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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Resenha Cinema: Capitão Phillips


Paul Greengrass, é muito bom cineasta. O britânico que botou a cara no mainstream com A Supremacia Bourne, de 2004, e de lá pra cá, fez Voo United 93, O Ultimato Bourne e Zona Verde andava parado desde o lançamento desse último, em 2010.
Confesso que andava com saudade da câmera tremida que nunca perde a ação do inglês de 58 anos, de modo que assim que estreou Capitão Phillips, na sexta-feira, eu já estava na ponta dos cascos pra ver o filme.
Dei um tempo no meu Call of Duty - Ghosts, e no meu Calvin & Haroldo e toquei pro cinema pra conferir o filme, adaptação do livro "A Captain's Duty - Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea", de Richard Phillips, que, em 2009, teve seu navio cargueiro, o Maersk Alabama, sequestrado por piratas somalis na costa da África.
Capitão Phillips começa estabelecendo paradoxos entre seus protagonistas.
Richard Phillips (Tom Hanks) aparece em uma casa confortável nos subúrbios de uma cidade nos Estados Unidos preparando-se para sua viagem. O capitão responde e-mails, apanha a foto da família, dá uma olhada em mapas, guarda tudo na sua mochila e dirige com sua esposa até o aeroporto enquanto fala sobre as incertezas profissionais que o futuro reserva a seu filho mais novo se ele não começar a levar os estudos a sério.
Enquanto isso, em um barraco de papelão e telhas numa praia da Somália, Muse (Barkhad Abdi) é acordado por um moleque pois está começando a convocação de quem vai ao mar naquele dia. Muse apanha seu AK-47 e vai para a beira d'água escolher uma tripulação entre as dezenas de homens subnutridos dispostos a sequestrar um navio naquele dia.
Essas duas sequências de apresentação do início do longa, que estabelecem as personas de Phillips e Muse, e as diferenças entre as realidades distintas em que ambos existem dão a tônica do filme.
Enquanto Phillips transita em um mundo de controle, normas e paciência em que regula até a pausa do café de sua tripulação, Muse tenta conseguir um motor para seu bote de abordagem usando como argumento uma chave inglesa. Esses dois mundos tão diversos colidem quando Muse e outros três piratas estabelecem o Maersk Alabama como alvo e investem contra o navio subindo a bordo. Desse momento em diante, todo o libelo contra a globalização e o capitalismo caem para o segundo plano conforme a tensão domina o filme, que se torna um jogo de xadrez entre Phillips e Muse, que se veem como dois meros peões em um tabuleiro de proporções abissais quando o efeito dominó do sequestro coloca as forças armadas dos EUA em movimento.
É excelente.
Greengrass está em seu habitat natural quando conta histórias repletas de tensão e ação usando o cunho político como plano de fundo, e acerta a mão em Capitão Phillips ao contar uma história repleta de ameaça e violência sem esquecer do fator humano e das circunstâncias que levam as pessoas a determinados cursos de ação.
Quando Phillips diz que deve haver algo que um homem possa fazer além de ser pirata e pescar, e Muse responde que talvez seja o caso na América, mas não na Somália, nós acreditamos.
Muito dessa credibilidade vem do elenco, que poderia ser reduzido a dois nomes, Barkhad Abdi e Tom Hanks.
O ator somali que trabalhava como chofer e não tinha nenhuma experiência como ator até ganhar o papel no filme dá show. Com sua silhueta esquelética, dentes proeminentes e expressão amortecida o africano se estabelece com naturalidade como antítese dos gorduchos americanos da tripulação do Maersk, e uma surpreendente nêmese de Phillips, ao atuar de igual pra igual com um Tom Hanks na sua melhor forma em anos.
Hanks, aliás, deveria se envergonhar de fazer bobagens como Larry Crowne e O Código Da Vinci e se concentrar em ser o ator que ele pode ser, exatamente como faz ao longo de Capitão Phillips, em especial nos quinze minutos finais, quando literalmente some dentro do desespero da situação em que seu personagem se encontra.
Em suma, puta filme, assista no cinema.

