Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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sábado, 27 de junho de 2015
Tem Seu Valor
A Raquel, estatura mediana, magrinha, cabelos castanhos crespos, olhos castanho-escuros, bonitinha, direita, sem arroubos, lavava os pratos na cozinha após o almoço de sábado. Na sala, ouvia o som da TV conforme seu marido, Antônio, alto, quadradão, cabelos e olhos escuros, zapeava entre os canais sem aparentemente encontrar nada que o agradasse na programação do sábado à tarde.
Ali pelas tantas, entrou um som de música... Algum instrumento de sopro, talvez? A Raquel não identificou o instrumento, mas identificou a melodia.
Que música era aquela, perguntou-se.
Antes que tivesse chance de matutar, com os braços de espuma de detergente até os cotovelos, percebeu a aproximação do Antônio, que entrou rodopiando na cozinha como quem dá um passo de dança. Ele abriu a boca:
-Eu preciso te falar... Te encontrar de qualquer jeito... Pra sentar e conversar... Depois andar de encontro ao vê-entuuuuuuuú...
A Raquel arregalou os olhos e encarou o Antônio:
-Que é isso, Toni?
O Antônio a enlaçou pela cintura, e a puxou de encontro a si:
-Eu preciso respirar... O mesmo ar, que te rodeia... - E cheirou o cangote da Raquel. -E na pele quero ter, o mesmo sol que te bronzei-aaaaaaaa... - E lambeu o ombro da Raquel. -Eu preciso te tocar, e outra vez te ver sorrindo... Te encontrar num sonho lí-in-dúúúúúúúúúúúúúúúúúú...
Ajoelhou-se no chão da cozinha, ergueu a saia da Raquel, afastou a calcinha dela pro lado, e beijou-lhe delicadamente o monte de Vênus.
Raquel tentou afastá-lo, empurrando-lhe a cabeça pra longe do próprio púbis com as duas mãos.
-Que é que tu tá fazendo, homem de Deus? Que sem-vergonhismo é esse?
O Antônio se levantou, abriu dois botões da blusa da Raquel:
-Já não dá mais pra viver... Um sentimento sem sentido... Eu preciso descobriiiir, a emoção de estar contí-iguuuuuuú...Ver o sol amanhecer, e ver a vida acontecer, como um dia de dumingúúúúúúúúúúúúúúúúúú...
Deu um trancaço na Raquel, colando seu pélvis à coxa dela, e a olhando languidamente. Ela olhou em volta, baixou os olhos:
-Tá... Peraí, então... Deixa eu terminar de lavar esse prato e a gente vai pro quar-
Ele a interrompeu:
-Faz de conta que ainda é cê-edúúúúúúúúúúúúúúúúúú... Tudo vai ficar por conta da emoçã-aaa-ummmmmmmm, faz de conta que ainda é cê-edúúúúúúúúúúúúúúúúúúú-úúúúúúúúúúúú, e deixa falar a voz do coraçaummmmmmmm...
Abriu-lhe o sutiã e beijou-lhe os seios conforme baixava-lhe a calcinha por sob a saia e a puxava para que se juntasse a ele no piso laminado da cozinha.
Cerca de uma hora e meia depois, suada e desalinhada, Raquel recebeu um beijo estalado do marido, que a ajudou a se levantar, e terminou de lavar a louça enquanto ela foi ao banheiro tomar uma ducha e se recompôr.
Não falaram mais no assunto, e o resto do sábado transcorreu como todos os outros sábados do casal até ali.
O mesmo durante a semana, em que nada de novo ou remotamente marcante acontecera. No sábado, o Antônio acordou ali pelas dez, foi bater uma bola no parque, na volta passou pelo mercado e chegou em casa com as compras perto do meio dia.
A Raquel acordou um pouco mais tarde, quase onze da manhã, fez uma limpezinha leve na casa, passeou com o cachorro e ficou esperando que o Antônio chegasse.
Quando ele chegou, ela preparou o almoço enquanto ele tomava banho, serviu enquanto ele se vestia, e eles comeram juntos.
Quando terminaram, ele disse que cuidava da louça e ela ficou na sala, olhando TV.
Olhou para os próprios pés... Mudou de canal uma vez... Duas... Nada de bom passando. Ouviu o som da esponja roçando no aço inox das panelas, e mordeu o lábio inferior.
Ligou o som.
