Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
Pesquisar este blog
sexta-feira, 28 de março de 2014
Quadrinhos: Magneto - Atos de Terror
Enquanto o Marvel Cinematic Universe vai muito bem, obrigado, transformando os personagens mais humanos e maneiros da Casa das Ideias em filmes e séries que faturam rios de dinheiro e fazem a alegria da nerdaiada mundo afora, o Universo Marvel tradicional, o Universo 616 dos Quadrinhos, não anda tão bem.
Obviamente em falta de bons escritores e de boas ideias, a casa do Homem-Aranha anda fazendo besteiras homéricas na esperança de vender mais alguns gibis. É difícil passar um ano sem ver um mega-evento se espalhar pelas páginas de todos os quadrinhos da editora, sacudir os alicerces da Terra e chacoalhar o próprio firmamento para, depois de uns seis meses, tudo voltar a um status quo mais ou menos igual ao que era antes de "tudo mudar".
Esse desespero da Marvel em vender quadrinhos, não através de histórias, mas de eventos, acabou me afastando dos quadrinhos em série da editora.
Mas volta e meia eu passo na banca procurando por um bom quadrinho pra ler, e volta e meia sou surpreendido por boas reedições de histórias clássicas dos anos setenta, oitenta e até dos anos noventa e da última década.
Ontem, não encontrei nada disso, mas dei de cara com o encadernado de capa dura Magneto - Atos de Terror, originalmente publicado em 2012.
Para entender a história há que se estar minimamente a par dos acontecimentos recentes do Universo Marvel, como a Cisma entre Ciclope e Wolverine, e até a eventos mais antigos, da época de Scott Lobdell e Roger Cruz.
Mas enfim, em Atos de Terror temos Magneto acusado pelo brutal e bastante público homicídio de 40 manifestantes anti-mutantes.
Procurado pelos Vingadores, o mestre do magnetismo, agora aliado dos X-Men de Ciclope, com sede na Ilha Utopia, recebe um prazo para provar que não foi o responsável pelo crime.
Eric Lehnsherr parte para limpar seu nome em uma viagem que o fará revisitar memórias a muito enterradas, e ver-se face a face com suas aspirações, desejos, métodos e objetivos, e, em última instância, com seu verdadeiro eu.
O roteiro, a cargo de Skottie Young, e a arte de Clay Mann (com participação de Grabriel Hernandez Walta) e arte final de Seth Mann, Norman Lee e do próprio Walta são OK e não muito mais que isso.
A história em si, também não tem nada de grandiosa. O universo dos X-Men parece fadado a se repetir, entre personagens que morrem e ressuscitam, grupos que se separam por divergências de filosofia, e Magneto hora mocinho, hora vilão, não há nada de novo no X-Fronte, e a dificuldade dos escritores em sacar que ninguém quer novidades, mas apenas boas histórias, emperra bonito a qualidade dos quadrinhos publicados por Marvel e DC hoje em dia.
O que há de bom em Magneto - Atos de Terror, é poder ler algumas boas páginas com Magneto, um personagem tremendamente interessante, humano e profundo desde sua origem.
O texto do líder mutante inspirado em Malcolm X e Meir Kahane é sempre saboroso, carregado de uma fleuma que nenhum outro personagem tem personalidade ou cacife pra bancar, ainda assim, com reviravoltas óbvias e ação confusa em mais de uma ocasião, há pouco mais do que o vernáculo de Magneto para se aproveitar, de modo que a história resulta descartável, e nada além de uma bela peça decorativa na estante.
A edição, com lombada bonita, capa dura e papel bonito no miolo sai por R$17,90, que podem, ou não, valer a pena de acordo com o teu grau de fanatismo para com os pupilos de Xavier.
"Vejam só, o sr. Stark chegou a ponto de adotar uma armadura especialmente dedicada a mim. Pena que um slogan como "o invencível Homem de Borracha" não tenha o mesmo apelo."
Rapidinhas do Capita
Que a Netflix firmou acordo com a Marvel para transformar em série alguns dos personagens mais urbanos e menos cinematográficos da Casa das Ideias, todo mundo já sabia.
Que esses personagens seriam Luke Cage, Jessica Jones e o Demolidor, também já era público e notório, agora a página do Marvel Cinematic Universe no facebook apontou Michael C. Hall, o Dexter, como favoritão ao papel do advogado cego de hell's kitchen que durante a noite assume a identidade do vigilante conhecido como Demolidor.
