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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Resenha Série: Punho de Ferro, Temporada 2, Episódio 7: Morning of the Mindstorm


Atenção! Pode haver spoilers:
As coisas não terminaram bem para Danny no último episódio. Derrotado ele viu seu plano de capturar Davos ir por água abaixo após a funcional Walker ser substituída pela doce Mary em um momento decisivo e o saldo do duelo foi uma perna esmagada e nenhuma recompensa.
Enquanto Danny se prepara para encarar a reabilitação, Davos continua com seus planos para se tornar o Punho de Ferro 2.0. E esse plano inclui cooptar os moleques da gangue de Ryhno e BB para se tornarem seus aprendizes.
Com isso, Davos deixa de ser apenas a antítese de Danny, e também se torna, não apenas uma espécie de antítese de Colleen, que também tirava a gurizada da rua para ensinar cidadania através das artes marciais, mas também um dublê de Bakuto, que construiu um exército de guerreiros para o Tentáculo usando a mesma tática.
Esse é provavelmente o primeiro passo de Davos em direção à vilania pura e simples, e justifica todo o tempo que a audiência teve para entender suas motivações e background, resta saber se Davos perceberá o caminho que está trilhando e cairá em si, ou simplesmente irá abraçar o fato de que a sua versão da pureza de K'un-Lun é tenebrosamente similar à coisa que ele jurou combater até a morte, e a despeito de toda a sua superioridade tática sobre Danny, a verdade é que Davos caminha para se tornar o fanático opressor que Danny jamais sequer considerou ser. O ponto é que, de uma forma ou outra, Danny, Colleen e Misty não parecem capazes de detê-lo, não com Danny todo arrebentado.
Ou podem?
Misty seguiu a pista da tigela K'un-Luniana (essa palavra está certa?) de Joy e acabou se deparando com um manual de como roubar o coração do dragão de um Punho de Ferro (maneiro, por sinal, que os artefatos de K'un-Lun sejam parte da coleção de Ernst Erskine, sidekick do Punho de Ferro da Primeira Guerra Orson Randall), o ponto é que conhecer o ritual e contar com o apoio das irmãs Garça é apenas uma parte do processo. O único lutador capaz de enfrentar Davos é Danny (e provavelmente o Demolidor, mas eu não vou entrar nesse mérito porque Punho de Ferro está muito boa.), mas em recuperação de uma facada e de uma perna quebrada, como ele pode ser páreo para seu parceiro de treinos?
Bem, por sorte ele mora com uma sensei.
O ponto é que Colleen não tem certeza se é capaz de ser namorada e professora de Danny, e ele levar adiante a ideia de transformar a casa dos dois em um dojo à revelia da vontade da moça é, sejamos francos, meio escroto de sua parte, ainda que eu não esteja inteiramente certo de por que Colleen seja incapaz de ensinar Danny sem destruir a relação dos dois. Vá ser ruim assim em compartimentalizar lá longe...
Não é apenas o núcleo heroico que toma providências com relação a Davos.
Joy resolve fazer uma aposta arriscada na própria sobrevivência após descobrir que Walker está momentaneamente indisponível após Mary tomar conta, e procura um lugar ao lado de Davos para s"se tornar uma pessoa melhor". É difícil saber se Joy está apenas tentando se proteger ou sabotar a incipiente organização de Davos de dentro pra fora, de qualquer forma, ao menos deu à moça algo o que fazer além de parecer chique e magoada.
Falando em ter o que fazer, Ward resolveu encher a cara e afogar as mágoas.
Por mais cliché que possa parecer o sujeito caindo na birita porque as coisas deram errado, eu gosto do fato de Ward manter seus comportamentos auto-destrutivos sob uma temática diferente.
Antes ele se drogava porque odiava seu pai, Danny e sua vida, agora ele embebeda porque sua irmã não quer falar com ele e porque Danny quase morreu e ele não pôde fazer nada para evitar... O comportamento de viciado é consistente, mesmo com o prisma emocional de Ward tendo sido alterado. A sua "cena de luta" bêbada também foi interessante, e, mais interessante, foi descobrir a respeito do que está acontecendo com Bethany, por mais melodramaticamente folhetinesco que a revelação tenha sido. De toda a sorte, vemos esperar e ver como essa revelação afetará Ward no futuro, e que seja mais do que apenas uma desculpa para ele levar seus problemas a sério.
Sim, Morning of the Mindstorm foi um episódio menos acelerado do que os dois últimos capítulos, mas preparou o terreno para a reta final da temporada mantendo-se interessante.