"-Ouçam todos. Nós fomos abordados por piratas armados. Se eles os encontrarem, lembrem-se, vocês conhecem esse navio, eles, não. Fiquem juntos e tudo dará certo. Boa sorte."

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Resenha Cinema: Os Suspeitos


Quarta de noite, sabendo que não existe necessidade de secar o co-irmão em partidas decisivas, resolvi ir ao cinema. Entre pegar uma pré-estréia de Capitão Phillips ou assistir de novo a Thor - O Mundo Sombrio, encontro uma sessão desse Os Suspeitos dando mole no Cinemark.
Fã de filmes de Hugh Jackman e de Jake Gyllenhaal, bora tocar pro cinema e conferir o longa.
Os Suspeitos (Prisoners "prisioneiros", no original, que faz muito mais sentido) mostra Keller Dover (Jackman), um carpinteiro de Boston que leva uma vida pacata ao lado da esposa Grace (Maria Bello, acabada), do filho Ralph (Dylan Minnete) e da filhinha Anna (Erin Gerasimovich).
Durante um antar de ação de graças na casa onde vivem seus amigos, Franklin e Nancy Birch (Terrence Howard e Viola Davis) e suas duas filhas, Eliza e Joy (Zoe Soul e Kyla Simmons), as filhas mais jovens das duas famílias desaparecem.
A única pista do paradeiro de Anna e Joy é um velho trailer que estava estacionado na rua mais cedo.
A polícia é imediatamente acionada e começa a investigar o caso, e em poucas horas o detetive Loki (Gyllenhaal) prende o dono do trailer, Alex Jones (Paul Dano), mas sem provas é forçado a liberá-lo.
Conforme Loki começa a seguir múltiplas pistas, literalmente batendo à porta de todos os criminosos sexuais da região, Keller percebe o tempo correndo, e vendo a possibilidade de encontrar Anna cada vez mais remota, decide que precisa agir se não quiser perder sua filha, e para tê-la de volta, vai fazer o que for necessário, mesmo que seja uma atrocidade.
É ótimo, daqueles filmes de revirar o estômago.
O roteiro de Aaron Guzikowski, o mesmo escritor responsável pela porcaria Contrabando, é tenso tanto psicológica quanto fisicamente, e a direção de Denis Villeneuve aproveita tudo o que o texto tem de melhor dando vazão a seus elementos sob uma atmosfera opressiva e cinzenta digna de um tenso faroeste urbano.
As duas horas e meia de filme se justificam, desenvolvem os personagens centrais, Keller e Loki, com mais afinco, o que não é nenhuma injustiça, os personagens são trabalhos soberbos de Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal, dos melhores das carreiras de ambos, mas não tiram as luzes de quem tem a oferecer, e Terrence Howard, Paul Dano, Viola Davis e Maria Bello, têm muito a oferecer no desenrolar da história.
Além de saber aproveitar os personagens e seus dilemas, a parte investigativa da trama é sólida, com pistas encontradas em cada ponto da trajetória de Loki, obrigando o espectador a ficar na ponta da cadeira e roendo as unhas conforme são encontradas.
O elenco de vencedores e indicados ao Oscar por todos os lados (que conta ainda com a ótima Melissa Leo) segura a peteca com louvor em uma trama onde a investigação prende a atenção, mas onde seu efeito sobre os investigadores é o prato principal.
Obrigatório, corra pra ver no cinema.

"-Reze pelo melhor. Prepare-se para o pior."

