Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
Pesquisar este blog
sábado, 17 de dezembro de 2016
Castigo
Há exatos dez anos atrás, em um domingo pela manhã, o Internacional batia o Barcelona, então melhor time do mundo, que tinha em seu elenco o melhor jogador do mundo, e galgava o mais alto degrau da glória esportiva possível a um clube de futebol:
A Copa do Mundo de Clubes da FIFA.
Foi com um gol do odiado Adriano Gabiru, que entrara sob os olhares aflitos de todos os colorados do Rio Grande no lugar de Fernandão, o capitão colorado, ídolo de 99 em cem peles-vermelhas, que o Internacional alcançou sua maior glória lá nas bandas de Yokohama.
Uma década depois de alçar seu voo mais alto, o Internacional de hoje é um clube em frangalhos.
Com uma direção de soberbos que se perpetuou no poder e monta times dizendo amém para empresários recheando a enxovalhada camisa escarlate com "jogadores de futebol" que, de tão pesadas as aspas ao redor do título, passaram os últimos dez meses se arrastando em campo, e arrastando à tira-colo a torcida colorada rumo ao abismo da série B.
Não se alimenta jumento com pão de ló, e infelizmente foi exatamente o que a direção do Internacional fez em anos recentes.
Fosse por segundas intenções ou incompetência, os alto gabinetes do Beira Rio se tornaram o matadouro das aspirações do clube. O tempo do jogador bom e barato foi-se pelas esteiras da história, sendo substituído pelo ruim e caríssimo que ocupa sete em onze posições da escalação a cada jogo.
A soberba que levou o Beira-Rio do pobre de chinela se descabelando de pé no concreto da arquibancada a se tornar o templo dos endinheirados bem vestidos sentados na cadeira de plástico vermelho enquanto faz autorretrato com smartphone pra postar na rede social cobrou seu preço.
O zé das couves que carregava tijolo em carrinho de mão pra erigir o estádio foi substituído pela loira maquiada com esmero às quatro da tarde de domingo ou o gurizão cheio de gel no cabelo com uma camiseta da Nike de 350 reais, porque estes tipinhos paga mais caro pra ir ao jogo e compartilhar no facebook.
É mais lucrativo.
E menos eficaz.
O Internacional tem a terceira melhor média de público do brasileirão, mas o estádio não pulsa.
Não vibra.
Não ruge.
Não joga.
A organizada composta por moleques de dezessete anos canta suas musiquinhas e saltita atrás das goleiras com efeito zero. São marionetes de alguém. O futebol é secundário. Estão lá pra apoiar.
Não importa o que acontece em campo. Nem olham o jogo.
Apoio incondicional dá nisso.
Os burros criados a pão de ló acham que estão agradando.
Esquecem como é ser criticado. Se ouvem apupo dos mais exigentes, que querem bom futebol, cérebro funcional ou um mínimo de empenho, se ofendem.
Chamam a imprensa e fazem declaração. Lançam nota oficial.
Nota oficial de jogador de futebol é o fim da várzea.
Jogador ofendido porque ouviu vaia, idem.
Foi o que o Internacional erigiu em anos recentes. Lá se vão seis anos desde a última conquista de peso.
O clube só se apequenou nesse tempo.
Enxotou o povo do clube do Clube do Povo porque vende melhor ser "Campeão de Tudo".
Mais status.
O grupo que vem gerindo o Internacional em anos recentes cometeu todos os equívocos que a soberba e a ganância permitem cometer, e o rebaixamento é castigo plenamente merecido pra eles, que venderam a alma Colorada à série B por doze moedas de prata.
É uma pena que a torcida tenha que ir junto.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Resenha Cinema: Rogue One: Uma História Star Wars
Eu assisti Star Wars pela primeira vez, provavelmente com sete anos de idade, quiçá menos.