"-Eu não fechei o dojo por ter medo. Fechei o dojo porque não podia ser responsável por mais alguém morrer."

Resenha Série: Punho de Ferro, Temporada 2, Episódio 6: The Dragon Dies at Dawn


Após quatro episódios que estiveram à altura dos melhores momentos de Jessica Jones e de Luke Cage, Punho de Ferro meteu o pé no acelerador em seu quinto capítulo e no sexto não parece estar disposto a afrouxar.
The Dragon Dies at Dawn segue de onde o quinto capítulo terminou. Danny está se recuperando do ritual que roubou o punho de ferro para Davos enquanto Misty interroga Joy e Mary para descobrir que as irmãs Graça são parte fundamental da transferência do coração do dragão. Com Danny convalescendo, cabe a Colleen e Misty encontrar as tatuadoras taburi e tentar descobrir os detalhes do ritual.
Enquanto isso, Danny aceita uma oferta de uma especialista em capturar Punhos de Ferro, Mary Walker, o que dá a Ward e Joy tempo para finalmente conversarem a respeito do que aconteceu entre eles e Howard.
Ao mesmo tempo Davos leva adiante seu plano de livrar Nova York de todo e qualquer crime, usando o punho de ferro como a derradeira ferramenta de purificação da cidade.
Novamente cabe dizer que, por mais que saibamos que Davos é o vilão aqui, até o momento sua sanha vigilante não é das mais nocivas. Óbvio que seus métodos são questionáveis, mas ele realmente está fazendo o que prometeu, caçando criminosos e defendendo os fracos e oprimidos. É quase uma aposta certa que, em algum momento, Davos vai acabar explodindo alguém que não devolveu o livro na biblioteca, mas até lá, Davos é um Punho de Ferro mais competente do que Danny, sendo, inclusive, capaz de concentrar seu chi em ambos os punhos ao mesmo tempo, o que é muito maneiro.
A melhor parte do episódio, no entanto, foi a missão conjunta de Colleen e Misty.
A amizade das duas parece um pouco artificial, é verdade, mas esse episódio é quase um piloto não-oficial para as filhas do dragão, com a policial elogiando os instintos justiceiros de Colleen e tentando convencê-la a se juntar à polícia.
Pra coroar o segmento, ainda tivemos uma excelente cena de luta da dupla contra as irmãs Garça. Claro, Colleen faz quase toda a coreografia de luta, e não há, de fato, nenhuma razão para as três tatuadoras, de repente, serem lutadoras de kung-fu, mas que se dane, Punho de Ferro abraçou os quadrinhos com vontade e isso inclui um pouco de absurdo, se a qualidade da série se mantiver nesse nível eu não vou me queixar se cada garçom de restaurante em Chinatown for um Bruce Lee em potencial.
Ward e Joy seguem sendo um dos pontos fracos da série, e não porque haja algo de errado na relação dos dois ou as interpretações de Pelphrey e Stroup, considerando tudo a relação deles é tão verossímil quanto as circunstâncias do programa permitem, mas ao mesmo tempo ela é um constante lembrete do rocambole folhetinesco que quase afundou a primeira temporada da série.
Mesmo com a elogiável humanização dos dois personagens, a verdade é que Joy era mais interessante quando era amiga de Danny, e Ward é mais interessante agora que é amigo de Danny... Será que é pedir demais que eles todos façam logo as pazes?
E, falando em más lembranças da primeira temporada, a tentativa de Danny de argumentar com Davos é um pouco irritante. Por mais que nós estejamos cientes de que Danny o vê como um irmão essa impulsividade e ingenuidade cegas são parte do que tornava o personagem irritante na primeira temporada, mas ei, que bom, após os eventos que encerram o capítulo parece justo dizer que isso não deve se repetir no futuro.
The Dragon Dies at Dawn segue firme no caminho de tornar Punho de Ferro uma das minhas séries Marvel Netflix favoritas junto com Justiceiro e Demolidor. Faltando quatro capítulos para o fim da temporada acertadamente mais curta resta torcer para que o programa não sofra a vertiginosa queda de qualidade que ocorreu na primeira temporada.


