Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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terça-feira, 1 de julho de 2014
Selecinha
E a Copa, hein? A despeito da gastança desenfreada com retorno zero em termos de "legado", dos superfaturamentos que inevitavelmente serão descobertos após o torneio, dos "ídolos" falando bobagens como "Copa não se faz com hospitais", e do papelão que alguns jornalistas fizeram entrevistando sósias do Felipão, de uma coisa ninguém pode se queixar:
A qualidade dos jogos.
Fazia muito tempo que uma Copa do Mundo não tinha uma média de gols tão alta, com tanto equilíbrio nos duelos e tantos jogos bons. Até mesmo Coréia do Sul x Argélia, que todo mundo achava que seria uma pelada disputada entre o país do tae-kwon-do e o país do buzkashi (Tá, vá lá, é um esporte afegão, mas enfim. Não sabe que esporte é esse? Assista Rambo III) acabou sendo uma movimentada partida que terminou com cinco gols!
Em meio aos gols de Messi, Müller, Benzema e James Rodríguez, às caretas de Cristiano Ronaldo pro telão, os pulinhos do treinador do México, a surpreendente Costa Rica a gente até esquece as mazelas sócio-econômico-políticas do país (até por que os noticiários todos viraram mesas redondas onde só se fala de Copa, ou, como dizem os gremistas, côpa.).
Nesse cenário todo, porém, uma coisa salta aos olhos mais do que todas:
O deserto técnico que é essa seleção brasileira.
Eu acho que a única seleção que eu vi, que era pior do que a de hoje, foi a de 90. E olha que eu acompanhei a Seleção de 94, que era extremamente limitada, mas ao menos tinha Bebeto e Romário, e tinha uma defesa sólida com Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo/Branco, com Mauro Silva e Dunga na cabeça de área. Longe de ser um time de encher os olhos, a Seleção de 94 tinha vontade de vencer, e ao menos dois atacantes fora de série que decidiam.
O time brasileiro da "Copa das Copas" até tem uma dupla de jogadores acima da média, Neymar e Oscar, mas eles não conseguem carregar o time nas costas.
Neymar é indiscutivelmente craque (apesar de se tornar irritante o fato de a Globo o elevar à condição de igual de Messi, Cristiano Ronaldo e Zidane, o que ele não é), mas tem 22 anos, está longe de ter a maturidade necessária pra assumir a bronca e jogar sozinho no meio de uma defesa adversária.
Oscar é igualmente jovem, joga demais, é voluntarioso, inteligente e hábil, mas é prejudicado tanto pela falta de cancha quanto pelo esquema que torna ele o único armados do time, jogando bem aberto pela direita, quase um auxiliar de lateral-direito.
Além desses dois, temos três bons zagueiros no grupo, os titulares Thiago Silva e David Luiz, e o reserva Dante. E a seleção meio que termina por aí.
Se Paulinho, William, Fernandinho, Henrique, Maicon e outros são jogadores de comuns a bons, e nada além disso, outros, como Hulk, Fred e Daniel Alves são rematadas perebas, e, pior de tudo, têm ilusões de genialidade e cadeira cativa com o treinador.
O treinador, aliás, é outro problema. Felipão jamais foi um gênio tático. É um motivador retranqueirista cujos maiores trabalhos sempre primaram muito mais por força e empolgação do que por grande futebol. Felipão não sabe trabalhar com pouco recurso e a geração atual do futebol no Brasil é tão limitada que na hora do hino já tem jogador chorando de ruim... Se Felipão sabia tirar leite de pedra na época de Criciúma e grêmio, times pequenos que conseguiu alavancar a títulos importantes, perdeu o hábito após passar por Palmeiras, Cruzeiro, Chelsea... Se foi campeão do mundo em 2002 (Com Rivaldo voando, Ronaldinho e gordo Ronaldo jogando muito), também perdeu a Euro 2004 com Portugal jogando em casa para a modestíssima Grécia...
Pra piorar, não soube se reciclar, continua apostando no "vamo que vamo" e na "família Scolari" em detrimento da parte tática. Onde estão as variações de jogadas? Será que já não ficou claro que um armador sozinho não consegue fazer o time jogar? Daniel Alves e Marcelo já não deixaram bem claro que são duas perimetrais ao redor da defesa? O que dizer de Fred e Jô? E o Hulk?
