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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Rapidinhas do Capita


-Sabe quando é que tu percebe que se fodeu, Pê Erre? - Perguntou Everaldo, sentado na mesma mesa do mesmo bar diante do amigo Paulo Roberto, que pensou em não responder, mas estava com o coração leve demais pra picuinhas.
-Quando, Everaldo?
-Tu percebe que se fodeu, e que se fodeu bonito, sem lubrificante - Salientou Everaldo, limpando um desenho abstrato que fizera com a água que suara dos copos de chope que sorvera até ali - Quando tudo, toda a proposta, toda a promessa, toda a menção, todo o sussurro, por ínfimo que seja, quando tudo, tudo, tudo te arranca um sorriso.
Paulo Roberto sorriu:
-Sério?
-Sério. - Respondeu Everaldo, fazendo sinal pro garçom. -É quando, mesmo apreensivo pra caralho, mesmo nervoso pra cacete, mesmo ansioso, tudo faz sentido.
E após ser notado pelo garçom, e mostrar seu copo tulipa vazio, perguntou ao Paulo Roberto:
-Tu não concorda?
Paulo Roberto pensou um pouco, sorriu ao fazer isso. E bebendo um gole de Coca-Cola respondeu:
-Em parte, sim... Concordo contigo. Mas tem mais coisas. Uma delas é quando tu tem certeza de que, mesmo o mais inconveniente dos adiamentos, vale a pena.

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Ele se agachou pra erguer uma caixa pra ela, era uma caixa grande, bem pesada, recheada de revistas e livros. Ele agarrou o volume com firmeza, joelhos flexionados, mas com as costas curvadas. Ao perceber, ela se aproximou e pousando a mão delicada nas costas dele disse:
-Cuidado. Tu está fazendo tudo errado!
-Não. - Ele sorriu, olhando pra ela de esguelha e vendo a pessoa que, sabia, era aquela que ele amaria até o fim dos seus dias - Quando tu tá comigo, eu sempre sei que estou fazendo tudo certo.

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E, no fim das contas, eu acho que em 2012 eu finalmente vou conseguir ter três filmes de quadrinhos na lista dos dez melhores do ano... Só pode ser o fim do mundo...

