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terça-feira, 21 de novembro de 2017
Resenha Série: O Justiceiro, Temporada 1, Episódio 7: Crosshairs
O Justiceiro quebrou a barreira da metade da temporada com um episódio que, mesmo estando aquém dos melhores momentos da série, manteve um bom nível, mostrando que a história solo de Frank Castle tem muita bala na agulha.
Ao longo de um capítulo que se diluiu entre múltiplas linhas narrativas acompanhamos o que parece ser o passo definitivo de Lewis em um caminho sem volta quando ele, após ter assassinado O'Connor, volta pra casa e, após uma tocante conversa com seu pai, parece manter-se inexorável em seu caminho rumo às profundezas.
Lewis, mais do que Frank, é a epítome do soldado com transtorno de estresse pós-traumático que volta da guerra e não consegue mais se encaixar. É admirável que uma série baseada em giis que coexiste com Luke Cage, Punho de Ferro e Demolidor tenha a coragem de abraçar um assunto tão delicado da forma como O Justiceiro está fazendo, e o faça de maneira tão acertada.
Por mais que, inicialmente, possa parecer que a trajetória de Lewis é completamente desligada da de Frank, um problema que praticamente destrói o segmento de Dinah Madani e Sam Stein, o fato de Lewis ser, de certa forma, um reflexo de Frank, nos impele a querer saber mais dele. Do que acontecerá a ele em seu futuro. E qual será seu papel, de fato, em O Justiceiro.
O fato de ele ter terminado sua participação nesse capítulo preparando uma bomba caseira em uma panela-de-pressão me deu uma ideia muito vívida de qual será o envolvimento dele no futuro de alguém, mas enfim, eu posso estar errado... De qualquer forma, o fato de Lewis não ser mostrado como um personagem glorificado ou demonizado é digno de nota, e de aplausos, por parte de público e crítica.
Enfim, enquanto Lewis segue sua decida, Frank e Micro dão seu próximo passo na missão de expôr o Agente Laranja com um plano audacioso, Frank irá se infiltrar em uma base militar e interrogar o coronel Morty Bennett (Andrew Polk), outro rosto do passado de Castle na Operação Cérberus, o problema é quem mais pode estar sabendo dos planos da dupla, que segue na mira de Rawlins e de Billy Russo.
Rawlins é um vilão OK, mas francamente, eu tinha pra mim que ele seria o proverbial vilão a morrer no sétimo episódio de uma série Netflix. Nada contra Paul Schulze, o intérprete do Agente Laranja, mas há muito pouco que ele possa fazer interpretando um personagem que é um agente corrupto da CIA, e era isso.
Por outro lado, Billy Russo ganha estofo no carisma de Ben Barnes, entretanto é outro personagem carecendo de um pouco mais de profundidade. Nós sabemos que ele é um sujeito ambicioso, que gosta de carrões, casas de campo e contratos com o governo, OK, mas será que é apenas isso? Dinheiro foi a única razão para que ele traísse Frank e se corrompesse?
É possível, mas eu gostaria que houvesse um pouco mais aí, especialmente porque, quando Billy fala a respeito de Castle, ele demonstra genuína admiração por seu irmão de armas. Seria uma pena se ele fosse apenas outro bandido unicamente atrás de grana.
Enquanto isso, o escritório da Segurança Nacional segue sendo o ponto mais fraco do programa. Mesmo com Madani e Stein percebendo um padrão nos acontecimentos recentes e partindo para caçar um grampo no escritório de Dinah, o segmento dos dois ainda é deslocado do resto da série. Talvez a conversa entre a dupla, onde Sam diz que Madani é como Frank Castle possa ser um indicativo de que, em algum momento, esses dois personagens ganharão alguma relevância na trama, talvez, até, formando uma parceria com Frank e Micro. Nesse meio tempo, porém, eles seguem sendo a parte mais dispensável de um programa com ótimos personagens.
"-Foreman não pôde fazer do jeito que queria... E perdeu. O outro cara mudou seu jogo. Achou um jeito de vencer."