A seleção brasileira está tão desnorteada, com os nervos tão em frangalhos que levou um tradicional vareio do Chile no sábado (achando ao acaso um gol no meio da defesa de oompa-loompas do adversário) com os jogadores desmoronando em prantos antes, durante e depois da partida.
Li em algum lugar que Scolari ficou preocupadíssimo após o jogo, inclusive convocando uma psicóloga pra dar uma levantada na moral dos jogadores.
Bacana... Mas ele poderia convocar um treinador reserva, também. Alguém pra treinar um pouco, manja? Umas variações de jogadas, umas saídas diferentes... Alguém pra cuidar do time enquanto ele faz propaganda de galinha assada, operadora de celular, super mercado...
Porque do jeito que está, com um time tecnicamente limitado, com os nervos em frangalhos, e sem treinamento, não há pênalti inventado que faça milagre.
Do jeito que está, seria muito INJUSTO se o título ficasse com essa seleção brasileira. Assim mesmo. Com letra minúscula.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Afundar com o Barco
Que Lástima... Não me ocorre outra forma de expressar minha tristeza com o anúncio do fim do Orkut, a rede social que foi febre entre brasileiros e indianos encontrando o ápice de sua popularidade entre 2005 e 2008, teve uma sobrevida em 2010, e vinha cambaleando apoiada em alguns fiéis seguidores desde então...
A casa azul e rosa, praticamente entregue as traças após a popularização do Facebook já vivia seus estertores tinha algum tempo. Estranhamente os maiores atrativos do Orkut, os fóruns de discussão, só melhoraram conforme a rede social claudicava.
A debandada da maioria das pessoas para a rede social de Mark Zuckerberg tornou o Orkut uma rede social quase marginal, repleta de saudosistas e gente mais alternativa, uma espécie de resistência que continuava postando comentários em tópicos que encerravam acaloradas discussões que geralmente acabavam em xingamento à mãe de alguém e muitas risadas ao invés das curtidas nas alterações de status dos miguxos, fotos de pratos de comida e frases definitivas de para-choque de caminhão.
Oh, não... O Orkut pós Facebook tornou-se um espaço apenas para os fortes e os sem-noção.
Se a Sknynet desse início a seus planos de domínio global hoje, desencadeando o Dia do Julgamento e a Era das Máquinas, John Connor não postaria isso no Facebook, ele certamente abriria um tópico no Orkut pra ter certeza de que a mensagem alcançaria apenas aqueles que fossem dignos de fazer parte da resistência humana.
Ainda acessado por meia dúzia de nerds malucos de comunidades ligadas a quadrinhos, e especialmente aos fanáticos e fanáticas por futebol (a comunidade do Internacional segue bastante movimentada, por exemplo, com dezenas de tópicos sendo abertos diariamente no fórum e participação ativa de centenas de membros, números que se multiplicam em dias de jogos do colorado.), o Orkut seguia seu caminho.
Infelizmente esses números não devem ser suficientes para sensibilizar o Google ou justificar a manutenção do site.
Nos anos que se passaram desde o advento do Orkut, a rede social "só para convidados" viram em seus tópicos a aurora de amizades duradouras, o florescer de romances que geralmente surgiram após aquele tradicionalíssimo "gostei do teu perfil, posso adicionar?", ao qual se seguiam alguns dias de trova via scrapbook e finalmente a hora da verdade, quando se pedia o MSN da pessoa. Amores verdadeiros, fraternais ou não, têm suas raízes enterradas profundamente nas paredes hoje empoeiradas de comunidades jogadas às moscas e em depoimentos carregados de sentimentos em páginas de perfil que quase ninguém mais lê, e agora, todos esses momentos vão se perder no tempo, como lágrimas na chuva...
Uma fonte quase inesgotável de cultura inútil, informações de fontes duvidosas e muitas risadas, o Orkut vai ser assassinado pelo Google em 30 de setembro de 2014, deixando uma legião de órfãos que, no futuro, dirão aos incrédulos que, na melhor tradição de um verdadeiro capitão, afundaram com o navio.
O Orkut está morto.
