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domingo, 11 de março de 2012

Across The Stars 2


Eram sete e vinte e sete da manhã, hoje, quando nos meus fones de ouvido tonitruaram as notas fantásticas de Across The Stars.
Eu estava assistindo Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones e foi nessa hora em que Padmé e Anakin entraram, ambos algemados, na arena de Geonosis onde seriam executados por Darth Tyrannus e seus separatistas.
Eu não estava com vontade de dormir. Não queria mais jogar video game com meu joystick vermelho, nem ficar na internet pensando em coisas que haviam acontecido. Queria fazer alguma coisa pra me distrair por algum tempo, pra não precisar pensar em cheiros, sabores e imagens que ainda estão muito vivas na minha cabeça e me pareceu que ver um filme que eu adoro, com o som a todo o volume nos fones de ouvido enuanto tomava Fanta fosse a melhor maneira.
Ainda assim... O único filme que me ocorreu assistir foi Star Wars. Ainda assim, um Star Wars que tivesse Across The Stars tocando em altíssimo e bom som.
Nem que eu pudesse. Nem que eu soubesse como. Nem que eu quisesse, eu conseguiria parar de pensar a respeito. Imagine esquecer.

sábado, 10 de março de 2012

Resenha Cinema: John Carter - Entre Dois Mundos


Não é de hoje que John Carter, personagem criado por Edgar Rice Burroughs em uma série de contos publicados em revistas pulp cem anos atrás flerta com o cinema.
O filme já teve diversos nomes, conceitos, e diretores ligados ao projeto.
Quase decolou como A Princesa de Marte nas mãos de Robert Rodriguez algum tempo atrás. Já esteve sendo entregue a John Favreau, pouco depois, e isso só pra ficar no passado mais recente, depois que a Paramount comeu bola e perdeu os direitos sobre o filme.
A questão foi que, após essa bobeada da Paramount, John Carter caiu nas mãos da Disney. E a casa do Mickey, abraçou John, e lhe deu um novo protetor, Andrew Stanton, diretor da Pixar que ganhou o Oscar por Wall-E e dirigiu Toy Story e Procurando Nemo. Foi quando John finalmente decolou, e ganhou uma cara.
Na trama que adapta o primeiro dos onze(!) livros de Burroughs conhecemos um planeta Marte diferente do que estamos acostumados. Barsoom, o nome local do planeta, já foi repleto de vida, mas vem sendo sistematicamente destruído pela guerra.
O embate entre Helium e Zodanga vem devastando Marte, em especial depois que o Jeddak de Zodanga, Sab Than (Dominic West), recebe uma arma de grande poder dos Therns.
E o que o tal do John Carter (Taylor Kitsch), um capitão veterano da Guerra Civil norte-americana no fim do século XIX tem a ver com isso?
Nada.
Ao menos até ele, acidentalmente encontrar um alienígena Thern em uma caverna na terra e, após um grave mal entendido, ser transportado para Marte.
Lá, John se vê mais forte e rápido do que os locais e capaz de saltar sobre montanhas graças ao campo gravitacional, isso não o impede, porém, de ser feito prisioneiro pelos Tharks, uma raça de bárbaros marcianos com quatro braços e três metros de altura. Entre os Tharks John é acolhido como "braços direitos" do regente Tars Tarkas e, mais adiante, ve-se em um papel decisivo na guerra entre Helium e Zodanga, em especial depois de conhecer a princesa de Helium, Dejah Thoris (Lynn Collins, recheando com graça os trajes não tão sumários quanto gostaríamos da princesa marciana).
John Carter é um bom filme, tem um roteiro coeso e sem furos, cortesia do próprio Stanton, de Mark Andrews e de Michael Chabon. O elenco cheio de nomes reconhecíveis (Willem Dafoe, Samanta Morton e Thomas Haden Church, cobertos de pixels, Ciarán Hinds, James Purefoy, Mark Strong, Bryan Cranston e Daril Sabara) segura bem a peteca, e as sequências de ação, em sua maioria, não são gratuitas.
John Carter, porém, sofre por ficar com a cara de mais um filme repleto de efeitos visuais e herói com abdôme à mostra. As qualidades do filme, e há várias, não parecem suficientes para manter sua cabeça acima de outros espetáculos visuais sem o mesmo conteúdo.
Quando John Carter - Entre Dois Mundos termina, percebe-se que os produtores estão babando pra seguir contando as histórias da Saga de Barsoom de Burroughs, mas há audiência para mais um filme desses, por melhor que seja quando comparado à maioria?
John Carter é uma aventura competente e divertida, mas não tem o cacife de Matrix, A Sociedade do Anel ou Uma Nova Esperança.
Se surgir uma nova viagem a Marte, certamente comprarei minha passagem e irei ao cinema para acompanhá-la, mas não vou roer as unhas de antecipação e não sei se alguém o fará.