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Voto de Confiança


É medo.
Sempre foi.
Sempre, sem exceção.
Medo puro. Em estado bruto. Amarelo feito o anel do Sinestro.
Por mais que doa admitir, essa era a explicação o tempo todo. Medo.
Claro, não havia sido desde o início. No início era pura vontade. Entusiasmo. Empolgação. Era tudo de bom. Tudo de melhor. Mas a certa altura, deixou de ser só isso. Surgiram os percalços, e a desconfiança apareceu.
Por que?
Porque é uma coisa muito grave dizer que se ama alguém.
Muito, muito grave.
Tu dá um tipo de poder à pessoa que ouve isso, que é... Olha, é sobrenatural.
Tu dá à essa pessoa uma carta branca pra te magoar. O botão vermelho pra destruir a tua vida. E, meu Deus, talvez essa pessoa jamais faça isso. Talvez essa pessoa não esteja remotamente interessada em acabar com a tua vida, mas ainda assim, ela pode.
Então, dizer "eu te amo" é um voto de confiança ímpar.
E se a pessoa que se torna fiadora de voto tão sério, mesmo que inadvertidamente, trair essa confiança, mesmo se por acidente, mesmo se com a melhor das intenções, coisas podem se quebrar pelo caminho.
"Trair a confiança", soa grave, parece crime hediondo premeditado.
Não.
Não é assim.
Pode ser uma bobagem. Um escorregão. Uma atitude mal pensada. E é assim de parte à parte. Não é uma bobagem como andar paquerando por aí. Não era ser paquerada, também. Quando se confia em uma pessoa pra ser fiadora de tuas afeições, se confia nela o suficiente pra acreditar que, se o pior acontecer, e as disposições dela mudarem, ela terá consideração o suficiente pra te contar.
Isso é bobagem. Acontece.
A quebra de confiança de verdade, é quando uma pessoa que tem o poder de te magoar, acaba te magoando, e te magoando de novo.
E mesmo que tu saiba que ela não tem intenção, que nunca foi o que ela queria, tu te pega refugando.
Tu te flagra desconfiado.
Com medo.
E aí tu começa a andar pra trás. Com medo de se ferir, tu se afasta. Tu anda pra trás, mesmo querendo andar pra frente.
É um lance de auto-preservação, saca?
Porque , por mais frio que esteja, é instintivo tirar a mão de perto do fogo quando a dor da queimadura ainda está fresca na memória.
Não é rancor.
Não é tristeza e tristeza, apenas.
É medo. Sempre foi.
Sempre, sem exceção.
Medo puro. Em estado bruto. Amarelo feito o anel do Sinestro.
Medo de estar fazendo de menos. Medo de estar fazendo demais. Medo de não ser o suficiente.
Só medo.
Medo de ouvir que em certas ocasiões tu precisaria estar à porta de quem tu ama, e ao responder que a tua necessidade, eventualmente seria exatamente o oposto, destruir algo.
Medo de, ao ser tu mesmo, causar mais mal do que bem.
Medo de não saber amar direito.
Medo de ser o responsável pela própria tragédia...
Medo.
Medo, apenas.
Medo puro. Em estado bruto. Amarelo feito o anel do Sinestro.
E mais nada.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Resenha Cinema: Thor - O Mundo Sombrio