Vida longa ao Orkut.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Resenha Cinema: Vizinhos
Seth Rogen é um ator extremamente limitado. Em todos os seus filmes ele faz o mesmo papel do maconheiro bacana e desajeitado de aparência mediana que é essencialmente um cara de bom coração.
Um amigo me perguntou uma vez como é que o Seth Rogen não cansava de fazer sempre a mesma coisa.
Tá brincando?
Eu entendo Seth Rogen. Quisera eu que me pagassem pra interpretar eu mesmo em filmes e ainda contracenar com mulheres que sempre são areia demais pro meu caminhãozinho. Tá certo ele. Conseguiu se transformar de coadjuvante mudo em O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy em um sujeito com estofo cinematográfico suficiente pra cometer coisas como O Besouro Verde, e não passar um ano sem emplacar algum sucesso de bilheteria, como esse Vizinhos, que com um modesto orçamento de 18 milhões de dólares já faturou quase 240 milhões em bilheterias.
Na trama do longa Rogen é Mack Radner, um jovem pai de família que acabou de comprar uma casa para viver com sua esposa Kelly (A bonitona Rose Byrne) e a filha Stella (as fofíssimas gêmeas Elise e Zoey Vargas). Tudo parece tranquilo na vida do casal, até que a casa ao lado é ocupada por uma fraternidade universitária, os Delta Psi Beta, liderados por Teddy (Zac Efron) e Pete (Dave Franco).
Inicialmente tentando parecer descolados e desencanados, os Radner conversam amigavelmente com os universitários da casa ao lado, pedindo que mantenham a música baixa, pedido encarado com naturalidade por Teddy e Pete, que prometem manter as coisas em um patamar aceitável e pedem apenas uma coisa:
Que Mack sempre fale com eles antes, e não chame a polícia.
Com o pacto firmado, os vizinhos selam a paz e até participam de uma festa da rapaziada da casa ao lado (Uma das melhores sequências do filme), mas isso não dura.
Após algumas noites com a música ao lado acordando a bebê e os pedidos de silêncio sendo ignorados pelos Delta Psi, Mack quebra sua promessa e chama a polícia.
Isso desencadeia um festival de peças por parte dos membros da fraternidade (lixo no pátio, churrasco à favor do vento, festas de Robert de Niro, tudo muito barulhento e sem nem sombra da cortesia inicial.).
Enfurecidos com a falta de consideração dos fraternos, ignorados pela polícia, pela associação do bairro e pela universidade dos Delta Psi, Mack e Kelly resolvem contra-atacar, iniciando uma guerra entre vizinhos que rapidamente escala muito além de uma mera implicância conforme as táticas usadas por ambas as partes se tornam mais pesadas (e hilárias).
Vamos aos fatos:
Sim. É engraçado.
É virtualmente impossível assistir uma comédia de uma hora e meia com o Seth Rogen sem rir um pouco. Algumas das piadas do roteiro de Andrew Cohen e Brendan O'Brien são muito boas, Rose Byrne é bonita sem deixar de ser muito engraçada quando a situação permite e ainda tira proveito de um insuspeito sotaque australiano (oculto em todos os outros filmes que vi com ela...) e entra na brincadeira tanto na hora do humor ofensivo com leite materno empedrado, quanto do humor bobo como a (ótima) imitação de Anne Hathaway. Zac Efron já havia provado que, mesmo com suas limitações, consegue ser engraçado, e Dave Franco não é nenhum iniciante em termos de fazer rir.
Mas não, nem tudo funciona.
Como o elenco, em sua maioria, carece de talento, e o filme é uma longa tiração de sarro em cima das desavenças entre vizinhos baseado em referências, há coisas que simplesmente começam a chatear à certa altura.
Também é difícil se relacionar com personagens tão destrambelhados em certos aspectos e tão coxinha em outros, ou ligar pra qualquer acontecimento quando, no final das contas, tudo se resolve com um abraço.
Outro problema, esse exclusivo da versão brasileira, é a bobagem de ficar mascarando palavrões nas legendas dos filmes. Se a censura é dezesseis anos e na tela estamos vendo piadas com picas de borracha de tamanhos variados, tetas, vômito e peido, porque nas legendas "dick" se torna "pênis", "cunt" vira "filha da mãe" e "asshole" se traduz "babaca"?
