Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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quarta-feira, 28 de março de 2018
Eu Não Sinto Saudade
Saudade, não.
Não, não, obrigado.
Eu não sinto saudade.
Não quero, obrigado.
Que saudade é pra homens de envergadura moral inferior.
Para aqueles que "supõe' e "esperam", mas não sabem.
Não com certeza.
Saudade é para aqueles que hesitam diante do artífice do sanduíche no Subway.
E tu bem sabes que eu não sou dessa estirpe.
Não senhora...
Quando diante daquele sujeito de avental e touca eu declamo os ingredientes que me aprazem com assertiva galhardia.
Tal e qual Laurence Olivier diante da platéia.
É rápido, rasteiro e convicto.
Certezas firmes como a defesa do Milan dos anos 90.
Saudade é para pessoas de caráter dúbio.
Não, pra mim.
Não, obrigado.
Saudade é pra quem responde que "joga em qualquer uma", antes da pelada.
E eu, eu sou zagueiro.
Se o time precisar muito, faço a lateral ou a volância, mas friso que vai ser improviso.
Convicção, sempre.
Saudade, nunca.
Saudade é pra quem usa reticências e interrogações.
Pra quem se pergunta e aventa.
Eu afirmo.
Meus pontos são finais. Porque esse é o jeito certo.
Saudade, é o errado.
Não, senhora.
Não quero.
Que só sente saudade quem se ressente de ausência.
E pra mim, tu é sempre presença.
terça-feira, 27 de março de 2018
Resenha Série: Jessica Jones, Temporada 2, Episódio 10: Pork Chop
O capítulo anterior da segunda temporada de Jessica Jones, Shark In The BathTub, Monster In The Bed havia terminado com um panorama que poderia perfeitamente ser o ponto de partida para o final da temporada.
Jessica resolvera fazer a coisa certa e entregar sua mãe à polícia. Alisa não está de plena posse de suas faculdades mentais e representa um risco ao público e a si própria por conta de seus poderes e de sua instabilidade mental.
Encarcerá-la era a única decisão segura a se tomar, e, por mais que fosse amargo para Jess concordar com Pryce Cheng, ela sabia que ele estava certo.
Isso, porém, não impede a investigadora de se sentir uma bosta por ter entregue Alisa, ainda mais após perceber que os poderes de sua mãe representam uma série de imbróglios penitenciários (provavelmente um reflexo da Guerra Civil do Capitão-América, já que a Balsa volta a ser mencionada nesse episódio) pesados que não tornarão a passagem da ex-professora pela prisão das mais agradáveis.
Não ajudou o fato de Jessica descobrir que a única forma que Jeri Hogarth conseguiu de manter Alisa fora da super-prisão é entregar Karl Malus, e que o chefe de segurança responsável pelo encarceramento de Alisa, Dale Holiday (Brian Hutchinson) é um escroto abusivo.
Tudo isso deixa a heroína em uma tremenda sinuca, e dançando miudinho tentando encontrar uma forma de fazer sua mãe denunciar Malus, a quem ama de paixão, ao mesmo tempo em que tenta garantir que o cientista, que nos final das contas não é um mau sujeito, não caia nas mãos do governo e comece a fabricar super-soldados malucos para um complexo militar maligno.
Não é apenas a família Jones que tem problemas, porém.
A fixação de Trish com a IGH ganha contornos mais profundamente obsessivos cada vez que a ex-radialista esbarra em alguma coisa que lhe pareça um obstáculo.
Se Trish já não estava exatamente normal antes, após fazer lambança na sua chance de conseguir o emprego dos sonhos, descobrir que não tem mais seu precioso inalador e está a dois passos de uma crise de abstinência, após Alisa esfregar na cara da loira que tudo o que ela queria era ter poderes como Jessica Trish entra em modo berserker e resolve fazer qualquer coisa para encontrar Malus e levá-lo à justiça.
E é por aqui que todo o episódio começa a desandar.