Ainda que seja pouco mais que um rumor, ou "desejo" dos envolvidos, sem nenhuma comprovação de nenhuma espécie, a escolha não deixa de ser pra lá de inspirada por parte da Netflix e de Drew Goddard, o roteirista da série.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Tá lá no http://www.gameofthronesbr.com/2014/03/leia-o-novo-capitulo-de-the-winds-of-winter-intitulado-mercy.html, um capítulo de The Winds of The Winter, vindouro sexto livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo que George R. R. Martin insiste em não terminar de escrever.
O capítulo, de nome Mercy, é um daqueles trava cérebro pra deixar teóricos da conspiração e nerds com muito tempo livre desesperados, cheio de pistas e com o climão pesado que se tornou regra na série.
Ah, no site tu também consegue ler os demais capítulos já divulgados de Os Ventos do Inverno.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Ontem, nove da noite, o canal a cabo Sony exibiu o documentário Marvel - Assembling a Universe, que mostra a construção do universo cinematográfico da Marvel.
Para nerds que não sabiam disso ontem, o programa será reprisado hoje, às 16:00, e, em se tratando de TV a cabo, mais algumas vezes pelas próximas semanas.
Vale a conferida.
terça-feira, 25 de março de 2014
O Padrão
O Sandro, muito sério, com uma expressão grave, levantou quando a Lisiane chegou no restaurante. Ela se inclinou para beijá-lo, mas ele fez sinal para que ela sentasse após dar um "oi" seco.
Ela sentou, esbaforida, soprando os cabelos da frente dos olhos e apoiando a bolsa no colo. O garçom parou ao lado deles com as mãos juntas atrás do corpo:
-Querem pedir?
A Lisiane, olhou pro garçom, chegou a tomar fôlego, mas voltou-se para o Sandro e perguntou:
-Não sei... Eu quero pedir alguma coisa?
O Sandro ruborizou brevemente, pigarreou, olhou pro garçom e disse que iriam dar uma olhada no cardápio. Solícito, o rapaz se retirou, deixando o casal à vontade.
A Lisiane olhou pro Sandro, ainda com a bolsa no colo, gotículas de suor coladas à testa:
-E então...?
O Sandro tomou fôlego, os dedos das mãos entrelaçados por cima da mesa:
-Olha, Lis...
Hesitou, olhou pra um lado, depois pro outro.
Ela:
-Fogo!
Ele sorriu, triste:
-Lis... Eu não posso mais continuar namorando contigo.
Ela ergueu uma sobrancelha bem no alto:
-Eu nem sabia que a gente tava namorando...
-Lis... - Sandro ia começar um protesto, mas deteve-se. A Lisiane tinha razão. Eles não eram namorados. Não oficialmente. Andavam de mãos dadas, frequentavam a casa um do outro. Tinha coisas dele no apartamento dela, tinha coisas dela na casa dele, eles faziam sexo, assistiam filmes aninhados um no outro. Mas não. Ele jamais a pedira em namoro.
Não oficialmente.
Não conforme manda o figurino.
A Lisiane falou:
-Então tu não quer mais me ver?
-Não... Não é isso... Eu só... Só não posso mais... Ter isso que a gente tem.
A Lisiane se recostou na cadeira. Estava calma feito um ninja, aquilo deixava o Sandro ainda mais nervoso.
Ela falou:
-Tu tá querendo sair com outra pessoa?
Ele maneou a cabeça negativamente:
-Não... Nada disso. Não é outra pessoa...
Ela se inclinou pra frente:
-Foi alguma coisa que eu disse? A minha forma de agir?
O Sandro suspirou:
-Não, Lis... Tu é um anjo... Eu não tenho nenhuma queixa de ti... Do teu comportamento...
-Não... Porque, se eu sou molenga demais... Se é por causa disso, de eu ser meio avoada...
-Não, Lis. Não é... Não tem nada a ver com isso. Não é tu...
Ela deixou os braços caírem sobre a mesa, sua expressão se alterou sensivelmente:
-Não. - Ela sentenciou -Se tu não quer mais "isso que a gente tem", é porque alguma coisa tá te incomodando. Se tá te incomodando e tu não quer mais estar comigo, é alguma coisa que eu faço... Eu te sufoco?
Ele se recostou na cadeira, tentando ganhar alguma distância:
-Não... Tu não me sufoca.
-Eu te cobro alguma coisa? Eu te obrigo a fazer qualquer coisa de que tu não gosta?
O Sandro apenas voltou a balançar a cabeça em sinal de negativo.
