É dia de rock, bebê, e nada melhor para marcar a efeméride do que um infame top 10,Casa do Capita dedicado aos personagens com os visuais e atitudes mais Rock'n Roll da cultura nerd.
A eles:
10: Jon Snow (As Crônicas do Gelo e Fogo, Game of Thrones)
O bastardo nortista da família Stark é um personagem cheio de correção e bom-mocismo, concordo. Mas nem por isso deixa de ter suas facetas roqueiras. Snow é cabeludo, barbudo, se veste de preto, luta contra as convenções sociais, não discrimina gordos, gigantes e nem selvagens em geral. Tem um lobo gigante albino que é totalmente heavy metal e é o mestre do cunilingus além da Muralha.
Por toda essa lista de predicados Lorde Snow ganha um merecido lugar na lista.
9: Darth Maul (Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma)
Se Darth Vader é a epítome do vilão definitivo, e com suas roupas negras de couro, voz cavernosa e presença ameaçadora tem um visual terrivelmente metaleiro, ele ainda perde na comparação para Darth Maul.
O subaproveitado vilão de A Ameaça Fantasma era tão ameaçador quanto Vader, também usava preto, tinha um sabre de luz de lâmina dupla sinistro e, pra completar, usava uma versão Lado Sombrio da pintura facial do Kiss. Maul jamais tinha uma recaída pro lado luminoso e vivia para se vingar dos Jedi.
Não tem como ficar mais Rock'n Roll que isso.
8: Smaug, o Magnífico (O Hobbit, O Hobbit: A Desolação de Smaug/ A Batalha dos Cinco Exércitos)
Em meio à gloriosa quantidade de personagens memoráveis que ganharam vida nas páginas dos livros de J. R. R. Tolkien e nos filmes de Peter Jackson havia heróis e vilões, sábios e idiotas, demônios e quase deuses, mas apenas um rockstar:
O dragão Smaug.
Smaug entrou em Erebor como se fosse o palco do show após arrasar Valle tal e qual fosse a suíte do hotel cinco estrelas. Após anos dormindo em cima do tesouro dos anões, deixou a fortaleza para destruir a Cidade do Lago só por birra como uma perfeita prima-donna. Na versão cinematográfica, ele ainda tem o vozeirão de Benedict Cumberbatch e sai pintado de ouro como se fosse Prince nos áureos tempos.
7: O Surfista Prateado (Quadrinhos Marvel, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado)
Fala sério. Olha as capas dos gibis do Surfista nos anos setenta e me diz que não parecem capas de discos de rock, com a esguia figura cromada abraçada à sua prancha singrando o cosmos?
Sabe Odin o que Stan Lee tomou quando criou Norrin-Radd, o arauto definitivo de Galactus, o Devorador de Mundos, que trocava a sobrevivência do pacífico planeta Zenn-La pela servidão ao golias de apetite planetário, mas uma coisa é inegável, o personagem com seu visual ímpar e seus profundos questionamentos filosóficos parece ter sido feito pra ser lido ao som de Pink Floyd.
6:Hit Girl (Kick Ass, Kick Ass: Quebrando Tudo, Kick Ass 2)
Mindy McReary, a guriazinha de uniforme e peruca roxos com o vernáculo de ofensas de um caminhoneiro bêbado e capaz de matar com as mãos com a mesma facilidade com que profere um impropério é uma rockstar pra colocar as gurias do The Runaways, Chrissie Hynde e Deborah Harry todas no chinelo.
A filha do Big Daddy era a grande super-heroína de Kick-Ass, cheia de atitude que era capaz de garantir, sempre com uma tiradinha sarcástica na ponta da língua e disposta a deitar a porrada diante de qualquer comportamento atravessado, não há personagem feminina mais foda e mais roqueira que a pequena vigilante.
5: O Coringa (Batman, Batman: Cavaleiro das Trevas, Batman: A Série Animada, games Batman Arkham, quadrinhos DC)
O príncipe palhaço do crime, nêmese definitiva do Batman teve muitas encarnações ao longo de sua longa carreira criminosa. Nenhuma é mais rock'n roll que o agente do caos, um senhor do crime com nenhuma ganância exceto ver o circo pegar fogo. O palhaço assustador criado por Heath Ledger em Cavaleiro das Trevas e gerado por pixels e a interpretação inspirada de Mark Hammil na brilhante série de games Arkham tem uma atitude de vilão do Rock de fazer Alice Cooper se roer de inveja, e sua figura colorida e espalhafatosa representa no sombrio mundo do Batman o mesmo sopro de cor do glam na cena do rock britânico setentista.
4: Ezio Auditore da Firenze (Assassin's Creed II, Assassin's Creed: Brotherhood, Assassin's Creed Revelations)
Durante um bom tempo Altaïr Ibn La Ahad foi meu assassino favorito na série dos homens e mulheres que operam nas sombras para servir à luz. Isso durou apenas até Assassin's Creed Brotherhood, quando Ezio Auditore se tornava um personagem muito mais interessante e profundo que Altaïr tivera tempo de ser.
