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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Resenha Filme: X-Men Origens: Wolverine

Retrospectiva X-Men:
Última parada na retrospectiva dos X-Men nos cinemas, o filme solo do Wolverine que todo mundo queria ver e que saiu completamente errado.
Tu pode ler as resenhas de X-Men primeira classe aqui:
http://casadocapita.blogspot.com/2011/06/resenha-cinema-x-men-primeira-classe.html
E de Wolverine Imortal, aqui:
http://casadocapita.blogspot.com/2013/07/resenha-cinema-wolverine-imortal.html

X-Men Origens: Wolverine (Gavin Hood, 2009)


Após o resultado algo decepcionante de X-Men 3, que apesar de fazer mais de 450 milhões de dólares em bilheterias (a um custo de mais de 200 milhões de orçamento) foi vilipendiado pela crítica e achincalhado pela maioria dos fãs, a FOX não iria largar o osso tão fácil.
Se parecia óbvio que o super grupo precisava de um descanso após o cataclismo que fora X-Men 3, também era bastante claro que a franquia era uma mina de ouro. Super-heróis rendiam e rendiam muito.
Os três filmes do Homem Aranha fizeram dois bilhões de dólares só em bilheterias, a Marvel começava seu universo cinemático com um Homem de Ferro que arrancava elogios de todo mundo, o Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan empilhava fortunas e críticas positivas, a FOX havia sentado na graxa com o Quarteto Fantástico e com o Demolidor, então, o que eles tinham para capitalizar, eram os mutantes da Marvel.
Foi quando alguém teve a ideia dos filmes da série X-Men Origens, que seriam filmes solo, estrelados por personagens ligados ao universo mutante sem, necessariamente, envolver o grupo de discípulos de Charles Xavier.
Os primeiros nomes que ganhariam tal tratamento, seriam Magneto (?) e(óbvio) Wolverine.
Se causava algum estranhamento ver um filme solo do maior vilão/aliado/antagonista filosófico dos X-Men, o filme do carcaju canadense era uma boa sacada.
Poucos personagens tem um passado tão misterioso (e extenso) quanto o Wolverine dos quadrinhos. Suas peripécias se estendem por cem anos de aventuras. Suas histórias solo têm encontros com o Capitão-América durante a Segunda Guerra, períodos como espião ao lado de Dentes de Sabre, períodos operando disfarçado na ilha fictícia de Madripoor, o velho oeste... Não faltariam opções de histórias a serem contadas com Logan.
Obviamente que os fãs queriam, mesmo, ver uma adaptação de Arma-X, até hoje um dos maiores clássicos estrelados por Wolverine e talvez a pista mais sólida de seu passado, ao menos até o lançamento de Origem.
A vontade de todo mundo de ver o processo brutal que deu ao herói seu indefectível esqueleto de adamantium só aumentou após Bryan Singer dar vislumbres do episódio em X-Men 2.
Escalado para dirigir Jackman no filme, Gavin Hood, dos bons O Suspeito e Infância Roubada era uma boa ideia. Liev Schreiber foi escalado inicialmente para viver um jovem William Stryker (personagem de Brian Cox em X-Men 2), mas logo foi revelado que ele viveria o vilão Victor Creed, o Dentes de Sabre.
Danny Houston seria Stryker.
A eles juntaram-se a belezura Lynn Collins como Kayle Silverfox, Will.I.Am do Black Eyed Peas, no papel de John Wraith, Kevin Durand como o Blob, Dominic Monaghan como Bolt, e Ryan Reynolds como Deadpool.
Além desses Daniel Henney seria o Agente Zero, Taylor Kitsch como Gambit, e Tim Pocock como Scott Summers.
Essa imensa profusão de mutantes logo deixou a impressão de que havia alguma coisa de errado com X-Men Origens: Wolverine. Essa impressão de confirmaria assim que qualquer pessoa assistisse ao filme.
O longa acompanhava Wolverine desde sua infância, quando era um menino canadense adoentado chamado James Howlett.
Após a família Howlett ser dizimada por uma tragédia, James foge com seu meio-irmão Victor, e ambos crescem em fuga.
Partilhando estranhos poderes de cura, sentidos aguçados como os de um animal, e garras ósseas eles encontram seu caminho na guerra.
Lutam na Guerra civil norte-americana. Na primeira Guerra Mundial, na Segunda Guerra Mundial, no Vietnã... Sempre nas linhas de frente, sendo mortalmente feridos e se recuperando de maneira milagrosa para lutar novamente.
Eles acabam sendo notados por William Stryker, que os convida a se unirem a um grupo especial de mutantes do exército dos EUA.
Eles aceitam e participam de diversas missões até que a selvageria de Victor e a natureza sombria das missões o levam a se afastar.
James, agora conhecido como Logan conhece Kayla, e vive uma vida simples ao lado dela por algum tempo, até que Victor e Stryker voltam a cruzar seu caminho, um encontro que o coloca em uma trilha sangrenta de vingança.
Mais uma vez o que poderia ser um bom filme acabou se diluindo em uma trama bobinha para pegar censura livre. O desenvolvimento dos personagens foi deixado em segundo plano em nome do desfile de super-heróis e da pirotecnia num filme tão medonho que foi solenemente ignorado na hora de fazer a sequência, Wolverine Imortal, outra tremenda porqueira.
Após X-Men 3 e X-Men Origens: Wolverine, só voltaríamos a ver uma participação de Jackman na pele do carcaju canadense em um bom filme numa ponta em X-Men - Primeira Classe.
Vamos torcer para que não tenha sido a última. Hoje eu confiro X-Men - Dias de um Futuro Esquecido, e amanhã conto por aqui como foi.