-Pois é. Eu não te pedi pra conhecer meus pais, não te pedi pra ir à nenhuma festa familiar comigo, nem te pedi pra comprar absorvente no mercado pra mim, nada, Sandro. Nada, nunca.
-Eu sei. - Ele disse, olhos baixos.
-E agora tu diz que "não quer mais ter isso" comigo? É porque eu não te cobrei? É isso? Tu queria ter sido mais cobrado? Queria que eu fosse essas gurias melosas e grudentas que ficam puxando o rosto do namorado quando ele tenta olhar pro outro lado?
-Lis-
Ela o interrompeu:
-Ah, não. Desculpa. Tu não era meu namorado.
Ela falou alto. Algumas pessoas olharam. O Sandro não disse nada. Ela cobriu o rosto com a mão. Ele pensou que ela iria chorar, ficou em pânico com a perspectiva. Mas ela estava calma quando tirou a mão e se dirigiu a ele:
-Sabe o que eu desejo, Sandro? Que tu seja muito feliz. Seja sozinho ou com outra pessoa... Mas quer saber? Eu acho que tu não consegue ser feliz. Tu não consegue porque tu não sabe o que quer. Tu não sabe do que tu não gosta, então como é que tu vai saber do que é que tu gosta?
Ela levantou, juntou a bolsa e saiu.
Sandro ficou olhando enquanto ela se dirigia à saída, com suas pernas compridas sendo jogadas uma na frente da outro quase como se estivesse marchando.
Ela tinha razão em vários aspectos.
O Sandro não podia se queixar de cobranças por parte dela.
A Lisiane jamais fazia nenhuma. Nenhuma cobrança, nenhuma queixa, nenhum ultimato, nada. Ela era a figura do contentamento.
Ela parecia amar a vida. Parecia amar tudo o que a vida tinha. As coisas boas e as ruins. Ela sabia aproveitar tudo, filtrar sabedoria de tudo, rir mesmo das coisas mais chatas. Era parte do que o fazia amá-la.
E sim. Ele a amava. A amava e sabia que não estava agindo direito com ela.
Queria pedi-la em namoro. Um dia de noite, na frente da casa dela, segurando sua mão após terem assistido a um filme no cinema.
Queria pedi-la em casamento sobre um dos joelhos, anel dentro da caixinha, música de fundo dizendo que estar com ela o fazia muito feliz, e que se ela lhe desse a chance, ele passaria o resto da vida tentando retribuir.
Mas não dava...
Não dava porque a Lisiane era demais pro Sandro. Era areia demais pro caminhãozinho dele. Ele sempre soube, mas só descobriu com certeza ao perceber um padrão.
Um padrão na roupa íntima da Lisiane.
Ela era dessas mulheres que usam só calcinha rendada, estilo tanga e fio dental.
O Sandro era pra mulher que usa calcinha grande, tipo da vovó, mas de algodão.
E olhe lá.
Rapidinhas do Capita
Trailer novo do que deve ser o melhor filme de super-herói de 2014, X-Men - Dias de um Futuro Esquecido, que estreia em 22 de maio.
Na prévia, várias cenas inéditas, e foco no dilema enfrentado por Charles Xavier, e o conflito entre sua versão jovem (James McAvoy), e a tradicional (Patrick Stewart), além de vislumbres de vários dos trocentos mutantes no filme:
Ainda bem que tem o Capitão América em abril, pra ninguém roer os dedos até maio.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Por falar no bandeiroso, olha só que bonitão o pôster estilo retrô lançado essa semana pro filme:
Antes desse, já havia sido divulgado outro pôster de estilo vintage aludindo ao estilo artístico de Jim Steranko, provavelmente para reforçar a ideia do filme, de ser um thriller de espionagem governamental disfarçado de filme de super-herói. Se funcionar, vai ser épico.
Capitão América: O Soldado Invernal estréia em 11 de abril.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Enquanto isso, na Itália, os Vingadores estão saindo no braço com Ultron (ou seus símiles...), nas últimas fotos do set, vemos a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), Mercúrio (Aaron Taylor Johnson) e o Homem de Ferro (o dublê de Robert Downey Jr.) no que parece uma quebradeira violenta com robôs Ultron (O vilão, mesmo, vai ser vivido por James Spader).
