A Disney divulgou ontem o segundo trailer de Star Wars: O Mandaloriano, série que acompanhará um caçador de recompensas da mesma ordem de guerreiros de Django e Bobba Fett se aventurando pela orla exterior daquela galáxia bem, bem distante fora do alcance da Nova República.
Confira a prévia abaixo:
Produzida por Jon Favreau, O Mandaloriano tem no elenco Pedro Pascal no papel título, mais Gina Carano, Giancarlo Esposito, Ming-Na Wen, Carl Weathers, Werner Herzog e Nick Nolte, entre outros.
Com episódios dirigidos por Taika Waititi, Bryce Dallas Howard, Dave Filoni, Deborah Chow e Rick Famuyiwa, o seriado estréia em 12 de novembro na Disney +, cujo conteúdo, inicialmente, deve ser disponibilizado no Brasil pela Amazon Prime Video.
Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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terça-feira, 29 de outubro de 2019
Resenha Filme: Bem-vindos a Marwen
Fazia já algum tempo que eu vira o trailer de Bem Vindos a Marwen, acho que foi em meados de outubro do ano passado... E me pareceu uma boa prévia para um filme que tinha potencial. Era, afinal de contas, um longa de Robert Zemeckis que, a despeito de seus eventuais tropeços, costuma ser um cineasta inventivo, que não se esquiva de grandes desafios e que tem em seu currículo pérolas como Uma Cilada para Roger Rabbit, Forrest Gump e De Volta para o Futuro. Lembro de ter mostrado o trailer pro meu irmão e falado que queria ver o filme. Mas os meses passaram e nada de Bem-vindos a Marwen estrear nos cinemas brasileiros.
Eventualmente, quando já tinha até esquecido do longa, me deparei com ele na lista de filmes para locação do Google Play e após deixá-lo para mais tarde algumas vezes, resolvi assistir o filme no sábado passado.
No longa conhecemos Mark Hogancamp (Steve Carell), um homem preso em um mundo de fantasia.
Outrora um habilidoso ilustrador com diversos créditos como desenhista em histórias em quadrinhos e um vasto portfólio de arte bélica, especialmente da Segunda Guerra Mundial, Mark perdeu tudo após ser agredido quando, bebendo em um bar, comentou com outros clientes do estabelecimento que gostava de usar sapatos femininos, e isso levou a um ataque levado a cabo por cinco homens, e uma violenta surra que não o matou, mas chegou muito perto, colocando-o em coma, obrigando-o a reaprender a andar, e acabando com todas as suas memórias anteriores ao evento, em um ataque tão brutal que Mark, que era um alcoólatra que habitualmente bebia até cair, despertou de seu coma totalmente livre do impulso de beber. O cérebro do sujeito foi reconfigurado a base de pancadas.
Não foi apenas o alcoolismo e sua memória que Mark teve arrancados de si, porém.
Os cinco homens que o surraram também lhe roubaram a capacidade de desenhar, e uma vez que saiu do hospital, ele foi viver em um trailer onde montou uma instalação representando uma pequena cidade na Bélgica durante a Segunda Guerra, o vilarejo de Marwen, onde Mark encena com bonecas e bonecos tipo Barbie e Falcon as aventuras do capitão Hogie, um intrépido soldado norte-americano, e as fabulosas mulheres que o ajudam a proteger o vilarejo dos nazistas que tendem a atacar a cidade em grupos de cinco.
Marwen, suas mulheres e o capitão Hogie tornaram-se a terapia de Mark tanto para tentar relembrar fragmentos de sua vida antes do ataque, quanto para lidar com o trauma que quase custou-lhe a vida. Quase todo o grupo de vingadoras que acompanha Hogie têm contrapartes reais, algumas muito próximas, como a cuidadora Anna (Gwendolyne Christie), sua colega Carlala (Eiza Gonzáles) ou a balconista da loja de plastimodelismo que ele frequenta, Roberta (Merritt Wever), ou a fisioterapeuta G. I. Julie (Janelle Monáe).
Com uma rotina modesta trabalhando como auxiliar de cozinha no mesmo bar onde fora atacado, e continuamente expandindo a pequena Marwen em seu quintal, Mark vê as coisas saírem dos eixos quando é convocado a fazer uma declaração na audiência de sentença de seus agressores na mesma semana em que uma nova vizinha, Nicol (Leslie Mann), se muda para a casa em frente.
