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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 6: The Bloody Doors Off

 



The Bloody Doors Off, sexto episódio da nova temporada de The Boys não chega a expiar os pecados dos capítulos quatro e cinco, mas ao menos ganha em termos de diversão e (alguma) importância narrativa.
O capítulo começa com (e é entrecortado por) vislumbres do passado do Francês, que ajudam a explicar sua obsessão em salvar Kimiko não importa a que custo. Esses flashbacks vão nos sendo mostrados conforme acompanhamos a missão dos rapazes de entrar nas instalações do Centro Sage Grove, um hospital/sanatório/asilo que Annie encontrou ao futricar nos arquivos do laptop de Tempesta, para tentar descobrir o que a Vought está tramando naquele lugar.
Eles acabam descobrindo mais do que podiam imaginar ao dar de cara com o ex-membro d'Os Sete Facho de Luz (Shawn Ashmore, o Homem de Gelo da franquia X-Men usando os poderes do Pyro...), com quem os rapazes partilham um passado repleto de rancores, e que está até o pescoço nos negócios escusos que Tempesta está supervisionando para o conglomerado industrial.
E, quando a meleca acerta o ventilador, o grupo se vê separado, com Leitinho, Kimiko e Francês presos dentro das instalações, e Annie, Bruto e Hughie precisando lidar com os problemas do lado de fora. 
Os demais membros d'Os Sete aparecem menos nesse episódio, mas ainda tempos tempo para ver como o Capitão Pátria lida com um relacionamento que é menos Edipiano do que o que ele mantinha com Stillwell (aqui vai um pequeno spoiler: Não muito bem) e que Maeve usou os poderes do Profundo para tentar obter um ás no jogo que inevitavelmente terá que travar com o líder da equipe pela segurança de Elena.
Por falar no Profundo, ele aparece vagando pelo set de filmagens de A Origem dos Sete e oferecendo uma Fresca para o Trem Bala. Considerando que o velocista azul está chegando perto do fundo do poço com sua aposentadoria compulsória, não é de se surpreender que ele seja o próximo alvo da Igreja da Coletividade, especialmente agora que a organização está demonstrando seu poderio com a reformulação da imagem do herói subaquático...
Conforme eu disse ali em cima, The Bloody Doors Off não chega a ser um primor, mas, comparado ao tanto que os episódios anteriores haviam sido insatisfatórios, é um puta avanço. A ação dentro de Sage Grove é intensa e bastante divertida, com diversos super-poderes bacanas, nojentos, ou as duas coisas ao mesmo tempo (destaque óbvio para o sujeito com a "Linguiça do Amor".). O maior mérito dessa sequência de ação talvez seja o fato de que ela serve a um propósito narrativo, e não é apenas barulho tentando tornar um capítulo aborrecido menos enfadonho.
É através dos acontecimentos em Cedar Grove que temos, tanto um vislumbre do passado dos rapazes (de Francês, Mallory e Facho de Luz em especial), e uma oportunidade de ver a relação entre Annie e Bruto se aprofundar.
A subtrama da Igreja da Coletividade não parece ir a lugar nenhum, e com apenas dois episódios para o fim da temporada, eu já estou conformado com a ideia de que isso vá ser melhor explorado apenas no terceiro ano, o que eu ainda não consigo entender é que espécie de clímax nós podemos esperar agora que faltam apenas dois episódios para a série terminar e não existe nenhuma espécie de conclusão narrativa à vista...
Enfim, vamos torcer para que ao menos o nível de diversão se mantenha. 

"-Todos que eu já amei estão enterrados. Mas então eu encontrei você. Nós encontramos um ao outro. E agora nenhum de nós terá que ficar sozinho novamente."


terça-feira, 6 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 5: We Gotta Go Now




