Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
Pesquisar este blog
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Rapidinhas do Capita
Ontem, após o gre-Nal 392 ficou claro que, pro GFPA os gandulas já eram adversários temíveis, o que se dizer então do Internacional, mesmo desfalcado de cinco titulares?
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Bons tempos aqueles em que o Luxemburgo brigava com o treinador adversário, com o árbitro e os jornalistas. O fim da pindaíba nem é se submeter a treinar o GFPA, é assumir que a falta de material com que se trabalhar é tanta que até brigar com um repositor de bola e ir pro vestiário mais cedo é melhor que aguentar o papelão de perder uma partida ao natural depois da fiasqueira de entrar em campo com dezoito jogadores.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
O que que se faz?
Toca-se a ficha?
Siga-se o rumo?
Deixa-se pra lá?
Faz-se o que parece que ela quer?
Ou exatamente o oposto, que por alguma razão, parece ser a coisa certa?
Cérebro, coração ou fígado?
O que ele mais tem é fígado. Mas o que ele tem de coração, mesmo não sendo muito, é todo dela.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Uma luz, por favor.
Um sinal.
Qualquer coisa.
Pra ele saber se deve ou não manter a esperança de vê-la dançar Michael Jackson Beat It na cama deles.
sábado, 28 de abril de 2012
Your Call

Você tem olhos mas não vê.
Tem ouvidos mas não ouve.
Ele não vai te dizer tudo de novo.
Ele já disse antes.
Achou que tinha ficado claro.
Ele explicou a sua situação.
Ele seguiu as regras que tu estabeleceu.
Fez como tu disse.
Abraçou o tratado por ti oferecido.
Acatou teu pedido de tempo.
Pro melhor e o pior.
Você sabe como ele se sente.
Tá na tua mão. É contigo.
Sempre foi.
Ele não vai a parte alguma.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Resenha Cinema: Os Vingadores
Foi sentado em uma cadeira que não era geograficamente a do meio da fileira, morrendo de sono e de dor, e tomando apenas um refrigerante ao invés do meu milk shake de chocolate que à meia noite e quatro desta sexta-feira eu me acomodei com os óculos 3-D na minha carranca cansada e conferi Os Vingadores, ambiciosa produção da Marvel que uniu nas telonas, sob a batuta de Joss Whedon, os heróis que haviam sido apresentados individualmente em seus filmes solo. Cento e quarenta e dois minutos de aplausos, gritos e gargalhadas mais tarde, me levantei e fui procurar pelo meu queixo no chão do cinema.
Os Vingadores parte de onde os outros filmes da Marvel Studios haviam parado (Em especial Capitão-América e Thor) para contar a história de um dia. Um dia como nenhum outro, em que os maiores heróis do mundo se viram unidos contra uma ameaça comum. O dia em que surgiram Os Vingadores.
A ameaça comum em questão, óbvia pra quem havia assistido Thor, era Loki (Tom Hiddleston), o irmão adotivo de Thor, que após ter seus planos para se tornar rei de Asgard frustrados pelo deus do trovão volta suas atenções à Terra e ao Tesseract. O Cubo Cósmico que foi o MacGuffin do filme do Capitão América.
Mancomunado com sinistras forças intergalácticas, Loki une um exército e avança contra a SHIELD em busca do cubo. Para tentar impedir os planos nefastos do vilão, Nick Fury (Samuel L. Jackson) une uma equipe de pessoas especializadíssimas, mas que podem não ter lá um grande perfil de trabalhar em equipe. Esse time é composto por Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans), Tony Stark, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Bruce Banner, cientista que se transforma no monstro gigante conhecido como Hulk (Mark Ruffalo), Thor, o deus nórdico do trovão (Chris Hemsworth), a espiã Natasha Romanoff, a Viúva Negra (Scarlett benzadeus Johansson), e Clint Barton, o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), assassino exímio no uso do arco e flecha.
