Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
Rapidinhas do Capita
Eu sei, eu sei, As Tartarugas Ninja foi um filme pra criança, e, mesmo assim, foi apenas OK. Ainda assim, isso não pode ser ignorado.
Megan Fox, com uma peruca emulando o cabelo da April O'neil dos desenhos animados e vestida de colegial.
Sim.
De colegial.
Pronto. Me convenceram a ir ver esta porcaria no cinema.
Ah, também foi divulgada uma foto de Stephen Amell (O Bat-Arqueiro Verde de Arrow) como Casey Jones.
Como ninguém liga pra isso, fiquem com mais uma foto de Megan Fox:
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E foi publicada na internet uma foto de Ben Affleck paramentado com o traje de Batman de Batman vs. Superman: A Origem da Justiça.
Na foto podemos ver em detalhes o Bat-Traje que deixa bem claro:
Pescoço é para os fracos:
Maneiro o traje, eu curto esse visual pit-bull estilo Frank Miller, mas sério, não dava pra alongar e articular um pouco o pescoço?
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E por falar em Batman e nos filmes da Warner DC... Will Smith foi visto no set de filmagens de O Esquadrão Suicida como Floyd Lawton, o Pistoleiro:
Eeeer... Pimpstoleiro?
Nada tema, porém. O visual de cafetão setentista de Smith provavelmente alude a um flashback em Gotham City, e não faz justiça ao traje do vilão no filme, que, alardeia-se, contará com as pistolas de punho e o tradicionalíssimo monóculo com alça de mira na máscara.
Resenha Cinema: Vício Inerente
Vício Inerente é um termo designado para aludir à tendência de certos objetos em deteriorar-se e sofrer danos, não pela ação de agentes externos, mas unicamente pela natureza do material da qual são feitos.
Também é o nome de um livro escrito por Thomas Pynchon, um escritor com mais de 50 anos de carreira que jamais cedera direitos de adaptação para nenhuma de suas obras, e deste filme, dirigido por Paul Thomas Anderson (de O Mestre, Sangue Negro e Magnólia), adaptando o romance de Pynchon.
A história do detetive particular cuca-fresca e maconheiro Larry "Doc" Sportello (Um brilhante Joaquin Phoenix), que, durante alguns dias de 1970, precisa sair de sua rotina no sul da Califórnia para ajudar sua ex-namorada, e ex-grande amor, Chasta Fey (a hipnótica Katherine Waterston).
Shasta ressurge na vida de Doc alguns meses (ou seriam anos?) após sua separação pedindo que o investigador particular a ajude com questionamentos morais a respeito de um golpe contra seu amante, o casado milionário do ramo imobiliário Michael Wolfmann (Eric Roberts), alvo de uma trama de sua esposa Sloane (Serena Scott Thomas) para interná-lo em um sanatório e tomar todo o seu dinheiro.
Logo após ser procurado por Chasta, Doc é consultado (ele tem um consultório, mesmo.) por Tariq Khalil (Michael Kenneth Williams), um membro da guerrilha dos direitos negros procurando por seu ex-companheiro de cela, Glenn Charlock, um supremacista branco que trabalha como segurança de Wolfmann.
Como se já não tivesse o bastante em seu prato, Doc ainda é procurado pela jovem Hope Harlingen (Jenna Malone), que acredita que seu marido, o saxofonista Coy (Owen Wilson), dado como morto, na verdade está vivo, e sendo mantido contra a vontade em algum lugar.
Para tornar as coisas ainda mais complicadas, assim que começa suas investigações, Doc é atacado em um canteiro de obras, e acorda sob a mira da arma do tenente detetive Christian F. "Big Foot" Bjornsen (um Josh Brolin enfurecido, de "cabelo escovinha e um brilho nos olhos que diz 'fodam-se os direitos civis.'", que adora "moto panacaku", e come picolés de uma maneira bastante curiosa), apenas para descobrir que Charlock morreu, e que Wolfmann e Chasta desapareceram!