É irritante e idiota.
De qualquer forma, a despeito de eventuais excessos e de algumas piadas sem graça, o filme não é essa bomba que alguns alardearam na internet e funciona, mas acaba dando a impressão de que se tornará uma ótima sessão de DVD muito mais do que uma daquelas comédias obrigatórias de chorar de rir.
Assista se a única alternativa for Transcendence...
"-Saia daqui. Você é brilhante. No futuro pode ser tipo, o presidente da ONU, ou algo assim
-A ONU não tem um presidente.
-Tá vendo? Você é tão inteligente! Você sabe essas merdas...
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Resenha Cinema: Como Treinar o Seu Dragão 2
Vou reiterar algo que já disse aqui várias vezes:
Não sou fã de animações.
Não sou, mesmo. Nunca fui. Sempre achei desenhos animados algo aborrecidos, em especial os de longa metragem. Entre um live action e uma animação, fico com a primeira opção sem pensar duas vezes. Nunca fui fã das animações épicas da Disney, por exemplo... Embora entendesse o hype por trás de longas como A Bela e a Fera e O Rei Leão, no geral, as animações me passavam batidas. Durante muito tempo, as únicas de que gostava eram Akira, e O Fantasma do Futuro (Argh, título nacional de Ghost in the Shell).
Mas as animações melhoraram muito com o passar dos anos. Vimos Shrek perverter as regras dos contos de fadas em dois filmes divertidíssimos e dois mais ou menos, conhecemos o improvável herói Po, em Kung Fu Panda, o ótimo faroeste camaleônico Rango, vimos cineastas consagrados como Robert Zemeckis se arriscar nas animações com captura de performance em O Expresso Polar, A Lenda de Beowulf e Os Fantasmas de Scrooge, e, claro, vimos a Pixar Animation chutar as portas do cinema de animação com pérolas como a trilogia Toy Story, Monstros S. A., Os Incríveis, Procurando Nemo, Wall-E e a melhor animação jamais lançada: Up - Altas Aventuras.
Mas a verdade é que, mesmo reconhecendo o valor de todos os filmes mencionados (e tendo me debulhado em lágrimas assistindo Up), eu já tinha escolhido meu favorito.
Como Treinar o Seu Dragão, da Dreamworks (mesmo estúdio de Shrek, Kung Fu Panda e Madagascar) é a animação de que eu mais gosto, de longe.
Talvez seja porque, essencialmente, eu sou um guri, e guris adoram dragões e vikings, ou talvez seja porque é difícil não se envolver com a história de Soluço e Banguela, os dois párias, o primeiro um adolescente tímido socialmente excluído, o segundo um dragão deficiente, que encontram um no outro a possibilidade de estarem completos (Banguela não pode voar sem Soluço, e o moleque vê nas asas do dragão sua chance de ir além das rochas de Berk, onde é incapaz de se encaixar) e precisam lutar unidos para parar uma guerra ancestral.
Sim... Como Treinar seu Dragão tinha coração, alma e bolas (ou vai me dizer que a sequência final, com a luta dos cavaleiros de dragões contra a tenebrosa rainha do ninho não é uma tremenda sequência de ação?), e se encerrava perfeitamente em si mesmo. Tinha um final conclusivo e absolutamente satisfatório que não requeria nenhuma continuação. Mas qual é?
Como a Dreamworks desperdiçaria o sucesso de Como Treinar o Seu Dragão, que colocou nomes como Fúria da Noite, Verme de Fogo, e Terror Terrível nos vocabulários de crianças pelo mundo afora?
Certo que não, então, 4 anos após o lançamento do primeiro filme, Soluço, Banguela, Astrid, Estoico e todos os demais estão de volta.
Como Treinar o Seu Dragão 2 mostra a nova Berk. Se antigamente o vilarejo era um pedaço de rocha no meio do mar sempre pronto para enfrentar os temíveis dragões que surgiam, hoje é uma idílica ilha escandinava onde cavaleiros de dragões passam seus dias disputando corridas e tentando encaçapar impassíveis ovelhas no novo esporte favorito dos vikings.
