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terça-feira, 29 de abril de 2014

Rapidinhas do Capita


Épico demais para ser desprezado.
Após semanas de especulações, idas e vindas e fofocas não confirmadas finalmente divulgaram o elenco oficial de Star Wars - Episódio VII.
A Lucasfilm e J. J. Abrams publicaram uma foto com os envolvidos na empreitada:


Contando de Abrams, ao centro, e, em sentido horário temos:
Harrison Ford (Han Solo), Daisy Ridley, Carrie Fisher (Princesa Léia), Peter Mayhew (Chewbacca), os produtores Bryan Burk, e Kathleen Kennedy (que também é a presidente da Lucasfilm), Domhnal Gleeson, Anthony Daniels (C3-PO), Mark Hammil (Luke Skywalker), Andy Serkis (Gollum, opa, deixa pra lá...), Oscar Isaac, John Boyega, Adam Driver mais o roteirista Lawrence Kasdan, todos sob o olhar vigilante do R2-D2 que deve voltar a ser vivido por Kenny Baker.
Além do povo da foto, ainda estará no filme o veterano Max Von Sidow que, assim como todos os demais novatos, não teve seu papel divulgado, o que deve levar uma vida pra acontecer baseado no que se sabe sobre a forma de Abrams de tratar os segredos de seus filmes.

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E, um pouco atrasado, mas pra não ficar só no anúncio de Star Wars...
A Warner confirmou, através de seu presidente mundial de produção, Greg Silverman que, após o lançamento de Superman vs Batman deverá mesmo lançar o filme da Liga da Justiça em meados de 2018 e que o diretor será o mesmo Zack Snyder de O Homem de Aço.
Por enquanto estão confirmados no filme Henry Cavill, como Superman, Ben Affleck, no papel de Batman, Gal Gadot como a Mulher-Maravilha e Ray Fischer, recentemente contratado para viver Victor Stone, o Ciborgue, deixando no ar que o longa se focará na formação da equipe das séries dos Novos 52.
Enquanto os fãs especulam se Ryan Reynolds voltará a ser o Lanterna Verde, se Matt Damon ou Jason Momoa será o Aquaman, e se Grant Gustin, o Flash da TV tem lugar nesse elenco, eu ainda estou preocupado com a pressa da DC/Warner em colocar Batman e Superman juntos no mesmo filme sem que o novo homem morcego tenha tido um filme solo pra mostrar a que veio...

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E Avi Arad, produtor da cinessérie Homem-Aranha disse que pode até haver um crossover do cabeça de teia com Os Vingadores, contanto que o herói aracnídeo seja o protagonista.
Foi uma maneira gentil de jogar aquele baldaço de água fria nos fãs, afinal, se nem o Tony Stark de Robert Downey Jr. conseguiu ser o protagonista de Os Vingadores, por que o Homem-Aranha o seria?
Ah, contagem regressiva para O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Resenha Cinema: Noé