sábado, 28 de julho de 2012

Resenha Cinema: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Christopher Nolan é um gênio. Eu desafio alguém a me apontar um filme ruim do sujeito. Entre Amnésia e A Origem, Nolan jamais errou a mão por onde passou. Fez Insônia, o excepcional O Grande Truque e dois Batman que são provavelmente os melhores filmes já feitos baseados em quadrinhos.
Aliás, fãs de quadrinhos estão habituados com algo chamado "A Maldição do Terceiro Filme". É um conceito surgido após ficar constatado que, terceiras partes de séries cinematográficas baseadas em gibis, simplesmente não prestam. Se tu não acredita, experimente assistir a trilogia Blade, a trilogia X-Men, a trilogia Homem-Aranha, os três primeiros filmes do Superman da década de 70/80 e a série do Batman pré-Nolan. O decréscimo de qualidade nas respectivas terceiras partes de todas as séries citadas é flagrante. Tão flagrante que a maior parte delas culminou no fim da série ou no seu reinício.
Parece inevitável que a terceira parte seja sempre o elo mais fraco, aliás, a única coisa pior que uma terceira parte é uma quarta parte sem noção (Que o digam Batman & Robin e Superman IV - Em Busca da Paz).
O que se desenhava, então, era um paradoxo. De um lado Christopher Nolan, gênio cinematográfico. De outro a maldição da terceira parte. E entre o objeto inamovível e a força irresistível, Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge:
O filme se desenvolve oito anos após os eventos de Batman - O Cavaleiro das Trevas, quando Batman e o comissário Gordon resolveram salvar a reputação de Harvey Dent escondendo do público que o galante promotor público morrera como o Duas Caras, um psicopata desfigurado e fixado com dualidade.
Na esteira da morte do "Cavaleiro Branco" de Gotham, a cidade foi abençoada com uma lei que acabou com o crime organizado e tornou o Batman um pária que se lançou ao auto-exílio, assim como sua persona pública, Bruce Wayne.
Entretanto, um novo mal chega à cidade do cruzado encapuzado na forma de Bane.
O violento mercenário oriundo da mesma liga das sombras que treinou o Batman vai à Gotham City com o intuito de concluir o plano iniciado por seu mentor, Rha'a Al Ghul anos antes:
A destruição da cidade.
Para impedir que Bane suceda em seu intento, cabe à Bruce Wayne voltar a envergar o capuz do morcego, mas estará o defensor de Gotham à altura de um homem à frente de um exército de fanáticos? Um homem cujo treinamento e método são iguais aos seus, e cuja força e selvageria podem ser ainda maiores?
Para contar a conclusão épica de sua lenda do Cavaleiro das Trevas Christopher Nolan volta a contar com todo o elenco do primeiro e do segundo filme.
Lá estão Christian Bale fazendo o melhor Bruce Wayne/Batman que o cinema já viu, Gary Oldman na pele do comissário Gordon, Michael Caine, arrancando lágrimas da platéia como Alfred e Morgan Freeman como o espirituoso Lucius Fox.
Não bastasse o retorno de toda a trupe, são adicionados à equação Marion Cotillard, como a empresária Miranda Tate, Tom Hardy como Bane, Joseph Gordon-Levitt como o policial Blake, e Anne Hathaway como Selina Kyle, a Mulher-Gato.
Marion Cotillard é elegante e estilosa, Hardy é um animal na sua interpretação de Bane, e Gordon-Levitt segue seguro como em seus outros trabalhos recentes, mas Anne Hathaway rouba a cena como Selina Kyle. Ela não é a Michelle Pfeiffer com a roupa de vinil de Batman - O Retorno, mas não fica muito atrás em termos de visual, e sua interpretação da ladra mais sexy dos quadrinhos é tremendamente inspirada e inspiradora, uma das mais fiéis versões que a gatuna felina dos quadrinhos já teve, todas essas peças sob a batuta segura de Christopher Nolan, um cara que manja demais do seu ofício e é capaz de nos fazer admirar coisas como enquadramentos e efeitos sonoros, ou a segurança das atuações sem esquecer que filme de super-herói tem que ter pirotecnia e ação de qualidade, tudo embalado pela trilha sonora de Hans Zimmer, um dos melhores compositores de trilhas sonoras do cinema atual.
Mas e então? Christopher Nolan venceu a maldição da terceira parte?
Não... E sim.
Batman - O Cavaleiro das Trevas é desses filmes que a gente tem vontade de aplaudir quando termina, que deixa a gente de queixo no chão e satisfeito por ter estado no cinema. Mas é, provavelmente, o pior filme da trilogia. Carece do impacto e da fidelidade de Batman Begins e é inferior a Batman - O Cavaleiro das Trevas em diversos aspectos. Ainda assim, é uma das grandes adaptações de quadrinhos ao cinema, e acredito que seja meu bat-filme preferido. Bebendo da fonte de gibis clássicos como O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, Terra de Ninguém e A Queda do Morcego, O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um fecho excelente, sem pontas soltas ou arestas à visão do Batman engendrada por Nolan.
O que se tira disso?
Christopher Nolan é tão genial, que mesmo na hora de sucumbir ante a maldição da terceira parte faz isso com estilo, com maestria, e entregando um filmaço.
Boa sorte pro pobre infeliz que for tentar recomeçar o Batman Pós-Nolan.

"Eu não estou com medo. Estou com raiva."

