Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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segunda-feira, 25 de junho de 2018
O Galã dos Anos 50
Eu sempre fiz um grande sucesso entre as velhinhas.
Sério.
Vovozinhas, titias...
Velhinhas sempre me acharam um pão. Sempre me acharam bonito, é isso que "pão" significa no dialeto das pessoas idosas, ou ao menos era o que significava quando essas pessoas idosas eram jovens.
Acho que eu tenho essa aparência de galã dos anos cinquenta... Lembra dos galãs dos anos cinquenta? Tu viu filmes o suficiente pra lembrar... Eles eram caras como Robert Mitchum, Dean Martin, Cary Grant, James Stewart, John Wayne... Todos esses sujeitos altos, de físico quadradão, que pareciam paizões e que, em sua imensa maioria, não eram nem remotamente bonitos.
Acredito que na década de 50 era melhor ter aparência de confiável, de bom provedor, do que ser fisicamente bonito. Victor Mature era um camarada meio gordo que fazia papel de homem forte, William Holden parecia vendedor de seguros, Clark Gable tinha as orelhas de um chimpanzé... Eram todos homens longe do que se pode considerar bonitos.
Acho que eu evoco esse tipo de aparência, e daí advém a admiração das velhinhas.
Isso, e o fato de eu ser educado.
Eu sou polido demais pro meu próprio bem.
Me custa ser mal-educado. E esse é outro traço que as velhinhas admiram em um mundo onde a maioria das pessoas perdeu contato com a polidez de outrora.
É possível que tu gostasse dessa característica minha... Ou, que talvez, ela te irritasse de vez em quando.
Eu sei que me irrito com a minha educação. Mesmo quando tento dar passa-fora em alguém, tento fazê-lo, se não de forma agradável, ao menos maneirosa; e nas poucas vezes em que sou, de fato, mal-educado, o faço, de modo geral, por mera distração, e depois fico me recriminando...
Eu sempre ouço as pessoas se referirem a isso como "boa criação", e eu não sei o quanto a criação tem a ver com quem somos quando crescemos.
Eu cresci cercado tanto por pessoas extremamente educadas quanto por pessoas muito mal-educadas. Gente grosseira e rude que gritava e se exasperava com facilidade, e esse tipo de comportamento sempre me causou desconforto. Então não sei quanto da educação é boa criação e quanto é mera empatia.
Independente da origem, após anos de prática, torna-se reflexo. Torna-se natural e parte de quem somos.
É parte de quem eu sou, provavelmente porque é o que eu acho que um homem deve ser.
Outra parte do que eu acho que um homem deve ser, é responsável.
Eu me sinto na obrigação de arcar com as consequências dos meus atos. Outro traço característico dos galãs cinquentistas, ao qual as velhinhas provavelmente se referem como "hombridade", e que a cultura atual provavelmente vai taxar de "masculinidade tóxica" a qualquer momento... Mas desculpe, estou me desviando do assunto... O ponto é que, eu acredito que colhemos o que plantamos, e, quando eu semeio determinada situação, não me cabe espernear sobre o quanto é injusta a colheita.
Entender os porquês sempre me ajudou a lidar melhor com más situações. Acho que já falei disso... É a razão pela qual eu me condoo mais pelas mazelas de crianças e animais do que pelas de outrem, porque crianças e animais não têm ferramentas cognitivas pra compreender por que sofrem. Eu tenho.
E eu sei porque sofro. Não é injustiça. É matemática.
E muito pior do que meu próprio sofrimento, é aquele que impingi a quem eu amo...
E assim, acho que além de polidez e hombridade, também tem um pouco de pretensa expiação nos meus bons modos. Uma forma de me certificar, ou ao menos tentar me convencer, que eu não causei nenhum estrago irreversível na vida de quem é tão importante pra mim...
E, claro, um pouco de amargura.
Ninguém foi um galã dos anos 1950 tão típico quando Humphrey Bogart e no final das contas Ilsa tomou aquele avião com Victor Laszlo...
Here's looking at you, kid.
quinta-feira, 21 de junho de 2018
Alternativas
Estão Han Solo e a princesa Leia na ponte de comando da Enterprise.
O contrabandista sentado na cadeira do capitão, Leia em seu colo, eles olhavam um nos olhos do outro. Ela sorri. Leia fica linda quando sorri. O sujeito que vez a volta de Kessel em menos de doze parsec sorri de volta, aquele sorriso torto pro lado que Leia aprendeu a amar, mesmo sendo algo pretensioso.
A líder da Aliança Rebelde fala:
-As vezes eu acho que tu não me ama mais.
O melhor piloto da galáxia maneia a cabeça, de cenho franzido como quem ficou ultrajado ao ouvir a declaração, ele olha o painel que mostra que eles estão entrando em espaço Illithid, e responde:
-Eu sei... Mas tá errado. Eu sempre vou te amar.