"-Eu não como carne. Matar animais para se sustentar é uma desgraça.
-Claro que não come. É só um vegetariano que mata gente..."

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Resenha Série: Punho de Ferro, Temporada 2, Episódio 5: Heart of the Dragon


Pode parecer surpreendente, mas a segunda temporada de Punho de Ferro está dando uma surra de pau mole na cara de todas as outras séries à exceção de Demolidor e Justiceiro. Pra ser cem por cento honesto, estava igual às outras (nominalmente Jesica Jones e Luke Cage), mas com lutas melhores, o quinto episódio da temporada, no entanto, deu o proverbial salto de qualidade e foi, fácil, os melhores 55 minutos de TV que eu assisto em um programa da Marvel/Netflix em muito tempo.
Há um novo Punho de Ferro em Nova York. Um Punho de Ferro com firmeza de propósito e visão muito diferentes de Danny Rand.
Davos tomou o que considerava ser seu direito de nascimento, e está pronto para mostrar ao mundo que não há o que lamentar. De posse do poder do imortal Punho de Ferro ele resolve acabar com a guerra das Tríades simplesmente eliminando os dois lados do conflito. Mais do que isso, Davos não pretende parar nas tríades. Ele está pronto para eliminar todo o crime de Nova York. Talvez mais do que isso.
Aqui cabe ressaltar que o programa está fazendo maravilhas por Davos.
Os flashbacks de seu passado, dando tanto um vislumbre de sua relação com Danny quando eles eram crianças quanto os motivos de sua obstinação por se tornar o campeão de K'un-Lun o humanizam de uma forma quase trágica.
Claro, torná-lo um tipo de édipo light arrasado pela desaprovação da mãe não chega a ser uma novidade, mas oferece ao personagem uma profundidade muito bem-vinda.
Mais do que isso, a falta de uma palavra de Pryia (Gita Reddy), coloca Davos ainda mais como um oposto de Danny, que se lembra, em sua conversa com Ward, das últimas palavras que ouviu de sua mãe. Exatamente o "eu te amo" que Davos ansiava por escutar.
Falando em Danny, ele realmente levou uma coça. O resultado de sua luta com Mary e Davos e do ritual é que o herdeiro da Rand Empreendimentos está um caco e acaba sendo capturado pela gangue do Ryhno (Jason Lai) e só escapa de ser negociado com os Tigres Dourados porque Davos acabou com a gangue e porque Colleen e Misty encontraram seu cativeiro a tempo.
Ferido e incapaz de concentrar seu chi, Danny precisa ficar encostado sob a supervisão de Ward enquanto Misty e Colleen vão atrás de Mary Walker.