"-Seu país precisa de você.
-Eu sou canadense."

Resenha filme: X-Men 3 - O Confronto Final

Retrospectiva X-Men:
Bora com mais uma parte da retrospectiva X-Men, vendo como foi a vida mutante nos cinemas pelos últimos 14 anos e sete filmes. Agora, o primeiro tropeço da série na terceira incursão do super-grupo mutante em celuloide:


X-Men 3 - O Confronto Final (Brett Ratner, 2006)

Se tinha uma certeza na vida dos fãs de quadrinhos e de filmes em quadrinhos na primeira década dos anos 2000 era que a série X-Men estava nas melhores mãos possíveis.
Bryan Singer dirigira dois filmes do super grupo que eram praticamente irrepreensíveis (embora alguns, eu incluso, achassem que o Wolverine ganhava sempre as melhores sequências, o que diminuía um pouco a importância de membros clássicos do grupo) , a terceira parte da série estava por vir, e todo mundo estava louco pra ver o que Synger iria tirar da cartola num filme que prometia adaptar a Saga da Fênix e apresentar novos personagens!
Mas, no caminho havia um problema. Um problemão.
A Warner vinha a anos tentando trazer o Superman de volta do limbo cinematográfico, entre idas e vindas, roteiros e diretores, uma fortuna havia sido gasta sem que nenhum metro de filme houvesse sido rodado.
Eis que a Warner achou que, após a boa recepção de seu Batman Begins, era um bom momento para trazer o Superman de volta, e, que o diretor ideal para a empreitada era Bryan Singer.
Singer era jovem, tinha estofo e visão, liderara com êxito um par de adaptações complicadas e tornara X-Men um sucesso. Mais que isso, conseguiu tudo contando abertamente ter-se espelhado na cartilha da verossimilhança de Richard Donner para seu Superman - O Filme de 78, filme do qual era um ardoroso e confesso fã.
Foi o que bastou. Singer largou os mutantes de mão em cima do laço, bandeando-se para o lado da concorrência, e deixando a nau mutante à deriva.
A Fox começou então a procurar pelo substituto de Singer.
Matthew Vaughn chegou a ser contratado, trabalhou sobre o roteiro de Simon Kindberg e Zak Penn, chegou a escalar atores, mas também desistiu, alegando em cima da hora que não conseguiriria passar tanto tempo longe da família (Vaughn fez a mesma coisa após assinar para dirigir Thor, e só foi terminar um trabalho relacionado à Marvel quando dirigiu Kick-Ass, em 2010), com a saída de dois diretores o longa caiu no colo do atroz Brett Ratner, diretor da série A Hora do Rush, Um Homem de Família com Nicolas Cage e de Dragão Vermelho, filme que talvez tenha garantido o emprego em X-Men 3 a Ratner já que foi onde ele demonstrou ser um diretor sem nenhum problema em emular o estilo de outro cineasta.
Por insípido que fosse Ratner, e por mais que tenha tentado emular a forma de filmar de Singer, X-Men 3 não funcionou.
Misturando a Saga da Fênix Negra com o arco inicial de Joss Whedon à frente da série Surpreendentes X-Men, o roteiro de Kindberg e Penn aumentava a Irmandade de Mutantes, acrescentava personagens como o Fanático (o ex-jogador de futebol com a expulsão mais rápida da história do esporte, Vinnie Jones)e Callisto (Dania Ramirez) e o Homem-Múltiplo (Eric Dane) pelo lado do mal, mais Warren Worthington III, o Anjo (Ben Foster), o Fera Henry McCoy (Kelsey Grammer), Kitty Pryde, a Lince Negra (Ellen Page) pelo lado do bem, fora trocentas outras pontas de mutantes famosos que iam de Jubileu à Psylocke, muitos surgindo em vislumbres rápidos em algum ponto do filme.
Na trama, enquanto o magnata Warren Worthington II (Michael Murphy) e a doutora Kavita Rao (Shohreh Agdashloo) alardeavam ter descoberto uma cura mutante, os X-Men ainda tinham que se preocupar com a ressurreição de Jean Grey (Famke Janssen), trazida de volta dos mortos, não pela entidade interdimensional Fênix, como nos quadrinhos, mas sim pelo seu próprio poder, já que, no filme, era a mutante mais poderosa do mundo e eventualmente seria dominada por suas habilidades.
Após matar Ciclope (James Marsden), e voltar à mansão X, Jean era cooptada por Magneto para sua imensa nova Irmandade de Mutantes, e usada pelo vilão para destruir qualquer vestígio da tal cura, colocando os X-Men em uma situação delicada, onde viam-se obrigados a lutar contra outros mutantes para proteger os criadores da "cura" que poderia varrer o homo superior da face da Terra, e, pior ainda, ter de fazer isso contra um grupo mais numeroso, poderoso e que contava, em suas fileiras, com uma amiga querida por todos.
Ainda que a premissa fosse bacana e pudesse até fazer sentido, a verdade é que misturar a cura mutante e a saga da Fênix Negra diluiu demais as duas tramas, mais que suficientes para segurar um filme por conta.
A vontade louca de mostrar dezenas de novos mutantes e dar mais espaço a personagens que haviam feito pouco mais do que pontas antes (Como a Lince Negra que teve em Ellen Page sua terceira intérprete e o Colossus de Daniel Cudmore), também não fez bem ao filme, e nem mesmo a grande batalha campal entre mutantes ao final do longa ou o Arremesso Especial de Wolverine e Colossus no comecinho do filme salvaram X-Men 3 de ser bem porcaria.
Com um inchado orçamento de 210 milhões de dólares (cem milhões a mais do que o anterior), O Confronto Final fez apenas 52 milhões a mais do que X-2 nas bilheterias do mundo, mostrando que forma não agradava sem conteúdo.
Ainda assim, a FOX não aprenderia essa lição rapidamente como veríamos mais adiante...

"Charles Xavier fez mais pelos mutantes do que você jamais saberá. Meu único e maior arrependimento é ele ter que morrer para o nosso sonho viver."

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Resenha filme: X-Men 2

Retrospectiva X-Men:
Seguindo com a retrospectiva da série X-Men no cinema, vamos ver como foi a segunda (e ainda melhor) incursão do super grupo mutante às telonas.


X-Men 2 (Bryan Singer, 2003)