Fica bastante claro que os roteiristas resolveram esticar a trama obrigando todos os personagens a tomarem as decisões mais imbecis possíveis porque, afinal de contas, há mais três episódios pra encher.
Tanto com Jessica seguindo Holiday quanto com Trish e Malcolm (que parece ter menos colhões a cada capítulo que passa...) em sua investigação mal ajambrada sobre o paradeiro de Malus, fica fácil perceber a mão dos roteiristas espremendo cada gota de drama gratuito possível nas cenas.
Falando em drama, Jeri faz uma descoberta, e novamente, Carrie Anne-Moss tem a chance de subir à ribalta e dar seu melhor. E, ainda que a eterna Trinity mantenha seu bom nível de atuação, e roube suas cenas, eu percebi uma coisa assistindo esse episódio:
Os escritores fizeram um trabalho tão compenetrado em desenhar cada personagem como um escroto monumental, que quando coisas ruins acontecem com eles, a audiência nem sequer liga. Não há como se compadecer desses personagens. No máximo pensar "Nossa, que chato. Mas ele merecia.".
Definitivamente, a equipe de escritores de Jessica Jones precisa de um filtro. As coisas não são binárias: Um personagem não precisa ser um clichê vazio ou um cretino odioso completo.
No final das contas Pork Chop é provavelmente o episódio mais frustrante da temporada devido à preguiça ou incompetência do roteiro, que coloca personagens idiotas tomando as mais inacreditáveis decisões possíveis.
A série ainda tem três capítulos pela frente. Vamos ver se as coisas se ajeitam.
"Estar dentro da casa de alguém é como entrar na sua cabeça. Podemos encontrar tudo aquilo de que têm orgulho. E tudo o que querem esconder."
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segunda-feira, 26 de março de 2018
Resenha Série: Jessica Jones, Temporada 2, Episódio 9: Shark In The Bathtub, Monster In The Bed
O episódio passado de Jessica Jones havia terminado com uma tentativa de assassinato e a perspectiva de que mamãe Jones fosse desmembrar mais alguém nesse capítulo.
Descobrimos, logo no comecinho de Shark In The Bathtub que o responsável pelos tiros que varreram a sede da Codinome Investigações era Pryce Cheng, que, como todos os outros personagens de Jessica Jones, é um completo escroto buscando vingança pela morte de seu amigo, estraçalhado por Alisa alguns capítulos antes.
Pryce, porém, erra todos os tiros, mostrando que, além de cagalhão, é incompetente, uma péssima combinação que leva à uma luta no corredor (claro), provavelmente a pior luta no corredor da história da Marvel/Netflix, já que é essencialmente apenas Alisa batendo Cheng contra as paredes.
Com o investigador devidamente nocauteado e amarrado numa banheira, chega o momento de Jessica contemplar as possibilidades de futuro ao lado de sua mãe homicida, com direito a Alisa fazendo um curativo na filha com uísque e fita adesiva e Jessica pensando em alguma coisa além da Balsa para a contenção de sua mãe.
As duas provavelmente passariam o capítulo todo nisso se Sônia (Victoria Cartagena), a ex-esposa de Oscar não sequestrasse Vido, o filho do zelador, tentando levá-lo pra fora do país. Isso força Jessica e Alisa a sair da sua sessão de terapia de grupo e rastrear a ex-maluca na rodoviária onde as garotas Jones fazem sua parte para manter a família Jones unida.
A coisa toda é meio boba, mas, no final das contas ajudou a estabelecer a conexão entre as Jones remanescentes e mostrar que Alisa está disposta a ficar com Jessica e fazer o que a filha faz, exceto quando ela se descontrola e quebra tudo ao seu redor, incluindo Jessica.
Enquanto isso, Trish se enterra mais e mais fundo em seu vício no inalador misterioso de Simpson. A cada novo teco na substância desenvolvida por Kozlov, a radialista fica mais obcecada com a ideia de prender "a assassina" e levar os responsáveis pelo IGH à justiça, chegando à jogar fora seu emprego no Trish Talk, que lhe parece mais e mais fútil (e é, mesmo. Quer dizer, a entrevista com a mulher que tem medo de glúten não podia vir em dia pior...).