Em suas investigações, Doc se vê rodeado por toda a sorte de tipo esquisito da Los Angeles setentista de Pynchon/Anderson, de nazistas zen a tiras matadores de aluguel passando por seitas, prostitutas "chupadoras de bucetas" como Jade (Hong Chau), sensuais empregadas mexicanas como Luz (Yvette Yates), dentistas envolvidos com cartéis de drogas como o doutor Rudy Blatnoyd (um ótimo Martin Short), seu amigo e advogado Sauncho Smilax (Benício Del Toro), sua namorada e assistente da promotoria Penny Kimball (Reese Whitersoon) e até agentes do FBI com pinta de mórmons de porta em porta.
Ainda que seja classificado como uma comédia, Vício Inerente desafia a categorização. O trailer faz parecer que o filme seria quase uma comédia de crime caótica tarantinesca, o que não é verdade. O longa tem momentos muito engraçados, mas ao mesmo tempo ele tem uma qualidade de melancolia absolutamente inegável. Se a aventura de Larry Doc carrega ecos de O Grande Lebowski (referência mais fácil em vista da chapadeira perene do protagonista e da natureza episódica da trama), ao mesmo tempo é totalmente diferente a medida em que Doc, ao contrário de The Dude, pareça tentar manter-se a par do que está acontecendo (Por vezes com resultados hilários, como nos closes de suas anotações no tradicional bloquinho de detetive), e em outras tantas, ter lampejos de lucidez dignos de Sam Spade, e até surpreendentes explosões de violência.
Aliás, talvez a melhor categorização de Vício Inerente, seja mesmo a de Noir Chapado. Porque, por muitas vezes, é difícil seguir a história (em algumas ocasiões, Anderson brinca com os lapsos de memória do protagonista maconheiro, jogando informações totalmente novas como se fossem coisas que nós deveríamos saber, e em outras tantas, insiste com informações repetidas sem nenhuma importância), e em outras tantas, não faz nenhuma diferença segui-la, ou não, criando uma experiência que deve ser próxima a de estar constantemente sob o efeito de maconha tal qual seu protagonista.
A questão em Vício Inerente é que não é, exatamente, um filme de detetive, também não é exatamente sobre a relação entre Shasta e Doc (docemente ilustrada pela sequência da mesa Ouija), nem é exatamente sobre a relação entre Doc e Big Foot (que vai muito além dos bicos na porta e das surras), e nem é exatamente por aquele momento da história em que o flower power foi consumido pelo cinismo das grandes corporações e a polícia se tornou mais violenta e os hippies deixaram de ser aqueles jovens adoráveis de pés descalços e se tornaram aqueles vagabundos fedendo a "peido e patchouli"... Ou talvez seja... Quem liga?
Certamente não Paul Thomas Anderson.
Ele apenas conta sua história com a maestria habitual, sua lendária direção de atores que já rendeu boas atuações de Adam Sandler e Mark Wahlberg (!!!!!!!!!!) segue boa como sempre, e o elenco recheado de estrelas ajuda.
Filmando em 35 mm. pelo cinematógrafo Robert Elswit, dando a cara dos anos setenta ao filme, sem nenhum arroubo visual ou trabalho esmerado de câmera, apenas deixando o elenco atuar ao som da trilha de Johnny Greenwood, recheada de Neil Young num filme que provavelmente não será unanimidade (tinha dois casais sentados a minha frente no cinema, e enquanto eu me levantava e juntava minhas compras para ir embora, eles faziam um verdadeiro debate a respeito de "sobre o que era o filme, mesmo?"), e nem é pra ser.
Vício Inerente se estende por duas horas e meia sem decolar porque flutua o tempo todo, bicho.
"-Michael Z. Wolfmann desapareceu.
-Então... Então, onde eu... Uh... Encontro ele?"
quarta-feira, 29 de abril de 2015
E o Novo Homem-Aranha?
E segundo o Latino Review, Asa Butterfield, um dos cinco atores que estariam disputando o papel de Homem-Aranha no Universo Cinemático Marvel, despontou como favorito do estúdio ao papel, deixando pra trás Matheus Ward (atr de Weeds, que teria sido testado mas nem estava na lista de finalistas), Liam James (O Verão de Minha Vida), Tom Holland (O Impossível), Timothee Chalamet (de Interestelar), e Nat Wolff (de A Culpa é das Estrelas, e um dos favoritos do estúdio junto com Butterfield).