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Resenha Série: O Justiceiro, Temporada 1, Episódio 6: The Judas Goat
O episódio anterior de O Justiceiro não havia terminado bem para Frank. Apesar de ele e seu ex-companheiro Gunner terem conseguido massacrar os soldados enviados pelo "Agente Laranja" William Rowlins, o preço foi alto. Gunner morreu na floresta, e Frank, baleado e flechado, está em péssimo estado, muito além das habilidades médicas de Micro, o que obriga o ex-analista a ir até Curtis Hoyle em busca de ajuda para não deixar o Justiceiro morrer.
Enquanto Castle se recupera, Curtis, que já tinha coisas suficientes em seu prato com a situação mental de Lewis, que após se sentir traído por O'Connor (Delaney Williams) dá mais um passo em sua descida rumo ao inferno.
O ex-médico de campo tenta fazer Micro ponderar as consequências de levar Frank de volta à guerra, mas o ex-analista não tem mais ninguém a quem recorrer.
Ao mesmo tempo, a relação entre Billy Russo e Dinah Madani se aprofunda o suficiente para que a agente especial resolva se abrir, ao menos parcialmente, com o ex-militar. Sabendo que Frank está vivo, Billy passa a procurá-lo tanto através de Curtis, quanto através de códigos de rádio, algo que deixa Micro na ponta dos cascos.
Esse sexto episódio de O Justiceiro seguiu com a boa qualidade da série até o momento, embora tenha mudado sensivelmente o tom.
Há mais drama de personagens do que a urgência dos capítulos anteriores, o que está longe de ser mau negócio, já que as relações entre esses personagens é muito do que faz a série funcionar tão bem.
Novamente a relação entre Frank e David é um dos pontos altos da série.
A amizade entre os dois é muito bem trabalhada, e cresce de forma orgânica e esperta conforme eles experimentam, juntos, situações de vida ou morte, e quando David, de fato, resolve ouvir Curtis, e aconselha Frank a falar com Billy, que poderia oferecer-lhe uma forma de sair do país e retomar sua vida, ele fica no esconderijo sabendo que, tanto está perdendo a sua melhor chance de recuperar sua família, quanto aquele que pode ser seu único amigo.
A sequência onde Frank volta à casa de Sarah e as coisas se aproximam desconfortavelmente de uma conversa romântica é particularmente bem trabalhada, com David acompanhando pelas câmeras o clima entre sua esposa e seu amigo se tornando mais amigável e Frank sabendo que David está observando tudo pelo seu sistema de vigilância. Eu realmente não gostaria que as coisas se tornassem um triângulo amoroso manjado entre esses três, mas essa sequência, em particular, foi muito bem sacada.
O que nos leva a constatar, novamente, que todos os núcleos em O Justiceiro são muito bem escritos.
Eu me importo com os Lieberman, tanto com Sarah quanto com a filha Leo e o filho bully que está precisando de uma surra urgentemente, são todos personagens com quem eu me sinto capaz de sentir empatia. A mesma coisa vale para o núcleo de Curtis, com o grupo de apoio, O'Connor, Lewis e companhia, é uma história que eu curto acompanhar, em compensação, o pessoal do Lei & Ordem inserido ali no meio, segue sendo um pé no saco.
Madani, Stein, Hernandez... Todo o segmento estrelado pelo pessoal da Segurança Nacional é de amargar, e com a série prestes a ultrapassar sua metade, eles seguem dando a impressão de estarem em outro seriado, muito menos interessante, e que é enfiado no meio da edição.
De qualquer forma, acompanhar a jornada de Frank Castle segue sendo um prazer, e se o preço a pagar por isso é ter que suportar esses tiras xaropões, paciência.
O episódio se encerra com uma relação que não chega a surpreender quem acompanha os gibis, mas que deixa várias perguntas no ar. Os próximos sete episódios de O Justiceiro prometem.
"-Que tipo de vida é essa? Você passa por toda essa merda, é remendado e mandado de volta pra fazer tudo de novo."
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segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Resenha Série: O Justiceiro, Temporada 1, Episódio 5: Gunner
Após inadvertidamente deixar a agente Madani ciente de sua sobrevivência após salvá-la dos destroços de seu carro em Resupply, Frank e David precisam planejar seu próximo passo para expôr a conspiração que custou as famílias de ambos.
Devidamente armados e equipados, o Justiceiro e Micro vão atrás da fonte da gravação que colocou os dois na alça de mira do Agente Laranja (Paul Schulze), o especialista Gunner Henderson (Jeb Kraeger), companheiro de Frank durante a malfadada missão Cérberus, uma viagem que pode ter consequências potencialmente trágicas para todos os envolvidos.
