Mais um ano vai se perdendo nas areias do tempo. Até aqui foram 364 dias em que se fez muita coisa, entre elas, ver muitos filmes. Talvez não tantos quanto gostaríamos, talvez nem todos os que gostaríamos de ter visto, alguns por nossa culpa, outros por culpa das distribuidoras, do Leandro Hassum e do Fábio Porchat (Onde estão A Trapaça, O Lobo de Wall Stret, Dallas Buyer's Club, 12 Yeas a Slave e The World's End?), mas ainda assim, uma boa quantidade de filmes, e, bons filmes, afinal de contas.
Em um ano que não foi exatamente espetacular, e teve até algumas decepções (Homem de Ferro 3 não foi o que se esperava, nem O Homem de Aço, Elysium decepcionou, assim como O Conselheiro do Crime), mas também teve gratas surpresas, algumas das quais integram essa lista que segue, esperando não estar sendo injusta.
À ela, então. O infame Top 10 Casa do Capita com os melhores filmes a desembarcar no cinemas ou locadoras do Brasil em 2013:
10 - Thor - O Mundo Sombrio
É estranho, após o primeiro Thor ter sido apenas uma fita razoável de super-herói, quase nada além de uma parada obrigatória antes de Os Vingadores, ver sua sequência nessa lista. Especialmente levando-se em conta todos os rumores sobre elenco sendo chamado de volta ao trabalho para regravar cenas que teriam sido reescritas de cabo a rabo após o fim das filmagens.
Ainda assim, o segundo longa metragem do deus do trovão dirigido por Alan Taylor foi muito bem, obrigado.
Mais seguro, mais divertido, com melhor ritmo do que o predecessor, O Mundo Sombrio foi uma grata surpresa em um ano onde o Superman e o Homem de Ferro, mesmo não fazendo feio, não cumpriram suas promessas. É pedir demais que o terceiro longa seja melhor, ou ao menos tão bom quanto?
9 - Guerra Mundial Z
Brad Pitt, e zumbis. Não tinha como não dar certo. Todas as cocotas querem ver o sujeito mais bonito do cinema, e todos os marmanjos querem ver zumbis enfurecidos correndo feito loucos para se alimentar da carne dos vivos.
Filme de horror mais caro de todos os tempos, a adaptação do livro de Max Brooks foi outro filme que penou na mão de reedições, regravações e toda a sorte de problemas que um filme pode ter durante sua execução, ainda assim, a história do investigador aposentado da ONU, Gerry Lane (Pitt) que é recolocado na ativa após uma violenta epidemia de zumbis varrer a Terra funciona que é uma beleza.
Movimentado, divertido, e respeitando o cânone morto-vivo, Guerra Mundial Z deu um banho em The Walking Dead, fez bela carreira nas bilheterias, garantiu uma sequência e fez a festa de quem foi ver no cinema.
8 - O Mestre
Soco na boca do estômago dirigido por Paul Thomas Anderson. A história do ex-combatente da Segunda Guerra Mundial Freddie (Joaquin Phoenix, assombroso), um bêbado errante e violento incapaz de se ajustar à vida civil, e de como ele tem a chance de recomeçar ao conhecer Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman, ótimo)e A Causa (Qualquer semelhança com L. Ron Hubbard e a cientologia não é mera coincidência) é desses filmes que deixam o espectador sentado inerte na cadeira alguns minutos após o fim da projeção.
Drama de personagens com performances brilhantes (O elenco principal conta ainda com Amy Adams), fotografia belíssima e direção beirando a perfeição é pra ver e rever, e se esbaldar com o trabalho soberbo de todos os envolvidos.
7 - Capitão Phillips
O libelo anti-globalização/filme de ação de Paul Greengrass (O Ultimato Bourne, A Zona Verde) é um dos melhores trabalhos de Tom Hanks desde O Resgate do Soldado Ryan, mas não é apenas isso.
A história real do capitão Richard Phillips, sequestrado após seu navio ser abordado por piratas somalis em 2009 se tornou um dos melhores e mais tensos filmes de 2013 graças a seu roteiro e elenco (Além de Hanks há um show do ator semi-amador Barkhad Abdi, interpretando o pirata Muse), sim, mas especialmente graças a seu diretor.
Além da melhor mão para thrillers de ação do cinema atual, Greengrass não perde nada com sua câmera na mão, e conta sua história sem tomar partido, humanizando os dois lados da balança sem pender para este ou aquele.
6 - O Lado Bom da Vida
O filme do ótimo David O. Russel (O Vencedor) que conta como Pat Solitano (Bradley Cooper) pretende reconstruir seu casamento após oito meses internado em uma instituição para doentes mentais devido a um surto bipolar com a ajuda de sua mãe compreensiva (Jackie Weaver), seu pai obsessivo compulsivo (Robert De Niro) e sua vizinha Tiffany (Jennifer Lawrence), igualmente uma ex-interna de clínica mental, é uma saborosa mistura de romance, comédia e drama amparada nas atuações de um elenco fazendo seu melhor (todo o elenco principal foi merecidamente indicado ao Oscar) sob a batuta de um cineasta que sabe tudo de direção de atores.
O filme fofo do ano, melhor trabalho de Cooper, show da gostosérrima Jennifer Lawrence e uma das melhores atuações de De Niro em todos os tempos.
5 - Rush - No Limite da Emoção
A ode à adrenalina, rivalidade ambição e velocidade engendrada pelo diretor Ron Howard, o roteirista Peter Morgan, o cinematógrafo Anthony Dod Mantle e o compositor Hans Zimmer e estrelada por Chris Hemsworth e Daniel Brühl é um filme pra absolutamente ninguém botar defeito.
Qualquer pessoa com dois neurônios e uma espinha se diverte com o filme, mas se o espectador é minimamente interessado por automobilismo, Rush é pra assistir de joelhos, agradecendo aos envolvidos.
A história de Niki Lauda (Brühl) e James Hunt (Hemsworth), dois pilotos de estilo completamente antagônico dentro e fora das pistas desde o início de suas carreiras na Formula 3 até o Mundial de Formula 1 de 1976, quando os dois disputaram ponto a ponto o título do campeonato é um triunfo de realização tão espetacular e uma trama de rivalidade e superação tão fodona que é até difícil acreditar que é baseado em uma história real.