Ela afaga o rosto dele, e, esticando a mão delicada para Chewbacca, sinaliza para que o co-piloto coloque os propulsores em velocidade de dobra.
Ou, ou:
Estão o Homem-Aranha e Chloe Frazer explorando a Fortaleza da Solidão.
Chloe, com sua figura atlética e movimentos calculados, vasculha o console de gelo onde se depositam os cristais que comandam a herança kryptoniana do Superman enquanto o Homem-Aranha observa do teto. O cabeça de teia tem suas dúvidas se é uma boa ideia roubar aqueles relíquias, mas Chloe está decidida.
Ele pergunta, hesitante, se ela tem certeza. Ela responde em seu pesado sotaque britânico:
-As vezes eu acho que tu não se lembra mais de mim.
O alter-ego de Peter Parker desce do teto por um único fio de teia, de ponta-cabeça, fica cara a cara com Chloe:
-Admite, gatona... Não passa um dia sem eu me lembrar de ti.
Ou, quem sabe:
Estão a Mulher-Maravilha e Scott Pilgrim em Lórien. O ambiente cheira a cedro e baunilha, e ao longe se pode ouvir o som dos violinos dinamarqueses vindo de Rohan, tamanho o silêncio. Os dois dividem um divã de veludo verde-musgo, têm as pernas entrelaçadas e as caneleiras armaduradas de Diana nem mesmo incomodam Scott, tamanho seu contentamento por estar ali, ao lado dela.
A princesa amazona vira o pescoço e olha para o moleque idiota atrás de si dizendo:
-As vezes acho que tu se lembra de mim como lembra de qualquer outra pessoa. E achar isso é ruim.
Scott engole em seco, passando a mão nos cabelos desalinhados, e hesitante responde:
-Mas... Mas como é que eu poderia pensar em ti como qualquer outra pessoa...? Tu nunca... Nunca, vai ser "qualquer pessoa", morena. Tu é "A" pessoa.
A semi-deusa sorri, puxando Scott pra si, e eles se beijam.
Ou, ainda...
Estavam ela e ele sentados na sala do apartamento que alugavam juntos. Era um sábado de tarde, e estavam ambos em casa. Ela, usando um pijaminha, pantufas de pelúcia e um gorro por conta do frio, num conjunto que lhe caía divinamente bem. Ele de calção, regata e pantufas, num conjunto que não fazia sentido por si só, e muito menos à temperatura de onze graus daquele dia ensolarado e gélido.
Dividiam o sofá. Ela com as pernas por cima dele, lendo um livro sobre a expedição de um jornalista à bordo do navio do Sea Shepherd para tentar abalroar navios baleeiros japoneses, ele, assistindo Cosmos na Netflix, um episódio a respeito de realidades alternativas interessante, mas nem de longe tocante como aquele que falava sobre Isaac Newton e Edmond Halley.
Ela tirou o focinho do livro, olhou pra TV, bem na parte que falava a respeito de inúmeras versões da nossa realidade, umas diferentes das outras. Ela olhou atenta pra TV durante esse tempo, e então pra ele. Fez cara de intrigada:
-Nossa... Imagina isso, Etê... Uma realidade onde a gente não ficou junto... Onde tu acha que eu não te amo, que eu te esqueci, que eu não penso em ti umas 300 vezes ao longo do meu dia…
Ele estava olhando pra ela com um sorriso. Adorava essas elucubrações súbitas dela. Riu:
-Não te preocupa, meu anjo... Se existe essa realidade paralela onde a gente não terminou junto, eu te garanto que, a menos que minha versão alternativa seja um completo e absoluto apedeuta, ele jamais pensaria uma coisa dessas.
Apanhou as pernas dela de seu colo e beijou-lhe as canelas e os joelhos. Continuou:
-Ele ia imaginar ter algum significado na tua vida, só pelo tamanho do teu significado na vida dele. E, em qualquer situação, ele estaria sempre torcendo por ti, e pensaria em ti todos os dias, com um sorriso no rosto e sempre com saudade.
Ela sorriu de volta:
-Tu acha mesmo?
Ele se inclinou pra frente e a beijou:
-Eu sei.
terça-feira, 19 de junho de 2018
Nem Precisa
Talvez seja saudade.
Pura e simples.
Só saudade, sem intenção nem agenda. Uma lembrança cálida que surge e aquece o coração, traz um sorriso ao rosto e uma boa lembrança à mente. Uma pequena brasa, inofensiva e controlada sob pilhas de cinzas de uma fogueira de outrora... Por mais brega que pareça a analogia.
Eu sei como é...
Tenho isso ás vezes. De vez em quando uma vez por dia. Normalmente mais...
É a pedra sobre a qual erigi meu templo, por assim dizer.