Resta saber como Danny, esculhambado e incapaz de conjurar seus poderes poderá impedir Davos de levar seus planos adiante. Mais do que isso, será que nós queremos que Davos seja impedido?
No final do ano passado todos nós estávamos torcendo por Frank Castle que literalmente só não matou Billy Russo em sua guerra pessoal contra os bandidos que tramaram a morte de sua família. É impossível torcer por Davos se ele mantiver seu código de conduta e proteger os inocentes matando apenas os criminosos?
Claro, eu sei que, muito mais do que a moralidade do vigilantismo fatal, há aqui a certeza de que o fanatismo de Davos e sua dedicação cega à missão que se auto-impôs o levará a trilhar um caminho sombrio fazendo coisas ainda mais reprováveis, mas eu gosto da ideia de que, ao menos em um primeiro momento, Davos surja como um Punho de Ferro melhor ou mais eficiente do que Danny.
Danny passou esse episódio inteiro apanhando ou sendo suturado, mas a cena que ele partilhou com Ward foi muito boa para os dois personagens. Ward realmente parece ter se tornado um bom sujeito, e eu gosto disso especialmente porque sua arrogância e má atitude ainda estão ali, mas melhor direcionadas. Vê-lo tendo conversas relativamente normais com Danny, a coisa mais próxima de família que lhe sobrou após ele e Joy se apartarem é refrescante, e o modo como ele reconheceu a obsessão de Danny com o Punho de Ferro como um vício foi um belo toque.
Quanto a Misty e Colleen, eu não estava particularmente ansioso por um spin-off estrelado pelas Filhas do Dragão, mas eu estou gostando da participação de Misty na série. Os primeiros episódios da temporada de Punho de Ferro, mesmo com suas qualidades, vinha tornando Colleen meio chorona e resmungona, talvez num esforço para que ela não continuasse eclipsando o protagonista. Sua parceria com Misty, porém, a colocou em uma posição mais ativa, e, em Heart of the Dragon, ela tem a melhor cena de luta do episódio. Além do mais, por mais que eu tenha tirado sarro do fato de Misty ser a única policial de Nova York, tê-la aqui dá às séries um senso de unidade. Essas pessoas moram na mesma cidade. Elas conhecem umas às outras. E isso é bacana.
Além do mais, se não fosse Misty jamais saberíamos que o código da polícia para pessoas com super-poderes é 616. O quão maneiro isso é?
Enfim, a segunda temporada de Punho de Ferro chega à sua metade deixando claro que aprendeu com os erros do passado e se estabelece com folgas como a melhor série Marvel/Netflix exibida em 2018.
Por favor, mantenham o ritmo!

