Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Disfarçada de Certeza
Eu te encontrei...
Assim, de supetão, num comentário aguardando moderação há mais de quatro meses...
E eu fiquei pensando... Será que era tu?
Será que era tu, de verdade?
Porque... Tu está tão longe... Metafórica e fisicamente. Tão distante... Que eu fico, volta e meia, te trazendo pra perto quando escrevo. Nas vezes em que tu transborda da minha memória e me escapa pelos dedos pra tela do computador.
Eu te trago pra perto porque preciso reviver e reinventar pontos finais que jamais foram colocados... Pra me convencer que eu preciso seguir em frente e que tu está melhor agora e que eu vou ficar bem...
E de repente... Em um dia onde tudo ia bem... Onde eu só tinha pensado em ti duas vezes... Eu me deparo com aquelas palavras anônimas...
E me pergunto se era tu...
Era tu?
Tu ainda pensa em mim? Ou pensava em abril...
Tu ainda pensa em mim, ao menos de vez em quando, como eu penso em ti de vez em sempre? Todo o dia? Toda a hora?
Tu ainda me vê no boneco do Demolidor na tua estante como eu te vejo na ausência dele na minha?
Era tu?
Jogando o cabelo pro lado e escrevendo algumas palavras cálidas pra mim? Fosse por saudade, fosse por saudosismo... Me dizendo o que tu achava que eu gostaria de ouvir, ou o que tu de fato sente, sentia, sentiu...
Era tu?
Olhando por cima do ombro e pensando "até que não foi de todo ruim", ou "as partes boas fizeram as ruins valerem a pena", ou "por você eu esperaria até o dia d'A Chegada do Reino"...
Era tu?
Me lembrando de o quanto eu fui feliz e completo e bobo de jogar tudo pela janela por medo e senso de inadequação? Me lembrando que o que havia entre nós era tão perfeito que ao primeiro sinal de problemas eu senti que tinha estragado tudo e precisei te afastar?
Era tu?
Me mostrando que minha sensação de ostracismo era infundada? Que tu está feliz e bem e ainda tem espaço no teu coração completo pra me dirigir alguma atenção?
Era tu? Me dizendo, gentilmente, que o trem partiu, mas meu lugar ficou vazio?
Era tu?
Eu não sei. Não com certeza, mas vou manter pra mim que sim.
Que era.
E essa ideia disfarçada de certeza, vai me fazer sorrir nos próximos dias. Todas as vezes em que eu pensar em ti.
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Resenha DVD: Vida
Em anos recentes, sempre tem havido algum sci-fi que deita a concorrência, e, a menos pra mim, fica com folgas no posto de melhor filme do ano. Interestelar, Perdido em Marte e A Chegada são os que me vem à mente de primeira. Filmaços que galgaram o lugar mais alto no pódio do meu top-10 de cinema anual, sem contar Gravidade, que não encabeçou minha lista em seu ano de lançamento mas, tenho certeza, deve ter figurado na metade mais alta da lista, no mínimo...
E é justamente por ser um apaixonado pelo gênero, e estar ciente de que todo o ano sai um representante muito foda do gênero, que eu lamentei tê-lo perdido nos cinemas, e fiquei feliz por encontrá-lo na locadora no final de semana.
No filme de Daniel Espinosa, o mesmo de Protegendo o Inimigo e Crimes Ocultos, uma tripulação de especialistas à bordo da Estação Espacial Internacional se prepara para o que pode ser um momento decisivo na História da ciência.
Uma cápsula com material de pesquisa colhido de Marte pela missão Peregrino vai passar pela Estação, e os astronautas têm apenas uma chance de agarrá-lo com um braço mecânico e trazer as amostras para estudo. O homem para a missão é o especialista Rory Adams (Ryan Reynolds), que consegue capturar as amostras de solo que imediatamente passam ao cientista Hugh Derry (Ariyon Bakare), que se põe a vasculhar as amostras de solo em busca de indícios de vida extraterrestre.
E eles encontram.
O que inicialmente é uma única célula em estado dormente, sob os estímulos certos logo começa a multiplicar as células de seu organismo confirmando a existência de vida fora da Terra.
Há um grande alarde midiático, os astronautas a bordo, Sho Murakami (Hiroyuki Sanada), Miranda North (Rebecca Ferguson), Katerina Golovkina (Olga Dykhovichnaya) e David Jordan (Jake Gyllenhaal) são tratados como celebridades dando entrevistas direto da Estação Espacial enquanto os estudos seguem com o alienígena, batizado Calvin em um concurso entre escolas na Terra, crescendo e maravilhando Hugh por sua capacidade ímpar de adaptação.
Quando a forma de vida, que à essa altura adquiriu a forma de uma pequena mistura de flor e estrela-do-mar, entra novamente em estado de hibernação, Hugh, que é paraplégico, e vê na criatura o potencial para curar qualquer tipo de moléstia terrestre graças à sua inacreditável estrutura celular, vê-se disposto a tentar tudo para tirar o alienígena de seu torpor. E é justamente nesse momento que as coisas começam a dar errado.
Calvin desperta de fato, mas o faz na como um organismo baseado em carbono que precisa de oxigênio, água e alimento para sobreviver e crescer. E ele quer crescer mais, e mais rápido.