Foi uma surpresa para mim, um ateu convicto, descobrir que outro ateu (Darren Aronofsky) faria um filme baseado em Noé. Aquele Noé do dilúvio, chuva de quarenta dias e quarenta noites, neto de Matusalém, da arca com dois animais de cada e talicoisa...
A passagem do dilúvio é uma das estórias bíblicas que mais ri na cara da ciência e que é mais risível do ponto de vista científico (nem sei por onde começar a citar as arbitrariedades e impossibilidades científicas do mito, mas digamos que um dilúvio pôr o mundo debaixo d'água e um barco comportar animais que nem existiam, ou viviam a meio mundo de distância, esteja longe de ser fato), então, eu confesso que minha primeira reação à adaptação de Aronofsky foi um misto de descaso e curiosidade.
O elenco, porém, fez a curiosidade prevalecer, afinal, qual cinéfilo minimamente respeitável desperdiça uma oportunidade de ver Russel Crowe, Jennifer Connely, Anthony Hopkins, Logan Lerman e Emma Watson sob a batuta de Aronofsky?
Filme conferido, confesso, com algum atraso, mas bom.
Noé, mostra como o primogênito da linhagem abraâmica de Set, irmão menos famoso de Caim e Abel, leva sua vida tentando ser justo e decente em um mundo consumido pela ganância e pelo pecado.
Em um sonho, Noé recebe do Criador o aviso de que os dias do mundo estão contados, um grande dilúvio lavará o mundo da maldade do Homem para ele ser reiniciado de acordo com os desejos de Deus. De posse dessa informação, Noé vaga com sua esposa Naameh (Connely) e seus filhos Sem, Cam e Jafé até o monte onde vive seu avô, Matusalém (Hopkins).
Aconselhado pelo homem mais velho do mundo, Noé entende que seu dever é erigir a arca que guardará um par de cada um dos animais da criação, garantindo que o reinício da vida na Terra seja completo.
A tarefa de edificar a imensa embarcação, porém, é apenas metade do perrengue pelo qual Noé e sua família irão passar. Os milagres sucessivos que antecedem o dilúvio atraem a atenção de Tubalcain, guerreiro/ferreiro/lenhador/caçador/rei dos homens ímpios (vivido por Ray Winstone), que deseja a arca para salvar a si próprio e seus seguidores, ao mesmo tempo em que a fé cega de Noé o coloca em rota de colisão com sua própria família no limiar do fim do mundo.
Noé está longe de ser mau filme. Muito, muito longe, mesmo.
Ainda assim, há um certo estranhamento em ver que, do projeto de Darren Aronofsky resultou um filme bíblico tão tradicional.
O roteiro escrito por Ari Handel e pelo próprio Aronofsky é bastante conservador para com a história bíblica.
Os grandes diferenciais, Tubal-Cain, a menina Ila (personagem de Emma Watson), a presença de anjos caídos tornados gigantes de pedra (e dublados por Nick Nolte, Mark Magolis e Kevin Durand)... São, em sua maioria, adições em nome do espetáculo muito mais do que do bom andamento da história, representando, em uma interpretação simplista, o vilão, o interesse romântico e as criaturas fabulosas ao melhor estilo O Hobbit.
Some-se a isso a mensagem vegetariana ecológica do filme (os malvados comem carne e queimam a floresta, os bonzinhos catam líquens com tubos de ensaio ante-diluvianos e jamais pegam mais do que precisam ou podem usar) e Noé fica com a maior cara de épico bíblico de fantasia new-age.
Por sorte há espaço para alguns questionamentos mais Aronofskyanos. Se na bíblia Noé e Deus conversam feito dois compadres, no longa as mensagens divinas são todas enigmáticas, chegando ao homem através de sonhos que precisam ser interpretados. Colocar Noé, não como alguém que ouve com clareza a voz de Deus, mas sim como um ser humano tentando interpretar o divino, abre um leque de possibilidades que faz maravilhas pelo personagem e dá a Russel Crowe, um dos grandes atores em atividade no cinema, mais ferramentas pra trabalhar.
É legal, também, perceber que além do acréscimo do espetáculo, o roteiro se esforça para explicar certos aspectos do mito bíblico, dando-lhes mais estofo e lastro, como a embriaguez de Noé, ou o pecado de Cam (Logan Lerman) contra seu pai.
Entre erros e acertos, Noé se segura bem em grande parte graças ao elenco de cobras e ao espetáculo visual bem pensado e executado à perfeição.
A despeito de não ser o grande filme (ou a grande atuação) da carreira de nenhum dos envolvidos, Noé é espetáculo, e, como tal, merece platéia.
Assista no cinema, mas dispense o 3-D.

"-Eu trago homens às minhas costas, e você, sozinho, me desafia?
-Não estou sozinho."