Os candidatos são esses:
Tom Holland:
Liam James:
Timothée Chalamet:
Nat Wolff:
E Asa Butterfield:
Bem...
Olhando as fotos dos atores, fica bem claro que Chalamet e talvez Wolff, são os dois que mais se parecem fisicamente com o Peter Parker dos quadrinhos:
Claro, isso, por si, só, não é fator preponderante para o sucesso de um filme ou de uma interpretação. Christian Bale em nada lembra o Bruce Wayne de cabelos pretos e olhos azuis dos quadrinhos, mas, com seu talento, foi capaz de convencer o mundo de que era o Batman, deixando um enorme pepino no colo de Ben Affleck. A questão aqui, não é quem se parece mais com o personagem dos quadrinhos, mas quem se parece menos...
Justamente Butterfield.
Mais do que isso, Butterfield não só não se parece com o Aranha dos gibis, como guarda uma inegável semelhança física com Tobey Maguire.
E esse, é um problema, na humilde opinião deste nerd que vos escreve.
Se a Marvel está escolhendo Butterfield, de 18 anos, porque acredita que ele tem talento, e porque ele demonstrou em eventuais testes que pode ser um Homem-Aranha crível, ótimo. Eu serei o primeiro a aplaudir quando o filme for lançado.
Sou um devoto seguidor do mantra de que personagens são maiores do que seus intérpretes e, ainda que seja um grande fã de Andrew Garfield no papel de Homem-Aranha, sabia que, em algum momento, ele teria que ser substituído, assim como aconteceu com Bale, Reeve, Ledger, Connery e outros intérpretes memoráveis nos papéis de personagens icônicos.
Agora, se os estúdios Marvel pretendem emular o Peter Parker/Homem-Aranha de Maguire no UCM, eu vou entender isso como um covarde passo atrás do estúdio.
Muita gente ficou com a sensação de que Maguire era "a cara" do Homem-Aranha por uma razão primordial:
Não conheciam o personagem nos quadrinhos;
A primeira vez que viram o Homem-Aranha, foi na pele de Maguire nos filmes de Sam Raimi, que eram ótimos, mas não faaziam justiça ao seu personagem central (que, por sinal, não é o Homem-Aranha, mas o sujeito sob a máscara).
Ora, Maguire não se parece em nada com o Homem-Aranha dos quadrinhos, mas isso é o de menos. O grande problema da interpretação do ator de Regras da Vida, era a maneira canhestra, quase autista, que ele tinha de abordar o personagem.
Um Peter Parker passivo, disperso, inexpressivo, de lágrimas solitárias e mudez aturdida diante do desafio. Um verdadeiro desserviço ao personagem à medida em que todas essas características passaram a ser cobradas pelos fãs neófitos dos filmes, como se fossem o cerne do herói aracnídeo.
Uma das queixas mais frequentes de espectadores de O Espetacular Homem-Aranha, com Andrew Garfield, era a de que o ator de A Rede Social era "descolado", "rebelde", "bonito(?)", e tinha "atitude demais" para o papel.
"Ah, não gostei. Esse Homem-Aranha não é retardado...", eu cheguei a ler em uma rede social...
Por favor, "abigos", na primeira página de Amazing Fantasy 15, edição onde o Homem-Aranha e seu alter ego, Peter Parker, são apresentados, a primeira fala de Peter é convidando uma menina chamada Sally pra sair.
Vítima do bullying de Flash Thompson e dos outros atletas populares do colégio Midtown, durante essa mesma primeira história, Peter se refere a eles como idiotas e imbecis, e se convence de que não precisa de ninguém.
Ora! Esse não é exatamente o mesmo tipo de atitude demonstrada pelo Peter de Garfield no filme de 2012? Essa abordagem vingativa e rebelde do pária que, de repente se vê dono de grandes poderes?
Todo mundo critica a atuação de Garfield, (incluindo Kevin Fiege, que a taxou de "exagerada".), mas eu pergunto, o Peter de Tobey Maguire, incapaz de articular duas palavras diante de Mary Jane na primeira vez que ela lhe dirige a palavra com seus olhos esbugalhados e voz nasalada sempre se desculpando e caindo no choro quando as coisas davam errado era melhor do que o de Garfield (que, vá lá, também caía no choro um pouco demais)? Por que?