Em se levando em conta as dificuldades de se fazer um filme de duas horas e vinte e poucos minutos que tem pelo menos seis(!) protagonistas, fora o vilão e os coadjuvantes, sem deixar que ninguém pareça um acessório, Os Vingadores fica ainda mais fabuloso. Especialmente quando vemos que o filme transcorre com a cara de gibi que Os Vingadores precisava ter, e como ele funciona enquanto filme, especialmente no comparativo com com as demais produções da Marvel, em especial os três últimos longas, que pareciam abrir mão do desenvolvimento individual em nome da vitrine para personagens e situações que vemos na película da equipe.
Em Os Vingadores isso não acontece. O filme tem um ritmo acelerado desde a primeira cena, e vai acelerando mais e mais até o apocalíptico clímax, que é uma mistura do que há de melhor nos filmes de Michael Bay e Roland Emmerich, mas com alma e coração e cérebro.
Ao contrário do que se passou em Homem de Ferro 2 e Thor, em que parecia que uma cartilha demandava a colocação de uma gratuita sequência de ação em cada um dos atos do filme, em Os Vingadores toda a ação surge pra movimentar a trama. Mesmo as obrigatórias (pelo menos na tradição da Marvel) lutas que acontecem entre os super-heróis antes de eles resolverem, de fato, trabalhar juntos não parecem forçadas. Elas estão ali para mostrar quem são aquelas pessoas, do que elas são capazes, e como elas estavam acostumadas a operar até então.
Méritos para o diretor/roteirista/quadrinista Joss Whedon, que entre os Buffy, Firefly e Serenity da vida, aprendeu como contar histórias com diversos protagonistas, como deixou muito claro na obrigatória Surpreendentes X-Men que escreveu. Ele dá a todos os personagens igual importância e peso, impedindo que se concretizassem os temores de muitos (incluindo eu) de que Os Vingadores se transformasse em uma festa do Homem de Ferro repleta de super-convidados. Claro, ajuda ter no elenco atores talentosos que já viveram seus personagens antes (à exceção de Ruffalo, novato do grupo) e que sabem estar na pele de seus respectivos super-heróis ou vilões. O capitão América de Chris Evans está ótimo, deslocado, perdido, um herói à moda antiga preso em um mundo moderno, Chris Hemsworth e seu Thor também não fazem feio, assim como o frio Gavião arqueiro de Jeremy Renner. Scarlett Johansson tem seus momentos e não decepciona (mesmo se ela não soubesse nem falar quem é que se decepcionaria com a Scarlett?), e Robert Downey Jr. segue sendo o mesmo sujeito que transformou o Homem de Ferro no herói mais cool do cinema. Há que se reconhecer, porém, o Bruce Banner/Hulk de Mark Ruffalo. O ator mostra um cientista brilhante, contido, contrito, consciente do preço do descontrole, e quando há o descontrole, meu amigo, é catártico!
Tom Hiddleston também segue ótimo como Loki, tão bem quanto em Thor, mas mais à vontade, parecendo, de fato, se divertir com seu vilão, outro que tem grandes momentos, inclusive cômicos.
Além da ação e da tensão, ainda sobra humor em Os Vingadores, talvez o melhor tipo de humor nos filmes da casa das ideias desde o primeiro Homem de Ferro, que no longa da equipe é o dono da maior parte das sacadas engraçadas, mas elas saem da boca de todo mundo, inclusive do Capitão América e de Thor, todos tem seu momento de arrancar risos da audiência, mas sem comprometer o heroísmo dos personagens.
Mesmo que Os Vingadores fosse um filme ruim, ou só mais um filme de super-herói, ainda teria valido o ingresso e a privação de sono só pra ver o inacreditável plano sequência que vai mostrando todos os personagens, cada um na sua frente de batalha, mas por sorte, mesmo com os defeitos (deve ter algum, prometo que se encontrá-lo quando rever o filme falo a respeito.)o filme tem muito mais a oferecer. Joss Whedon estabelece um novo patamar pra filmes baseados em quadrinhos que se admitem como filmes baseados em quadrinhos, dá o primeiro passo para uma nova e fabulosa franquia (Fique até depois dos créditos e flerte com a Morte!), e desde já deixa claro que Batman e Homem-Aranha terão que suar, e muito, pra tirar o título de blockbuster do ano das mãos dos Heróis Mais Poderosos da Terra.
