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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Rapidinhas do Capita


-Ah, para com isso. Cristiano Ronaldo?
Ele parecia, mesmo, bravo.
-Acho lindo. O que que tem demais?
Ela viu que ele estava bravo.
-O cara é uma bichona, todo afetado, fica se olhando no telão do estádio. Pelo amor de Deus, viu...
-Só disse que ele é bonito.
-Não, tu não disse que ele é bonito, tu ficou babando quando abriu a revista. Ainda se fosse pelo Pato, que pelo menos saiu do Inter, mas não, aquela bichona portuguesa que até pintar as unhas dos pés, pinta.
-Ai, que bobagem...
-Não, o cara pinta as unhas, se depila, passa o tempo inteiro ajeitando o cabelo, e tu... Não, te larguei, olha. Bah.
-Que machismo. Ele se cuida, só isso. E funciona, por que ele fica bonito.
-Que se cuida, o que? O cara... Eu me cuido. Corro duas vezes por semana, jogo futebol uma vez por semana, tomo banho todo dia, corto as unhas, uso desodorante. Ele se depila. SE DEPILA! Que nem tu. Deve até fazer mais fiasco na hora de tirar a cera quente e tu fica suspirando por aquele boiola.
-Não me interessa se ele é machão ou não, só acho ele bonito, só isso.
-Sempre essas bichonas. Que nem o vampiro viado do Crepúsculo, o cara disse que é alérgico a vaginas e tu acha ele o ó do borogodó. Outro tremendo bicha. Uma baitola, e tu suspirando, achando ele gato e não sei mais o que. Fala sério.
-Amor...
-Quê.
-Eu te acho bonito, também. Tu quer me confessar alguma coisa?
-Cala a boca.
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-Ai, tá doendo.
-Calma, relaxa que a dor passa.
-Não, tá doendo muito.
-Tá, mas tu tem que ficar parada, se tu fica te remexendo toda aí mesmo é que machuca.
-Mas como - Ai!- Como que eu vou ficar parada com esse troço enfiado?
-Tá, então - Peraí. -Fica quieta um pouco pra eu poder tirar.
-Tira logo, tá doendo muito.
-Tô tirando, pera só um pouquinho.
-Fácil pra ti falar, tá dentro de mim.
-Tá quase saindo, quase saindo..
-Ai, tira logo!
-Saiu.
-Aaaaaaah.
-Pronto. Agora vê se aprende á tirar farpa do dedo, escandalosa.

A maldade está nos olhos de quem lê.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Enganos.



Ela sentiu, em meio a todo o burburinho da multidão na casa noturna, a despeito de todo o ruído que o Black Eyed Peas fazia nos auto-falantes ensurdecedores, ela sentiu uma presença cada vez mais próxima.
Ela percebeu, de imediato, alguém se posicionando atrás dela. Era alguém, muito provavelmente um homem, que parava atrás, dela, perto demais para ser apenas alguém querendo entrar na fila do bar.
Ela congelou, por um breve instante, pensando se deveria virar sobre o salto de seus sapatos e enxotar o metido, mas a verdade é que ela meio que gostou daquela proximidade, o homem atrás dela cheirava bem, e ela estava, a bem da verdade, precisando de uma presença masculina.
Talvez o destino tivesse colocado aquele assanhado ali, atrás dela, na fila do bar naquela noite. Uma noite em que ela se sentiu tão sozinha que vestiu uma blusinha preta, jeans apertados, calçou salto alto e encheu o cabelo de gel para ir à uma casa noturna, pra ver pessoas, dançar, e, com mil demônios, por que não? Encontrar alguém com quem dividir alguns descartáveis momentos prazerosos.
Mas não era do feitio dela fazer aquilo, e as últimas duas horas vinham sendo um tremendo saco.
Ela ficara a noite toda indo da pista para as mesas, sem falar com ninguém, e dançara, com entusiasmo, apenas umas duas ou três músicas entre todas as porcarias que tocaram. Agora, quando decidira tomar uma água mineral, aquilo acontecia. Ela não sabia como encarar. Então aconteceu:
Ele mordeu ela, ali, naquela parte em que o pescoço junta com o ombro. Foi uma mordida de leve, fraquinha, não doeu, apenas fez cócegas quando ele agarrou a pele dela entre os dentes, e ela sentiu a região se repuxar de leve, mas ele largou antes mesmo de ela saber se era dor o que sentia.
Ela gostou daquilo, fez ela se sentir bem, como a fez sentir bem quando ele a envolveu pela cintura com os braços e encostou seu corpo bem apertado no dela, e ela sentiu sua respiração na nuca, e seu hálito quente remexendo-lhe os cabelos.
Ela poderia passar muito tempo como estava. Na certa iria querer mais após algum tempo. Iria querer estar á sós com ele, travar contato íntimo, saber se ele podia ser delicado e firme como estava sendo quando a mordia e abraçava com ternura e decisão, e se podia ser infantil e sexy como era quando a mordia na nuca. Ela sabia tudo o que era capaz de realizar. Ah, sabia. Não era uma desfrutável, mas tinha alguma experiência em atividades de alcova. Sabia o que tinha a oferecer, e confiava em suas habilidades. Podiam se dar bem, muito bem, ela só precisava daquilo, de um empurrão, para se tornar a mulher que queria ser, para dar a ele o que ele queria, retribuir aquilo que ele oferecesse a ela.
Ela se virou, e o olhou nos olhos. Ele, com os cabelos escuros em desalinho, a pele alva, a encarou por um instante com os olhos castanho-escuros fixos nos olhos verdes dela. Ele titubeou por um instante, e finalmente abriu a boca para falar.
"Sim.", ela ensaiou em sua mente. "Sim.", "Mil vezes sim!", ela responderia á qualquer coisa que ele dissesse.
-Bah, desculpa.... Olha, foi mal, viu, mal mesmo. Nossa, que vergonha, pensei que fosse a minha namorada. Olha, desculpa, mesmo, tá? Foi mal.
Ele saiu desatinado pelo salão da danceteria, com o rosto enrubescido de vergonha, andou alguns metros e achou uma moça, mais ou menos da mesma altura que ela, cabelos igualmente escuros e encaracolados, era mais nova, e tinha o rosto bem diferente, também usava blusa preta e jeans. Ele abraçou ela, escondendo o rosto no pescoço dela, então, a apontou, e ambos acenaram para ela, ele com um sorriso amarelo e a moça rindo muito.
Ela acenou de volta, sorrindo de maneira fingida, então virou-se de volta para o balcão e gritou:
-Uma dose de vodka. E rápido, por favor.
Estava arrasada.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Dias