Mais do que isso, Ezio era um briguento e mulherengo opositor do sistema vigente. Um rebelde de carteirinha que andava pelos telhados invadindo os quartos das novinhas e tocando o horror nos templários e seu abjeto status quo. Quando alcançou a maturidade, passou a vestir preto, e fez um tour pela Europa espalhando sua mensagem.
Rock on, Ezio. Rock on...
3: Morpheus do Sonhar (série de quadrinhos Sandman)
O melancólico e irascível senhor dos sonhos criado por Neil Gaiman para o selo Vertigo da DC no final dos anos oitenta é um tremendo rockstar. O visual gótico com as roupas pretas, a pele pálida e os cabelos longos, mais o jeitão blasé de quem acha o mundo todo muito enfadonho são todos crachás de roqueiro.
Mais do que isso, Morpheus é rancoroso, vive em um palácio repleto de criados peculiares, salas lisérgicas, teve um sem número de amantes e várias esposas, uma briga duradoura com o filho que é músico, enfim, ele é praticamente Ozzy Osborne, mas muito mais cool e sem as seqüelas.
2: Eric Draven (O Corvo, quadrinho, O Corvo, filme)
O espírito do Corvo escolheu dar uma chance a Eric Draven para vingar a morte brutal de sua amada esposa e a sua própria nas mãos de uma gangue de criminosos. Draven era músico antes de morrer e voltar à vida nas asas do Corvo, mas foi nessa segunda encarnação que ele alcançou a definição de um visual roqueiro. A blusa preta justa, o sobretudo de couro negro, os cabelos longos desalinhados e a pintura facial branca com batom preto são tenebrosamente rock'n roll, baby.
Somando-se a isso o climão pesado do quadrinho de James O'barr e da adaptação de Alex Proyas e temos aí um peso pesadíssimo com a medalha de prata.
1: Homem de Ferro (Marvel Comics e Universo Cinemático Marvel)
É até engraçado pensar que antes do longa estrelado por Robert Downey Jr. em 2008, o Homem de Ferro era um personagem relativamente escanteado no universo Marvel. O "número um da segunda linha", conforme John Byrne o definiu em uma entrevista.
Foi o carisma de Downey Jr. e a direção esperta de Jon Favreau que se mesclaram a ideia geral do Vingador Dourado e criaram um fenômeno pop
O Homem de Ferro tinha tido seus grandes momentos nos gibis, incluindo aí uma ótima saga onde enfrentava o alcoolismo (quer coisa mais rock'n roll?), mas foi no cinema que o Homem de Ferro se tornou O Rockstar da cultura nerd.
A atitude repleta de problemas com a autoridade, o modo auto-destrutivo de se comportar, o estilo mulherengo e bon vivant, o amor pelo espetáculo e pela ribalta que o levam a assumir sua identidade secreta publicamente porque ele precisa que o público saiba que ele é o Homem de Ferro, isso sem contar a trilha sonora recheada de AC/DC e Black Sabbath, mais o traje de metal pesado e pronto. Tony Stark, o Homem de Ferro ocupa o posto mais alto do pódio nessa lista.
Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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quarta-feira, 13 de julho de 2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
Definitivamente
Era a terceira vez que saíam juntos.
Na primeira, ele a levara para jantar. Sushi, porque ela dissera, antes de ele oficialmente começar a cortejá-la.
Ainda se dizia "cortejar"? Enfim... Ela mencionara que gostava de sushi, e ele a levou para jantar sushi após ela aceitar seu convite, sem saber que ele tinha bastante aversão à ideia de comer peixe cru embrulhado em alga e em arroz, mas enfim, ela valia a pena.
Loira, esguia e com um charme atlético, algo moleque em meio à estampa de princesinha... Ele não sabia explicar, mas não era só a beleza. Nem só a voz... E nem só o cheiro... Aquele perfume fresco... Era o conjunto.
O conjunto não chegava a enlouquecê-lo, ao menos, não ainda, mas certamente o impelia a fazer coisas que normalmente não faria.
No final das contas, até gostou de sushi. Era uma daquelas coisas que ele não gostava sem ter provado. E quando provou, não achou ruim.
No segundo encontro foram ao cinema, ver um filme que ela queria ver.
Ele francamente não prestou muita atenção. Estava olhando só pra ela. Imaginando se deveria beijá-la. Não a beijara no primeiro encontro. Ficou três dias amaldiçoando a própria idiotice. Como podia não tê-la beijado? Ela estava ali, do lado dele, se reborcando inteira naquela poltrona do Cinemark procurando posição pra ver o filme. E o cheiro dela, e a cor que os olhos dela ficaram quando as luzes se apagaram e apenas a tela iluminava a sala... Parecia o Legolas antes da batalha do abismo de Helm. Com os olhos quase transparentes.