Enquanto Frank faz preparativos para a viagem ajudando Sarah na residência Lieberman, a agente Madani, ainda se recuperando do capotamento nas docas começa a tentar rastrear sua melhor pista para o assassinato de Ahmad, o próprio Justiceiro. Para isso, ela sai no encalço de pessoas relacionadas ao vigilante, começando com Karen Page.
É interessante perceber como algumas coisas seguem funcionando após cinco episódios e outras continuam sem funcionar.
Todo o núcleo de Madani, com sua mãe, Stein e o superintendente Hernandez (Tony Plana) é terrivelmente chato e continua apartado da história principal. Nem mesmo a presença de Karen fazendo o meio-campo entre Frank e a agente especial funcionou, na verdade, pareceu uma tentativa desesperada de mostrar a conexão entre todas as séries, e por mais que O Justiceiro siga operando em uma nota completamente distinta das demais séries do universo televisivo, muito mais urgente, dramático e pesado, nós sabemos que Castle deu as caras pela primeira vez em Demolidor, tem um uniforme com uma caveira branca no peito e tudo mais, então, soou desnecessário.
Mais justificada foi a interação entre Karen e Frank. Há até algum potencial para envolvimento romântico ali, já que a química entre os personagens e intérpretes é flagrante. De qualquer forma, com Frank, Karen parece estar mais confortável para ser ela mesma, algo que nem sempre parece verdadeiro quando ela interage com Foggy Nelson e Matt Murdock em Demolidor, onde ela parece estar sempre se esforçando para esconder alguma coisa.
Falando entre personagens e intérpretes com química, Jon Bernthal e Ebon Moss-Bachrach estão muito perto de superar a química entre Charlie Cox e Elden Henson como o melhor bromance da Marvel/Netflix (O melhor bromance da TV em geral ainda é o de Steve e Dustin em Stranger Things). A dinâmica de Estranho Casal dos dois é muito engraçada, e se equilibra com perfeição entre o drama e a comédia.
Da forma como Micro usa Frank para interagir indiretamente com sua família enquanto Frank tem, nesses momentos, a oportunidade de voltar a agir como uma pessoa normal num tipo de terapia, ao modo como, ao ver David comendo um apetitoso sanduíche enquanto ele precisa se virar com ração empacotada, Frank pergunta se Micro fez um pra ele, a relação dos dois caminha a passos largos para se tornar um dos pontos altos de uma série repleta de boas sacadas, atuações e personagens.
Um personagem que apenas agora deu as caras foi a diretora da CIA Marion James de Mary Elizabeth Mastrantonio (que foi a Lady Marion de Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões com Kevin Coster), uma jogadora misteriosa e aparentemente capacitada nesse tabuleiro mortal.
Pra fechar a conta, a chegada de Frank e David ao Kentucky para tentar conversar com Gunnar não acaba nada bem para o Justiceiro, quando ele e seu ex-companheiro são emboscados por soldados a mando do Agente Laranja William Rawlins, liberando o inferno nas florestas isoladas onde o ex-combatente foi viver.
Uma das melhores sequências de ação da série, a luta da dupla contra os homens de Rawlins pode não ser tão bem coreografada como as belas sequências de pancadaria de Demolidor, mas, caraca, é urgente, tensa e sangrenta, carregada com um vasto cardápio de flechadas, tiros, murros e facadas, e o preço a pagar por esse confronto é alto.
O Justiceiro vai se aproximando da metade de sua primeira temporada se consolidando como a melhor série do universo Marvel Netflix ao lado de Demolidor, uma posição que dificilmente vai perder, a menos que a série tenha um decréscimo de qualidade absolutamente inacreditável do episódio seis em diante.
Apesar de ainda estar em seu início, o programa vai dando mostras de que seus produtores, roteiristas e diretores sabem o tipo de história que desejam contar, e não abrem concessões na hora de contá-la.
"-Quem quer que você seja, eu estou indo atrás de você."
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Resenha Série: O Justiceiro, Temporada 1, Episódio 4: Resupply
A série solo d'O Justiceiro manteve a boa forma com Resupply, um episódio que, se não foi tão sensacional quanto Kandahar, esteve bem perto.