Donde vêm todas as minhas noções de "nossa história" definitiva. Quase perfeição...
Que quase perfeição é coisa boa. Poucas pessoas experimentam quase perfeição, e ninguém experimenta perfeição, exceto eu, quando estive do teu lado. A maior parte das pessoas abraça as coisas boas e lida com as ruins, trabalha e constrói o melhor que pode e é assim que é.
Não é menos.
Não é ruim.
É real, palpável, discernível e fruto de dedicação de parte à parte.
Quase perfeição chega de supetão chamando a nossa atenção quanto à diferença entre ratazanas e cachorros ou pedindo beijo em frente à janela.
Pode durar pra sempre, como deveria ser, e pode terminar, também de supetão, deixando marcas que não necessariamente são cicatrizes.
Pode ser apenas saudade.
Pura e simples.
E se esse for o caso... Uma saudade passageira, corriqueira, inofensiva...
Eu aceito.
Me acalenta. Apazígua. Conforta.
Saber que eu tenho esse espaço na tua mente e no teu coração... É lisonjeiro, no mínimo.
Mas talvez... Talvez seja medo...
Não pavor. Não terror. Apenas um frio na barriga antes de um grande passo.
Eu sei como tu está. O que anda fazendo... Não que eu seja algum tipo de perseguidor obsessivo medonho, mas a nova posição da tua mobília parece legal olhando da janela...
Enfim... Eu sei o que anda acontecendo. E gosto de imaginar que amadureci o suficiente pra, não apenas não me remoer de ódio e arrependimento, mas pra ficar feliz por ti.
E eu fico.
Realmente.
Tu parece feliz, é a impressão que eu tenho.
E também me acalenta. Apazígua. E conforta. Saber disso.
Mas se for o caso... Um frio na barriga. Uma ponta de insegurança te fazendo pensar antes de a tua vida terminar e começar a vida de vocês, fazendo uma sombra passageira do passado se projetar mais nitidamente na parede... Ou uma ponta de melancolia te fazendo ver o passado sob um filtro cor-de-rosa...
Eu também aceito.
Porque, afinal, nos lembramos de Budapeste de maneiras muito diferentes...
Contanto que tu não pense que esteja fazendo algo de errado, eu aceito de bom grado. E acho que alguém que não sinta uma fagulha de pânico antes de um passo tão definitivo não avaliou a situação com a seriedade devida...
De qualquer forma, não me interprete mal, não estou tentando te afastar.
Estaria mentindo se dissesse que não adoro identificar tua voz por aqui. Se dissesse que não me passaram todos os tipos de clichês românticos pela cabeça, de ser o Alan Alda da tua Ellen Burstyn até voltar pra tua vida que nem o Thor chegando em Wakanda.
E, sendo cem por cento honesto, eu nem preciso saber, de verdade, qual das duas opções, ou qualquer outra que houver, é a resposta.
Eu já disse antes, e repito agora.
Tô dentro.
Sem intenção nem agenda.
Tudo de bom pra vocês.
domingo, 17 de junho de 2018
O Escudo do Novo Star Wars
Fiz uma descoberta terrível essas últimas semanas.
Algo que não teria descoberto se a mídia não tivesse, encarecidamente, me avisado.
Descobri, essa semana, que sou um misógino sexista, racista, e homofóbico.
Coisas que, francamente, desprezei desde que sou capaz de compreender os conceitos. Valores que eu honestamente abomino e, os quais descobri, casualmente, que partilho.
E eu nem imaginava...
Sempre me julguei favorável à igualdade de gênero, raça e opção sexual... Sempre vi a todos como iguais, sempre me esforcei para ter certeza de defender valores humanistas (e seculares) que vissem além de rótulos rasos como gênero, cor da pele ou opção sexual, mas subitamente fui iluminado e ganhei consciência de que sou o tipo de verme preconceituoso que sempre me causou ojeriza, o tipo de pessoas torpes aos quais sempre me referi como "escrotos do caralho".
Foi em meio à celeuma que se formou entre a base de fãs de Star Wars e a Lucasfilm, agora parte do conglomerado da Disney.
Houve, pelo que entendi, um boicote organizado a Solo: Uma História Star Wars nos EUA, e, havendo relação, ou não, o filme tem feito uma carreira extremamente prejudicada nas bilheterias do mundo todo.
Solo estreou em um final de semana prolongado arrecadando abaixo das projeções, e ficou uma única semana na primeira colocação nas bilheterias tornando-se o Star Wars mais pobre da história da franquia em todos os tempos.
Enquanto o filme naufragava nas bilheterias, uma nova celeuma surgiu, com a atriz Kelly Marie Tran, a Rose de Os Últimos Jedi, tendo deletado sua conta no Instagram por conta do assédio dos fãs de Star Wars.