X-Men - O Filme havia sido um filme de sucesso. A crítica gostou bastante e o público compareceu ao cinema de modo que o filme praticamente quadruplicou o investimento financeiro só nas bilheterias. A Marvel entrou no mapa das adaptações cinematográficas, não mais restritas aos filmes do Batman.
A sequência era inevitável, e, mais do que isso, ansiosamente aguardada pelo público. X-Men 2 (X-2: X-Men United no original) teve um desenvolvimento muito mais relaxado do que o filme original, que sofrera com orçamento reduzido, prazos estourados e protagonistas sendo substituídos pouco antes das filmagens. À exceção de alguns desentendimentos entre Allan Cumming (que se juntou ao elenco no papel do mutante Noturno) e o diretor Bryan Singer, tudo correu bem.
Com orçamento mais robusto do que três anos antes (110 milhões de dólares), um diretor mais confortável no comando da brincadeira, e um elenco que sabia o que estava fazendo, X-Men 2 se passava meses após os eventos do "futuro não muito distante" do primeiro filme, e abria com uma sequência de Noturno invadindo a Casa Branca para matar o presidente dos EUA que, sozinha, já valia o ingresso, e se houvesse um prêmio para o melhor começo de um filme, ela certamente seria candidata forte.
Na sequência, descobríamos que a tentativa de assassinato era parte dos planos de William Striker (Brian Cox), um cientista militar norte-americano com conhecimento profundo sobre o Instituto Xavier, para acabar com a raça mutante usando técnicas de controle mental baseadas nos poderes mutantes de seu próprio filho, os dons telepáticos do Professor X (Patrick Stewart) e uma versão deturpada da máquina Cérebro.
Para impedir os planos de Stryker, os X-Men precisariam se juntar ao seu arqui-inimigo, Magneto (Ian McKellen), que escapara de sua prisão de plástico com a ajuda de Mística (Rebeca Romijn) em outra sequência memorável do filme.
Tudo isso enquanto o triangulo amoroso entre Wolverine (Hugh Jackman), Jean Grey (Famke Jansen) e Ciclope (James Marsden) dava um passo adiante, um outro se formava entre Vampira (Anna Paquin), Homem de Gelo (Shaw Ashmore) e Pyro (Aaron Stanford), Jean Grey começava a ter que lidar com a Entidade Fênix, Wolverine descobria pistas a respeito de seu passado com Stryker (em flashbacks que pareciam arrancadas das páginas de Arma X), aprofundava o drama de ser diferente dos mutantes em uma ótima sequência com a família de Bobby Drake, e ainda havia uma sequência de ação espetacular onde a mansão X era invadida pelo exército dos EUA!
Com todos os ingredientes de um ótimo filme, X-Men 2 se aprofundou no cânone quadrinístico com um roteiro escrito à dez(!) mãos por Zak Penn, David Hayter, Michael Dougherty, Dan Harris e Bryan Singer, que novamente mostrou sua competência como cineasta ao equilibrar cérebro e espetáculo numa fita pra fã de quadrinhos nenhum botar defeito, que melhorava em tudo, incluindo no visual dos personagens, em relação ao primeiro filme.
A resposta da crítica foi novamente muito positiva, e o público foi aos cinemas transformando X-Men 2 num gigante de 407 milhões de dólares em bilheterias mundiais. Era só curtir X-Men 2 e esperar, sorridente, por X-Men 3... Pois é...

"-Sabe todos aqueles mutantes perigosos de quem você ouve falar nos noticiários? Eu sou o pior deles."

Resenha filme: X-Men - O Filme

Hoje estréia X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido, sétimo filme da franquia mutante (incluindo-se os filmes solos de Wolverine) que vai marcar o encontro das duas gerações de X-Men nas telonas ao unir membros elencos dos filmes de X-Men, X-2 e X-Men 3 e de X-Men - Primeira Classe no que promete ser "Os Vingadores com mutantes".
Antevendo a aguardada estréia do X-Filme do ano, vamos dar uma rápida repassada nos filmes anteriores da série:


X-Men - O Filme (Bryan Singer, 2000)