O capítulo abriu com Lewis se afundando mais e mais em sua dificuldade de readaptação à vida civil. Ele cava uma trincheira para dormir no quintal da casa dos pais.
Lewis, por sinal, tem um arco que vai deixando cada vez mais claro que ele tem um papel a cumprir nessa série após sua nova carreira ser frustrada por intervenção de Hoyle.
Mas se o arco de Lweis é interessante, ele segue sendo um arco secundário, e, falando em secundários, um dos salafrários de segunda mais recorrentes do universo Marvel/Netflix deu as caras quando o Justiceiro tentou roubar armas de Turk Barett (Rob Morgan), que vem apanhando de vigilantes desde o episódio piloto de Demolidor.
O problema é que o carregamento de Turk estava bem aquém do que Frank e David precisam, e os dois saem atrás de um outro carregamento de armas ilegais que os coloca em rota de colisão com a Segurança Nacional e os agentes Sam Sten e Dinah Madani.
Antes disso, porém, Frank é incumbido por David de ajudar sua esposa, Sarah Lieberman (Jaime Ray Newman).
Isso abre espaço para vermos um pouco mais do lado humano do Justiceiro. Quando ele é apenas um cara normal ajudando a consertar um triturador ou o farol de um carro. Jon Bernthal consegue transitar entre esse sujeito e o matador com uma naturalidade assustadora, e suas interações com os Lieberman são todas calorosas, mas com uma ponta de desconforto.
Eu torcia o nariz para Bernthal antigamente, mas preciso fazer um mea culpa e admitir que estava errado. O sujeito realmente manja, e Frank Castle é um personagem sob medida para ele mostrar o que sabe fazer.
Uma oportunidade de mostrar serviço também é oferecida a Madani e Stein, durante uma operação para frustrar a venda de uma fortuna em armas ilegais de contrabandistas gregos. Quando o Justiceiro e Micro se envolvem, finalmente vemos a agente especial entrar em ação.
Ao longo dos três primeiros capítulos a personagem de Amber Rose Revah vinha sendo um dos pontos mais fracos da série, com um breve vislumbre de personalidade durante uma interação com Billy Russo antes de Frank matar Wolf.
Em Resupply Madani bota a mão na massa, e vai pro confronto direto com Frank em um estiloso racha com mustangs.
Apesar de a sequência ser boa, e ter um desfecho que pode ecoar profundamente no futuro tanto da agente quanto no de Frank, ainda não foi o suficiente para redimir por completo a personagem. Madani continua sendo o ponto baixo da série, e eu continuo com o impulso de, nas partes em que ela e Stein aparecem, ir pegar algo na geladeira.
Por outro lado a relação de Frank com Micro só melhora.
Os dois estão formando uma parceria muito bacana, e me fazendo torcer para que a série não siga o caminho dos quadrinhos, onde, após anos e anos de camaradagem, os dois se tornam inimigos.
Apesar de Madani e Stein terem ganho um momento na ribalta, e o arco de Lewis e Hoyle se ligando a Billy Russo ser interessante, é a relação entre Frank e os Lieberman, em especial David, que dá o impulso para esse capítulo ser tão bom. O equilíbrio entre drama, ação e comédia dessas interações é o que, de melhor, esse episódio tem a oferecer.
"Ficou puto? ótimo. Puto é sempre melhor que assustado."
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Resenha Série: O Justiceiro, Temporada 1, Episódio 3: Kandahar
A série solo do Justiceiro na Netflix já havia mostrado sua força nos seus dois primeiros episódios, este terceiro, porém, Kandahar, é um pontapé no gogó em termos tanto de desenvolvimento de personagens, quanto de ação, deixando claro o tipo de história que o showrunner Steve Lightfoot quer contar.
No final do capítulo anterior havíamos visto que o encontro cara a cara de David Lieberman, o Micro, e Frank Castle, o Justiceiro, não fora dos mais amistosos, e as coisas seguem nem um pouco amigáveis entre os dois.
Boa parte da primeira parte do capítulo se desenrola com David amarrado à uma cadeira enquanto Frank o espanca e ameaça durante um interrogatório, isso leva a uma série de flashbacks mostrando como o ex-analista da Agência de Segurança Nacional norte-americana deu uma de John Snowden após encontrar um arquivo terrivelmente comprometedor durante seus afazeres, e se viu do lado errado da história, sendo obrigado a fingir a própria morte para poder se manter vivo e deixar sua família em segurança.