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Resenha DVD: Blue Jasmine


Antes mesmo de Cate Blanchett ser oscarizada pela sua atuação no longa, eu já estava pilhadaço para ver Blue Jasmine.
Não que eu seja um fã inveterado de Woody Allen. Adoro os filmes do sujeito, mas a verdade é que em uma única ocasião, assisti um filme do diretor no cinema. Pois é, Tudo Pode dar Certo, estrelado por Larry David e Evan Rachel Wood, foi o único filme de Allen que eu vi em tela grande.
O que, sejamos francos, não chega a depôr contra mim... O próprio Allen brinca com o fato de seus filmes não darem dinheiro, e, va lá, eu podia fazer pior do que não ir ao cinema... Podia baixar da internet ou esperar passar na TV a cabo... Mas não, alugo na locadora, pagando diária e tudo mais... Vez que outra, se o filme se torna particularmente caro pra mim, como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e Tudo Pode dar Certo, até compro o DVD ou Blu-Ray (quando encontro...).
Mas enfim...
Queria ver Blue Jasmine, em especial, por causa de Cate Blanchett.
A australiana, além de bonitona, é uma das atrizes mais fodonas em atividade, e eu acho um lance meio cruel que as atrizes, quando chegam à uma certa idade, não encontrem mais papéis à altura de seu estofo.
A partir do momento em que uma mulher vira uma determinada esquina, ali pelos quarenta e poucos anos, os projetos interessantes começam a minguar paulatinamente até aquela idade em que só existem papéis de avó, então, maneiro ver a Cate Blanchett, não apenas em um papel que parecia maneiro desde o trailer inicial do filme, mas que também era o de protagonista, aliás, outro diferencial de Blue Jasmine.
Uma mulher sendo o, quase obrigatório, alter ego de Allen no longa.
Na trama conhecemos Jasmine (Blanchett), ela está uma pilha de nervos, chegando à São Francisco, onde irá morar com a irmã Ginger (Sally Hawkins) após sua vida em Nova York ir pro buraco.
Jasmine era casada com um ricaço, o empresário Hal (Alec Baldwin), e levava uma vida de luxo e ostentação na alta roda de Manhattan.
Entretanto, os negócios de Hal não eram exatamente limpos, e ele, eventualmente acabou sendo preso, o que fez com que Jasmine perdesse tudo e acabasse na rua da amargura, com um colapso nervoso e nenhum centavo na bolsa Vuitton.
Aquartelada no apartamento simples da irmã na Califórnia, Jasmine precisa colocar sua vida nos eixos e reaprender a andar com as próprias pernas após anos sendo mimada pelo marido magnata, uma tarefa que já seria suficientemente difícil em circunstâncias normais, e que só se torna mais desafiadora para uma mulher que luta o tempo inteiro contra uma recaída que pode lavá-la ao destrambelhamento total, as lembranças do passado que a assombram, além da própria personalidade narcisista.
É muito bom.
A estrutura narrativa, volta e meia levando Jasmine a relembrar episódios marcantes de seu passado, funciona que é uma beleza, ajudando o espectador a entender como foi que a protagonista chegou tão fundo no poço.
Praticamente não há cenas sem Jasmine no filme, e esse é um dos grandes acertos do longa, Cate Blanchett está demolidora no papel, merecendo cada aplauso de pé e estatueta de premiação que colocou na estante pela performance.
Sem jamais deixar de ser a personagem que conhecemos no início do filme, ela consegue transitar entre o drama e a comédia de maneira extremamente natural, comédia essa, que fique bem claro, muito mais de desconforto, escárnio e até humor negro, do que de gargalhada.
Embora a protagonista seja a senhora do filme, há mais em Blue Jasmine do que apenas ela. Sally Hawkins está ótima como Ginger. A irmã adotiva que nada tem a ver com Jasmine contrapõe a protagonista com justiça e sem desaparecer na comparação, o que, por si só, já seria passível de elogios. Nos papéis masculinos, palmas para Alec Baldwin, mostrando-se um expert na arte de interpretar escrotos cheios da grana, Bobby Cannavale, como o sanguíneo e apaixonado mecânico Chili, namorado de Ginger, e destaque especial para Andrew Dice Clay (Lembram dele em As Aventuras de Fair Farlane?) como Augie, o ex-marido de Ginger, cuja chance de se dar bem na vida foi corroída numa das armações de Hal.
Seu Augie é um retrato do ressentimento proletário frente à ganância dos ricos, e talvez o personagem mais simpático do longa.
Flertando com temas como as estripulias financeiras de especuladores ao melhor estilo Bernie Madoff, a discutível necessidade de recomeços das pessoas, e até que ponto a vida de alguém pode desmoronar antes que ela colapse e leve consigo aqueles que tentam segurá-la, Blue Jasmine não é o melhor nem o mais acessível filme da carreira de Woody Allen, mas a maturidade com que ele conta a história dessa mulher auto-destrutiva e egoísta nos mostra que a melhor forma do diretor é estratosfericamente acima da média, e que, na arte de escolher protagonistas talentosas e atraentes, Allen é mestre sem precedentes.
Assista, se não tiver medo de um pouco de amargura, é difícil não gostar.