"-Isso não é uma arma para ser segurada. É para ser usada."

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Resenha Série: Punho de Ferro, Temporada 2, Episódio 4: Target: Iron Fist


Atenção! Spoiler a seguir.
Se Punho de Ferro vinha dando amostras claras de melhora com relação à sua primeira temporada (algo que, sendo justo, todas as séries conseguiram fazer em algum grau), nesse quarto episódio da temporada o programa deu um passo além. Finalmente tivemos um grande passo no desenvolvimento da trama em um episódio que, inclusive, deu-se ao luxo de começar na metade e voltar no tempo para mostrar o caminho de Danny até o pepino em que o encontramos no início do capítulo.
Danny está se remoendo por ter colocado a conferência de paz da tríade em cheque com sua desconfiança. Ele sabe o que viu do lado de fora do armazém, mas suas suspeitas não se confirmaram e ele transformou a trégua em pancadaria tentando tirar a senhora Yeng (Christine Toy Johnson) do local em segurança.
Falando na senhora Yang, descobrimos que seu marido não morreu, mas foi colocado entre a vida e a morte pela Garra do Diabo, a milenar técnica de pontos de pressão de K'un-Lun que denuncia o envolvimento de Davos na coisa toda.
Enquanto Danny e Colleen fazem a avaliação de danos e planejam uma forma de remediar a bagunça, Davos e Joy confrontam Mary Walker.
A jovem é a encarregada de espionar Danny para os dois vilões, mas seu transtorno de personalidade dissociativa se colocou no caminho. Enquanto a ex-militar está perfeitamente confortável em manter Rand sob vigilância, sua porção gentil e artística parece dispostas a ao menos tentar ajudar Danny a se preparar para o inevitável ataque.
Além de tríades, Davos e Joy, e a desconfiança com sua própria percepção, Danny ainda precisa lidar com Misty Knight (Simone Missick), que aparentemente é, ou a única policial de Nova York, ou então tem a maior jurisdição do mundo, já que policia Chinatown, Hell's Kitchen e o Harlem simultaneamente. Onde foi parar o sargento Mahoney?
De qualquer forma, Misty acaba com o mistério sobre quem eram as figuras misteriosas do lado de fora do armazém, e, como sempre, pede para que o vigilante com super-poderes da vez se afaste do caso para que a polícia possa trabalhar, e, como sempre, é ignorada já que Danny teve a confirmação de que Davos atacou o senhor Yeng (Henry Yuk) e a sua possível localização.
Falando em confirmar coisas, fica confirmado que Davos realmente está tentando roubar os poderes de Danny usando antigos rituais que envolvem até os restos mumificados de um antigo Punho de Ferro.
O ingrediente decisivo, porém, é o próprio Danny, e a encarregada de conseguir esse ingrediente é Mary. A ruiva dá uma boa demonstração tanto de estratégia quanto de habilidade de luta, e, conforme o início do episódio deixa claro, consegue o que foi buscar.
Target: Iron Fist foi provavelmente o melhor episódio da série até aqui, o único ponto baixo, de fato, foi a interação entre os Meachum. Ward e Joy são particularmente melodramáticos quando interagem sozinhos um com o outro, e as tentativas dele de fazer as pazes com ela são muito mal pensadas (ainda que pareçam sinceras.) e a impressão que fica, mesmo com tanta choradeira, é que os dois só não farão as pazes eventualmente se um dos dois morrer.
Excetuando-se isso, palmas para M. Raven Metzner por ter feito o seriado abraçar o absurdo da mitologia dos quadrinhos orgulhosamente. Fez maravilhas pela série. Isso e a decisão de encurtar a temporada de treze para dez episódios (algo que também deveria ocorrer com Luke Cage e Jessica Jones, por sinal). Punho de Ferro está longe de ser perfeita, mas eu francamente duvido que até o mais rançoso dos resmungões online não veja que a série agora está, no mínimo, no mesmo nível das co-irmãs.

"-Agora você vai me dar o que sempre foi meu por direito, irmão."

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Resenha Série: Better Call Saul, temporada 4, episódio 6: Piñata