"Esse é o meu segredo, Capitão. Eu estou sempre nervoso."
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Contagem Regressiva para Os Vingadores
Como leitor de quadrinhos eu sempre preferi a Marvel na comparação com a DC. Como as duas gigantes dos comics americanos eram os quadrinhos aos quais se tinha mais acesso na minha tenra infância, só bem mais tarde fui descobrir que existia (muita) vida (mais) inteligente além de Supermen e Homens-Aranha. Ainda assim, embora eu tenha lido, de lá pra cá, muito Vertigo, Wild Storm, alguns mangás, fumetti e outros quadrinhos europeus, não se pode negar que, em se tratando de gibis e super-heróis, as coisas sempre terminam em Marvel versus DC.
Ás vezes literalmente.De qualquer forma, eu preferia, e ainda prefiro, a Marvel.
Provavelmente um dos fatores que ajudou a alicerçar essa preferência foi o fato de que, por estranho que possa parecer para alguém que não lê quadrinhos habitualmente (ou como diz meu amigo Alê, um civil), os super-heróis da Marvel têm problemas comuns. Isso não se restringe ao Homem-Aranha e seus problemas financeiros. O Demolidor tem uma vida afetiva mais enrolada do que um carretel. O Homem Formiga e a Vespa vivem um casamento onde já houveram até casos de violência doméstica. Os X-Men são vítimas de preconceito racial. O Quarteto Fantástico é uma família com todas as peculiaridades que uma família pode ter, e uma lista poderia seguir e seguir...
Na DC, não. Os personagens publicados sob o selo da editora são maiores do que a vida. São alienígenas invulneráveis, semi-deuses indestrutíveis, corredores mais rápidos que a luz, e por aí a fora. Talvez excetue-se desse balaio o Batman, mas a ideia geral é essa.
Outro diferencial nessa relação Marvel e DC, é que os personagens da DC eram cada um o guardião de sua própria cidade fictícia. O Superman em Metrópolis, o Batman e Gotham City, Keystone City pro Flash, e Coast City pro Lanterna Verde, e, embora eles trabalhassem juntos na Liga da Justiça, o lance é que eles raramente se encontravam fora dos gibis da equipe.
Na Marvel não... Os super-heróis da Marvel viviam todos em cidades de verdade. Na verdade, viviam todos na mesma cidade de verdade:
Nova York.
Isso era divertidíssimo nos gibis da editora, pois um evento que tomava parte no gibi do Quarteto podia ser comentado pelo Aranha na sua revista, ou uma luta do Thor podia causar reverberações no gibi do Capitão-América, e assim por diante. Os personagens não apenas viviam na mesma cidade, como a partilhavam na prática. Não era raro ver um super-herói voando por aqui ou por ali no gibi de outro. O Aranha, por exemplo, chegou a estrelar o Marvel Team-Up, em que fazia parceria com heróis tão diversos como o Motoqueiro Fantasma em uma edição e os Inumanos na seguinte.
Foi uma pena, então, que quando os heróis da Marvel começaram a ganhar as telonas, tenha sido em produtoras diferentes. O Blade estava na New Line, os X-Men e o Demolidor, na Fox, o Homem-Aranha tinha seus filmes produzidos pela Sony, de modo que a possibilidade de ver esse universo partilhado entre os personagens foi por terra pra tristeza de nerds ávidos por ver, no cinema, algo que se tornara regra nos quadrinhos.
Foi então que a editora Marvel resolveu que podia faturar uma grana federal se, ao invés de vender licenças de seus filmes para os estúdios, produzisse filmes de seus personagens por conta própria.
Empréstimos daqui, contratação de diretores e roteiristas de lá, uma dose cavalar de colhões ao contratar um ex-ator-problema para encabeçar o que poderia ser uma franquia e voilá...