We Gotta Go Now começa no meio das filmagens de A Origem dos Sete, o longa metragem a respeito do super-grupo estrelado pelos próprios heróis sendo interrompidas pelo vazamento de um vídeo do Capitão Pátria acidentalmente matando um civil enquanto casualmente massacra um terrorista. O pesadelo de relações públicas para o maior herói da Vought tem uma solução simples, segundo Tempesta, mas o Capitão Pátria não parece interessado em ouvir conselhos da pessoa roubando seu holofote. Ao menos não imediatamente...
Ao mesmo tempo, após ter escolhido o plano de ação mais idiota possível para recuperar Becca no episódio passado e ter sido rejeitado por ela, Billy parece decidido a abandonar de vez a luta contra os supers. Ele vai até a casa de sua tia para apanhar Terror, seu glorioso buldogue inglês a caminho da Argentina, mas acaba sendo duplamente interceptado. Primeiro por Hughie e Leitinho, e depois por Black Noir, que estava no encalço dos rapazes no episódio passado, levando a um grande impasse na casa da aparentemente inofensiva tia de Billy, Judy (Barbara Gordon).
E ainda temos tempo para ver a Rainha Maeve e sua namorada Elena (Nicola Correia-Damude) passarem por uma apresentação de como elas serão repaginadas como o novo grande casal lésbico dos Estados Unidos, a revelação de que Trem Bala está sendo compulsoriamente aposentado d'Os Sete, a decisão de Kimiko de procurar uma nova carreira e como isso impacta em sua relação com Francês, e descobrirmos que o Profundo se casou com uma das noivas em potencial que a Igreja da Coletividade lhe apresentou no episódio passado em mais um passo de sua tentativa de voltar a'Os Sete, e Annie reencontra sua mãe na pior companhia possível.
We Gotta Go Now é o episódio mais fraco da temporada até aqui. Quiçá um dos piores da série como um todo.
É difícil não ter a impressão de que os três primeiros episódios da temporada foram um ponto fora da curva, especialmente quando a opção da Amazon de tornar a série semanal parecem ter tornado os defeitos dos episódios mais evidentes do que suas qualidades.
O pior de tudo é a maneira como os personagens parecem estagnados nesses dois últimos dois capítulos, com arcos e subtramas se movimentando a passo de tartaruga em direção a lugar nenhum.
Vamos torcer para que o quarto e quinto episódios sejam acidentes de percurso em momentos de transição, e que a série reencontre o caminho para seus três últimos episódios.

"Nós estávamos esperando um final feliz, é? Bem, eu lamento Hughie, aqui não é esse tipo de casa de massagem."

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, episódio 4: Nothing Like It in the World



Quando Nothing Like it in the World começa, é basicamente dividindo os grupos e suas respectivas maneiras de lidar com os eventos do capítulo passado.

Kimiko segue tentando lidar com a morte do irmão nas mãos de Tempesta, e apesar de suas intenções, o Francês simplesmente não sabe se conectar com ela para consolá-la. Capitão Pátria não ficou nada satisfeito após a novata no grupo ter sido a responsável por eliminar o super-terrorista e ganhado um sonoro boost midiático no processo e começa a tocar o terror em todo mundo que cruza seu caminho, incluindo Maeve, Trem Bala e Annie, que confidencia a Hughie que não sabe muito bem pra onde as coisas irão de agora em diante.

Ao mesmo tempo, Billy vai ao encontro de Mallory se desculpar por ter, conforme ela aventara, ferrado tudo, mas recebe uma bandeira branca da ex-chefe. Uma tremenda bandeira branca:

A localização de Becca.

E uma pista a respeito da heroína de segunda classe dos anos 70 Liberdade, cujo nome estava por todos os lados nos arquivos da falecida Reynor. Os rapazes então, se dividem, e enquanto Bruto vai ao encontro de sua mulher, em uma área segura da Vought, Annie e Hughie vão para a Carolina do Norte investigar Liberdade junto com um contrariado Leitinho da Mãe.

Sem entrar no terreno dos spoilers, Nothing Like it in the World dá uma visível pisada no freio na comparação com os episódios anteriores. Ao longo de mais de uma hora, a trama avança muito pouco, e algumas das decisões dos personagens simplesmente não fazem sentido quando paramos para pensar a respeito. Outro problema é o ritmo do capítulo. Se eu elogiei o dinamismo do episódio anterior, é difícil não ficar surpreso com o quanto a trama parece arrastada aqui. Por mais que eu goste de ver Annie e Hughie juntos, e haja algo de maneiro em vê-los junto com Leitinho, a quantidade de exposição no segmento é excessiva e aborrecida mesmo que culmine com uma revelação interessante a respeito de um d'Os Sete.

Nos momentos focados em Billy, nós temos a oportunidade de ver o personagem de Karl Urban mostrar níveis de fragilidade que enriquecem o personagem apenas para, em seguida, mostrá-lo tomando o tipo de decisão tacanha que parece uma muleta narrativa das mais baratas, o que é algo frustrante, quase desonesto.

Ainda há tempo no episódio para vermos que a reformulação da imagem de Profundo organizado pela Igreja da Coletividade continua a passos largos, e que o nível de egocentrismo do Capitão Pátria é ainda mais perturbador do que se poderia imaginar...

