Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
Pesquisar este blog
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Resenha DVD: Depois da Terra
Ah, Hollywood... Essa terra de leite e mel, de astros e estrelas, de egos inflados e seitas alucinadas... Só mesmo Hollywood e esses elementos pra cometerem algo como Depois da Terra.
Co-escrito e dirigido por M. Night Shyamalan e estrelado por Will e Jaden Smith, Depois da Terra conta a história de Kitai Raige (Smith filho), um moleque de treze anos que sonha em seguir os passos do pai, Cypher (Smith pai), e se tornar um soldado.
Kitai e Cypher vivem em uma colônia de naves estelares chamada Nova Prime, onde os seres humanos vivem mil anos após o cataclismo que ocorreu na Terra após a humanidade ter esgotado os recursos naturais do planeta.
A vida em Nova Prime não é ruim, mas também não é nenhuma maravilha. Alienígenas chamados de Ursa constantemente atacam os terráqueos, e o fazem ao sentir o cheiro do medo de suas vítimas.
É nesse cenário que, após uma longa missão, o general Raige retorna à Nova Prime para passar algum tempo com sua família e ser um pai para seu filho com quem tem uma relação conflituosa por conta da distância e do autoritarismo do militar.
Por iniciativa de sua esposa, Faia (Sophie Okonedo), Cypher e Kitai acabam juntos em uma missão para passarem algum tempo juntos, mas uma chuva de meteoros derruba sua nave no lugar mais perigoso do universo:
A Terra.
Com Cypher ferido e incapaz de se mover na nave, cabe a Kitai embarcar em uma perigosa jornada por um ambiente totalmente hostil e enviar o sinal de socorro, para tanto, ele contará apenas com a própria astúcia, e os ensinamentos de seu pai, um mestre na técnica Fantasma de ocultar o medo para equilibrar a luta com os Ursa.
Que grande bosta...
Pelos envolvidos fica até difícil justificar a bomba de proporções cataclísmicas que o filme se tornou, sério.
Eu sou um fã de Shyamalan, mas francamente não me arrependo de não ter visto esse filme no cinema.
Nada funciona em Depois da Terra. A trama ameaça engendrar por uma mensagem de preservação ambiental, flerta com o drama familiar, promete suspense, aventura e ação, mas falha miseravelmente em cumprir qualquer uma das promessas. Shyamalan nem sequer consegue estabelecer um clima de tensão nas sequências que pedem tal artifício, e isso que tensão sempre foi meio que a especialidade do indiano.
No meio disso temos um Jaden Smith que simplesmente não tem cancha pra segurar um filme nas costas e na outra ponta um Will Smith completamente inexpressivo no que talvez seja o pior trabalho de sua carreira, talvez seja até o momento de o ator repensar seu método na hora de escolher seus trabalhos. É difícil acreditar que ele recusou o papel título em Django Livre e aceitou fazer essa bobagem que não é nada exceto um manifesto pró-cientologia (aliás, será que Smith e Tom Cruise, que estrelou o meia-boca Oblivion, também esse ano, não aprenderam com John Travolta e A Reconquista?) e, segundo o ator, uma forma de ensinar Jaden sobre como sobreviver em Hollywood...
Sério.
Ele escreveu e produziu um filme pra ensinar seu filho sobre superar às armadilhas da fama.
Enfim, esse não chega a ser o fator primordial pra porcaria que é Depois da Terra, a falta de um roteiro capaz de se sustentar em si próprio, de atuações que convençam, ou mesmo de uma atmosfera imersiva é que fazem o serviço. O egocentrismo de Smith só faz a gente ficar mais antipático ao longa, mas nesse caso, nem chega a ser injustiça.
Assista quando passar na TV.
"Cada decisão que você tomar será vida ou morte. Este é um planeta em quarentena classe 1. Tudo nesse planeta evoluiu para matar humanos."
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Resenha Blu-Ray: Antes da Meia-Noite
Era 1997, e eu tinha dezesseis anos, e vivia meu primeiro coração partido (ou talvez tenha sido o segundo, ou quem sabe o terceiro? Não sei, eu vivia de coração partido na adolescência), eu jogava futebol todo o tempo em que não estava na escola, e passava as madrugadas acordado, assistindo à TV (aberta, TV a cabo era luxo pra poucos naquela época) e desenhando ou jogando videogame.