Enquanto Astrid, Perna-de-Peixe, Melequento, Cabeçaquente e Cabeçadura se divertem sob as vistas de Estoico, Bocão e o resto da tribo, Soluço viaja montado em seu fúria da noite, Banguela (O dragão mais amigável do cinema, unindo o estilo dos répteis mitológicos com a graça de um gato e a inteligência e lealdade de um cachorro), conhecendo e mapeando novos territórios, expandindo as fronteiras do conhecimento dos vikings e evitando a todo o custo fazer o que seu pai lhe pede:
Assumir o comando de Berk.
É num desses voos solitários que Soluço encontra o caçador de dragões Eret, e descobre que existe tanto um homem chamado Drago SangueBravo que planeja construir um exército de dragões, quanto um misterioso cavaleiro de dragões que liberta as criaturas.
Determinado a descobrir tudo a respeito desse protetor misterioso, e a fazer a paz com Drago, Soluço ignora os avisos de Estoico, e parte em uma viagem que o levará a descobrir coisas inéditas a respeito de seu passado, e o colocará em uma batalha para manter a paz.
É bacana.
Como Treinar o Seu Dragão 2 dá um passo adiante em todos os quesitos técnicos do longa anterior. A computação gráfica avançadíssima aliada ao design cartunesco dos personagens torna as sequências aéreas do longa um deleite visual. Existem cenas com centenas de dragões de cores e formas variadas tomando a tela voando uns pela frente dos outros em um banquete de cores e formas para ser saboreado com os olhos. Os personagens seguem divertidos e cativantes como eram no primeiro longa, e as adições de Valka, Eret e do vilão Drago são OK.
O filme acerta ao mostrar amadurecimento e evolução de todos os personagens, Soluço deixou de ser um adolescente retraído e se tornou um jovem rebelde e introspectivo, Estoico é mais compreensivo e terno, mas permanece um líder guerreiro viking, e até surge um "quadrilátero amoroso" entre Perna-de-peixe, Melequento e Cabeçaquente que só tem olhos para Aret.
As sequências de voo são impressionantes ora pela beleza, ora pela tensão e dinamismo, a trilha sonora é ótima, as sequências de ação continuam muito boas, os momentos ternos funcionam, e os engraçados, também.
Mas nem tudo são flores.
Obviamente o filme carece do impacto do primeiro, existem algumas soluções um tanto quanto discutíveis no roteiro, e o confronto final, no clímax do filme, se estende além do devido e não encosta na batalha que encerrava o primeiro longa em termos de arrebatamento visual e urgência.
Outra razão para queixa, é a incapacidade das salas de exibir o filme com som original em pelo menos um horário do dia.
Por mais que seja uma animação com público alvo majoritariamente infantil (a criançada, aliás, está de parabéns, todos os pequerruchos que estavam na sessão que eu assisti ficaram quietinhos o filme inteiro ao contrário de alguns boçais que são incapazes de calar a boca por duas horas) não faria mal poder conferir as vozes originais em inglês. Por mais que a dublagem em português seja boa, acima da média do padrão atual, bem inferior ao dos anos 80/90 eu me ressinto de não ter nenhuma sala exibindo o longa com as ótimas dublagens de Jay Baruchel, America Ferrera, Gerard Buttler, Kirsten Wiig, Craig Fergusson, Cate Blanchett, Kit Harrington e Djimon Hounsou).
Apesar dessas falhas, o filme funciona. É honesto para consigo mesmo, divertido, bonito e esperto, jogando várias alterações promissoras nos próximos (e inevitáveis) filmes da franquia.
Com personagens maneiros, sequências de ação divertidas, momentos de ternura genuína e gargalhadas autênticas, Como Treinar o Seu Dragão 2 vale demais a pena.
Assista no cinema, o 3-D não chega a empolgar.
"Esta é Berk. A vida aqui é incrível. Dragões costumavam ser um probleminha, mas agora todos eles vivem aqui."
sábado, 21 de junho de 2014
Rapidinhas do Capita
Ela disse que achava legal o cabelo assim, bagunçado. Apontou pra camiseta dele e disse que não se importava com o lance nerd, que até achava bacana.