Também relembramos o passado de Castle durante a intervenção dos EUA no Afeganistão.
O ex-fuzileiro relembra a série de eventos que levaram até a morte do policial Ahmad Zubair (Shezi Sardar), incluindo a operação narrada por Schoonover (Clancy Brown) durante o julgamento do Justiceiro em Demolidor, uma sequência de ação brutal, sangrenta e visceral.
Os flashbacks de Frank também servem para mostrar a amizade dele com Billy Russo, o que poderá tornar particularmente doloroso se esse personagem cumprir seu destino.
Veja, no quadrinhos, Russo era um assassino da máfia que, desfigurado adota o codinome do vilão Retalho, que apesar de ter surgido como oponente do Homem-Aranha, se tornou o arqui-inimigo do Justiceiro ao longo dos anos (mais ou menos como o Dentes de Sabre, que apareceu como inimigo do Luke Cage, a apenas depois virou o arqui-inimigo do Wolverine).
Se o personagem vivido por Ben Barnes se transformar em Retalho em algum ponto da série, será mais doloroso para Frank já que eles têm um passado em comum e, mais do que isso, eram melhores amigos, praticamente irmãos.
Aliás, Russo, agora o dono da Anvil, parece um bom sujeito. Ele ajuda Curtis a manter o grupo de apoio a ex-soldados, visita o túmulo de Frank, e se pergunta porque o seu amigo se tornou o Justiceiro ao invés de ir até ele, será interessante descobrir em qual momento de seu passado ele se transformou em um vilão.
Através dos flashbacks nós também descobrimos que Frank está mais ligado à morte de Zubair do que se poderia imaginar, e começamos a entender que, se a morte de Maria e as crianças foi o que tornou Castle o Justiceiro, esse não foi um processo súbito.
Frank vinha perdendo porções de sua alma a cada nova missão no oriente médio, e muito provavelmente o massacre de sua família foi apenas a gota d'água.
Todo esse transtorno de stress pós-traumático também está presente no arco paralelo do ex-soldado Lewis Walcott (Daniel Webber), um dos membros do grupo de apoio de Hoyle. Lewis não é um personagem egresso dos quadrinhos, mas a forma como ele começa a aparecer daqui por diante nos faz imaginar que ele terá um papel mais importante a desempenhar na série no futuro. Seu arco é certamente dramático e interessante, muito mais do que o dos agentes especiais Madani e Stein, por exemplo.
Apesar de Amber Rose Revah ter mostrado que é boa atriz e que sua personagem poderia ser interessante durante um breve momento no segundo capítulo, quando suas participações se resumem a ficar atrás da escrivaninha conversando com Stein, ou trovando com sua mãe (Shoreh Agdashloo) em casa, a personagem volta a ser um dos pontos mais fracos da série, aquela parte que a gente usa pra ir fazer um refil no refrigerante.
Apesar da utilização duvidosa de alguns núcleos, no entanto, a série segue forte.
Frank Castle é um personagem dinâmico e humano, e é difícil não querer saber pra onde ele vai em seguida. A adição de Micro ao núcleo pessoal do anti-herói torna as coisas consideravelmente mais interessantes, e a forma honesta e profunda de a série abordar os problemas de seus protagonistas oferecem uma relevância inaudita ao programa que alcança um tremendo pico em seu terceiro episódio.
"-Essa é a Operação Cérberus. E vocês são meus cães de guerra."
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sábado, 18 de novembro de 2017
Resenha Série: O Justiceiro, Temporada 1, Episódio 2: Two Dead Men
O primeiro episódio da série solo do Justiceiro fora uma boa largada, em grande parte, graças ao protagonista. Jon Bernthal já deixara bem claro que é um ator com capacidade dramática para viver um personagem atormentado como Frank Castle indo bem além do trivial. O único senão de 3 AM eram os coadjuvantes. A agente especial Madani, seu parceiro Sam Stein e o chefe de ambos, Wolf (C. Thomas Howell) não tinham bala na agulha pra aparecer na tela sem que a audiência tivesse a impressão de que poderia estar vendo mais de Bernthal.