No final das contas Nothing Like it in the World não foi dos episódios mais inspirados de The Boys, e eu não sei se a ideia da Amazon, de adotar um formato semanal para a temporada, não tem parte da culpa pelo tanto que esse capítulo soa insatisfatório, ou se a responsabilidade pesa sobre os três primeiros episódios da temporada, bem acima da média, seja como for, vamos torcer para que a segunda metade da temporada retome a qualidade.

"Você tem fãs. Eu tenho soldados."

sábado, 3 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 3: Over the Hill, with the Swords of a Thousand Men



Apesar do título quilométrico, o terceiro episódio dessa temporada de The Boys é o mais curto até aqui. E, a metragem de 56 minutos se justifica à medida em que nesse capítulo, pela primeira vez na temporada, as linhas narrativas mais ou menos paralelas de todos os protagonistas e co-protagonistas  convergem para um único ponto, o que, eu devo dizer, foi bem bacana.
O episódio começa com os rapazes em um iate, algumas milhas distantes da costa, onde eles mantém o super terrorista Kenji cativo. Enquanto Kimiko tenta convencer seu irmão a aceitar a proteção de Mallory, Billy espera trocar o rapaz pela localização de Becca, mas enquanto espera a chegada de seus contatos, ele se desculpa com Hughie por tê-lo esmurrado no desfecho do capítulo anterior.
O pedido de perdão de Billy não é dos melhores, mas ainda pior é o soco que Hughie acerta em seu colega.
Fica claro, nessa cena, que Hughie não está lidando bem com o retorno de Billy, o perigo no qual eles estão se envolvendo e as implicações morais de toda a situação. Mais do que isso, os rapazes parecem estar em completa dissonância, cada um com sua própria agenda pessoal, e esse tipo de desunião não pode ser boa para a equipe.
Enquanto os rapazes tentam juntar os cacos, Os Sete estão envolvidos em seus próprios negócios. Nesse caso, um longa metragem estrelado pelos próprios heróis intitulado A Origem dos Sete, que tem seu roteiro todo pichado por Tempesta enquanto Black Noir, Rainha Maeve e Luz das Estrelas bocejam e Trem Bala parece estar lidando com algum percalço em sua recuperação...
Ao mesmo tempo, o Capitão Pátria segue atormentando Becca, decidido a fazer Ryan (Cameron Crovetti) usar seus poderes, nem que para isso precise lhe dar um empurrãozinho e o Profundo segue sua "reprogramação" com a Igreja da Coletividade.
As coisas dão uma guinada quando os planos de Hughie e Annie rendem frutos, e o que parecia uma vitória fundamental dos rapazes os coloca de vez na mira da Vought e dos Sete, incluindo Profundo, que aconselhado por Carol parte em busca de seu momento de brilhar e voltar ao convívio da maior super-equipe da Terra.
E tudo isso é só a primeira metade do episódio, pois a segunda é toda tensão e ação, com direito, inclusive, a um impasse mexicano envolvendo Billy, Hughie, Capitão Pátria e Luz das Estrelas, alguns dos heróis mostrando quem realmente são, tudo isso regado a destruição, sangue e entranhas de baleia.
É fácil perceber porque a Amazon decidiu disponibilizar os três primeiros capítulos da temporada simultaneamente, para então passar a publicar um por semana em seu serviço de streaming. Esses capítulos são, facilmente, os melhores da série até aqui, e mesmo quem tinha uma relação morna com o programa, como é o meu caso, não pode negar o aumento na qualidade da série em seu segundo ano.
Over the Hill, with the Swords of a Thousand Men é ótimo, e consegue confluir uma série de tramas que vinham sendo exploradas desde o a temporada passada, incluindo o plano de Annie e Hughie para tentar tornar o Composto V público, com ideias mais novas, aventadas nos dois capítulos anteriores, como a ascensão de Tempesta e a reformulação do Profundo, além de preparar terreno para o que nos aguarda durante o restante da temporada.
Pela primeira vez desde que eu comecei a assistir a série, eu estou ansioso pelos próximos episódios.

"Eu acho que se houver uma maneira de ferrar tudo, você vai encontrar."
 

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, Temporada 2, Episódio 2: Proper Preparation and Planning


 


Um bocado de coisa acontece em Proper Preparation and Planning, segundo episódio da nova temporada de The Boys. Um bocado, mesmo. É uma hora de televisão que quase se parece com duas ou três, tamanha a quantidade de eventos que se desenrolam durante o capítulo, entretanto, palmas para os realizadores, tudo fica bem delineado o suficiente para que a audiência não se perca no caminho.