Inicialmente uma massa de pétalas grudentas que corre pelas paredes se escondendo dos astronautas (o que, convenhamos, já é bem ruim), Calvin não tarda a começar a se alimentar dos membros da tripulação enquanto aumenta seu tamanho e inteligência transmutando-se em uma grande mistura de flor de lótus, naja e polvo decidida a seguir aumentando de tamanho, transformando os labirínticos e claustrofóbicos corredores da Estação em um sinistro campo de caça de onde ninguém pode escapar sem eliminar a criatura que, se por alguma eventualidade chegar à Terra, pode causar uma hecatombe sem precedentes.
Eu gosto de um bom filme de monstro espacial.
Na verdade, estava curioso pra ver o que se apresentava como uma mistura de Gravidade e Alien: O Oitavo Passageiro, um respiro bacana após tantas ficções científicas mais calorosas. Não é difícil de imaginar que Reeth Reese e Paul Wernick, roteiristas do longa (e responsáveis pelos scripts de Deadpool e Zumbilândia) tenham assistido Gravidade e pensado em como aquela situação poderia ficar ainda pior.
Sem uma premissa original, o negócio seria Reese, Wernick e Espinosa capricharem na atmosfera de tensão e nos sustos, o que jamais acontece.
Há alguma sequências inspiradas, como o primeiro cumprimento de Calvin, uma cena realmente tensa sob diversos aspectos, o problema é que, daí pra frente, a coisa toda vai se tornando mais previsível e aborrecida, afinal de contas, só há um certo número de coisas que se pode imaginar com um polvo espacial dentro de corredores estreitos, e não tarda para que as possibilidades se reduzam a correr flutuando pelos corredores, fechando a escotilha no último instante apenas para descobrir que Calvin conseguiu se esgueirar por outra fresta...
O longa ainda tenta se redimir de sua previsibilidade com uma cena final algo amarga, mas a verdade é que, na preparação para o desfecho, nós já começamos a antever do que se trata o encerramento, e, de novo, não há surpresa.
Apesar dos esforços de um bom elenco e da boa fotografia de Seamus McGarvey, Vida não decola, apenas flutua como os cadáveres das vítimas de Calvin, e meia hora após o fim do filme, a audiência já não liga para aqueles personagens e nem para aquele alienígena que os comeu.
"-Isso parece as merdas d'A Hora dos Mortos-Vivos...
-Essa é uma referência obscura.
-Não pra um Nerd."
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
Resenha Blu-Ray: Kong - A Ilha da Caveira
Minha fé em Kong - A Ilha da Caveira, era inversamente proporcional ao tamanho do macacão no poster do filme, desde as primeiras imagens deixando claro ser bem maior do que os treze metros do King Kong que eu conheci. O Kong de Ilha da Caveira não escala arranha-céus, ele próprio é um arranha-céu.
Essa turbinada no tamanho do símio gigante é necessária para que Kong possa enfrentar Godzilla num futuro crossover de monstros gigantes, porque aparentemente, hoje em dia, não basta a um estúdio ter uma franquia (Kong é da Warner, que já tem a DC e Harry Potter), é necessário ter um universo compartilhado, não importa se é uma boa ideia, ou não.
Esse Kong - A Ilha da Caveira, dá a pinta de ser um lance feito algo apressadamente de maneira a aproveitar o sucesso do Godzilla, de Gareth Edwards, um filme que eu, francamente, não achei tão bom quanto foi alardeado.
Isso não significa, porém, que o novo King Kong seja um filme ruim, ou desprovido de qualquer qualidade.
Não é o caso.
Há boas ideias no longa de Jordan Vogt-Roberts, ainda que elas não sejam sempre bem aproveitadas e nem bem organizadas.
O filme narra a história de um grupo de cientistas que, em 1973, no apagar das luzes da guerra do Vietnã consegue permissão do governo dos EUA para explorar uma ilha não-cartografada no pacífico sul. Os idealizadores dessa pesquisa são Bill Randa (John Goodman) e Houston Brooks (Corey Hawkins). Sua desculpa para investigar a ilha é a de explorá-la antes que os soviéticos o façam, mas, na verdade, Randa planeja encontrar lá um novo tipo de ecossistema que existe no subterrâneo, composto por criaturas tão grandes que teriam tomado parte na extinção dos dinossauros.
Para chegarem à ilha, cercada sempre por um microclima de tempestades perenes, os cientistas precisam de escolta militar, que se materializa na forma do coronel Preston Packard (Samuel L. Jackson), um militar devotado ao seu ofício, que ainda não aceitou a derrota no Vietnã. O coronel Packard e seus homens, um grande contingente de militares dos quais apenas uns dois ou três são dignos de nota, se juntam a Randa, Brooks e seu grupo, um grande contingente de cientistas dos quais apenas dois ou três são dignos de nota, além do ex-oficial da SAS James Conrad (Tom Hiddleston), e da fotógrafa de guerra Mason Weaver (Brie Larson).
O plano é verificar o subsolo da ilha através da detonação de cargas explosivas sísmicas, uma maneira bastante irresponsável de explorar um ambiente estranho sem nenhum contato documentado com a humanidade, devo dizer, mas enfim... O plano é cruzar a ilha de norte a sul, encontrar um grupo com combustível e suprimentos, reabastecer as aeronaves e ir embora.