4 - Django Livre
Se a audiência não sabia nada sobre guerra até vê-la pelos olhos de Quentin Tarantino em Bastardos Inglórios, o mesmo se pode dizer sobre faroestes, conforme ficou claro no bangue-bangue sulista que o diretor lançou em dezembro de 2012 nos EUA e que chegou aos cinemas brasileiros em janeiro desse ano.
A história do escravo liberto Django (Jamie Foxx) e sua tentativa de salvar sua esposa Brunhilde (Kerry Washington) das garras do fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) com a ajuda do caçador de recompensa alemão Dr. King Schultz (o brilhante Christoph Waltz) é a quintessência do cinema de um Tarantino na sua melhor forma, em toda a sua glória irreverente, sangrenta e vibrante.
3 - Antes da Meia-Noite
Depois de vinte anos e três filmes (fora uma ponta na animação Waking Life), somos todos íntimos de Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy). O casal que nós acompanhamos desde aquele trem rumo a Viena, passando pela conversa na cama, o reencontro em Paris e finalmente esse final de férias em família em uma idílica ilha grega, quando a rotina da vida de casado faz aflorar o pior dos dois amantes.
Mais ácido do que as incursões anteriores dos personagens às telas, mas não menos inteligente, romântico e charmoso em sua tagarelice, Antes da Meia-Noite é um maduro e bem-vindo novo capítulo da franquia mais romântica do cinema, e um triunfo pessoal de Delpy, Hawke e do diretor Richard Linklater, todos co-autores dos roteiros da série que só melhora com o passar do tempo.
Encontro marcado pra daqui a dez anos?
2 - Gravidade
Alfonso Cuarón, um diretor extremamente foda, ganha um orçamento de responsa, duas estrelas hollywoodianas de primeira grandeza, e constrói uma das ficções científicas mais sensacionais da história do cinema.
A desesperadora situação da doutora Ryan Stone (Sandra Bullock) e do astronauta Matt Kowalski (George Clooney) após um acidente com seu ônibus espacial 600 Km acima da Terra deixando os dois incomunicáveis e à deriva no espaço sideral é uma joia rara no cinema de hoje em dia.
Sem a ambição de se tornar uma franquia, sem uma mitologia complexa que obrigará o espectador a comprar livros, quadrinhos ou videogames pra entender toda a dimensão da trama, Gravidade requer apenas atenção e uma pequena dose de suspensão de descrença (a menos que tu seja um astrofísico, então a dose precisa ser um pouquinho maior) para deixar a audiência na ponta da cadeira, de queixo no chão, contraindo todos os músculos de tensão inescapável.
O roteiro redondinho de Cuarón (com a participação de seu filho, Jonas), mais o charme e o carisma de George Clooney, e talvez a maior interpretação da carreira de Sandra Bullock, somados a efeitos visuais de ponta, 3-D caprichado, fotografia excepcional, e trilha sonora fodona formam um dos melhores filmes do ano, e provavelmente o melhor suspense espacial dos últimos 30 anos.
1 - O Hobbit - A Desolação de Smaug
Foi por muito pouco que A Desolação de Smaug venceu Gravidade no meu Top-10.
Muito pouco, mesmo.
Se eu tivesse que apontar o gol de ouro que deu a vitória na morte súbita para o segundo O Hobbit, provavelmente apontaria a sequência dos barris descendo o rio.
Isso porque essa sequência, em particular, é a síntese de tudo que há em A Desolação de Smaug.
Humor, tensão, ação, aventura, drama... Tudo lá, bem dosadinho, em uma embalagem linda que só faz melhorar em 48 quadros por segundo, com um 3-D caprichado, efeitos visuais de cair o queixo, trilha sonora belíssima e atuações competentes de um elenco acima da média dando vida a um mundo imaginado e trazido à vida por um time de cobras.
A sequência da aventura de Bilbo Bolseiro, Gandalf e a companhia de anões de Thorin Escudo de Carvalho é uma evolução e um melhoramento exponencial de tudo o que havia de melhor em Uma Jornada Inesperada, que já havia sido meu filme preferido do ano passado.
Aventuresco, divertido, honesto e puro, O Hobbit - A Desolação de Smaug é uma matiné espetaculosa pra ninguém botar defeito, e o grande campeão de 2013 na opinião desse nerd que vos fala.
O único defeito? Falta quase um ano pra poder assistir Lá e De Volta Outra Vez.
Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
TOP 10 Negativo 2013
Em 2012 tivemos uma inspirada safra de produções cinematográficas. Tão boa que talvez tenha chegado perto do glorioso ano de 1999, provavelmente o ano mais prenhe de grandes filmes que eu tive a oportunidade de testemunhar.
O ano de 2013 não foi tão bom quanto o anterior, muito por conta do calendário de lançamentos brasileiro, que nos sonegou lançamentos com muito potencial, como O Lobo de Wall Street, Dallas Buyer's Club e 12 Years a Slave para colocar porqueiras declaradas como Até Que a Sorte Nos Separe 2 em número recorde de salas.
A despeito dos problemas, houveram muitos bons filmes em 2013, além, claro, de muitos filmes sofríveis.
São esses que nos interessam na lista que segue, o infame Top 10 Negativo da Casa do Capita.
Como de praxe, filmes lançados no decorrer de 2013 nos cinemas ou em home-video e que eu tenha assistido.
10 - O Conselheiro do Crime
Ridley Scott, Cormac Maccarthy, Michael Fassbender, Javier Bardem, Brad Pitt, Penelope Cruz. Essa equipe não parece material de top 10 negativo. E nem deveria.
Ainda assim, o tratado moral de Macarthy conseguiu a proeza. Numa trama de fronteira sem surpresas, onde o desfecho é óbvio desde o primeiro de vários discursos, com um protagonista chato e com personagens que são caricatos sem ser interessantes, essa coleção de frases de efeito está aqui muito mais pela má execução do que pela má intenção.