"Ansiedade, pesadelos e um colapso nervoso, há apenas uma determinada quantidade de traumas a que uma pessoa pode resistir até ir para a rua e começar a gritar."

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Resenha Cinema: Refém da Paixão


Jason Reitman é um desses sujeitos que resolveram seguir nos negócios da família.
No caso dele, cinema.
O sujeito é filho de Ivan Reitman, diretor de filmes como Os Caça-Fantasmas, Evolução, e Irmãos Gêmeos.
Se Jason não trilhou exatamente o mesmo caminho do pai, um diretor de comédias rasgadas, também é verdade que a fruta não caiu longe do pé.
A curta filmografia de Reitman filho conta com longa-metragens que se dividem entre ótimos (Como Amor sem Escalas, Juno e Obrigado Por Fumar) e bons (como Jovens Adultos), com todos partilhando um senso de humor sutil e esperto. Aquela qualidade de não se levar excessivamente a sério que faz maravilhas pela maioria dos filmes.
Foi por isso que ontem, assistindo a Refém da Paixão, título danado de ruim para o Labor Day original, me surpreendi pela quase que completa ausência de humor do filme, que, vá lá, não se ressente tanto de motivos pra rir, sendo o que é...
No longa, conhecemos a história de Adele e Henry Wheeler.
Adele (Kate Winslet, lindona e monstra na atuação) é uma mulher alquebrada, vivendo em constante depressão após o divórcio, ela mais é cuidada pelo filho (Gattlin Griffith, bem), que se esforça na medida do possível para ser o homem da casa e impedir que sua mãe afunde por completo na tristeza.
Os dois dançam, conversam, e fazem compras quando Adele encontra coragem para sair de casa, e é justamente em uma dessas incursões ao super-mercado que Frank entra na vida dos dois.
Frank (um seguro Josh Brolin), é um presidiário fugitivo da penitenciária, aproveitando uma apendicite e a distração de um guarda, ele saltou de uma janela e escapou.
Ferido e em fuga, Frank coage Adele e Henry a abrigá-lo enquanto recupera o fôlego e trata de seus machucados e espera o próximo trem para completar sua escapada rumo ao Canadá.
O feriado prolongado do dia do trabalho, porém, se interpõe no caminho de Frank, que disposto a não ser um estorvo, promete realizar algumas tarefas na casa.
Frank é macho alfa, rústico, cara de caubói, mas cozinha, lava, limpa, conserta dobradiças de porta, troca fusíveis de faróis e o óleo do motor do carro, ensina Henry a jogar beisebol e conforta o filho da vizinha com paralisia cerebral levando-o para brincar no quintal e aplicando-lhe uma toalha molhada para afastar o calorão.
Conforme o feriadão se desenrola, a carente Adele obviamente se deixa levar por Frank, o provedor bonitão, rude mas de bom coração, sonho de consumo de oito em cada dez mulheres e de alguns gremistas e São-Paulinos, também.
Mas não apenas ela.
Henry, um moleque precisando desesperadamente de uma figura masculina presente em sua vida e desejando que sua mãe saia do torpor da depressão, também se apega a Frank, a quem vê como o bote salva-vidas que pode tirar sua mãe do naufrágio em que sua vida se tornou após o fim do casamento, ao menos até começar a ter dúvidas se existirá eapaço para ele na nova vida de sua mãe.
É um belo filme.
O senso de humor, cuja falta referi lá em cima, realmente não é necessário em um óbvio drama romântico, ainda assim, talvez ajudasse a afastar um pouco a sensação de absurdo de algumas passagens do roteiro (de autoria do próprio Reitman, baseado no livro de Joyce Maynard), como o fato de Frank ser o presidiário mais gente-boa e repleto de qualidades da História do cinema, e mesmo ferido e em fuga encontrar tempo para fazer reparos, dançar rumba e fazer churrasco.
Essas passagens tão românticas, porém, podem ser atenuadas conforme entendemos que o filme é uma lembrança, contado em flashback por Henry já adulto (vivido por Tobey Maguire), e que suas lembranças, talvez, sejam um pouco mais floreadas do que a realidade teria sido.
De uma forma ou outra, nada disso estraga Refém da Paixão, nem remove as qualidades do longa, que conta uma bonita história de amor, que como qualquer história de amor clama por suspensão de descrença, estrelada por um bom elenco com, pelo menos dois nomes acima da média.
Josh Brolin, que consegue ser verossímil, forte e terno, deixando a mulherada cega ao fato de que tem cara de australopitecus, e Kate Winslet, essa, uma mutante de tão excelente, capaz de arrancar lágrimas com um único olhar, além de ser muito, muito, muito linda. A eles juntam-se Griffith, Maguire, além de J. K. Simmons, James Van der Beek e Clark Gregg.
Refém da Paixão não vai revolucionar a história do cinema, e não é filme pra todo mundo, mas pra que sabe endurecer sem perder a ternura, vale a visita ao cinema.

