é uma realidade em termos de qualidade de atuação, e Evan Bird consegue tornar um personagem terrivelmente antipático digno de algum interesse.
Carregado nas costas por diretor e elenco, o filme vale a locação. Mapas para as Estrelas é um filme menor de Cronenberg, mas se alguém te oferecesse um quadro menor de Picasso, tu não iria pendurá-lo na parede?

"-Eu me senti um pouco constrangida. Acho que sou uma sapatão desajeitada..."

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Rapidinhas do Capita


E David Ayer, diretor do vindouro Esquadrão Suicida, publicou em seu twitter uma nova foto de bastidores, com a silhueta de um personagem armado com um rifle.
Por alguma razão, a foto fez a cabeça de muito fã girar, e já se cogita a possibilidade de que o vulto seja ninguém mais ninguém menos do que Slade Wilson, o Exterminador (Deathstroke, no original), anti-herói favorito de oito em dez DCnautas.
Confira a imagem:


Embora eu realmente seja incapaz de entender porque essa figura sombria de boné possa ser confundida com o Exterminador, fica meu voto para que o rumor se comprove já que, na minha opinião, Esquadrão Suicida sem o Exterminador, perde oitenta e seis e meio por cento da graça.

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Em outra notícia relacionada ao longa do supertime de vilões, Aquaman o herói atlante que ninguém leva a sério, apareceria no longa metragem sendo capturado por Amanda Waller (Viola Davis) após uma luta com o Tubarão Rei, que também seria preso pela organizadora do Esquadrão.
Aquaman estaria sendo submetido a testes enquanto Waller estaria de posse do tridente do rei atlante.
Essa cena também ecoaria em Batman V Superman - A Origem da Justiça, onde Batman (Ben Affleck) encontraria uma imagem de Aquaman ao invadir a LexCorp.

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E por Falar em LexCorp e aproveitando o embalo DCnauta da postagem, Jesse Eisenberg disse que seu Lex Luthor não será "tolo ou vilanesco".
O ator de A Rede Social deixou claro que seu Lex Luthor não terá absolutamente nada a ver com o personagem vivido por Gene Hackman nos anos setenta, dizendo que Superman - O Filme, não seria feito nos dias de hoje por conta da unidimensionalidade dos seus personagens (E ignorando o trabalho soberbo de Kevin Spacey vivendo uma versão V-8 do Luthor de Hackman em Superman - O Retorno), e que seu Lex Luthor terá "precisão psicológica" e será "diagnosticável de alguma forma".
Eisenberg também se rasgou em elogios para o roteirista de Batman v Superman, Chris Terrio, dizendo que ama tudo o que o escritor faz.