Blade, filme baseado em um herói de terceira linha da Marvel e estrelado por Wesley Snipes havia sido um sucesso razoável de bilheteria. O Batman da DC, apesar das medonhas adaptações de Joel Schumacher ainda tinha bala na agulha, e dava dinheiro. Por que, então, parecia tão difícil capitalizar em cima dos heróis da Marvel no cinema?
Os produtores Tom DeSanto e Lauren Schuler-Donner devem ter se perguntado a mesma coisa, e resolveram apostar junto com a FOX em personagens queridos do público em geral e que já haviam mostrado que tinham fôlego além dos quadrinhos.
Os X-Men, nascidos de um gibi de super-grupo que traçava paralelos com o preconceito à minorias e as mudanças que a adolescência acarreta, eram estrelas de uma série animada de grande sucesso na TV norte-americana, se alguém, além do Homem-Aranha e do Hulk, tinha demonstrado ser capaz de segurar a peteca além da nova arte, eram os pupilos do professor Xavier.
O problema é que ajuntar os elementos necessários para tornar um filme de X-Men real se mostraria uma tarefa tão desafiadora e cheia de percalços quanto a vida dos mutantes nos gibis.
O primeiro passo, porém, foi muito acertado. O diretor contratado para comandar a adaptação foi Bryan Singer. O jovem cineasta que tinha filmes como Os Suspeitos e O Aprendiz num cartel gritava "Suspense" aos sete ventos era a pessoa mais indicada para tornar o longa metragem mais do que um festival tosco de pirotecnia gratuita. O roteiro de David Hayter foi praticamente reescrito por Singer e DeSanto para tornar o duelo entre os X-Men do Professor X e a Irmandade de Mutantes de Magneto tanto uma luta física quanto um conflito de ideais que emulava Martin Luther King e Malcom X.
Tão trabalhoso quanto escrever o roteiro foi finalizar o elenco. Primeiro grande filme a conviver com o escrutínio constante da internet, X-Men era pichado a cada decisão. Ian McKellen era velho demais para ser Magneto, os uniformes de couro preto eram idiotas, o capacete de Magneto era feio, Ciclope tem cara de bundão, a peruca da Tempestade não convence...
Quando as coisas estavam pra começar a andar, pouco antes do inícios das gravações, Dougray Scott, escalado para interpretar o Wolverine no filme, se lesionou fazendo uma cena em Missão: Impossível III, e não poderia estar no filme.
Bryan Singer queria adiar o início das gravações, mas foi impedido pela produtora, com o relógio correndo, o orçamento apertado e a necessidade de começar logo a gravar, não houve alternativa ao diretor a não ser escalar um substituto.
Surgia Hugh Jackman.
O legendário teste de cena com Anna Paquin (que está no DVD do filme), intérprete de Vampira, deu o papel ao desconhecido ator australiano, que se juntou a Patrick Stewart (professor X, provavelmente a única unanimidade do elenco), Famke Jansen (Jean Grey), Halle Berry (Tempestade) e James Marsden (Ciclope) do lado do bem, e McKellen, Rebecca Romijn-Stamos (Mística), Ray Park (Groxo) e Tyler Mane (Dentes-de-Sabre) para contar a história de como cabia aos X-Men impedir que Magneto transformasse autoridades do mundo todo em mutantes para tornar a causa do homo superior a causa dos líderes das nações da Terra.