Obviamente não precisamos de mais do que meia-dúzia de explosões para que o rei da ilha, Kong em pessoa, apareça e lance o horror sobre os militares, que desprovidos de seus equipamentos e aeronaves se veem em um ambiente absolutamente hostil onde não são nada além de comida.
Pior: Ao lançarem suas cargas sísmicas, os visitantes despertaram um grande terror oculto nas entranhas da terra, e não tarda para que sua única chance de sobrevivência seja confiar em Hank Marlow (John C. Reilly), um combatente da Segunda Guerra Mundial que está perdido na Ilha há 28 anos, e em Kong, adorado pela tripo que lá vive como um Deus Protetor. Mas mesmo isso pode ser impossível conforme um dos membros do grupo passa a nutrir um ódio quase mortal por Kong.
Os filmes de monstros se dividem entre os de suspense e os de aventura.
Nos suspenses nós pouco vemos o monstro, que geralmente é guardado para o final em uma revelação épica que toma quase toda a duração do filme ao longo do qual temos mais a reação das pessoas à criatura. Nos filmes de aventura, o fetiche é o monstro, e não seu efeito sobre as pessoas, e nós podemos ver o bicho desde o começo e ele raramente fica longe da tela.
Ilha da Caveira, obviamente é um exemplar do segundo tipo, contra o qual, aliás, eu nada tenho.
Kong aparece na tela parcialmente logo nos primeiros minutos de filme, e não leva meia hora pra comandar as ações do longa junto com todas as outras criaturas que habitam a ilha, aranhas gigantes, búfalos gigantes, polvos gigantes, e lagartos rastejantes com bicos de pterodáctilo e cauda de serpente que não têm pernas (é, eu sei. Estranho).
O roteiro de John Gatins, Dan Gilroy, Max Borenstein e Dereck Connoly acerta a mão em diversos pontos, como situar a ação nos anos setenta, quando mapeamento por satélite ainda era uma novidade e o gosto amargo do Vietnã ainda era muito presente na boca dos militares norte-americanos, usando uma trilha sonora cabulosa com Creedence Clearwater Revival, Jefferson Airplane e outras clássicas enquanto presta homenagens mais do que claras a Apocalypse Now e Platoon, enquanto tece não-tão-discretas críticas ao militarismo estadunidense em meio ao espetáculo.
O ponto é que, a despeito dos efeitos visuais caprichados, que dão tamanho e peso às criaturas na tela, o visual de Kong não é tão espetacular. Não há nada de novo em ver monstros gigantes de digladiando. A luta entre o King Kong de Peter Jackson e dois tiranossauros ainda é melhor do que qualquer uma das várias cenas de luta em Ilha da Caveira.
Outro senão do longa é que os personagens simplesmente não evocam interesse. Ninguém liga pro rastreador bonitão de Tom Hiddleston, nem pro milico malvado de Jackson, ou pra mocinha de cabelos revoltos de Brie Larson. O único personagem realmente cativante do filme é o de John C. Reilly, que consegue roubar a cena até mesmo de Kong, óbvia estrela do filme, seguido de muito longe pelos soldados Cole de Shea Whigham e Slivko, de Thomas Mann, de resto, são todos arquétipos, acessórios ou comida de monstro.
Mesmo Kong, um personagem com quem, em geral, a audiência se importa (eu me escondi embaixo do sofá, chorando, após a morte do Kong de 1973), não gera o mesmo fascínio conforme sabemos que ele precisa sobreviver a esse filme para enfrentar Godzilla, então até o mote da destruição da natureza de Kong como o bom-selvagem é diluído, e o filme se dilui junto.
Ainda assim, Kong, se for visto de maneira absolutamente despretensiosa, rende duas horas de entretenimento rasteiro. Há capricho técnico e um elenco de qualidade sem ter muito o que fazer (John Ortiz, Richard Jenkins, Toby Kebbell também estão no elenco junto com a, agora obrigatória presença chinesa, Tian Jing), e Kong termina deixando bastante claro que era, acima de tudo, um produto mais do que um filme.
Assista se for um fã hardcore de filmes de monstros, ou estiver preso em casa numa tarde chuvosa de domingo.
"-Ás vezes não há inimigo até você procurar um."
Resenha Série: Game of Thrones, Temporada 7, Episódio 7: The Dragon and the Wolf
Atenção! Essa postagem é escura e cheia de spoilers!
O episódio da semana passada de Game of Thrones, Beyond the Wall, teve alguns problemas de desenvolvimento por conta da correria do capítulo de enfiar uma grande quantidade de informações em um espaço relativamente exíguo de tempo.
Apesar das piadas sobre Gendry ser aparentado com Usain Bolt, corvos supersônicos e dragões Concorde, porém, Beyond the Wall fora um bom episódio da série, e só não foi excelente por conta da bagunça cronológica que acelerou os acontecimentos para caberem no formato mais exíguo da temporada, encurtada em três episódios na comparação com as anteriores.
Felizmente, o episódio de ontem, season finale dessa sétima temporada, voltou aos melhores momentos de Game of Thrones, entregando um episódio sensacional que se esticou até quase uma hora e vinte minutos de TV de altíssima qualidade.