Ele pensou em fazer um pequeno tratado verbal dizendo que hoje era fácil ser nerd, mas que quando ele era moleque havia sido muito marginalizado, inclusive tendo que manter sua nerdice "no armário" e jogar futebol e ir à festas e essas paradas pra evitar o bullying, mas resolveu ficar quieto quando se flagrou do "até".
Ela continuou dizendo que achava legal barba e que ele era bem alto. Ela achava legal o homem ser assim, mais alto que a mulher.
Ele pensou em observar que isso era conveniente já que ela não devia ter nem um metro e sessenta, mas resolveu ficar quieto.
Ela bocejou, olhou em volta e perguntou se ele gostava de Velvet Underground. Ele não tinha certeza do que era Velvet Underground, ficou na dúvida se era uma banda ou um filme, e ficou com vergonha de admitir que não sabia o que era. Disse que não era "um grande fã", sorriu. Ela ergueu as sobrancelhas como quem entende, e perguntou de que música ele gostava (era uma banda...), ele disse que gostava de Johnny Cash. Ela retorquiu que Johnny Cash não era música de nerd. Ele ficou em dúvida se perguntava, ou não, o que seria "música de nerd", mas concluiu que se ela cantarolasse o tema de abertura de algum anime, ele ia ser grosseiro e não ia conseguir comer ela, então ficou na sua.
Conversaram mais algum tempo, e eventualmente ele acabou comendo ela. O sexo foi legal. Ele fez o melhor que podia, e ela disse que gozou duas vezes, ele não acreditou no segundo orgasmo, mas sentiu o primeiro na língua.
Antes de sair da casa dela ele perguntou, meio sem jeito, se ela queria manter contato. Ela sorriu e eles trocaram telefones e tudo, ele disse que era tímido demais pra ligar, mas que se ela quisesse ver um filme ou alguma coisa, era só ligar pra ele. Ela sorriu e disse que com certeza ia ligar! Assim, com ponto de exclamação no final. Mas não ligou. Aí ele teve certeza de que o segundo orgasmo tinha sido mentira.
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-E aí? Curtindo a Copa?
-Bons jogos... Andamos tendo uns bons jogos...
-E a festa? Tá gostando da festa?
-Não fui à nenhuma festa...
-A festa dos visitantes! Os estrangeiros andando pela rua! O intercâmbio cultural!
-Vi seis franceses na Lima e Silva domingo, Um deles tava sendo amparado por outros dois enquanto vomitava, e um quarto, bebendo Kaiser, ergueu a cabeça quando umas gurias passaram do outro lado da rua, e gritou "Gôstosá! Fucê é gôstosá!". Na quarta, vi uma australiana linda perto de casa. Linda mesmo. Alta, cabelão encaracolado castanho-avermelhado, cheia de sardas, quadris redondos e cintura fina, não consegui olhar os olhos dela, porém, ela vinha encarando o chão, evitando contato visual com o mundo. Provavelmente já ouvira todo o tipo de abordagem de todo o tipo de homem e estava sem ânimo pra aguentar mais disso. Esse foi o único intercâmbio cultural que eu notei, além do turista porto-riquenho espancado no Harmonia e do Chileno assaltado perto da Arena da OAS.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Resenha Cinema: No Limite do Amanhã
Eu vou confessar que estava um pouco ressabiado em assistir No Limite do Amanhã, mais recente empreitada do astro/galã/produtor/maluco/cientologista Tom Cruise.
Apesar de achar Cruise um ator com recurso, e essencialmente curtir o tipo de cinema que ele faz, tenho que dizer que não fiquei impressionado com o último sci-fi do ator, o mediano Oblivion, de modo que estava mais interessado em esperar por outra bobagem divertida como Missão: Impossível ou um bom thriller ao estilo Operação Valquíria.
Mas acabou que no meio da semana, sem que houvessem estreado Vizinhos ou Como Treinar seu Dragão 2, eu me vi sem lá muitas opções, de modo que acabei no cinema para encarar o longa metragem estrelado por Cruise e Emily Blunt.
O resultado?
No Limite do Amanhã abre com um recorte de trechos de noticiários que rapidamente ilustram uma invasão alienígena. A raça extraterrestre conhecida como Mímicos (Que parecem polvos metálicos estilo os sentinelas de Matrix, mas depois de cheirar cocaína e tomar redbull) chega à Terra em um asteroide que cai em Hamburgo e imediatamente começa a sobrepujar a raça humana, matando milhares e avançando pelos territórios da Europa em direção à Ásia e à América.
