Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Após o Clássico
Ontem foi domingo de fre-Nal no Rio Grande do Sul.
É uma data especial no calendário esportivo do estado mais meridional do Brasil, dos clássicos mais tradicionais do país do futebol o gay-Nal ostenta cento e quatro anos de História maiúscula, repleta de títulos, decisões e futebol da melhor e da pior qualidade.
Talvez a maior rivalidade do Brasil, o clássico entre vermelhos e (cor-de-rosas)azuis é um campeonato à parte de qualquer certame em disputa em qualquer parte do mundo, e independente dos momentos que as equipes estejam vivendo, é sempre marcado pelo equilíbrio e por declarações polêmicas.
Ontem mesmo D'alessandro disse que "havia times que precisavam de fita VHS pra relembrar título", referindo-se, obviamente, à seca de títulos do tricolor sem estádio, que já perdura por longos doze anos.
Causou-me estranheza, porém, a réplica de Kléber "Gladiador", o polêmico atacante que não faz gols, joga feito jacaré, se defendendo com o rabo, e que andou se envolvendo em polêmicas porque gosta de bater em mulher embora pie fino quando um zagueiro mais truculento encaixe na sua traseira, que disse que "O Inter nasceu em 2006", dando a entender que, até vencer a Libertadores da América e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, o Inter não tinha História.
Ora, glady, francamente. Talvez tu precisasse se informar um pouquinho antes de dizer bobagens de tal calibre.
O Internacional rompeu a barreira do do Rio Mampituba anos antes do time que morava na Azenha e gora é sem-teto, ao sagrar-se campeão brasileiro em 1975, época, aliás, em que se dizia que os times do RS deveriam se concentrar em ganhar o estadual porque era só o que podiam vencer, sagrando-se o primeiro clube do Rio Grande do Sul a vencer um título nacional, feito que repetiria ainda duas vezes, em 1976 e em 1979, antes de o coirmão perder a virgindade, em 1981.
Mesmo que o tricolor tenha vencido a Libertadores anos antes de o Inter chegar ao píncaro da América, o Inter usou bem seu tempo de espera, engatando uma sequência de títulos que o tornou o único clube do Brasil a sagrar-se campeão de tudo o que um clube Sul-Americano pode almejar.
Renato Portaluppi, treinador do time que pede licença pra treinar e paga pra jogar em "seu" novíssimo estádio, tomou as dores de seu clube e de seu jogador, dizendo que "o que o D'alessandro tem de idade" ele teria em títulos.
Senão vejamos...
Renato Portaluppi, como jogador, tem:
Uma libertadores da América, uma Copa Toyota Intercontinental (1983) e dois campeonatos gaúchos (1985 e 1986) pelo Porto Alegrense.
Uma Copa União, módulo verde (1987), uma Taça Guanabara (1988), e uma Copa do Brasil (1990), pelo Flamengo.
Um campeonato mineiro e uma Supertaça Libertadores da América (Torneio que reunia campeões da Libertadores e que existiu entre 1988 e 1999) pelo Cruzeiro, em 1992.
Um campeonato carioca pelo Fluminense, em 1995.
Uma Copa América pela Seleção Brasileira em 1989.
Pra não ficar injusto, vamos colocar aí, também, o cartel de títulos de Portaluppi como técnico, mas pra não virar putaria, falemos apenas de seus títulos de futebol, deixando futevôlei de fora.
Como treinador, Portaluppi venceu uma Copa do Brasil pelo Fluminense em 2007 e um turno do gauchão pelo tricolor sem casa em 2011.
Somando tudo temos 14 títulos.
D'alessandro, que tem 32 anos, já venceu:
Torneio Apertura (2000), torneio Clausura (2002 e 2003), pelo River Plate.
Taça Piratini (2009, 2013), Taça Farroupilha (2009, 2010, 2011, 2012, 2013), Campeonato Gaúcho (2009, 2011, 2012, 2013) Copa Sul-Americana (2008), Copa Suruga Bank (2009), Recopa Sul-Americana (2011), Copa Libertadores da América (2010)
Medalha de ouro olímpica (2004) pela seleção da Argentina, somando 18 títulos.