Se na identidade civil a abordagem de Andrew já superava a de Tobey, e de uniforme, então?
O Homem-Aranha quase mudo do inchado Maguire (que mal conseguia se mexer dentro do uniforme com a armadura de músculos de espuma) não dava pra largada com o esguio cabeça de teia piadista e troll vivido por Garfield (estranhamente uma das qualidades que Fiege considera fundamentais no Homem-Aranha).
As pessoas confundem os melhores filmes (dirigidos por Raimi e estrelados por Maguire) com a melhor atuação, e a abordagem mais correta do personagem (para a imensa maioria dos fãs de quadrinhos familiarizados com o herói, de Garfield, um ator com muito mais recurso do que Maguire).
Andrew Garfield foi o Homem-Aranha certo nos filmes errados, enquanto Maguire foi um Peter Parker (e especialmente um Homem-Aranha) apenas OK em filmes sensacionais (menos o terceiro).
Se a Marvel, enquanto estúdio, resolver emular Tobey Maguire em um filme para agradar às viúvas do ator descaracterizando o personagem dos quadrinhos, eu vou ficar muito desapontado. Especialmente pelo desperdício da chance que a Casa das Ideias tem de estabelecer, de uma vez por todas, a personalidade do herói como deveria ser, em filmes capazes de rivalizar em qualidade, com os Homem-Aranha de 2002 e 2004.
Tomara que a Marvel não desaponte aos fãs do aracnídeo.
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segunda-feira, 27 de abril de 2015
Rapidinhas do Capita
E Bryan Singer publicou a primeira foto de Kodi Smit-Mcphee comoo o Noturno adolescente de X-Men - Apocalypse:
James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, e Nicholas Hoult retornam a seus papéis de X-Men - Primeira Classe e X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido.
X-Men: Apocalypse, também contará com o retorno de Rose Byrne como Moira MacTaggert, Evan Peters no papel de Mercúrio, Lucas Till como Destrutor mais os novatos Alexandra Shipp como Tempestade, Sophie Turner, a Sansa de Game of Thrones, como Jean Grey, Kodi Smit-McPhee no papel de Noturno, Ben Hardy como o Anjo, Tye Sheridan é o novo Ciclope e a gostosona Olivia Munn como Psylocke.
Oscar Isaac é o vilão título.
Bryan Singer dirige X-Men: Apocalypse que estréia em 27 de maio de 2016 com roteiros de Simon Kinberg com Mike Dougherty e Dan Harris..
Kindberg, inclusive postou a primeira foto das recém iniciadas filmagens, mostrarando um set retratando um cinema dos anos oitenta. Olha o filme em cartaz:
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E o Homem-Aranha da Marvel ganhou um possível título:
Homem-Aranha - O Novo Vingador.
Apesar de parecer um título horrível, está bem contextualizado com o que a Marvel vem fazendo, a remoção de numerais dos títulos dos filmes, e até dialoga com Capitão América - O Primeiro Vingador, por exemplo...
O longa, ainda sem diretor (mas especulado para ser dirigido por Drew Goddard, para quem, antes de Demolidor, eu torcia o nariz), estaria procurando por seu novo protagonista (um Aranha novamente adolescente) entre cinco atores:
Liam James, da série The Killing, Timothee Chalamet, de Interestelar, Tom Holland, de O Impossível, Asa Buterfield, de A Invenção de Hugo Cabret, e Nat Wolff de A Culpa é das Estrelas.
O Homem-Aranha da Marvel deverá ser lançado em 2017, mas o personagem já pode aparecer em Capitão América - Guerra Civil, no ano que vem.
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E Daniel Brühl confirmou ao The Independent que viverá o vilão Barão Helmut Zemo em Capitão América - Guerra Civil.
Contratado há algum tempo, o papel do ator alemão de Bastardos Inglórios e Rush - No Limite da Emoção, seguia sendo alvo de especulações.
Capitão América - Guerra Civil será dirigido por Joey e Anthony Russo, e estréia no ano que vem.