Isso foi suficiente para que uma enorme fatia da mídia assumisse o lado de Tran, e passasse a se referir a todos os fãs de Star Wars como homens brancos gordos e preconceituosos que se desesperam ante a visão de personagens femininas fortes e que são incapazes de aceitar que Star Wars agora é um produto multicultural muito maior do que sua base de fãs.
Deixe-me começar dizendo que, quem quer que tenha resolvido dedicar tempo a atormentar Kelly Marie Tran nas redes sociais é um imbecil.
Mais do que isso, qualquer pessoa que tenha odiado Kelly Marie Tran e Rose Tico, apenas por ser uma mulher asiática, também é um imbecil.
E eu digo isso nos sapatos de alguém que odiou Rose Tico por ser uma personagem mal escrita, irritante, sem nada a agregar ao pior filme da franquia Star Wars em todos os tempos, mas que sabe que Kelly Marie Tran estava ali apenas no exercício de seu ofício, interpretando um papel escrito por um roteirista que, mesmo sendo um péssimo escritor de Star Wars, também não merece ser alvo de ódio (no máximo de desprezo, que é o que sua vindoura trilogia original Star Wars receberá de minha parte).
Posto isso, gostaria de me dirigir às pessoas que acreditam que os fãs de Star Wars que não gostaram do momento da série a partir do episódio VII são caras brancos e gordos machistas, racistas e/ou preconceituosos... Eu sou um branco (Nos EUA eu seria considerado "latino"? É possível... Me chamo Rodrigo Garcia...) gordo.
Mas não sou machista, racista ou preconceituoso.
Se os novos Star Wars fossem estrelados por Rey, vivido por Chris Hemsworth, Finn, vivido por Chris Pine, e Poe Dameron, vivido por Chris Evans, esses filmes continuariam tendo os mesmos problemas narrativos que incomodam até mesmo aos fãs capazes de perdoar George Lucas por A Ameaça Fantasma.
Rey continuaria sendo um personagem subdesenvolvido e com um arsenal de talentos deus ex machina capaz de fazer Galen Marek corar de vergonha, a única diferença é que ele seria chamado de Gary Stu ao invés de Mary Sue.
Finn ainda seria um faxineiro glorificado e a audiência ainda estaria se perguntando como é que o zelador sabe desligar os escudos de proteção da Estrela da Morte III ou como ele consegue usar um sabre de luz com tamanha galhardia.
Poe ainda seria o melhor personagem da nova série e continuaria tendo razão na discussão com um eventual "almirante Aldo" interpretado por Bruce Dern que não contasse ao comandante de seus esquadrões aéreos qual era o plano de evacuação enquanto, condescendentemente, o taxava de "cabeça quente"...
A agenda ideológica de Kathleen Kennedy, obcecada por multiculturalismo e personagens femininas fortes, não é o principal problema dos novos Star Wars, mas essa agenda se tornou uma bandeira e um escudo para os filmes.
Independente da (falta de) qualidade dos longas, qualquer pessoa que ouse erguer a voz contra o novo momento da franquia agora, o faz por ser sexista e inseguro.
O problema não é a Rey ser uma personagem inexplicavelmente super-poderosa e unidimensional. O problema é ela ser mulher.
O problema não é a linha narrativa de Finn e Rose ser absolutamente tosca e inútil. O problema é essa linha narrativa ser estrelada por um negro e uma asiática.
O problema não é o plano de Holdo e Leia ser inacreditavelmente burro. O problema é os fãs não saberem lidar com mulheres em posições de poder...
Ou ao menos essa é a bandeira erguida pela Lucasfilm. "Os longas são perfeitos, e os fãs estão de má vontade porque são preconceituosos".
Eu não posso falar por todos os fãs de Star Wars no mundo. Não ousaria sequer tentar.
Eu não duvido que haja aí fora gente tão cretina que realmente desgoste desses filmes unicamente por termos um trio protagonista formado por uma mulher, um negro e um hispânico. Mas garanto que não é meu caso.
E nem é o caso de todos os fãs que conheço e não gostaram do filme.
Mesmo que eu me ressinta um pouco do fato de todos os homens brancos dos novos Star Wars serem vilões ou morrerem sem razão nenhuma durante a projeção, eu seria mais do que capaz de amar Rey, Finn e Poe se eles fossem personagens melhor desenvolvidos. Pra ser bem franco, gosto de Finn e gosto muito de Poe. Meu problema é com Rey e a completa falta de justificativa para a imensa extensão de seus poderes.
Eu jamais teria qualquer tipo de problema com a heroína se ela tivesse um arco de desenvolvimento. Se ela aprendesse alguma coisa ao longo de sua trajetória. Mas dois filmes se passaram e Rey é o retrato de Os Últimos Jedi: Ela é especial porque sim.