O episódio abre com Billy tentando concatenar onde Becca (Shantel VonSantem) está vivendo durante seu período desaparecida, e nos mostrando o que aconteceu com o líder dos rapazes após a cena que encerrou o season finale na temporada anterior. Se antes Bruto queria vingar sua esposa, agora ele a quer de volta, e, para conseguir isso, ele faz um acordo com Mallory (Laila Robins): Entregar o super-terrorista revelado no episódio passado em troca da localização de Becca. Parece um plano simples o suficiente, e que rende algumas das melhores cenas de ação do episódio, especialmente aquelas durante as quais os rapazes tentam capturar o terrorista (Abraham Lim), entretanto, a verdadeira identidade do sujeito pode ser um empecilho ao sucesso do plano...

Enquanto Billy tenta descobrir o paradeiro de Becca, ela tem seu prato cheio uma barbaridade já que, após levar uma mijada de Stan Edgar no episódio passado, Capitão Pátria resolve exercer seu poder absoluto em companhia de sua "família", tentando despertar os poderes de seu filho e transformá-lo em uma espécie de sidekick. E, ainda que Becca tente com todas as forças expulsá-lo, o super-herói mais poderoso do mundo parece irredutível em se sentir no comando em algum lugar após ser confrontado com sua relativa insignificância na cadeia de comando da Vought.

Ao mesmo tempo, o Profundo é apresentado aos métodos da Cientologia, digo, da Igreja da Coletividade. Após ser afiançado da prisão pelo Águia-Arqueiro (Langston Lerman) e apresentado a Carol (Jessica Hetch), ele passa por uma espécie de intervenção turbinada com drogas que o fazem passar por uma reveladora conversa com suas guelras (dubladas por Patton Oswalt).

A coisa toda é uma cômica representação da relação conflituosa que o Aquaman de araque tem com seu corpo. E a maneira leve (para os padrões da série) como a situação toda é tratada provavelmente fazem parte do esforço da trama para tornar um personagem com um cartão de visitas tão detestável como o que Profundo nos mostrou no primeiro episódio da série um pouco menos antipático, mesmo que seja o tornando patético...

Falando nos atos espúrios do Profundo no debite da série, sua vítima inicial, Luz das Estrelas também tem um bocado a fazer nesse episódio.

Ela tem seus primeiros momentos com a Tempesta, e não é injusto dizer que a suoer-heroína elétrica causa uma forte impressão em Annie. Tanto que fica nítida a impressão de que a loira pensa ter encontrado uma confidente e aliada em potência na novata.

Mas além de Tempesta, Trem-Bala (Jessie T. Usher) está de volta à equipe. E aparentemente ele está mordido o bastante para, além de não ligar para o fato de Annie e Hughie terem salvo sua vida na temporada passada, fica na cola da colega o suficiente para descobrir o seu acordo com o Lagartixa.

Como dá pra ver não faltou conteúdo no segundo capítulo da nova temporada de The Boys, ainda assim, com um tema central bem definido e uma condução bastante competente, Proper Preparation and Planning foi mais um capítulo sólido e divertido para o seriado que parece ter encontrado uma voz em seu segundo ano.


"Nós podemos fazer o que quisermos e ninguém pode nos impedir. Agora, essa é uma sensação boa, uma sensação realmente boa."

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Resenha Série: The Boys, temporada 2, episódio 1: The Big Ride