The Dragon and the Wolf abriu com os exércitos de Daenerys chegando a Porto Real para o encontro com as forças de Cersei. Era o momento que Jon esperava há tempo, de provar aos reinos do sul a existência dos Outros, dos Andarilhos Brancos, do Rei da Noite e tentar conclamar a união dos vivos contra os mortos.
No Fosso dos Dragões, local escolhido para o encontro, tivemos uma das maiores reuniões de personagens desde a primeira temporada, com Jon, Daenerys, Cersei, Jaime, Davos, Jorah, Tyrion, Pod, Qyburn, Varys, Brienne, Bronn, Sandor, Gregor, Missandei, Theon, Euron... Enfim, quase todo mundo que ainda está vivo no sul, gerando um festival de encontros entre pessoas que jamais haviam se visto, especificamente Cersei e Daenerys, além de diversos reencontros, entre Tyrion e vários personagens que ele não via há tempos (Pod, Cersei, Sandor, Bronn...), além de uma prévia do Cleganebowl (o duelo prometido entre o Cão e a Montanha), e o reencontro de Brienne com Jaime e com o Cão de Caça (onde os dois relembram Arya e Sansa).
Enfim, o conclave entre as monarcas foi tão tenso quanto se poderia esperar, a rainha de Westeros não parecia inclinada a cooperar até ver o morto-vivo de além da Muralha.
É a visão da morte rumando para sul que faz com que Cersei aceite a trégua de Daenerys, mas imponha como condição que Jon Snow não assumirá lados quando o conflito pelo trono de ferro recomeçar.
Jon, é óbvio, não aceita a condição. Anunciando em alto e bom som que não pode fazê-lo por já ter aceitado Dany como sua rainha.
É bom ver que Jon mantém a honradez pétrea de Ned e de Robb. Por mais que todos saibamos que essa não é, nem de longe, a forma mais saudável de jogar o jogo dos tronos, quando Jon declara que precisa dizer a verdade, pois se não o fizer a vida se torna uma competição sobre quem conta as mentiras mais agradáveis, isso faz sentido.
Tanto para nós quanto para Daenerys, que se já estava atraída pelo bastardo nortista, fica claramente caidinha por ele depois disso.
A trégua, porém, era o mínimo que Dany e companhia haviam ido buscar em Porto Real, e estavam saindo de mãos vazias até que Tyrion resolveu dar um passo à frente e conversar em particular com a irmã.
É ótima a cena entre os dois (sempre foram, por sinal. Lena Headey e Peter Dinklage são ótimos juntos), com a amargura e o ódio de Cersei pelo caçula, ainda assim, o resultado da conversa pareceu o melhor possível, com Cersei não apenas aceitando a trégua, mas também prometendo lutar lado a lado com as forças de Dany e de Jon contra os exércitos do Rei da Noite.
Seria ainda melhor se não fosse, conforme descobrimos depois, apenas uma arapuca digna de Tywin Lannister. Cersei planejou tudo, de sua negativa inicial à proposta até a promessa de apoio, passando pela aparente deserção de Euron Greyjoy, de forma a ganhar tempo para trazer de Essos a Companhia Dourada, uma das mais poderosas forças mercenárias do mundo, com dezenas de milhares de homens, cavalos e elefantes, conhecidos por jamais ter quebrado um contrato (e que nos livros apoiam outro candidato ao Trono de Ferro...).
Aqui cabe outro parêntese, de que, por mais legal (e óbvio) que fosse termos todos os vivos se unindo contra os mortos, não se pode deixar de fazer sentido para a personagem estar maquinando e tramando pelas costas de seus inimigos. De uma forma distorcida, é mais honesto que Cersei aja dessa forma do que tendo uma grande epifania a respeito da necessidade de união entre todos. Ia parecer fora de lugar.
A traição de Cersei, porém, teve um efeito muito bem-vindo para os fãs da série (ao menos pra mim, certamente foi): Jaime, após tomar conhecimento da traição da irmã e de uma breve conversa com Brienne no encontro no Fosso dos Dragões, resolve desertar de sua rainha, e rumar para o Norte para tomar parte na Grande Guerra conforme prometera.
Bom pra ele.
Jaime é provavelmente o personagem que passa pela maior transformação nos livros, e é comum ver gente dizendo que o odiava no início, mas à certa altura passou a tê-lo como um dos personagens favoritos. Certamente aconteceu comigo, que ainda estou esperando para saber o que o aguarda no covil de Lady Coração de Pedra no próximo livro e reclamava abertamente sobre o desserviço que o seriado vinha prestando ao personagem em comparação com sua jornada na literatura. Vai ser bom ver o Regicida no lado certo de uma luta, pra variar. Quem sabe não é ele o destinado a matar o Viserion zumbi? Seria um tremendo salto ir de "kingslayer" a "dragonslayer".
A metade do episódio se deu em Porto Real, a outra metade, porém, aconteceu em Winterfell.
Eu havia dito alguns episódios atrás do potencial que o confronto entre Petyr Baelish e Arya Stark tinha para acabar mal. O maquinador mestre, afinal de contas, estava sempre dois passos adiante de todos os seus antagonistas, e era, ao lado de Tywin, Varys e Olenna, o melhor jogador da série.