Foi apenas após terminar de assistir Bem-vindos a Marwen que eu descobri que o longa é baseado em uma história real. O verdadeiro Mark Hogancamp foi atacado em abril de 2000, e comeu o pão que o diabo amassou durante sua recuperação e após ela, e ele inclusive foi objeto de um premiado documentário em 2010 chamado Marwencol, que é ótimo.
Eu me sinto obrigado a dizer isso porque Bem-vindos a Marwen não é.
Não é nem sequer bom.
Na verdade, é bem ruim.
O longa co-escrito pelo próprio Robert Zemeckis (que repete com Marwencol o que fizera com O Equilibrista) mais Caroline Thompson (de Edward Mãos de Tesoura, O Estranho Mundo de Jack e outros) é equivocado de A a Z, e a despeito de suas boas intenções, parece sofrer com uma necessidade quase patológica de transformar Hogancamp em uma figura mais "limpa" para o público mais amplo possível... Seu alcoolismo é mal e mal mencionado, ele aparece em poucos momentos com um cigarro pendurado nos lábios enquanto fotografa suas miniaturas, mas jamais dá uma tragada, e até mesmo sua sexualidade recebe uma varrida porque interesses românticos e audiências mais família representam uma chance mais clara de sucesso comercial...
Não é apenas esse o problema, porém.
A exemplo do que havia feito com Forrest Gump ao transformar um personagem literário repleto de falhas de caráter em um ícone de pureza e ingenuidade cinematográfica, Zemeckis e Thompson movem céus e terras para fazer o mesmo com Hogancamp, uma pessoa de verdade. A despeito de estar prestes a ganhar uma exposição com suas fotos, repletas de tortura e fetichismo em uma galeria em Nova York, ele vive em uma redoma de inocente reclusão existindo quase como parte da paisagem.
Tudo isso seria mais perdoável se Bem-vindos a Marwen fosse um filme tão bacana quanto Forrest Gump, mas não é.
O ritmo do longa é equivocado, suas atuações problemáticas, e nem sequer os efeitos especiais de ponta que transformam os atores em figuras de ação de si mesmos ou a pitada de auto-referência de Zemeckis na última sequência animada do longa o salvam de ser absolutamente insípido.
Steve Carell não encontra o tom para interpretar Mark como uma pessoa real, e à exceção de Leslie Mann, que ganha um pouco mais de tempo de tela e material para interpretar uma personagem humana, o restante do elenco basicamente faz figuração e dá cara aos bonecos animados de Zemeckis, um cineasta que, conforme eu disse lá em cima, é dos mais respeitáveis, mas talvez devesse repensar algumas das manias que desenvolveu em anos recentes, como a vontade de recontar em forma de obras de ficção o conteúdo de documentários premiados, e enfiar captura de performance toda a vez que a oportunidade se apresenta.
Bem-vindos a Marwen está longe de ser um grande programa, ou sequer um programa razoável, e se tem algum mérito, é oferecer à audiência a oportunidade de tomar conhecimento da história do verdadeiro Mark Hogancamp.
Se tiver ficado curioso, procure pelo documentário Marwencol, disponível no Youtube, é um programa muito mais interessante.
"-Mulheres são as salvadoras do mundo!"
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
Resenha Série: Watchmen: Temporada 1, Episódio 2: Martial Feats of Comanche Horsemanship
Após um primeiro episódio que parecia vastamente interessado em apresentar seu mundo, seus personagens e acenar com mistérios antes de realmente nos contar uma história, o segundo episódio de Watchmen é consideravelmente mais focado em sua trama.
O capítulo novamente abre com um flashback da Primeira Guerra Mundial, quando soldados negros norte-americanos são "bombardeados" com propaganda racial do exército imperial alemão. Folhetos fazendo referência à segregação racial nos EUA e convidando combatentes negros a mudarem de lado durante o conflito.
Um desses folhetos acaba na mão do soldado que vimos lutando para salvar seu filho no episódio passado, e é no verso dessa folha que está o pedido desesperado de "Cuide desse menino" que foi colocado no bolso do garoto durante sua fuga de Tulsa, e que agora encontramos nas mãos de um homem centenário em uma cadeira de rodas (Louis Gossett Jr.) ao lado do cadáver enforcado do capitão Judd Crawford.