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Teaser d'O Homem de Aço


Andei rindo do Superman que o Zack Snyder, diretor de 300, Watchmen e Sucker Punch, está realizando pra DC sob a produção de Christopher Nolan, da trilogia mais recente do Batman (Tá chegando a hora do terceiro!).
Falei abertamente o quanto achei esquisito aquele uniforme agarrado como uma malha de bailarina com as botas de paquita e sem o calção vermelho, achei algumas escolhas do elenco equivocadas à primeira vista (Diane Lane não é meio jovem pra ser a Martha Kent? Amy Adams não é ruiva demais pra ser a Lois Lane? E Lawrence Fishburne no papel de Perry Whyte pra quê? Sistema de cotas? E Kevin Costner... Sério?).
Mesmo sendo fã de muita coisa do Superman (As Quatro Estações, que é genial, All Star - Superman, que é de chorar) eu não consigo deixar de implicar com várias coisas já que sou um fanboy dos mais chatos, então, minha implicância com o novo filme era pública e notória por inúmeras razões que passam pelo Zack Snyder, diretor cuja mão pesa doze toneladas, o enfoque "mais sombrio" que vem sendo alardeado desde o início da produção e que, por ter funcionado pro Batman, parece ter virado solução pra todos os heróis do Lanterna-Verde ao Flash.
Então, eu estava bastante reticente com relação a O Homem de Aço, que a Warner lança no verão americano de 2013.
Até ver o teaser colocado na internet na semana passada.



Meus parabéns ao sujeito que editou isso. Minha posição com relação ao filme não mudou diametralmente. Eu ainda acho que Snyder é muito limitado, que a escolha de elenco não foi das mais inspiradas, mas velho... Tô babando pra ver o filme.

sábado, 21 de julho de 2012

601 Vezes


Já escrevi seiscentas vezes nesse blog. Já escrevi com raiva. Já escrevi com fome. Com sono, com dor, e com o coração partido. Já escrevi de coração leve, também. Já escrevi pra pessoas que conheci. Pra pessoas que conheço, e acho que teve momentos em que sofri lampejos de precognição e até escrevi pra gente que eu ainda não havia conhecido.
Seiscentas vezes.
E eu, que não tenho medo de nada, já escrevi com medo.
Como escrevo agora.
Com medo de que todo o meu pessimismo tenha se materializado, e que tu tenha percebido que eu não tenho nenhum atrativo pra ti. Que tu tenha percebido que eu não sou bonito. Nem gentil. Nem atencioso... Que tu tenha notado que eu sou mais niilista, lacônico, desajeitado e enfadonho do que tu imaginou. Que tu tenha parado de me ver como tu me viu uma vez. Que tu já não queira mais estar perto de mim como tu já quis.
A pior parte, é que o tempo todo eu espero por isso. Por esse momento de sensatez de tua parte, em que tu perceberá que é demais pra mim. Mais que demais pra mim. E pense "Cara... Onde é que eu tava com a cabeça...?".
E eu não vou ter alternativa a não ser balançar a cabeça e concordar "Arram... Onde é que tu tava com a cabeça...".
Uma parte de mim, a parte que toma as decisões e que me manteve inteiro esse tempo todo, ela tá preparada. Ela tá sabendo. Esperando que esse dia chegue.
E já escrevi com alguma esperança. Como tento escrever agora...
Escrever umas linhas com essa outra parte... Uma parte que era insignificante até tu me dirigir a palavra pela primeira vez... Essa parte que ainda sonha com a possibilidade, com a chance, a promessa e a esperança de que tu continue sendo um pouquinho insensata, e me querendo por perto, e achando músicas para serem as nossas músicas, e continue tendo esse espaço pra mim no teu coração...

Steal my heart... and hold my tongue
I feel my time... my time has come
Let me in... unlock the door
I never felt this way before

And the wheels just keep on turning
The drummer begins to drum
I don't know which way I'm going
I don't know which way I've come

Hold my head... inside your hands
I need someone... who understands
I need someone... someone who hears
For you I've waited all these years

For you I'd wait... 'Til Kingdom Come
Until my day... my day is done
and say you'll come... and set me free
just say you'll wait... you'll wait for me

In your tears... and in your blood
In your fire... and in your flood
I hear you laugh... I heard you sing
I wouldn't change a single thing

And the wheels just keep on turning
The drummers begin to drum
I don't know which way I'm going
I don't know what I've become

For you I'd wait... 'Til kingdom come
Until my days... my days are done
Say you'll come... and set me free
Just say you'll wait... you'll wait for me

Just say you'll wait... you'll wait for me
Just say you'll wait... you'll wait for me