Foi numa noite assim que eu pesquei, muito ao acaso, num Corujão da Globo, Antes do Amanhecer, de 1995, e imediatamente, me identifiquei com Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy), o jovem americano e a jovem francesa que saltam do trem em Viena e vivem um romance glorioso e verborrágico que dura até a manhã seguinte quando se despediram com a promessa de reencontro dali a seis meses.
Era, como eu disse, a minha adolescência. Uma época de amores platônicos e longas conversas batendo perna pelas ruas, um período de descobertas que eram celebradas como as maiores do mundo e decepções que faziam parecer que era o fim dos tempos.
A vida era um pouco como Antes do Amanhecer quando eu era adolescente.
Em 2004 não consegui assistir Antes do Pôr-do-Sol no cinema, mas aluguei o filme assim que ele foi lançado em home video.
Na sequência, novamente estrelada por Hawke e Delpy, e novamente capitaneado por Richard Linklater, soubemos o que aconteceu seis meses após os eventos do primeiro filme, soubemos que Jesse e Celine haviam amadurecido, desenvolvido um certo cinismo face à vida, que eram mais malandros e espertos para com o mundo, mas que ainda se amavam e que tinham a chance de ficar juntos, conforme o final do filme, tão aberto quanto o do primeiro, sugeria, e de novo, a vida era um pouco como Antes do Pôr-do-Sol.
Mais dez anos se passaram e esse ano, quase de supetão, Jesse e Celine voltaram ao cinema.
A trinca formada pelo diretor Richard Linklater e pelos protagonistas Delpy e Hawke que são também roteiristas do filme, apresentaram o terceiro capítulo do que é, nas palavras de Hawke, a franquia menos rentável do cinema.
Jesse e Celine ficaram juntos, como não podia deixar de ser.
Os últimos nove anos trouxeram duas gêmeas, filhas do casal, mais dois livros para Jesse, e uma inevitável rotina.
Quando os reencontramos, Jesse acaba de deixar seu filho mais velho no aeroporto, para voltar a Chicago, onde vive com sua mãe.
Eles estão terminando um período de seis semanas na Grécia, a convite de Patrick (Walter Lassaly) um escritor amigo de Jesse que junta colegas em sua casa num cenário idílico ao sul do Peloponeso.
Lá, os dois amantes deveriam aproveitar sua última noite na Grécia em um programa romântico oferecido por um casal de amigos, mas o que deveria ser uma noite de paixão em um país pitoresco, se torna uma DR violenta, cheia de ressentimento e acusações.
Jesse quer se mudar para os EUA para estar perto do filho, Celine vê isso como uma ameaça à sua independência, já que tem a oferta de um emprego no governo francês, esse é o estopim para uma longa conversa onde nós ficamos sabendo de tudo o que aconteceu na vida do casal nesses últimos nove anos. Que Jesse ainda é basicamente um garotão crescido, incapaz de ajudar nas tarefas domésticas, que Celine se ressente do sucesso literário dele, que ele coloca as próprias necessidades e ânsias acima das dela, e que ela o culpa por ter se tornado uma mãe de família ao invés de uma cidadã do mundo respirando liberdade.
Enquanto eles trocam acusações, desqualificações e comentários mordazes, a audiência prende a respiração ao perceber que aquela pode ser a última vez em que veremos Jesse e Celine, e eles estarão brigando.
Brilhante.
Linklater, Delpy e Hawke montam um cenário que faz com que a audiência se sinta como um vouyeur tarado invadindo o quarto de um casal de verdade, tamanha a química dos protagonistas, tão boa que chega a ser excessiva.
Mais do que isso, eles evoluem a história de uma maneira crível e sólida, mostrando o que acontece após o "...e eles viveram felizes para sempre." com uma sinceridade ímpar.
Muito mais cáustico e amargurado do que os dois filmes anteriores, mas sem perder o bom humor e o sarcasmo inerentes, Antes da Meia-Noite poderia ser uma pá de cal sobre a série onde Jesse e Celine conversam sem parar, mas parafraseando, enquanto Jesse e Celine conversarem, sempre haverá esperança.
Pra assistir e re-assistir ao lado da pessoa amada toda a vez que ficar em dúvida quanto aos rumos da relação.