Não a beijou durante o filme, porém. Teve receio de ser rechaçado, e ela estava prestando tanta atenção naquela porcaria de comédia romântica...
Mas depois do filme, após terem comido um lanche do McDonald's e ele a ter levado em casa, no Centro de Porto Alegre, ao se despedirem, ele esperou alguns minutos que ela o beijasse, mas como ela não o fez, ele deu um tchau tímido, ao que ela respondeu com um "Tu não vai me beijar?", e ele sorriu aliviado e envergonhado e disse "Graças a Deus!" e voltou e a beijou.
Fora um bom beijo. Bem encaixado, que as pessoas não falam, mas há beijos que, mesmo bons, não encaixam, e culminam com alguém com a boca toda babada, ou então com beijos dados com alguns milímetros de distância e apenas as línguas serpenteando no ar... Entre ela e ele não foi o caso.
Os lábios se encaixaram, e houve língua, mas... Sabe? Tudo certinho. Tudo no lugar.
Se viram e se beijaram ao longo dos três dias seguintes, mas foi só na sexta-feira que marcaram de sair novamente.
Esse era aquele terceiro encontro. Ela e ele combinaram de ir ao teatro. Ele não era grande fã, mas ela já havia lhe falado antes de sua paixão por teatro. E então ele foi.
Mais tarde, naquela mesma noite, ela convidou ele pra subir. Ele não aceitou, num primeiro momento. Tinha vergonha da mera ideia de conhecer os pais dela.
Mas ela o tranquilizou. Era uma sexta-feira e seus pais haviam viajado para voltar só no domingo à noite.
E então ele subiu, sentindo, dentro de si um pânico de antecipação que se inflava na boca do estômago feito um balão que aumentava cada vez que ela tocava no braço e na mão dele enquanto o elevador se movimentava prédio acima com ele escorado, teso feito um pato na chuva, no espelho atrás de si.
Uma vez no apartamento, ela e ele se sentaram no chão, e beberam refrigerante do mesmo copo enquanto assistiam TV.
Ele se lembrava de ter sorrido por dentro quando ela chegou com um copo de refrigerante, apenas. Era um copo gigantesco, daqueles de um litro, de acrílico vermelho. E ela disse que, se eles dividissem, era uma coisa a menos pra lavar.
Ele pensou "Eu poderia me apaixonar por essa guria.".
Ela sentou colada nele, e enquanto viam TV, ela se colou mais e mais. Ele estava hesitante. Sem saber como se portar, mas à certa altura, o relógio de pulso dele deu sinal de meia noite, e ele contou que, quando era criança, adorava segurar o relógio do pai diante dos olhos nas raras ocasiões em que chegava até as altas horas da noite, e ver quando vinte e três e cinquenta e nove se convertia em zero hora.
Ele contou, e sorriu. E ela, com uma expressão séria no rosto, se aproximou dele e o beijou.
Ele correspondeu. E eles se beijaram com sofreguidão. Ela tirou a camisa dele, e ele abriu o vestido dela, que devia ter dezessete milhões de botões nas costas, o que o fez se sentir um parvo, mas abriu-lhe o sutiã com insuspeita destreza, o que lhe concedeu uma ponta de orgulho. E assim que ela abriu-lhe o cinto e os dois se viram apenas usando roupas de baixo, ele olhou pra ela de boca aberta como quem diz "Eu não acredito no quanto essa mulher é linda", ainda que de fato ele acreditasse na beleza dela, mas tivesse dúvidas de o que ela fazia junto com ele. Continuaram se beijando com sofreguidão, ela o buscando sob a cueca boxer azul-marinho, enquanto ele a livrava da calcinha de algodão branca, azul e rosa.
Ele foi mais rápido, e foi nesse momento, em que ela, deitada de costas no carpete, completamente despida, separou levemente os lábios e sussurrou "Me lambe...?", com a interrogação hesitante no final, como quem não sabe se será atendida.
Incauta.
Desde a primeira vez em que ela lhe tocara de leve no ombro durante uma conversa, sorrindo com os olhos semicerrados, ele estava disposto a qualquer empreitada que culminasse em contato mútuo, imagine agora? Vendo-a ali, deitada, sem roupas, os cabelos espalhados, abertos como um halo em volta de sua cabeça apoiada no chão?
Ele viveria de bom grado para momentos em que pudesse acariciá-la dali por diante.
"Me lambe", pediu, ela. E ele lambeu. Lambeu como se fosse um felino lavando a cria. Como se fosse um cachorro e ela sua dona. Como ele se fosse um peregrino há dias no deserto e ela um picolé de limão.
Caiu de língua nela.
Cada recôndito, cada canto, cada milímetro cúbico de pele descoberta, e era bastante, porque ela estava toda nua.
A lambeu até sentir cãibra no queixo, orgulhando-se particularmente dos momentos em que ela arfava seu nome baixinho, ou arqueava as costas e crispava as mãos.
Aquilo o excitava demais, mandava a dor embora, fazia o cansaço desvanecer, desanuviava sua mente.
