Pesquisar este blog

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Resenha Filme: Prometheus


Foi nessa madrugada de domingo pra segunda-feira, particularmente insone por mil razões, que eu assisti, com um semestre de atraso, a Prometheus, longa de ficção científica de Ridley Scott que levava o diretor de volta ao universo de Alien - O Oitavo Passageiro.
O que surgia desde as primeiras notícias até o lançamento dos trailers iniciais prometia o grande filme do ano. Era, inclusive a minha aposta pra encabeçar o infame top 10 de cinema da Casa do Capita em dezembro, se alguém me pedisse uma projeção em janeiro.
Mas algo estranho aconteceu. E Prometheus não fez a carreira que todo mundo imaginava. Dividiu a crítica, não agradou ao público e chegou a virar uma piadinha sobre "Prometheus mas não cumpriu", (treino para o Zorra Total).
E, entre Vingadores, A Perseguição, Batman e Homem-Aranha, eu acabei deixando o filme de lado. Até essa madrugada.
Assisti Prometheus num desses serviços de locação de filme pela TV a cabo, e após duas horas e dois minutos, mais ou menos, devo dizer que a nova incursão de Scott pelo mundo dos Aliens não é nem a oitava maravilha do mundo, tampouco a bomba que muita gente pichou.
No filme, os cientistas Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) e Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) descobrem no ano de 2089, em sítios arqueológicos diversos e não relacionados ao redor da Terra, indícios de que todas essas civilizações antigas tinham conhecimento das mesmas "divindades".
Esses indícios continham ainda uma carta estelar, dando a localização de um planeta em um sistema solar a trilhões de quilômetros da Via Láctea, onde, supõe os doutores Holloway e Shaw, estejam o que eles chamam de "engenheiros", formas de vida alienígenas avançadíssimas que geraram a vida na Terra.
Financiados pela corporação Weyland de Peter Weyland (um quase irreconhecível Guy Pearce), os dois cientistas se juntam à tripulação da nave de pesquisa Prometheus, numa viagem de dois anos de crio-sono até o planeta marcado no mapa em busca da origem da vida.
Além deles, estão na empreitada o capitão Janek (Idris Elba), o geólogo Fifield (Sean Harris), o biólogo Millburn (Rafe Spall), a médica Ford (Kate Dickie), os pilotos Chance e Ravel (Emun Elliott e Benedict Wong), mais a representante da Weyland, Meredith Vickers (Charlize Theron) e o androide David (Michael Fassbender), além de um pequeno grupo de mercenários para fazer a segurança da tripulação.
Assim que chegam ao seu destino, o grupo encontra uma construção onde existem vestígios dos "engenheiros", entretanto, eles descobrem que ali, mais do que a origem da humanidade, pode estar a promessa de seu fim.
Não. Prometheus não é nenhuma maravilha, eu já disse. É um filme que carece do frescor e da honestidade de Alien - O Oitavo Passageiro e Blade Runner, pra ficar só nas duas grandes ficções científicas de Scott.
Prometheus recende pretensão demais para o seu próprio bem. É demasiado ambicioso para o que tem a oferecer, e ainda incorre em um erro fatal, que é o de apostar em duas linhas narrativas diferentes (origem da vida na Terra e prequel de Alien), e na hora de eleger uma em detrimento da outra pra terminar de contar sua história, escolhe errado, tentando apresentar a grandiloquência simbólica de 2001: Uma Odisseia no Espaço, pra, no momento seguinte, apelar pra tensão de vislumbres ligeiros de Alien, e em seguida partir pro gore, mesmo, e era isso...
Ainda assim, está longe de ser ruim, Ridley Scott entende muito do riscado, e mesmo que o filme não tivesse absolutamente nada a oferecer em termos de conteúdo narrativo ainda seria um espetáculo visual glorioso desde as primeiras cenas, com grandiosas paisagens da Escócia e Noruega, passando pelo inóspito planeta onde a ação se desenrola, os corredores e laboratórios da Prometheus e os túneis da Pirâmide dos Engenheiros. Além disso, O elenco é ótimo, com destaque para o cientista pretensioso de Marshall-Green, o abnegado e divertido capitão Janek, estereótipo do machão simplório com coração de ouro, e o androide de Michael Fassbender, que com seus chinelinhos e cabelo descolorido se junta com louvor à Lance Henriksen na galeria de robôs que a gente não sabe se ama ou odeia de uma franquia, que, como todos sabem, é regida pela mulherada.
É por isso que Prometheus se salva de ser totalmente descartável, está bem servido de ombros em quê se apoiar, a lindona Charlize Theron (que nos brinda com uma atuação competente e com um uniforme colante...) e a deliciosamente esquisita Noomi Rapace (Toda suada, com seu corpaço de Noomi Rapace envolto apenas por um singelo biquíni de gaze...) seguram a peteca, carregam um ótimo espectro de emoções, convencem e nos seguram na frente da tela até que o filme termine.
O final anti-climático, aliás, sugere uma continuação, de que Prometheus precisa desesperadamente, mas da qual a audiência provavelmente consegue passar sem, mas veremos o que o futuro reserva à franquia...