O segundo episódio teve mais apresentações, e um ou dois reencontros.
Conhecemos Billy Russo (Ben Barnes), ex-colega de Frank Castle nos fuzileiros que retornou do Afeganistão para iniciar sua própria firma de segurança privada em Nova York se torna alvo das investigações de Madani, que continua tentando encontrar uma forma de burlar as ordens de seu chefe e continuar investigando a morte de seu antigo parceiro em Kandahar. Ligar Madani a alguém do passado de Frank, e tornar sua trajetória mais próxima do protagonista é uma boa jogada. Deixa o arco da personagem mais conectado ao do Justiceiro, mantendo a coesão da série. Parte das razões para Madani e Stein não terem sido particularmente memoráveis no primeiro capítulo era a falta de ligação daquele núcleo com o personagem central.
Outra apresentação desse episódio foi a do Micro David Lieberman (Ebon Moss-Bachrach), personagem cuja existência fora acenada no final de Demolidor, e que surge em Two Dead Men como um hacker tentando manipular Castle. Ele está em completo controle da situação, jogando com o Justiceiro para obrigar o vigilante a entrar em uma aliança desigual.
Estar encurralado não é algo pelo que Frank nutra grande apreço, e isso o força a procurar ajuda para tentar equilibrar a equação. Isso leva a um reencontro entre o anti-herói e Karen Page (Deborah Ann Woll).
Seus contatos como repórter no New York Bulletin podem ser a chance de Frank para tentar descobrir algo sobre Micro que lhe dê alguma vantagem.
Por mais que se possa caracterizar a presença de Karen no episódio como mero fan-service, eu gostei de revê-la.
Primeiro porque Ann Woll é linda e boa atriz, e segundo porque ela oferece a Frank momentos de mais humanidade, e sempre que a dicotomia entre o homem alquebrado e a máquina de matar ganha espaço na série, ela se eleva graças à atuação de Bernthal, que leva seu trabalho extremamente a sério, e cria um retrato dolorosamente vivo de seu personagem.
Falando em máquina de matar, temos uma nova cena de luta nesse episódio, onde o Justiceiro e Wolf saem na porrada.
Novamente é uma grande coreografia de luta, crua e brutal, parecendo muito mais com os bons momentos de Demolidor do que com a pancadaria fajuta de Jessica Jones e Luke Cage ou o balé de Punho de Ferro. Aliás, palmas para C. Thomas Howell. O ator veterano cai na bordoada sem ficar devendo nada para Bernthal.
De qualquer forma, a trama anda para mostrar o Justiceiro contando com a ajuda de Karen e Curt para virar o jogo pra cima de Micro, e a sequência onde ele o faz é muito boa. A expressão facial de Moss-Bachrach conforme ele vê seu joguete cuidadosamente arquitetado ruir como um castelo de cartas é impagável, e seu primeiro encontro com o Justiceiro certamente não termina do jeito que ele esperaria.
Ainda é cedo pra saber se O Justiceiro será Demolidor ou Punho de Ferro no tocante à qualidade, mas se a série conseguir manter o nível apresentado nesses dois primeiros episódios ao longo de toda a temporada, contando com o acertado retrato e desenvolvimento de Frank Castle e de seus coadjuvantes, podemos estar diante da melhor série da Marvel/Netflix desde a segunda temporada de Demolidor.
"-Você é Frank Castle, não é? O cara morto...
-Agora nós somos dois."
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Resenha Série: O Justiceiro, Temporada 1, Episódio 1: 3 AM
Uma das boas sacadas da segunda temporada de Demolidor foi a presença do Justiceiro vivido por Jon Bernthal, cujo arco ocupou a primeira metade da série do diabo da guarda de Hell's Kitchen.
O retrato que os roteiristas da série e Bernthal criaram para o mais violento anti-herói dos quadrinhos foi certeiro, garantindo que Frank Castle tivesse seu lugar ao sol em um programa recheado de personagens interessantes que a audiência aprendeu a curtir.
A abordagem era tão boa que era difícil acreditar que Castle não ganharia uma série própria na sequência, e apesar de inicialmente ter sido exatamente o que a Netflix dissera, o serviço de streaming, a Marvel e a ABC resolveram ouvir o clamor dos fãs e me mexer para dar ao Justiceiro uma chance de continuar seu caminho com as próprias pernas.