"-Eu ferrei a minha vida inteira por causa da forma como você canta."
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Resenha Cinema: O Conselheiro do Crime
Se fosse necessário sintetizar O Conselheiro do Crime em uma frase, essa frase bem poderia ser "Eu avisei...".
O longa metragem roteirizado pelo ótimo Cormac McCarthy e dirigido pelo acima da média Ridley Scott conta a história de "Counselor" (Michael Fassbender), o "conselheiro" do título, um advogado boa pinta com um gosto por coisas belas e caras, que empolgado com o estilo de vida luxuoso de seu amigo Reiner (Javier Bardem), decide tomar parte em um negócio milionário envolvendo drogas contrabandeadas do México para os EUA pelo cartel de Juárez, um dos mais violentos do mundo.
A despeito dos alertas de Reiner e do intermediário Westray (Brad Pitt), o conselheiro se mantém firme em sua decisão de participar de um golpe (e um golpe apenas), na certeza de que as advertências de seus amigos criminosos são excessivas, e de que os riscos valem a pena para garantir seu conforto e o de Laura (Penélope Cruz), a quem acaba de pedir em casamento.
Infelizmente para o conselheiro, o negócio no qual ele tomou parte falha miseravelmente e todos os alertas que ele recebeu de seus associados provam-se verdadeiros conforme as coisas degringolam por completo, lançando sua vida perfeita de sexo, drinques e viagens à Europa para comprar diamantes na privada, pois o Cartel demanda sangue.
Não é ruim, O Conselheiro do Crime, embora o filme obviamente seja mais um conto moral do que uma história.
É muito mais importante para o roteiro de Cormac McCarthy estabelecer a relação entre o ato ilícito e a punição que o segue do que as relações entre os personagens, ou mesmo entre os personagens e a audiência.
As conexões entre os protagonistas são todas rasas, meramente profissionais. "Se um amigo é alguém disposto a morrer por você, então você não tem amigos", é a tônica das relações existentes no longa, e, como o caminho do conselheiro fica óbvio desde o primeiro discurso do filme (e são váááááários discursos), não há muito a se fazer na cadeira do cinema exceto aguardar o desfecho trágico como se estivéssemos vendo um snuff movie e nos tornando cúmplices de assassinato, seguindo a lógica de Westray.
Essa falta de conexão entre os personagens e entre os personagens e a audiência talvez seja o ponto mais baixo de O Conselheiro do Crime, isso se formos capazes de relevar o fato de que é um thriller sem suspense, e mais os discursos cheios de floreios e rebuscamento que o protagonista ouve cada vez que pergunta a alguém o que deve fazer. Fassbender é talentoso e se esforça, mas a certa altura não dá mais pra aguentar o conselheiro sendo aconselhado e fazendo cara de desespero.
De pontos altos, há as atuações de Bardem, sólida como sempre apesar da função indecifrável de seu personagem ao roteiro, e de Cameron Diaz.
A ex-pantera, aliás, apesar de estar embarangando a olhos vistos conforme os anos passam demonstra talento na pele de Malkina, praticamente uma versão platinada, brega e sexy do Coringa, uma autêntica agente do caos no que talvez seja a melhor atuação da carreira da loira.
O Conselheiro do Crime não tem o brilho e o peso de outros policiais de fronteira como Onde os Fracos Não Têm Vez, baseado em um livro do próprio McCarthy, mas não chega a ser mau filme, sem mastigar a trama, ou tratar o espectador como idiota, o longa abraça um ritmo lento, quase monótono, um vocabulário rebuscado e cheio de metáforas, e estabelece o ensaio sobre desejo e ganância, onde os personagens ou a reação da audiência a eles simplesmente não importam, mas, se nada importa, então pra quê ver o filme?
"-Você sabe por que Jesus não nasceu no México?
-Por que?
-Porque não puderam encontrar três homens sábios e uma virgem."
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Quadrinhos: Planetary - Pelo Mundo
Tá aqui uma HQ que nunca recebeu o tratamento merecido no Brasil, ou, ao menos que jamais recebeu o tratamento merecido pelo tempo necessário no Brasil.