Acredito que o filme tenha passado numa Tela Quente da vida, ou algo que o valha, pois me lembro de que ele passou à noite, e não me lembro se eu já frequentava a escola porque me lembro de ter visto a chamada do filme na TV pela manhã. Mas eu não sei... Talvez eu estivesse de férias. Talvez fosse de tarde e eu não me lembre... As memórias colaterais da infância são nubladas depois de quase trinta anos.
Eu vou confessar que eu nem mesmo sei se terminei de assistir ao filme nessa primeira vez. Eu realmente não tenho memórias disso. Não consigo nem definir se o que assisti foi Guerra nas Estrelas, O Império Contra-Ataca ou O Retorno de Jedi, que eram os nomes dos filmes, então.
O que eu sou capaz de me lembrar, é de ter desenhado, com meu melhor traço à época, uma vilanesca figura negra com capacete de caveira e uma espada laser vermelha, e um herói de branco com uma espada laser verde...
Tenho quase certeza de que desenhei aquele Luke genérico de capa... Eu era criança e, na minha mente, capas eram parte importante da indumentária heroica, pergunte a qualquer kryptoniano.
O que também tenho quase certeza de ter feito é ter brincado de Guerra nas Estrelas. Tanto personificando algum personagem, quanto com brinquedos.
Os brinquedos de Guerra nas Estrelas eram anunciados pelo palhaço Bozo em seu programa matutino. Figuras de ação, que eu adorava, e os veículos que, vou confessar, não me despertavam grande interesse na tenra infância.
Que idiota eu era.
De toda a sorte, eu me lembro de ter ganho, ao menos um Chewbacca em um natal. Me lembro claramente de tê-lo mostrado à minha mãe antes de dormir. Era um boneco pequeno, pouco articulado, e, francamente bem sem-graça.
É engraçado porque, muito pequeno, e sem grande acesso à informação, eu não me apeguei tanto a Star Wars. Eu assisti o filme, brinquei um pouco, e meio que esqueci... Apenas anos mais tarde, já adolescente foi que eu reafirmei meu compromisso para com a saga.
Em 1997, quando George Lucas lançou as versões remasterizadas dos então Episódios IV, V e VI, eu fui ao cinema para revê-los,
E vou confessar, os filmes me pegaram de novo, se tornando parte indelével da minha memória afetiva e ganhando cadeira cativa nas minhas preferências.
Comprei livros, quadrinhos, memorabília, aluguei os filmes quando de seu lançamento em VHS e apresentei Star Wars ao meu irmão mais novo da maneira que eu gostaria que ele me tivesse sido apresentado.
Fui ao cinema assistir à trilogia prequel, à exceção de A Ameaça Fantasma, que vi direto em home-video, joguei os games, li os livros, ouvi os CDs, e joguei o RPG acrescentando meu próprio scroll de letras à saga espacial, me esforçando para tornar meus amigos jedi, senadores idealistas, pilotos ases, dróides e contrabandistas à sombra do Império.
Ano passado, na estréia de O Despertar da Força, eu estava no cinema trajando um garboso traje de Jedi misturando a roupa de Qui-Gon Jinn em Episódio I e a de Luke Skywalker em Episódio VI, faceiro feito guri de kichute novo para reencontrar, feliz da vida, uma das minhas mais longevas memórias infantis.
E ontem, de maneira muito mais sóbria, usando trajes civis, eu fui ver a estréia de Rogue One: Uma História Star Wars, o longa que conta a história de como a Aliança Rebelde obteve os planos da Estrela da Morte.
No longa acompanhamos Jyn Erso (Felicity Jones), filha de Galen Erso (Mads Mikkelsen), um cientista de quem foi separada ainda na infância, quando ele foi cooptado pelo diretor de desenvolvimento de armas do Império Galáctico, Orson Krennic (Ben Mendelsohn) para ajudar na criação de sua arma definitiva.
Criada pelo militante rebelde e veterano das Guerras Clônicas Saw Guerrera (Forrest Whitaker), Jyn cresceu para se tornar uma criminosa dura e arredia, lutando por sua sobrevivência e liberdade sem jamais ter-se dado o luxo de ideologias políticas.