Então, não, Portaluppi não tem de títulos o que D'alessandro tem de idade.
Nem vou fazer o glady passar vergonha e comparar o cartel de títulos dele com o de D'alessandro. A chuteira esquerda do índio tem mais títulos e mais estatura futebolística que o Kléber "Gladiador".
Embora eu ache bacana a flauta, a corneta, a pegação de pé com o torcedor rival, há que se ter lastro pra fazer graça, e Portaluppi e glady, não têm nenhum.
Ah, e a Musa do Inter dá um banho na musa do coirmão.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Rapidinhas do Capita
"Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer que não existe razão?"
Eu... Eu digo. Não existe. Não existe razão.Se existisse razão... Bom, se existisse razão muita coisa não aconteceria... Se existisse razão neguinho não dormiria e acordaria todo o dia pensando numa pessoa pra descobrir que ela está pronta pra seguir em frente. Que ela sorri espontaneamente ao pensar em outra pessoa a acariciando enquanto ela assiste a um filme. Que ela seguiu enquanto ele ficava e nem o avisou. Que ela viu ou sentiu alguma coisa quando esteve com ele na última vez que a desencantou a ponto de fazê-la desistir... Algo aconteceu para que num dia ela fosse convidá-lo pra ver TV com ela, e pouco depois estivesse pronta pra outra...
Se existisse razão... Se existisse razão, ela certamente ainda poderia mudar de ideia. Pôxa, todo o dia as pessoas mudam de ideia a respeito de centenas de coisas, algumas muito boas. Imagine pra mudar de ideia a respeito de um sujeito que é todo defeito?
Tranquilo.
Ela tem a prerrogativa de mudar de ideia. De fazer o que for melhor pra si.
Mas podia ter a cortesia de deixá-lo saber. De avisar. De dar um alerta. Pra que ele não descobrisse casualmente lendo na internet...
Ela está pronta pra seguir adiante... Paciência.
Ele não está.
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E pra não dizer que a direção (?) de futebol (?) do Inter só faz besteira, ontem surgiu a primeira decisão acertada da gestão Luigi desde a assinatura do contrato com a AG:
Efetivar Clemer, ex-goleiro campeão da América e do Mundial de Clubes da FIFA e treinador prodígio das categorias de base coloradas como técnico do time profissional até o fim de 2013.
Sejamos francos, entre o Clemer e qualquer treinador disposto a assumir o comando da equipe em um mandato tampão (leia-se Celso Juarez Roth), ou um figurão que venha só pra aparecer na foto sem nenhuma possibilidade de efetivamente acrescentar algo, mil vezes melhor apostar no "Chicão", que no comando do time sub-17 já deu mostras de que tem muito futuro na casamata.
Se estiver disposto a rejuvenescer o time e não queimar jogadores que têm o que oferecer ao clube, já vai estar fazendo maravilhas.
E, se numa dessas beliscar a Copa do Brasil ou uma vaga à Libertadores, já está de ótimo tamanho pra 2013, e que se acenda a luz de alerta pra 2014.
É hora de Luigi, Medeiros, Souto de Moura e Drummond se orientarem, e perceberem que a sua política de futebol, pra ser lixo, tem que melhorar e muito.
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E olha só que bonitinho. No The Jonathan Ross Show, Tom Hanks, promovendo seu novo filme, Captain Phillips, reviveu seus dias de Quero ser Grande, e tocou Chopsticks num piano gigante com os pés. A certa altura, fez dueto com Sandra Bullock, estrela do excelente Gravidade.
Sandra Bullock, com pernas como essas, nem sequer precisava acertar nenhuma nota...
Resenha Cinema: Gravidade
Confesso que, quando combinei de ir ao cinema na sexta-feira, estava muito mais inclinado a ver É O Fim, comédia bobalhona de Seth Rogen e companhia, porque precisava dar umas risadas, ou Rota de Fuga, macho movie de prisão com ecos oitentistas estrelado por Stallone e Schwarzzeneger, porque precisava me divertir, do que Gravidade.
Além das razões já citadas, também estava disposto a adiar a fita estrelada por Sandra Bullock porque era a que vinha recebendo mais incenso da crítica gringa, de modo que tudo indicava que seria o filme a permanecer mais tempo em cartaz.