Enquanto Trish joga sua carreira no lixo, Jeri Hogarth mostra que não aceita não como resposta, e, após soltar Shane, o curandeiro de Inez, o coage a acompanhá-la até sua casa e curá-la de sua moléstia. A verdade é que, após nove episódios, essa trama paralela de Jeri e sua doença já deu uma cansada, entretanto é importante notar que Carrie Anne-Moss está fazendo um trabalho de primeiríssima linha no espaço que lhe é concedido. Ainda assim, em um capítulo onde Jessica se mexeu e a trama toda andou, a saga de Hogarth contra ELA foi bastante aborrecida, embora não dê pra não se perguntar, caso o toque curativo de Shane funcione, será que J-Money vai deixar de ser uma das maiores vacas manipuladoras de Nova York?
Talvez o episódio mais movimentado da segunda temporada de Jessica Jones, Shark In The Bathtub, Monster In The Bed me fez pensar se parte dos flagrantes problemas de ritmo narrativo do programa não passam por falta de conteúdo pra encher treze capítulos por ano. O nono episódio da temporada preparou terreno para o que poderia perfeitamente ser um season finale muito bem ajustado, mas sabendo que ainda há mais ou menos quatro horas pela frente, é fácil antever que teremos muito filler e encheção de linguiça adiante.
Pena.
"-Trish... Você está chapada?
-Você está bêbada?
-Eu estou sempre bêbada, mas não sou cega."
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sexta-feira, 23 de março de 2018
Resenha Série: Jessica Jones, Temporada 2, Episódio 8: Ain't We Got Fun
Jessica Jones havia alcançado seu pico na temporada em I Want Your Cray Cray, sétimo episódio do segundo ano. Não havia, de fato muita ação no capítulo, mas ao menos o falatório levava a algum lugar, no caso, uma interessante viagem ao passado de Jessica Jones e de sua mãe no período após o acidente que vitimou os Jones.
Nesse oitavo episódio, Jessica desperta após ser drogada pelo doutor Karl no capítulo anterior, e, após ver sua mãe lutar feito uma fera para garantir a fuga do cientista e passar alguns minutos presa com ela no porão da casa que os dois dividiam, resolve fugir com a mãe homicida após chamar a polícia, e, no decorrer de Ain't We Got Fun nós vemos as duas passando um tempo de qualidade juntas.
O que fica bastante claro ao longo do período compartilhado por Jessica e Alisa é que a detetive beberrona está em uma tremenda sinuca com relação à volta dos mortos de sua mãe.
Ao mesmo tempo em que Jess sabe que a coisa certa a fazer é entregar Alisa, que já matou quatro pessoas (se eu não perdi a conta), por outro, ela está louquinha para se reconectar à mãe. O comportamento nocivo de Jessica desde que a conhecemos era frequentemente explicado pelo período que ela passou nas mãos de Kilgrave, mas conforme o episódio passado mostrou, Jessica já era insuportável, tinha uma queda pela bebida e tendência a ser manipulada por homens muito antes do advento do Homem Púrpura em sua vida. Aparentemente todas essas facetas da investigadora eram fruto da falta de uma família, e, com sua mãe ao alcance das mãos, fica fácil entender por que Jessica parece hesitante em fazer a coisa certa e entregar a maluca pros tiras.
O capítulo deixa esse conflito tremendamente claro ao explorar as similaridades entre filha e mãe em cada oportunidade, mostrando de onde Jessica tirou a maioria dos traços mais marcantes de sua personalidade, ao mesmo tempo em que Krysten Ritter faz um ótimo trabalho equilibrando o ar blasé habitual de Jessica com um fundo de esperança de quando em quando.
E enquanto a protagonista e sua "babãe" passam o capítulo discutindo as possibilidades que o futuro reserva e os perigos de dirigir usando o celular, Malcolm, após dar um passa-fora em Trish ao perceber que o comportamento errático da radialista é um óbvio sinal de uso de drogas, resolve arregaçar as mangas e tomar uma atitude com relação à investigação para Jeri Hogarth, que Jessica aparentemente abandonou.