"-Eu não posso te dar uma família.
-Você já deu..."

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Rapidinhas do Capita


Mais um ano, mais um gre-Nal, mais uma vitória do Inter e mais um titulo gaúcho que, sejamos francos, não vale lá muita coisa. O divertido, mesmo, é a vitória no clássico, a possibilidade (re-re-re-repetida) de tocar aquela flauta nos amigos que torcem pelos azuis, de atormentar os vizinhos tricolores, e, claro, de colocar mais um tijolo no mural da vantagem, que se tornou superioridade, que se tornou hegemonia que se tornou paternidade na relação do Internacional com seu mais clássico rival.
O mais gostoso?
De goleada, 4 x 1, com o treinador adversário, o promissor neófito Enderson Moreira (que inclusive já passou pelo Internacional), apavorado após o quarto gol colorado, tirando um meia e colocando mais um volante na desesperada tentativa de evitar que o vexame inapelável se tornasse ainda maior.
O time do Inter segue sendo fraco, precisando de reforços em quase todos os setores, e, na opinião desse escriba corneteiro, incapaz de almejar o titulo do Brasileirão (embora a Copa do Brasil, torneio menor em expressão, prestígio e grau de dificuldade, seja factível.), mas por me abrir um sorriso no domingo e na segunda, por antecipar a páscoa distribuindo chocolate uma semana antes da data, e por deixar encarnado de tão vermelho o lombo do co-irmão sob suas camisas azuis, já me torna mais propenso a apoiar e torcer, ainda que descrente.

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E parabéns antecipado ao maestro da surra de rebenque que o Colorado aplicou no rival na tarde de ontem.
Andrés Nicolás D'alessandro, o mito escarlate que assombra os pesadelos dos tricolores até as plagas mais distantes com seu cabezón e suas chuteiras brancas que parecem grandes demais para seus pés, amanhã completa trinta e três invernos.
Esbanjando o talento que todos sempre souberam que ele tinha, aliado à uma inédita maturidade, que sabe o craque portenho não seja o diferencial capaz de tornar possível o improvável, pra dizer o mínimo, título do Brasileirão?
Parece querer demais?
Concordo.
Mas após sapecar o laço na paleta do co-irmão, qual de nós, da nação rubra, não nos sentimos no direito de ousar pensar no que parece improvável, afinal de contas?