"Nós os chamamos de "Engenheiros".
-E o que eles construíram?
-Nós."

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Crônicas do Observador


O observador andava pela rua, indo atarantado para o trabalho. Três minutos era o tempo que faltava para o início do seu expediente, e uma caminhada de dez minutos o separava do seu local de trabalho. A unha de seu pé direito, encravada, doía bastante, fazendo-o mancar. Em sua cabeça, uma sucessão de problemas relacionados a pessoas que lhe eram caras o impediam de se concentrar de maneira minimamente satisfatória em praticamente tudo.
Eram dias doloridos aqueles que se passavam. O observador caminhava sem ouvir música, quando viu, de esguelha, um mendigo abrindo a tampa de um dos contêineres de lixo que existem espalhados pelas ruas de certos bairros da cidade.
O sujeito apanhou algumas embalagens tetra-pack de leite, dois ou três jornais completos, e um relógio-despertador sem pilhas, ou estragado.
Era um relógio estiloso. Com um design futurista, como se fosse uma bola de acrílico branca repleta de botões verde-limão com um enorme mostrador digital apagado em um dos lados.
O mendigo, um homem jovem, de seus trinta, trinta e poucos anos, forte, agarrou o relógio intrigado. Largou os demais itens que resgatara do lixo no chão, e agachou-se com o relógio virado pra si. Tinha o relógio firme entre os dedos, e o virava com cuidado, examinando todos os pontos da esfera de acrílico quase de maneira clínica. Cutucou o mostrador digital com o indicador, tentou girá-lo, e então apertou os botões, primeiro um, por um, depois, todos ao mesmo tempo.
Mirou o relógio por mais alguns segundos, como que ignorando a falta de pilhas ou a possibilidade de o aparato estar avariado, esperando que algo acontecesse após sua breve exploração, mas nada aconteceu, e o aparelho permaneceu estático. O mendigo o pegou com cuidado, e escolhendo uma, entre as dezenas de sacolas que carregava consigo, guardou com cuidado o despertador, e seguindo seu caminho.
O observador se lembrou do Homo habilis. Um hominídeo que viveu a cerca de dois milhões de anos na terra, e foi o primeiro ancestral humano a construir ferramentas de osso, madeira e pedra lascada.
Como será que o Homo habilis teria reagido se encontrasse uma ferramenta construída por um neandertal?
Os neandertais viveram bem depois dos habilis, existia entre eles o homo erectus e quase um milhão e meio de anos.
Será que o homo habilis não teria reagido à uma faca, ou à uma lança, ou um raspador da mesma forma como aquele mendigo reagiu ao estiloso relógio descartado no lixo?
O observador não sorriu enquanto percebeu que o avanço tão veloz da tecnologia aliado à estagnação das condições sociais da modernidade gerou um mundo onde o acaso involui os seres humanos milhões de anos apenas com descaso.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Rapidinhas do Capita