Mas quis o destino, que é um gozador, que eu fosse ver Gravidade antes.
Desde a época da San Diego Comic-Con que todos os nerds do mundo estavam babando por Gravidade. O tenso vídeo mudo apresentado na meca da nerdice mundial acenava com um sci-fi maduro de um sujeito que entende de sci-fis maduros: Alfonso Cuarón.
O diretor mexicano que realizou E Sua Mãe, Também, que esteve no comando da mudança de tom dos filmes de Harry Potter com O Prisioneiro de Akkaban, e que esteve por trás do excepcional Filhos da Esperança segue no terreno da ficção científica (sorte nossa) para narrar uma história sobre a força do espírito humano face à imensidão do universo.
Gravidade acompanha a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock), engenheira médica em sua primeira missão espacial, instalando novos aparatos no telescópio Hubble com uma equipe de cientistas e astronautas a bordo de um ônibus espacial, o Explorer.
Durante uma "caminhada espacial" rotineira a 600 Km de altura, a doutora Stone e o astronauta Matt Kowalski, veterano curtindo seu último voo antes da aposentadoria, são pegos no meio de um desastre estelar quando um satélite russo é destruído, formando uma nuvem de detritos que atropela o telescópio, o Explorer e tudo mais em seu caminho, deixando atrás de si apenas Stone e Kowalski, à deriva na imensidão fria do espaço.
Se dá pra definir Gravidade em apenas uma palavra, essa palavra é "tensão".
Se mesmo antes de a tragédia que vitima o casal protagonista o desconforto da doutora Stone já deixa claro que o espaço não é lugar pra brincadeiras, depois do acidente as coisas degringolam de uma maneira tão inapelável que fica difícil não se contrair inteiro durante os noventa minutos de projeção.
Alfonso Cuarón e o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki conseguem retratar um espaço sideral assustador em sua vastidão e torná-lo claustrofóbico ao mesmo tempo.
O 3D não é apenas pra tornar o ingresso mais caro, embora faça isso, a técnica realmente agrega ao filme, gerando sensações de profundidade e movimento que criam uma experiência mais imersiva à audiência, e o uso da mescla dos silêncios absolutos do vácuo com a trilha sonora de Steven Price ajudam a deixar o espectador roendo as unhas na ponta da cadeira.
Soma-se a tudo isso um George Clooney em sua atuação mais George Clooney nos últimos anos, charmoso, engraçado e espirituoso, e o que talvez seja a grande atuação de Sandra Bullock em sua vida, madura, convincente, tocante (e batendo um bolão exibindo um corpaço aos 49 anos), e pronto, temos facilmente um dos melhores filmes do ano, e o melhor suspense espacial desde que a tripulação da Nostromo descobriu que tinha um clandestino a bordo.
Corra pro cinema e assista essa obra-prima como ela merece ser vista:
Em tela grande, com som fodão e em 3D.
Cuarón, Clooney, Bullock e tu, merecem.
"Eu tenho um mau pressentimento sobre essa missão..."
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Jihad
Eduarda estava deitada de bruços, nua, atravessada em diagonal na cama. Tinha o lençol rosa pálido amarfanhado, enrolado, quase uma trança, a cobrir-lhe logo acima da lombar, de modo que tanto suas costas suadas quanto suas nádegas estavam expostas. Os braços espichados sobre o travesseiro, as pernas esticadas e os pés suspensos no ar. Tinha o rosto apoiado na cama, e a face oposta ao colchão estava parcialmente coberta por seus cabelos castanho-escuros muito crespos. Não acreditava nas coisas que fizera, momentos antes, nem em como tais coisas haviam sido prazerosas. Ela ergueu o rosto num átimo, após cair no sono brevemente, olhando pro lado como se estivesse procurando algo.
Ele estava ao lado dela. Deitado, também nu, secando o suor com o ar fresco que entrava pela janela. Tinha as costas apoiadas num travesseiro colocado longitudinalmente junto à parede, e cobria a própria nudez com uma ponta do mesmo lençol que ela tinha emaranhado sobre as costas.
Ele a encarou, divertido, e perguntou:
-Que foi isso? Pesadelo?