Não adianta montar time dos sonhos pra disputar torneio regional, assim como não adianta reunir elenco, roteirista e diretor de primeira linha pra contar uma história óbvia e pretensiosa.
9 - Elysium
Seria demais dizer que é a decepção do ano? O filme dirigido por Neil Blomkamp e estrelado por Matt Damon prometia a mesma qualidade do excelente Distrito 9 com um elenco de primeira e o grande investimento de super-produção, mas a promessa não se cumpriu.
Elysium resultou num filme irregular, com um protagonista que perde toda a sua simpatia e humanidade no final do primeiro ato e se torna só um herói de ação sisudo em um exoesqueleto conforme o filme se torna mais genérico e didático enquanto se aproxima do final.
Nem a alardeada estreia hollywoodiana de Wagner Moura torna a empreitada menos desapontadora.
8 - Duro de Matar - Um Bom Dia Para Morrer
John McLane deveria ter pendurado a pistola com Duro de Matar - A Vingança, a única sequência digna de Duro de Matar. Se Duro de Matar 2 era bem meia-boca, e A Vingança era ao menos uma fita de ação digna, Duro de Matar 4.0 era absolutamente desnecessário e idiota e esse Um Bom Dia Para Morrer só não é risível porque simplesmente não tem graça.
O pior? Duro de Matar 6 já está em andamento na FOX...
7 - O Resgate
Nicolas Cage está falido. Ele levou um golpe milionário do contador e a sua situação ficou tão apertada que ele teve até que vender parte de sua coleção de gibis. Quem coleciona gibis sabe o tipo de dor que Nick sentiu tendo que fazer isso.
Pior do que vender sua coleção de gibis foi ser obrigado a aceitar qualquer proposta de emprego. Só isso explica coisas como O Resgate, tenebroso heist movie onde Cage é um ladrão especialista com coração de ouro que abandona o crime após ser preso. Porém, quando sua filha (Sami Gayle) é sequestrada por um ex-cúmplice (Josh Lucas), ele precisa voltar à ativa mesmo com o FBI na sua cola.
Nada funciona no filme, e o talentoso Nic Cage mostra, outra vez, que não tem nenhum critério compreensível na hora de escolher seus trabalhos, exceto o tamanho do pagamento.
6 - Jobs
Cinebiografia mezzo chapa branca do idealizador da Apple Steve Jobs estrelada pelo pseudo ator Ashton Kutcher.
Não tem como ficar pior que isso.
Abrindo mão das passagens mais controversas da vida do executivo para colocá-lo em um pedestal, esse Jobs é um subproduto de louvação à personalidade tão vazio quanto maçante.
Kutcher se esforça amparado na semelhança física com Jobs, mas isso não o torna um ator mais talentoso, nem faz com que a série de eventos jogada na tela ao longo da projeção ganhe estofo ou drama.
Outro filme sobre a vida de Steve Jobs, baseado na sua biografia escrita por Walter Isaacson, deve sair e, quem sabe, fazer justiça à uma das mais controversas figuras da era digital.
5 - João & Maria - Caçadores de Bruxas
Eu me pergunto o que leva um executivo de estúdio a ler um roteiro que moderniza o mito dos irmãos João e Maria ao mostrar que eles cresceram após os eventos do conto dos irmãos Grimm e se tornaram caçadores de bruxas e achar que vai sair alguma coisa de bom daí.
Será que o sujeito leu isso e pensou em Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.), mesmo com a premissa berrando Van Helsing (Hugh Jackman) a plenos pulmões?
Não importa. O que importa é que João & Maria - Caçadores de Bruxas é chato, ruim, e nem o carisma de Jeremy Renner e a beleza de Gemma Arterton e Famke Janssen conseguem salvar o filme de ser a bomba que é.
4 - G. I. Joe - Retaliação
Retaliação não é nem de longe tão ruim quanto A Origem de Cobra, isso porém, significa quase nada.
A Origem de Cobra era um filme horroroso em todos os aspectos. Elenco, roteiro, direção, proposta... Era totalmente podre, em forma, conteúdo e execução.
Retaliação, por outro lado, é apenas um filme muito ruim, e até honesto com relação à própria ruindade. Tem figuras carismáticas no elenco, como The Rock e Bruce Willis, a gatinha Adrianne Palicky, e os ninjas que rendem até algumas sequências de ação bem-intencionadas.
De boas intenções, porém, o inferno está transbordando, e mesmo sendo honesto e ajeitadinho, G. I. Joe - Retaliação, continua sendo uma tremenda porqueira.
3 - Wolverine - Imortal
Hugh Jackman é um bom sujeito. Ele é talentoso, divertido, boa-pinta e adora ser o Wolverine. Isso, porém, não me impede de dizer que os filmes solo do mutante canadense no qual ele embarca são totais e absolutas porcarias.
Após o resultado catastrófico de X-Men Origens - Wolverine, esperava-se que The Wolverine (No Brasil Wolverine - Imortal) fosse ao menos uma fita de ação competente estrelada pelo X-Man mais talhado pra ação que existe.
Mas não.
Wolverine - Imortal é chato, bobo, e incorre novamente em todos os defeitos do longa anterior.
Ao menos esse ano Wolverine deve ganhar um filme decente com X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido, e quem sabe a Fox aprende como devem ser os filmes do herói, ou ao menos Jackman pendura as garras saindo por cima.
2 - Depois da Terra
Nada ensina uma lição paternal melhor sobre as armadilhas da fama do que produzir um filme para ensinar seu filho a se proteger das armadilhas da fama.
Will Smith, um ator talentoso e que dá a impressão de ser um astro muito boa-gente fez isso. Co-roteirizou e escreveu Depois da Terra tanto como um libelo pró-cientologia quanto para ensinar Jaden Smith, seu filho e co-estrela, sobre os perigos de Hollywood.
Um roteiro construído sobre tal carta de intenções obviamente não podia dar certo, e quem embarcou junto nessa canoa furada foi M. Night Shyamalan, que nada conseguiu acrescentar à produção, nem mesmo suas marcas registradas:
Boas atuações de atores mirins (Jaden Smith esteve melhor até em O Dia Em Que a Terra Parou), e suspense carregado (Nem em um mundo com perigos em cada canto existe alguma tensão.).