Angela, convocada ao local da morte de Judd pelo o sujeito, sabe que é impossível para um idoso ter dominado e matado Judd, e crente que ele tem cúmplices, resolve levá-lo até a padaria que serve de fachada à sua posição na polícia, e interrogá-lo.
O interrogatório, porém, não transcorre como a detetive esperava. Will certamente sabe muito mais coisas do que está disposto a contar e não é necessário dizer que Angela fica intrigada com as coisas que o estranho, chamado Will, lhe diz. Intrigada o suficiente para omitir dos colegas o fato de que foi a primeira pessoa na cena do crime, e que tem um suspeito que insistentemente confessa o crime sob sua custódia.
O relato de Will a respeito de Judd Crawford ter esqueletos em seu armário e a posterior descoberta de Angela de que a declaração era mais literal do que se poderia supôr numa revelação que fazem a detetive ficar mais do que intrigada, confusa.
Durante a batida policial em Nixonville, levada a cabo como uma represália pela morte de Crawford, a Sister Night já apareceu pensando duas vezes a respeito da abordagem de seus colegas ao caso todo. Talvez porque a presença de Will tirar dela qualquer certeza de que a Sétima Kavalaria fosse, de fato, responsável pela morte de seu amigo.
O envolvimento dela com o capitão, descobrimos, começou na Noite Branca mencionada no capítulo passado e contextualizada em um flashback quando Angela e Cal (Yahya Abdul Mateen II) foram atacados por membros da Kavalaria em casa na véspera de Natal num ataque do grupo terrorista orquestrado contra a polícia de Tulsa na época em que as identidades dos policiais eram públicas. Angela despertou após ser baleada para descobrir que inúmeros colegas haviam morrido, mas com Crawford a seu lado, ele próprio vítima de um ataque.
Ter esse relacionamento abalado pelas nebulosas revelações de Will e por sua posterior descoberta na casa de Judd tiram de Angela qualquer certeza sobre para onde dar seu próximo passo, ao menos até o final do capítulo quando Will deixa claro que, quando disse que tinha amigos em lugares elevados, ele não estava brincando.
Não foi apenas de Angela e da conspiração em Tulsa, porém que Martial Feats of Comanche Horsemanship foi feito.
Voltamos à Grã-Bretanha para reencontrar o "senhor da mansão" e ver a apresentação de sua peça em cinco atos Filho do Relojoeiro com a senhorita Croockshanks (Sarah Vickers) e senhor Phillips (Tom Mison).
A cena que acompanhamos é a origem do Doutor Manhattan, quando Jon Osterman é vaporizado na câmara de campo intrínseco diante de Janey Slater. A encenação acompanhada pelo misterioso fidalgo tem consequências trágicas, e confirma uma das suspeitas do capítulo anterior conforme as identidades dos demais membros da produção vão sendo reveladas.
É curioso que, oficialmente o personagem de Jeremy Irons não seja referido como Ozymandias (embora o seja na página da série no IMDB) ou Adrian Veydt, mas constantemente pistas nesse sentido sejam dadas. Ele chama seu cavalo de Bucéfalo, mesmo nome do cavalo de Alexandre da Macedônia, e seu texto para a tragédia de Osterman faz referências ao Nó Górdio, é difícil não ter uma sombra de dúvida no fundo da mente apitando que a insistência da série em nos levar a crer que o Senhor da Mansão é Ozymandias, de seu comportamento às cores que veste, não sejam um despiste dos mais óbvios especialmente em um programa que, até aqui, parece tremendamente interessado em criar mistérios.
Mais um é apresentado, inclusive.
Numa dupla referência ao material-fonte, nós temos um vislumbre de uma série dentro da série. American Hero Story é o programa que Cal e Topher sentam para assistir à noite, e que em seu primeiro episódio começa a contar a história de Justiça Encapuzada.
Justiça Encapuzada foi um dos membros dos Minute Man, grupo de heróis dos anos 30/40 que foi a principal inspirador do Coruja original, Hollis Manson, influenciando o jovem policial a abraçar o vigilantismo fantasiado, e o único dos heróis mascarados de Watchmen de quem jamais descobrimos a identidade secreta.
Além de um óbvio easter-egg aos quadrinhos, American Hero Story surge trazendo uma narrativa paralela à trama principal com a qual carregava uma temática ressonante. Enquanto Watchmen, o quadrinho, tinha o gibi d'Os Contos do Cargueiro Negro traçando um paralelo entre o pirata se tornando um monstro na tentativa de salvar sua esposa e Ozymandias tornando-se um monstro na tentativa de salvar a Terra, Wathcmen, a série televisiva, tem a série American Hero Story mostrando como o Justiça Encapuzada abraçou o vigilantismo para lidar com sua raiva, talvez da mesma forma que Angela eventualmente faça?