Isso muda quando a Aliança Rebelde descobre que Guerrera foi procurado por Rook Bodhi (Riz Ahmed), um piloto imperial desertor que afirma possuir informações a respeito da última criação de Galen Erso.
O problema é que os métodos de Guerrera são extremos demais até para os rebeldes, que sabem que não serão recebidos pelo militante se não tiverem um trunfo.
Esse Trunfo é Jyn e seu passado em comum com o veterano.
Libertada da prisão pelo capitão Cassian Andor (Diego Luna), um frio assassino à serviço de Mon Mothma e Bail Organa (Jimmy Smits) e por K-2SO (Alan Tudyk), um dróide imperial reprogramado que é uma mistura de R2-D2 e C-3PO temperado com instinto assassino e uma sinceridade alarmante, Jyn é recrutada por Mothma (Genevieve O'Reilly) para intermediar um encontro com Guerrera e garantir que a Aliança possa partilhar as informações de Bodhi e saber o que é a tal arma imperial.
Não tarda para que Jyn descubra que seu pai ainda vive e é o principal engenheiro da arma chamada de Estrela da Morte, e para que sua missão logo se torne uma tentativa de resgatar seu pai e descobrir uma forma de neutralizar o abominável engenho de destruição em massa.
Juntam-se a Jyn, Cassian, Bodhi e K-2SO o monge jedaísta cego Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e seu fiel companheiro e guardião, o especialista em armas Baze Malbus (Wen Jiang).
É a esse pequeno grupo de renegados que cabe enfrentar a máquina de guerra imperial, procurando desesperadamente por uma forma de impedir que a rebelião seja obliterada pelo invento de Galen Erso na mais fundamental missão da Aliança Rebelde até então.
É muito difícil, pra mim, avaliar um Star Wars apenas como filme, mas enquanto filme, Rogue One é muito bom.
Sob diversos aspectos o longa dirigido por Gareth Edwards, do último Godzilla é, de fato, muito superior a O Despertar da Força, e à trilogia Prequel.
Há um senso de urgência em toda a missão de Erso e companhia que é quase inédita em termos de Star Wars, o que é notável considerando que todo mundo sabe que, no final das contas é uma missão bem sucedida.
Ainda assim, é difícil não sentir uma pontada de aflição conforme os percalços se empilham no caminho do grupo, e muito do mérito disso está no trabalho de Edwards.
O diretor trabalha tão bem quanto possível o script de John Knoll, Gary Whitta e Chris Weitz que passou por diversas refilmagens e foi parcialmente reescrito por Tony Gilroy para chegar ao tom que a Disney queria para o longa metragem, tornando um filme cujo histórico por trás das cenas sugeria uma bagunça ao estilo Esquadrão Suicida em uma história coesa e uniforme apesar do desenvolvimento ligeiro ao estilo ponto A a ponto B, ponto B a ponto C...
Se as refilmagens e versões múltiplas do roteiro prestam algum desserviço de fato, é aos personagens.
Rook Bodhi, Chirrut Îmwe, Baze Malbus e o dróide K-2SO são personagens gostáveis e redondinhos em sua coadjuvância, Orson Krennick é um vilão entediado ao melhor estilo burocrata tentando ascender na cadeia de comando da "firma", e Saw Guerrera é uma interessante inversão dos vilões meio homem-meio máquina de Star Wars (com pernas biônicas e um respirador artificial é difícil não relacionar Guerrera a Vader e Grievous na tradição "mais máquina que homem" da saga, mas do lado do bem), mas não dá pra não pensar que Cassian Andor e Jyn Erso tinham mais a oferecer.
Andor especialmente por mostrar um lado pouco explorado da Aliança Rebelde: O das pessoas que aceitaram o pragmatismo de uma guerra suja e não estão exatamente em paz com suas consciências após anos de decisões difíceis e escolhas moralmente reprováveis.