Planetary, talvez o maior trabalho da carreira de Warren Ellis é desses gibis pra ler de joelhos agradecendo aos deuses por nem tudo que saiu nos anos 2000 ser tão cínico e surtado quanto (As ótimas) Transmetropolitan ou Auhtority.
Na trama de Planetary, a organização título forma grupos de três super humanos que não são combatentes do mal, nem guardiões da Terra, mas arqueólogos.
Sim. Arqueólogos.
A equipe, auto-intitulada "Os Arqueólogos do Impossível", é formada por Elijah Snow, um homem de gelo de cem anos de idade, Jakita Wagner, uma mulher virtualmente indestrutível, capaz de chutar um rinoceronte sobre o Grand Canyon e O Baterista, um demente capaz de conversar com máquinas, juntos, eles são financiados pelo misteriosos "Quarto Homem de Planetary", um anônimo mais rico que Deus e que, segundo Jakita, pode ser tanto Adolph Hitler quanto Bill Gates.
Com todo o suporte da organização Planetary, Elijah, Jakita e o Batera devem vasculhar o planeta buscando pela História secreta do mundo, uma História repleta de passagens obscuras e estranhas, como supercomputadores criados por um grupo de heróis da década de 40, ilhas radioativas na Ásia repletas de carcaças de kaiju e espíritos de vingança.
Tudo familiar aos nerds de plantão, não é?
Exatamente.
Planetary é praticamente uma revisão do século XX nos quadrinhos e na cultura pop em geral. Todos os casos estudados pelo Planetary trazem um olhar sobre alguma faceta do entretenimento geek ao longo dos anos do século passado mostrando como seria se um grupo de super-seres modernosos da Wildstorm fossem descobrindo, um pedacinho por vez, o quebra cabeça dos gêneros de gibis do século XX (personagens da Marvel, da DC, dos quadrinhos pulp) habitando em segredo dentro de um mesmo mundo.
Warren Ellis escreveu um estudo sobre a nona arte em forma de uma genial história em quadrinhos brilhantemente ilustrada por John Cassaday (Da Surpreendentes X-Men de Joss Whedon), que presta homenagens à História, sem jamais perder de vista o foco em sua própria história.
No Brasil, essa joia passou pelas mãos de Pandora Books, Devir e Pixel Media, mas nenhuma das três editoras jamais concluiu a publicação das 27 edições de Planetary, agora a Panini promete remediar essa injustiça lançando quatro encadernados com cerca de 114 a 160 páginas por edição.
O primeiro volume, Pelo Mundo, Todo mostra a formação da atual versão da Planetary, e as primeiras missões de Snow com Jakita e O Baterista, é excelente e dá o tom da série que é mantido e só melhora nas edições por vir.
Quadrinho da melhor qualidade feito pra quem ama quadrinhos.
Capa em papel cartão, papel LWC no miolo e preço módico de R$ 21,90 só não é perfeito pois carece das notas que a Devir colocava no final dos volumes explicando algumas das referências mais obscuras das histórias da edição, ainda assim, é obrigatório na estante de qualquer nerd que se preze.
"-Eu tenho um emprego para você. Ele paga um milhão de dólares por ano pelo resto de sua vida, não importa por quanto tempo trabalhe para nós, não importa por quanto tempo sua vida ainda dure."
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Resenha Game: Call of Duty - Ghosts
Em algum momento teria que acontecer.
Até mesmo o pessoal da Activision, da Treyarch da Infinity Ward e da Raven sabia que isso inevitavelmente aconteceria.
Era líquido e certo que, em algum ponto, eles iriam errar a mão, ou então, acabariam por esgotar uma fórmula chupinhada à tamanha exaustão que simplesmente inventar um par de alegorias novas pro multi player online já não seria um atrativo tão espetaculoso, e um game da série Call of Duty simplesmente não seria tão legal.
Call of Duty - Ghosts, é esse game.
O modo campanha de CoD - Ghosts apresenta uma história totalmente independente dos demais games da franquia, em um futuro próximo, uma força militar conhecida como A Federação emerge da América do Sul levando caos aos quatro cantos do mundo e alterando a balança de poder do planeta.
Essa força destrutiva e perversa eventualmente rompe uma trégua com os EUA e, invade uma estação espacial tomando armamento orbital norte-americano conhecido como ODIN e lançando um ataque cinético contra os EUA.