Ela sorriu balançando a cabeça negativamente enquanto mudava de posição, também ficando de barriga pra cima.
-Achei que tu não estivesse aqui... Que eu tivesse sonhado... - Disse enquanto lutava para desenrolar o lençol com os pés.
Desemaranhou a coberta o suficiente para poder se cobrir, mas antes que ela o fizesse ele a deteve:
-Não... Fica assim. Não tá frio.
Puxou o lençol das mãos dela e a descobriu totalmente. Ela o encarou com um sorriso contido, e instintivamente uniu as pernas com força, e cruzou os braços finos sobre os seios. Ele se inclinou sobre ela, disse novamente:
-Não...
E desmanchou a postura dela, descruzando-lhe os braços, e os posicionando ao longo de seu corpo, e então, ajoelhando-se, separou-lhe as pernas. Não muito, apenas um pouco, e beijou-lhe o monte de Vênus, arrancando-lhe um risinho tímido.
Ele se endireitou onde estava antes, cobriu suas partes pudendas com o lençol, e esticou o braço alcançando sua calça que estava jogada junto ao criado-mudo. Remexeu um bolso, depois o outro, e encontrou o que procurava, o maço de cigarros Lucky Stryke, e o isqueiro Zippo, bateu o maço na mão duas vezes, sacou um cigarro, o suspendeu nos lábios e o acendeu. Fez tudo isso olhando pra ela, à vontade, toda nua a seu lado.
Ela o encarava. Ergueu o braço, hesitante, penteando os cabelos lisos e negros dele com os dedos finos. As unhas compridas e vermelhas correram pelo couro cabeludo dele. Ele deu uma tragada profunda no cigarro e tomou a mão dela, beijando-a de leve antes de expelir a fumaça. Então a conduziu até sob o lençol em direção a seu pênis.
Eduarda o acariciou de leve a princípio, mas logo o segurou com decisão, movimentando-o até que ele ficasse entumescido, então foi a vez de ela o descobrir, e se encurvar sobre ele, levando-o à sua boca.
Dali, se estenderam mais três horas de peripécias de alcova de fazer Valéria Messalina enrubescer. Adormeceram um sobre o corpo do outro. Os suores se misturando com os demais fluídos desprendidos por ambos nas horas anteriores.
Na manhã seguinte Eduarda despertou cedo, sentia dores musculares nas coxas, nos braços e nos pulsos. Também dera um jeito nas costas, embora não soubesse ao certo em que momento da noite, as dores, porém, nada significavam. As horas anteriores fizeram mais do que liberar-lhe endorfina pelo corpo inteiro. Fora mais do que os gozos intensos que experimentara.
Se saíra de casa para o jantar cheia de dúvidas e inseguranças, cheia de incertezas quanto à própria aparência, Eduarda acordara naquela manhã certa de que, embora não se enquadrasse em nenhum modelo de beleza estabelecido, havia de ser uma mulher com seus encantos, outrossim, como teria levado Viktor para a cama, não é?
Virou-se e lá estava ele, já de pé, parcialmente vestido ao lado da cama.
Ela sorriu, e ele sorriu de volta, piscando com seus grandes cílios.
Eduarda esticou a mão, como que clamando para que ele voltasse para a cama, gesto que ele correspondeu mandando um beijinho de onde estava.
Ela se espreguiçou com vontade, com tanta força que emitiu um grunhido. Ficou o observando abotoar a camisa e passar mão nos cabelos desalinhados. Ele sentou na cama para calçar as meias, e ela aproveitou a oportunidade para enlaçar-lhe o peito com os braços e beijar-lhe o pescoço.
-Adorei a noite... - Disse.
-Eu também gostei muito. - Ele respondeu, sorrindo.
Ela não resistiu... Ela sabia, mas precisava... Não... Não precisava. Queria. Queria um elogio logo cedo de manhã após uma noite de foda épica. Queria e sendo uma mulher segura, auto-suficiente, e dona de encantos recém descobertos, não se furtaria de recebê-los.
Perguntou, fingindo desinteresse:
-Por que foi que tu me convidou pra sair, hein?