Longe de ser um filme perfeito, X-Men contou uma boa história, soube centrar fogo nas interações entre os personagens, e acertou a mão ao usar Wolverine, o mutante mais popular do mundo como os olhos da audiência enquanto entrava no mundo dos pupilos de Xavier.
Com um orçamento de 75 milhões de dólares, X-Men - O Filme faturou mais de 296 milhões mundo afora, garantindo a sequência que chegaria três anos depois...

"-Vocês saem mesmo vestindo essas coisas?
-Bem, o que você preferiria? Colante amarelo?"

terça-feira, 20 de maio de 2014

Quadrinhos: Demolidor 4


Ontem dei aquela passadinha esperta na minha banca de jornal preferida e lá estava a edição 4 da série trimestral Demolidor, disparado, o melhor quadrinho periódico nas bancas.
Dando sequência à fase escrita por Mark Waid e ilustrada por artistas que sabem o jeito de desenhar o diabo da guarda da Cozinha do Inferno, nessa edição, que compila os números 19 a 25 do original Daredevil, todas as histórias tem arte de Chris Samnee.
Nas primeiras três histórias, o herói segue investigando quem está por trás do assassinato de Victor Hierra, que colocou Adele Santiago no banco dos réus para Franklin Nelson, não bastasse o momento conturbado de sua relação com seu melhor amigo que pensa que ele está louco, o Demo ainda descobre que o crime tem o dedo de um inimigo que o faz perder, de fato, a cabeça, enquanto a promotora Kirsten McDuffie, após saber que o Demolidor pode ter perdido as estribeiras, pede ajuda a um especialista para apanhá-lo.
Na quarta história o Homem sem Medo é salvo do Homem-Aranha Superior pela intervenção do Metaloide (!), e descobre que talvez não haja tempo para retomar sua amizade com Franklin Nelson.
Na quinta parte, enquanto se reaproxima de Foggy e o ajuda a esperar por notícias, Matt se vê ás voltas com um grupo de fugitivos agindo feito loucos pela cidade de Nova York, todos eles com um ponto em comum:
A cegueira e os poderes muito familiares.
A sexta história do volume mostra um homem e uma mulher que parecem estar por trás de todos os problemas que Matt vem enfrentando, na sequência, Matt procura Kirsten e o Homem Formiga, para, em seguida, receber uma entrega feroz em seu escritório.
A última história da edição mostra o que acontece quando o Demolidor conhece Ikari, a arma definitiva de alguém que quer matar o Homem sem Medo a qualquer custo.
Ikari foi treinado para ser tão perigoso em combate quanto Matt, e também recebeu o mesmo banho químico que deu ao Demolidor seus dons especiais.
A história termina com uma promessa indigesta sendo feita ao herói.
Após um segundo e terceiro volumes bons, mas pouco acima da média na comparação com o excelente primeiro número, essa quarta edição eleva novamente o nível.
Os roteiros de Waid seguem ótimos e é bacana perceber que se criou uma tradição na forma de desenhar o Demolidor que vem desde a fase de Brian Bendis à frente do personagem, com quadros anatomicamente corretos e uso profuso de preto nos efeitos de sombra.
Com a trama andando em direção à mais uma tenebrosa conspiração contra o advogado preferido de todos os leitores de gibis, fica até difícil esperar três meses pela próxima edição.
Demolidor R$18,90, 148 páginas do melhor quadrinho do mercado com capa cartão e papel WTC no miolo. Voe pra banca e compre. Não tem arrependimento.