Em sua investigação Malcolm descobre que Benowitz é um gay no armário, mas, em um primeiro momento, parece envergonhado de usar essa informação contra o enrustido. Como nessa série nenhum ato gentil passa sem punição, Malcolm é atacado por um bando de homofóbicos do lado de fora da boate gay, e teria levado uma tremenda surra se Trish não aparecesse em modo Gata do Inferno total para salvá-lo.
O problema é que Trish não apenas está usando um bagulho que nem mesmo sabe como funciona, mas ainda leva o viciado em recuperação a experimentar o inalador. É incrível como Trish foi de personagem essencialmente gente-boa e porto seguro de Jessica na temporada passada para porra-louca completa e irresponsável nessa.
Falando em porra-louquice, Jeri Hogarth, resolve ir atrás de Shane Ryback (Eden Marryshow), o curandeiro da IGH revelado por Inez. O sujeito está preso, mas, para sua sorte, a advogada mais fodona de Manhattan aparece na porta de sua cela com uma proposta inegável. Apesar das negativas iniciais, Jeri sabe que pode manipular ou coagir o sujeito a curá-la, e, após encontrá-lo, volta pra casa e resolve comer Inez, a quem havia expulsado um pouco antes... Vá entender. Como diria Kilgrave na temporada anterior "bitches, right?".
Uma coisa que segue me impressionando nessa segunda temporada de Jessica Jones é como os roteiros parecem fazer todo o possível pra colocar todos os personagens em uma posição detestável. Todos estão se transformando em pessoas essencialmente ruins e cheias de falhas de caráter no que me parece um esforço para fazer a protagonista um destaque menos negativo do que na temporada anterior.
Tudo bem querer criar personagens que pareçam andar e respirar como pessoas de verdade, com nuances e camadas. O problema é que num esforço para escapar dos clichês e dos personagens unidimensionais a série cria um mundo habitado apenas pelas piores pessoas de Nova York. E é difícil se importar com um grupo onde é necessário fazer um esforço hercúleo pra gostar de alguém.
Enfim, Ain't We Got Fun usou seus cinquenta minutos para aproximar Jessica e Alisa, e fazê-las se conectarem, não como as memórias que tinham uma da outra, mas como quem de fato são.
Não é uma má premissa, nem de longe, especialmente considerando o ritmo que a série escolheu para si.
"-Sério? O monstro furioso me pedindo pra manter a calma?"
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quinta-feira, 22 de março de 2018
O Segundo trailer de Deadpool 2
Eu nem sabia que era hoje, mas a Fox disponibilizou na rede o segundo trailer de Deadpool 2 e, francamente, é bem melhor que as prévias anteriores.
Confira abaixo o mercenário tagarela unindo seu novo grupo para enfrentar a ameaça de Cable (Josh Brolin).
Novamente estrelado por Ryan Reynolds no papel de sua vida, Deadpool dois é dirigido por David Leitch e escrito por Drew Goddard.
O longa estréia em 17 de maio.
Confira abaixo o mercenário tagarela unindo seu novo grupo para enfrentar a ameaça de Cable (Josh Brolin).
Novamente estrelado por Ryan Reynolds no papel de sua vida, Deadpool dois é dirigido por David Leitch e escrito por Drew Goddard.
O longa estréia em 17 de maio.
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Resenha Série: Jessica Jones, Temporada 2, Episódio 7: I Want You Cray Cray
Atenção! Zona de spoilers abaixo!
De longe o episódio mais interessante da temporada I Want You Cray Cray foi um mergulho no passado de Alisa e Jessica (e Trish) após o acidente automobilístico que acometeu a família Jones. O episódio foi, novamente, regado a muita conversa, mas esse falatório todo serviu para dar profundidade às jornadas dessas pessoas tão insuportavelmente ferradas da cabeça. Ao longo de 54 minutos nós descobrimos o que aconteceu com Alisa após ela despertar no laboratório do doutor Karl Malus na IGH e descobrir que tudo em sua vida havia mudado.