Atenção! Há spoilers abaixo.
Piñata, episódio dessa semana de Better Call Saul abre com um flashback que deixa muito claro quem é Jimmy McGill. A cena, passada em 1993 baseado nas apostas do Oscar que incluem Retorno a Howard's End e Perfume de Mulher, quando Jimmy trabalhava na correspondência da Hamlin, Hamlin e McGill mostrou o jovem (aceitaremos a palavra dos envolvidos. Todo mundo parece igual na cena, exceto Michael McKean que usa uma peruca) fingindo completa ignorância no tocante aos trâmites legais dos processos encarados pela firma diante de Kim e Chuck, mas, em segredo, se enfiando na biblioteca do escritório para estudar escondido de todos.
Jimmy já era, então, um falsário que almejava ser um advogado de sucesso bem embaixo do nariz de todo mundo que o considerava um fracasso, e seu objetivo final permanece o mesmo. Seu discurso da semana passada ainda ressoa. Ele quer abrir um escritório de advocacia e ser um baita advogado junto com sua parceira.
O ponto, aqui, é que Kim, talvez, tenha anseios diferentes. Vem ficando mais claro a cada semana que a loira odeia o direito bancário e que seu trabalho junto ao banco Mesa Verde não é, nem de longe, o seu emprego dos sonhos. Em Piñata ela resolve agir em nome daquilo que realmente ama, o trabalho de defensora pública. Para conseguir gerenciar seu tempo de modo a ter o melhor de dois mundos, ela está se juntando ao escritório de Schweikart e Cokely, onde entrará como sócia e encabeçará a divisão bancária.
Jimmy claramente sente o golpe, mas seus objetivos são claros e ele não vai deixar nenhuma pedra ficar em seu caminho.
Na verdade, Jimmy parece mais obstinado após saber dos planos de Kim. Como se a ameaça do fracasso o tornasse mais focado e decidido em sua missão auto-imposta de surpreender Kim com um grande escritório de direito com direito a letreiro luminoso ao estilo Las Vegas.
Para isso, Jimmy usa o que tem à mão, o dinheiro da herança de Chuck, e seus celulares pré-pagos não-rastreáveis, mas, para suceder em sua empreitada, Jimmy precisa ter certeza de que será capaz de vender seu produto sem a ameaça de voltar a ser achacado por delinquentes como os três trombadinhas que o roubaram no último episódio, o que nos leva a uma brilhante sequência envolvendo o advogado, os três marginais e um armazém cheio de piñatas.
O plano de Jimmy e a forma como ele parece ser sempre capaz de antever o que as pessoas têm de pior são brilhantes.
Enquanto Jimmy pensa no futuro, Mike ficou a cargo de garantir que a construção do laboratório subterrâneo de Gus Fring seja executada com sucesso. Após ser excluído do grupo de luto, Mike está livre para montar as instalações e monitorar os trabalhadores alemães que têm a hercúlea tarefa de ficar apartados de contato com o mundo exterior por seis a dez meses morando em um galpão de onde não poderão sair durante o trabalho de escavação.
Eu mantenho que não estava particularmente curioso em como o laboratório foi construído. Na verdade, jamais imaginei que a tarefa fosse ser tão trabalhosa porque nunca me interessou, então seria maneiro se a coisa toda resultasse em algum desenvolvimento decisivo para Mike.
Com ele afastado de Stacey e Anita (Tamara Tunie) e já antevendo problemas com um funcionário metido a rebelde não parece impossível que Mike acabe fazendo alguma coisa sinistra que o coloque no caminho em que ele estava quando o conhecemos em Breaking Bad.
Além de tudo isso, ainda tivemos uma boa cena com Gus e Hector no hospital.
Claro, a cena em questão não nos contou nada que já não soubéssemos a respeito de Gustavo Fring. Ele é extremamente meticuloso, dedicado, paciente e cruel. De uma forma ou de outra, a cena foi muito boa. Um momento cabuloso para o vilão dar seu recado.
Piñata foi mais um bom episódio da série. Se em Quite a Ride parecia que Jimmy havia dado o seu passo mais decisivo em direção a Saul Goodman, aqui ele parece ter feito seu derradeiro movimento na tentativa de ser um advogado respeitável junto com Kim. E o fato de todos nós sabermos que Jimmy e Kim não acabaram juntos dá à coisa toda um viés algo trágico.
É difícil saber porque o casal acaba se apartando, mas uma pista pode ser a reação de Kim ao saber que Jimmy não vai à terapia. Pessoas normais não são capazes de compartimentalizar sua vida e suas emoções como McGill faz (como o arrasado Howard Hamlin, que tem uma boa cena com Jimmy.). Seus planos com Kim eram sua forma de lidar com o luto, talvez por isso ele pareça mais abalado pela rejeição dela ao seu sonho profissional conjunto do que pareceu com a morte do irmão, de uma forma ou outra, a Saul Goodmanização de Jimmy parece estar espreitando para se completar assim que seu futuro com Kim seja arruinado de vez.

"-Esquemas pra enriquecer rápido nunca dão certo.
-Então fica olhando."

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Resenha Série: Punho de Ferro, Temporada 2, Episódio 3: This Deadly Secret