Espremeu a língua rija entre os dentes e começou a fustigá-la entre os lábios de baixo. Ele gemeu e sua respiração se tornou pesada, e quando o corpo dela amoleceu inteiro, e sua língua se encharcou, ele soube que a fizera feliz, e era uma sensação boa demais tê-la feito feliz.
Mas queria mais. Aquela era uma mulher por quem poderia se apaixonar, e ela merecia o melhor que ele tinha a oferecer ainda que não fosse muito. Agarrou-a pela nádega, erguendo-lhe a perna, e a fez pousar o pé esquerdo sobre sua escápula direita, enquanto, com a outra mão, abriu bem sua perna direita.
Ainda com a cabeça em seu púbis, se pôs a lamber devagar e com pressão moderada todo o delicado conjunto oculto entre suas coxas bem torneadas. Ela estava úmida, quente e brilhosa, e exalava um cheiro almiscarado pujante. Ele sentia que aquele cheiro forte lhe pertencia, tendo em vista que, quando começaram seus ritos íntimos ela estava toda perfumada, fresca como se acabara de sair do banho.
Ele a lambeu uma vez, duas, três, na quarta, aplicou mais pressão, e na quinta, encolheu a língua, colocando-a dentro dela. Assim ficou, remexendo a língua dentro dela, e de quando em quando, a removia inteira, e passeava em volta, do púbis à virilha, da virilha ao períneo, vez que outra, mais adiante.
Foi na primeira investida mais decidida à essa área mais adiante que ela teve um espasmo e fechou as pernas atléticas como se fosse um alicate ao redor de sua cabeça, chegando a fazer um ruído como um tapa quando a parte de dentro de suas coxas se cerraram contra suas orelhas.
Mais tarde ele se lembraria de que, naquele momento, achou que tudo tivesse ido pro brejo.
Aquele era o tipo de fiasco que matava uma relação nos seus primeiros suspiros. Ela contaria às amigas, entre risos "O cara tentou lamber meu cu na primeira trepada, me fez cócegas e eu esmaguei a cabeça dele com as pernas", e ele contaria aos amigos humilhado, que "amadorismou na nora de chupar a mina e ela teve um acesso de riso depois de espancá-lo com as coxas" e tudo terminaria ali.
Como uma história anedótica para contar aos amigos por algum tempo.
Mas quando ele olhou pra ela, meio sem saber o que fazer, ela ainda olhava pro teto. Sorriu e disse pra ele:
-Desculpa...
Ele ia dizer que não tinha problema, mas ela falou antes, enquanto se apoiava nos cotovelos e o olhava nos olhos:
-O teu óculos tá muito gelado.
Estendeu a mão esquerda, tirou os óculos do rosto dele, e os colocou.
"Meu Deus..." ele pensou. "Eu acho que amo essa guria.".
Ela se reclinou de novo e disse:
-Continua. Prometo que eu não faço mais que nem a Pris no Deckard.
Ele parou enquanto a beijava. "Não, não... É oficial. Eu definitivamente amo essa guria.".
Rapidinhas do Capita
Com as filmagens de Spider-Man: Homecoming (ainda sem título em português) rolando em Atlanta, nos EUA, mais fotos do herói uniformizado surgiram na internet ontem à noite.
Elas mostram o Homem-Aranha (Tom Holland) aparentemente impedindo um roubo.
E andando de bicicleta:
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O longa que tem um dos elencos mais inchados de um filme da Marvel ganhou mais uma adição na semana passada, quando a atriz Angurie Rice, de Dois Caras Legais se juntou ao elenco.
Angurie tem quinze anos de idade, e apesar de um tipo físico bastante condizente com Liz Allen ou até mesmo Gwen Stacy, é difícil imaginar que faria par romântico com Holland, quatro anos mais velho.
Ela se juntou a Robert Downey Jr., Michael Keaton, Marisa Tomei, Tyne Daly, Tony Revolori, Zendaya Coleman, Michael Barbieri, Kenneth Choi, Donald Glover, Martin Starr, Michael Mando, Hannibal Buress, Abraham Attah, Logan Marshall-Green, Bokeen Woodbine e outros na produção dirigida por Jon Watts com roteiro de John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein, dupla do execrável Férias Frustradas.
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O filme co-produzido por Marvel e Sony deve ser o primeiro de uma série de três a quatro longas que mostrarão o período de Peter Parker no colegial.
O longa tem data de estréia para 28 de julho de 2017 no Brasil, e 7 de julho nos EUA.
Na semana passada, Holland publicou uma selfie para celebrar o marco de um ano até o lançamento do filme:
Nada mais apropriado, tendo em vista que o Homem-Aranha meio que inventou esse negócio de tirar fotos de si próprio lá em 1962.