Veremos...
O segundo capítulo de Watchmen cresce a partir do primeiro. Muito do episódio se dedica a dar mais substância aos personagens da série nos mostrando como eles se relacionam com a política desse universo ao invés de continuar apostando na exposição pura de It's Summer and We're Running Out of Ice. Nós temos um vislumbre do tamanho dos segredos que o programa está guardando e resta saber se tais segredos serão revelados a contento (desculpe, eu continuo com problemas para confiar no cara de Lost).
Nesse momento o palco principal pertence a Angela Abar e a estranha herança com a qual ela é deixada ao fim desse segundo capítulo, mas a despeito da qualidade da atuação e da beleza de Regina King, os segredos do Senhor da Mansão e de Justiça Encapuzada são tão ou mais instigantes.
Vamos esperar pra ver como as coisas se desenvolvem nos capítulos vindouros.
"-Você é um filho da puta cínico, Glass.
-Então por que é que eu estou chorando por baixo disso?"
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terça-feira, 22 de outubro de 2019
O Trailer Final de Star Wars: Episódio IX - A Ascensão de Skywalker
Ontem à noite a Disney lançou o trailer derradeiro de A Ascensão de Skywalker, nono filme da trilogia que promete encerrar a saga da família mais querida daquela galáxia bem, bem distante (que já havia sido destruída por Rian Johnson em Os últimos Jedi).
A prévia final traz a resistência liderada por Poe, Kylo Ren e Rey lutando um contra o outro e lado a lado, possivelmente a morte de C3-PO, e um bocado de belas tomadas ao som de um arranjo ainda mais épico para o tema imortal de John Williams que, quase por um instante, nos fazem esquecer que a Disney apunhalou Star Wars bem na coluna.
Confira:
Dirigido por Jar Jar Abrams (que adora naves espaciais embaixo d'água, o homem já havia transformado a Enterprise em um submarino em Além da Escuridão, e agora fez a mesma coisa com um destróier estelar imperial) a Ascensão de Skywalker tem os retornos de Daisy Ridley, Adam Driver, Oscar Isaac e John Boyega, além de Ian McDiarmid, Mark Hamill e Carrie Fisher. A estréia está marcada para o dia 19 de dezembro.
A prévia final traz a resistência liderada por Poe, Kylo Ren e Rey lutando um contra o outro e lado a lado, possivelmente a morte de C3-PO, e um bocado de belas tomadas ao som de um arranjo ainda mais épico para o tema imortal de John Williams que, quase por um instante, nos fazem esquecer que a Disney apunhalou Star Wars bem na coluna.
Confira:
Dirigido por Jar Jar Abrams (que adora naves espaciais embaixo d'água, o homem já havia transformado a Enterprise em um submarino em Além da Escuridão, e agora fez a mesma coisa com um destróier estelar imperial) a Ascensão de Skywalker tem os retornos de Daisy Ridley, Adam Driver, Oscar Isaac e John Boyega, além de Ian McDiarmid, Mark Hamill e Carrie Fisher. A estréia está marcada para o dia 19 de dezembro.
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
Resenha Filme: Brightburn: Filho das Trevas
Um dos sinais mais claros de que um filme não será bom, é a insistência dos trailers em alardear o nome dos produtores ou do produtor do longa. Quando os trailers de Brightburn, que no Brasil ganhou o estúpido subtítulo de "Filho das Trevas" insistiam em usar o nome de James Gunn, celebrado diretor dos dois Guardiões da Galáxia como produtor do filme, já ficava meio que na cara que essa provavelmente era a única qualidade do longa que parecia ser um "E se o Superman fosse malvado?" (e tivesse desenvolvido a integralidade de seus poderes ainda na infância, um detalhe importante para iniciados no assunto, mas enfim, não vem ao caso...).
Sábado à noite, caçando um filme para assistir no Google Play, titubeei brevemente entre Aladdin e Brightburn, e acabei me decidindo pelo último apenas porque era mais curto (é, eu queria ver um filme, mas não queria ver um filme com mais de duas horas...).
Quando o longa começa, no ano de 2006, nós conhecemos o casal Tori (Elizabeth Banks) e Kyle Breyer (David Denman).