E pensar que Will Smith rejeitou o papel principal em Django Livre...
1 - Truque de Mestre
Meu campeão indiscutível na lista de piores do ano, Truque de Mestre, de Louis Leterrier é um desperdício de dinheiro do estúdio, do talento dos atores do elenco (Woody Harrelson, Michael Caine, Morgan Freeman, Jesse Eisenberg, todos subaproveitados) e, pior de tudo, do tempo de quem assiste.
Com uma trama pirotécnica e histriônica cheia de reviravoltas inúteis e um desfecho "surpresa" que se torna óbvio ali pela metade do filme, tudo embalado numa roupagem artificialmente descolada de quem se acha muito esperto e começa a rir antes de soltar a "punch line" da piada, Truque de Mestre é desses filmes que merecia ter mofado nas salas de cinema e nas prateleiras das locadoras, mas, bem amparado por um marketing monstruoso e pelo mau gosto da audiência, deu lucro e vai render a sequência que já tentava emplacar na metade dos créditos de encerramento.
Se nada mudar, Truque de Mestre dois estará nessa lista em dezembro de 2015.
O ano de 2013 não foi tão bom quanto o anterior, muito por conta do calendário de lançamentos brasileiro, que nos sonegou lançamentos com muito potencial, como O Lobo de Wall Street, Dallas Buyer's Club e 12 Years a Slave para colocar porqueiras declaradas como Até Que a Sorte Nos Separe 2 em número recorde de salas.
A despeito dos problemas, houveram muitos bons filmes em 2013, além, claro, de muitos filmes sofríveis.
São esses que nos interessam na lista que segue, o infame Top 10 Negativo da Casa do Capita.
Como de praxe, filmes lançados no decorrer de 2013 nos cinemas ou em home-video e que eu tenha assistido.
10 - O Conselheiro do Crime
Ridley Scott, Cormac Maccarthy, Michael Fassbender, Javier Bardem, Brad Pitt, Penelope Cruz. Essa equipe não parece material de top 10 negativo. E nem deveria.
Ainda assim, o tratado moral de Macarthy conseguiu a proeza. Numa trama de fronteira sem surpresas, onde o desfecho é óbvio desde o primeiro de vários discursos, com um protagonista chato e com personagens que são caricatos sem ser interessantes, essa coleção de frases de efeito está aqui muito mais pela má execução do que pela má intenção.
Não adianta montar time dos sonhos pra disputar torneio regional, assim como não adianta reunir elenco, roteirista e diretor de primeira linha pra contar uma história óbvia e pretensiosa.
9 - Elysium
Seria demais dizer que é a decepção do ano? O filme dirigido por Neil Blomkamp e estrelado por Matt Damon prometia a mesma qualidade do excelente Distrito 9 com um elenco de primeira e o grande investimento de super-produção, mas a promessa não se cumpriu.
Elysium resultou num filme irregular, com um protagonista que perde toda a sua simpatia e humanidade no final do primeiro ato e se torna só um herói de ação sisudo em um exoesqueleto conforme o filme se torna mais genérico e didático enquanto se aproxima do final.
Nem a alardeada estreia hollywoodiana de Wagner Moura torna a empreitada menos desapontadora.
8 - Duro de Matar - Um Bom Dia Para Morrer
John McLane deveria ter pendurado a pistola com Duro de Matar - A Vingança, a única sequência digna de Duro de Matar. Se Duro de Matar 2 era bem meia-boca, e A Vingança era ao menos uma fita de ação digna, Duro de Matar 4.0 era absolutamente desnecessário e idiota e esse Um Bom Dia Para Morrer só não é risível porque simplesmente não tem graça.
O pior? Duro de Matar 6 já está em andamento na FOX...
7 - O Resgate
Nicolas Cage está falido. Ele levou um golpe milionário do contador e a sua situação ficou tão apertada que ele teve até que vender parte de sua coleção de gibis. Quem coleciona gibis sabe o tipo de dor que Nick sentiu tendo que fazer isso.
Pior do que vender sua coleção de gibis foi ser obrigado a aceitar qualquer proposta de emprego. Só isso explica coisas como O Resgate, tenebroso heist movie onde Cage é um ladrão especialista com coração de ouro que abandona o crime após ser preso. Porém, quando sua filha (Sami Gayle) é sequestrada por um ex-cúmplice (Josh Lucas), ele precisa voltar à ativa mesmo com o FBI na sua cola.
Nada funciona no filme, e o talentoso Nic Cage mostra, outra vez, que não tem nenhum critério compreensível na hora de escolher seus trabalhos, exceto o tamanho do pagamento.
6 - Jobs
Cinebiografia mezzo chapa branca do idealizador da Apple Steve Jobs estrelada pelo pseudo ator Ashton Kutcher.
Não tem como ficar pior que isso.
Abrindo mão das passagens mais controversas da vida do executivo para colocá-lo em um pedestal, esse Jobs é um subproduto de louvação à personalidade tão vazio quanto maçante.
Kutcher se esforça amparado na semelhança física com Jobs, mas isso não o torna um ator mais talentoso, nem faz com que a série de eventos jogada na tela ao longo da projeção ganhe estofo ou drama.
Outro filme sobre a vida de Steve Jobs, baseado na sua biografia escrita por Walter Isaacson, deve sair e, quem sabe, fazer justiça à uma das mais controversas figuras da era digital.
5 - João & Maria - Caçadores de Bruxas
Eu me pergunto o que leva um executivo de estúdio a ler um roteiro que moderniza o mito dos irmãos João e Maria ao mostrar que eles cresceram após os eventos do conto dos irmãos Grimm e se tornaram caçadores de bruxas e achar que vai sair alguma coisa de bom daí.
Será que o sujeito leu isso e pensou em Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.), mesmo com a premissa berrando Van Helsing (Hugh Jackman) a plenos pulmões?
Não importa. O que importa é que João & Maria - Caçadores de Bruxas é chato, ruim, e nem o carisma de Jeremy Renner e a beleza de Gemma Arterton e Famke Janssen conseguem salvar o filme de ser a bomba que é.