Após cinco anos em coma, Alisa Jones descobriu que havia passado cinco anos em coma, e passado por extensivas cirurgias plásticas e tratamento de redesenho de DNA que mudaram totalmente a sua aparência ao mesmo tempo em que lhe fizeram desenvolver super-força e surtos psicóticos.
Como se não bastasse, Alisa descobriu que seu marido e filho estavam mortos, e que sua filha havia sido adotada por outra família e pensava que ela estava morta...
Quando feriu gravemente Inez e matou a outra enfermeira do IGH, Alisa estava tentando fazer contato com sua filha perdida.
E Jessica estava, mesmo, bem perdida.
Uma aluna meia-boca e desinteressada na faculdade, Jessica orbitava, com a cara de enfaro habitual, o mundo de Patsy Walker, que fazia a transição de estrela infantil para pseudo cantora rebolativa.
O clipe de I Want You Cray Cray é tão dolorosamente Britney Spears anos 2000, com direito a franjinha e tomadas de dançarinas com pouca roupa que chega a ser risível. Aliás, fica a pergunta de como Trish conseguiu deixar pra trás toda aquela bazófia e se tornar uma apresentadora de rádio razoavelmente respeitável, chegando ao ponto de almejar uma carreira no jornalismo de verdade... O flashback deixa bem claro que Patsy era uma fedelha mimada e uma completa junkie, o que ajuda a entender a sua completa escorregada com relação ao inalador de Simpson (mas deixa a dúvida de por que o mesmo não aconteceu com as pílulas vermelhas da última temporada...).
De qualquer forma, talvez a grande revelação do flashback seja a de que a relação de Jessica e Trish nem sempre foi tão boa. Que as duas chegaram a passar meses sem se falar na época de estrelinha junkie de Patsy, e que Jess teve um primeiro amor, no caso, o bartender Stirling Adams (o genérico Mat Vairo). Um rapaz ambicioso que sonhava em abrir sua própria boate e que não se importava nem um pouco em ter uma namorada com super-poderes. Na verdade, Stirling gostava de ter uma garota que pudesse abrir caixas eletrônicos com as mãos, roubar relógios caros de dentro de joalherias, e afugentar agiotas que levaram um calote.
Adams tratava Jessica como uma mistura de investimento e animal de estimação, e a relação do casal deixa claro que Jessica já tinha tendência a ser manipulada por homens quando conheceu Kilgrave. Não há outra forma de enxergar a relação do casal quando Stirling facilmente a convencia a arrombar uma loja e roubar uma jaqueta de couro para ele presenteá-la.
A despeito de Stirling ser obviamente um escroto do caralho, Jessica o amava, e estava disposta a fazer tudo o que ele pedisse contanto que ouvisse umas palavras doces antes e depois.
Se não fosse pela fuga assassina de Alisa do IGH, provavelmente Jessica teria se tornado uma super-criminosa pra ser presa pelo Demolidor.
Em sua tentativa de retomar o contato com a filha, Alisa inadvertidamente flagra Stirling planejando prostituir os poderes de Jessica para um grupo de bandidos em troca do perdão de sua dívida e 25% dos lucros dos crimes onde os poderes dela forem utilizados.
Não é necessário conhecer muito sobre mães ou surtos psicóticos para saber que Alisa não gostou nada de ouvir isso, e que a coisa toda acabou muito mal para Stirling, e que essa revelação não é lá muito saudável para a relação de Jessica com sua mãe.
Uma interessante jornada à uma parte nova da história de origem de Jessica, I Want You Cray Cray mostra que Jessica já era uma personagem profundamente perdida e problemática muito antes de Kilgrave surgir em sua vida, e que muito mais do que os abusos do vilão, todas as escolhas de vida de Jess moldaram a sua personalidade destrutiva. O capítulo também deixou claro que Jessica e Trish se dão muito melhor juntas do que separadas, e o afastamento das personagens até aqui pode ter sérias consequências para a dupla nos episódios vindouros.