O resultado da formidável ofensiva lança metade dos Estados Unidos de volta à idade das trevas, acabando com o domínio norte-americano.
Por dez anos as forças armadas dos EUA lutam contra invasões da Federação contando com a ajuda de um grupo de elite fodelão de quem todo mundo se caga de medo, os Ghosts.
Como jogador, tu está no comando de Logan, que junto com seu irmão Hesh, seu pai, Elias e o cachorro Riley, enfrenta as forças da Federação e se junta aos Ghosts para tentar impedir o colapso absoluto dos Estados Unidos.
Eu sei, eu sei, mas apesar de meio excessiva, a premissa não é ruim. Na verdade é até interessante, o roteiro de Stephen Gaghan (De Traffic, Garotas sem Rumo e Syriana - A Indústria do Petróleo) lembra um pouco uma mistura de Tom Clancy com Roland Emmerich (influência que fica óbvia nas absurdas cenas de destruição em massa), e na teoria, apresentaria uma interessante virada no gameplay habitual de CoD, afinal, ao invés de ser um soldado do exército mais bem-aparelhado do mundo, o jogador seria um guerrilheiro criativo e sinistro lutando nas trevas para tocar o horror nos inimigos.
Infelizmente isso não se comprova, o jogador ainda tem acesso às armas mais fodas, aos veículos mais sensacionais, à extrações aéreas de último minuto, e engenhocas de última geração que dão aquela mãozinha esperta quando o cinto aperta e a vergonha afrouxa.
As poucas novidades do single player resumem-se a uma sequência bacana (E curta) de tiroteio em gravidade zero, no espaço, uma ótima sequência que se passa toda embaixo d'água, e, a mais maneira (e mal-aproveitada) de todas, o cão Riley, que pode se arrastar pela grama e massacrar os inimigos ao pegá-los de surpresa e retalhar-lhes a jugular.
Infelizmente são poucas as missões em que o jogador pode controlar Riley, e elas são restritas a pontos específicos do game, que, a despeito da promessa de fodelança e criatividade, permanece sendo basicamente uma sequência de missões onde se seguem ordens.
Pra piorar, a jogabilidade parece ter regredido, lembrando muito mais Modern Warfare 1 do que Modern Warfare 3, os gráficos também não são, nem de longe os melhores da série, levam uma surra de MW3, dando a impressão de que, na ânsia por preparar as versões de PS4 e XONE, a desenvolvedora deu umas barrigadas enquanto acabava os games da geração atual, isso acaba sendo compensado, porém, com a criatividade dos cenários.
A ambientação de cenário destruído e Terra de Ninguém, de CoD - Ghosts é muito maneira. Claro, quem já jogou outros jogos da série já viu mil bases militares ocultas em montanhas nevadas e perdeu as contas de quantas cidades em ruínas já ajudou a destruir mais um pouco, ainda assim, trocar tiros com inimigos no interior de um estádio parcialmente demolido, em um subúrbio californiano sendo sugado por uma cratera ou em águas infestadas de tubarões é um respiro maneiro em termos de ambientação.
Óbvio que o fator diversão está todo lá. É preciso ser um coxinha sem espinha pra não se divertir jogando CoD, por mais que seja uma sucessão de repetições (Tu sabe, siga o líder de um objetivo ao próximo, fazendo o que te mandaram fazer), funcionou por cinco ou seis games e continua funcionando, embora o dèja-vú vá se tornando mais e mais forte a cada jogo.
O multi player tenta oferecer algum respiro com modos novos, nenhum particularmente memorável, embora o Infected seja bacana, com os players evitando se tornarem zumbis, e o Grind, que obriga o jogador a apanhar a identificação do alvo eliminado, o que desencoraja aquele seu amigo calhorda que se enfia num ninho de sniper e fica lá ferrando todo mundo, valham alguma coisa.
O Extinction é um jogo cooperativo onde se enfrenta aliens e é chato pra cacete.
Ah, tiro de minigun no pé.
Na versão nacional do game, é impossível jogar com a dublagem em inglês.
Uma lástima, já que o game original conta com vozes de Stephen Lang e Brandon Routh, e a versão nacional, única disponível no game, é um lixo, com vozes ruins e dublagem mal sincronizada. É demais sonhar com uma atualização que permita jogar o game com as vozes originais?