Ele sabe que a ama. Isso basta? Será que amar apenas basta? E se basta, será que basta, pra ela, o amor que ele tem á oferecer? Ele inadequado, incompleto, distante. Quererá ela ser amada por ele?
Ele, que pouco ou nada tem de cálido para oferecer, ele com sua frieza distante, com suas faces múltiplas e com sua distração perene. É de qualquer valia ser amada por ele?
Ele não sabe. Se mantém á distância. Acena aqui e ali, em breves intervalos que faz quando ousa sair de sua carapaça como uma tartaruga proverbial, devagar e sempre, mas sempre e devagar para onde? Para onde ele vai? Para onde quer ir? Quer ir, enfim, á algum lugar?
Nesse mundo cão, tão repleto de horrores diários, roubando de cada um de nós a sensibilidade, a chance, a faculdade de ser tocado seja pelo que for, seja quando for, será que se pode sonhar em ir á algum lugar, será que podemos almejar chegar á algum lugar, ou devemos apenas nos conformar com o fato de que não navegamos à parte alguma, estamos apenas á deriva e podemos apenas lutar e agradecer á Deus, se existe algum, pelo fato de permanecermos á tona ao custo de uma peleja que nos endurece e gela á cada hora de cada dia?
Se há destino, qual será o dele? Se não há destino exceto aquele que construímos, que destino ele tem condições de contruir para si? E que direito ele tem de trazer alguém para dividir esse destino com ele? Nesses dias sombrios, e nos dias mais sombrios que virão, quem sabe por que dificuldades todos irao passar? Quem sabe o que reserva o futuro?
Ele quer ir á agum lugar? Quer estar em algum lugar?
Sim. Aos braços dela, na presença dela.
Mas roubar-lhe a paz, trazê-la para a sua turbulência particular... Não parece certo, não parece direito.
E ele segue, curvado ante o peso da solidão, abraçado á própria prudência, sob a sombra de um amor que pode ser... Pode ser que não...

Dá-lhe Brasil!