"Nossa amizade possa ser salva com a combinação mágica de cinco palavras que nunca, jamais foram ditas em qualquer idioma nessa ordem: Graças a Deus pelo Metaloide!"

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Resenha Cinema: Godzilla


Ah, o Godzilla... O kaiju definitivo, o deus dos monstros, a besta alegórica que permitia aos japoneses exorcizarem os pavores da destruição nuclear de Hiroshima e Nagazaki sem precisar lembrar da sova de relho que sofreram na guerra, o bicho meio tiranossauro, meio estegossauro, meio qualquer coisa que destruía Tóquio massacrando outros monstros gigantes enquanto vomitava chamas atômicas e lembrava ao mundo que a aurora da fissão do átomo transformara a balança de poder do planeta Terra que poderia, por qualquer fagulha de animosidade, tornar-se em um deserto radioativo de proporções cataclísmicas.
Tudo isso numa boa sessão de matinê.
Não vou nem falar da crise criativa de Hollywood (mentira, já falei), mas só pode ser ela a responsável por Godzilla voltar aos cinemas em uma nova produção norte-americana, desta vez, pelas mãos da Warner/Legendary, (anteriormente, em 1998, a TriStar havia cometido o Godzilla de Roland Emmerich) mesma parceria de Círculo de Fogo.
Nas mãos de Gareth Edwards, do interessante Monstros (seu único outro longa metragem como diretor), muita coisa muda desde o "Gojira" original dos anos cinquenta.
Estamos em 1999. O engenheiro Joe Brody (Bryan Cranston, que mesmo tendo a cabeça forrada de cabelo sempre me dá a impressão de estar de peruca) vive no Japão com sua esposa Sandra (Juliette Binoche, numa ponta inexplicável) e seu filho Ford.
CDF absoluto, Joe controla a usina nuclear pela qual é responsável com esmero digno de monge budista, atento às menores alterações no status quo.
Alterações como a atividade sísmica que destrói a usina onde ele e Sandra trabalhavam, tragédia que abala a vida de Joe, o arremessando em quinze anos vivendo como um pária, bitolado por uma teoria conspiratória que o faz crer que o desastre que acabou com sua vida não foi um terremoto, mas sim alguma outra coisa, algo que as autoridades lutam para ocultar da opinião pública.
Nesses quinze anos o filho de Joe, Ford, cresceu, virou soldado, casou, se tornou pai, e ganhou a cara e os músculos volumosos de Aaron Taylor-Johnson (O Kick-Ass).
Ford virou um homem que jamais foi capaz de perdoar o pai por não ter assimilado a morte da esposa e lhe dado uma infância normal.
Voltando pra casa após quinze meses trabalhando no oriente-médio, Ford só quer ficar com o filho Sam e com a esposa Elle (Elizabeth Olsen), mas a notícia de que seu pai foi preso no Japão o obriga a se afastar novamente da família.
Na Terra do Sol Nascente, Joe e Ford acabam encontrando a conspiração à qual Joe dedicou os últimos anos na forma do doutor Ishiro Serizawa (Um subaproveitado Ken Watanabe), especialista em tenebrosas formas de vida pré-históricas anteriores aos dinossauros que se alimentam de radiação.
Justamente enquanto Joe e Ford estão nas instalações de Serizawa, uma dessas criaturas, que passou os últimos anos dormente, desperta!
Não é o Godzilla, no entanto, é um massivo organismo terrestre não-identificado, ou, em inglês, MUTO (Mothra?), uma mistura de arraia, borboleta, aranha e alguma outra coisa, que sai voando do Japão rumo aos EUA, onde existe outro MUTO! Ainda maior, (mas não alado) que aguarda o primeiro monstro para ter filhotes e devastar o mundo.