No fim das contas, Call of Duty - Ghosts é um game que padece da zona de conforto dos desenvolvedores, é mais do mesmo do início ao fim, menos mal que é mais de alguma coisa boa e comprovada, que ainda diverte. Fica de negativo a falha em oferecer aquela sensação de luta de guerrilha que foi prometida, mas enfim, vamos esperar que, na nova geração, Call of Duty tenha colhões pra inovar, por hora, feliz da franquia que, mesmo decepcionando, ainda consegue entregar um game bonito e divertido.
"Quando a areia e a poeira baixaram, apenas um dos inimigos havia sobrevivido. Ele foi encontrado vagando sem rumo no deserto, traumatizado. Ele alertava aos outros sobre uma força tão ameaçadora e imbatível, que apenas podia ser descrita como sobrenatural. Ele os chamava de Fantasmas..."
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Resenha Cinema: Capitão Phillips
Paul Greengrass, é muito bom cineasta. O britânico que botou a cara no mainstream com A Supremacia Bourne, de 2004, e de lá pra cá, fez Voo United 93, O Ultimato Bourne e Zona Verde andava parado desde o lançamento desse último, em 2010.
Confesso que andava com saudade da câmera tremida que nunca perde a ação do inglês de 58 anos, de modo que assim que estreou Capitão Phillips, na sexta-feira, eu já estava na ponta dos cascos pra ver o filme.
Dei um tempo no meu Call of Duty - Ghosts, e no meu Calvin & Haroldo e toquei pro cinema pra conferir o filme, adaptação do livro "A Captain's Duty - Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea", de Richard Phillips, que, em 2009, teve seu navio cargueiro, o Maersk Alabama, sequestrado por piratas somalis na costa da África.
Capitão Phillips começa estabelecendo paradoxos entre seus protagonistas.
Richard Phillips (Tom Hanks) aparece em uma casa confortável nos subúrbios de uma cidade nos Estados Unidos preparando-se para sua viagem. O capitão responde e-mails, apanha a foto da família, dá uma olhada em mapas, guarda tudo na sua mochila e dirige com sua esposa até o aeroporto enquanto fala sobre as incertezas profissionais que o futuro reserva a seu filho mais novo se ele não começar a levar os estudos a sério.
Enquanto isso, em um barraco de papelão e telhas numa praia da Somália, Muse (Barkhad Abdi) é acordado por um moleque pois está começando a convocação de quem vai ao mar naquele dia. Muse apanha seu AK-47 e vai para a beira d'água escolher uma tripulação entre as dezenas de homens subnutridos dispostos a sequestrar um navio naquele dia.
Essas duas sequências de apresentação do início do longa, que estabelecem as personas de Phillips e Muse, e as diferenças entre as realidades distintas em que ambos existem dão a tônica do filme.
Enquanto Phillips transita em um mundo de controle, normas e paciência em que regula até a pausa do café de sua tripulação, Muse tenta conseguir um motor para seu bote de abordagem usando como argumento uma chave inglesa. Esses dois mundos tão diversos colidem quando Muse e outros três piratas estabelecem o Maersk Alabama como alvo e investem contra o navio subindo a bordo. Desse momento em diante, todo o libelo contra a globalização e o capitalismo caem para o segundo plano conforme a tensão domina o filme, que se torna um jogo de xadrez entre Phillips e Muse, que se veem como dois meros peões em um tabuleiro de proporções abissais quando o efeito dominó do sequestro coloca as forças armadas dos EUA em movimento.
É excelente.
Greengrass está em seu habitat natural quando conta histórias repletas de tensão e ação usando o cunho político como plano de fundo, e acerta a mão em Capitão Phillips ao contar uma história repleta de ameaça e violência sem esquecer do fator humano e das circunstâncias que levam as pessoas a determinados cursos de ação.
Quando Phillips diz que deve haver algo que um homem possa fazer além de ser pirata e pescar, e Muse responde que talvez seja o caso na América, mas não na Somália, nós acreditamos.
Muito dessa credibilidade vem do elenco, que poderia ser reduzido a dois nomes, Barkhad Abdi e Tom Hanks.