Ressaca de eliminaçao de Copa do Mundo... Sério? Alguém, de fato, sofre com isso?
Francamente, eu não sou um dos seguidores dessa nova corrente que acha "cool" torcer contra a Seleção Brasileira. Normalmente ela passa despercebida pra mim. Vou lá, assisto os jogos, quase nunca me sento e torço pra Seleção como torço pro meu clube do coração, mas jamais seco o Brasil (Exceto na Copa de 2006, sou fã do futebol do Zidane e queria ver ele fazer patê da Seleção de festeiros do Parreira.), nessa Copa, porém, resolvi, em solidariedade ao Dunga, torcer pro Brasil.
Dunga, pobre homem, que foi a Geni da imprensa esportiva Brasileira antes, durante e (principalmente) depois da participação Brasileira na Copa, e que, em mais de uma oportunidade, pra ira dos jornalistas, devolveu cara-á-cara nas coletivas, a hostilidade que lhe era dispensada desde 1990 em todos os veículos da mídia. Enfim, torci pra Seleção por causa do Dunga, e também por que sou um cara que admira tabus futebolísticos, e queria manter a escrita de que o Brasil é a única Seleção á vencer uma Copa fora de seu continente, tabu que, por culpa do ganês Gian (Jian, Gean?) e do seu pé torto na hora de decidir a classificação com o Uruguay, vai cair inevitavelmente.
Enfim, torci pro Dunga, torci pra essa nossa Seleção de operários, carregadores de piano, e de jogadores arroz-com-feijão e qualquer outro bordão esportivo que sirva pra designar o atleta menos qualificado técnicamente, comemorei os gols e lamentei a desclassificação pra Holanda.
Fiquei contrariado com os repórteres que seguiam cobrando as presenças de Ronaldinho Gaúcho (mico de circo, ex-jogador de futebol.), Neymar (Queria ver o Neymar jogando contra a defesa da Costa do Marfim.) e Ganso (Sério? O Ganso que desapareceu nos torneios de Seleções de Base do ano passado?) e me revoltei com manifestações como a de Fausto Silva, bufão dominical, contra o treinador do Brasil.
Mas, francamente, ressaca pela eliminação? Pessoas revoltadas, chorando, vertendo lágrimas por causa de um jogo de futebol? Sério? Não existem coisas mais importantes? Sei lá... Tem eleições em outubro, parece chover no molhado, eu sei, o lance é que toda a vez que tem Copa do Mundo tem eleições no Brasil, e o pleito acaba eclipsado pela escolha do novo treinador, primeira convocação, primeiro jogo, e problemas muito mais sérios são superados por uma coisa que, pra todo mundo que não está envolvido profissionalmente, é entretenimento.
Enquanto todos os setores da imprensa e da sociedade miram suas metralhadoras giratórias no Dunga e no Felipe Mello, Gilmar Mendes, do STF dá uma liminar pra Heráclito Fortes burlar a lei da ficha limpa e se eleger de novo. Vocês eu não sei, mas Heráclito Fortes me revolta muito mais que Felipe Mello.
Pense nisso.

sábado, 3 de julho de 2010

Resenha DVD: Legião


Foi lá pelo final do ano passado que vi o trailer de Legião e pensei:
Caraca, que bacana, esse filme vai ser maneiraço!
O filme, cuja produção eu vinha acompanhando a algum tempo, criava a sua história em cima de uma obscura profecia que dizia que Deus perdera a sua fé nos homens e enviaria suas tropas celestiais à Terra para dizimar essa humanidade tão estragada (E quem pode culpar o Homem, né?).
O mote era bacana, e o elenco maneiro, encabeçado por Paul Bettany, de quem sou fã desde que o vi roubar acena do falecido Heath Ledger em Coração de Cavaleiro, e que ainda tinha Dennis Quaid, Lucas Black e Tyrese Gibson.
Enfim, fiquei esperando pelo filme, descobri, em fevereiro desses ano, que ele seria lançado no Brasil direto em DVD, o que aconteceu, se não me engano, entre maio e junho, e, desde então, tento, sem sucesso, colocar as minhas garras nele, mas é difícil de encontrá-lo na locadora, outro bom sinal.
Ontem, finalmente me deparei com Legião, e consegui levá-lo pra casa. Resultado?
Bueno, pode-se dizer que a minha expectativa sobre o filme (Primeira aventura do supervisor de efeitos especiais Scott Stewart na direção.) tenha sido demasiada, mas, acho que não.
Senão vejamos. O filme narra a história de como Michael, o nosso conhecido São Miguel Arcanjo (Preguiça de traduzir o nome do arcanjo mais fodão da mitologia Cristã, hein ô?), desobedece ao Todo-Poderoso quando Este o envia à Terra para matar um bebê que pode garantir a sobrevivência da humanidade, tipo uma segunda vinda de Cristo.
O problema é que, ao desobedecer Deus, Miguel coloca á si e á criança que deseja proteger, na mira de uma legião de possuído (Por anjos, não por demônios.) e de Gabriel (Já notaram que Gabriel é sempre o Anjo malvado nesse tipo de filme? Em Constantine era a mesma coisa...).
Destituído de suas asas, Miguel se arma com metrancas, pistolas, bazucas e facas para proteger o bebê, ainda no ventre de sua mãe, Charlie, uma garçonete que trabalha em um restaurante na beira do deserto, onde eles são acossados pela ira do Senhor.
A premissa é excelente, podia ser um tremendo filme, com o elenco que tem, e o mote que tem, se houvessem um bom roteirista pra lapidá-lo e um diretor com mão firme pra realizar, tinha tudo pra ser um filmão. Infelizmente, o diretor faz uso de pirotecnia e tiroteios em excesso, e apóia o seu filme em frases de efeito (Algumas recicladas como "Eu nem acredito em Deus." "Tudo bem, Bob, ele também não acredita em você.", semelhanças com a frase de Constantine àcerca do Diabo?) e sequências de ação, ás vezes nem tão boas.
No final das contas temos um elenco promissor, e uma história promissora em um filme que de médio não passa, e que ainda tenta, no final, deixar brechas pra uma continuação que, se Deus quiser, não verá a luz do dia.
Espere ele passar na TV á cabo, ou assista Constantine ou Dogma de novo. Vale mais á pena.