Nas fotos dá pra ver o visual da Feiticeira, bastante próximo da arte conceitual divulgada na semana passada, o Arqueiro mantém o traje do primeiro filme, o Homem de Ferro parece usar uma variação da Mark XLII. O barato, mesmo, foi ver que Johnson está usando um traje que dialoga legal com a versão quadrinística, com direito a azul, prata e até uns relâmpagos (Screw you, Flash), além de, o mais legal, estar com os cabelos brancos.
Ainda bem que tem bastante coisa boa estreando até maio do ano que vem...
Aí uma leva de imagens:
Marcadores:
Cinema,
Nerd,
Rapidinhas,
super-heróis
quarta-feira, 19 de março de 2014
Rapidinhas do Capita
Trailer Final de O Espetacular Homem-Aranha 2
Rapaz, saiu hoje o trailer final de O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro.
A prévia de pouco mais de dois minutos e meio é recheada de cenas espetaculosas, daquelas de fazer nerd roer as unhas e começar a contar os dias até a (pré?) estréia.
Sem mais delongas, embasbaque-se.
E aí? será que demora demais até dois de maio?
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
A Marvel divulgou ontem, em um documentário exibido na TV norte-americana, as primeiras artes conceituais apresentando o que deve ser o visual (ou um dos visuais) da Feiticeira Escarlate e do Mercúrio, que estarão em Os Vingadores - A Era de Ultron.
As artes já mostram os heróis com as feições de Elizabeth Olsen e Aaron Taylor Johnson.
A Feiticeira:
O Mercúrio:
O traje da Feiticeira, eu confesso, não me parece um visual final. Mal e mal é um uniforme. Talvez aconteça com Wanda Maximoff o que aconteceu com o Gavião-Arqueiro no primeiro filme, uniforme, mesmo, só no finalzinho. Já o traje do Mercúrio está bastante próximo do tradicional dos quadrinhos. O fato de não ter nenhum raio em lugar nenhum pode causar algum estranhamento, mas com a série do Flash vindo por aí, com relâmpago no peito e nas orelhas, é compreensível.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Ah, sim. Mais duas imagens mostradas sugerem a presença da armadura Caça-Hulk do Homem de Ferro no filme:
Será que o Hulk vai ser novamente usado como peão para os propósitos pérfidos do vilão da vez?
Esse nerd que vos escreve acredita que não. Baseado no antagonista da vez, parece muito mais provável que Ultron use o arsenal do Homem de Ferro contra os heróis.
Descobriremos com certeza em maio do ano que vem.
Marcadores:
Cinema,
Nerd,
Quadrinhos,
super-heróis
terça-feira, 18 de março de 2014
Resenha Game: The Last of Us - Left Behind
Vou confessar que sou um notório desprezador de DLCs. Sério. Pra ser cem por cento honesto, acho o fim da picada as publishers esperarem que, após pagar de cem a duzentos reais por um game, eu ainda esteja disposto a gastar mais dinheiro por add-ons, roupas, fases e outras besteiras que, todo mundo sabe, poderiam perfeitamente vir no disco pelo qual pagamos uma soma considerável.
Os poucos DLCs que eu cheguei a comprar nessa vida foram algumas fases para Star Wars - The Force Unleashed, que durante muito tempo foi meu game preferido, e pacotes de tralha para uma das edições passadas de FIFA. Após isso, minha carteira virtual da PSN ficou vazia por um boooom tempo.
Até algumas semanas atrás, no meio das minhas férias, quando li que a Naughty Dog estava publicando um conteúdo para download de The Last of Us.
Se tu não sabe o que é The Last of Us, então não tinha nada que estar lendo uma resenha de game, muito menos a deste DLC, que, na resenha, terá spoilers da história do game principal.
Mas enfim, The Last of Us foi o melhor game lançado no ano passado. Que me desculpe o ótimo Assassin's Creed IV - Black Flag, e o magnífico Grand Theft Auto V, mas nenhum game era tão bonito, tinha uma trilha sonora tão fabulosa, personagens tão encantadores e nem um roteiro tão bem escrito.
Por mais que seja maneiro abalroar navios ingleses com o Gralha, ou perder as estribeiras com o quase indestrutível Trevor Phillips, a luta desesperada de Joel e Ellie para se manterem e manterem um ao outro vivos, em um mundo pós-apocalíptico infestado de pragas que iam da infecção de cordyceps à própria natureza humana é desses games que dá vontade de aplaudir quando termina.
Mesmo descrente dos DLCs, qualquer coisa que me desse a possibilidade de visitar Joel e Ellie novamente era digna de dar uma olhada, então, no sábado, espanei o pó da minha carteira na Playstation Network, e comprei por módicos R$29,90 o conteúdo "baixável".