O ator somali que trabalhava como chofer e não tinha nenhuma experiência como ator até ganhar o papel no filme dá show. Com sua silhueta esquelética, dentes proeminentes e expressão amortecida o africano se estabelece com naturalidade como antítese dos gorduchos americanos da tripulação do Maersk, e uma surpreendente nêmese de Phillips, ao atuar de igual pra igual com um Tom Hanks na sua melhor forma em anos.
Hanks, aliás, deveria se envergonhar de fazer bobagens como Larry Crowne e O Código Da Vinci e se concentrar em ser o ator que ele pode ser, exatamente como faz ao longo de Capitão Phillips, em especial nos quinze minutos finais, quando literalmente some dentro do desespero da situação em que seu personagem se encontra.
Em suma, puta filme, assista no cinema.
"-Ouçam todos. Nós fomos abordados por piratas armados. Se eles os encontrarem, lembrem-se, vocês conhecem esse navio, eles, não. Fiquem juntos e tudo dará certo. Boa sorte."
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Resenha Cinema: Os Suspeitos
Quarta de noite, sabendo que não existe necessidade de secar o co-irmão em partidas decisivas, resolvi ir ao cinema. Entre pegar uma pré-estréia de Capitão Phillips ou assistir de novo a Thor - O Mundo Sombrio, encontro uma sessão desse Os Suspeitos dando mole no Cinemark.
Fã de filmes de Hugh Jackman e de Jake Gyllenhaal, bora tocar pro cinema e conferir o longa.
Os Suspeitos (Prisoners "prisioneiros", no original, que faz muito mais sentido) mostra Keller Dover (Jackman), um carpinteiro de Boston que leva uma vida pacata ao lado da esposa Grace (Maria Bello, acabada), do filho Ralph (Dylan Minnete) e da filhinha Anna (Erin Gerasimovich).
Durante um antar de ação de graças na casa onde vivem seus amigos, Franklin e Nancy Birch (Terrence Howard e Viola Davis) e suas duas filhas, Eliza e Joy (Zoe Soul e Kyla Simmons), as filhas mais jovens das duas famílias desaparecem.
A única pista do paradeiro de Anna e Joy é um velho trailer que estava estacionado na rua mais cedo.
A polícia é imediatamente acionada e começa a investigar o caso, e em poucas horas o detetive Loki (Gyllenhaal) prende o dono do trailer, Alex Jones (Paul Dano), mas sem provas é forçado a liberá-lo.
Conforme Loki começa a seguir múltiplas pistas, literalmente batendo à porta de todos os criminosos sexuais da região, Keller percebe o tempo correndo, e vendo a possibilidade de encontrar Anna cada vez mais remota, decide que precisa agir se não quiser perder sua filha, e para tê-la de volta, vai fazer o que for necessário, mesmo que seja uma atrocidade.
É ótimo, daqueles filmes de revirar o estômago.
O roteiro de Aaron Guzikowski, o mesmo escritor responsável pela porcaria Contrabando, é tenso tanto psicológica quanto fisicamente, e a direção de Denis Villeneuve aproveita tudo o que o texto tem de melhor dando vazão a seus elementos sob uma atmosfera opressiva e cinzenta digna de um tenso faroeste urbano.
As duas horas e meia de filme se justificam, desenvolvem os personagens centrais, Keller e Loki, com mais afinco, o que não é nenhuma injustiça, os personagens são trabalhos soberbos de Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal, dos melhores das carreiras de ambos, mas não tiram as luzes de quem tem a oferecer, e Terrence Howard, Paul Dano, Viola Davis e Maria Bello, têm muito a oferecer no desenrolar da história.
Além de saber aproveitar os personagens e seus dilemas, a parte investigativa da trama é sólida, com pistas encontradas em cada ponto da trajetória de Loki, obrigando o espectador a ficar na ponta da cadeira e roendo as unhas conforme são encontradas.
O elenco de vencedores e indicados ao Oscar por todos os lados (que conta ainda com a ótima Melissa Leo) segura a peteca com louvor em uma trama onde a investigação prende a atenção, mas onde seu efeito sobre os investigadores é o prato principal.
Obrigatório, corra pra ver no cinema.
"-Reze pelo melhor. Prepare-se para o pior."
Assinar:
Postagens (Atom)