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Mais alguém tem visto o Gigante da Beira-Rio com seu sistema de iluminação ativado à noite?
Durante a semana passada, pus-me a correr à beira do Guaíba de manhã bem cedo, quando ainda é noite, e fui surpreendido pelo brilho candente do gigante erguido sobre as águas na distância. Tão bonito e tão forte a iluminação, que tomou-me uma fração de segundo para perceber que tratava-se, não de um UFO erguendo-se das profundezas do Inferno, mas sim de um dos mais imponentes estádios de futebol do Mundo. Logo ali, a poucos quilômetros de onde eu estava.
Melhor que ver com meus próprios olhos a beleza ímpar do Beira-Rio, só constatar que ela não passa despercebida nem pelos rivais quando o taxista, conduzindo-me do Barra pra casa após Capitão-América 2, passa diante do estádio e diz, cheio de desdém:
-Olha aí o "abobrão" do Inter...
Para então acrescentar:
-Puta merda, mas ficou linda essa porra...

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Resenha Cinema: Capitão América 2 - O Soldado Invernal


Lá em julho de 2011, eu falei que, para tornar o Capitão-América mais palatável ao grande público, os estúdios Marvel, o diretor Joe Johnston e os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely não contaram a história de um bandeiroso super-soldado norte-americano, mas sim a história de um rapaz idealista que aceitava ser cobaia em uma experiência para poder fazer sua parte em uma luta contra o mal.
Esse retrato do Capitão América como a síntese do jovem valente de boa índole querendo desempenhar o seu papel num mundo onde o mal não podia ser mais óbvio talvez seja a melhor interpretação do personagem.
Enxergar Steve Rogers como um ingênuo idealista dos anos quarenta representando um ideal perdido em um passado distante é certeza de descobrir alguma empatia por um personagem que, em tempos de anti-americanismo exacerbado, já começa a se tornar repulsivo nas cores do uniforme.
Seguindo a cartilha da Marvel, Capitão América 2 - O Soldado Invernal, não apenas mantém essa imagem do personagem, como aprofunda o herói ao colocá-lo como um sujeito nascido em 1918 que enxerga tudo em preto e branco no mundo tomado por tons de cinza do século XXI.
A nova aventura de Steve Rogers começa com o herói (Chris Evans) morando em Washington e seguindo com sua tentativa de se reintegrar ao mundo, ouvindo músicas, assistindo filmes, conversando com novas pessoas como sua vizinha Kate (Emily VanCamp) ou com o soldado reformado Sam Wilson (Anthony Mackie) enquanto colabora com a SHIELD de Nick Fury (Samuel L. Jackson) fazendo o papel de super-soldado que foi criado para desempenhar.
Porém, após uma missão particularmente nebulosa, que vai rapidamente do resgate de reféns sob poder do terrorista argelino Batroc (O lutador de MMA Georges Saint-Pierre) em uma incursão de espionagem e roubo de dados da Viúva Negra (Scarlett Johansson, gostosíssima), Rogers percebe que não está se sentindo muito confortável com seu papel no atual esquema das coisas, especialmente após descobrir que a SHIELD está criando um novo sistema bélico de vigilância sub-orbital que pode eliminar inimigos antes mesmo que eles sejam capazes de agir.
Enquanto é alertado de todos os lados sobre a dificuldade de sustentar a ingenuidade de sua visão de mundo, Rogers vê Fury sob ataque, a SHIELD, agora sob o comando de Alexander Pierce (Robert Redford) comprometida desde a raiz, e a lista de pessoas em quem pode confiar sendo reduzida sistematicamente enquanto é taxado de traidor e envolvido em uma gigantesca conspiração que se revela na forma do assassino conhecido como Soldado Invernal (Sebastian Stan).
Chega a ser admirável o salto de qualidade nas produções da Marvel pós-Vingadores.
Se Homem de Ferro 3 não foi muito mais que um divertido mais do mesmo centrado na impagável figura do Tony Stark de Robert Downey Jr., Thor - O Mundo Sombrio encontrou o tom em sua divertidíssima salada de referências que iam muito além dos quadrinhos do Deus do Trovão, passando de O Senhor dos Anéis a Star Wars, e Capitão América 2 - O Soldado Invernal, ergueu ainda mais o padrão ao conseguir contar uma história de fundo político cheia de temas atuais e relevantes em um filme de ação e espionagem que, em nenhum momento, se envergonha de sua origem (Um ótimo arco de histórias escritas por Ed Brubaker) ou de seus coloridos uniformes.
Sob a batuta dos irmãos Joe e Anthony Russo (Não eram exatamente os nomes dos irmãos da Blossom?) o estado de vigilância excessiva, medo do terrorismo e liberdade controlada norte-americana pós ato-patriótico se integra perfeitamente à história de super-herói e homem fora de seu tempo e de seu ambiente de Steve Rogers sem abrir mão da ação, do espetáculo visual e até mesmo dos alívios cômicos que se tornaram a marca registrada dos estúdios Marvel (Nem tudo funciona, porém. A piadinha particular pros brasileiros na caderneta de referências do Capitão é meio sofrível, quem indicaria Xuxa e Mamonas Assassinas pra alguém que teve a sorte de estar congelado durante esses "fenômenos"?) numa fita de alta qualidade que chega a surpreender pela coesão, pelas reviravoltas e pelo peso de seu desfecho.
Equilibrado entre o roteiro redondinho (Novamente de McFeely e Markus), o bom trabalho dos diretores e de um elenco de atores esforçados ou talentosos ou ambos, onde se destaca a maturidade de Chris Evans, visivelmente evoluindo como ator e confortável no papel do herói, Scarlett Johansson, um colírio adorável com sua voz rouca, e Anthony Mackie, ótimo como Sam Wilson, o Falcão, herói boa-praça que tem algumas sequências de ação vertiginosas, mais Redford, como Pearce, além dos retornos de um sem-número de caras conhecidas dos filmes da Marvel(Cobbie Smulders, Maximiliano Hernández, Gary Shandling, Hayley Atwell, Toby Jones...).
Em suma:
Assista no cinema, o 3-D é totalmente dispensável, mas o espetáculo do retorno do Sentinela da Liberdade é obrigatório.
Ah, claro, fique até o fim dos créditos, há duas cenas extras.