Em 2008 o primeiro filme da Marvel quanto estúdio estreava nos cinemas. O Homem de Ferro dirigido por Jon Favreau e estrelado por Robert Downey Jr foi um tremendo hit cheio de acertos por todos os lados, e, mais que isso, acenou pela primeira vez com algo que os fãs de gibis queriam ver a muito tempo. Foi após os créditos de encerramento, quando Nick Fury emergiu das sombras na pele de Samuel L. Jackson, e perguntou a Tony Stark se ele achava que era o único super-herói do mundo. E lhe falou sobre algo chamado Iniciativa Vingadores...
Agora, pouco menos de quatro anos e quatro filmes repletos de apontamentos mais tarde, está pra estrear Os Vingadores, talvez o projeto de quadrinhos no cinema mais ambicioso desde que o Homem-Aranha digital de Sam Raimi se balançou nas telonas em 2002.
Alguém pode falar que super grupos não são novidade no cinema depois de X-Men, mas não é a mesma coisa. Os X-Men eram um filme de equipe desde o início, seus personagens foram apresentados como um grupo treinado pra operar em conjunto desde a origem. Os Vingadores, não. Os Vingadores são um grupo heterogêneo de super seres com backgrounds e personalidades totalmente diferentes e por vezes conflitantes praticamente forçados a trabalhar em equipe contra todos os seus instintos pessoais.
Mesmo que se pese que a filmografia da Marvel não tem sido livre de equívocos, e que quanto maior o escopo e a expectativa sobre um filme maior a possibilidade de ele dar errado, a simples ideia de ver esse grupo de super-heróis coloridos e barulhentos dividindo a mesma cena já causa arrepios na espinha de qualquer ser humano que, em algum momento abriu um gibi na vida, e nos faz torcer pra que o diretor e roteirista Joss Whedon estivesse em um modo mais pra Astonishing X-Men do que pra Buffy - A Caça-Vampiros quando colocou a mão na massa.
Agora é esperar e conferir. O filme estréia na sexta-feira, e esse nerd que vos fala estará vendo o filme aos primeiros quatro minutos do dia 27, com um milk-shake bem grande no colo e um sorriso no rosto!
Resenha Filme: O Incrível Hulk
Como Os Vingadores vem aí, e a Casa do Capita fez resenhas de todos os filmes que pavimentaram o caminho até o filme do grupo, exceto O Incrível Hulk, resolvi aproveitar o ensejo e reparar essa injustiça com o verdão.
Vamos lá:
Se foi ao Homem de Ferro que coube a honra de iniciar o caminho da Marvel enquanto estúdio nos cinemas do mundo, a medalha de prata caiu no colo de um personagem que provavelmente era o mais bem sucedido herói Marvel além das páginas dos gibis até o boom das produções de quadrinhos nos anos 2000:
O incrível Hulk.
A versão Stanleeniana de Jeckyll e Hyde fora um tremendo hit televisivo nos anos setenta e oitenta, tendo estrelado uma longeva série de TV e uma porção de telefilmes sempre estrelados pela dupla Bill Bixby como David (e não Bruce) Banner e Lou Ferrigno (O Hulk).
Olhando em perspectiva, acho que o Hulk foi o primeiro personagem de quadrinhos a aparecer em crossovers com outros heróis em live action até a Viúva Negra dar as caras no segundo filme do Homem de Ferro em 2010. O Hulk de Bixby/Ferrigno contracenara com o Thor em O Retorno do Incrível Hulk (1988) e com o Demolidor em O Julgamento do Incrível Hulk (1989) até sumir do radar das adaptações.
O personagem passou um bom tempo restrito aos gibis até voltar à TV em uma animação nos moldes da série animada do Homem-Aranha entre 1996 e 97, para finalmente ter uma chance no cinema em 2003.
O Hulk, dirigido por Ang Lee era o tipo de coisa que parecia à prova de falhas. Um então desconhecido Eric Bana como Bruce Banner, Jennifer (ohmeuDeus) Connelly como Betty Ross, Sam Elliot como Thunderbolt Ross, e Nick Nolte como o pai de Bruce Banner. Na origem era o tipo de filme que merecia ser visto, tanto que eu estava no cinema em uma pré-estréia com mais umas quinze testemunhas (três sujeitos com bonecos e camisetas do Hulk me deixaram meio temeroso, confesso). Mas entre o dramalhão com cara de complexo freudiano, um protagonista digital que não convencia quando se movia e um poodle hulk, algo deu muito errado. Tão errado que a Universal, que bancara o longa do gigante esmeralda, abandonou o personagem de vez, e seus direitos acabaram revertendo à Marvel.