Thor, de 2011, era um filme de origem bastante satisfatório.
O longa dirigido por Kenneth Branagh e estrelado por Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins e Tom Hiddleston era divertido, bem-intencionado e honesto, e embora sofresse de um problema recorrente aos filmes da Marvel, a pressa em fazer a história caber em duas horas de projeção, ou menos, funcionava a contento. Era, afinal, a fase um do Universo Marvel Cinemático, e parecia que, depois de Homem de Ferro, o importante era apresentar os personagens e preparar o terreno para Os Vingadores.
Ainda assim, Thor, que custou 150 milhões de dólares, faturou quase 450 milhões, e depois do estrondoso sucesso de Os Vingadores, era óbvio que o Deus do Trovão retornaria.
Quando as notícias sobre Thor 2 começaram a surgir, a melhor de todas era o nome do diretor, Alan Taylor.
O cineasta, cheio de trabalhos para a TV no currículo, tinha um trunfo de abrir sorriso de fanboy:
Era um dos diretores de Game of Thrones, da HBO.
Se Kenneth Branagh prometia por conta da formação Shakespeariana, todo mundo ficava meio assim de ver o britânico no comando de uma adaptação de gibi, com Taylor, porém, a promessa era um realizador acostumado a adaptações regadas a sangue, ação e drama. Ele podia ser o sujeito que deixaria Thor menos dourado e lustroso do que fora o primeiro filme.
O elenco principal do primeiro longa voltou, inteiro. Inclusive com a gatinha Kat Dennings como a enjoadinha Darcy Lewis, e Stellan Skarsgaard como o doutor Eric Selvig, o núcleo asgardiano, também. Rene Russo como Frigga, Idris Elba como Heimdall, Ray Stevenson como Volstagg, Tadanobu Asano no papel de Hogun, e Zachary Levy substituindo Josh Dallas como Fandral, além da gatíssima Jamie Alexander como Sif.
A eles juntaram-se Christopher Eccleston, de Cova Rasa, que seria o senhor dos elfos negros, Malekith, o maldito, e Adewale Akinnuoye-Agbaje, o ator de nome impronunciável de Lost viveria Algrim, o maior guerreiro do povo de Svartalfheim.
O lance, então, era esperar o lançamento do longa, que, como de praxe pros estúdios Marvel, estrearia no Brasil antes dos EUA.
Sexta conferi o longa, e posso dizer, sem medo de errar, que Thor - O Mundo Sombrio é divertidíssimo.
No longa, após os eventos de Os Vingadores, Loki é aprisionado por Odin em uma masmorra onde deverá permanecer pelo resto da eternidade como punição por seus crimes em Thor e Os Vingadores.
Enquanto isso, Thor viaja pelos nove reinos consertando a bagunça que a destruição da Bifrost causou e devolvendo a ordem de Asgard aos mundos da Yggdrasil entre uma batalha e outra.
Ao mesmo tempo, na Terra, Jane Foster e Darcy Lewis, dando sequência a seu trabalho em Londres, encontram anomalias dimensionais relacionadas às pontes Einstein-Rose que elas vinham estudando. Tragada por uma dessas anomalias, Jane inadvertidamente penetra em um cofre secreto asgardiano em uma dimensão paralela, onde é exposta ao Éter, a arma primordial dos elfos negros.