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Ah, parabéns ao Empate, que ontem se tornou a segunda força do futebol no estado do Rio Grande do Sul. O placar do confronto agora mostra 405 clássicos com 152 vitórias coloradas, 127 empates, e 126 vitórias do co-irmão.
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sábado, 25 de abril de 2015
O Gramado
Quando criança, o Lizandro tinha um porco-da-índia. Era uma pequena bola de pelos branca e preta que atendia pelo nome de Floquinho. O porco fora batizado pela mãe de Lizandro, sob protestos do mesmo, que queria que o animal se chamasse "Rompeferro". Por alguma razão, àquela ápoca de seus seis, sete anos, era importante que seu animal de estimação tivesse um nome poderoso, que evocasse grande capacidade de destruição e hombridade, ainda que a possibilidade de o porco-da-índia efetivamente romper ferro, fosse bastante escassa, para se dizer o mínimo.
À revelia de sua vontade, Rompeferro foi Floquinho, mesmo, e Lizandro, em seu desapontamento infantil por não poder treinar um porco-da-índia de guerra, ainda soube encontrar em seu coração pré-púbere, a capacidade de amar um animalzinho como apenas as crianças são capazes.
Ele alimentou o pequeno roedor com ração, maçãs e couve-flor, deu-lhe água e limpou sua gaiola, e chegou a dormir com o peludo mascote deitado sobre seu peito.
Eventualmente, Lizandro foi à praia, deixando Floquinho sob os cuidados da avó, e, ao voltar, descobriu que o bichinho fora dado à um amigo que criava porcos-da-índia em seu sítio na grande Porto Alegre.
Um código para "seu porco-da-índia morreu", que Lizandro, então, não tinha malícia para compreender, de modo que ficou, até, satisfeito por Floquinho ter ido para um lugar bacana, com vários outros roedores de igual tamanho e ruminante propósito de vida.
A bem da verdade, uma única coisa incomodava Lizandro no cenário falso proposto por sua família:
O tamanho do campo onde Floquinho ficaria.
Quando sua avó e mãe lhe garantiram que o campo era "enorme", Lizandro ficou preocupado.
Ele se lembrou de uma vez em que levara seu porco-da-índia-de-guerra para a escola para um mostre-e-explique, e, na volta, soltou o animalzinho no gramado ao redor do monumento aos açorianos, na esperança de ver o roedor se divertir solto no meio do capim.
Para sua surpresa, porém, Floquinho não fez isso. Com os sentidos de animal de gaiola sobrecarregados pela imensidão relativa do gramado, Floquinho observou o arredor com seus olhos esbugalhados, e escalou os pés de Lizandro, aparentemente ansioso por voltar para sua gaiola, e a segurança de suas refeições entregues à boca várias vezes ao dia, como se, o que via diante de si, fosse demais para registrar.
Eventualmente a mãe e a avó de Lizandro o convenceram de que o "enorme campo" de Floquinho estaria repleto de outros animais de mesma espécie e tamanho, de modo que ele não se sentiria oprimido pela grandeza a seu redor. E Lizandro, pensando que se o nome de Floquinho houvesse sido Rompeferro, ele não teria medo de um gramado grande, acabou aceitando, reconfortado, a ideia de seu pequeno amigo ter encontrado sua "liberdade" entre iguais.
Mais tarde Lizandro descobriu que seu porco-da-índia morrera enquanto ele estivera ausente. Chegou a experimentar um momento de revolta ao se dar conta que fora enganado pela mãe e a avó. Mas superou. Os porcos-da-índia eram criaturinhas de vida curta, e ele se convenceu que a mentira que ouvira fora contada pensando em seu próprio conforto.
Uma coisa, porém, que nunca saiu da cabeça de Lizandro, foi a vez em que liberou Floquinho no gramado para que ele experimentasse a satisfação de correr... Lizandro achava muito curioso que, diante a possibilidade de viver seu cenário ideal, Floquinho tivesse se acovardado como fora o caso.
Lizandro nunca havia entendido aquilo.
Até recentemente...
Lizandro se viu diante de uma situação semelhante ao ser confrontado com um amor tão grande, que o assustava.
Raquel.