Foi de onde veio esse O Incrível Hulk, estrelado por Edward Norton, que saiu no mesmo ano em que o Homem com Ferro de Robert Downey Jr. e que parecia gozar das mesmas credenciais, como um protagonista talentoso e com alguns problemas fora da tela (Ed Norton chegou a se recusar a promover Uma Saída De Mestre para a Paramount) e um diretor sem grandes trabalhos no currículo (Louis Leterrier tinha feito dois Carga Explosiva e Cão de Briga).
O Incrível Hulk, que tinha um roteiro escrito pelo próprio Norton e Zak Penn (De X-Men 2 e 3) não chegava a propriamente reiniciar a história do gigante verde, nem era propriamente uma continuação da fita de Ang Lee, no final das contas, o filme parecia tentar dar um sentido de continuidade tanto ao longa com Eric Bana quanto à série de TV com Bill Bixby e Lou Ferrigno, mas trilhando um outro caminho, e já começava com um Bruce Banner refugiado na América do Sul (Mais especificamente na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro) e consciente da condição Hulk.
Enquanto trabalhava clandestinamente em uma fábrica de guaraná, Banner pesquisava uma cura para sua maldição com a ajuda de um correspondente misterioso, o Sr. Azul, que mais tarde descobriríamos ser Samuel Sterns (o futuro vilão Líder, interpretado por Tim Blake Nelson). A experiência de Banner porém falha, e, como desgraça pouca é bobagem, ele se vê novamente no radar da SHIELD e do exército dos EUA e seu desafeto, o general Ross (William Hurt).
Decidido a se livrar do Hulk, Banner volta aos Estados Unidos para se encontrar com Sterns, mas sendo perseguido por Ross e seu homem de confiança, Emil Blonsky (Tim Roth) um soldado veterano obcecado pelo poder do Hulk, ele precisa se esconder e contar com toda a ajuda que conseguir, inclusive a de Betty Ross interpretada por Liv (ohmeuDeus) Tyler, sua ex-namorada.
O Incrível Hulk era um bom filme de super-herói. O elenco qualificado ajudava muito, mesmo que o corte que foi aos cinemas e está na TV não tenha sido feliz ao limar várias sequências que desenvolviam o protagonista e alguns coadjuvantes ao mostrar o desespero de um sofrido Banner em ter que viver sozinho e afastado de todos por conta de sua face verde e furiosa (Essas sequências podem ser quase todas vistas no DVD duplo e no Blu-Ray do filme, vale a pena).
Além disso, ainda tinha boas sequências de ação, como a luta do Hulk contra a unidade de elite do exército que o perseguia pela favela e contra o exército americano liderado por um Emil Blonsky turbinado por uma imitação do Soro do Supersoldado do Capitão-América, mas a grande pancadaria do filme era mesmo o enfrentamento do golias verde contra o Abominável, a versão gama de Blonsky, outro monstro verde, gigante e super forte. Entre golpes titânicos, destruição desmedida e muitos rosnados o clímax do confronto chega com um incrível "Hulk Esmaga!".
Apesar de divertido, porém, o Hulk de Leterrier e Ed Norton não foi bem nas bilheterias. Faturou mais do que o orçamento, mas não fez a carreira que seus colegas de estúdio fariam mais tarde. Norton ainda brigaria com a Marvel por conta da edição do filme e se afastaria de Os Vingadores. Ainda assim, olhando em perspectiva, eu acho que a despeito das falhas, O Incrível Hulk é meu filme preferido da Marvel enquanto estúdio, e embora eu vá sentir falta de Edward Norton, ficarei feliz de ver o gigante esmeralda em ação novamente em Os Vingadores.
"-Não me deixe com fome. Você não vai gostar de me ver com fome... Fome?"