Disponibilizado hoje de manhã pela Netflix, o seriado solo abre com uma violenta sequência mostrando Castle, usando o colete de caveira que ele envergava quando o vimos pela última vez, aparando as últimas pontas soltas de sua vingança contra os responsáveis pela morte de sua esposa e filhos.
Castle viaja do Alabama a El Paso e a Nova York para garantir que nenhum afiliado à gangue de motoqueiros, membro do cartel, ou mafioso irlandês fique livre de punição por seus crimes. Seja atropelando, baleando ou esganando, Frank garante que todos recebam seu quinhão de justiça.
Após isso, porém, para surpresa de todos, Frank se retira. Ele queima seu traje, e tenta levar uma vida o mais normal possível fora dos radares da lei. Assumindo o nome de Pete Castiglione ele passa a trabalhar na construção civil em Nova York, e dividir seu tempo entre o trabalho onde descarrega sua ira e frustração em paredes que precisam ser derrubadas, e a leitura no acanhado apartamento onde passa suas noites durante seis meses lutando para deixar o passado pra trás.
O piloto de Justiceiro faz um ótimo trabalho reintroduzindo o personagem central para a audiência.
Nós somos levados por um tortuoso passeio pela mente de um homem atormentado que é incapaz de fazer as pazes com seu passado. O grande certo nesse início, é deixar claro o quanto Frank está dividido entre seguir adiante ou continuar remoendo seus demônios.
Ele acorda todas as noites às três da manhã, despertado por pesadelos da última vez que foi despertado por sua esposa. Ele continua em conflito com relação às missões que realizou no Afeganistão. E ele continua incapaz de deixar qualquer pessoa se aproximar.
Ao mesmo tempo, ele faz todo o possível para conter seu instinto de simplesmente matar todos que o cercam cada vez que algo lhe parece fora de lugar.
Jon Bernthal mantém o excelente trabalho que fizera em Demolidor na hora de abraçar todos os aspectos de Frank Castle. Ele segue fazendo um trabalho elegante e equilibrado ao retratar um homem que está sempre no limiar de esmagar ossos e abrir buracos em quem cruza seu caminho, mas ao mesmo tempo tem a vulnerabilidade palpável de alguém que perdeu mais do que era capaz de suportar.
Com Bernthal mastigando suas cenas e dominando o episódio, fica complicado para o elenco de apoio apresentado nesse primeiro capítulo não parecer deslocado ou desnecessário.
A agente especial da segurança doméstica Dinah Madani interpretada por Amber Rose Revah. Sendo apenas o primeiro episódio, eu vou me conter antes de dizer que ela é uma coleção de clichês ambulante em suas breves aparições.
Uma investigadora capacitada e idealista que não desiste da verdade mas é escanteada pelo machismo de seus superiores. Parece algo saído de uma caixa de sucrilhos. Ela estar querendo descobrir a verdade por trás da morte de seu parceiro, não ajuda, e ser a filha de um abastado casal de médicos de ascendência árabe ainda menos. Mas enfim, apenas o primeiro capítulo. Temos mais doze episódios para que Madani e seu parceiro, Sam Stein (Michael Nathanson), que aqui pareceu uma tentativa fracassada de alívio cômico, crescerem.
Um coadjuvante que não desperdiça seu tempo em cena é Curtis Hoyle (Jason R. Moore), ex-companheiro de Frank no exército que após sofrer ferimentos graves toca um grupo de apoio a ex-soldados.
Curt aparece como uma consciência externa para Frank. Apesar de terem experiências militares semelhantes, Curt parece menos afetado por seu passado do que Frank, e tenta tirar o amigo do buraco. Será interessante descobrir se a diferença entre os dois é apenas a morte da família do Justiceiro, ou se há mais coisas no passado que fizeram Frank trilhar um caminho consideravelmente mais sombrio.
O debute solo do Justiceiro é uma experiência emocionalmente dolorosa, temperada com boas explosões de violência gráfica, e carregado nas costas pelo protagonista. Veremos o que o futuro reserva a Frank nos episódios vindouros.
"-Eu entendo, olho por olho e tudo mais... Eu tenho uma família...
-Eu não tenho."
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