Ele sorriu olhando pra ela:
-Ora, coração... - Ele respondeu, desvencilhando-se de seus braços e pondo-se de pé. -Porque mulher feia tá sempre disposta a fazer umas alegorias diferentes na cama, se for gorducha, então, é certeza de que aguenta o tranco...
Rumou até a porta sob o olhar de Eduarda, entre o incrédulo e o horrorizado:
-Eu te ligo uma hora dessas, beleza? Se falemo.
E saiu deixando atrás de si setenta e quatro quilos de ódio em estado puro, pronta para comprar um AK-47 na internet e iniciar uma jihad pessoal contra o gênero masculino.
Viktor de SanMartin, o desgraçadamente franco, atacara novamente.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Resenha Game: FIFA 14
Mais um ano se passou, e novamente a Konami desapontou. Na verdade, talvez mais do que em anos anteriores. Em 2014 a empresa japonesa tentou novamente transformar PES em um simulador e abriu mão tanto da identidade quanto da qualidade.
Se a versão demo do Pro Evolution trazia boas intenções, o jogo completo mostrou que, de boas intenções o inferno está cheio.
Ainda bem que, do outro lado da guerra anual das franquias futebolísticas, a EA e a série FIFA voltaram prometendo muito, e cumprindo ainda mais.
Já na versão demo de FIFA 14 ficava bem claro que o foco da franquia na perseguição incansável da excelência na experiência de simulador continuaria sendo o mote da série na sua versão mais recente.
Após um final de semana regado a futebol digital, dá pra dizer sem medo de errar que FIFA segue sendo o melhor simulador de futebol em todos os tempos, e indiscutivelmente o melhor game de futebol no mercado.
FIFA 14 aprimora tudo o que funcionava nas versões anteriores e ainda adiciona discretas novidades à uma mistura consagrada temperando um prato que já era deveras saboroso.
A física realista aprimorada de FIFA dá o tom do game. Todos os avanços do jogo com relação à última edição passam por esse fator.
Os passes se tornaram mais desafiadores, simplesmente apertar o botão e apontar o direcional na direção certa não garante o sucesso da jogada, é importante saber dosar a força na hora de se livrar da bola se quiser que a trama do time se concretize. Se o jogador mais habilidoso saberá dominar o proverbial "tijolo de seis furos" atirado de qualquer jeito por um zagueiro de cintura dura pra dar sequência à jogada, jogadores menos dotados levarão mais tempo para amortecer a pelota, tornando-se alvo fácil para os adversários. Esse respeito pela física também aprimorou o sistema de chutes. O jogador que quer colocar a bola na rede precisa estar bem equilibrado, e posicionado de maneira favorável com relação ao gol, senão suas chances de marcar se reduzem bastante. Os cruzamentos, que sempre foram uma dor de cabeça pra este que vos escreve nas versões anteriores, também melhorou graças à nova noção de peso da bola e seu comportamento no ar, as jogadas de linha de fundo estão melhores e mais fáceis de realizar, de modo que os gols de cabeça agora são mais corriqueiros, tanto de marcar quanto de sofrer, obrigando o player a estar atento à sua defesa nas bolas aéreas.
Além de tudo isso, essa preocupação em simular uma física realista, somada ao aprimoramento do sistema de impacto inaugurado dois anos atrás gera todo um repertório de novas possibilidades. Os jogadores mais parrudos vencem jogadas disputando a bola no corpo, os mais ágeis têm que evitar o contato, a proteção de bola se tornou uma batalha ferrenha. Os goleiros ganharam novos movimentos, menos robóticos, e, mais importante, que tornam eventuais falhas menos frequentes.
O modo Carreira, meu preferido, ganhou um tapa esperto no visual, que deixa o game com cara de tela de computador, cheio de abas, links e ícones que ajudam o player a navegar por mercados de transferências, tela de mensagens, gerenciamento do time e de uma eventual seleção, calendário e pelo novíssimo sistema de olheiros que permite ao player observar um atleta através de uma rede de informantes antes de fazer uma proposta.
A lojinha virtual está de volta, com novidades que permite desbloquear bolas, uniformes, chuteiras e comemorações de gol, além de artifícios para usar nos modos online, como o Ultimate Team, ou o Live Season.