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Rapidinhas do Capita
Ele a viu imediatamente naquela vernissage insuportável. O nome dela era Hera, que nem a deusa grega e a inimiga do Batman. Tinha os cabelos castanhos bem compridos e encaracolados, olhos vagamente verdes e entre um nariz delicadamente aquilino que se debruçava sobre lábios finos mas convidativos. Alta, esguia, vestindo uma blusa vermelha bem justa de uma manga só e jeans escuros apertados contra suas coxas compridas, ela era perseguida onde fosse por olhares gulosos. Talvez tenha sido a expressão tímida do sujeito junto à porta que chamou-lhe a atenção, ele parecia diferente. Ela se aproximou e se apresentou com a mão direita estendida e dizendo:
-Prazer, Hera.
Ele ergueu as sobrancelhas e fez cara de espanto enquanto pegava a mão dela entre as suas. Não pôde deixar de perguntar:
-Hera? Sério?
-Sim. - Ela assentiu sorrindo um pouco embaraçada. -E tu?- Quis saber.
-Zeus.- Ele respondeu, estufando o peito e engrossando a voz enquanto sorria meio de lado.
-Ah, é...- Ela disse em um suspiro. Olhou pra baixo por um instante e então disparou:
-Prazer, Hera.
Ele ergueu as sobrancelhas e fez cara de espanto enquanto pegava a mão dela entre as suas. Não pôde deixar de perguntar:
-Hera? Sério?
-Sim. - Ela assentiu sorrindo um pouco embaraçada. -E tu?- Quis saber.
-Zeus.- Ele respondeu, estufando o peito e engrossando a voz enquanto sorria meio de lado.
-Ah, é...- Ela disse em um suspiro. Olhou pra baixo por um instante e então disparou:
-Palhaço.
Ele fez cara de confuso e tomou fôlego pra falar, mas ela o deteve com um gesto enquanto dizia:
-Volta pra tua pokébola, mané. Que eu tenho mais o que fazer que desperdiçar meu tempo contigo. Otário.
-Volta pra tua pokébola, mané. Que eu tenho mais o que fazer que desperdiçar meu tempo contigo. Otário.
E saiu andando. Ainda deteve-se alguns metros depois e se virou mostrando-lhe o punho cerrado com o dedo médio em riste. Ele, entre o chocado e o constrangido, se escorou em uma parede próxima e ficou ali, pensando onde errara. Um amigo que também estava na vernissage chegou e perguntou:
-E aí, velho? Como tá a caça?
-Tá ruim, tchê. Tomei fora até me apresentando.
-Também, com esse nome... "Zeus"... O que a tua mãe tinha na cabeça...?
Ele deu de ombros. Achara mesmo que seria demais a mulher de sua vida ter tanto em comum com ele...
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
-Eu queria mesmo era te beijar.- Ele confidenciou.
Ela sorriu enquanto se aproximava dele com os lábios entreabertos, mas ele a deteve:
-Não... Na boca, só, não me serve. Eu quero tudo. Cada decímetro cúbico da tua pele.
Ela abriu a boca e arregalou os olhos imitando uma cara de escandalizada. Ele sorriu.
-Isso, também, claro... Mas quando eu falo de tudo é tudo, mesmo... Pescoço, nuca, nariz, orelhas, mãos, cotovelos, queixo, sobrancelhas, pés, tornozelos, coxas, panturrilhas, umbigo, ombros, braços e antebraços, peito, região ilíaca, costas... Tudo isso, e o que juntar cada parte à próxima.
Ela sorriu olhando pra baixo. Ele sorriu olhando pra ela, a abraçou e foi embora.
-E aí, velho? Como tá a caça?
-Tá ruim, tchê. Tomei fora até me apresentando.
-Também, com esse nome... "Zeus"... O que a tua mãe tinha na cabeça...?
Ele deu de ombros. Achara mesmo que seria demais a mulher de sua vida ter tanto em comum com ele...
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
-Eu queria mesmo era te beijar.- Ele confidenciou.
Ela sorriu enquanto se aproximava dele com os lábios entreabertos, mas ele a deteve:
-Não... Na boca, só, não me serve. Eu quero tudo. Cada decímetro cúbico da tua pele.