Ali pelas tantas, entrou a Raquel, toda vamp, toda fatal na cozinha. O Antônio olhou pra ela e deu um sorriso, e ela começou:
-Fecho os olhos pra não ver passar o tempo...Sinto falta de você...Anjo bom, amor perfeito no meu peito... Sem você não sei vivêêêêr... Vem, que eu conto os dias,Conto as horas pra ter ver, Eu não consigo te esquecer... Cada minuto é muito tempo sem você, sem vocêêêêê-êêêêêêêêêêê...
E saltou no Antônio, o enlaçando com as pernas enquanto o beijava com sofreguidão.
Enquanto abaixava os calções e dava um jeito de se deitar no chão sem machucar a Raquel, Antônio ainda pensou como é que tinha gente que não percebia o valor das músicas do Michael Sullivan.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Rapidinhas do Capita
É oficial. A Marvel e a Sony bateram o martelo e escolheram o novo Homem-Aranha do cinema.
Tom Holland, de O Impossível será o terceiro ator a envergar o colante azul e vermelho no cinema depois de Tobey Maguire e Andrew Garfield.
O ator londrino de dezenove anos recém completados fechou acordo para viver o Homem-Aranha em três a quatro filmes solo (um para cada ano de Peter no colegial), e mais uma quantidade ainda desconhecida de filmes da Marvel, que devem incluir Capitão-América - Guerra Civil, e Vingadores: Guerra Infinita partes 1 e 2.
Surgiram boatos afirmando que Homem Formiga, que estréia no mês que vem, já terá diversas alusões ao universo do Homem-Aranha, inclusive com menções à Oscorp, empresa de Norman Osborn.
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Além do protagonista, a Sony/Marvel divulgou a escolha do diretor dos novos Homem-Aranha, será Jon Watts, diretor do terror Clown, e de Cop Car, filme independente exibido no Festival de Sundance desse ano.
Diretor de curtas e filmes para a TV, Watts se enquadra no papel de diretores-fantoche que aparentemente agrada à Marvel em seus longas, e vai na contramão de nomes mais experimentados que chegaram a ser aventados antes do anúncio.
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No papel de fã do personagem, e considerando os nomes que estavam em disputa com Holland (Matthew Lintz, Charlie Plummer e Asa Butterfield), acredito que os estúdios encontraram um bom equilíbrio entre semelhança com o personagem dos quadrinhos e talento.
Holland mandou muito bem em O Impossível, e poderá ser visto ainda esse ano em No Coração do Mar ao lado do Thor Chris Hemsworth.
Dançarino de formação, Holland já estava dando piruetas na internet para provar que é capaz de fazer justiça às acrobacias do herói aracnídeo.
É, oficialmente, o fim de uma era.
Agora é começar a especular os demais nomes do elenco do novo filme do cabeça de teia, (Alguém falou em Bryan Cranston como Norman Osborn?), e torcer para que finalmente tenhamos o equilíbrio entre o grande filme, e o grande protagonista, algo que os fãs do Homem-Aranha ainda não viram.
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segunda-feira, 22 de junho de 2015
Quadrinhos: Demolidor 7
Mais uma vez a Panini brinca com meus sentimentos e Demolidor atrasa pra chegar a Porto Alegre. Por sorte o atraso da vez foi menor do que o anterior, e o gibi atrasou apenas umas duas semanas, ainda assim, magoa, dona Panini, então, mais juízo na próxima vez.
O homem sem medo da Marvel vive um grande momento, com um gibi sensacional e uma série de TV espetaculosa, de modo que a única coisa realmente acima de qualquer suspeita que eu tenho lido/assistido com gente usando colante, tem o duplo D entrelaçado em algum lugar.
Os quadrinhos são o assunto da vez, e eu não vou repetir que Demolidor é o melhor gibi em série sendo lançado no Brasil, tampouco vou ficar me derretendo em elogios ao escritor Mark Waid e aos artistas Chris Samnee e Peter Krause, vou dizer apenas que, se tu curte quadrinhos de super-heróis, não ler Demolidor é um pecado.
Após os eventos da edição anterior, Demolidor 7 segue mostrando a mudança de Matt Murdock para São Francisco após ele perder a licença para advogar em Nova York.
Ao lado de sua sócia/side-kick/interesse romântico Kirsten McDuffie, Matt se prepara para seis horas a bordo de um avião para sua nova casa, mas uma inesperada tempestade o faz parar em Milwaukee, onde ele tem um inesperado encontro com o vilão conhecido como Pensador Louco!