"-Eu já cheguei atrasado uma vez. Não vou deixar isso acontecer novamente."

sexta-feira, 9 de março de 2012

Pra esquecer... Ou não.


Há coisas nessa vida que a gente não consegue esquecer. Uma vez, quando eu era piá, estava saindo de um mercadinho e um cachorro, desses pequenininhos, tipo chihuahua, latiu pra mim, e eu, assustado, corri pra dentro do mercadinho com meu gibi do Homem-Aranha e meu Chicabon. Tinha uma fila no orelhão (É, pra tu ver como eu sou velho, quando eu era criança, telefone em casa era raridade, e celular era coisa do Dick Tracy.), e todo mundo começou a rir de mim. Foi um dos momentos mais humilhantes da minha vida. Me lembro que tinha um sujeito na fila, e ele pareceu mais... Não sei. Mais acessível do que o resto do pessoal Ele parou de rir antes dos outros, e eu, sei lá, naquela minha situação tão terrível pro meu universo de oito anos, procurei o olhar dele como quem busca um abrigo. Um pouco de cumplicidade ou compreensão. Qualquer coisa que me afastasse da tragédia social que aquela risada coletiva pareceu pra mim naquele momento.
Mas não, ele balançou a cabeça negativamente e deu mais uma risada. Deixando claro que não. Não havia abrigo, cumplicidade ou compreensão naquela fila, e que eu deveria remoer aquele susto e aquela humilhação sozinho no travesseiro durante aquela madrugada.
É engraçado o tipo de coisa que a gente guarda, e a riqueza de detalhes. Eu me lembro do meu blusão azul marinho com uns cubos colordos na frente. Da calça de abrigo cinza e dos tênis All Star azul escuro. Lembro do picolé, e da capa do gibi, um Homem-Aranha número setenta e sete em que três quadros mostravam o Aranha ajeitando o seu equipamento ao lado de uma imagem do herói em pé, em uma posição meio ameaçadora. Lembro do cara que me negou compreensão, e do seu blusão branco e do seu cabelo com mullet, que naquela época todo mundo usava mullets... E eu me lembro de que, várias vezes, ao longo dos anos seguintes, eu me senti mal ao lembrar daquela noite. Como se, cada vez que eu me lembrasse, eu sentisse novamente aquela humilhação, aquele embaraçamento quando todos riam de mim.
Não sei o peso que aquele susto e a consequente humilhação daquela noite teve impacto sobre a minha personalidade como adulto. O quanto ser destemido se tornou importante pra mim por conta dos medos e das humilhações infantis. Realmente não sei.
Mas sei que tem coisas que eu simplesmente não soube esquecer, mesmo que quisesse. Essa foi uma delas.
E tem outras tantas, que eu não conseguiria equecer mesmo se quisesse, uma categoria onde se encaixam algumas poucas coisas... Alguns sabores, odores, pessoas e histórias.
Eu não tenho todas as respostas. Eu não consigo agir sempre com a frieza que a coisa certa exige. Eu tento ser o melhor possível, e faço isso na certeza de que não vai ser o suficiente. Faço o possível sabendo que, em algum momento, alguém vai se magoar, e infelizmente não serei só eu. E tento arcar com as consequências. Outra coisa que nem sempre é possível.
Mas tem coisas que eu não consigo esquecer. Nem fingir que não aconteceram. Eu mantenho comigo. Sempre comigo. Não importa o quê.