Ela abriu a boca e arregalou os olhos imitando uma cara de escandalizada. Ele sorriu.
-Isso, também, claro... Mas quando eu falo de tudo é tudo, mesmo... Pescoço, nuca, nariz, orelhas, mãos, cotovelos, queixo, sobrancelhas, pés, tornozelos, coxas, panturrilhas, umbigo, ombros, braços e antebraços, peito, região ilíaca, costas... Tudo isso, e o que juntar cada parte à próxima.
Ela sorriu olhando pra baixo. Ele sorriu olhando pra ela, a abraçou e foi embora.
Ambos sabiam que o que ele sentia por ela era pleno demais pra demonstrar a conta-gotas.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Passaram em frente a uma janela de uma casa qualquer. Ele olhou para a janela e viu, do lado de dentro, um gato. O contato olho no olho fez com que o felino abrisse bem a boca franzindo o nariz.
-Olha- Disse ele. -Um gato enfurecido.
-Não.- Disse ela. -Ele estava miando. E dizendo isso voltou até a janela e parou, novamente cara a cara com o bichano, que repetiu o movimento de abrir a boca e franzir o nariz.
-Viu? Só miando.
Era a tônica daquela relação. Ele vendo sempre o pior de tudo, e ela lhe mostrando com candura e paciência que as coisas não eram sempre ruins como lhe pareciam.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Passaram em frente a uma janela de uma casa qualquer. Ele olhou para a janela e viu, do lado de dentro, um gato. O contato olho no olho fez com que o felino abrisse bem a boca franzindo o nariz.
-Olha- Disse ele. -Um gato enfurecido.
-Não.- Disse ela. -Ele estava miando. E dizendo isso voltou até a janela e parou, novamente cara a cara com o bichano, que repetiu o movimento de abrir a boca e franzir o nariz.
-Viu? Só miando.
Era a tônica daquela relação. Ele vendo sempre o pior de tudo, e ela lhe mostrando com candura e paciência que as coisas não eram sempre ruins como lhe pareciam.
Resenha Blu-Ray: Cavalo de Guerra
Desde que foi lançado o primeiro trailer de Cavalo de Guerra logo dava pra perceber que era uma arapuca.
Isso mesmo, uma arapuca. Uma armadilha, um plano engenhoso bolado por Steven Spielberg com a colaboração generosa de seu maestro de confiança, John Williams, para fazer a audiência chorar.
Foi nesse final de semana, após um jogo e um churrasquinho com os amigos que eu caí na arapuca de Spielberg. E quer saber?Eu não me arrependi.
Cavalo de Guerra narra as aventuras em que o cavalo Joey se envolve desde que era apenas um potrinho em Devon, na Inglaterra, até a sua vida adulta, quando é comprado por uma fábula pelo fazendeiro Ted Narracott (Peter Mullan) para ser animal de tração, embora seja um puro-sangue.Adotado pelo filho de Ted, Albert (Jeremy Irvine), Joey usa arreios e puxa arados até que Ted, endividado e em uma maré de azar, vê-se obrigado a se desfazer do animal para garantir o teto de sua família. Quem compra o cavalo é o capitão Nicholls (Tom Hiddleston), para ser sua montaria no conflito que se anuncia:
A Primeira Guerra Mundial.
A partir de então, Joey conhece os dois lados do conflito, em um momento nas mãos de alemães, no seguinte sob posse dos ingleses, e até sob a tutela de um fazendeiro na França. A história contada de forma episódica e cheia de núcleos que impede que as duas horas e vinte do filme se tornem cansativas vai sobrepondo os encontros de Joey com vários tipos em situações diversas (nesse sentido há que se destacar a ótima sequência em que o soldado inglês e o alemão se encontram no meio do caminho entre suas respectivas trincheiras), e é nesse período que Joey tem sua fibra testada até o limite, e então além.
Em que se pese que nesse longa Spielberg usa um dos artifícios mais manjados pra arrancar lágrimas (Faça um animal sofrer desgraçadamente por duas horas e vinte e seis minutos), Cavalo de Guerra ainda e um ótimo filme. Todas as qualidades que nos acostumamos a ver nos longas do fundador da Amblin estão lá, a cinematografia excelente, os enquadramentos bacanosos e o uso esperto da câmera, as transições estilosas, e até a trilha sonora de Williams, que já esteve em melhor forma mas ainda é um compositor de mão cheia.