Porque "a firma" resolveu.
Ela não tem uma jornada, ela nunca está em perigo. Ela não aprende nada exceto que já sabe tudo. E quando eu não gosto dessa personagem preguiçosamente escrita, é porque eu sou sexista.
Se Luke tivesse destruído a Estrela da Morte sem ajuda em Uma Nova Esperança, derrotado Vader sem esforço em O Império Contra-Ataca e partido o imperador Palpatine ao meio em O Retorno de Jedi ninguém gostaria dele, também...
Personagem excessivamente poderosos não são gostáveis. São antipáticos.
E em sua ânsia por mulheres poderosas, Kathleen Kennedy criou uma heroína infalível cuja existência não suporta dois minutos de escrutínio critico de ninguém.
Personagens femininas fortes não são o problema. Nunca foram.
Todos amam a princesa Leia. Todos amam a Mulher-Maravilha, a Viúva Negra e a Imperator Furiosa. Nenhum nerd tem problemas com a posição de poder de Ripley, de Sarah Connor, Éowyn, ou Neytiri.
Talvez porque essas personagens não tenham sido empurradas goela abaixo na audiência. Porque seus conjuntos de habilidades tenham sido justificados ou construídos junto ao público e não fossem simplesmente pipocando conforme a trama pedisse.
Eu não sou machista, sexista, racista ou preconceituoso, nem acho que o grande público nerd seja (que o diga Pantera Negra).
Eu não sabia do boicote organizado nos EUA e não fui assistir Solo apenas porque era uma história de Star Wars que não me interessava e porque Os Últimos Jedi havia sido tão ruim que eu havia resolvido não assistir mais aos longas da série de qualquer forma.
A generalização do preconceito é nada além de um escudo para proteger um produto que não vende. E se essa for a regra para Star Wars daqui pra frente, serem filmes menores que se defendem atacando a sua base de fãs, então veremos muitos outros Solo nos anos vindouros.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
Je Ne Regrette...
Sentado no escuro... Tempo úmido. Madrugada fria dentro de casa, abafada na rua... Uma grossa neblina se deitando sobre as ruas, embaçando as janelas.
Olhava as luzes de mercúrio amarelas envoltas em um grosso halo do lado de fora de casa, e pegou-se pensando que, uma vez, naquele mesmo dia, no que parecia ter sido há muitos anos atrás, uma menina bonita lhe pediu um beijo.
Era a deixa da qual ele precisava.
Passara a noite toda querendo beijá-la. O que não era muito, já que queria beijá-la há alguns meses àquela altura.
Ele a beijou, e horas mais tarde, não queria mais nada dessa vida.
No dia seguinte, ao reencontrá-la, sem saber bem o que fazer, mas querendo dar algum tipo de declaração, respirou fundo e tomou sua mão, fazendo-a andar de mãos dadas com ele sem pedir permissão ou saber se ela estava de acordo.
De volta ao presente, apanhou o celular de cima da escrivaninha ao lado da janela, e olhou uma foto em seu banco de imagens.
Sorriu ao acariciá-la com o polegar.
Não se envergonhava de ter-lhe tomado a mão sem pedir permissão.
Podia não ser Edith Piaf, mas no tocante àquela noite... E muitas noites vindouras... Não se arrependia de nada.
terça-feira, 5 de junho de 2018
Com Quem Contar
Quando ela desceu do Monza cinza na esquina ele já estava parado na frente do prédio. Eram seis e onze da manhã, e o frio e a umidade faziam o ar expirado por ele se condensar em uma névoa no ar. Ela andou saltitando em sua direção. Vestia um casaco vermelho vivo, uma saia preta curta e meias de lã pretas. Ao redor do pescoço tinha o que ele supunha ser um cachecol, mas descobriria mais tarde ser uma pashmina, cinza.
Ela sorriu:
-Deixa eu ver.
Ele balançou a cabeça negativamente, e então sorriu mostrando o dente quebrado.
Ela riu enquanto entrava no prédio. Identificou-se com o porteiro, e foram pro elevador.
Alguns minutos mais tarde ele já estava deitado na cadeira do consultório enquanto ela conectava seus instrumentos na bancada ao lado.
Ela disse:
-Eu sei que tu tem agonia com dentista. Mas não te preocupa, Ned. Sou eu. Pensa em alguma coisa que te agrade que em menos de meia hora tu vai estar saindo daqui com o sorriso novinho em folha. - Fez uma expressão de maluca e "acelerou" a broca, fazendo o ruído encher o silêncio do consultório vazio.
Ele gargalhou:
-Tu parecia a "overly attached girlfriend" fazendo essa cara.
-Que é isso? - Ela perguntou.
-Ah, é um meme bem conhecido. Não importa... -Ele deu de ombros.