Enquanto os militares americanos tomam as rédeas da ação de Serizawa, uma outra força emerge das profundezas do anel de fogo do Pacífico:
Godzilla!
Outro representante dessa raça de imensas bestas ante-diluvianas que se alimentam de radiação (é... não são alteradas pela radiação, apenas a comem), mas, diferente dos MUTOs, um ultra-predador, no zênite absoluto de todas as cadeias alimentares!
Enquanto o cientista japonês, como bom fã de tokusatsu quer ver os monstros brigarem entre si, e tomara que Zilla esteja do nosso lado, os obtusos militares americanos (encabeçados por David Strathairn) planejam atrair as criaturas à costa oeste dos EUA e destruí-los com uma bomba nuclear (apesar de Godzilla ter sobrevivido à vários bombardeios nucleares na década de 50 e se alimentar de radiação, assim como os MUTOs).
Enquanto a humanidade se vê entre a cruz e a caldeirinha, obrigada a decidir se usa as bombas atômicas ou se sai de lado e deixa os monstros se comerem entre si, Godzilla e Ford percorrem jornadas paralelas para cumprirem seus respectivos destinos.
Francamente?
Não sei por que a crítica está incensando tanto esse Godzilla. Em que se pese que é sempre divertido ver monstros gigantes trocando bordoadas e devastando cidades no processo, esse Godzilla é apenas OK.
Ao remover todo o elemento de sátira do original, onde a humanidade é diretamente responsável pelo próprio flagelo ao despertar e alterar o Godzilla com a energia atômica, e criar um protagonista humano para ser o herói em paralelo ao monstro, Gareth Edwards tornaria o Zilla apenas mais um monstro, não fosse o gigantesco réptil japonês um ícone tão poderoso.
As boas ideias do longa, em especial a abordagem estilo "discovery chanell", com Godzilla e os MUTOs agindo como animais, não são suficientes para fazê-lo se destacar entre outras filmes de brigas colossais (como Transformers), seus protagonistas humanos não tem estofo para carregar a história (como em Cloverfield), e nem a inocência da ação é honesta o suficiente pra dar a sensação de recompensa imediata que a audiência espera quando vai ver um filme com essa premissa (como Círculo de Fogo).
O elenco é cheio de bons nomes, mas nenhum tem muito tempo de tela, ou muito o que fazer, Elizabeth Olsen, por exemplo, só olha pra TV e faz cara de sofrimento a maior parte do tempo (pior sorte têm Juliette Binoche e Sally Hawkins, que mal tem tempo de fazer isso...) e Johnson, um ator que se mostrou bacana em Kick-Ass e O Garoto de Liverpool, aqui poderia facilmente ser substituído por algum outro sujeito parrudo, já que seu papel exige muito pouco, o que, aliás, é natural em um filme que todo mundo foi ver por causa do monstro, que, pra piorar, passa metade do longa sendo identificado apenas pelas protusões ósseas das costas e relances em meio à fumaça, aos escombros, à poeira, às sombras... Menos mal que, quando finalmente surge em toda a sua glória, Zilla entrega aquilo que todos esperavam, se não em cérebro e malícia, ao menos em termos de rosnados e destruição gratuita.
É bom, assista no cinema, dispense o 3-D.

"O erro do Homem é achar que controla a natureza, e não o contrário..."