terça-feira, 6 de março de 2012

Resenha Cinema: Poder Sem Limites


Quando vi o trailer de Poder Sem Limites eu confesso que achei o filme com a maior cara dessas porcarias tipo O Último Exorcismo, Apollo 18, Atividade Paranormal 2 e todas essas produções capengas que acham que uma câmera tremida vai dar a ideia de estética documental e salvar a lavoura gerando um lucro absurdo. Na verdade, achei que fosse uma mistura desse tipo de filme com aquele O Pacto, um filme de horror meia-boca situado na high school querendo atrair fãs de filmes de horror e da miserável Saga Crepúsculo.
Entretanto a torrente de boas críticas que o filme recebeu me fizeram repensar a minha ideia inicial de ver o filme em DVD e olhe lá, e encarar uma sessão de cinema da produção.
Foi munido do generoso e tradicionalíssimo milk shake de chocolate do Bob's que eu me sentei confortavelmente pra assistir ao filme no Shopping Total, e devo dizer que, se não fosse pelo trio de cretinos sentados na minha frente, e que não conseguiam ficar calados durante o filme (Sério, qual é o problema dessa nova geração? Será que é tão difícil fazer silêncio por oitenta e três minutos enquanto se vê um filme?), teria sido uma sessão de cinema perfeita.
Não que Poder Sem Limites seja um filme perfeito, claro que não, longe disso. Mas é, sim, um ótimo filme.
A trama é centrada no jovem Andrew Detmer (Dane DeHaan), o típico nerd excluído do microverso do ensino médio norte-americano. Andrew é isolado, vítima de bullying na escola e em casa e não tem amigos, exceto pelo primo Matt (Alex Russell), pseudo-filósofo que não chega a ser um exemplo de sociabilidade, mas está anos-luz à frente de Andrew, que não anda com gurias, e, pra piorar, ainda tem a mãe com uma dioença grave.
Um dia, Andrew decide que vai gravar toda a sua vida com uma câmera, e é com essa câmera que, durante uma rave, Andrew e seu primo Matt, mais o atleta popular Steve Montgomery (Michael B. Jordan) encontram uma estranha caverna, e, ao entrar nela, se deparam com alguma coisa que não conseguem explicar. Após esse contato, os três amigos passam a desenvolver habilidades super-humanas, e imediatamente começam a usá-las em prol de... Pregar peças um no outro e de curtição.
Essa honestidade para o que moleques do ensino médio fariam se desenvolvessem super-poderes é um dos pontos altos de Poder Sem Limites. Eu desafio qualquer moleque normal a assistir o filme e dizer, honestamente, que não faria exatamente a mesma coisa com suas habilidades.
Andrew, Matt e Steve não tem nenhuma tragédia na sua vida para direcionar seus grandes poderes ao encontro de grandes responsabilidades, de modo que, pra eles, essas habilidades são apenas novidades para serem aproveitadas.
As sequências em que eles aprendem a usar seus poderes rendem cenas muito divertidas, repletas de boas sacadas e referências sutis (Ou nem tanto) que vão de Star Wars ao trailer do Superman de 1978.
Conforme os três amigos vão desenvolvendo suas habilidades e se tornando melhores no seu uso (é como um músculo, diz Matt à certa altura.), eles amadurecem, também, como ser humano, o que não significa, necessariamente, bons resultados.
Mesmo sendo um filme curto, de 83 minutos, Poder Sem Limites tem como grande trunfo centrar a atenção em seus protagonistas, fazendo com que nos reconheçamos naqueles personagens e nos preocupemos com eles. Ainda oferece uma interessante visão filosófica da trama através de Matt, e vai levando as coisas em um agradável banho-maria até um desfecho literalmente explosivo.
O diretor Josh Trank, co-roteirista ao lado de Max Landis consegue criar um ótimo filme de origem de super-herói, e mostrar que, por mais pirotecnias que se queira usar em um super-filme, nada supera o desenvolvimento de personagens e a honestidade de um bom roteiro.

"É, dessa vez foi o cara negro."