Ele tirou o agasalho de moletom preto que vestia, e deitou na cadeira com a camiseta de manga curta.
-Tu não tá com frio, criatura? - Ela perguntou, fazendo cara de horror.
Ele respondeu negativamente. Sabia que estava frio, mas a verdade é que o frio não o incomodava tanto, e cumprira a distância entre sua casa e o consultório dela a pé, o que lhe aquecera.
-Que horror. Eu tô congelando. Nem queria tirar o pijama, quando acordei. Aliás, não queria sair debaixo das cobertas. Não há pijama que chegue nesse frio. - Ela disse, esfregando as mãos antes de calçar um par de luvas de látex azuis.
-Meias de náilon... E polainas... - Ele disse, hesitante.
-Meias de náilon e polainas? - Ela perguntou, algo surpresa enquanto colocava uma touca e a máscara. -Esse é o teu pijama ideal nesse frio?
-Não é a versão masculina, claro... - Ele disse. -Mas sim. - Ele confirmou. E continuou:
-Mas não essas meias normais, tipo meia-calça... Meia... Eu não sei a proporção... Sete oitavos? Pode ser? - Inquiriu, fazendo uma careta.
-Daquelas que vão até o meio da coxa? - Ela perguntou, a voz abafada por trás da máscara cirúrgica.
-Ai, é... - Ele confirmou, fazendo uma careta diferente, que contava com um sorriso.
-Não sei se combina. - Ela disse, franca enquanto franzia levemente o cenho.
-Quem liga se combina, ou não. Não é pra atender a um evento. É pra usar em casa... - Ele retrucou.
-Só isso, então? Meias sete oitavos e polainas? - Ela perguntou, se inclinando pra cima dele com a broca em punho.
Ele, ainda deitado na cadeira, boca bem aberta, pensou um pouco enquanto ela usava o aparelho em seu dente quebrado. Respirou fundo e assim que ela terminou, disparou:
-Ah, não! Tem mais coisa... Aqueles chapéus... Chapéu, gorro, não sei... Uns lances, tipo uma boina... São bem grandes...
-Um sombrero? - Ela perguntou, irônica.
-Não, tonta... - Ele disse, afastando a ideia com a mão.
Ela saiu de cima dele, que continuou:
-É tipo... Tipo uma babushka... ushanka... Sei lá. Uns chapéus de pele. Pra lugares muito frios...
-Ah... - Ela assentiu -Tipo aqueles chapéus de russo?
-Isso. - Ele concordou -Como chama aquilo?
-Como é que eu vou saber? Tu já me viu de chapéu na tua vida? - Ela perguntou sem esperar resposta, maneando a cabeça como quem não reconhece a validade da questão enquanto se virava de volta pro balcão atrás de si pra apanhar um frasco.
Ele se apoiou no cotovelo, olhando pra ela que removia um pouco de resina do frasco com uma pequena pá.
-Tu fica muito, muito séria quando tá trabalhando, alemoa...
Ela riu:
-Eu preciso me concentrar, senão teu dente vira uma presa.
-Peraí... - Ela disse erguendo a mão, o que a fez estacar por um momento, e continuou:
-Tu tá querendo dizer que dá pra me fazer presas?
-Cala a boca e deita aí... - Ela disse, se impulsionando na própria cadeira até a dele, e puxando-lhe a cabeça mais pra perto de si.
Momentos de silêncio enquanto ela, cuidadosamente, reconstruía o incisivo frontal quebrado.
-Fica bem paradinho. - Disse, enquanto se inclinava de volta pra trás, apanhando um aparelho com cara de arma futurista, e segurava apontado pro dente recém reconstruído: -Abre bem a boca e inclina a cabeça pra trás.
Ele obedeceu.
Ela começou:
-Pra mim... Pra mim seria regata e cueca boxer cinza... Tipo agasalho de mescla, sabe? Não gosto de branco. Tem guria que tem tesão em cueca branca... Eu não gosto. Tinha um louquinho, bonito, que nadava no clube lá em Dois Irmãos, ele era todo sarado... Abdome de Paulo Zulu, as gurias babavam nele... Mas o cara ia de sunga branca pro clube. Ai... Era o ó. Não tinha como. Homem de sunga branca, Deus que me perdoe, mas parece tudo viado.
Ele riu tanto quanto conseguia, com a boca escancarada e a cabeça jogada pra trás. Ela continuou:
-Preto... Eu acho bonito, cueca preta. Mas quem é que dorme de regata e cueca preta, sabe? Cueca preta, até conheço. Mas regata preta, só quem usa é marombeiro, pra andar na rua. Aqueles guris suburbanos ou playboyzinho metidos a fortinho... Regata preta e calça jeans desbotada, não tem como levar a sério. E o cara de cueca preta e regata de outra cor, branca, cinza... Não teria o mesmo efeito pra mim. As duas peças têm que combinar pra ter cara de pijama, saca? - Deteve-se:
-Deixa eu ver uma coisa.