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segunda-feira, 11 de julho de 2016
Resenha DVD: A Garota Dinamarquesa
Desde a primeira foto de Eddie Redmayne caracterizado de mulher parecendo uma mistura de si próprio com Bryce Dallas-Howard e Jessica Chastain, tinha-se a impressão de que o vencedor do Oscar por A Teoria de Tudo tinha tudo pra repetir a dose um ano depois.
O primeiro trailer do longa reforçou a ideia, pincelando um drama pujante sobre a vida de um transexual na década de vinte.
Eu acabei pulando A Garota Dinamarquesa nos cinemas por alguma razão, mas assim que o longa foi lançado em DVD, eu corri pra locadora para conferir o drama, e francamente, estou desde que subiram os letreiros pensando em como categorizar o filme.
Ele é bom, ou não?
Eu gostei, ou não?
A Garota Dinamarquesa conta a história de Einar Weneger (Redmaye, excepcional), um pintor de paisagens de moderado renome e sucesso em Copenhague, na Dinamarca.
Ele é casado com Gerda Wegener (Alicia Vikander, de O Agente da U.N.C.L.E., e EX-Machina), uma pintora de retratos e, a despeito de ela, por vezes se ressentir da sombra do marido, eles mantinham um relacionamento saudável e apaixonado. Trabalhando e vivendo juntos, comparecendo a eventos e tentando ter um filho.
As coisas começam a mudar quando, em 1926, precisando acelerar o trabalho em um retrato, e sem modelo disponível, Gerda pede que Einar vista meias-calça e sapatos de salto-alto para ajudá-la a completar uma pintura.
O que parecia apenas uma bobeira entre dois apaixonados, logo escala para Eijar usando lingerie sob as roupas masculinas, algo que inicialmente diverte e até excita Gerda, e alcança um pico quando o casal atende a um evento social com Einar incorporando Lilli, sua "prima", totalmente travestido.
Se as coisas saem brevemente de controle quando Lilli é assediada por Henrik (Ben Wishaw), Gerda não tarda a descobrir que Lilli é sua musa inspiradora, e é através de inúmeros retratos da modelo que sua carreira aflora e finalmente supera a sombra de Einar.
O problema é que Einar começa a ser soterrado por Lilli, uma presença cada vez mais constante na vida do casal, e não tarda para Gerda perceber que seu marido não é mais a pessoa com quem ela se casou.
Com Einar sofrendo a cada minuto que passa em sua identidade masculina, incapaz de trabalhar e se submetendo a tratamentos para tentar erradicar seu transtorno de gênero que não fazem nenhum bem, não resta alternativa a Gerda, senão apoiar Lilli e sua busca por identidade.
A Garota Dinamarquesa é um filme repleto de predicados. Bem atuado, com show de Redmayne e Vikander (justamente agraciada com o Oscar de atriz coadjuvante), uma direção segura de Tom Hopper, o mesmo de O Discurso do Rei e Os Miseráveis, belíssima fotografia de Danny Cohen, belos figurinos, design de produção caprichado, mas, meu Deus, que filme chato.
Francamente, por mais que eu tenha tentado me envolver com o drama, e tenha percebido toda a lista de qualidades do filme, a história simplesmente não emociona. Falta pujança ao roteiro de Lucinda Coxxon para gerar momentos de emoção genuína ainda que teoricamente possuísse ferramentas para tal. Momentos belíssimos, como a sequência na casa de strip-tease se perdem em um mar de obviedade e é difícil saber a quem culpar.
A história do primeiro transsexual a passar por uma arriscadíssima cirurgia de mudança de gênero, e de sua esposa o apoiando em todo o processo parece a matéria da qual prêmios de atuação e direção se alimentam e talvez esse seja justamente o problema... O fato de o filme ser tecnicamente perfeito e emocionalmente vazio.
Eu realmente não sei se é machismo de minha parte, homofobia, ou algum outro tipo de preconceito, mas a história do personagem central realmente me pareceu estéril a maior parte do tempo, enquanto que a provação pela qual Gerda passa, muito mais palpável, é reduzida a pano de fundo.
Tom Hopper opera com estilo no campo mais seguro e asséptico possível, mantendo o filme acessível para mais audiência e mais premiações com sua elegância e valor de produção, mas cria um longa metragem sem alma ou coração, feito para ser apreciado peça por peça separadamente (as atuações; os figurinos; a trilha sonora; a fotografia...), porque todas essas belas ferramentas, juntas, não sustentam o cerne do filme.
É uma pena. Havia grande potencial em A Garota Dinamarquesa, mas no meio do caminho faltou algo que pudesse fazer a diferença entre "bela produção" e "belo filme".
Tremendo desperdício de potencial, mas não necessariamente um filme ruim.
Assista e tire suas conclusões.
"-Como se sente?
-Inteiramente eu mesma."
Drops
Na fila do super-mercado. Acabara de passar suas compras. Duas latas de ração canina, uma barra de chocolate Alpino, seis litros de Coca-Cola, e um pacote de balas. Imaginava quantos teriam os dezessete quilos que emagrecera se houvesse mudado seus hábitos alimentares após voltar a se exercitar.