E nesses dias em que me ausentei do blog muita coisa aconteceu. A primeira em grau de importância:
O Pato Donald se tornou um jedi... Não. A Disney comprou a Lucas Films, de George Lucas, produtora que detém os direitos de Star Wars, e já planeja lançar um episódio VII em 2015.
Não posso negar que fiquei surpreso. Me pergunto de onde sai tanto dinheiro pra casa do Mickey Mouse, que comprou a Marvel algum tempo atrás e que tomou um tombo violentíssimo com o fracasso retumbante de John Carter - Entre Dois Mundos nas bilheterias pelo mundo... Ao mesmo tempo, acho que a notícia é positiva. Duvido que alguém faça mais cagadas com Star Wars do que George Lucas fez.
Provavelmente um estúdio que não é, em essência (Ainda que seja de direito), o dono da franquia, vai ter mais respeito e reverência pela mitologia de Star Wars do que o criador da coisa, que dava a impressão de volta e meia olhar a série em cima da mesa, cofiar a barba e pensar "Uh! Tive uma ideia!", e lançava uma versão piorada dos filmes.
Eu já disse isso antes e repito:
George Lucas, uma vez, teve uma ideia genial chamada Star Wars. Assim que conseguiu tirá-la do papel, dedicou sua vida a destruí-la de todas as maneiras possíveis.
Que as aventuras de jedi, sith, contrabandistas, dróides e princesas em uma galáxia bem, bem distante encontrem uma acolhida calorosa na casa do Mickey.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Jamie Foxx, que em breve vai estar em Django Livre de Quentin Tarantino foi contratado para interpretar o vilão da sequência de O Espetacular Homem-Aranha.
Foxx vai dar vida a Max Dillon, o Electro. Funcionário de uma empresa de energia que após um acidente se torna capaz de controlar e emitir eletricidade de seu corpo.
Ainda que seja da etnia errada (nos quadrinhos o Electro é branco, e o ator é negro.), Foxx é um ótimo intérprete, e não vejo a etnia como um empecilho, embora essa seja uma modinha que eu não veja com bons olhos.
E se fosse o oposto, e mudassem a etnia de um personagem negro?
Se escalassem um ator branco para interpretar o Falcão, ou o Luke Cage, provavelmente chiariam. Enfim...
Foxx é o segundo ator confirmado na sequência do longa do herói aracnídeo após Shailene Woodley, que dará vida à Mary Jane Watson.
Que venha O Espetacular Homem-Aranha 2, com Andrew Garfield, Emma Stone, Sally Field, Jamie Foxx e sem predisposição genética.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

E quando a gente pensa que as coisas não podem piorar em termos de "crise de criatividade em Hollywood", elas pioram.
Começou a circular nos EUA a ideia de realizar uma sequência de Casablanca.
É...
De Casablanca...
O filme seria intitulado Return to Casablanca, e mostraria o filho de Ilsa e Rick viajando a Casablanca a procura de seu pai.
Humphrey Bogart deve estar se revirando na cova.
Toque As Time Goes By, Sam...

Resenha Cinema: 007 - Skyfall


Sou fã de longa data do agente menos secreto a serviço de sua Majestade. Acompanho as aventuras de Bond, James Bond, desde a época de Roger Moore, cujos filmes quase cômicos eu assistia sentado faceiro no sofá da sala da minha avó em nebulosas tardes de sábado na minha infância.
Depois, um pouco mais velho, assisti aos filmes de Sean Connery, ao solitário filme de George Lazenby, e após Moore vi Timothy Dalton (Sim, meu Bond favorito, ainda que eu saiba que Connery foi o melhor), Pierce Brosnan e o atual, Daniel Craig que, vou confessar, foi o único James Bond cujos filmes eu assisti todos no cinema (Sim... Meu primeiro James Bond em tela grande, foi 007 - Cassino Royale. Também lembro que o primeiro filme de 007 que eu aluguei foi Goldeneye, todos os outros eu assisti na TV aberta.).
Enfim, sou fã da antiga de James Bond, e, devo dizer, apesar de gostar muito dos filmes estrelados por Daniel Craig, o ator britânico jamais me convenceu como James Bond.
Sua encarnação raivosa e urgente do personagem, correndo, saltando, atirando e esmurrando de um lado pro outro sempre evocou uma aura de Jason Bourne que, pra mim, não casava com o Bond que eu conhecia.
Ainda que Cassino Royale fosse um ótimo filme de ação com cara de reboot e que apresentasse uma origem bacana pro personagem que recebia lastro, profundidade e humanidade, e Quantum of Solace fosse uma sequência à altura do predecessor, Daniel Craig continuava, na minha cabeça, sendo apenas um dublê de Jason Bourne fingindo ser James Bond...
Mas aí, veio 007 - Skyfall (que no Brasil, por algum motivo obscuro ganhou um "operação" no meio do título.).
Skyfall começa, claro, com uma brutal sequência de ação na Turquia, envolvendo Bond às voltas com uma lista de nomes de agentes secretos infiltrados pelo mundo.
Dado como morto após a missão, Bond ressurge quando o MI-6 e M (Judy Dench) se tornam alvos de um obstinado terrorista, Silva (Javier Bardem, histérico), que coloca a inteligência britânica em um sádico jogo de gato e rato em busca de vingança.
Finalmente Daniel Craig mostra que pode ser James Bond.
Ainda que insista em mostrar o peitoral musculoso e o abdome sarado mais vezes do que a audiência masculina está disposta a ver, o ator encontra o tom canastra do espião mais famoso do cinema nessa terceira incursão no papel, dessa vez sob a batuta do diretor Sam Mendes.
Acompanhado por um elenco de apoio de peso, que inclui além de Judi Dench, Ben Whishaw (um jovem e moderninho Q), Naomie Harris (esbanjando saúde como Eve), Ralph Fiennes (Gareth Mallory), Berénice Marlohe (Sévérine), Ola Rapace (Patrice) e Albert Finney (Kincade), além do vilão Silva, de Javier Bardem, que começa ótimo, afetado, agressivo, sexualmente indefinido, mas vai ficando mais, digamos, "tradicional" conforme o filme se desenrola rumo ao explosivo desfecho na Escócia, Craig protagoniza uma volta de James Bond às origens, ainda que discretamente, flertando com a homenagem, com as traquitanas tecnológicas de Q, o Aston Martin com assento ejetor, paisagens exóticas, mulheres lindas, vodca-martínis batidos, e não mexidos e o tradicionalíssimo "Bond, James Bond".
Depois de dois "filmes de origem", reboots ou seja lá o que foram Cassino Royale e Quantum of Solace, foi bom voltar a ver o velho James Bond em um filme cuja maior qualidade talvez seja justamente parecer um filme de James Bond.
Bem vindo, duplo zero sete, sentimos sua falta.