Os dois vivem na pequena cidade de Brightburn, e levam uma vida pacata. Ela é uma artista plástica, ele é um fazendeiro, e os dois parecem ter uma relação saudável o bastante para estarem tentando engravidar embora lutem contra a infertilidade.
Certa noite, os chamegos do casal são interrompidos por uma chuva de meteoros, em meio a qual, há uma espaçonave e dentro dela, um bebê, a quem o casal adota e cria como se fosse seu...
Doze anos mais tarde o jovem Brandon (Jackson Dunn) é tudo o que Tori e Kyle poderiam querer. Prestativo, comportado, o primeiro de sua classe na escola local...
As coisas mudam quando, às vésperas de seu décimo segundo aniversário, Brandon é atraído até o celeiro que guarda em segredo a espaçonave onde fora encontrado. Tentando desesperadamente abrir o alçapão onde a máquina alienígena está trancada em um rompante de sonambulismo turbinado por vozes fantasmagóricas que apenas ele é capaz de ouvir, Brandon eventualmente é despertado por Tori, mas a partir dali, já não é mais o mesmo. Descobrindo não apenas uma série de surpreendentes habilidades que parecem aumentar exponencialmente a cada dia, mas também um sinistro propósito que impulsionou sua vinda à Terra, sistematicamente Brandon divisa seu papel no mundo, e a cada nova descoberta, se aparta mais e mais de seus pais adotivos e do resto da humanidade...
À certa altura de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, Bilbo Bolseiro diz que se sente esticado e fino, como um bocado de manteiga espalhado por uma fatia muito grande de pão... A despeito de sua enxuta metragem de 90 minutos, Brightburn é mais ou menos isso: Uma ideia básica esticada muito além de seu verdadeiro potencial.
O longa co-escrito por Brian e Mark Gunn (respectivamente irmão e primo de James) usa a história de origem do Superman para construir um horror slasher com super-poderes que tem todos os piores defeitos dos terrores slasher do cinema, em especial a ineficiência das autoridades, alguns sustos rápidos e a estupidez completa e absoluta de todos os personagens em cena.
Sério.
Há um momento em que fica simplesmente impossível acreditar que pessoas reais poderiam ser tão idiotas, não importa o tamanho da ligação emocional que essa gente pudesse ter com o pequeno Brandon que vai se transformando em um completo psicopata no decorrer de poucos dias a olhos vistos, e esse é um defeito capital para um filme de horror. A partir do momento em que não acreditamos nos personagens em cena, e paramos de ligar para eles, o filme se torna apenas uma sucessão de sequências que tentam gerar tensão sem funcionar totalmente e que deixam a audiência apenas esperando para ver que tipo de atrocidade o moleque esquisito irá praticar a seguir, e tome gore gratuito conforme o monstrinho explora o corpo humano com requintes de sadismo super-poderoso por noventa minutos que se arrastam sem chegar a lugar algum...
Dirigido de maneira estéril por David Yarovesky, que tem apenas o horror A Colmeia, de 2014 no currículo de longas metragens, e sem nenhuma atuação memorável do elenco que ainda conta com Gregory Alan Williams, Meredith Hagner e Matt Jones (Beaver de Breaking Bad), Brightburn é um autêntico exemplar de um estúdio tentando chupar uns trocados da onda dos super-heróis no cinema sem grandes luzes.
Absolutamente descartável, Brightburn não consegue ser uma boa pedida para fãs de filmes de quadrinhos ou de filmes de terror, e nem mesmo ser a resposta mais interessante à pergunta "e se o Superman fosse malvado?". O Capitão Pátria de The Boys, com todos os seus defeitos, está aí e não me deixa mentir...
Passe longe.
"-Eu nunca vou ficar contra o nosso filho!
-Ele não é nosso filho. Ele é uma coisa que nós encontramos na floresta!"
Resenha Série: Watchmen: Temporada 1, Episódio 1: It's Summer and We're Running Out of Ice
Watchmen, o quadrinho, é uma obra-prima da nona arte.
Na verdade, é o tipo de trabalho que consolidou o formato como uma forma de arte para o grande público. Faltariam parágrafos para enumerar todas as qualidades da graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, mas deixe-me dizer que quem não leu esse quadrinho não sabe o que está perdendo, e que por mais maneira que seja a adaptação dirigida por Zack Snyder em 2009, ela é pálida, esquálida, até, na comparação com o material fonte.