A primeira coisa a se saber sobre Left Behind é que está longe de ser uma desnecessária desculpa da Naughty Dog pra capitalizar (ainda mais) em cima do espetaculoso game original (esse é o papel do filme baseado no game que a Sony vai lançar.).
O add-on é um interessante capítulo que mistura um flashback do último encontro de Ellie com sua melhor amiga, Riley, bem como lança uma luz ao hiato que existe, no game principal, entre os capítulos Outono, e Inverno, onde Joel se vê gravemente ferido após enfrentar alguns saqueadores.
Então, a grande estrela do DLC é Ellie.
Em ambos os segmentos a guria é a personagem central, o que garante à jogabilidade um elemento de furtividade quase obrigatório. Como quem já jogou o game bem sabe, Ellie pode ser imune à infecção, mas uma dentada bem dada no pescoço ou um monte de bordoadas ainda a matam rapidamente.
Se com Joel era possível pegar um porrete e quebrar ele na cabeça de alguns estaladores e depois arrebentar perseguidores a socos, com Ellie a coisa muda de figura. Manter-se escondido e em silêncio ainda é a melhor pedida, de modo que encontrar utensílios para fazer coquetéis molotov e bombas de pregos ainda é mais útil do que encontrar meia dúzia de balas para a sua pistola.
Como já foi dito, a parte do game paralela à história central, mostra Ellie tentando manter Joel vivo. Para isso ela procura em um shopping abandonado por medicamentos e suturas para tratá-lo. Essa busca é entrecortada pela lembrança de Ellie da última vez em que esteve com sua amiga, também em um shopping abandonado na zona de quarentena de Boston, logo após Riley ter se unido aos Vaga-Lumes.
Como no game original, Left Behind tem seu ponto alto no roteiro, focado de maneira admirável no desenvolvimento dos personagens.
A relação de Ellie e Riley é tocante. Os momentos que as duas partilham rindo, brincando, contando piadas e dividindo uma cabine de fotos são tão bem escritos que chega a ser irritante como é verossímil e terno, além de tornar a tensão de saber como a brincadeira termina quase palpável.
Os gráficos seguem excelentes, a engenharia das fases é esperta, os infectados assustadores (embora não muito inteligentes), e as notas e bilhetes encontrados pelos cenários ajudam a criar um clima de desolação que só torna a imersão mais profunda e a experiência mais gratificante.
The Last of Us não precisava de um add-on, mas, por Deus, que bom que ele existe.
"Vamos lá. Quando foi que eu te meti em confusão?"
segunda-feira, 17 de março de 2014
A Bisca
A Jurema, depois de trinta e cinco anos de casamento, encasquetou que o Gumercindo tinha arrumado uma "namorada".
E ela dizia assim, mesmo:
Namorada.
A Jurema achava que o Gumercindo, tosco como era, não era homem de ter amante, que amante era coisa de grã-fino, que mantinha relacionamento extra-conjugal, vulgo safadeza, com a secretária, moça de vinte e poucos anos que nem era bonita, mas era novinha e deixava o velho fazer nojeiras como gozar na boca, em troca de um apartamento bem montado num bairro boêmio perto do centro enquanto o calhorda mantinha a família numa casa de três andares com quarenta e três cômodos na Zona Sul, garantindo que a empregada e a cozinheira estivessem com os salários em dia, assim como o pagamento da faculdade da filha mais velha e a psicóloga do filho mais novo.
O Gumercindo não fazia nada disso.
Como é que o Gumercindo, pé rapado, com cinquenta e quatro anos, trabalhando de porteiro, ia ter secretária? É nunca.
O Gumercindo não pagava nada nem pra Jurema, que tinha que acumular as funções de empregada e cozinheira da casa simples de dois dormitórios no Guajuviras, comprada com muito suor, dele e dela, também, que não só acumulava as funções de empregada e cozinheira em casa, como também o fazia pra fora, trabalhando como diarista, pelo menos até o ciático reclamar, e fazendo pastel pra Valdirene vender na faculdade, que diga-se de passagem, era a própria quem pagava com muito suor, trabalhando de telemarketing.