4 - G. I. Joe - Retaliação
Retaliação não é nem de longe tão ruim quanto A Origem de Cobra, isso porém, significa quase nada.
A Origem de Cobra era um filme horroroso em todos os aspectos. Elenco, roteiro, direção, proposta... Era totalmente podre, em forma, conteúdo e execução.
Retaliação, por outro lado, é apenas um filme muito ruim, e até honesto com relação à própria ruindade. Tem figuras carismáticas no elenco, como The Rock e Bruce Willis, a gatinha Adrianne Palicky, e os ninjas que rendem até algumas sequências de ação bem-intencionadas.
De boas intenções, porém, o inferno está transbordando, e mesmo sendo honesto e ajeitadinho, G. I. Joe - Retaliação, continua sendo uma tremenda porqueira.
3 - Wolverine - Imortal
Hugh Jackman é um bom sujeito. Ele é talentoso, divertido, boa-pinta e adora ser o Wolverine. Isso, porém, não me impede de dizer que os filmes solo do mutante canadense no qual ele embarca são totais e absolutas porcarias.
Após o resultado catastrófico de X-Men Origens - Wolverine, esperava-se que The Wolverine (No Brasil Wolverine - Imortal) fosse ao menos uma fita de ação competente estrelada pelo X-Man mais talhado pra ação que existe.
Mas não.
Wolverine - Imortal é chato, bobo, e incorre novamente em todos os defeitos do longa anterior.
Ao menos esse ano Wolverine deve ganhar um filme decente com X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido, e quem sabe a Fox aprende como devem ser os filmes do herói, ou ao menos Jackman pendura as garras saindo por cima.
2 - Depois da Terra
Nada ensina uma lição paternal melhor sobre as armadilhas da fama do que produzir um filme para ensinar seu filho a se proteger das armadilhas da fama.
Will Smith, um ator talentoso e que dá a impressão de ser um astro muito boa-gente fez isso. Co-roteirizou e escreveu Depois da Terra tanto como um libelo pró-cientologia quanto para ensinar Jaden Smith, seu filho e co-estrela, sobre os perigos de Hollywood.
Um roteiro construído sobre tal carta de intenções obviamente não podia dar certo, e quem embarcou junto nessa canoa furada foi M. Night Shyamalan, que nada conseguiu acrescentar à produção, nem mesmo suas marcas registradas:
Boas atuações de atores mirins (Jaden Smith esteve melhor até em O Dia Em Que a Terra Parou), e suspense carregado (Nem em um mundo com perigos em cada canto existe alguma tensão.).
E pensar que Will Smith rejeitou o papel principal em Django Livre...
1 - Truque de Mestre
Meu campeão indiscutível na lista de piores do ano, Truque de Mestre, de Louis Leterrier é um desperdício de dinheiro do estúdio, do talento dos atores do elenco (Woody Harrelson, Michael Caine, Morgan Freeman, Jesse Eisenberg, todos subaproveitados) e, pior de tudo, do tempo de quem assiste.
Com uma trama pirotécnica e histriônica cheia de reviravoltas inúteis e um desfecho "surpresa" que se torna óbvio ali pela metade do filme, tudo embalado numa roupagem artificialmente descolada de quem se acha muito esperto e começa a rir antes de soltar a "punch line" da piada, Truque de Mestre é desses filmes que merecia ter mofado nas salas de cinema e nas prateleiras das locadoras, mas, bem amparado por um marketing monstruoso e pelo mau gosto da audiência, deu lucro e vai render a sequência que já tentava emplacar na metade dos créditos de encerramento.
Se nada mudar, Truque de Mestre dois estará nessa lista em dezembro de 2015.
Resenha DVD: Sem Dor, Sem Ganho
À certa altura de Sem Dor, Sem Ganho, um aviso surge na tela congelada, alertando ao espectador que aquela continua sendo uma história verídica.
Isso por si só, dá uma ideia do tipo de absurdo que o longa metragem de Michael Bay ilustra nas telas ao contar a história (real, lembre-se) de Daniel Lugo (Mark Wahlberg), um fisiculturista, personal trainer e trambiqueiro que após assistir à uma palestra motivacional de Johnny Wu (Ken Jeong), resolve que é um realizador que precisa apenas tomar a iniciativa para que o universo provenha o sucesso em suas empreitadas.
A empreitada, no caso, envolve a ideia "jeniau" de Lugo, de sequestrar um ricaço, e torturá-lo até que ele concorde em abrir mão de todos os seus bens em benefício de seu algoz.
Embora seja um realizador, Lugo não conseguiria realizar a sua visão sem ajuda. É onde entram em cena Adrian Doorbal (Anthony Mackie), um halterofilista que sofre de disfunção erétil após anos de abuso de substâncias anabólicas que precisa de dinheiro para pagar seu tratamento, e Paul Doyle (Dwayne The Rock Johnson), um ex-presidiário, ex-viciado em drogas, ex-alcoólatra convertido ao cristianismo na penitenciária e que está com dificuldades para conseguir emprego.
O alvo desse "dream team" do crime é Victor Kershaw (Tony Shalhoub), um rico homem de negócios, aluno de Lugo na academia e uma pessoa abjeta de quem ninguém sentiria a menor falta se desaparecesse.
Com uma equipe, um alvo, um plano e o universo conspirando a seu favor, não havia como a ideia de Lugo dar errado, não fosse um único problema:
A completa imbecilidade dos envolvidos no crime.
É até estranho ver um filme assinado por Michael Bay sem explosões a cada dez minutos, nem chuvas de asteroides destruindo Manhattan , ou robôs gigantes se digladiando em rodovias que parecem feitas de lego (E com um orçamento com menos de nove dígitos.). Ainda assim, as marcas registradas do diretor estão lá. A fotografia dourada de final de tarde, a câmera girando ao redor dos personagens, e, claro, a edição meio histérica, por vezes fazendo lembrar o finado Tony Scott.