Resenha Cinema: Drive


Conforme vão surgindo na tela os créditos com uma letra emendada em pink, de imediato nós sabemos que estamos diante de um filme galgado, mais do que no visual, na referência.
Desde o início Drive deixa claro que as referências são uma parte importante da identidade do filme, e se estendem muito além dos créditos de abertura, oitentista até a raíz da alma, essas referências vão se sobrepondo conforme a trama anda.
O herói sem nome (Outra referência, que serve para lembrar um mundaréu de faroestes...) vivido por Ryan Gosling existe apenas no momento. O personagem, conforme conta seu amigo Shannon (Bryan Cranston) surge de lugar nenhum pedindo emprego, e, ao final do filme, fica nebuloso também o seu futuro, o que importa é o que ele faz entre uma coisa e a outra, no agora.
E, como bom herói sem nome que é, o personagem faz o que for necessário, seja trabalhar em uma oficina, realizar trabalhos de dublê em cenas perigosas com automóveis, ou pilotar carros de fuga, contanto que isso não macule o seu código de honra.
Confesso que, ao começar a ver o filme, fiquei com muito medo da sequência inicial, excessivamente parecida com o começo de Carga Explosiva, a série de filmes descerebrados de Jason Statham e Luc Besson. Ledo engano.
Quando eu achei que a ação degringolaria pra uma perseguição desenfreada chupada de um dos filmes da série Bourne, fui surpreendido pela sequência tensa e comedida que se seguiu nas mãos do diretor Nicolas Winding Refn.
Esse espaço inicial do comedimento vai sendo ocupado apenas pela tensão conforme o protagonista se envolve com a vizinha Irene (Carrey Mulligan, uma gracinha.), uma garçonete que cuida sozinha do filho Benício (dois clichês.) enquanto o marido está na prisão (Ops, três.).
É justamente quando o marido, Standard Gabriel (Oscar Isaac) sai da penitenciária que o herói se vê obrigado a agir. Para pagar uma dívida de Gabriel com gângsters, topa fazer um trabalho em um assalto. Quando tudo dá errado, o mocinho precisa lidar com os problemas e se abster de suas regras, fazendo o que for necessário pra permanecer vivo e proteger Irene e Benício.
O festival de situações e personagens recorrentes e quase caricatos misturados à estética oitentista do longa lhe dão todo um charme kitsch. A despeito dos exageros visuais, e da teatralidade de certas situações, o filme embala, e os personagens unidimensionais a ponto de praticamente usarem uniformes (Jaqueta de escorpião e palito de dentes pro mocinho, agasalho esportivo pro mafioso), mas bem interpretados, acabam gerando a simpatia ou a repulsa que exigem.
Os mafiosos judeus vividos por Ron Perlman e um surpreendentemente convincente Albert Brooks são tão malvados quanto requer a cartilha dos vilões que geram grandes heróis, e algumas das sequências, como a visita mascarada à pizzaria, ou a cena do beijo no elevador, são lindas, sem contar um par de boas cenas de perseguição que um filme com esse título obviamente demanda.
No fim das contas, não achei que Drive seja "o grande esquecido do Oscar", essa, pra mim, foi Tilda Swinton, mas certamente é um filme que reúne qualidade mais do que suficiente pra merecer ser assistido.

"Existem três mil ruas nessa cidade. Você não precisa conhecer a rota. Você me dá uma hora e um local, eu te dou uma janela de cinco minutos. Qualquer coisa que aconteça nesse período, e eu sou seu. Não importa o quê. Qualquer coisa que aconteça um minuto antes ou depois disso, e você está por conta própria. Eu não participo do trabalho, eu não carrego armas. Eu só dirijo. Você entendeu?"

segunda-feira, 5 de março de 2012

Resenha Blu-Ray: Amor À Toda Prova


Foi na qualidade de alguém que não gosta de comédias românticas, mas que é fã de Julianne Moore e de Steve Carrel que eu aluguei essa Amor à Toda Prova na sexta-feira passada sem lá grandes expectativas. Expectativas, aliás, que foram ficando mais baixas quando o filme ficou pouquíssimo tempo em cartaz aqui em Porto Alegre.
Mas o filme foi uma grata surpresa, em especial por se distanciar de maneira saudável da cartilha tradicional das comédias românticas.
No longa conhecemos Cal (Carrel) e Emily (Moore) Weaver, um casal de meia idade, que namora desde o ensino médio, e que depois de quase vinte e cinco anos de casados, com três filhos, e uma vida construída já não tem mais a chama de outrora.
Isso fica bastante evidente quando, após um jantar, Emily pede o divórcio a Cal, e o informa que dormiu com outro homem.
Após alguns dias curtindo a inevitável fossa do fim da relação, Cal recebe de Jacob Palmer (Ryan Gosling), um conquistador local, a oferta de auxílio para se reencontrar enquanto homem, e tocar em frente a nova vida de solteiro.
Algumas das boas sequências cômicas do filme estão no treinamento de Cal, enquanto ele é "Miyagizado" por Jacob de modo a voltar à pista pra negócio.
O filme, ainda bem, não se restringe apenas a este núcleo, muito do que há de tocante no filme está no elenco de apoio e nas subtramas paralelas, como do filho mais novo de Cal e Emily, Robbie (Johna Bobo), que vive um romance infantil que não soa forçado ou cretino, no drama da babá Jessica (Analeigh Tipton) e seu amor não correspondido, e em Hannah (Emma Stone) que se cansa de esperar pelo príncipe encantado.
A qualidade do elenco (Que ainda tem Kevin Bacon, Marisa Tomei e , capaz de expressar muito sem precisar mastigar nada pra audiência, e essa variedade de ramificações na trama ajudam o espectador a não se entediar e a se importar com todos os personagens, talvez a coisa mais importante quando se assiste a um filme.
Amor À Toda Prova pode não ser o grande filme da carreira de nenhum dos envolvidos, mas ao menos refresca um pouco o cenário das comédias românticas, adicionando um pouco da acidez do drama e da honestidade à uma mistura que já anda enjoativa não é de agora.