Resenha Filme: Batman - O Cavaleiro das Trevas


Batman Begins terminava com Jim Gordon, recém promovido a tenente, conversando com Batman sobre como a presença do Homem-Morcego mudara as coisas. O policial comentava com o vigilante que que tudo estava muito bom, tudo estava muito bem, mas queria saber a respeito da escalada.
"-Escalada?
-Nós usamos semi-automáticas, eles arrumam automáticas. Nós usamos colete à prova de balas, eles arrumam munição perfurante. E você usa uma máscara..."
O diálogo terminava com Gordon entregando ao Batman o cartão de visitas de uma nova ameaça à segurança da cidade. Uma carta de baralho. Um curinga.
Demorou três anos e um filme brilhante (O Grande Truque) para que o defensor de Gotham começasse a investigar o novo vilão.
A maior parte do tabuleiro de Chritopher Nolan estava montado. Ele tinha seu Gordon (Gary Oldman), seu Alfred (Michael Caine), e o melhor Batman/Bruce Wayne já interpretado na telona (Christian Bale). Houve a troca de Rachel Dawes, saiu a sem graça Katie Holmes e entrou Maggie Gyllenhaal (Quase bonita de tão esquisita), e a adição esperta de Aaron Eckhart como Harvey Dent, que deixou todo mundo coçando a cabeça se seria possível que o filme tivesse dois vilões. Mas ficava a pergunta:
Quem daria vida ao Coringa?
Muita gente ainda guardava na memória a imagem de Jack Nicholson no papel do príncipe palhaço do crime, os fãs de quadrinhos, porém, em sua maioria acreditavam que dava pra fazer melhor. Aventaram-se na imprensa os nomes de Paul Bettany, Robin Williams e até Vincent Cassel para o papel do vilão, mas, para surpresa de todos, um jovem galã habituado a papéis de mocinho é quem usaria a maquiagem.
Heath Ledger, o caubói gay de Brockeback Mountain, pra quem muitos, muitos, muuuuitos fãs torceram o nariz.
O lance, porém, era confiar em Nolan, que ainda não havia desapontado a audiência.
E não seria dessa vez. Em julho de 2008 chegava aos cinemas o que viria a ser considerado o "O Poderoso Chefão" dos filmes de super herói: Batman - O Cavaleiro das Trevas.
A trama mostrava Bruce Wayne cada vez mais imerso em sua cruzada contra o crime em uma cidade de Gotham City que lutava para se erguer da sombra da corrupção e do medo.
Inspirados pelo cruzado encapuzado, cidadãos tentam lutar contra o mal, seja como vigilantes amadores usando o símbolo do morcego, seja como pessoas de bem trabalhando dentro da lei, como Jim Gordon, Rachel Dawes e o novo promotor público, Harvey Dent (Aaron Eckhart, muito bem), um homem tão obstinado e apaixonado em sua luta contra o crime quanto Bruce Wayne.
Entretanto, conforme a esperança crescia do lado dos virtuosos de Gotham, no submundo da cidade, onde os gangsteres e mafiosos começavam a se encolher por conta da ação do morcego, uma nova e tenebrosa sombra tomou a forma do Coringa (Ledger, ótimo, e agraciado com um Oscar póstumo por sua interpretação assustadora do Coringa).
O palhaço auto-intitulado agente do caos se apresenta aos criminosos de Gotham como a solução dos seus problemas, e promete destruir o Batman por um preço...
É enquanto Bruce Wayne, impressionado com o carisma e obstinação de Dent, reavalia seu futuro como vigilante mascarado e ousa sonhar com uma vida normal ao lado de Rachel Dawes que ele se vê face a face com uma nêmese que pode não ter como vencer a partir do momento em que o Coringa faz toda Gotham City sua refém, com um plano para destruir a virtude da cidade.
Incrível. Batman - Cavaleiro das Trevas não é nada menos do que incrível.
O elenco excelente do primeiro filme com os ótimos adendos de Gyllenhaal, que deu mais carisma e profundidade à Rachel Dawes, Eckhart, que achou o tom na medida para seu Harvey Dent e o óbvio destaque de Ledger, quase irreconhecível sob a maquiagem, voz e trejeitos do Coringa mais aterrador que o cinema já viu contam uma história sombria e poderosa sobre o peso de se fazer uma escolha e arcar com suas consequências.
No segundo filme de Christopher Nolan à frente da franquia do homem-morcego o diretor teve a voz e o tom que pareceu não ter encontrado em Batman Begins, entregando uma trama equilibrada, cheia de questionamentos e drama, mas também repleta da dose de ação e das sequências espetaculares que um filme de super-herói precisa, e deixando toda a plateia salivando de antecipação pelo terceiro filme.