Alie-se a isso um elenco numeroso cheio de atores competentes com destaque positivo para Emily Watson (como Rose Narracott), Tom Hiddleston e Niels Arestrup, e negativo para o jovem Jeremy Irvine (que não oferece muita coisa com seu Albert Narracott e é até meio irritante em alguns momentos), e as lindas sequências em que Joey corre, salta e arfa, e temos, sim, uma máquina de choro (Eu consegui manter os olhos secos até quase o final. Maldito seja, Spielberg), mas também entretenimento emocionante e de qualidade irrefutável.
As pessoas dizem que Spielberg não é mais o mesmo, mas olhando bem, em 2011 ele se aproximou bastante...
"Nós vamos ficar bem, Joey. Nós somos sortudos, você e eu. Sortudos desde o dia em que eu te conheci."
Isso mesmo, uma arapuca. Uma armadilha, um plano engenhoso bolado por Steven Spielberg com a colaboração generosa de seu maestro de confiança, John Williams, para fazer a audiência chorar.
Foi nesse final de semana, após um jogo e um churrasquinho com os amigos que eu caí na arapuca de Spielberg. E quer saber?Eu não me arrependi.
Cavalo de Guerra narra as aventuras em que o cavalo Joey se envolve desde que era apenas um potrinho em Devon, na Inglaterra, até a sua vida adulta, quando é comprado por uma fábula pelo fazendeiro Ted Narracott (Peter Mullan) para ser animal de tração, embora seja um puro-sangue.Adotado pelo filho de Ted, Albert (Jeremy Irvine), Joey usa arreios e puxa arados até que Ted, endividado e em uma maré de azar, vê-se obrigado a se desfazer do animal para garantir o teto de sua família. Quem compra o cavalo é o capitão Nicholls (Tom Hiddleston), para ser sua montaria no conflito que se anuncia:
A Primeira Guerra Mundial.
A partir de então, Joey conhece os dois lados do conflito, em um momento nas mãos de alemães, no seguinte sob posse dos ingleses, e até sob a tutela de um fazendeiro na França. A história contada de forma episódica e cheia de núcleos que impede que as duas horas e vinte do filme se tornem cansativas vai sobrepondo os encontros de Joey com vários tipos em situações diversas (nesse sentido há que se destacar a ótima sequência em que o soldado inglês e o alemão se encontram no meio do caminho entre suas respectivas trincheiras), e é nesse período que Joey tem sua fibra testada até o limite, e então além.
Em que se pese que nesse longa Spielberg usa um dos artifícios mais manjados pra arrancar lágrimas (Faça um animal sofrer desgraçadamente por duas horas e vinte e seis minutos), Cavalo de Guerra ainda e um ótimo filme. Todas as qualidades que nos acostumamos a ver nos longas do fundador da Amblin estão lá, a cinematografia excelente, os enquadramentos bacanosos e o uso esperto da câmera, as transições estilosas, e até a trilha sonora de Williams, que já esteve em melhor forma mas ainda é um compositor de mão cheia.
Alie-se a isso um elenco numeroso cheio de atores competentes com destaque positivo para Emily Watson (como Rose Narracott), Tom Hiddleston e Niels Arestrup, e negativo para o jovem Jeremy Irvine (que não oferece muita coisa com seu Albert Narracott e é até meio irritante em alguns momentos), e as lindas sequências em que Joey corre, salta e arfa, e temos, sim, uma máquina de choro (Eu consegui manter os olhos secos até quase o final. Maldito seja, Spielberg), mas também entretenimento emocionante e de qualidade irrefutável.
As pessoas dizem que Spielberg não é mais o mesmo, mas olhando bem, em 2011 ele se aproximou bastante...
"Nós vamos ficar bem, Joey. Nós somos sortudos, você e eu. Sortudos desde o dia em que eu te conheci."
Assinar:
Postagens (Atom)