Jyn Erso, por sua vez, foi apresentada nos trailers como uma tremenda casca-grossa com problemas de confiança e dificuldade em lidar com hierarquia, mas, no filme, se tornou uma mocinha com questões não resolvidas com o papai e que mesmo pesando uns 50 quilos ainda é capaz de derrubar stormtroopers a pancadas (e depois dos ewoks, quem sou eu pra duvidar?) e cuja história prévia com Krennic dá ao seu arco uma cara sonolenta de vingança.
Jyn e Cassian mereciam ser mais desenvolvidos, inclusive para que a sua relação fosse melhor desenvolvida, ainda assim, Diego Luna e Felicity Jones são bons atores, e certamente fazem o seu melhor com o que têm.
As batalhas aéreas são excelentes tanto no espaço quanto dentro da atmosfera dos planetas e não falta pancadaria pra todos os gostos. A produção de arte e o design de produção são caprichados, emulando com competência tudo o que já vimos naquela galáxia bem, bem distante, e oferecendo vislumbres de admiráveis mundos novos, mas a trilha sonora, pecado imperdoável para a franquia, é absolutamente esquecível.
O CGI é bastante competente, e apenas as recriações do Grão Moff Tarkin de Peter Cushing (interpretado digitalmente por Guy Henry) e da jovem Leia Organa (Ingvild Deila) destoam, parecendo personagens de vídeo-game no meio de um live action, mas isso é compensado pela presença de Darth Vader, em toda a sua glória malvada com direito até à voz de barítono do octogenário James Earl Jones, que é utilizado com parcimônia, aparecendo apenas um par de vezes com a pompa que o vilão mais maneiro do cinema merece.
Rogue One: Uma História Star Wars é um bom filme, um programa divertido e um raro caso de filme de Star Wars que provavelmente agradaria à uma audiência formada por não-fãs.
Enquanto admirador de cinema, Rogue One me agradou bastante, ainda assim, não pude deixar de sentir um certo vazio ao final do filme, quando me dei conta de que, no espaço de mais ou menos um ano, eu assisti a dois filmes inéditos de Star Wars...
Uma palpável sensação de que, o que antes seria um evento, se tornou algo banal.
Ainda assim, é Star Wars.
E certamente vale a ida ao cinema.
"Rebeliões são construídas com esperança."
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Resenha Cinema: Animais Fantásticos e Onde Habitam
Conforme testemunha meu atraso de quase um mês para assistir Animais Fantásticos e Onde Habitam, eu não sou um grande fã de Harry Potter.
Eu não li os livros, e ainda que tenha assistido a todos os filmes, a maioria deles no cinema, a verdade é que jamais foi, pra mim, um programa obrigatório.
Não me lembro se foi A Pedra Filosofal ou A Câmara Secreta, mas um desses filmes eu vi no cinema apenas porque sabia que ele seria precedido pelo trailer de O Senhor dos Anéis: As Duas Torres.
E se assisti na estréia a todos os filmes de O Cálice de Fogo em diante, foi porque meu irmão, esse sim, um declarado fã da obra de J. K. Rowling, me obrigava a acompanhá-lo.
Ainda assim, confesso que os trailers de Animais Fantásticos me deixaram curioso com relação ao filme, e se não fui assisti-lo antes, foi mais por incompatibilidade de horários, já que a grade de exibição dividida entre dublados e legendados quebra as pernas de qualquer um.
Apenas ontem fui ver a aventura de Newt Scamander, que, conforme fui informado anos atrás, era um magizoologista respeitadíssimo por seu trabalho catalogando criaturas mágicas em seu famoso guia que empresta nome ao filme.
No longa acompanhamos a chegada de Scamander (Eddie Redmayne) a Nova York na década de 20. Ele chega à grande maçã trazendo consigo apenas uma mala.
Sua bagagem, porém, na melhor tradição da T.A.R.D.I.S. é bem maior do que aparenta por fora, e está repleta de animais fantásticos.