Raquel era o cenário ideal de Lizandro. Sua voz, seu riso, sua pele, seus cabelos, mãos e pernas eram tudo o que o Lizandro podia sonhar na vida. Tudo o que ele queria ter. Toda a interação com Raquel, era fogos de artifício e final de campeonato para ele. Tudo o que ela fazia, ecoava no seus sentimentos, e, de repente, Lizandro se viu sobrecarregado pelo que sentia.
Ao notar como uma palavra trocada com ela o afetava, como lhe incomodava o fato de algum percalço surgir entre os dois, ao perceber que não tê-la visto ou ouvido uma palavra dela por um dia, ou dois, o incomodava demais. Que imaginá-la se divertindo, feliz, sem ele estar por perto, o deixava mais que azedo, amargo.
E Lizandro, de olhos esbugalhados, e envergonhado pela forma como se sentia, resolveu voltar para sua gaiola, e deixar o gramado para Raquel, que sabia aproveitá-lo, e merecia fazê-lo sem as neuras de outrem a atravancar-lhe o caminho.
O Coringa de Jared Leto
Meio de surpresa a Warner revelou a primeira foto de Jared Leto caracterizado (de certa forma) como o mais tradicional inimigo do Batman. Confira o estranhíssimo visual do roqueiro oscarizado como o príncipe palhaço do crime:
Então? Sou eu que estou azedo ou é muito pouco Coringa?
Enfim... Depois de ter torcido o nariz para Heath Ledger eu aprendi a ser paciente.
Além de Leto, o filme do Esquadrão Suicida dirigido por David Ayer conta ainda com Will Smith como o Pistoleiro, Joel Kinnaman como Rick Flagg, Jay Courtney como o Capitão Bumerangue, a delicinha Margot Robbie como Harley Quinn, e Viola Davis como Amanda Waller, entre outros.
O filme estréia em 5 de agosto do ano que vem.
Então? Sou eu que estou azedo ou é muito pouco Coringa?
Enfim... Depois de ter torcido o nariz para Heath Ledger eu aprendi a ser paciente.
Além de Leto, o filme do Esquadrão Suicida dirigido por David Ayer conta ainda com Will Smith como o Pistoleiro, Joel Kinnaman como Rick Flagg, Jay Courtney como o Capitão Bumerangue, a delicinha Margot Robbie como Harley Quinn, e Viola Davis como Amanda Waller, entre outros.
O filme estréia em 5 de agosto do ano que vem.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Resenha Cinema: Os Vingadores - Era de Ultron
Três anos se passaram desde que houve um dia, um dia como nenhum outro, quando os maiores heróis da Terra se uniram contra uma ameaça comum, de lá pra cá, o Homem de Ferro teve seu terceiro filme, e Thor e Capitão-América seus segundos filmes. A Marvel nos mostrou os Guardiões da Galáxia, e deixou bem claro que Thanos é o cara a ser temido no universo Marvel, e veio outro dia, como aquele de três anos atrás, em que os maiores heróis da Terra se reuniram, para enfrentar uma nova ameaça. Ou meio que limpar a bagunça deixada da primeira vez...
No caso, o Cetro de Loki (Tom Hiddleston), agora nas mãos de um dos cabeças da Hidra, Barão Von Strucker (Thomas Kretschmann), conforme vimos na cena pós-créditos de Capitão América - O Soldado Invernal.
Os Vingadores estão atacando com extrema violência um complexo militar da Hidra na base de uma montanha nevada na República da Sokovia (que deve ficar perto da Symkaria e da Latvéria, mas ninguém confirmou).
Lá, em uma bem orquestrada ação (com direito a um plano sequência nos moldes daquele que derrubou queixos no longa de 2012), os Vingadores recuperam o cetro, e conhecem os gêmeos Maximoff, Pietro e Wanda (Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen), dois jovens com um passado traumático envolvendo a tecnologia bélica Stark que se submeteram aos experimentos de Strucker e se tornaram mais do que humanos, mas eles não são a ameaça principal...
De volta a Nova York, após estudarem o cetro, Stark (Robert Downey Jr.) e Banner (Mark Ruffalo) percebem que a energia contida no artefato pode ser a chave para criar a inteligência artificial definitiva:
Ultron.
Um projeto dos dois cientistas descrito por Tony como "uma armadura ao redor do mundo".