"-Você quer ser o filho que dá ao Pai o que ele pede ou o que Ele precisa?""

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Alarde.


Heitor acordou sentindo os olhos grudentos. Esfregou eles com força, e sentiu sua cabeça doer. Era dia claro, mas ele não fazia nem a mais remota ideia de que horas poderiam ser. Tentou lembrar se era sábado ou domingo. Mas não terminou o raciocínio, lembrou-se por que bebera tanto na noite anterior. Karine. Sua ex-namorada, que o abandonara na frente de casa, após ele apanhá-la no trabalho. A vadia o fizera andar até o trabalho dela, e então até a sua casa, para só então dispensá-lo. Aquela vaca sem coração. Por que não ligara, ou melhor ainda, por que não mandara um SMS? Seria melhor do que usá-lo como guarda-costas naquela boca brava em que morava. Imagine se ele fosse assaltado após um pé-na-bunda? Além do pé-na-bunda, doloroso por si só, ainda poderia ter sido assaltado e aviltado de suas posses. Poderia ter sido baleado, imagine.
Karina, a vaca de sangue frio.
Ele resolveu afogar as mágoas, afogar como jamais afogara antes. Foi para a primeira casa noturna que encontrou e bebeu, bebeu como se não houvesse amanhã, bebeu á ponto de seu fígado lhe enviar um memorando perguntando se estava tudo bem. Heitor bebeu. Dançou, também, ele que nunca dançava, pois Karina não deixava, dizia que ele dançava mal, que ficava ridículo, pois dane-se, Karine, Heitor dançava, dançava como um Fred Astaire com labirintite, mas dançava, e estava feliz.
A noite era um borrão, ele lembrava de ter beijado alguém, e lembrava de ter sentido nádegas em suas mãos. Sim, Karine, Heitor aproveitara a noite do pé-na-bunda como aproveitara poucas durante o relacionamento que partilharam, "ah,ah,ah,ah,ah,ah!", ele pensou em gargalhar como vilões de filme B.
Karine precisava ficar sabendo, precisava ficar sabendo que ele não estava morto, que apenas poucas horas após ela abandoná-lo de forma sub-reptícia e vil, ele já estava vivendo novamente, e bem!
Mexeu-se na cama, e notou que estava nu. Se perguntou se vomitara e por isso tirara as roupas. Foi quando sentiu o toque do látex em seus genitais, e percebeu que usava um preservativo.
Seria possível?
Heitor não apenas beijara e segurara nádegas entre suas mãos, mas também mantivera intercurso? Que palavra idiota, ele pensou. "Intercurso". Comera alguém, sim, assim soava melhor, mais despojado. Ora, intercurso.
Sim, ele comera alguém. Karina precisava saber daquilo. Ela ficaria arrasada ao perceber que Heitor tinha tantas possibilidades quanto haviam estrelas no céu, ele a escolhera apenas por gostar dela, e a vaca o apunhalara pelas costas como uma víbora!A imagem de uma serpente manuseando uma adaga não lhe convenceu, mas enfim, ele achou a figura de linguagem válida.
Ouviu um suspiro atrás de si, virou-se para ver sua amante.
Era um cavalheiro. Um senhor de aproximadamente 50 anos. Grisalho, de bigodes. Dormia profundamente, quase roncando.
Heitor sentiu o sangue gelar em suas veias. Quis gritar e sair correndo, mas achou melhor manter o silêncio.
Karine não precisava saber de nada. Ele não era de ficar alardeando suas conquistas, de qualquer forma.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Resenha Cinema: Kick-Ass - Quebrando Tudo