Atenção! Spoilers do episódio abaixo!
Se vai se confirmar, ou não, ainda não dá pra afirmar com certeza, mas até aqui, Punho de Ferro parece realmente ter dado um salto de qualidade em seu segundo ano.
A cena onde Danny, tentando à moda kung-fu fazer as pazes com seus inimigos (que ele pensa que são seus amigos, ou sua família), em um jantar com Colleen, Davos e Joy tem todas as características de uma dramédia européia sobre famílias apartadas tentando agir normalmente.
Sim. A cena é extremamente constrangida, até desconfortável, e sim, eu creio que essa era a ideia.
Joy deixou claro que é uma víbora manipuladora de marca maior, enquanto Coleen segue tendo os maiores colhões da série, mas o que ficou claro nessa longa sequência que transformou um jantar embaraçoso em família em uma tensa dança social de vida e morte é que a relação entre Davos e Danny merece mais espaço.
Os dois realmente agem como irmãos. Nota-se que há alguma espécie de afeto entre os dois, mas que esse afeto está soterrado sobre toneladas de ressentimento. A ingenuidade de Danny Rand deixa de ser um problema para se tornar uma das virtudes do personagem. Ele é desencanado. Ele vai em frente, e se sente melhor assim. Deixando o passado pra trás, e espera, francamente, que as pessoas que ele ama façam o mesmo.
Tivemos um vislumbre desse Danny no episódio de Luke Cage em que os dois formaram brevemente a parceria dos quadrinhos, e eu falei que gostaria de ver mais daquela abordagem, e, apesar de a série solo se esforçar para manter o cenho de Danny franzido de preocupação com mais frequência, provavelmente para oferecer um pouco mais de conflito, ela pode ser vista aqui.
Outro personagem se beneficiando horrores da nova abordagem é Ward.
Se na temporada passada ele mal e mal parecia humano, agora o sujeito é tremendamente crível em sua vida de viciado em recuperação. Sua tentativa desesperada de atrair a irmã a um encontro que ela não queria ter deixa claro que os velhos hábitos de quando ele era o títere de Howard não morreram, e, ainda assim, quando tinha a chance de confrontar Joy, ele amarelou.
Ward é um viciado em recuperação que ainda não sabe lidar com o fato de estar limpo. Ele não é mais um vilão ou um antagonista, mas um amigo problemático e sua cena com Danny mostrou que, ao menos aparentemente, ele é um bom amigo.
Mas nem só de drama familiar se fez This Deadly Secret.
Danny e Colleen se viram outra vez em volta de uma mesa, mas dessa vez para mediar a trégua entre os Carrascos e os Tigres Dourados. As coisas pareciam bem ao menos até Danny ver movimentos suspeitos do lado de fora do local da reunião e mandar tudo pro inferno numa ótima sequência de luta.
Por mais que a audiência possa não gostar da abordagem da série para o drama familiar (e isso é questão de foro inteiramente pessoal) não dá mais pra se queixar das pancadarias. Punho de Ferro está entregando ótimas cenas de luta especialmente se comparar com os arremessos estilo Power Rangers de Jessica Jones ou as taponas na orelha distribuídas por Luke Cage.
Pra encerrar, o episódio revelou que Walker, o espião contratado por Joy e Davos para seguir Danny, é ninguém menos do que Mary, a moça com quem Danny andava esbarrando em Chinatown.
Como ficara óbvio para quem estava assistindo a série, Mary Walker obviamente sobre de dupla personalidade, para quem acompanha os quadrinhos, ela é Mary Tifoide, uma mercenária mutante que sofre de múltiplas personalidades e, durante muitos anos, foi uma das principais assassinas na folha de pagamento do Rei do Crime, e uma pedra no sapato do Demolidor.
Não sei se os fãs de gibis chegarão a ver Mary Tifoide com o rosto pintado e usando seus poderes na série, mas ao menos pudemos ver suas facas quando ela deixou claro para Davos e Joy que é tão perigosa quanto os faixas-pretas de plantão.
Enfim, mais um bom capítulo de Punho de Ferro deixando claro que a equipe de produção ouviu as lamúrias dos fãs e tratou de remexer seus pontos fracos para oferecer uma experiência mais satisfatória para a audiência.
Que continue assim.

"-Talvez seja apenas um jantar.
-Um Jantar nunca é apenas um jantar."