Para a humanidade tentar equilibrar o confronto com esses inimigos ferozes, cientistas elaboram um exoesqueleto balístico chamado de "Jaqueta", que não parece estar funcionando lá muito bem, até que, na batalha de Verdum, a sargento Rita Vrataski (Emily Blunt, bonita e durona estilo Ripley) mata milhares de Mímicos em combate, garantindo a vitória e se tornando a garota-propaganda dos esforços de guerra, sendo apelidada de Anjo de Verdum, e "Full Metal Bitch".
Encorajados por essa vitória, a coalizão terráquea planeja um ataque maciço à Europa na esperança de retomar o continente antes que os alienígenas cheguem à Grã Bretanha, é pouco antes desse ataque que conhecemos William Cage (Tom Cruise, comprometido como sempre), ex-publicitário transformado em relações públicas do exército, após chantagear um oficial superior na tentativa de evitar o front, ele acaba rebaixado e colocado na linha de frente do combate no Pelotão J liderado pelo sargento Farell (Bill Paxton, hilário).
Completamente incompetente em combate, Cage entra no campo de batalha durante uma emboscada Mímica sem saber nem mesmo destravar o armamento de seu exotraje, numa ótima sequência de batalha.
Infelizmente, inepto e apavorado como ele só, Cage acaba morrendo no campo poucos minutos após o desembarque, mas, devido a um misterioso loop temporal, ele desperta no dia anterior ao combate que tomou sua vida!
Cage revive o mesmo dias vez após vez, sempre morrendo em combate, incapaz de convencer qualquer pessoa de sua condição.
Eventualmente ele encontra Rita Vrataski durante a contenda, e com a ajuda dela, Cage continua a reviver o dia de sua morte repetidas vezes, sendo morto novamente de formas diversas e constantes, mas a cada uma delas se tornando um pouco menos inútil, aprendendo novas formas de sobrevivência e refinando suas técnicas de combate para tentar se tornar o trunfo necessário para a vitória humana na guerra.
É muito bom.
O filme tem algumas reviravoltas e detalhes que eu obviamente mantive em segredo no resumo acima pra não estragar a surpresa de ninguém, inclusive porque esses "twists" na trama são parte da graça e estão muito bem amarrados no roteiro de Chritopher McQuarrie e John e Jez Butterworth (baseado no romance All You Need is Kill, de Hiroshi Sakurazaka), e eu sei, que a primeira vista, poderia-se sintetizar No Limite do Amanhã como uma mistura de Feitiço do Tempo com Tropas Estelares, mas acredite, é exatamente isso, e não tem nada de errado com a referência.
No Limite do Amanhã tem vários acertos, da bela fotografia aos ótimos efeitos visuais, passando pela direção competente de Doug Liman (Deixando pra trás porcarias como Sr. e Sra. Smith e Jumper), mas talvez o principal seja o fato de não se levar excessivamente a sério, e assumir sua condição de matiné descompromissada sem perder a esperteza.
Outro trunfo do filme está no bom elenco (que tem Brendan Gleeson e Noah Taylor) e no personagem de Tom Cruise.
Seu William Cage foge do estilo exterminador sorridente habitual do ator. Sai a coragem fria e estoica, o físico prodigioso, e entra um covarde egoísta e cagalhão que só faz bobagem na primeira vez em que pisa num campo de batalha e que frequentemente caga tudo, se machuca e morre quando tenta alguma inovação em seus dias repetidos, numa inversão interessante do script, o papel de super guerreiro fodelão cabe a Emily Blunt, que manda muito bem, obrigado.
Esse frescor e o espaço para essa veia cômica pouco explorada do ator (que encontrou seu ápice em Trovão Tropical, mas também apareceu em Jerry Maguire e Rock of Ages, todas interpretações acima da média de Cruise) já valeriam o ingresso, mas felizmente o roteiro e a direção ajudam, e o garoto-propaganda da Cientologia não precisa carregar o filme nas costas.