Na história seguinte, o diabo da guarda está empenhado em construir uma relação amigável com as autoridades de São Francisco, e para isso, colabora com a polícia em investigações enquanto se aclimata a uma cidade que mudou muito desde o tempo em que ele viveu lá.
Com o Matt sendo celebrado como uma celebridade agora que sua identidade é de domínio público, o Demolidor atrai a atenção do anti-herói conhecido como Mortalha, que tem planos para um velho conhecido de Matt que também se mudou para a Califórnia.
Depois, enquanto Kirsten precisa lidar com a nova realidade do escritória de Nelson e Murdock, sem Nelson, Matt precisa impedir que o Mortalha se alie a Leland Owlsley, o Coruja, em uma série de ações que podem ter um único objetivo.
Com cento e quarenta páginas, Demolidor 7 reúne as edições 0.1, 1, 2, 3 e 4 de Daredevil.
Papel esperto no miolo, capa cartão, R$18,90 nas melhores casas do ramo, e quem não lê não sabe o que está perdendo.
"Meu amigo Foggy adora me lembrar que torcer pra dar certo não é um plano..."
Resenha DVD: Um Santo Vizinho
Eu vou confessar que não me lembro exatamente quando foi que começou a "mania" de Bill Murray...
É engraçado pensar que hoje, quando se fala em Bill Murray, todo mundo que entende um mínimo de cinema (ou finge que entende um mínimo de cinema) faz "ooooh", "Uau" ou algum outro ruído de deferência, e diz o quanto Bill Murray é foda.
Eu sempre gostei do Murray, mas a verdade é que eu sou de um tempo em que a maioria das pessoas mal e mal sabiam diferenciar Murray e James Belushi (inclusive ganhei um Street Fighter II pra Super NES numa aposta referente ao tema, mas tive a grandeza de não levá-la a cabo, deixando claro o quanto eu era magnânimo.).
Mas foi-se o tempo, e, quando quer que a onda Bill Murray tenha começado (Eu chuto que foi em Encontros e Desencontros), hoje o ator e comediante recebe o devido reconhecimento, ainda que tenha alcançado uma idade em que, infelizmente, os papéis de protagonista se tornaram mais raros, e em filmes que acabam em circuito reduzido em meio aos lançamentos barulhentos e a obrigatoriedade de ter sempre filmes nacionais passando nas salas.
Por sorte, um desses raros papéis de protagonista é o Vincent de Um Santo Vizinho.
Um rabugento veterano do Vietnã, Vincent é um sujeito azedo, beberrão, viciado em corridas de cavalos, que leva a vida entre visitas ao hipódromo, ao bar, e à prostituta grávida com quem mantém um "relacionamento".
Vincent está quebrado, devendo dinheiro a agiotas, com a conta mais de cem dólares negativa no banco e a saúde em frangalhos, e não está nem aí.
O caminho do velho podrão é cruzado pela nova vizinha, Maggie (Melissa McCarthy), que se muda para a casa ao lado, e do filho dela, Oliver (Jaeden Lieberher).
Maggie está se divorciando do marido, e Oliver entra em uma nova escola em meio ao período letivo. Com Maggie trabalhando horas extras para aumentar a renda, o guri fica à mercê do bullying dos novos colegas, e após perder suas chaves e seu celular em uma peça pregada por outro menino, acaba dependendo da boa-vontade de Vincent para contatar sua mãe.
Após alguns encontros breves e pequenas sessões de insultos, onde Vincent tenta arrancar dinheiro da nova vizinha para consertar seu carro, sua cerca, e a árvore (?) em seu quintal, eles acabam fechando um acordo em que Vincent será a babá de Oliver enquanto Maggie trabalha.
O arranjo, claro, culmina com excursões ao hipódromo, longas tardes no bar local, e convívio com a prostituta eslava Daka (Naomi Watts), além de visitas à Sandy, a esposa de Vincent, que, sofrendo de demência, vive em uma instituição.
Por estranho que pareça, o convívio com o velho podrão é benéfico para Oliver, que aprende com Vincent lições importantes de amadurecimento que não receberia de seu pai "abraçador de árvores", e, como não poderia deixar de ser, para Vincent, que, do convívio com o moleque, tira um pouco de alegria em sua vida amargurada.
É um feel-good-movie total, óbvio que só. O roteiro do diretor Theodore Melfi não tem absolutamente nenhuma novidade para acrescentar à cartilha dos feel-good-movies. E quer saber?
Funciona.
Funciona porque o cinema não precisa de mil novidades para um filme funcionar, e alguns temas, por mais batidos que sejam, sempre encontram em uma boa execução, uma forma de se tornar palatáveis.