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Resenha Série: Punho de Ferro, Temporada 2, Episódio 2: The City's not for Burning


Após um primeiro episódio promissor, o segundo capítulo da temporada de Punho de Ferro seguiu mostrando seus pontos fortes.
O programa segue focando em seus personagens, oferecendo a todos eles motivações críveis, desenvolvimento e interações que não parecem saídas de uma novela mexicana.
Punho de Ferro teve sua cota de problemas em seu primeiro ano, em grande parte devido à estranheza da família Meachum, um ponto decisivo da trama, e da insistência de Danny Rand em tratar todo mundo como uma plateia à qual ele devia se apresentar. Isso parece ter sido superado. Ward e Joy parecem, finalmente, pessoas de verdade, e mesmo quando estão tramando, não o fazem como se fossem revirar os bigodes e soltar gargalhadas.
Novamente, é importante notar que a coreografia de lutas mudou muito desde a primeira temporada. A ideia de que Danny lutava um kung fu diferente de todos os outros personagens (era a minha interpretação, apenas) ficou no passado, e agora ele luta mais ou menos da mesma forma que Colleen, Davos e cia. Aparentemente, agradando todo mundo que não curtia o quase kata da temporada passada.
A guerra entre as facções da tríade em Chinatown segue escalando.
Com pessoas começando a morrer na cidade, Danny precisa decidir seus próximos passos, e resolve conversar com o líder dos Carrascos para intermediar uma trégua antes que as facções incendeiem Nova York pelo vácuo de poder deixado pelo Tentáculo.
Enquanto isso, Coleen é novamente confrontada pela gangue mais incompetente de Nova York enquanto tenta descobrir de onde veio a caixa misteriosa com o emblema de sua família.
Ward procura por sua irmã tentando fazer emendas, mas Joy tem outras intenções.
A moça está mais do que decidida em sua missão conjunta com Davos, e o alvo da dupla dessa vez é uma antiga tigela prestes a ser leiloada. O artefato é obviamente de K'un Lun, e é uma peça fundamental dos planos de Davos e Joy, mas para obtê-la o monge casto precisará agir de maneiras que aparentemente ferem profundamente seu código de conduta pessoal.
Todo o capítulo, na verdade, é muito de Davos.
Além de o vermos lutando contra as suas próprias noções comportamentais e a forma como ele lida com a ideia aparentemente abjeta de usar sexo para vencer uma luta ao invés de sair na porrada também temos um belo flashback do confronto entre Davos e Danny pelo privilégio de ser surrado por um dragão.
Aqui, cabem duas observações: Primeiro, foi bom ver mais de K'un Lun do que apenas uma encosta montanhosa nevada. Segundo, a sequência de luta entre os dois foi, fácil uma das melhores envolvendo Danny desde sua briga com o mestre bêbado na primeira temporada ou seu quebra com Matt em Os Defensores.
A sequência também deu lastro tanto às convicções de Davos quanto as de Danny.
Se por um lado ficou claro que Davos é o melhor lutador da dupla e que ele não se rendeu e nem morreu lutando, o que corrobora a sua ideia de que, não fosse pela intervenção de seu pai, ele não teria sido derrotado.
Por outro, Danny também não se rendeu. E mesmo levando uma coça, mostrou-se um lutador comprometido e, também, um guerreiro mais engenhoso e esperto. Os dois têm argumentos, e os dois poderiam ser o Punho de Ferro. A questão é que esse flashback tornou Davos mais simpático à audiência, e nós, mais e mais, conseguimos vê-lo como uma pessoa.
Outro personagem que mostrou valor foi Mary.
A sequência com a ruiva no banheiro, deu mais pistas sobre a sua verdadeira natureza, e quem conhece a personagem dos quadrinhos deve ter pego a dica com seu rosto parcialmente obscurecido diante do espelho.
Por hora, a linha narrativa de Coleen está menos interessante do que a de Danny (um alento após ela ter sido o ponto alto da primeira temporada), e os Meachum, embora tenham melhorado consideravelmente, seguem sendo um acessório, mas o mais importante é que o programa, ao menos nessa amostragem inicial, parece ter encontrado seu compasso.
Vamos torcer para que continue assim.

"-Nossa luta para ver quem enfrentaria Shou-Lao? Parece que nunca acabou.
-É... Mas você venceu."