"-Isso não é liberdade. Isso é medo."

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A Maldição de Vandeca


A Vandeca considerava a própria beleza uma maldição.
Não era gênero, não. A beleza já havia causado problemas pra Vandeca mais de uma vez.
Além dos problemas tradicionais que uma mulher bonita sempre enfrenta, como não ser levada a sério por seus colegas de trabalho e estudo, os olhos cobiçosos de homens que a veem primeiro como objeto sexual e apenas depois como ser-humano, a condescendência invejosa de outras mulheres menos dotadas de atributos físicos, havia mais.
E não era o fato de a Vandeca ter percebido que a maioria dos homens se intimidavam ante sua vasta beleza, nem o fato de ter notado que, para a maioria dos que se aproximavam dela e a cortejavam, ela era pouco mais do que um troféu para ser exibido após o "abate"...
Não. A raiz do problema era mais profunda.
Vandeca começou a, de fato, preocupar-se, quando resolveu sair com um rapaz que conhecera na academia, o Inácio.
Inácio conversou com Vandeca de maneira gentil e descontraída, sem sugerir nada com seu sorriso tímido ou com suas palavras escolhidas com cautela.
Vandeca logo percebeu que Inácio não a via como um objeto. E se, a princípio, achou que ele era apenas um sujeito mais esperto que a maioria, tentando uma estratégia inteligente para acessá-la, não tardou em dar-se conta de que o jovem, pasmem, era sincero.
Inácio de fato relacionava-se com Vandeca como uma amiga em potencial.
Vandeca não saberia dizer se fora efeito de descobrir genuína sinceridade em um homem, se fora a delicadeza que Inácio reservava ao tratamento com ela, ou simplesmente o tesão acumulado de uma mulher linda, jovem e saudável que estava a muito tempo ocultando-se de eventuais predadores sob uma carapaça de reserva, mas a verdade é que Inácio tornou-se, de súbito, o alvo das atenções de Vandeca.
Ninguém na academia entendia, nem instrutores, nem frequentadores.
Como uma mulher linda, linda, linda, tão gostosa que não havia de ter carteira de identidade, mas escritura, que rescindia sensualidade, podia se interessar, subitamente, pelo Inácio?
Aquele sujeito modesto, de físico meia-boca, aparência regular, tímido, contemplativo e introspectivo. Não parecia possível.
Mas foi.
Vandeca viu-se praticamente obcecada por Inácio. Passou a tentar, de maneira sutil, dar-lhe abertura. Tocava-lhe o braço enquanto conversavam entre os aparelhos de musculação.
Tocava-lhe a perna quando o via sentado ou deitado levantando pesos.
Quando sentavam lado a lado para desamarrar os tênis ou fazer exercícios com halteres, ela colava sua coxa gloriosa na dele.
E ela via que Inácio a percebia. Percebia o rubor subir-lhe do colarinho e preencher-lhe a face de escarlate.
Mas ele não fazia um movimento, o que a desesperava.
Vandeca não entendia que Inácio, ciente que era de sua aparência e personalidade, não se achava à altura dela.