Essas marcas, somadas às principais virtudes do diretor acabam simplesmente casando com a história dos fortões imbecis. Mais contido que o de hábito, talvez até pelo orçamento apertado, de "apenas" 26 milhões de dólares, a tendência ao mau-gosto de Bay encontra lastro em Miami, o ambiente ideal para desabrochar, no roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely, que acertam a mão ao tratar a série de crimes com alguma leveza (Ao menos no primeiro ato do filme e em boa parte do segundo), e nas interpretações do trio de protagonistas. Tudo isso somado ajuda Sem Dor, Sem Ganho a ser um programa bastante palatável.
O elenco, aliás, merece nota.
Mark Wahlberg, que encontrou seu nicho nas comédias, interpreta um Daniel Lugo surtado, completamente imbecil, mentiroso compulsivo e que acredita ser dono de uma "inteligência superior", Anthony Mackie está muito bem como o marombeiro impotente que curte uma gordinha, e The Rock rouba a cena como Paul Doyle, cheio de oscilações de humor e com o carisma que todo mundo se acostumou a ver no grandalhão.
Tony Shalhoub está ótimo. Seu personagem é repleto de dimensões, extremamente antipático e manipulador desafiando a audiência a vê-lo como a vítima que é.
Há ainda Ed Harris, fazendo o tipo durão tradicional, o detetive Ed DuBois, além de Rob Corddry, como o chefe e cúmplice de Lugo, John Mese, Rebel Wilson, como a enfermeira Robin Peck, Peter Stormare como o doutor Bjornson, e a deliciosa Bar Paly como a stripper Sorina Luminita, além de mais alguns nomes reconhecíveis.
Em suma, Sem Dor, Sem Ganho é um bom filme, uma comédia de erros sobre três idiotas tentando roubar o sonho americano.
Vale a locação.
"Meu nome é Daniel Lugo, e eu acredito em malhação. Tudo isso começou porque era hora de eu me esforçar mais, de outra forma, me aguardavam mais quarenta anos usando calças de abrigo pra trabalhar."
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Resenha DVD: O Verão da Minha Vida
O Verão da Minha Vida era um desses filmes que eu estava doido pra ver no cinema em 2013 mas que foram solenemente ignorados pelas grandes distribuidoras.
Quando foi lançado no Brasil, em fins de outubro, me lembro de ter ficado bastante desapontado por não tê-lo encontrado na programação de nenhum cinema de Porto Alegre, nem mesmo naqueles habituados a passar filmes de fora do grande circuito.
Por sorte o longa não tardou a ser lançado em home-video e menos de dois meses após sua discreta passagem pelas salas de exibição do centro do país, encontrei-o para locação pertinho de casa.
Na trama de O Verão da Minha Vida, escrito e dirigido por Nat Faxon e Jim Rash, mesma dupla responsável pelo roteiro do ótimo Os Descendentes, conhecemos Duncan (Liam James, de 2012), um moleque de 14 anos de idade que está indo passar as férias na casa de praia de Trent (Steve Carrel), o namorado de sua mãe (Toni Collette).
Liam não está feliz.
Além de ser um adolescente ensimesmado vindo de um lar desfeito, ele preferia estar passando o verão com seu pai em San Diego, isso porque, entre outras coisas, Trent é um babaca de marca maior.
Egocêntrico, cheio de valores equivocados e confundindo escrotidão com autoridade, Trent é o pior pesadelo do moleque, mas não o único.
A filha de Trent, Laura (Devon Werden) não nutre exatamente a maior calidez com relação a Duncan, e mesmo sua mãe parece mais disposta a amenizar eventuais desavenças do que em tomar o partido do filho.
Pra tornar tudo ainda mais complicado, na casa ao lado existe outra família desfeita, com a piradona mãe Betty (Allison Janney), o moleque caolho Peter (River Alexander), e a gatinha Susanna (Annasophia Robb, um pitéu), que por vezes vê Duncan com curiosidade científica.
É nesse ambiente desolador que Duncan conhece Owen (Sam Rockwell), boa-gente que gerencia do parque aquático Water Wizz ao lado de Caitlin (Maya Rudolph).
Avesso aos padrões e regras que dominam a casa de Trent, Owen pode ser a tábua de salvação de Duncan não apenas para sobreviver ao verão, mas também para se encontrar e aprender que, dentro de uma concha, é muito difícil crescer.
Eu sei, é mais um daqueles filmes de amadurecimento. Mas pôxa, olhe que ótimos filmes essa premissa rende.
O Verão da Minha Vida, é um desses ótimos filmes.
Os diretores/escritores Faxon e Rash (Que também atuam no longa, respectivamente nos papéis de Roddy e Lewis, funcionários do Water Wizz) encontram o tom, variando o filme entre o clima chato da casa de Trent e a leveza e diversão do parque aquático de Owen.
O roteiro consegue ser tocante sem apostar no sentimentalismo fácil nem abrir mão da graça, e dá espaço pro elenco trabalhar.
Elenco, aliás, que ajuda bastante.
Liam James convence como o adolescente sorumbático que precisa desesperadamente de um amigo, Toni Collette é sempre ótima, e AnnaSophia Robb, além de ser uma gracinha e ter bunda de negona (sim, é um elogio) é um bálsamo elucubrando sobre caranguejos, há ainda Amanda Peet e Rob Corddry, no papel de vizinhos malas, mas não tem outra, quem merece os maiores louros são mesmo Sam Rockwell, que esbanja carisma como Owen, e Steve Carrel, mostrando uma faceta até então desconhecida na pele do pentelho Trent.
Entre bom elenco, roteiro esperto, direção sem frescura e pronto. Não há nada para não gostar em O Verão da Minha Vida. Assista sem medo, vale demais o preço da locação.
"-As pessoas têm que seguir seu próprio caminho, e você, meu amigo, irá seguir seu próprio caminho."
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Resenha Cinema: A Vida Secreta de Walter Mitty
Sábado solitário, Natal se aproximando, problemas, tristezas e dissabores, em nenhum outro momento alguém precisou tanto de um feel good movie.
Entre Questão de Tempo, O Jogo do Exterminador e A Vida Secreta de Walter Mitty, esse último era a escolha mais óbvia para a ocasião, o problema é ir assistir a um filme estrelado por Ben Stiller quando não se é, nem de longe, um fã do ator.