"-Por que você quer me matar?
-Te matar? Por que eu te mataria? Você me completa!"

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Rapidinhas do Capita


Taylor Kitsch, de John Carter - Entre Dois Mundos e Battleship foi cotado para estrelar a adaptação do game Need For Speed aos cinemas.
Baseado no histórico do rapaz podemos esperar mais um fracasso de bilheteria.

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O colunista da RBS David Coimbra julga que a demissão de Dorival Júnior, técnico do Internacional, não resolve os problemas do Inter. E contemporiza os maus resultados colorados, justificados, segundo o jornalista que considera o ex-jogador Tcheco "um ser superior", pela falta de material humano do plantel Colorado.
Bueno, se isso não é uma prova irrefutável de que o Internacional precisa despedir Dorival Júnior imediatamente, então eu não sei mais o que é.

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Eu tinha um tio que me levou pra pescar várias vezes em muitos verões.
Eu tinha um tio que contava ótimas piadas e fazia um peixe ao leite de coco delicioso.
Eu tinha um tio que uma vez, com uma piada contada durante um almoço na praia, me fez expelir peixe ao leite de coco pelo nariz de tanto rir.
Eu tinha um tio que tocava violão fazendo paródias impublicáveis de músicas consagradas.
Eu tinha um tio que manjava de muito de computadores, que nos cumprimentava com beijos estalados nas bochechas e que não se furtava de nos dar uns bofetões hilários e acusações de conversão ao judaísmo se nos recusássemos a comer carne de porco.
Eu não tenho mais.
Paz, tio Zé.

terça-feira, 17 de julho de 2012

"Inha", Não...


Ela entrou na sala, vestia uma camisola bem comprida, até porque quase tudo nela ficava bem comprido, esticou a perna pelo qual ele se apaixonara antes mesmo de conhecê-la e mostrou a pantufa divertidíssima que usava:
-Não fiquei bonitinha com a pantufa?
Ele, sentado no sofá, lendo um livro sobre a trajetória de Winston Churchill, baixou o livro e ergueu os óculos até a testa, como se avaliasse a resposta a dar. Concordava, ou não?
Pigarreou e disse com voz firme e uma expressão muito séria:
-Não achei.
Ela ficou, também séria, e desfez a pose, o olhando com os cabelos caídos sobre os ombros:
-Não?
-Não. - Sustentou ele.
Ela deu de ombros, ainda séria, e se virou para andar de volta até o quarto, quando ele falou, detendo-a:
-Eu nunca te acho bonitinha. Eu nunca te achei bonitinha, e nunca vou te achar bonitinha.
Ela virou de volta, olhando pra ele, que marcava o livro e se livrava dos óculos:
-Porque "bonitinho", pra mim, é um feio alinhado. Filhotes de cachorro são bonitinhos, desenhos feitos por crianças de oito anos são bonitinhos, comédias românticas adolescentes são bonitinhas. Tu não tem nada de bonitinha. Nem "bonita"... Tu é, e sempre foi, linda. Arrasadora. Espetaculosa. - Ele disse pausadamente enquanto andava até ela e a enlaçava com os braços na altura da lombar e a erguia do chão até estarem cara a cara, e então continuou:
-Tu sempre é linda. Arrasadora. Espetaculosa. Desejável e muito, muito, muito atraente. Não importa o que tu vista... - Ele disse antes de beijá-la. E então, colocando a mão nas suas costas nuas sob a camisola completar:
-... Ou, de preferência, o que tu não vista.