Bestas mágicas desconhecidas pela população em geral, e temidas pelos bruxos às quais Scamander dedica-se a proteger.
Esses seres, porém, não são os mais comportados, e estão esperando apenas uma oportunidade para sair da mala de Newt e explorar seus arredores.
É quando uma dessas criaturas, um pelúcio (um tipo de ornitorrinco extremamente ágil com predileção por coisas brilhantes), escapa da mala de Newt perto de um banco que o caminho dele se cruza com o do aspirante a confeiteiro Joseph Kowalski (Dan Fogler).
Após uma confusão dentro do banco, as malas de Newt e Joseph se trocam, e antes que o bruxo possa desfazer a confusão, ele é preso por Tina Goldstein (Katherine Waterston), uma ex-auror a serviço da MACUSA (Congresso Mágico dos Estados Unidos da América, na sigla em inglês) tentando recuperar seu posto em um momento onde o delicado equilíbrio entre os segredos do mundo dos feiticeiros e os não-majs (modo como os americanos chamam os Trouxas) é ameaçado por ataques de um bruxo anarquista chamado Grindenwald, que desencadeou as manifestações de pessoas chamadas de Nova Salemitas, que se dedicam a expôr e caçar os magos, pessoas como Mary Lou Barebone (Samantha Morton), que se dedica a adotar crianças e colocá-las na linha de frente de sua cruzada.
Não tarda para que Newt, Dan, Tina e sua irmã Queeni (a gatinha Alison Sudol) se vejam até o pescoço na tentativa de recuperar as bestas mágicas enquanto são caçados pelo auror Graves (Colin Farrell), um bruxo cheio de segredos que tenta usar o filho de Mary Lou, Credence (Ezra Miller), para encontrar uma criança que pode se tornar uma arma poderosíssima.
Eu sei, parece um bocado de trama pra cobrir em um filme de pouco mais de duas horas, e é mesmo.
Alguns personagens são subaproveitados, perguntas ficam sem resposta, e subtramas são mal-resolvidas, mas isso é o de menos.
Animais Fantásticos deve ser uma série de cinco longas, e esse é apenas o primeiro.
O importante é que o roteiro de J. K. Rowling, a idealizadora do universo de Harry Potter pela primeira vez escrevendo um script, está repleto de todos os ingredientes que tornaram o menino bruxo um fenômeno capaz de fazer uma geração de imbecis ler calhamaços de quinhentas páginas sem gravuras.
Animais Fantásticos e Onde Habitam não é um filme que vá mudar a vida da audiência, nem tampouco é uma obra cinematográfica singular, ainda que haja um trabalho esmerado do departamento de arte, um roteiro competente o bastante (inclusive traçando paralelos entre a tensão entre bruxos e não-majs e a Lei-Seca e a ascensão da Ku-Klux-Klan), uma direção bastante segura do veterano do universo Potter David Yates e um elenco cheio de talento em todos os papéis (Além de Redmayne, Waterston, Fogler e companhia ainda há John Voigt, Ron Perlman, Carmen Ejogo, Zöe Kravitz e Johnny Depp), o filme está fadado a viver na sombra da multi-bilionária franquia original, e não tem atributos que o façam se destacar entre outros bons blockbusters de verão, mas a verdade é:
Quem liga?
Os fãs de antigos têm uma oportunidade de revisitar o universo que amam, e velhos amargurados que não gostam de crianças protagonistas iguais a mim podem ver o mundo de Harry Potter por outro prisma. Um que, devo dizer, me pareceu até mais interessante.
Eu não vou mais ser um trouxa. Quando Animais Fantásticos 2 for lançado, eu não esperarei um mês para assistir ao filme.
Certamente vale a ida ao cinema.
"-Vamos recapturar minhas criaturas antes que se machuquem. Nesse momento elas estão em terreno estranho, cercada por milhões das mais cruéis criaturas do planeta: Humanos."