Não gosto de suas comédias família, e acho ele uma variação do mesmo tema de Adam Sandler, talvez um pouco menos idiota, mas ainda assim, com uma filmografia que passa longe de ser do meu agrado exceto por raras exceções.
Uma dessas exceções, diga-se de passagem, é Trovão Tropical, a surtada comédia de guerra estrelada por Stiller, Robert Downey Jr. e Jack Black.
Foi pensando em Trovão Tropical e sua (não tão) fina ironia e esperto humor escatológico que eu resolvi apostar em A Vida Secreta de Walter Mitty.
E não me arrependi.
No filme conhecemos Walter (Stiller), um sujeito tímido e hesitante, incapaz até de deixar uma piscadinha para Cheryl (Kristen Wiig), sua nova colega de trabalho, no eHarmony.
Modesto e insuspeito, Walter trabalha na famosa Life Magazine, onde é o gerente responsável pelo setor de negativos. Na sua sala escura, ele passou os últimos dezesseis anos revelando e tratando as fotos que ilustraram as páginas da revista, entre elas, várias fotos de Sean O'Connel (Sean Penn), intrépido fotógrafo de vida selvagem.
Apegado à sua rotina singela, Walter frequentemente se perde em devaneios onde se torna todas as coisas que não consegue ser na vida real. Heroico, criativo, aventureiro, romântico... Entretanto a existência sonhadora de Walter é sacudida violentamente quando a revista é vendida, e deixará de existir em versão impressa.
Quando começam as movimentações para produzir a edição derradeira da Life, Walter percebe que perdeu uma foto de O'Connell, uma que o próprio fotógrafo considera seu melhor trabalho e recomendou para ser a capa da edição final da revista.
Incapaz de contatar O'Connell, que vive transitando de um lugar inóspito a outro e não usa telefone celular, sendo assediado por Hendricks (Adam Scott), gerente responsável pela transição da revista impressa para edição online, e tendo que lidar com a mudança de sua mãe (Shriley MacLaine) para um condomínio de idosos, Walter se pergunta o que fazer, até ser encorajado por Cheryl a procurar por Sean.
É nesse momento que Walter deixa de sonhar, e passa a viver. Embarcando numa jornada global que o levará a experimentar aventuras extraordinárias, muito maiores do que aquelas que ele imaginava.
E funciona?
Bem, a crítica norte-americana se polarizou entre gente que amou o filme (Uma minoria), e gente que o odiou. A maioria das críticas que li depois de assistir ao longa pichava o filme de Stiller, mas, francamente, eu achei tocante.
A Vida Secreta de Walter Mitty encontra um espaço pra transitar entre os épicos emocionais de efeitos visuais como As Aventuras de Pi, e as dramédias indie estreladas por Steve Carell.
O roteiro tem seus problemas, falhas e furos que são bastante óbvios, mas não chegam a incomodar. Ele exige suspensão de descrença da platéia, mas isso, pra mim, não é um problema.
A fotografia é linda, os efeitos visuais são ótimos, a trilha sonora é excelente, e as atuações são boas, mesmo de Stiller, um ator longe de ser acima da média, que convence como o sujeito tímido que decide parar de pensar no mundo, e efetivamente ir vê-lo.
O drama, por vezes carece de profundidade, mas há piadas muito boas (a tiração de sarro com Benjamin Button é facilmente a melhor do filme), e momentos realmente emocionantes.
É um feel good movie, competente na medida em que me fez sentir bem enquanto assistia.
O que mais se pode querer?
Assista no cinema, com a suspensão de descrença ativada, e aproveite.
"Ver a vida. Ver o mundo. Testemunhar grandes eventos..."
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Resenha DVD - G. I. Joe - Retaliação
Em 2009 eu assisti G. I. Joe - A Origem de Cobra no cinema.
Parecia um risco calculado, os trailers deixavam bem claro que o filme era ruim, mas em mais de uma ocasião eu me diverti no cinema vendo filmes ruins. Alguns deles inclusive do diretor Stephen Sommers, o responsável por aquela primeira adaptação dos brinquedos, desenhos animados e quadrinhos de Comandos em Ação à telona. A Múmia e O Retorno da Múmia, eram óbvios filmes ruins que eram divertidos de ver no cinema, por exemplo.
Mas G. I. Joe - A Origem de Cobra era tão ruim, que só não foi o pior filme de 2009 porque a FOX havia cometido Dragon Ball - Evolution, que conseguiu a proeza ímpar de suplantar a ruindade do filme dos Comandos em Ação.
Ainda assim, fez 300 milhões de dólares entre bilheteria doméstica e estrangeira contra um orçamento na casa dos 175 milhões, de modo que garantiu que uma sequência surgisse...
Essa sequência é esse G. I. Joe - Retaliação, lançado em março desse ano e que eu aluguei quase que por curiosidade mórbida na sexta-feira.
O diretor Jon M. Chu comanda a fita que mostra o que acontece quando os Joes são vítimas da retaliação do título, orquestrada pela organização pérfida dos Cobra.
Infiltrados nos mais altos escalões do governo dos EUA desde o final do primeiro filme, os vilões voltam à carga após Storm Shadow (Byung-hun Lee)libertar o comandante Cobra (Luke Bracey) e Zartan (Arnold Vosloo), na pele do presidente dos EUA (Jonathan Pryce), voltar a máquina de guerra norte-americana contra os Joes, e exterminar a maior parte dos operativos da unidade, que fica reduzida a apenas 4 combatentes:
Roadblock (Dwayne The Rock Johnson), Flint (D. J. Cotrona), Snake Eyes (o Darth Maul Ray Park), e Lady Jaye (A delicinha quase Mulher-Maravilha da TV, Adrianne Palicki).
Tendo que enfrentar a conspiração dos Cobra, reforçados pelo brutamontes Firefly (Ray Stevenson), o governo dos EUA e tentando descobrir como foram colocados no topo da lista dos mais procurados não apenas dos Estados Unidos, mas de todo o mundo livre, os heróis recebem a ajuda do general Joe Colton (Bruce Willis), o Joe original, e do mestre cego da ordem dos ninjas (RZA), que escala a novata, Jynx (Elodie Young), para se unir a Snake Eyes em sua missão.