A execução de Um Santo Vizinho encontra lastro em seu elenco. Bill Murray está excelente no papel de velho rabugento. Por melhor que seja vê-lo fazendo papel de palhaço, Murray tem estofo e talento para ser mais do que isso, e o roteiro de Melfi explora muito bem o potencial do ator em um papel terrivelmente humano.
Melissa McCarthy escapa (graças a Odin) do arquétipo da gorda trapalhona e escandalosa, e entrega uma atuação sensível e divertida sem arroubos. Naomi Watts imprime doçura à uma personagem que, à primeira vista pareceria ridícula. Além dos três ainda há Chris O'Dowd, como o professor Geragthy, e Terrence Howard, como o agiota Zucko, mas, a grande força de Um Santo Vizinho ao lado de Murray é o ator mirim Lieberher.
O moleque exala uma doçura, polidez e inocência genuínas, que contrastam à perfeição com o azedume cínico do velho ranzinza. A química da dupla é adorável como o filme que protagonizam, e ainda que o longa abuse de expedientes re-re-recauchutados pra arrancar risadas e lágrimas, quem é que liga quando o resultado é mais do que satisfatório?
Quisera eu ter conseguido assistir Um Santo Vizinho no cinema.
Assista. Vale demais a locação.
"-Você precisa se defender, ou então vai ser moído.
-Eu sou pequeno, caso o senhor não tenha notado.
-E, Hitler também era.
-Essa é uma comparação horrível.
-De fato. Mas eu estava provando um ponto."
Resenha DVD: Mapas para as Estrelas
Eu já disse aqui, e repito, que sou um fã de David Cronenberg. O diretor que ganhou a nada elogiosa alcunha de Barão Sangue por não ter medo de ser gore, ainda que tenha feito poucos terrores em seu cartel de produções que, diga-se de passagem, é de alto nível.
Cronenberg é um diretor sem medo de sexo e violência, mas não é um fanático do tipo "choque pelo choque", como Gaspar Noé, por exemplo. Seus filmes não se tratam de penetração e evisceração, mas de histórias de personagens que, geralmente, são vítimas e algozes na própria tragédia, com monstros interiores que são infinitamente mais ricos do que as mutações genéticas de A Mosca, pra ficar no exemplar mais tradicional de horror da filmografia de Cronenberg.
Esse Mapas para as Estrelas é mais um desses filmes do canadense. Os personagens do longa são todos pessoas que exibem uma fachada de glamour em público, mas são, à seu modo, monstros quando se chega perto o suficiente.
A começar por Havana Segrand (Julianne Moore), uma atriz de carreira brilhante que, após ultrapassar a barreira dos cinquenta anos começa a ver o próprio brilho diminuir. Havana é uma mulher definida pelo passado trágico, sua mãe, Clarice Taggart (Sarah Gadon) era uma atriz consagrada e uma mãe abusiva, cujos maus tratos deixaram profundas cicatrizes emocionais na filha. Havana está constantemente procurando por formas de deixar o passado de abusos físicos e sexuais para trás, mesmo formas que pareçam ironicamente ir no sentido oposto.
Havana deseja ardentemente reprisar o papel que consagrou sua mãe no cinema, e um remake em produção é a sua grande chance de exorcizar as memórias que, literalmente, a assombram.
Havana, porém, não é o único personagem assombrado e psicologicamente ferido da história.
Seu terapeuta/massagista/guru de auto-ajuda Dr. Stafford Weiss (John Cusack) é igualmente uma pessoa atribulada tentando projetar uma imagem de auto-controle e sucesso. Suas sessões de manipulação corporal são violentas e ele parece estar sempre em busca de uma forma de desenterrar um novo problema em sua paciente.
A família de Weiss é composta pela esposa Christina (Olivia Willians), uma mulher focada no gerenciamento da carreira do filho do casal, o arrogante ator-mirim Benjie Weiss (Evan Bird), que tenta retomar sua carreira cinematográfica enquanto enfrenta uma desintoxicação e é, a exemplo de Havana, assombrado pelos próprios fantasmas.
Além de Benjie, os Weiss têm uma filha, Agatha (Mia Wasikowska), que esconde sob luvas compridas as cicatrizes de um misterioso incêndio, e volta a Los Angeles após um período afastada, tornando-se assistente pessoal de Havana à revelia do conhecimento do pai.