Por isso uma adaptação em formato de série me agradava quando a ideia foi aventada alguns anos atrás.
A HBO, premiado braço televisivo da AT&T, dona do conglomerado que inclui Warner Bros. e DC Comics era exatamente o tipo de criadora de conteúdo que poderia fazer uma baita de uma adaptação à altura da obra original de maneiras que o longa de Snyder simplesmente era incapaz de fazer a despeito de seus acertos.
Mas eis que, balde de água fria, o Watchmen da HBO não seria uma adaptação da graphic novel, mas uma continuação. Uma fanfic imaginada por Damon Lindelof (da elogiada The Leftovers, que eu infelizmente não assisti, e da tenebrosa Lost, que eu não aguentei assistir) para responder o que aconteceu ao mundo na esteira dos eventos descritos no quadrinho de 1986.
Curiosamente, porém, o primeiro episódio da série tem início em julho de 1921, quando encontramos um menino negro assistindo a um filme mudo a respeito do delegado Bass Reeves (um homem da lei negro que realmente existiu e até inspirou a criação do branquíssimo Cavaleiro Solitário).
No filme, Reeves garante, após prender um xerife corrupto, que não haverá justiça das ruas, mas assim que uma bomba explode no teto do cinema e o menino é levado por sua mãe pianista e seu pai soldado para as ruas tomadas pelo motim e pelos linchamentos liderados pela Ku Klux Klan. O cenário em questão é um medonho evento histórico real: A rebelião racial de Tulsa, quando vários quarteirões do bairro de Greenwood, então a mais rica região afrodescendente dos EUA foram destruídos durante um massacre que, especula-se, tenha custado a vida de mais de 300 membros da comunidade negra.
O garoto, com um bilhete no bolso onde se lê "Por favor, cuide desse menino" é colocado em um baú e enviado para a segurança seguindo a mesma mitologia de Moisés ou do Superman, mas ao invés de ser levado para a segurança e adotado por um faraó ou um gentil casal de fazendeiros, o pequeno se vê sozinho no ermo após a morte de seus guardiões temporários, com um bebê nos braços e tendo ao fundo Tulsa em chamas...
Corta pra 2019.
Um homem é parado na estrada por um policial.
É uma parada rotineira igual a tantas outras, exceto por dois detalhes: O patrulheiro usa uma bandana amarela para ocultar seu rosto. E precisa pedir permissão à central para sacar sua arma.
Ao mesmo tempo em que o vigilantismo foi incorporado à polícia na forma do anonimato dos agentes da lei, há (literalmente) um mecanismo contra a brutalidade policial, já que os agentes precisam convencer um supervisor de que estão sob ameaça para sequer ter a chance de disparar sua arma.
No tempo que o policial, um homem negro, leva para convencer seu interlocutor no rádio de que precisa sacar sua arma, o suspeito que ele parou na rodovia faz seu movimento, e usando uma máscara de Rorschach, dispara uma arma automática contra a viatura.
Esse é o 2019 de Watchmen.
Todos os automóveis são elétricos. O Vietnã é um estados norte-americano. A cara de Richard Nixon foi adicionada ao Monte Rushmore. O anonimato dos policiais é garantido pela lei e se todos os tiras usam bandanas amarelas no rosto, os detetives mais ranqueados são quase heróis mascarados com máscaras e/ou uniformes coloridos e nomes de guerra estilosos. Eventualmente uma sirene soa avisando que uma chuva de pequenas lulas irá cair. Esse é o futuro do Watchmen dos quadrinhos, quando Ozymandias acabou com a Guerra Fria simulando um ataque alienígena interdimensional com uma criatura em forma de lula gigante matando milhões em Nova York (e não incriminando Dr. Manhattan), e essa chuva de moluscos parece ser um efeito colateral do evento de 1986...
O presidente dos Estados Unidos é Robert Redford, na Casa Branca há 30 anos, e as questões raciais dos EUA parecem ter sido abordadas de maneira mais direta por esse presidente ator do que teriam sido por Ronald Reagan no nosso mundo, mas não foram totalmente superadas por alguns.
Em Tulsa o grupo terrorista conhecido como Sétima Kalavaria lança uma mensagem em vídeo. O grupo de supremacistas brancos envergando máscaras de Rorschach cita um trecho do diário do vigilante afirmando que irão acabar com os traidores da raça.