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Resenha DVD: Ajuste de Contas


Que praticamente todo o fã de cinema, em especial de filmes de boxe, já havia imaginado quem venceria uma luta entre Rocky Balboa e Jake LaMotta, todo mundo sabia. O que pouca gente deve ter imaginado é que a onda de colocar cavalheiros de idade avançada a trocar bordoadas renderia a luta entre os dois quando LaMotta (Robert de Niro) já tinha 70 anos e Rocky (Sylvester Stallone) já alcançara os 67.
Pior que isso, descobrir que o filme que uniria essas duas lendas do drama esportivo seria dirigido por Peter Segal, diretor egresso das comédias com Adam Sandler (Como se Fosse a Primeira Vez, Tratamento de Choque, Golpe Baixo). Não me entenda errado, obviamente não se poderia fazer um filme sério sobre dois anciãos boxeadores, não importa em que boa forma estejam Stallone (óbvio) e De Niro (surpreendentemente), mas Segal não é um nome que rescinda pela qualidade de seu trabalho.
No filme somos apresentados à história de Henry "Razor" Sharp (Stallone) e Billy "The Kid" McDonnem, dois boxeadores de Pitsburgh que, nos anos oitenta, tiveram duas lutas épicas. Na primeira, McDonnem nocauteou Sharp após quinze assaltos de combate, na segunda, Sharp venceu seu oponente após quatro rounds, todos estavam ansiosos pela negra, mas, para surpresa de todos, Sharp anunciou sua aposentadoria, privando o mundo, e McDonnem, da grande luta.
Os dois seguiram com suas vidas, Sharp se tornou operário em um estaleiro, e McDonnem continuou lutando até se aposentar, abrindo um restaurante, uma loja de automóveis. As coisas mudam quando Dante Slate Jr. (Kevin Hart), filho do empresário Dante Slate (criado à imagem e semelhança de Don King), promotor das duas lutas entre Razor e Kid, surge tentando se colocar no mercado empresarial.
Ele oferece dinheiro a Razor para que ele realize a captura de movimentos de um game de boxe, o ex-pugilista, precisando de dinheiro para pagar suas contas, incluindo aí o asilo de seu ex-treinador, Lightning (o sempre ótimo Allan Arkin), aceita de maneira relutante com uma condição, não precisar ver Kid.
O problema é que Kid resolve chegar mais cedo à sessão de captura de movimento, os dois se encontram, trocam farpas, e por fim caem na porrada. Filmados por inúmeros celulares, os dois velhotes briguentos viram hit no Youtube, com sua pancadaria se tornando um viral de extremo sucesso, o que faz com que surja, de imediato, um convite para a realização da luta que ficou faltando trinta anos mais cedo.
Kid, ansioso pela contenda há décadas aceita de imediato.
Razor precisa se ver demitido de seu emprego e prestes à falir até decidir, mas eventualmente acaba aceitando tomar parte no espetáculo.
Daí pra frente começam os treinamentos, as piadas de velho, as tirações de sarro com os filmes dos protagonistas, e as participações especiais (L. L. Coll J., Chael Sonnen, e Mike Tyson e Evander Hollyfield, essa, disparado a melhor do filme) nenhuma particularmente engraçada, mas também, nada que chegue a insultar o bom-gosto ou a inteligência da audiência.
Conforme a trama anda, descobrimos que a causa da raiva entre Razor e Kid é uma mulher, Sally (Kim Basinger, ainda bonitona aos sessenta anos de idade), ex-namorada de um, que teve um filho com o outro. O filho também surge, B. J. (Jon Bernthal) que rende algumas boas piadas que, na tradução, perdem toda a graça, e assim o filme vai, sem grandes arroubos para o bem, nem para o mal, até a inevitável luta que encerra o filme.
A luta, por sinal, é bem filmada, tem seus momentos, e a despeito da diferença de porte físico entre os dois combatentes, surge um fator para dar uma equilibrada nas coisas, até o desfecho morno.
E, no fim, Ajuste de Contas é isso, esse banho maria sem sal, que vai em ritmo de terceira-idade sem alarde ou arroubos.
Se Stallone e Kim Basinger têm atuações bem-intencionadas, De Niro brinca no piloto-automático de onde tem saído raramente nos últimos anos. Uma boa surpresa é Kevin Hart, muito menos irritante do que se poderia supôr, garantindo algumas das boas piadas do filme, em especial quando interage com Arkin, esse, nenhuma surpresa, tirando de letra o tipo velho rabugento que não está nem aí pra nada. Jon Bernthal também tem lá seus momentos, e são dele os momentos do filme que tentam ser tocantes, e dependendo do clima da audiência, até funcionam.
Em suma, Ajuste de Contas não ofende, mas se a essas alturas da vida De Niro e Stallone têm direito a rir de si mesmos, LaMotta e Balboa mereciam um pouco mais...

"-Corajoso de sua parte vir sem sutiã.
-Ah, é? Tenho uma surpresa pra você: Dei uma cagada na sua varanda."