Com belas cenas de batalha, tensas, sujas e bagunçadas (que contrastam com o estilo videogame do morra e tente de novo, especialmente nas primeiras, quando Cage está em pânico quase todo o tempo), um roteiro que não trata a plateia como imbecil, No Limite do Amanhã merecia melhor sorte nas bilheterias, se segura bonito sem querer virar franquia, e faz um belo trabalho ao entreter por 113 minutos que jamais parecem perdidos.
Assista no cinema, vale horrores a pena.
"-Eu não sou um soldado.
-Claro que não. Você é uma arma!"
terça-feira, 17 de junho de 2014
Rapidinhas do Capita
Final de Temporada de Game of Thrones
E terminou a quarta temporada de Game of Thrones, adaptação televisiva da série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin.
Houveram alguns momentos bastante memoráveis na temporada que se encerrou domingo, provavelmente o julgamento por combate de Tyrion Lannister (Peter Dinklage), com a luta entre seu campeão, Oberyn Martell (Pedro Pascal), a Víbora Vermelha e Gregor Clegane (Julius Bjornsson, terceiro intérprete do personagem, após Conan Stevens e Ian Whyte), A Montanha que Cavalga foi o ápice da série nesse ano 4, mas não foi o único.
A batalha da Patrulha da Noite contra os selvagens de Mance Rayder foi muito bem intencionada, ainda que tenha carecido da grandiosidade do evento no livro, mesmo assim, foi menos brochante do que a Batalha do água Negra (originalmente uma guerra entre dois numerosos exércitos, e na série ficou parecendo uma briga de bar), mas nem tudo foram rosas, porém.
À medida em que a história se desenrola, a série vai tomando um rumo cada vez mais afastado dos livros. Mortes como a de Jojen Reed (Thomas Brodie Sangster), Grenn (Mark Stanley) e Pyp (Josef Altin), são claramente tentativas de reduzir o número de coadjuvantes da série já que, se for seguir os acontecimentos do livro, a próxima temporada terá diversos novos personagens.
Pior do que isso, alguns eventos e personagens interessantes dos livros foram simplesmente ignorados na atual temporada. Nada do sujeito conhecido como Mãos Frias. Nem sinal de Lady Coração de Pedra. Brienne matando o Cão de Caça? Foi-se por terra todo o mistério sobre a origem de Sor Robert Strong, e, talvez o maior equívoco do episódio:
Onde foi parar a conversa de Jaime e Tyrion sobre o destino de Tysha?
Pra quem não lembra, Tysha foi a jovem com quem Tyrion casou em segredo na juventude. Nos livros, após ajudar Tyrion a fugir, Jaime faz uma revelação bombástica a respeito de Tysha, e é essa revelação que faz com que o Duende vá aos aposentos de seu pai, e encontre Shae.
Bueno... Sem essa revelação, então porque diabos do inferno Tyrion foi até o quarto de Tywin? Se ele queria se vingar de alguém, era muito mais lógico que fosse atrás de Cersei, que tem tentado matá-lo desde a primeira temporada...
De qualquer forma, o saldo final da temporada não foi negativo, muito antes pelo contrário, mas devo dizer que, pra mim, a cada ano que passa, os livros se tornam melhores do que o programa. Duvida?
Leia e tire a prova.
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E olha só que maluquice. Foi confirmado que Jason Momoa será o intérprete de Aquaman no vindouro Batman v Superman - Dawn of Justice, filme que unirá Superman, Batman e apresentará a Mulher-Maravilha além de preparar o terreno para o filme da Liga da Justiça.
Momoa, (que na minha opinião tem muito mais pinta de Lobo e até de Caçador de Marte) se junta a Henry Cavill (Superman), Ben Affleck (Batman), Gal Gadot (Mulher Maravilha), Ray Fisher (Ciborgue), Jesse Eisenberg (Lex Luthor) e Jeremy Irons (Alfred) no longa metragem que deve ser lançado em maio de 2016.
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E Harrison Ford, o Homem mais próximo de Deus, que recentemente fraturou o tornozelo nas gravações de Star Wars - Episódio VII, pode ficar oito semanas fora das filmagens do longa de J. J. Abrams.
Apesar da ausência do ator septuagenário, as filmagens devem seguir conforme o cronograma.
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