"-Todos precisam de um hobby.
-...E qual o seu?
-Ressurreição."

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Resenha Cinema: As Vantagens de Ser Invisível


Este ano de 2012 tem sido pródigo em relação a bons filmes. Grandes filmes como A Invenção de Hugo Cabret e O Espião Que Sabia Demais, produções espetaculosas como Os Vingadores e Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, e pequenas pérolas que surgem quase às escondidas no cinema e que mereciam ser vistas como Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo e Deus da Carnificina deram as caras pelos cineplexes da vida desde janeiro, e ainda há tempo para 007 - Operação Skyfall e O Hobbit, pra ficar só nos óbvios, o que me leva a pensar se nesse, que deve ser nosso último ano na terra de acordo com os Maias, não estamos tendo uma safra cinematográfica tão boa quanto a que tivemos em 1999...
Enfim... É de outra pequena pérola que chegou quase escondida aos cinemas e que certamente merece ser vista que vou falar.
As Vantagens de Ser Invisível, filme escrito e dirigido por Stephen Chbosky baseado em seu próprio romance, conta a história de Charlie (Logan Lerman), um adolescente de quinze anos que andou passando por maus bocados.
Charlie é um jovem traumatizado que perdeu seu melhor, e talvez único amigo, sofreu com depressão, alucinações e tentativas de suicídio. Como desgraça pouca é bobagem, Charlie ainda está prestes a começar no ensino médio, o high school americano que separa "popular kids" de "loosers" por alguns sofridos anos de segregação.
É justamente no colégio que o calouro Charlie conhece Patrick (Ezra Miller), veterano boa gente, e sua adorável meio-irmã Sam (Emma Watson), e junto com eles, passa por sua obrigatória jornada de auto-descoberta, amadurecimento e crescimento.
Não, não se preocupe.
As Vantagens de Ser Invisível não é uma dessas dramédias adolescentes xaroponas que volta e meia a gente vê na TV a cabo nem um desses filme/livros romântico adolescentes como Crepúsculo ou Jogos Vorazes ou nenhuma dessas besteiras. As Vantagens de Ser Invisível é muito mais filme, e tem muito mais trunfos.
Um desses trunfos, é justamente o fato de o diretor Stephen Chboski ser roteirista do filme, e ter escrito o livro que adapta. Ele sabe sobre o que quer falar, e se importa com os personagens, evitando que o longa se pasteurize de qualquer maneira, e isso fica claro no outro trunfo do filme: O elenco que ele escalou pra povoar seu mundo e contar sua história:
Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller.
O que poderia parecer um longa estrelado por Percy Jackson, Hermione e o psicopata adolescente de Precisamos Falar Sobre Kevin encontra nas vozes dos três talentosos protagonistas tudo o que precisa pra tocar a audiência.
Logan Lerman está excelente. Seu Charlie é um jovem perfeitamente verossímil, cheio de nuances, e dono de um silêncio que muitas vezes diz tudo.
Emma Watson está adorável. A ex-frequentadora de Hogwarts mostra uma menina cheia de bagagem ruim, maus namorados, tentando se encontrar em outros antes de si própria, e Ezra Miller... Bom, Ezra Miller é um mutante. Seu Patrick rouba todas as cenas em que aparece, tamanho seu talento e naturalidade.
As Vantagens de Ser Invisível é uma bela história de crescimento, é uma ode à adolescência e aos fugazes amores eternos pelos quais todo mundo passa nessa fase, embalada por boas canções dos anos oitenta e noventa (período mo qual o filme se passa), fruto de uma direção honesta, um roteiro apaixonado, e atuações apaixonantes.
Quem dera toda a história de amor adolescente fosse assim. Honesta. Franca. Talentosa... E livre de vampiros.