As animações seguem geniais, com movimentos fluidos e vivos, o respeito pelo visual de cada jogador é de chorar, e, a cereja do bolo, o campeonato brasileiro com praticamente todos os 20 clubes da série A disponíveis pra jogar (exceto pelo Bahia), aliados às novidades das ligas chilena, colombiana e argentina.
FIFA 14 pode não ser perfeito, mas é, sem sombra de dúvida, o mais próximo da perfeição que chega um game esportivo da atual geração, e quem diz o contrário, é clubista.
"Bem Vindos ao EA FIFA 14"
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Quadrinhos: Demolidor 2
Em julho eu escrevi a resenha da excelente Demolidor 1, e terminei ela pensando se demorariam demais pra lançar o número seguinte.
Pois então ontem passei pela minha banca de revistas preferida e me deparei com esta Demolidor 2, e soube que já tinha o que fazer na meiaca da semana.
Essa segunda edição da bem sacada iniciativa da Panini de publicar edições gorduchas do Demo, com 148 páginas, dá sequência à ótima fase do personagem sob os roteiros de Mark Waid.
Na primeira história, o renovado Matt Murdock segue com sua nova vida, tentando uma abordagem mais leve do mundo e de suas mazelas enquanto luta para fazer a opinião pública esquecer que o advogado cego da Cozinha do Inferno é o vigilante mascarado conhecido como Demolidor. Para isso, ele leva algumas crianças-problema de uma escola do bairro em uma excursão natalina que pode se tornar mais extrema do que ele esperava.
Na sequência, o espetacular Homem-Aranha vê sua ex-amante Gata Negra ficar com sérios problemas ao ser presa acusada de um roubo que estranhamente não cometeu. Com isso, o cabeça de teia recorre a Matt Murdock e ao Demolidor para tentar inocentar a ladra em uma história em dois capítulos.
A terceira história da edição, também em duas partes, mostra o Demolidor viajando aos subterrâneos para tentar descobrir que anda roubando cadáveres de um cemitério em Nova York, incluindo aí, o de Jack Batalhador Murdock, pai do herói. Essa investigação o coloca em rota de colisão com o Toupeira.
A seguir, o Demolidor tem que lidar com ataques de todas as maiores sociedades criminosas do universo Marvel, dispostas a tudo para recuperar o drive de armazenamento hiper seguro que caiu em suas mãos na edição anterior.
Ataques ao Demolidor e, a Matt Murdock, foram o homem de medo a fazer um movimento arriscado.
E, fechando a edição, pelas mãos de Stan Lee e Steve Ditko, o primeiro encontro entre o Homem-Aranha e o Demolidor, datado de 1964, onde os dois heróis se unem para enfrentar o Mestre do Picadeiro.
Não tão boa quanto a edição de estreia, mas ainda acima da média. Waid manda bem demais nos roteiros, e seu Demolidor é claramente um sujeito atormentado lutando para levar a vida na boa, o que talvez seja a grande sacada da nova fase, a negativa de Matt Murdock em ceder ao desespero, à dor, e, em suma, à si próprio, lutando para ser uma versão diferente de si mesmo.
Além disso, há a interessante trama do omegadrive dos vilões, que pode ter boas consequências futuras (embora vá continuar em Justiceiro 2, que eu certamente não comprarei), e as sempre interessantes interações do Homem-Aranha com o Demolidor.
Aliás, fica aqui mais uma queixa minha com relação à abordagem da Marvel com relação ao Homem-Aranha. O cabeça de teia é, disparado, o personagem mais popular da casa das (más) ideias, isso é líquido e certo, então, o que a Marvel faz é usar o Aranha como trampolim para outros personagens, pois parece saber que levar a melhor em cima do Aranha é ótimo pra um personagem, e ser passado pra trás não vai fazer com que o Aranha perca fãs. Leias as duas partes de O Diabo e os Detalhes e vai entender o que eu quero dizer.
Enfim, passado o desabafo, as 148 páginas de Demolidor 2, por Mark Waid, Paolo Rivera, Emma Rios, Kano, Koi Pham, Joe Rivera, com capa cartão e papel LWC no miolo vale os R$ 18,90 do preço de capa com folga, especialmente se a periodicidade trimestral, e a qualidade das histórias for mantida.