Eu havia, inclusive, dito como era frustrante ver o Mindinho tocando Arya e Sansa ao mesmo tempo, manipulando as irmãs e usando a animosidade que sempre existira entre as duas para dar mais um passo rumo ao Trono de Ferro, seu objetivo máximo, com Sansa a seu lado.
O desfecho de todo o caso foi um bálsamo, especialmente por perverter algumas das regras às quais havíamos nos acostumado na série, por exemplo, a das tramas secretas que a audiência não via, serem aquelas maquinadas pelos vilões.
Nós não vimos Roose Bolton e Tywin Lannister armarem o Casamento Vermelho com Walder Frey, nem vimos Alliser Thorne planejar o assassinato de Jon Snow, ou Cersei ordenar que Lancell dopasse Robert antes da caça ao javali. Nós apenas ficávamos sabendo o que havia ocorrido na hora em que o plano se concretizava e os vilões alcançavam seu intento.
Ver isso acontecer do lado dos mocinhos, pra variar, foi particularmente satisfatório. Saber que, durante todo o tempo em que a tensão entre as duas aumentava, Arya, Sansa e Bran estavam fazendo um pequeno circo para Baelish se sentir confortável foi uma daquelas coisas que fazem a audiência rir alto na sala de casa. Grande parte do mérito da cena, por sinal, passa pelo show de Aidan Gillen, que desfilou um arsenal de reações em breves minutos após perceber que os Stark sabiam tudo o que ele vinha aprontando, afinal, Bran estava ali pra relembrar textualmente, até as coisas que o cafetão mais ambicioso de Westeros dissera antes de cometer suas traições mais vis.
Bran, aliás, não foi útil apenas no julgamento do Mindinho.
Samwell Tarly retornou ao Norte para se juntar aos esforços de guerra de Jon Snow. e lá, ao ouvir do Corvo de Três Olhos que Jon era um Sand, nome dado aos bastardos nascidos em Dorne, Sam lembrou-se de Gilly falando dos diários do septão que celebrou a anulação do casório de Rhaegar Targaryen com Elia Martell, e seu casamento com Lyanna Stark. Bran retornou no tempo para ver o casamento de Rhaegar e Lyanna, e o momento em que sua tia dizia a Ned Stark que o nome do menino era Aegon Targaryen.
Me permitam parar de novo.
Rhaegar já tinha um filho chamado Aegon, com sua esposa dornesa. Foi a criança cuja cabeça Gregor Clegane esmigalhou na parede antes de violar e matar Elia Martell. Esse Aegon morreu dois anos antes do nascimento de Jon, então, Rhaegar, ou gostava muito do nome (há onze Aegon na árvore genealógica Targaryen, fora Jon), ou, sendo obcecado com profecias como quem leu os livros sabe que é o caso, achava que O Príncipe que foi prometido deveria se chamar Aegon.
Outra curiosidade, nos livros, há outro pretendente ao trono chamado Aegon, que clama ser o filho de Rhaegar, que teria sobrevivido ao saque a Porto Real. Teoriza-se porém, que esse Aegon é, na verdade, um Blackfyre, casa derivada dos Targaryen iniciada pelo bastardo Daemon Waters, mas enfim, desculpem o devaneio...
De toda a sorte, a revelação surge de maneira muito bem sacada, com Bran testemunhando o casório, a revelação do nome de seu meio-irmão/primo, e narrando enquanto, em um navio rumo ao Norte, Jon Snow e Daenerys fazem sexo pela primeira vez, que Jon é o herdeiro legítimo ao Trono de Ferro.
É interessante imaginar como essa revelação vai pesar sobre a relação entre Jon e Dany. Não pelo fato de serem tia e sobrinho, essa revelação pode incomodar a audiência, não Dany, os Targaryen, afinal de contas, se casaram entre irmãos por gerações, e ela própria achava que estava destinada a se casar com Viserys antes de ser vendida a Drogo. O impacto pode ser político, já que a pretensão de Jon ao trono seria mais fundamentada do que a de Daenerys.
A expressão de Tyrion ao ver Jon entrando na cabine de Daenerys diz muito sobre as possíveis consequências da relação.
Antes de embarcar rumo ao Norte, porém, Jon teve uma conversa calorosa com Theon Greyjoy.
Uma conversa que colocou o filho castrado de Balon de volta nos trilhos. Deu-lhe uma boa sequência de luta e devolveu-lhe a espinha encaminhando sua jornada para a oitava temporada:
O resgate de Yara, ainda cativa de Euron.
Após passar tanto tempo sendo apenas o sofrenildo na sombra da irmã, ou a vítima das torturas de Ramsey, foi bom ter visto Theon voltar à luz, e mostrar um pouco de decisão e coragem, afinal de contas. Jon deveria ser palestrante motivacional, além de Rei do Norte.
O desfecho do episódio, porém, ainda guardava um grande momento:
Da muralha, Tormund e Beric viram conforme as infinitas forças do Rei da Noite avançavam para fora da mata perfilando-se ante o último obstáculo. Se a coisa já estava ruim com a mera visão do exército de zumbis e Andarilhos Brancos, piorou quando, das nuvens, surgiu o senhor dos mortos montado em Viserion, o dragão de gelo da profecia, que devastou um naco da Muralha, permitindo a passagem de suas forças rumo aos reinos dos homens, e levando consigo a Longa Noite.