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Resenha DVD: A Lenda de Tarzan
Eu acho que a maioria das pessoas não tem a idade nem o background nerd necessários para lembrar dos tempos em que o SBT tornou a sua sessão de filmes vespertinos no sábado à tarde um festival Tarzan.
Entrava semana, saía semana e tu podia apostar dinheiro que passaria ao menos um filme sobre o rei das selvas no Cinema em Casa, ou qual fosse o nome daquela hora de filmes. Ás vezes era um Tarzan e alguma outra coisa, A Fantástica Fábrica de Chocolate, ou Cama Ardente, ou AIDS: Aconteceu Comigo, Z: o Ataque dos Dobermanns... Mas não era raro passarem dois filmes de Tarzan em sequência, geralmente sem nenhuma conexão um com o outro exceto o personagem central e a ambientação africana, estrelado por atores diferentes interpretando o rei dos macacos em aventuras que, obrigatoriamente envolviam nadar em um rio e lutar contra um crocodilo de borracha em algum momento.
Meu Tarzan favorito, porém, era o de Greystoke: A Lenda de Tarzan, interpretado por Christopher Lambert em um filme que, eu admito, era pretensioso pra danar, mas me agradava bastante.
Quando ouvi falar que haveria uma nova versão em live action de Tarzan, confesso que fiquei bastante surpreso.
Por mais que a forma de Hollywood fazer filmes hoje em dia seja basicamente requentar ideias que já foram usadas com sucesso no passado, ou adaptar histórias que estão no coração e mente das pessoas, o atual momento que vivemos em termos de sociedade e a sensibilidade politicamente correta que se instalou na mídia me pareciam olhar com cara de reprovação e balançando a cabeça para uma história onde um nobre inglês branco cresce na África para se tornar o defensor dos povos nativos e o rei dos animais.
Olhando as críticas a filmes de qualquer tipo nos dias de hoje, vê-se que muitos especialistas parecem mais dispostos a criticar um filme por ele ter um homem caucasiano no papel de protagonista do que por sua qualidade enquanto filme.
Pouco tempo após o lançamento de Doutor Estranho li uma resenha onde a jornalista falava que não aguentava mais histórias sobre "um homem branco destinado a salvar o mundo", imagine a reação dessa jornalista à história de um homem branco ganhando domínio sobre a natureza e sendo o salvador dos povos da África? Ela provavelmente rolaria os olhos e sofreria uma síncope.
Eu não sou tão politicamente correto.
Tentei ver A Lenda de Tarzan no cinema, e só não o fiz, de fato, porque não encontrei horários legendados que coubessem na minha agenda (a proliferação de filmes dublados e a falta de educação e civismo dos frequentadores eventuais vão me fazer parar de ir ao cinema de vez ou matar alguém durante um filme), mas esperei ansioso que o filme fosse lançado em DVD (é, eu ainda alugo DVD) e no sábado, finalmente consegui alugá-lo.
O longa dirigido por David Yates (dos últimos quatro filmes da franquia Harry Potter e Animais Fantásticos) abre com um breve recordatório sobre a colonização belga no Congo (para quem não está familiarizado com a História da África, a Bélgica, esse insuspeito país do qual lembramos apenas pelo chocolate e pelo cabelo do Marouane Fellaini, protagonizou um dos mais cruéis capítulos da colonização européia no continente).
O rei Leopoldo, ansioso por obter lucro com a exploração do país africano, rico em marfim e minério, se enterrou em dívidas, e precisa urgentemente de dinheiro para pagar seus débitos e manter sua máquina extrativista funcionando protegida por seu exército regular e seus mercenários.
Para isso, ele envia seu mais fiel agente ao Congo. Leon Rom (Christoph Waltz), que tem a missão de adentrar as partes mais sinistras da região em busca dos diamantes de Opar.
O líder tribal chefe Mbonga (Djimon Honsou) está disposto a fazer um trato com Rom. Ele oferece os diamantes Opar em troca de seu inimigo jurado:
Tarzan.
A questão é que Tarzan não existe mais.