"É assim que funciona a justiça, Harvey. Ás vezes os dois lados perdem."
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Quadrinhos: Homens-Aranha
Já tem algum tempo que deixei de lado o quadrinho mensal do Homem-Aranha, o qual vinha comprando regularmente desde 2002.
Não sou um fanático. Já havia passado por hiatos bastante longos de quadrinhos. Entre 97 e 2002, por exemplo, praticamente não acompanhei quadrinhos, exceto por meia dúzia de edições da série Premium da Marvel. Nessa última ocasião, a decisão de parar de comprar a mensal do Homem-Aranha foi muito mais pensada do que aquela que eu tomara aos dezesseis anos. Parei conscientemente de comprar e acompanhar o gibi ao ver o Chacal aparecer em um quadro da edição que antecedeu o início do arco Ilha Aranha...
Claro, apenas ver o vilão da Saga do Clone na revista não teria me afugentado, mas, após saber detalhes da saga Superior Spider-Man que anda a mil lá nos EUA, resolvi unir o inútil ao desagradável e me poupar das agruras que se avizinham.
Não chega a ser como se eu estivesse perdendo grande coisa, afinal de contas. As histórias do Homem-Aranha nos quadrinhos mensais vinham oscilando entre meia-boca e OK, e era raro se deparar com qualquer coisa que superasse um mero "boa", então, não me arrependo de ter parado de ler.
Além do mais, não abandonei os quadrinhos.
Continuo comprando encadernados e edições especiais com grande frequência, mas confesso que sinto alguma falta do meu super-herói preferido e talvez tenha sido unicamente por isso que comprei a edição especial Homens-Aranha, um compilado com as cinco edições da mini-série Spider-Men publicada nos EUA e que, pela primeira vez reuniu o Homem-Aranha da cronologia Marveliana original, a 616, Peter Parker, com sua contraparte do universo Ultimate, Miles Morales.
Havia parado de acompanhar a série Ultimate do Homem-Aranha pouco depois da centésima edição brasileira, havia ficado sabendo, porém, do básico, e aqui vai um spoiler em potencial, o Homem-Aranha ultimate original, Peter Parker, havia morrido, sendo substituído por Miles Morales, outro moleque picado por uma aranha geneticamente alterada.
Homens-Aranha mostra Peter Parker sendo levado à dimensão Ultimate após um confronto com Mystério, facínora tradicional do universo aracnídeo, especialista em efeitos especiais, produtos químicos e ilusões de toda a espécie que já morreu, foi substituído por outro, ressuscitou e voltou à ativa (não pergunte), e que, de vez em sempre dá as caras pra atazanar a vida do amigão da vizinhança.
Mystério envia o Homem-Aranha à dimensão paralela, e lá, o herói conhece Miles Morales, e, na melhor tradição Marvel, os dois saem no braço antes de finalmente se entenderem e unirem forças contra o vilão.
Enfim, comprei o especial, e após terminar a leitura, confesso que me arrependi. Brian Michael Bendis, autor da história, tem uma das visões mais chatas do Homem-Aranha, interpretando o herói como o "underdog" supremo. Nada do que o Homem-Aranha de Bendis faz dá certo, ele não vence nenhuma briga sem ajuda, não resolve nenhum problema sem auxílio, não se dá bem em nenhuma ocasião se alguém não der uma força.
Isso fica particularmente claro em Homens-Aranha, que até começa bem, com um Peter Parker piadista, mas logo descamba com o Aranha sendo derrotado por Mystério, Miles Morales, Nick Fury, Tony Stark...
De qualquer forma, os problemas não param por aí. A trama é corrida, mal desenvolvida, e parece existir apenas pra justificar Miles Morales como o novo Aranha Ultimate. Em suma, um desperdício de tempo, dos ótimos desenhos de Sara Pichelli, e dos R$ 17,90 que a revista, com capa cartão e papel bonitinho no miolo, custa.
Leia apenas por curiosidade mórbida, ou se for muito fã do Miles.
"-Então eu tenho sua... Hã...
-Benção? Claro."
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