O contato de Jane com a substância desperta os remanescentes do povo de Svartalfheim, hibernando a milênios após sua última derrota nas mãos de Bor, pai de Odin.
Liderados por Malekith, o maldito, e por Algrim, seu braço direito, os Elfos Negros viajam pelo espaço procurando por Jane, que acometida pela influência do Éter é levada a Asgard por Thor, e a presença da jovem atrai Malekith e seu séquito ao Reino Eterno, onde mesmo o poder dos deuses nórdicos pode ser insuficiente para deter os elfos negros e impedi-los de devolver o universo às trevas, o que leva Thor a firmar uma frágil aliança com seu meio-irmão Loki, e tentar levar a guerra ao reino dos elfos negros e derrotá-los lá, em uma aposta arriscada que pode custar todo o universo.
Divertidíssimo é pouco para definir Thor - O Mundo Sombrio.
O longa se encontra em termos de tom e ritmo, há drama, ação e humor, e nada se sobrepõe. As piadas são engraçadas, mas não cortam o clima do drama, que é tocante, e que não se sobrepõe à ação, que empolga.
A espantosa e colorida mistura de referências e estilos do filme, com elfos negros que viajam pelo espaço em naves furtivas e disparam armas laser enfrentando deuses nórdicos com espadas e martelos mágicos que viajam por dimensões gélidas com monstros gigantes e vêm à Terra onde encontram cientistas e astrofísicos tentando explicar a tecnologia/magia dos nove reinos é de encher os olhos.
Alan Taylor e os roteiristas Christopher Yost, Christopher Markus, Stephen McFeely, Don Payne e Robert Rodat criam um universo surtado (no bom sentido) para Thor e os deuses nórdicos trafegarem sem contradizerem o universo estabelecido no restante do Universo Cinemático do Marvel Studios.
Pra melhorar, alia-se a essa ambientação monstruosa e à uma história que, mesmo com eventuais furos, é bem construída o bastante pra prender a audiência na cadeira, um elenco acima da média.
Chris Hemsworth melhorou com relação ao primeiro Thor, e com mais tempo em parece mais solto no papel de Thor, Natalie Portman mantém sua boa média, e Anthony Hopkins segue cheio de presença na pele de Odin. Malekith e Algrim não são exatamente papéis que tenham espaço para Eccleston e Agbaje mostrarem dotes artísticos, mas quem liga quando Tom Hiddleston está no filme?
O ator inglês rouba todas as suas cenas, tem as melhores frases de efeito, parece se divertir mais que todo mundo, e se não saísse de cena de vez em quando, não apareceria mais ninguém.
Corrigindo erros do primeiro longa e aumentando exponencialmente o escopo da ação, Thor - O Mundo Sombrio mostra que nem só de Homem de Ferro e Vingadores vivem os estúdios Marvel, e que a fase 2 da casa das ideias nas telonas tem cartuchos pra queimar que vão muito além de preparar o terreno para Os Vingadores 2.
Fique até o final dos créditos. Há duas cenas bônus, a primeira delas preparando o terreno para Guardiões da Galáxia.