Após ter sido criado por gorilas nas florestas congolesas depois de ter perdido seu pai e sua mãe, John Clayton III, lorde de Greystoke (Alexander Skarsgård) retornou à Londres, assumiu uma cadeira na câmara dos lordes e vive confortável e civilizadamente na propriedade Greystoke com sua esposa Jane Porter (Margot Robbie).
Quando outros nobres ingleses lhe transmitem o convite de Leopoldo para que Graystoke viaje ao Congo como emissário diplomático britânico e veja as benesses que os Belgas estão construindo para os nativos no país, o primeiro impulso de Clayton é negar o convite, entretanto, ele é persuadido a mudar de ideia por George Washington Williams (Samuel L. Jackson), um observador norte-americano que tem razões para crer que Leopoldo e os Belgas estão cometendo todo o tipo de atrocidades no Congo, incluindo escravidão, mas não tem provas e nem tampouco convite para viajar ao país africano, algo que pode conseguir se acompanhar Greystoke.
Se John Clayton estava reticente em voltar ao continente negro, Jane é toda entusiasmo em retornar ao convívio das pessoas com quem conviveu durante seu período como missionária, e se inicialmente ele planejava mantê-la sã e salva em Londres durante a viajem, logo fica claro que voltar à África sem Jane não é uma opção.
Logo John Clayton, Jane e George chegam ao Congo, reatando antigos laços sem saber que estão entrando em uma armadilha e que a única forma de livrar os nativos do jugo sanguinário de Leopoldo pode ser com o retorno de Tarzan.
Eu gostei do filme.
No geral, o longa tem alguns problemas de edição, mas nada que atrapalhe o desenvolvimento da trama. As atuações são OK, embora Waltz pareça estar reprisando Hans Landa toda a vez que faz um vilão, ele continua sendo extremamente carismático, e seu grande problema é não convencer como uma ameaça física ao bombado Tarzan de Skarsgård, que, por sinal, tem uma expressão facial tão dura quando seus abdominais, mas encontra guarida na abordagem de nobre inglês para sua impassividade fleumática, já Margot Robbie é tão convincente como uma dama de 1890 quanto eu sou.
A deliciosa australiana interpreta Jane em modo Século XXI, atrevida, respondona, inteligente e independente.
Por sinal, essa necessidade que o roteiro de Craig Brewer e Adam Cozard tem de, o tempo todo, se desculpar com um "veja bem", é um dos defeitos mais chatos do longa.
Volta e meia alguma coisa acontece para reforçar a posição dos nativos africanos como iguais de Tarzan, e não seus súditos, ou para mostrar que Jane não é uma donzela em perigo, e sim uma mulher independente e cheia de recursos, ou até para mostrar que Tarzan não é o rei dos macacos, mas apenas mais um na côrte de seus irmãos gorilas.
O roteiro se desculpa o tempo todo por ter um salvador branco e patriarcal, e isso é muito chato. Se o filme abraçasse de vez a obra de Edgar Rice Burroughs talvez o longa andasse a distância que separa uma boa matinê de um ótimo filme, mas o longa parece ter medinho de se assumir, e com isso, ele fica no meio termo.
Não me entenda errado, não há nada de intrinsecamente ruim em A Lenda de Tarzan, que, no geral, é um bom filme. A ação é competente, os efeitos especiais são bons, o elenco é bacana... O grande senão é que há um baita filme em A Lenda de Tarzan, mas por várias razões, ele nos é sonegado, e isso é uma pena.
Ainda assim, o longa se junta a Greystoke na minha lista de filmes de Tarzan favoritos, e certamente ele ainda vale a locação.
"Ele é Tarzan. Você é Jane. Ele virá."