"Nós aceitamos o amor que julgamos merecer."

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quadrinhos: Grandes Astros: Superman


Lá em meados de 2004, 2005, quando todo mundo pensou que a DC fosse criar uma versão própria do Universo Ultimate, que fazia um puta sucesso na Marvel, esqueceram de um detalhe importantíssimo: A cronologia da DC é tão zoada, e cheia de universos paralelos que a última coisa que a editora precisa fazer é criar mais um pra recontar as origens de seus heróis do zero. Quando eles querem fazer isso eles apenas recomeçam tudo com alguma CRISE, e segue o jogo, tão aí os Novos 52 que não me deixam mentir.
Então, espertamente, ao invés de recontar a origem de todos os seus heróis em (mais) um mundo paralelo, o que a DC resolveu fazer foi dar carta branca a uns criadores consagrados pra que eles contassem uma história de um personagem sem se preocupar com a cronologia vigente, ou qualquer cronologia.
Aliás, registre-se aqui, que é por coisas como essa que a DC tem muito mais "histórias definitivas" pros seus personagens do que a Marvel.
A Distinta Concorrência da Casa das Ideias volta e meia libera criadores pra contar uma história atemporal, atípica, e geralmente fodona, com um de seus personagens mais mainstream. É por isso que é tão difícil escolher uma história preferida do Batman, por exemplo. É um personagem que tem umas dez histórias "definitivas".
Enfim, nesse caso, o selo da tal "carta branca" era o tal Grandes Astros (All Stars no original), e começou com os dois grandes medalhões da Diabólica Companhia:
Batman e Superman.
Por estranho que pareça, o Morcegão se deu mal nessa. Caiu na mão do roteirista Frank Miller, que já tinha sentado na graxa com Cavaleiro das Trevas 2 e do artista Jim Lee, e Grandes Astros: Batman & Robin, mesmo sem ser horrível, se perdeu nas areias do tempo, e ficou no rodapé da história do morcegão nos quadrinhos.
Melhor sorte teve o Homem do Amanhã. Grant Morrison, acompanhado do desenhista Frank Quitely e do arte finalista/colorista Jamie Grant escreveu aquela que ao lado de Superman - As Quatro Estações e O Que Aconteceu ao Homem do Amanhã? é a mitologia definitiva do Homem de Aço.
A obra, vencedora de prêmios Eagle, Eisner e Harvey foi originalmente publicada no Brasil em formato de mini série, em doze capítulos lançados entre 2006 e 2008, e desde então, jamais dera as caras novamente.
A Panini finalmente se deu conta da injustiça, e lançou nesse mês de Outubro Grandes Astros: Superman - Edição Definitiva, compilação das doze edições da série em um único volume de 308 páginas com vários extras inéditos, incluindo esboços de Quitely (O desenhista que mostrou ao mundo como é que o Superman podia convencer todo mundo que era Clark Kent e que os dois não eram a mesma pessoa) e notas de Morrison.
Grandes Astros: Superman mostra o que acontece quando o último filho de Krypton absorve uma carga excessiva de energia solar ao resgatar um grupo de pesquisadores na superfície do Astro-Rei, vítimas de uma armadilha de Lex Luthor.
Envenenado pela overdose de radiação solar, o herói descobre-se correndo contra o tempo para preparar o mundo para existir sem o seu maior campeão.
Grant Morrison entende demais do riscado. Quando não está convencido de que é um gênio, ele é genial, e foi o que aconteceu na época de Grandes Astros: Superman.
O escocês estava apenas contando uma história com o maior herói do mundo. Uma história inteligente, empolgante, tocante, grandiosa e irretocável, com o maior herói do mundo.
Da primeira página, com a origem do herói contada em apenas quatro sucintos quadros,
à última, mostrando o quanto Kal-El está disposto a sacrificar pela humanidade, nós vemos a história definitiva de Superman contada por uma equipe de criadores excepcional.
Os devaneios tecnológicos e filosóficos de Morrison, a arte espetacular de Frank Quitely e as lindas cores digitais de Grant trabalham com precisão de orquestra para pintar o mais belo retrato do Universo do Superman em muito tempo.
A Lois Lane mais apaixonante, atrevida e linda, o Jimmy Olsen mais porra louca, Perry White, Cat Grant e Steve Lombard, os adoráveis Jonathan e Martha Kent, a Zona Fantasma, a mais espetacular versão da Fortaleza da Solidão, um Bizarro de partir o coração e um odioso Lex Luthor, está tudo lá, na melhor forma, com o melhor conteúdo, lançando um olhar inovador e ao mesmo tempo reverente sobre o pai de todos os super-heróis.
A edição definitiva, obrigatória pra qualquer forma de vida baseada em carbono capaz de ler e que já tenha passado os olhos em cima de um quadrinho de super-herói está nas livrarias em edição bonitona, com capa dura, papel couché no miolo e formato 18,5 x 27,5 Cm, custa R$79,00 que a gente paga rindo satisfeito, e coloca na estante pensando em quando vai ler de novo.