A caixa, uma mulher gorda, com um vão entre os dentes da frente grande o bastante para usar hashi como palito, anunciou o valor olhando para o monitor:
-Trinta e dois com cinco.
Ele entregou uma nota de cinquenta.
-Cêpeéfi na nota? - Ela perguntou, monocórdica, sem olhar pra ele.
-Não, obrigado. - Ele respondeu enquanto ajudava a menina que assomou para empacotar as compras a ensacolar as garrafas de refrigerante de três litros cada.
Só o refrigerante, conjecturou. Quanto teria emagrecido se tivesse cortado apenas o refrigerante?
A caixa estendeu-lhe o troco e a nota. Ele conferiu brevemente os dezoito reais, constatando que recebera cinco centavos de desconto.
Conferiu as sacola de compras. A ração, os refrigerantes, o chocolate, mas não encontrou as balas. Olhou em todas as sacolas e finamente disse:
-Tinha um drops...
Nem ele sabia porque dissera drops. Não usava essa palavra. "Drops"... Sua avó falava drops. "Chupar um drops"... Nem sabia ao certo como escrever. Sabia que drop, em inglês, significava pingo, gota. Mas e drops? A bala. Drops? Quando era um só continuava sendo "drops" com "s" no final, tipo um plural? Ou era drop's com apóstrofo separando o "s" do resto?
Não sabia. Mas dissera "drops".
"Tinha um drops"...
A moça que empacotara as compras encontrou. Caíra embaixo das sacolas. Não chegava a ser surpreendente. Era um cilindro de balas enroladas em papel. Normal ter rolado pra baixo das sacolas empilhadas no fim do balcão.
Anormal foi a operadora do caixa.
A mulher começou a rir. Gargalhar. Uma risada gorda, gorgolejante, convulsiva.
Ela ria e seu corpo balançava, fazendo suas bochechas tremerem, seus tetões volumosos também pululavam. A empacotadora olhou pra ela com uma expressão, primeiro divertida, depois confusa, finalmente assustada.
-Quié isso, Cleice? - Perguntou.
A Cleice não parava de rir. Respirou fundo e falou, quase engasgando:
-Drops...
E tornou a rir histericamente. Balançando o corpo e uivando em busca de ar enquanto batia na própria coxa.
Ele se enfureceu. Agarrou a Cleice pelos cabelos e bateu com a cara dela na caixa registradora. Ele não parou de rir, apesar do impacto violento. Bateu de novo. Ela seguia rindo. Ele bateu de novo, com mais força, sem sucesso, Cleice, possuída, ainda ria. Ele continuou segurando a cabeça dela com uma das mãos, e passou a esmurrá-la com a outra, mas ela não parava de rir, embora sua cabeça tivesse começado a se despedaçar, esfarelando-se em grandes bocados como uma maçã fuji sendo chutada pela calçada. A empacotadora começou a gritar e os seguranças chegaram correndo vestidos como membros da engenharia da Enterprise, com as blusas vermelhas e ele se deu conta de que havia algo errado.
A Cleice perguntou de novo:
-Cepeéfi na nota, senhor?
Agora olhava pra ele, que piscou um par de vezes e negou.
-Não. Não vou precisar, obrigado.
A menina se aproximou para empacotar as compras e, por vias das dúvidas, ele manteve o drops sob sua vista o tempo todo, colocando-o pessoalmente na sacola após a Cleice registrá-lo. Imaginava de onde saíra aquele devaneio desperto, quando se deu conta de que um perfume muito familiar se fazia notar. Vinha, estranhamente, de uma senhora no caixa ao lado. Mas era um perfume ou creme corporal cujo cheiro ele conhecia bem, e que já o deixara inebriado antes, por vezes sem conta.
Saiu do mercado com um sorriso melancólico, chupando um drops e desejando que tivesse o gosto dela.
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Resenha Cinema: Florence: Quem é Essa Mulher?
Na melhor tradição do cinema brasileiro, onde é inaceitável que um longa metragem tenha por título apenas um nome próprio, Florence Foster Jenkins se transformou em Florence: Quem é Essa Mulher?, dando ao longa de Stephen Frears uma cara de sessão da tarde oitentista que facilmente dividiria a grade semanal com Quem é Essa Garota?... Ainda assim, foi-se o tempo em que eu levava os títulos brasileiros de filmes em consideração, embora eu ainda fique pasmo com o amadorismo das distribuidoras.
O que sobra aos obtusos escolhedores de títulos nacionais, porém, transborda em Meryl Streep:
Talento.
E um filme protagonizado pela mulher que entra nas cerimônias do Globo de Ouro e do Oscar com a mesma naturalidade de quem vai fazer um xixi de manhã é sempre um programa que vale a pena. O trailer de Florence ainda acenava com uma participação de Hugh Grant no que parecia ser uma volta à sua zona de conforto com um tipo bobão e carismático de inglês aristcrático e Simon Helberg, o Howard de The Big Bang Theory em um surpreendente papel de destaque numa óbvia comédia.