"-Você deve estar muito desesperado para vir a mim em busca de ajuda.
-Saiba que se você me trair, eu o matarei.
-Quando começamos?"

Quadrinhos: Kick-Ass 2


Foi na sexta-feira, depois de já ter assistido à adaptação cinematográfica, que finalmente encontrei o encadernado Kick-Ass 2, de Mark Millar e John Romita Jr. pra vender.
Após o sucesso de Kick-Ass, de 2008, que recebeu críticas muito positivas e gerou um longa metragem cinematográfico de sucesso em 2010, era óbvio que Mark Millar, que não dá ponto sem nó, estava louco pra dar sequência ao final aberto da sua mini-série.
Essa Kick-Ass 2, dá sequência tanto ao quadrinho de 2008 quanto à mini-intermediária, Hit-Girl, ambas já publicadas no Brasil e comentadas aqui na Casa do Capita.
Em Kick-Ass 2, Dave Lizewski toca seu treinamento com Mindy Macready visando se tornar um vigilante mais eficaz enquanto Chris Genovese, o ex-Red Mist, após se cansar de ser explorado por charlatões que prometiam ser capazes de torná-lo um Batman do mal, resolve usar a grana de sua família para contratar capangas especializados que possam cometer atrocidades em seu nome buscando vingança contra Kick-Ass e a Hit-Girl, responsáveis pela morte de seu pai.
Infelizmente para Dave, Mindy é forçada por seu padrasto, Marcus, e pela saúde mental debilitada de sua mãe, a colocar de lado toda e qualquer relação com sua vida de vigilante, incluindo aí os treinamentos de Dave, que se vê novamente por conta própria.
Pelo manos até contatar o Doutor Gravidade na internet, e se unir a ele e outros super-heróis da vida real, o Coronel Estrelas e o Tenente Listras, a dupla Lembrem-se de Tommy, o Batalheiro, a Night Bitch, e o Homem-Inseto e formar a Justiça Eterna, o primeiro super-grupo do mundo.
O problema é que, conforme os atos da Justiça Eterna escalam de dar sopa aos pobres e apanhar ladrões de bolsa nas ruas para fechar prostíbulos e atacar a máfia, o mesmo ocorre com Chris Genovese, que abandona a identidade de Red Mist para se tornar o Motherfucker, e aliado aos seus supervilões, o Tumor, Genghis-Carnage, e Mãe-Rússia, e literalmente toca o horror tanto para atrair a atenção de Kick-Ass e Hit-Girl, quanto para conspurcar o sonho de super-heróis da vida real.
Os atos odiosos do Motherfucker fazem com que a polícia feche o cerco contra todos os mascarados, incluindo Kick-Ass e seus colegas de Justiça Eterna, que precisam lidar tanto com as forças da lei quanto com a Liga do Mal, que coloca os super-heróis na alça de mira.
Nessa situação desesperadora, a Hit-Girl pode ser a grande trunfo dos super-heróis, mas presa à sua promessa ela permanece se abstendo da vida heroica, o que pode significar o fim da iniciativa heroica da vida-real.
Comparado ao filme ao qual deu origem, Kick-Ass 2 é bastante fiel, em geral, o longa metragem tratou apenas de reduzir o banho de sangue e amainar a crueldade do Motherfucker fazendo algumas piadas com situações que, no quadrinho, ficam mais brutais.
Mark Millar não tem lá muita noção de limite em Kick-Ass e Hit-Girl, que são quadrinhos quase gore, tamanha a quantidade de sangue, tripas e gosma que mostram, esse, porém, não chega a ser o verdadeiro problema do quadrinho.
Enquanto no filme o diretor e roteirista Jeff Wadlow deu um tapinha aqui e ali para mostrar uma trama onde os personagens amadureciam e enfrentavam novos problemas além da identidade secreta (Talvez um recurso obrigatório, já que Chloe Moretz já se tornou uma adolescente e Aaron Johnson não tem mais tanta cara de menino), no quadrinho tudo gira em torno unicamente da vingança de Motherfucker e de como Dave e seus novos colegas lidam com ela.
Some um pouco daquela sensação da empolgação de ser um super-herói de verdade, e surge um grande acerto de contas que é praticamente uma briga de gangues, dando a sensação de que Kick-Ass 2 foi escrita às pressas para que o filme pudesse ser produzido e Millar enchesse os bolsos de dinheiro.
O roteiro do escocês é cheio de vícios, e embora seja divertido em certos pontos, em outros é simplesmente maçante. Os desenhos de John Romita Jr. seguem ótimos, exalando movimento em cada quadro, a arte-final de Tom Palmer é muito boa, e as cores de Dean White, apesar de meio escurecidas, dão o recado.
Em suma Kick-Ass 2 não é boa como o original, e certamente não encosta no filme, bem superior, apesar disso, tem um final sombro interessante, que deixa a porta aberta pra uma terceira parte que pode se justificar se der origem a um filme tão bacana quanto Kick Ass 2.
O encadernado de capa dura com verniz localizado, papel esperto no miolo e duzentas e doze páginas custa R$56,00, e só vale o investimento se tu for um fã muito declarado.