"Planeta condenado. Cientistas desesperados. Última esperança. Casal bondoso."

Quadrinhos: Batman - Vitória Sombria


Quer saber quando comprar um gibi na certeza absoluta de que não vai se arrepender de tê-lo comprado após a leitura?
Procure na capa pelos nomes de Jeph Loeb e Tim Sale.
Essa dupla é responsável por algumas das mais belas histórias de super-heróis da última década. Coisas como Homem-Aranha: Azul, Hulk: Cinza, Superman - As Quatro Estações e Batman - O Longo Dia das Bruxas, todos trabalhos muito acima da média, repletos de uma sensibilidade ímpar, e extremamente divertidos.
Recentemente republicada pela Panini Books, essa Batman - Vitória Sombria, um calhamaço de quase quatrocentas páginas, é meio que uma sequência direta de O Longo Dia das Bruxas.
Ela mostra o que acontece quando uma fuga em massa no Asilo Arkham (O sanatório judicial com a pior segurança do mundo...) se dá durante as investigações de uma série de homicídios de policiais ligados a Harvey Dent, o Duas Caras, e cujas pistas apontam para a possível volta do assassino Feriado.
Ao mesmo tempo conta que as famílias mafiosas de Gotham estão se vendo numa posição complicada entre a polícia, agora chefiada pelo incansável comissário James Gordon, os criminosos insanos do Arkham, e a cruzada inexorável do Cavaleiro das Trevas contra o crime em todas as suas formas.
A trama ainda mostra a complicada relação de Batman com a Mulher Gato e o mundo em geral, e os primeiros passos de Dick Grayson como o Robin.
Como toda a história fechada de Loeb, Vitória Sombria é muito boa. E já que é estrelada por um Batman que ainda não é O Batman que todos conhecem, a trama flerta com a inexperiência de um homem morcego em início de carreira, sua dificuldade de confiar em quem o cerca após a tragédia de Harvey Dent (Pela qual se considera responsável), mesmo pessoas acima de qualquer suspeita, como Jim Gordon e o Alfred, e até em uma insuspeita relação de amor e ódio com o pai, Thomas Wayne.
Os desenhos esquisitos de Tim Sale dão o seu recado com a competência habitual, compensando a falta de apuro anatômico com uma quantidade gigantesca de expressão.
Pra quem gosta de quadrinhos em geral, especialmente fãs do Batman e amantes de O Longo dia das Bruxas, é essencial.
Com 396 páginas, capa dura e miolo em papel couché, Batman - Vitória Sombria vale os 96 reais que custa, mas na Livraria Saraiva, pelo menos até semana passada saia, com desconto, por 76 mangos.

"Harvey Dent era... Meu amigo."