Após um episódio acelerado em demasia, Game of Thrones acertadamente pisou no freio e por quase oitenta minutos nos entregou o desfecho do sétimo ano com cenas mais longas e cheias de diálogos, temperadas com revelações, traições e reviravoltas para embalar o que foi, de longe, a melhor temporada de Game of Thrones até aqui, e deixar todo mundo na ponta do sofá após o final com um cliffhanger daqueles.
O negócio agora é torcer para que o oitavo ano da série de fantasia mais sensacional da história da TV não chegue apenas em 2019.
Seria uma espera longa demais para quem ainda está roendo as unhas esperando que George R. R. Martin lance Os Ventos do Inverno.
"-Quando o inverno chega, e sopram os ventos brancos, o lobo solitário irá morrer, mas a alcateia sobreviverá."
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
Resenha Série: Os Defensores, Temporada 1, Episódio 8: The Defenders
Os Defensores vinha sendo um programa que melhorou a cada episódio após um começo algo modorrento, alcançando seu ápice por volta da metade da temporada e voltando a cair de qualidade na sequência de uma maneira tão vertiginosa que o último capítulo conseguiu ser um dos piores da temporada, um tremendo desperdício de potencial.
Os Defensores não retomou de onde Fish in the Jailhouse terminara.
Na verdade o episódio volta alguns minutos no tempo para um diálogo que não havia acontecido no episódio sete, onde os personagens em Midland Circle debatem a legitimidade de um plano que envolve destruir um arranha-céu no meio de Nova York, um ato de terrorismo doméstico, frisa Jessica Jones.
No subsolo, descobrimos que o Tentáculo queria chegar à estrutura em forma de domo selada pelos anciãos de K'un-Lun para acessar o cemitério de fósseis de dragão escondido sob Midland Circle. É através desses restos mortais que a organização sintetiza a Substância que oferece vida eterna aos seus membros. A destruição de Nova York era um mero efeito colateral geológico da remoção dos fósseis.
Enquanto Danny começa a lutar com Gao e seus capangas, os demais heróis partem em seu resgate, deixando Colleen e Claire incumbidas de plantar as cargas de demolição nos locais indicados pelo arquiteto e colocar o edifício abaixo.
Isso leva ao confronto definitivo entre Bakuto e Colleen, com participação de Claire e Misty Knight e um momento que era aguardado pelos fãs da policial dos quadrinhos, e um novo encontro entre os Defensores e o Tentáculo na caverna sob Nova York, onde eles têm uma última chance de derrotar essa organização milenar, agora sob o comando de Elektra.
Um tremendo anticlímax.
Chega a ser triste lembrar que o ponto alto da série em termos de ação foi, mesmo, a luta do grupo de vigilantes contra o Tentáculo quando os quatro se encontram pela primeira vez, e os duelos entre Luke e Danny e entre Demolidor e Danny, e que daí pra frente, as cenas de luta foram apenas mais do mesmo. Após apresentar os cinco braços do Tentáculo, a minha expectativa é que cada um daqueles sujeitos fossem ser grandes desafios individuais para os heróis, mas não, eles são um bando de lutadores meia-boca que justificam o fato de viverem escondidos sob o manto do anonimato, eu nem mesmo sei como foi que eles conseguiram matar os Punhos de Ferro que vieram antes de Danny.
No final das contas o grande desfecho da série foi uma panorâmica dos super-heróis espancando um bando de seguranças armados enquanto Matt enfrentava Elektra.
Sim, Charlie Cox é ótimo, Elodie Young é apaixonante, e a coreografia de luta deles não é tão ruim quanto o resto, mas continuar batendo na tecla do "ainda há bem em você", "o jogo é divertido" acaba cansando, especialmente porque já vimos isso ser explorado, e muito melhor explorado, na segunda temporada da série solo do vigilante cego.
Pra piorar, após tanto alarde, simplesmente não há consequências para o confronto, as ameaças do Tentáculo, as mortes e nem pra destruição do prédio da Midland Circle.
Tudo acaba bem, exceto para os vilões.
Após ter mostrado pontas de excelência no meio da temporada e até em episódios mais recentes, como Ashes, Ashes, Os Defensores entregou um final vazio e aborrecido, que mais pareceu uma forma de dar continuidade às séries solo dos personagens sem precisar se preocupar com os eventos da série da equipe.
Uma pena, especialmente porque, no decorrer dos oito episódios, nós vimos que esses personagens tinham uma química de grupo genuína, e funcionavam em equipe com dinâmicas interessantes.
Após oito episódios, nada mudou no universo Marvel Netflix. A série do Demolidor segue sendo a melhor do serviço com uma vantagem muito larga sobre as demais. Luke Cage, Jessica Jones e Punho de Ferro precisam comer muito arroz com feijão pra chegar ao mesmo patamar, e embora não sejam ruins, servem mais pra preencher o espaço entre uma temporada do Demo e a próxima. E a série do grupo é apenas mais uma no catálogo.
Ao menos novembro vem aí, e talvez o Justiceiro de Jon Bernthal dê uma alterada no panorama.