"-Todos ao meu redor morrem.
-Não eu. Eu vou viver pra sempre.
-Não se não conseguir ajuda."
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quarta-feira, 21 de março de 2018
Resenha Série: Jessica Jones, Temporada 2, Episódio 6: Facetime
Atenção para pesados spoilers adiante!
Jessica Jones vinha fazendo um trabalho bastante competente em manter sua verdadeira trama oculta, a série, afinal de contas, tinha apenas o fiapo de investigação a respeito do IGH como sua mola propulsora e, todo o resto, era apenas purpurina e falatório sem destino.
A segunda temporada do programa estava chegando à metade com uma sensível sugestão a respeito de um antagonista no que parecia unicamente um esforço de roteiro para garantir que todos os personagens se tornassem insuportáveis como a protagonista a qualquer custo ao longo dos arrastados capítulos.
Nesse sexto episódio as coisas mudaram sensivelmente.
Não me entenda errado, os coadjuvantes seguem se esforçando para se tornarem menos e menos gostáveis, e o falatório é intenso, mas finalmente nós temos alguma reviravolta e um elemento que faz a trama andar.
A mulher misteriosa que Jessica vinha perseguindo é, na verdade, sua mãe!
Alisa Jones foi retirada dos escombros do acidente que ceifou a vida da família de Jessica da mesma forma que a protagonista, mas com lesões muito mais graves, necessitou de um período mais longo de tratamento nas mãos do doutor Karl Malus e teve sequelas consideravelmente mais graves, nominalmente, as explosões de ira descontrolada que acompanham sua super-força, um par de problemas curiosos pra quem tem DNA de polvo em si. Talvez Alisa devesse apenas disparar jatos de tinta do umbigo, ou algo que o valha... Enfim, conhecendo essa surpreendente revelação, Jessica, inicialmente, não está impressionada. Ela não vê a revelação de Alisa e Karl como uma chance de reclamar sua família perdida. Como poderia, afinal?
Pra uma pessoa normal já seria estranho reencontrar um parente dado como morto há vinte anos, imagine pra uma pessoa tão mentalmente perturbada quanto Jessica, que afasta tudo e todos de maneira quase patológica, reencontrando uma mãe que mudou de rosto e agora é uma homicida super-poderosa?
Nesse caso, especificamente, devo dizer que entendo as reservas de Jess totalmente.
A personagem-título, por sinal, tem tanta coisa em seu prato nesse momento, que está completamente ignorante ao fato de que todas aquelas pessoas aparentemente normais que orbitavam ao seu redor, subitamente estão se tornando ainda mais fodidas do que ela própria.
Jeri Hogarth começa a manipular de maneira descarada o sistema legal ao tomar conhecimento de um paciente do IGH que pode curar com as mãos (que raio de efeitos colaterais de tratamento são esses?), o que seria uma grande conquista para a advogada prestes a perder tudo em sua luta contra a esclerose lateral amiotrófica, enquanto Trish...
Bem, Trish foi da personagem mais bacana da primeira temporada (atrás de Kilgrave, claro.) à viciada problemática bem rapidamente.
A obsessão da ex-estrela infantil com o inalador de Simpson andou ligeirinho até a nóia pura e simples, com a personagem cheia de tiques nervosos e crises de abstinência bem óbvias além de nenhum constrangimento em mentir e manipular seus amigos para dar mais um teco no bagulho. Com Jessica enterrada até o pescoço na sua própria merda, talvez seja impossível para a investigadora se dar conta dos sinais do naufrágio de sua amiga, e caiba a Malcolm juntar os cacos de Trish, já que, aparentemente, os dois têm a chance de se tornarem um casal.
Jessica Jones chegou ao sexto capítulo e, após seis horas de falatório impiedoso, finalmente fez a trama caminhar reorientando todo o set up estabelecido na temporada até o momento.
"Peixes foram assassinados, cidadãos aterrorizados..."
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