Apanhou uma fina lâmina plástica e começou a cavoucar vigorosamente entre o dente reconstruído e o vizinho do lado.
-Firma a cabeça - Recomendou, enquanto parecia serrar com força os dentes dele. Esguichou-lhe água na boca e disse:
-Cospe.
Ele se inclinou pro lado e cuspiu dizendo:
-Não fala assim comigo que eu sou de família.
Ela não riu:
-Tua gengiva tá sangrando um pouco. Isso é começo de gengivite. Tu usa fio dental?
-Não posso - Ele respondeu. -Minha bunda é peluda.
Ela fez uma cara que dizia "eu não precisava ouvir isso". Ele riu:
-Não. Meus dentes são muito juntos. O fio dental me incomoda.
-Usa fita. - Ela disse.
-E existe isso? - Ele perguntou.
Ela balançou a cabeça em sinal de descrença:
-Na próxima vez que tu morder uma azeitona e quebrar o dente da frente eu vou te cobrar integral.
-Eu disse que te pagava integral! - Ele protestou.
-Tô brincando, orgulhoso. Deita aí.
Ele obedeceu. Ela se inclinou novamente por cima dele enquanto regulava a altura da cadeira onde ele estava deitado, baixando os óculos sobre os olhos azuis.
-Morde. Deixa eu ver se ficou certo...
Ele cerrou os dentes:
-O dente torto tá pegando aqui - Ele disse, apontando a parte de trás do dente reconstruído com a língua.
Ela apanhou a broca e esculpiu a resina.
-Agora?
Ele rilhou os dentes e ergueu o polegar afirmativamente:
-Perfeito.
Ela esguichou-lhe água na boca, ele bochechou e cuspiu. Ela lhe deu alguns guardanapos pra ele secar o bigode e o cavanhaque, molhados, e disse:
-Vou te dar uma receita de bochecho. Compra na farmácia. Eu quero ver esse dente de novo daqui duas semanas.
Ele ergueu as sobrancelhas:
-Não tá pronto?
-Ai, tá, mas não tá. Eu reconstruí quase tudo, mas a parte mais perto da gengiva eu tive que usar um material provisório por causa do sangramento. Faz o bochecho com o remédio, usa o fio dental e volta pra eu poder trocar essa partezinha.
Ele assentiu perguntando:
-Quanto eu te devo?
Ela deu de ombros:
-Vou ver quanto dá de material. Depois tu me paga.
-Eu preferia te pagar agora. Integral. Te tirei de casa seis da manhã pra me dar essa força. Posso te pagar. Prefiro pagar pra ti do que pra um dentista de verdade.
Ela levantou o dedo médio das duas mãos fazendo cara de furiosa. Ele riu e a abraçou:
-Sério, alemoa. Me deixa te pagar. Não quero que tu te incomode com o teu chefe, e além disso, tu trabalhou. Precisa ser paga.
Ela suspirou e assentiu sob condições. Ele entregou o dinheiro, recebeu uma receita e uma nota fiscal. Ela cedo, pouco mais de sete da manhã. Ele perguntou:
-Tu vai ficar aqui?
Ela fez que não com a cabeça.
-Vou pra casa. Hoje trabalho só de tarde.
Ele se aproximou e a abraçou:
-Obrigado, Alemoa. Por ter vindo. Valeu, mesmo.
Ela lhe estalou um beijo na bochecha barbada:
-E tu? Vai pra casa?
-Não. Vou indo pro trabalho devagarinho. Dá tempo de chegar lá e ver uma entrevista do Letterman na Netflix antes de abrir a loja.
Ela sorriu:
-Boa pedida. Eu vou voltar pra casa e dormir até as onze. E te garanto que não vai ser usando só polaina, meia sete oitavos e um chapéu de pele.
Ele fez cara de pouco caso, puxando o elástico da cueca preta pra fora da calça jeans:
-Azar o teu. Pra teu governo, eu durmo com isso e uma regata preta... E também tenho um conjunto cinza.
Ela mostrou os dedos médios pra ele de novo, que acenou com uma piscada enquanto tomava o rumo do trabalho.
Era bom, pensou, ter amigos.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
Resenha DVD: The Post: A Guerra Secreta
É difícil não pensar que Steven Spielberg tocou The Post com alguma pressa tendo em vista o delicado momento da política norte-americana e a relação desajeitada de Donald Trump com a imprensa.
É perfeitamente plausível supôr que Spielberg tenha lido o script de Liz Hannah e Josh Singer e pensado em Trump twitando "fake news!" dia sim, dia também, a cada vez que vê alguma coisa a respeito de si próprio com a qual não concorda no noticiário, ou em seus assessores falando sobre "fatos alternativos" quando o presidente é pego na mentira. Dessa forma o drama histórico/biográfico de Steven Spielberg se torna tanto um relato do passado quanto um comentário do presente.