Enquanto isso, falta muito pra terceira temporada de Demolidor?
"-Gao... O que está acontecendo?
-O fim."
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quinta-feira, 24 de agosto de 2017
Resenha Série: Os Defensores, Temporada 1, Episódio 7: Fish in the Jailhouse
Cuidado, pode haver spoilers!
Após o eletrizante desfecho de Ashes, Ashes, um episódio que, a despeito de seus defeitos, é repleto de revelações, acontecimentos e reviravoltas, Fish in the Jailhouse foi um tanto quanto anti-climático. Praticamente dois terços do episódio se passam dentro da delegacia onde os entes queridos dos Defensores se escondem sob a tutela de Misty Knight, ou no prédio da Midland Circle, onde Elektra, agora a líder do Tentáculo, levou Danny Rand para abrir a porta oculta sob o prédio.
O episódio, então, se arrasta a passos lentos, dando uma impressão bastante clara de que não há muito mais história pra contar, e dá ao capítulo uma indisfarçável cara de filler, com diálogos relembrando elementos da trama e a dinâmica dos relacionamentos sendo re-reforçada de maneira, no mínimo, desnecessária.
Se há pontos altos no desenvolvimento do episódio, provavelmente passam pela conclusão de Matt de que, a despeito do que Karen e Foggy tentaram lhe empurrar goela abaixo nos últimos tempos, ele não esteve "retomando sua vida" no período em que pendurou os chifres. Pelo contrário, sua vida é aquela. A luta contra o mal é o que move Matt, nos tribunais, sim, mas também nos becos e telhados esmurrando malfeitores. Ele nasceu pra isso.
Ver seu sorriso quando percebe que a muda de roupas que Foggy lhe entregou na delegacia é seu traje de Demolidor deixa claro o quão aliviado ele está por finalmente poder deixar essa crise de identidade pra trás, com o consentimento de seu melhor amigo.
E isso finalmente faz a trama andar, com Luke, Jess e Matt fugindo da delegacia para resgatar Danny e colocar um fim definitivo às maquinações do Tentáculo custe o que custar, enquanto Danny precisa enfrentar Elektra.
E aqui esbarramos em outros dois problemas do episódio:
Primeiro, Danny sabe, textualmente, que Elektra precisa usar seu Punho de Ferro para abrir a tal porta. Ainda assim, após começarem a lutar, uma breve provocação da ninja assassina faz com que Danny acenda seu punho brilhante e comece a esmurrar às cegas pelo salão praticamente fazendo o que Elektra precisava que ele fizesse da maneira mais burra e obtusa possível.
E lá se foi o amadurecimento de Danny Rand, que volta a ser um fedelho emburrado toda a vez que alguém lhe pisa nos calos e parece incapaz de raciocinar além do seu chi.
Outro problema no segmento é como os objetivos do Tentáculo variam. No início era destruir Nova York (como já haviam feito com Pompéia e Chernobyl, situando a organização mais ou menos como a Liga das Sombras da trilogia das Trevas do Batman), depois, seu grande objetivo era retornar a K'un-Lun, de onde os cinco braços do Tentáculo haviam sido expulsos, e agora, é tudo a respeito da tal da Substância, o fluido que ressuscita os mortos.
Quando os Defensores chegam a Midlan Circle, eles são recepcionados por Murakami, Bakuto e Gao, e começa outra cena de luta.
Sim, eu também esperava uma grande cena de ação, especialmente após as duas ótimas cenas que tivemos em Ashes, Ashes, especialmente o quebra entre Demolidor e Punho de Ferro, infelizmente a mão do diretor pesa, aqui, e nós temos o duelo editado de maneira excessiva, com Gao enfrentando Luke e Jess, enquanto o Demolidor sai no braço contra as katanas de Bakuto e Murakami.
A cena é entrecortada com o duelo entre Danny e Elektra no subsolo, e há tantos cortes de cena que fica praticamente impossível aproveitar realmente a sequência, e é difícil não lamentar o que poderia ter sido um festival de porradaria pra jogar a nota do episódio pro céu. Ao invés disso temos Gao empurrando fardos de tijolos contra Luke e Jessica e o Demolidor enfrentando dois dos mais incompetentes espadachins imortais do mundo, já que eles não conseguem, em dupla, vencer um cara cego.
O episódio se encerra com a fuga dos três braços remanescentes, a chegada de Misty e Claire ao prédio, e com os Defensores rumando para o subsolo junto com Colleen Wing, que trouxe da delegacia as plantas do edifício e as cargas de demolição, enquanto Danny desperta sob o que parece ser o esqueleto de um dragão, nos fazendo questionar se o que havia sob Manhattan era uma passagem alternativa para K'un-Lun.
Com apenas mais um episódio, fica a esperança de que Os Defensores retome o bom caminho de capítulos anteriores e entregue um desfecho à altura da expectativa dos fãs.
"-De agora em diante, nada ficará no meu caminho. Nem mesmo a morte."
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Resenha Série: Os Defensores, Temporada 1, Episódio 6: Ashes, Ashes
Atenção para os spoilers!