O que mais se poderia esperar do longa cujo mote é a história de Florence Foster Jenkins (Streep), uma abastada herdeira nova yorkina que, durante toda a sua vida, foi uma devotada mecenas da música na grande maçã?
Florence mantinha um clube de amantes da música para senhoras da alta sociedade, contribuía com vultuosas somas em dinheiro para a montagem de espetáculos e era amiga íntima de grandes maestros e condutores.
Casada com o devotado St. Claire Bayfield (Hugh Grant), Florence dedicava seu tempo a concertos e apresentações até que, em 1944, tocada durante uma ópera, resolveu tentar uma nova investida na própria carreira musical.
Munida de uma fortuna e de determinação pétrea, o casalchamou um famoso professor de técnica vocal para se dedicar aos "extenuantes" treinamentos de Florence, que se matava com uma hora de trabalho diária. Ás vezes duas.
Para acompanhá-la em sua empreitada, Florence e Bayfield contrataram o pianista Cosme McMoon (Helberg), que seguiria a espevitada socialite em sua aventura musical, descobrindo, no caminho, que Florence, a despeito de sua inefável paixão pela música, não sabia cantar.
Pior, ainda: Florence era completamente surda à própria falta de talento, e, protegida de todas as críticas por Bayfield e pela própria fortuna, jamais ouvia a verdade sobre sua minguada capacidade vocal.
O mundo feliz de Florence e Bayfield, porém, foi chacoalhado quando, tomada de fervor patriótico, a aspirante a cantora lírica resolveu animar as tropas americanas com um espetáculo de canto para três mil ouvintes no Carnegie Hall, uma empreitada que colocou St. Claire em uma posição complicada, sem controle sobre a audiência, e Cosme, que realizaria o sonho de tocar num dos grandes palcos do mundo, ao lado de uma artista que não sabia cantar.
Baseado na premissa e no trailer, Florence parece apenas uma boa comédia, mas Stephen Frears, diretor de filmes como Alta Fidelidade e Philomena, sabe equilibrar a comédia e o drama inerentes à uma biografia.
O casamento muito particular entre Florence e Bayfield, sua luta contra a sífilis e mesmo a forma como sua tentativa de se tornar uma cantora lírica não deixava de ser uma disparatada vaidade de uma ricaça entediada são facetas que afastam o roteiro de Nicholas Martin do mero viés cômico, e dão ao elenco espaço para brilhar.
Obviamente ninguém brilha mais do que Streep. A desgraçada é um tipo de criatura, e seu talento chega a ser irritante. Não será surpresa e nem injustiça se Florence lhe render outra indicação ao Oscar.
Quem surpreende é Hugh Grant. Por trás do aristocrático charme britânico e do jeito pateta em certos momentos, o ator de 56 anos mostra que, assim como os Pokémons, evoluiu, e entrega uma tocante interpretação de um marido apaixonado e devotado, enquanto Helberg dá seu recado com seu timming cômico habitual.
Ainda há espaço para a bonitona Rebecca Ferguson e Nina Arianda aparecerem.
Não se deixe enganar pelo trailer óbvio ou pelo título nacional cretino, Florence: Quem é Essa Mulher? é um ótimo filme, repleto de risadas, alguns momentos tocantes e performances fortes de um bom elenco trabalhando sob a batuta de um diretor que manja de seu trabalho.
Aposta certa. Assista no cinema.
"-As pessoas podem dizer que eu não sei cantar, mas ninguém pode dizer que eu não cantei."
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Sinal dos Tempos
Estavam sentados no bar de sempre, o Paulo Roberto e o Everaldo. O Paulo Roberto bebendo uma Coca-Cola, o Everaldo um chope. Era happy hour, de modo que o bar estava movimentado, o Paulo Roberto se dividia entre assistir à TV do bar, ligada na Band em horário de programa do Datena, apertando os olhos pra ler as legendas do closed caption, e flertar com uma moça bonita, sexta parte de um grupo que se acumulava no balcão. A moça, de quando em quando, olhava pro Paulo Roberto, que nem sabia se era flerte de parte dela, mas achou que, se fosse, era melhor não desperdiçar, e resolveu olhar pra ela de quado em quando.
O Everaldo chegara ao bar com uma pilha de revistas. Comprava alguns semanários e periódicos com religiosa dedicação, jamais perdendo uma edição sequer. E se entretivera com aquilo a ponto de Paulo Roberto quase ter esquecido dele à mesa. Até o Everaldo resmungar:
-É o fim da civilização ocidental, viu? Puta merda. O fim...
O Paulo Roberto, se dividindo entre o Datena e a castanha bonita no balcão, achou que o Everaldo se referia a algum crime hediondo mostrado no Brasil Urgente, e apenas concordou de maneira vaga:
-Verdade... Onde vamos parar...