Todas essas pessoas perturbadas se conectam conforme a história se desenrola, assombradas pelo passado, ou pelo presente enquanto flutuam pelo mundo das celebridades de Hollywood.
Cronenberg é ótimo, mas tem seus filmes maiores e menores. Este Mapas para as Estrelas poderia ser catalogado como um exemplar menor na filmografia do cineasta.
Muito do problema está no roteiro de Bruce Wagner, que, a partir do momento em que amarra todas as pontas do script, conectando cada um dos personagens principais (Que ainda incluem Robert Pattinson como o chofer aspirante a ator e roteirista Jerome), a história perde sua aura de tragédia-sobrenatural-para-quem-não-acredita-em-sobrenatural e se torna mais conveniente e tradicional.
Por sorte, o excelente trabalho do diretor e de um elenco afiado, encabeçado por uma Juliaanne Moore no alto da forma, mandando lá pra casa do capita qualquer resquício de vaidade ou até dignidade.
É ela a força motriz de Mapas para as Estrelas, mas não apenas. Olivia Willians manda bem durante seu tempo em cena, e John Cusack mostra que pode ser mais do que um sujeito engraçadinho. Mia Wasikowska já é uma realidade em termos de qualidade de atuação, e Evan Bird consegue tornar um personagem terrivelmente antipático digno de algum interesse.
Carregado nas costas por diretor e elenco, o filme vale a locação. Mapas para as Estrelas é um filme menor de Cronenberg, mas se alguém te oferecesse um quadro menor de Picasso, tu não iria pendurá-lo na parede?
"-Eu me senti um pouco constrangida. Acho que sou uma sapatão desajeitada..."
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Rapidinhas do Capita
E David Ayer, diretor do vindouro Esquadrão Suicida, publicou em seu twitter uma nova foto de bastidores, com a silhueta de um personagem armado com um rifle.
Por alguma razão, a foto fez a cabeça de muito fã girar, e já se cogita a possibilidade de que o vulto seja ninguém mais ninguém menos do que Slade Wilson, o Exterminador (Deathstroke, no original), anti-herói favorito de oito em dez DCnautas.
Confira a imagem:
Embora eu realmente seja incapaz de entender porque essa figura sombria de boné possa ser confundida com o Exterminador, fica meu voto para que o rumor se comprove já que, na minha opinião, Esquadrão Suicida sem o Exterminador, perde oitenta e seis e meio por cento da graça.
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Em outra notícia relacionada ao longa do supertime de vilões, Aquaman o herói atlante que ninguém leva a sério, apareceria no longa metragem sendo capturado por Amanda Waller (Viola Davis) após uma luta com o Tubarão Rei, que também seria preso pela organizadora do Esquadrão.
Aquaman estaria sendo submetido a testes enquanto Waller estaria de posse do tridente do rei atlante.
Essa cena também ecoaria em Batman V Superman - A Origem da Justiça, onde Batman (Ben Affleck) encontraria uma imagem de Aquaman ao invadir a LexCorp.
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E por Falar em LexCorp e aproveitando o embalo DCnauta da postagem, Jesse Eisenberg disse que seu Lex Luthor não será "tolo ou vilanesco".
O ator de A Rede Social deixou claro que seu Lex Luthor não terá absolutamente nada a ver com o personagem vivido por Gene Hackman nos anos setenta, dizendo que Superman - O Filme, não seria feito nos dias de hoje por conta da unidimensionalidade dos seus personagens (E ignorando o trabalho soberbo de Kevin Spacey vivendo uma versão V-8 do Luthor de Hackman em Superman - O Retorno), e que seu Lex Luthor terá "precisão psicológica" e será "diagnosticável de alguma forma".
Eisenberg também se rasgou em elogios para o roteirista de Batman v Superman, Chris Terrio, dizendo que ama tudo o que o escritor faz.
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segunda-feira, 15 de junho de 2015
Casa do Capita: Game of Thrones - Temporada 5
Eu ando muito azedo ou GoT está muito ruim?
Como eu ainda vejo algumas coisas muito boas por aqui e por ali, vou ter que tirar o meu da reta e apostar na segunda opção.
Cuidado, esse texto contém alguns spoilers.
A quinta temporada de Game of Thrones foi muito ruim. Tivemos dez episódios onde dois se salvaram, o oitavo, Durolar, e o décimo, Misericórdia da Mãe, este, por sinal, sequer comparado com o outro, mas bem acima de uma temporada que, no geral, arrancou mais bocejos do que unhas.