Aparentemente a tentativa de Rorschach de expôr os planos de Ozymandias do além túmulo jamais deu certo. A ideia de que o ataque interdimensional de 1986 tenha sido uma conspiração é vista com a mesma credibilidade que teorias malucas como a falsidade do pouso do Homem na Lua, ou que os atentados do 11 de setembro fossem um trabalho interno, tendo sido abraçada apenas por caipiras racistas e ignorantes que partilhavam algumas das visões do vigilante falecido (que era um moralista homofóbico, mas até onde lembro, não era racista...).
O ataque ao policial na estrada dá início a uma ofensiva da polícia de Tulsa, liderada pelo chefe Judd Crawford (Don Johnson) e encabeçada pela policial Angela Abar (Regina King), que esconde sua verdadeira profissão sob a fachada de uma padaria e o traje de super-freira da Sister Night.
Com a ajuda dos detetives Looking Glass (Tim Blake Nelson), Red Scare (Andrew Howard) e Pirate Jenny (Jessica Camacho) Angela e Judd partem para o ataque contra a Kavalaria num movimento que, a princípio parece bem-sucedido, mas logo fica claro que foi apenas a queda da primeira peça do dominó...
Há um bocado de conteúdo nesse primeiro episódio de Watchmen, nada, porém, que nos deixe saber, acima de qualquer suspeita, se a série será boa, ou não.
Obviamente há valor de produção, e Lindelof certamente dedicou um bocado de tempo à construção desse mundo pós-Watchmen e acertadamente faz questão de acenar com a influência em diversos momentos. Nós vemos a Archie do Coruja em ação, há uma ligeira filmagem mostrando o Dr. Manhattan, que vive em Marte e aparentemente é observado por satélites, e Jeremy Irons tem uma breve e interessante aparição, vivendo um personagem que pode, ou não, ser Ozymandias (embora um jornal afirme que ele foi declarado morto), vivendo recluso em um castelo na Grã-Bretanha onde cavalga, medita e datilografa peças de teatro nu enquanto recebe massagens nas coxas, com dois criados que não parecem inteiramente humanos...
Que esses pequenos detalhes chamem mais a atenção do que o tronco da narrativa do episódio com a Sétima Kavalaria e a polícia de Tulsa não chega a advogar em favor desse primeiro episódio (que demanda uma boa dose de conhecimento sobre fatos históricos norte-americanos e sobre o musical Oklahoma! pra ser totalmente compreendido), mas ao menos nos dá a esperança de que esses mundos eventualmente se mesclem e as coisas comecem a, ou fazer mais sentido, ou ficarem mais interessantes, eu estou aberto a qualquer uma das possibilidades.
A nova série da HBO tem seus momentos, constrói a atmosfera certa e parece carregado de boas ideias na tentativa de expandir o mundo da graphic novel na qual se baseia, mas começa apresentando suas ideias de maneira meio bagunçada. Resta saber se é um recurso para manter a audiência no escuro antes de desvelar uma grande conspiração nos próximos oito capítulos, ou apenas uma decisão equivocada.
Eu certamente continuarei olhando pra saber.
"-Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac..."
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sábado, 19 de outubro de 2019
Resenha Filme: MIB: Homens de Preto - Internacional
Lá se vão sete anos desde que a agência secreta que protege a Terra da escória do universo deu as caras pela última vez nos cinemas.
Em junho de 2012 J (Will Smith) voltou no tempo até 1969 para impedir que um alienígena rancoroso matasse K (Tommy Lee Jones/Josh Brolin), e após o final daquela missão não havíamos mais ouvido falar da Homens de Preto.
Quer dizer, exceto por ruído de estúdio, no caso a Sony, que matutava nos bastidores o que fazer com a franquia. Desde ideias para novas continuações, reboots, e até crossovers com os Anjos da Lei de Jonah Hill e Channing Tatum, o braço cinematográfico da gigante japonesa parecia não saber como ordenhar mais alguns milhões de dólares da marca MIB, que fora um estouro em 1997, mas jamais reencontrara o caminho.
Ao menos até fins de 2017.
Thor: Ragnarok, brilhante reinvenção do Deus do Trovão sob a batuta de Taika Waititi deu à Sony uma ideia: Reaproveitar a excelente química de Chris Hemsworth e Tessa Thompson na série dos Homens de Preto.