O longa narra a saga dos "Pentagon Papers", quando em 1971 o jornalista Daniel Ellsberg (Matthew Rhys) coloca as mãos em milhares de páginas a respeito da história da guerra do Vietnã, incluindo todas as mentiras que o governo norte-americano contou ao público ao longo do mandato de quatro presidentes. À certa altura, o relatório informa que em 1965, o governo dos EUA já sabia que não podia vencer aquela guerra, e só não se retirava do Vietnã por medo da humilhação.
Após seis anos, o medo do fiasco já ceifara milhares de vidas de soldados americanos na guerra que se alongava, e é nesse momento que o The New York Times começa a publicar reportagens a respeito dos relatórios, desvelando a verdade por trás do conflito.
Ao mesmo tempo em que as cortes julgam que o Times não pode publicar novos documentos, tampouco as informações neles contidas, o Washington Post tem acesso aos papéis quando o repórter Ben Bagdikian (Bob Odenkirk, o Saul Goodman) chega à mesma fonte do Times.
Isso coloca o Post sentado em cima de milhares de páginas de informações sigilosas e confidenciais que tribunais julgaram impublicáveis exatamente no momento em que a dona do jornal, Kay Graham (Meryl Streep)está abrindo o capital da empresa na bolsa de valores.
Kay estava sitiada por todos os lados. Não apenas era uma mulher em um mundo essencialmente masculino, frequentemente escanteada da tomada de decisões pela sua junta diretora, mas também estava em uma situação socialmente delicada à medida em que, sendo uma ricaça de Washington, estava no círculo pessoal de diversas pessoas implicadas no escândalo, como o autor dos relatórios, Robert McNamara (Bruce Greenwood) de quem era amiga pessoal.
Para piorar a situação de Graham, ela estava em uma janela de tempo na qual os investidores podiam desistir da opção de compra das ações do Post, levando o jornal à bancarrota, e se via frequentemente em uma queda de braço moral com seu editor, Ben Bradlee (Tom Hanks), que não tem a mais remota dúvida de que o Post precisa publicar as informações por dever moral de ofício.
Fica difícil não admirar dois personagens interpretados por dois dos atores mais talentosos/amados em atividade no cinema contemporâneo. Ambos estão sensacionais em seus papéis, e enquanto Hanks encontra o tom certo para Bradlee, alguma coisa entre o grave e o turrão, naquela toada de homem comum alçado à situação extraordinária que o vencedor de dois Oscar é capaz de fazer dormindo, Meryl Streep entrega uma de suas melhores atuações em anos recentes, deixando claro que suas indicações anuais aos prêmios da academia não são, de forma alguma injustificadas. Seu retrato de Kay Graham é repleto de nuances, deixando claro o quão acima da média Streep é, e quão longe ela pode chegar quando dirigida com excelência.
Infelizmente, o longa não permite que nenhum dos protagonistas entre em um "tour de force", e isso se deve ao fato de o roteiro jamais deixar que haja verdadeiro suspense no desenrolar da história.
Mesmo quem não sabe absolutamente nada a respeito do escândalo dos Pentagon Papers é capaz de antever com uma boa antecedência como os eventos do longa se desenrolarão, e o que deveria ser um longa sobre o peso da escolha de Kay Graham, que se viu entre a cruz e a caldeirinha com o destino de seu negócio e do legado de sua família em suas mãos, não chega a deixar a audiência na ponta da cadeira ou roendo as unhas.
Por sorte, toda a vez em que The Post parece perigosamente perto de se tornar um melodrama edificante de cartilha, o talento de alguém surge pra elevar novamente o longa.
Do elenco, que conta com gente do calibre de Carrie Coon, Sarah Paulson, Tracy Letts, Bradley Whitford, Jesse Plemons e Michael Stuhlbarg passando pela fotografia de Janusz Kaminski, a trilha de John Williams ou a edição de Sarah Broshar e Michael Kahn, não faltam elementos para tornar o longa memorável, e fazer o espectador se comprometer para com o filme. Afinal de contas, o longa é mais um trabalho de um sujeito que é um dos cineastas fundamentais de nosso tempo.
Conforme eu disse lá em cima, The Post é tanto um relato do passado quanto um comentário do presente, mas acima de tudo, um libelo em favor da liberdade de imprensa, uma instituição que, sim, precisa de escrutínio crítico, mas merece um pouco mais de crédito em um momento onde tanta gente parece tão disposta a aceitar "fatos alternativos" de fontes que não podem ser confirmadas.
Certamente vale a locação.
"A imprensa deve servir aos governados, não aos governantes."
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