Agora, esse grupo de sobreviventes terá que se desdobrar para impedir que os Cobra usem a influência dos Estados Unidos para destruir todos os arsenais atômicos da Terra e dominem o mundo!
Retaliação tenta ser mais sério e pé no chão na comparação com seu predecessor, cheio de piadinhas infames e equipamentos absurdos, mas isso é praticamente impossível quando estamos falando de um longa metragem de "guerra" baseado em brinquedos com censura livre.
O carisma de Dwayne Johnson e Bruce Willis (repetindo o trabalho em RED e Os Mercenários), as boas cenas de ação dos ninjas (Apenas isso, boas)e a bela estampa de Élodie Yung e especialmente de Adrianne Palicki (O único quesito em que G. I. Joe não deixou a desejar em nenhum dos filmes, atrizes bonitas) não são suficientes pra encobrir o fato de que o roteiro do filme simplesmente não convence.
Em que se reconheça o mérito de não tentar transformar Retaliação em um remake ou reboot, também há de se deixar claro que a história é bagunçada, e apenas recicla conceitos já vistos em outros filmes de ação (melhores), e as reviravoltas simplesmente não fazem sentido, dando a impressão de existirem apenas porque, como numa brincadeira de criança, "esse boneco é legal, vamos virá-lo pro lado do bem!".
G. I. Joe - Retaliação é superior ao filme de 2009, consegue ser mais realista e sombrio (palavra/conceito da moda no cinemão dos EUA), mas isso significa quase nada, já que A Origem de Cobra era imbecil e completamente esquizofrênico em seu roteiro e execução, face à ruindade de proporções bíblicas do primeiro filme, isso significa muito pouco mérito.
A série G. I. Joe é totalmente esquecível e com sorte povoará apenas a sessão da tarde em alguns anos.
"-A revolução Cobra começou."
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Resenha DVD -Truque de Mestre
Existe certa pretensão em Truque de Mestre que ficava bem óbvia desde os primeiros trailers do filme, que inundaram os cinemas às vésperas do lançamento efetivo do longa em meados de julho.
Mas a despeito dessa pretensão, o filme sobre quatro mágicos com habilidades distintas unidos sob a orientação silenciosa de um observador misterioso que começam uma onda de golpes e assaltos espetaculares disfarçados como números de mágica incrivelmente pirotécnicos que passam a ser perseguidos por um agente obstinado do FBI e uma agente novata da Interpol poderia, ao menos, ser divertido, afinal, era um projeto de Louis Leterrier, diretor dos divertidos Cão de Briga e O Incrível Hulk (Mas também da pirotécnica porcaria que foi o remake de Fúria de Titãs).
O elenco certamente estava longe de ser ruim.
No papel do agente do FBI Dylan Rhodes, o carismático Mark Ruffalo, Mélanie Laurent como a agente da Interpol Alma Dray, como os mágicos golpistas, Os Quatro Cavaleiros, os indicados ao Oscar Woody Harrelson e Jesse Eisenberg, como o mentalista Merrit McKinney e o ilusionista J. Daniel Atlas, mais os "emergentes" Dave Franco (o irmão sem-graça de James Franco) como o mágico de rua Jack Wilder e Isla Ficher como e artista da fuga Henley Reeves.
Além deles, ainda a dupla da trilogia do Cavaleiro das Trevas de Cristopher Nolan, Morgan Freeman, como o caçador de mágicos Thaddeus Bradley e Michael Caine como o milionário benfeitor financeiro do grupo, Arthur Tressler.
Vai dizer que não é um elencaço?
Se o filme fosse um "heist movie" minimamente movimentado e esperto o ingresso do cinema ou aluguel do DVD ou Blu-Ray estaria validado e seria zero a zero e bola ao centro.
Infelizmente, Truque de Mestre é só movimentado, mas chega a ser tacanho de tão óbvio e mal executado.
Os problemas começam pelos quatro personagens que deveriam ser os "protagonistas" do longa, no caso, os mágicos golpistas, que são acessórios óbvios que praticamente somem ao fim do primeiro ato do filme.
Estereótipos xaropes e desinteressantes, eles têm zero química (impressionante que só agora me dei conta de que Harrelson e Eisenberg haviam trabalhado juntos em Zumbilândia e dado show), zero carisma e zero background, e são eclipsados pela grandiloquência vazia de seus elaborados golpes e fugas espetaculosas.
Michael Caine ainda tem alguma dignidade como Arthur Tressler, mas pouco o que fazer em cena, e Morgan Freeman até arranca uns bons momentos de seu antipático personagem. Melhor sorte pra Ruffalo, competente a seu modo no papel de Rodhes e para Mélanie Laurent, que é uma graça.
Os dois até conseguem seus bons momentos, mas a verdade é que é impossível se salvar de um filme de golpe onde os protagonistas são insossos, os golpes não são tão interessantes, e as reviravoltas (incluindo aí a grande surpresa do fim do filme) são claras como água mineral Perrier já na metade do longa.
O exercício de pretensão iniciado com a arrogância de Jesse Eisenberg, Woody Harrelson e companhia no início do filme é ampliado com a execução pirotécnica dos golpes do quarteto ao longo da projeção, e encerrado com a grande revelação final, como quem diz "Veja, veja, nós somos as pessoas mais inteligentes da sala, rá, rá, rá!".
Mas não.
Pálido e sem graça se comparado a outros filmes de golpe como Onze Homens e Um Segredo, e de mágico, como O Grande Truque, e mesmo a O Ilusionista, Truque de Mestre parece um mágico iniciante, cumprindo agenda com truques de cartas, lenços e argolas enquanto está ansioso pra mostrar um gran finale que simplesmente não empolga porque era óbvio desde que subiu ao palco.
O pior de tudo?
Ali pela metade dos créditos há uma cena prometendo uma sequência.
Assista se estiver trancado em casa num domingo chuvoso. Ao menos é melhor que Faustão e Regina Casé.
"Quanto mais você olha, menos você vê."
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