A trama abre em 2016, em Paris, quando os da MIB T (Liam Neeson) e H (Hemsworth) chegam à Torre Eiffel, na verdade um portal que usa buracos de minhoca para unir vários pontos do cosmos na Terra, para impedir a invasão de uma entidade alienígena conhecida como A Colmeia.
Corta para vinte anos antes (é, eu sei, essa linha de tempo não faz sentido), quando a pequena Molly (Mandeiya Flory) é acordada no meio da noite e não apenas tem um contato imediato de terceiro grau, mas presencia quando agentes da MIB surgem na porta de sua casa no Brooklyn e neuralizam seus pais após eles terem contato com um alienígena.
Obcecada com a revelação de vida fora da Terra e a existência de uma agência governamental que sabe e acoberta a presença desses seres em nosso planeta, Molly cresce tentando de todas as formas descobrir quem são esses homens de preto e se juntar a eles.
Eventualmente sua dedicação rende frutos e ela consegue chegar à sede da MIB em Nova York (aquela mesma que nós vimos nos outros filmes), e rapidamente convence a agente O (Emma Thompson) a lhe oferecer um estágio na agência (é. Rápido assim.) tornando-se a Agente M.
Imediatamente Molly é enviada em sua primeira missão na sede da MIB em Londres, onde conhece o Agente H, renomado herói que ao lado do, agora Grande T, salvou a Terra usando apenas astúcia e seu atomizador classe D...
Imediatamente M e H estão juntos em uma missão relativamente simples, servir de cicerones a um dignatário interplanetário passando um dia na Terra. Não demora, porém, para as coisas darem uma guinada para o pior, e M e H se verem envolvidos em uma conspiração que os torna alvo de dois assassinos alienígenas impiedosos (os gêmeos Larry e Laurent Bourgeois) lutando por uma arma poderosa o suficiente para devastar sistemas planetários inteiros, e que pode envolver até mesmo agentes da MIB...
MIB: Homens de Preto - Internacional é ruim.
Menos um filme do que uma desculpa para tentar faturar em cima da química entre dois atores que funcionou em outro lugar, o longa dirigido por F. Gary Grey (O mesmo de Straight Outta Compton: A História do N.W.A. e Velozes e Furiosos 8) jamais funciona, é sempre um produto desalmado e estéril.
Grande parte dos problemas do longa passam pelo roteiro, co-escrito por Matt Holloway e Art Markum, que é menos uma história e mais uma série de eventos convenientemente alinhados um após o outro para justificar sequências de ação mornas e piadinhas sem-graça. O script da dupla é tão raso que até mesmo para um blockbuster requentado sobre alienígenas ocultos na Terra ele consegue ser primário. Pra piorar, os dois não oferecem nada de novo à série. A dinâmica entre a agente novata e o agente experiente é exatamente a mesma do primeiro MIB, mas desprovida do carisma de Smith (na época do filme original um astro de marca maior), e da talentosa carranca de Jones, que era muito do que fazia o longa Homens de Preto funcionar.
E não é que Hemsworth e Thompson não sejam carismáticos ou talentosos, os dois têm ferramentas com que trabalhar dramaticamente, o roteiro do filme apenas não lhes dá material para fazê-lo.
As razões de Molly para se juntar à MIB são rasas. Ela viu um alienígena. Ela viu que há uma agência que os mantém em segredo. Ela quer entrar nessa. E lá se vão vinte anos de dedicação... H tem ainda menos estofo. Não sabemos nada dele além de que ele é bonito, festeiro e metido a engraçadinho...
Some-se a esses personagens coadjuvantes que simplesmente não funcionam, como Pawny, o minúsculo alienígena dublado por Kumail Nanjiani, ou a traficante de armas interplanetária Riza (a bela Rebecca Ferguson) e uma trama requentada com um plot twist que não surpreende ninguém, e explica-se por que MIB: Homens de Preto - Internacional foi um retumbante fracasso de público.
Falhando em todos os aspectos, da trama mal-ajambrada à trilha sonora requentada aos efeitos visuais que oscilam entre convincentes e meia-boca, MIB: Homens de Preto - Internacional é um desperdício do carisma de Thompson, Hemsworth e Neeson, de 110 milhões de dólares e de uma hora e cinquenta e quatro minutos da vida de quem assistir ao filme.
"-Você acha que um traje preto vai resolver todos os seus problemas?
-Não. Mas fica bem pra caramba em você."
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