Ao longo dos dez episódios da temporada, a série ultrapassou os livros, e, infelizmente, o fez tomando atalhos em algumas ocasiões, e indo em outra direção completamente em tantos outros... Muitos personagens foram solenemente ignorados, eventos importantes dos livros, alterados de maneira catastrófica, e momentos que prometiam-se memoráveis, transformados em mais do mesmo.
Por mais que Game of Thrones seja uma adaptação, e compreenda-se a necessidade de alterações para que o programa funcione, Game of Thrones se afastou tanto d'As Crônicas do Gelo e Fogo que mais parece um fanfic ligeiramente baseado nos livros.
O mais graves dos defeitos talvez seja alterar completamente o comportamento de alguns personagens para justificar o corte de outros.
O que fizeram com Stannis Baratheon nessa temporada, por exemplo, foi imperdoável. Não apenas por adulterar o pretenso rei dos livros e todo o destino de sua família, mas também por que seu arco acabou ficando extremamente tortuoso em termos de escrita, transformando um personagem de determinação pétrea num zelota claudicante.
O encontro de Daenerys e Tyrion teve alguns bons momentos, entretanto, o preço para que ele ocorresse foi amargo.
Além da infundada morte de Sor Barristan Selmy, os Imaculados, cantados e decantados como a mais fodaça força militar dos sete reinos e além se transformou num monte de garotinhos juvenis criados a leite com pêra, ovomaltino e sanduíche de mortadela que não são capazes de suportar dez minutos de porrada com alguns playboys mascarados.
Sério, depois de toda a propaganda, chega a ser castrador (rá) ver a facilidade com que os Filhos da Harpia massacram o exército treinado desde o berço da mãe dos dragões.
Enquanto isso, no Norte, Mindinho, o único cara que parece saber o que está fazendo na série, entregou a Sansa de mão beijada pra ser currada e surrada por Ramsey Bolton.
Os estupros na série, diga-se de passagem, se tornaram até cansativos, de tão banalizados.
Pra piorar, no caso de Sansa, pegaram uma personagem que crescia e ganhava importância nos livros, e a ancoraram num papel de vítima de onde simplesmente parece não haver saída, ao menos não sem ajuda.
Enquanto isso, o núcleo Lannister em Porto Real se divide. Enquanto Cersei segue quase à risca o caminho da rainha nos livros, com suas maquinações se voltando contra ela na forma do Alto Pardal, a caminhada peladinha, e até mesmo sor Robert Strong, Jaime, um personagem que, na literatura, se encaminha para um ato de redenção brilhante, numa série de capítulos que dava gosto de ler em O Festim dos Corvos, se transforma em garoto de recados da irmã/amante e vai pra Dorne com Bronn (e não com Ilin Payne).
Dorne, aliás, merece troféu.
O que prometia ser um núcleo fodelão após a excepcional participação de Oberyn Martell na temporada quatro se mostrou um porre, cheio de personagens xaropes (As serpentes da areia, por exemplo, foram de amargar), intriguinhas de vingança infantis, e sequências de luta de dar sono.
Enquanto isso Arya Stark vai se transformando em ninja na Casa do Preto e Branco. Tutelada por Jaquen H'gahr (que nem deveria estar lá, já que nos livros, supõe-se, tem um papel importante a cumprir em outras partes numa subtrama interessantíssima deixada de lado na série), mas, ao invés de cumprir suas tarefas conforme ocorre no livro, fica obcecada com a presença de um visitante de Westeros, em outra alteração de comportamento de um personagem que não acrescenta nada.
Provavelmente o único núcleo que não deixou a desejar ao longo do ano 5 foi o de Jon Snow, na Muralha.
O Senhor Comandante da Patrulha da Noite fez bonito, e o grande episódio da temporada (e certamente um dos melhores da série) foi protagonizado por ele, enfrentando o Inverno como nós jamais havíamos visto antes.
Infelizmente, parece que em Game of Thrones nenhuma boa ação fica impune, e o melhor personagem da série junto com Tyrion, exalou seus últimos suspiros no season finale.
Com muito mais baixos do que altos ao longo do quinto ano, Game of Thrones mostra que, infelizmente, a tendência de piorar à cada temporada parece ter se tornado regra, uma faceta perigosa em um programa que acaba de encontrar seu ponto mais baixo após dez episódios onde oito foram mornos ou menos.
Se Game of Thrones teve algum mérito em 2015, foi o de me encorajar a assistir Better Call Saul, para a qual eu estava um tanto quanto displicente, mas que é, essa sim, excelente.
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