"-Senhoras e senhores, obrigada pelo apoio, foi uma honra servi-los"

Paz


Foram os estertores de morte do cachorro...
Foi aquele som, entre um latido e um ganido, alto, repleto de desespero e dor... Foi aquilo. Foi o som de uma criatura que era toda pelo, dente e entusiasmo, e que subitamente se viu parcialmente esmagada sob a borracha rude do pneu de um carro qualquer, e não tinha nenhuma compreensão do que estava acontecendo, exceto da dor, e por isso berrava em um lamento tão alto que ecoou pelas ruas adjacentes do Centro.
Foi aquele som.
A situação daquele pobre animal, que poderia ter sido o melhor amigo de alguém, mas que agora estava ali, jazendo numa poça de seu próprio sangue, sentido o cheiro das próprias entranhas no asfalto, e sem saber como ou por que aquilo acontecia, gritava.
Aquele som, a situação daquele cachorro, foi aquilo que o despedaçou.
Foi aquilo que o fez correr para o banheiro, fechar a porta e cobrir a boca em pânico. E ainda que ele lutasse para evitar, fez com que lágrimas lhe escorressem olhos abaixo a ponto de ensopar-lhe a barba.
Sentado no chão, com as costas apoiadas na porta fechada, ele segurava o rosto ordenando a si mesmo que parasse de chorar, mas era inútil. Mesmo lá ele podia ouvir o cachorro agonizando.
Agarrou os cabelos da lateral da cabeça, e os puxou com força, alguns se arrebentaram, outros foram arrancados junto à raiz, doeu, fez sua respiração se tornar mais profunda e pesada, mas não o fez parar de chorar.
-Para... Para de chorar...
Não parou. As lágrimas seguiam vertendo. A respiração ameaçava virar um soluço, os olhos doíam, e o nariz ardia.
O cachorro continuava ladrando, alto, compassado, carregado de angústia. Ele pensou em se levantar e ir até lá fora ver, mas faltou-lhe coragem. Amaldiçoou a própria covardia. Descobriu a boca, ainda chorava.
-Para de chorar. - Ordenou.
Não parou. Segurou o rosto entre as mãos.
Ainda chorava.
-Tu tá sozinho... Para.
Ouvia o cão.
As coisas se empilhavam.
Doença, morte, tudo, ele estava sozinho.
Quase pôde ver o médico com uma das mãos no bolso enquanto, com a outra, alisava seu jaleco.
"Quem mexer no meu jaleco leva um peteleco"...
Não, o médico jamais dissera aquilo. Falara em tumor. Falara em quimioterapia e em radioterapia.
O cão de novo.
O ganido tornou-se um uivo.
Aquele som arrancou-lhe a alma.
Partiu-lhe o coração.
-Para de chorar. - Ordenou de novo. E de novo.
-Para. - Desferiu um tapa no próprio rosto.
-Para de chorar.
Outro tapa.
-Para.
Mais um.
-Para.
De novo.
-Ela disse que tava pronta pra seguir em frente e seguiu, desgraçado.
Novo tapa.
-Para... de... chorar...
Cobriu os ouvidos com as mãos, fechou os olhos com força. As lágrimas se acumularam dentro das pálpebras, fazendo seus olhos arderem.
-Para de chorar.
O cão silenciou. Ele ergueu os olhos dentro do banheiro, e descobriu os ouvidos, percebendo o silêncio... Havia acabado. Tudo estava acabado. Sentiu algum alívio. Aquilo era paz?
Talvez fosse... A paz de um túmulo, afinal de contas, ainda era paz.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Rapidinhas do Capita


Em entrevista ao The Big Issue, George Romero, papa absoluto do movimento zumbi, sintetizou em uma frase tudo o que me faz ser o único fã de zumbis que despreza The Walking Dead.
Segundo o diretor, que afirmou ter negado um convite para dirigir um episódio da série, o programa hit de público é "Uma novela com zumbis ocasionais".
Baseado no que eu vi do programa, e admito que não foi muito, pois achei chato demais, concordo com o mítico cineasta.

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Mas eita... A lutadora de MMA Jessica Eye, da divisão feminina do UFC, a mesma organização de Anderson Silva, Georges St. Pierre, Quinton Jackson e afins declarou em entrevista que não consegue namorado, e que está "solteira e cem por cento com tesão faz um longo tempo".
Jessica, dona de um cartel de 11 vitórias e uma derrota no UFC, declarou que enfrenta escassez de homens dispostos o suficiente para namorar uma lutadora.
"Os meninos têm medo de mim. Acho que sou muito confiante para eles", revelou a lutadora, que continuou dizendo que não vai sair com qualquer um apenas por necessidade.
O que eu posso dizer?
Se pudesse, casava com a Jessica Eye agora, sem pensar duas vezes por mais que houvesse o risco de toda a DR terminar em olho roxo, e por mais que fosse a típica relação em que o homem tem a última palavra sendo "Sim, senhora" ou "Não me bata mais!".
Imagina, uma moça bonita, gostosa e que pode te defender numa briga? Deve ser o mais próximo que uma pessoa de verdade pode chegar de namorar a Hit Girl.



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Surgiu uma imagem promocional de Guardiões da Galáxia novinha em folha. Na arte Drax, o destruidor aparece com as feições de Dave Bautista, e Gamora tem a cara de Zoe Saldaña.
No longa escrito e dirigido por James Gunn que estréia em agosto do ano que vem, conheceremos Peter Quill, o Senhor das Estrelas, filho de um alienígena e uma terráqeua que se torna o líder da tropa, que conta ainda com o alienígena planta Groot (interpretado por Vin Diesel) e Rocket Racoon (dublado por Bradley Cooper).