Como não poderia deixar de ser, a criação de Stark e Banner, na melhor tradição de Frankenstein, se volta contra seus criadores.
Ao se tornar senciente, Ultron (Um ótimo James Spader) imediatamente percebe que, para salvar o mundo, ele deve fazê-lo evoluir, e, para tal, ele precisa de duas coisas:
Um evento de extinção que force a humanidade a dar o próximo passo, e a destruição dos Vingadores.
É a partir de então que começa a corrida de proporções globais do robô assassino para, com a ajuda dos gêmeos Maximoff, pôr em prática seu plano, e do Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), Homem de Ferro e Hulk para tentar impedi-lo, uma batalha que talvez, seja demais mesmo para os maiores heróis da Terra vencerem sozinhos!
Como era de se esperar, Os Vingadores - Era de Ultron é extremamente divertido. O filme tem um escopo ainda maior do que o longa original, levando os heróis a diversas partes do globo (Os Vingadores passam, além da Sokovia e Nova York, por África do Sul e Coréia). A sinfonia de desastre é constante, com batalhas imensas (nenhuma tão abissal quanto a sequência final, com o "meteoro" de Ultron) e sequências de luta tão repletas de elementos que por vezes quase fica difícil entender o que está havendo na tela. Por sorte Joss Whedon, diretor e roteirista do longa, não é um marinheiro de primeira viagem, e sabe que é necessário mais do que milhares de robôs enfrentando meia-dúzia de super-heróis pra fazer um filme, por isso, nos momentos de respiro, as sementes da Guerra Civil são plantadas de maneira sutil, mas clara nos diálogos entre Steve Rogers e Tony Stark, a Guerra do Infinito se torna uma sombra distinta no horizointe do universo Marvel nas visões de Thor, e há até espaço para surpreendentes revelações da vida de Clint Barton, o Gavião Arqueiro, que ganha um pouco mais de espaço no filme, e um hesitante, porém terno, romance entre Natasha Romanoff e Bruce Banner.
Infelizmente, nem tudo são flores em Os Vingadores - Era de Ultron. Apesar de James Spader fazer um ótimo vilão (Ultron é, basicamente, uma versão de Tony Stark, então ele sempre tem uma tiradinha sarcástica na ponta da língua, e uma amoralidade algo magnética), com um plano que, à sua maneira, é cheio de lógica, e o passado dos gêmeos Maximoff, Mercúrio e Feiticeira Escarlate, dar lastro tanto às suas ações do lado do mal, quanto à virada de casaca de ambos pela metade do filme, o desfecho parece demasiado apressado, e fácil.
Quando o sintozóide Visão de Paul Bettany surge, cheio de questões filosóficas e uma ingenuidade típica de quem "nasceu ontem", não dá pra deixar de ouvir ecos do apressado e inócuo final de Homem de Ferro 2.
Apesar disso, Os Vingadores - Era de Ultron funciona, conseguindo se equilibrar entre a pirotecnia e a megalomania, sem abrir mão de sua alma ou de seu background (o tom melancólico e sombrio do trailer é solenemente ignorado no filme, que não abre mão de suas tradicionais piadinhas), graças tanto a Whedon, quanto a um elenco numeroso (que conta ainda com Samuel L. Jackson, como Nick Fury, Cobbie Smulders como Maria Hill, Don Cheadle como Jim Rhodes/Máquina de Combate, Anthony Mackie como Sam Wilson/Falcão, Haley Atwell como Peggy Carter e Andy Serkis como Ulysses Claue) que já veste o uniforme colorido de super-herói como se fosse sua própria pele.
Os Vingadores carece do impacto do primeiro longa (não existe uma cena como o murro do Hulk no leviatã, ou a tomada da equipe unida costas às costas no meio da tela), mas sucede em sua missão. Provavelmente será outro êxito de bilheteria tão grande quanto o primeiro longa, mas seria bom que a Marvel não sentasse sobre seus louros, e continuasse a elevar o nível.
Ah, na sessão que eu assisti, houve apenas uma cena pós-créditos, aquela já conhecida envolvendo Thanos. A cena não confirmada do Homem-Aranha não deu as caras.).
"Se você sair por aquela porta, você é uma Vingadora."
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