Ontem corri pro cinema e peguei uma sessão das cinco da tarde de Kick-Ass - Quebrando tudo, antes que vampiremos e ogros dominassem todas as salas de cinema de Porto Alegre e eu tivesse que esperar até o lançamento do DVD pra conferir a adaptação da graphic novel de Mark Millar e John Romita Jr. que descontrói a figura do super-herói.
Também era uma boa chance de assistir mais um filme de Matthew Vaughn, o ex-produtor dos filmes britânicos de Guy Ritchie, e diretor de Nem Tudo É O Que Parece e Stardust, que fugiu de X-Men 3 e Thor, e que agora deve dirigir X-Men First Class pra FOX (Se não resolver escapulir alguns meses antes das filmagens.).
O filme, como a HQ, narra a história de Dave Lizewski (Aaron Johnson), um nerd, órfão de mãe, e aluno do ensino médio que resolve se transformar em super-herói.
Como no quadrinho, Dave não possui nenhuma espécie de super-poder, tampouco habilidades especiais de luta, ele é apenas um moleque com muita boa vontade e ingenuidade de sobra, que acredita que boas intenções, um traje colorido e um par de porretes o tornarão um combatente do crime.
O caminho trilhado por Dave é repleto de percalços (surras, facadas e atropelamentos estão no menu), mas, a adrenalina de ser um super-herói, popular, campeão de acessos no youtube, defensor dos fracos e oprimidos o ajudam á superar a dor, e Dave mantém a identidade e as atividades de Kick-Ass, seu codinome.
Ele ainda inspira outros wanna-be (É assim que escreve?), como Red Mist (Christopher Mintz-Plasse, o McLovin de Superbad), e faz seu caminho se cruzar com o de vigilantes de verdade, como a insólita dupla Hit Girl (Chloë Grace Moretz, genial, a filha que todo nerd pediu á Deus) e Big Daddy (Nicholas Cage, maneiro, se divertindo á valer brincando de Adam West), e com o mafioso Frank D'amico (Mark Strong, competente), que tranforma todos os mascarados de Nova York em alvo.
O filme é divertidíssimo, e a história de Kick-Ass, repleta de referências ao cinema, á tecnologias como youtube, i-phone e com cenas de luta extremamente violentas e movimentadas cai como uma luva no cinema, que ainda ganha com o enquadramento e a trilha sonora, que nos quadrinhos, não existem. As sequências de luta estreladas pela Hit-Girl são simplesmente brilhantes, o protagonista, Aaron Johnson, convence como adolescente nerd, e não dá pra não sentir a empolgação dele em certas sequências, mas o filme tem lá seus defeitos, e são, justamente, nos pontos em que difere do quadrinho.
A origem de Big Daddy e Hit Girl era mais interessante no quadrinho, eu gostava do mistério que cercava Red Mist no gibi, e curtia o peso que esse mistério dava á sequência do incêndio, ao identificar para o público, e até para Dave, Red Mist como parceiro de Kick-Ass, isso se perde no longa.
Há ainda a alteração da sequência em que Kick-Ass e Big Daddy estão aprisionados, que, no filme, dá muito mais destaque á Hit Girl e seu pai, tirando os holofotes do personagem principal, que, meio que pra compensar, ganha uma participação pirotécnica e exagerada no embate final com D'amico. E, na minha opinião, o ponto mais baixo do longa, que foi o final "Tudo no lugar", outra vez, diferente do gibi.
Por que raios Vaughn, que brigou com todos os estúdios dos EUA pra rechear o filme com a violência explícita e os palavrões cabeludos que queria, se sentiu na obrigação de remover todo o cinismo e pessimismo do final, que apresentava exatamente essa inversão que Kick-Ass tinha com relação aos desfechos super-heróicos tradicionais, dando ao protagonista um "final feliz" à moda hollywoodiana? Consciência pesada por colocar uma guriazinha de onze anos á falar como um estivador e disparar armas como se fosse chow yun-Fat nos filmes de John Woo? Vacilou, Matthew.
Enfim, são pormenores que podem incomodar nerds xaropes como eu, mas devem passar despercebidos ao público em geral, que deve até preferir o final do filme em comparação á HQ. Em suma: Assista se tiver chance, é divertido, movimentado, e mesmo a violência de que muita gente reclama, é usada como ferramenta de diversão.
Esse filme pode não ser perfeito, mas chuta bundas.

"-Como eu falo com vocês?
-Entre em contato com o escritório do prefeito. Ele tem um sinal especial que brilha no céu, é em forma de uma pica gigante."