O Gumercindo também não pagava a psicóloga do Gum Júnior, que aos dezesseis anos, se precisava de algum tratamento pra cabeça, era um que fosse aplicado com porrete, porque, que Deus perdoe a dona Jurema, mas ela acha que só dando na cabeça do Gum Júnior até ele desmaiar pra resolver os problemas daquele menino, que, francamente, só queria saber de ouvir funk e não era ajuizado nem pra preencher o boné com a cabeça, imagine pra dar jeito na vida e conseguir um trabalho igual a irmã mais velha, aquela sim, um primor, embora também tivesse tido uma fase tinhosa na adolescência.
Mas enfim, a Jurema resolveu que o Gumercindo tinha uma amante, e não era porque ele, de repente, tinha começado a comprar loção pós-barba no mercado, nem porque ele resolveu que a Jurema precisava usar alvejante na camisa dele, não, não foi por isso, que isso ela teria interpretado como um sinal tardio de que o Gumercindo estava tentando trabalhar mais apresentável. Também não foi aquele fio de cabelo loiro, quase branco, que ela achou na lapela do blazer do uniforme dele. E nem foi o suspeitosíssimo telefonema que ela pegou ele fazendo pra, imagine só, um salão de beleza...
O que convenceu a Jurema que o Gumercindo tinha uma amante, digo, namorada, foi o fato de que um dia de noite ela foi encostar o pé dela no dele por baixo das cobertas, e ele refugou.
Tirou o pé, na maior cara de pau. Sem a menor cerimônia.
Simplesmente afastou o pé na hora em que a Jurema encostrou o pé no dele. Ora, francamente, se a Jurema conquistara alguma coisa naqueles trinta e cinco anos, fora o direito de esquentar o pé dela no pé do Gumercindo, que mesmo sendo magro igual um fiapo, tava sempre com o pé quentinho.
Ela cozinhara, limpara, lavara e criara os filhos daquele ingrato, o mínimo que ele devia fazer, era ter a decência de reconhecer que tinha a obrigação moral, de aquecer os pés dela, já que não ganhava dinheiro suficiente pra dar bons presentes nem pra mimá-la um pouquinho com um pacote do Big Brother na TV a cabo que, diga-se, ela tivera que quase implorar pra ele instalar, e mesmo assim ele só concordou depois que a Valdirene disse que precisava ter internet em casa, porque o computador que ela comprara não ia servir pra faculdade sem a tal da internet.
Agora esse calhorda, esse biltre, esse safado, cretino, salafrário, arrumava uma namorada, e não queria mais esquentar o pé da Jurema debaixo das cobertas. O que seria? Ela o repelia fisicamente? Será que a cabeleireira, manicure, ou fosse lá o cacete que fosse a cretina que tava mimando aquele safado por fora era tão mais bonita? Tão mais atraente?
O Gumercindo achava que era fácil, ser atraente quando se acorda todo dia seis da manhã pra fazer café pra esperar o desavergonhado do marido chegar em casa?
Acha que é fácil ser feminina quando se mata um leão por dia esfregando, varrendo, ensaboando, e esfregando de novo?
Que é fácil ser cheirosinha que nem aquela bisca bebedora de porra quando se está quatro vezes por dia com os braços até o cotovelo na farinha, na banha, no cheiro-verde, na cebola e na carne moída fazendo pastel?
Ah, mas o Gumercindo ia pagar ela.
Se ele quisesse ficar colocando aquele pinto velho e murcho dele nos quartos de alguma Messalina por aí, ele que colocasse, mas ela não ia ser a empregada dele pra ele estar bem apresentável e bem alimentado pras safadezas dele, ah, mas não ia, mesmo.
O Gumercindo que se preparasse pra quando chegasse em casa. Ele ia ver só uma coisa.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Enquanto isso, o Gumercindo passou o posto pro porteiro do dia no prédio onde trabalhava bem a tempo de ganhar um abraço apertado da Lavínia, um amor de menina, loirinha de sete anos de idade que ficara eternamente grata a ele por ter encontrado o Eleocádio Rom-Rom, o gato fujão dela no mês passado.
Quando começou a andar, tomando o rumo de volta pra casa, o Gumercindo, alheio à tempestade que assomava em seu horizonte doméstico, fazia umas contas e pensava se naquele mês ia sobrar o dinheirinho pra ele ir ver uma podóloga ou uma pedicure, porque aquela unha encravada tava matando ele de dor. De noite, quando a Jurema ia aquecer os pés dela nos dele debaixo das cobertas, e chegava se encostando, ligeira, batendo no dedão quente de tão inflamado dele, o Gumercindo quase gritava de dor.
Assinar:
Postagens (Atom)

