Ashes, Ashes demonstrou alguns problemas de desenvolvimento de um de seus protagonistas: Novamente o Punho de Ferro, que segue sendo a Geni do grupo depois de Jessica ser utilizada algo como alívio cômico na equipe, uma função à qual ela se presta sob medida com sua rabugice irônica.
Porém, o sexto episódio da temporada foi, no geral, bom, e contou ainda com alguns dos momentos mais dramáticos da série até aqui, quiçá de todo o universo Marvel Netflix, exceto, claro, por Demolidor, que segue hours-concours a menos que haja algo muito espetacular nos próximos dois capítulos.
O episódio abre com os heróis descobrindo, após interrogar Sowande, que o Punho de Ferro de Danny é a chave que dá acesso a o que quer que o Tentáculo esteja procurando em Nova York. Se inicialmente Danny duvida da veracidade da declaração de Sowande, Stick revela que já viu o chi ser usado para selar e abrir portas pelos anciãos de K'un-Lun, e, após todos concordarem que o importante é tirar o objetivo final do inimigo de vista, eles decidem esconder Danny do Tentáculo. Isso leva a uma bela luta entre Danny e Demolidor que, sim, ainda tem a participação de Luke e Jessica, mas a boa pancadaria é, mesmo, entre o defensor de K'un-Lun e o diabo da guarda de Hell's Kitchen, e trouxe o que foi a melhor coreografia de luta da série até aqui.
O grande problema de toda essa sequência é que ela meio que jogou no buraco todo o amadurecimento pelo qual o Punho de Ferro vinha passando desde o início de Os Defensores.
Danny estava se mostrando no caminho para virar o herói/empresário dos quadrinhos. Um sujeito confiante e centrado, capaz de ameaçar comprar a Stark Enterprises e ter uma equipe de advogados para livrá-lo de participar da Lei de Registro de Guerra Civil, mas Ashes, Ashes trouxe de volta o moleque mimado que volta e meia dava as caras na primeira temporada da série solo do herói, e isso meio que prestou um grande desserviço ao personagem que evoluía rumo à uma versão mais responsável e consciente de si próprio.
Danny acaba nocauteado por Jessica e amarrado à uma cadeira por Stick.
Ao menos, no período em que Danny esteve presoo sob vigilância, houveram ótimas interações entre ele e Luke, conversando sobre esmurrar o coração derretido de Shou-Lau, o que não morre, e sobre ser atingido por um tiro de escopeta na cara por Jessica Jones. É uma cena calorosa, perfeita para cimentar a amizade florescente entre os personagens.
Enquanto isso, Jessica e Matt partem para procurar por informações sobre o que o Tentáculo está tentando abrir com o Punho de Ferro, e resolvem fazê-lo através da única pista que possuem: A família do arquiteto que Jess investigava.
No período que a dupla passa junta também há tempo para dar uma amolecida na relação entre os dois, com Jessica revelando conhecer a história de vida de Matt, mas esse segmento, realmente, pareceu feito para a trama andar, pois não demora para os heróis encontrarem as plantas do grande poço sob o prédio da Midland Circle (aquele que vimos na segunda temporada de Demolidor) e perceberem que, o que quer que o Tentáculo deseje, deve estar lá.
Apesar do início algo desajeitado, o sexto episódio da temporada teve um encerramento cabuloso, quando Stick, bem à sua maneira, resolve que há uma forma mais simples de abordar a situação atual. Uma mais definitiva do que lutar ou se esconder.
A despeito do que possamos pensar, o curso de ação escolhido por Stick é desgraçadamente condizente com o passado do personagem, que sempre foi absolutamente pragmático, quase psicopata, em sua forma de ver a guerra entre o Casto e o Tentáculo.
Antes que o velho mestre de Murdock possa levar seu plano a cabo, porém, Céu Negro ressurge.
Após revisitar seu passado, a agente definitiva do Tentáculo parece ter sua fé em Alexandra mais forte do que nunca, ela invade o esconderijo dos heróis, e segue-se uma pequena luta com bons momentos, mas com resultados trágicos.
E se essa breve batalha parecia o clímax do capítulo, quando Elektra chega à base do Tentáculo trazendo consigo a chave do que quer que seja para Murakami, Bakuto, Gao e Alexandra, temos mais uma grande reviravolta enquanto a líder da organização dava seu discurso vitorioso sobre a eficácia de Céu Negro, uma reviravolta que certamente complicará enormemente a vida dos Defensores como um todo, de Matt em particular, no que promete ser um grande desfecho nos dois próximos episódios.
Conforme eu disse no início, o episódio teve seus problemas, fez a evolução de Danny dar dois passos atrás, foi excessivamente expositivo com relação aos objetivos do Tentáculo (poderiam ter feito isso nos primeiros episódios e nos livrado de mais um discurso sobre a "substância"), há alguns diálogos algo bobos e a forma como Matt e Jessica chegaram às plantas da Midland Circle foi algo preguiçosa, mas, por sorte, o que Ashes, Ashes teve de bom foi tão explosivo que a audiência não precisa ficar se apegando aos defeitos e apenas curtir mais um pouco de desenvolvimento das relações entre os personagens, ótimas sequências de luta e uma conclusão de cair o queixo.
"-Você tem certeza de que quer fazer isso?
-Não, eu não quero, mas farei, se tiver."
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