"-Foi um ano difícil, não é?
-Como assim?"

quinta-feira, 1 de março de 2012

Resenha Cinema: Millennium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres


David Fincher é um tremendo diretor, é um desses caras que eu sigo ao cinema desde a infância, quando, sem nem saber quem ele era, fui ver Alien 3.
Não acompanhei com grande interesse a carreira de clipeiro do cara, mas certamente vi seus filmes com prazer. Seven, Vidas em Jogo, Clube da Luta, Quarto do Pânico, Zodíaco...
OK, não é uma filmografia onde tudo funciona, mas mesmo os filmes menos bacanas de Fincher, como Quarto do Pânico e O Curioso Caso de Benjamin Button tem algo a oferecer. Eu ainda imagino como a série Homem-Aranha teria sido se Fincher tivesse conseguido o emprego que ficou com Sam Raimi.
Fiquei curioso a respeito de Millennium quando soube que Fincher ia pegar o projeto, olhando em perspectiva, um remake não era muito a cara do cineasta, não vi o filme original, uma produção sueca que adapta o primeiro livro de uma trilogia escrita por Stieg Larson, mas sabia de que se tratava.
Ainda sem ver o original ou ler o livro que deu origem aos longas, na semana passada fui conferir o filme indicado a diversos Oscar.
Na trama conhecemos o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig), acusado de libelo pelo alvo de suas investigações em uma matéria da revista Millennium. Após perder o processo que acaba com sua carreira jornalística e sua vida financeira Blomkvist é convidado por um industrial recluso, Henrik Vanger (Christopher Plummer), a escrever a biografia de sua família. A biografia, no entanto, é apenas um pretexto para que Mikael realize uma investigação. A sobrinha de Henrik, Harriet, desapareceu anos atrás, e foi dada como morta. Entretanto, Henriq segue recebendo presentes de aniversário idênticos aos que a menina lhe dava.
Sem muito mais o que fazer da vida, Mikael aceita o emprego, e parte para a pequena ilha onde vive a disfuncional família Vanger, repleta de pessoas que se odeiam e não se falam, e onde ele pode descobrir que há mais do que um simples acidente por trás do desaparecimento de Harriet quarenta anos atrás.
Sua aliada nessa busca é Lisbeth Salander (Rooney Mara), hacker com problemas psicológicos que, aos vinte e três anos, ainda está sob a tutela do estado. É a agressiva menina que se torna peça fundamental para ajudar Mikael a resolver o caso, e trazer paz de espírito a Vanger.
O filme, claro, não se resume unicamente à investigação, ele alterna entre os dois personagens centrais, Mikael e Lisbeth, conforme a trama se desenrola, e, cabe dizer que, a linha narrativa de Lisbeth, até ambos de fato se cruzarem, é mais interessante.
Millennium, porém, não é um dos melhores trabalhos de Fincher. Claro, há uma ótima trilha sonora, um elencaço bem dirigido (Além de Craig, Mara e Plummer, cabe destaque para Stelan Skarsgaard e Robin Wright), as utilizações de câmera consistentes do diretor e tudo o mais a que nos habituamos na sua filmografia, mas a impressão que temos, no fim, é de que Millennium era um roteiro sem muito a oferecer. É uma trama coesa de mistério e investigação com algumas boas sacadas, mas só. Não lambe as botas de Seven, por exemplo, e certamente empalidece ainda mais se comparado a Zodíaco ou Clube da Luta.
Ainda assim, é um bom filme, e, além de me distrair por duas horas e quarenta minutos, ainda me ajudou a decidir que jamais irei à Suécia, onde, aparentemente, todo mundo é um criminoso sexual em potencial.

"Fique quieto. Eu nunca fiz isso antes."