Para ele, um sujeito insuspeito, de disposições simples, ser amigo daquela deusa maravilhosa era mais do que ele podia almejar. Era um píncaro de realização em termos de relação homem/mulher, ou, naquele caso específico, de relação homem/monumento edificado pelos deuses em honra da beleza feminina.
Mas Vandeca, além de bela (bela, bela, bela, belíssima...), era, também, tenaz.
E, ao dar-se conta de que Inácio não iria tomar a iniciativa, tomou ela a iniciativa.
Um dia, após terminar suas séries de exercícios de glúteos (que provavam sua eficácia sob o tecido das calças e saias de Vandeca, e que durante algum tempo juntaram plateia), ela esperou que Inácio saísse do chuveiro e o abordou, convidando-o "repôr os carboidratos.".
Inácio, aturdido de início, aceitou o convite.
Foram a um restaurante italiano na Cidade Baixa, onde ele comeu pouco, conversando polidamente, mas visivelmente nervoso com a situação. Tomaram uma garrafa de vinho, com Inácio frisando o tempo todo que não era de beber.
Tudo aquilo, o nervosismo dele, a polidez, a deferência com que ele a tratava e mais o vinho, foram deixando Vandeca cada vez mais excitada.
Ao terminarem a sobremesa, um tiramisu particularmente delicioso, Vandeca preparou, apontou, e disparou o convite para que Inácio a acompanhasse até em casa.
Ele, ruborizado além do que parecia possível, aceitou gaguejando.
Durante o trajeto de táxi, Vandeca se segurou para não agarrá-lo sob os olhos do motorista que, como todos os motoristas de táxi que Vandeca podia se lembrar, mirava-lhe as pernas e o colo pelo retrovisor.
Chegaram à casa dela, e, no elevador, Vandeca pôs-se a beijá-lo sofregamente, arrancando-lhe ruídos de afogamento quando descolava seus lábios carnudos dos dele, ao mesmo tempo em que interpunha a mão sedente por dentro de sua calça procurando por sua masculinidade.
Entraram no apartamento aos beijos, Vandeca arrancou-lhe a camisa fazendo botões quicarem com alarido pelo chão, ele largou a mochila e se pôs a desabotoar-lhe o vestido, mas ela não podia esperar, após dois botões o tirou por cima da cabeça deixando os seios que desafiavam a gravidade à mostra, e, ato contínuo, abriu o cinto de Inácio, e o libertou das calças.
Voltou a beijá-lo com luxúria, com lascívia, esfregando a renda da calcinha preta que lhe cobria o púbis contra o membro de Inácio, que pulsava.
Mordeu-lhe o lábio inferior, e sussurrou como se fizesse confidência:
-Quero que tu me pegue por trás.
Dando-lhe as costas, e ajoelhando-se, para então baixar a roupa íntima apenas até a altura das coxas, e inclinar-se para a frente, apoiando-se também nas mãos.
Esperava a aproximação de Inácio, esperava pelo mais básico e bestial dos sexos, pela penetração vinda por trás, enquanto ele a mordia nos ombros e nuca e lambia-lhe as costas.
Inácio, porém, a ver Vandeca de quatro, empinando-se e exibindo-se em toda a sua glória morena-clara, nada pôde fazer, exceto explodir em aplausos, como se acabasse de assistir à um concerto de André Rieu.
Era por essas e outras que Vandeca, volta e meia, pensava em basear sua dieta em pizza e sorvete, e parar de frequentar academia.