O Everaldo continuou:
-Nas antigas não existia essa porra. Havia um filho da puta de um porto seguro, tá me entendendo, Pê Erre? Nem era lá grandes coisa, mas tava ali, caralho. E agora... Agora essa bosta.
O Paulo Roberto desviou os olhos da moça no balcão, e olhou pra TV. Era uma matéria sobre fraude bancária. Não entendeu o desgosto do Everaldo, mas achou que tivesse a ver com a antiga segurança dos bancos... Olhou de novo pra moça, que, olhou pra ele, baixou os olhos e sorriu discretamente. O Paulo Roberto adorava o flerte. Mais do que a hora de ficar com a guria. Ainda se falava "ficar"? Resolveu disparar outro jab verbal pra manter o Everaldo ao largo:
-É... Essa bosta não tem explicação, mesmo...
O Everaldo continuou:
-Nem me fala. Porque hoje... Hoje é muito fácil. Com computador, internet e o caralho a quatro... Qualquer filho da puta mal-intencionado se faz. No nosso tempo, Pê Erre... No nosso tempo era diferente. O que é que a gente tinha? Era isso.
O Paulo Roberto continuava olhando pro outro lado. Agora não tirava o olho da mulher no balcão, que entre uma palavra e outra com as amigas, olhava pra ele.
-Era isso... - Aquiesceu Paulo Roberto, pensando em uma forma de abordar a moça. Era bonita. Cabelo castanho crespinho, pele branquinha, olhos escuros. Tinha um vinco embaixo da pálpebra inferior que... Olha, era uma dessas coisas que faziam o Paulo Roberto se fascinar. Estava fascinado pela guria do balcão, e o Everaldo não calava a boca.
-E agora, nem isso a gente tem mais... Os filha das puta nos tomam isso. Ah... Algum incauto com uma jeba atolada no rabo vai dizer "Mas a internet tá aí", "Os tempos mudaram", "tem que evoluir"... Evoluir é o meu pau, Pê Erre. O meu pau. Eu sou um tradicionalista. Não quero essas modernidades. Elas até vêm pra somar, mas pra mim, jamais pra substituir.
O Paulo Roberto percebeu que tinha perdido o fio da meada. Ainda seria por causa da fraude? Não tinha certeza. A castanha e as amigas pareciam ter começado a se movimentar pra sair.
-Tu consegue acreditar numa porra dessa, Pê Erre? Nem um pentelho. Nada. Eu nem quero ver racha escancarada. Não precisa. Mas que tenham a decência de ao menos mostrar pentelho e rabo...
O Paulo Roberto, que encarava a moça de cabelo castanho franziu a testa e foi obrigado a olhar pro Everaldo:
-Mas do quê é que tu tá falando, criatura?
O Everaldo, sorvendo um gole de chope com a pilha de revistas na frente estendeu uma ao Paulo Roberto:
-Da Playboy, porra.
O Paulo Roberto pegou a revista com uma tal de Vivi Orth na capa. Era uma mulher bonita de quem ele jamais ouvira falar. Abriu a revista onde o Everaldo a marcara com o dedo e folheou. De fato. A rigor, não havia nenhuma foto de nu frontal conforme manda o figurino.
Ergueu a cabeça pra falar com o Everaldo após avaliar o ensaio, e se deparou com a castanha bonita, ela andava em sua direção, mas olhou a revista, escancarada em uma página dupla onde a modelo, com a blusa erguida acima dos seios baixava o short exibindo a lateral da nádega, estacou, e virou.
Paulo Roberto chegou a tomar fôlego pra dizer "não, não, não, peraí", mas desistiu. Diria o que se ela parasse? "Eu tava só olhando revista de mulher pelada com meu amigo socialmente inapropriado."?
Viu a moça andando de volta para o grupo que se preparava para deixar o bar. Tinha um corpo bonito. Baixinha, bem proporcionada.
Suspirou.
Avaliou melhor o ensaio da Vivi Orth:
-Gata ela...
Everaldo, alheio à tribulação interna do amigo confirmou:
-Muito, mas vai se foder com esse ensaio de merda. Duas fotos de bunda, meio dúzia de foto de teta, e mal e mal um vislumbre do púbis? Tô te falando, Pê Erre. É o fim da civilização ocidental. A Playboy já era. A Luana Piovani já tinha feito um ensaio de encolher as bolas, e tô vendo que essa porra virou regra... Acabou o sonho, Pê Erre. Acabou. Acabou os tempos da Playboy do grupo Axé Blond...
O Paulo Robert concordou. Aquela, de fato, fora uma Playboy memorável.
-Bem lembrado, Everaldo. Bela edição... Tem outro ensaio nessa?
-Tem - Confirmou o Everaldo. -Não mostra porra nenhuma, mas a guria é mais gostosa.
Paulo Roberto seguiu as orientações de Everaldo, ignorando a presença das demais pessoas no bar. Tá no inferno, abraça o diabo, já dizia o ditado.
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