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
O Trailer de Homem-Aranha: De Volta ao Lar
E conforme prometido, na madrugada de hoje a Sony divulgou o trailer de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, primeiro filme solo da versão Marvel Studios do herói teioso que fez sua estréia em Capitão América: Guerra Civil. Mais do que isso, a Sony divulgou duas versões distintas do trailer, uma focando mais na parte super-heroica do longa e na relação aluno & aprendiz de Peter Parker (Tom Holland) com Tony Stark (Robert Downey Jr.), e outra que mostra um pouco mais da rotina escolar do herói. É essa versão, da qual eu gostei mais, que está aqui embaixo, e onde podemos ver tia May (Marisa Tomei), Ned Leeds (Jacob Batalon) e Liz Allen (Laura Harrier), além, claro, de Michael Keaton como o Abutre. Confira: Dirigido por Jon Whatts, Homem-Aranha: Volta ao Lar estréia em 7 de julho de 2017, o roteiro é de Jonathan Goldstein e John Francis Daley, além de Christopher Ford, Chris McKenna, Erik Sommers e do próprio Watts.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
O Novo Trailer de Guardiões da Galáxia: Volume 2
Além do espetacular trailer da sequência de The Last of Us, no sábado ainda caiu na rede o segundo trailer de Guardiões da Galáxia: Volume 2.
A prévia dispinibilizada pela Marvel dá mais vislumbres de Rocket Racoon (Bradley Cooper) e de Baby Groot (Vin Diesel), que rouba a cena em meio aos flashes de uma grande luta entre a equipe e um polvo alienígena gigante. Além disso, o trailer ainda apresenta a personagem Mantis, confira:
Novamente dirigido por James Gunn, Guardiões da Galáxia tem o retorno de praticamente todo o elenco original, Chris Pratt, Zoe Saldaña, Dave Bautista, Michael Rooker, Bradley Cooper, Vin Diesel, Karen Gillian e outros, entre os novos nomes do elenco está a dupla de Tango & Cash, Kurt Russel e Sylvester Stallone. O longa estréia em 27 de abril.
A prévia dispinibilizada pela Marvel dá mais vislumbres de Rocket Racoon (Bradley Cooper) e de Baby Groot (Vin Diesel), que rouba a cena em meio aos flashes de uma grande luta entre a equipe e um polvo alienígena gigante. Além disso, o trailer ainda apresenta a personagem Mantis, confira:
Novamente dirigido por James Gunn, Guardiões da Galáxia tem o retorno de praticamente todo o elenco original, Chris Pratt, Zoe Saldaña, Dave Bautista, Michael Rooker, Bradley Cooper, Vin Diesel, Karen Gillian e outros, entre os novos nomes do elenco está a dupla de Tango & Cash, Kurt Russel e Sylvester Stallone. O longa estréia em 27 de abril.
Marcadores:
Cinema,
Nerd,
Quadrinhos,
super-heróis
domingo, 4 de dezembro de 2016
O Inacreditável Trailer de The Last of Us Parte II
Todos sabiam que The Last of Us, um dos melhores games já lançados em todos os tempos iria ganhar uma continuação.
No sábado, durante a Playstation Experience, o primeira trailer foi apresentado ao público, e rapaz...
Na prévia vemos Ellie (Ashley Johnson) tocando violão após o que parece ter sido um violento massacre que ela própria causou quando é questionada por Joel (Troy Baker).
Confira:
Impressionante como esse trailer, sozinho, é melhor do que vários games que eu já joguei... Os dois últimos Assassin's Creed inteiros, por exemplo...
Haja unhas pra aguentar a espera até o lançamento, cuja data ainda não foi anunciada.
No sábado, durante a Playstation Experience, o primeira trailer foi apresentado ao público, e rapaz...
Na prévia vemos Ellie (Ashley Johnson) tocando violão após o que parece ter sido um violento massacre que ela própria causou quando é questionada por Joel (Troy Baker).
Confira:
Impressionante como esse trailer, sozinho, é melhor do que vários games que eu já joguei... Os dois últimos Assassin's Creed inteiros, por exemplo...
Haja unhas pra aguentar a espera até o lançamento, cuja data ainda não foi anunciada.
Assinar:
Postagens (Atom)