Eu não sou o maior fã de Garth Ennis. Pra ser bem franco, eu reconheço as qualidade do sujeito como escritor, mas sua maneira de escrever quadrinhos em geral, super-heróis em particular, jamais ressoou comigo, de modo que o trabalho do norte-irlandês sempre passou meio que batido, pra mim. Eu não sei quanto de minha reação neutra à primeira temporada de The Boys passa justamente por essa falta de afinidade com o trabalho do criador do material-fonte do seriado, mas, seja como for, eu achei a primeira temporada da série boa. 
Não excelente, não fenomenal, não ótima... 
Boa. 
Ainda assim, logo que os três primeiros capítulos do segundo ano foram disponibilizados pela Amazon no seu serviço Prime Video, eu fui logo tratar de me colocar a par de onde andavam os rapazes, Os Sete, e todo mundo entre os dois grupos. 
The Big Ride retoma de onde a temporada anterior terminara. Madelyn Stillwell (Elizabeth Shue) teve seu rosto carbonizado pelo Capitão Pátria (Antony Starr) que incriminou Billy Bruto (Karl Urban) pelo crime, e ainda esfregou a cara do ex-operativo da CIA na sujeira ao mostrar que sua esposa dada como morta não apenas estava viva e bem, mas também havia dado à luz o filho do super-psicopata. Enquanto Billy está sabe-Deus-onde após essa descoberta, Hughie (Jack Quaid), Leitinho (Laz Alonso), e Kimiko (Karen Fukuhara) estão escondidos com um grupo de criminosos do passado de Francês (Tomer Capon) planejando uma fuga dos Estados Unidos. Exceto por Hughie, que não está tão seguro de seu próximo passo. 
A despeito dos pepinos colossais que os rapazes tiveram que encarar na temporada anterior, ele segue em contato com Annie/Luz das Estrelas (Erin Moriarty), e não apenas no sentido "profissional" do relacionamento, conforme seu achaque por ela ter ido à uma cerimônia de premiação com Alden Ehrenreich deixa claro. Hughie e Annie ainda acreditam que podem expor a Vought se conseguirem uma amostra do Composto V para tornar o fato de a empresa criar super-heróis público e, para isso, Annie terá que cruzar seu caminho com o super-herói de quinta categoria chamado Lagartixa (David Thompson), que usa seus poderes de regeneração para propósitos bem menos nobres do que o combate ao mal... 
Enquanto os rapazes pensam no que fazer da vida, o Capitão Pátria tem seus próprios planos. Com a morte de Stillwell, o super-herói mais poderoso do mundo está crente que assumirá o lugar da executiva na gerência d'Os Sete, e deixa isso perfeitamente claro para sua pretensa chefe, Ashley (Colby Minifie). O líder do maior super-grupo da Terra planeja comandar a própria agenda, o próprio marketing e, mais do que isso, decidir quem entra e quem sai da sua equipe. Talvez por isso o choque de realidade que ele leva de Stan Edgar (Giancarlo Esposito) ao tentar barrar a entrada de Tempesta (Aya Cash) na equipe seja um golpe particularmente duro em seu colossal ego. 
Tempesta, por sinal, chega ao grupo chutando a porta. Ela faz transmissões ao vivo dos bastidores dos comerciais da equipe, tem uma presença massiva nas redes sociais e se comunica com os millenials de uma forma como nenhum outro membro da equipe é capaz, e o Capitão Pátria parece não gostar nem um pouco disso, e nem do fato de Edgar deixar bem claro que nenhum d'Os Sete é insubstituível para a Vought. 
E, quando os problemas dos rapazes parecem não terem mais pra onde aumentarem, eles descobrem que estão escondidos com um potencial grupo de traficantes de pessoas que está trazendo super-terroristas para os Estados Unidos, o que os leva a um explosivo encontro com a diretora Reynor (Jennifer Esposito). 
Ainda há tempo para vermos mais um pouco das desventuras do Profundo (Chance Crawford) em Ohio, e seu primeiro contato com a Igreja da Coletividade, uma instituição religiosa que promete ser capaz de devolvê-lo ao seu lugar de direito após ele atingir o fundo do poço e para Hughie e Annie começarem a divergir sobre toda a tentativa de ir à público com o Composto V além, é claro, de termos o retorno de Bruto à cena. 
O segundo ano de The Boys começou bem mais movimentado do que a primeira temporada havia terminado, e isso foi uma coisa boa. A entrada de novos personagens sem roubar em demasia o holofote dos veteranos, também foi positiva, e, de modo geral, esse primeiro episódio pareceu um bom cartão de visitas para a nova temporada, com tramas e temas bem delineados e uma narrativa sólida. Vamos torcer para que os futuros episódios mantenham a boa média. 

" -O ponto é, eu posso ser essa pessoa que ninguém acha que é incrível, mas que no fim das contas pode meio que ser incrível pra caralho."

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Adeus, Maestro

Após longo período de trevas eu volto a esse espaço de uma maneira deveras triste. Ironicamente, minha última postagem, do distante seis de julho, fora a respeito da morte de um artista a quem eu admirava, Ennio Moriconne, e hoje eu volto para render homenagem a outro criador cujo trabalho me enriqueceu e entreteu ao longo dos últimos anos: Joaquín Salvador Lavado Tejón. Por esse nomezão todo, talvez seja difícil saber de quem estou falando, já que esse brilhante cartunista argentino, nascido em Guaymallén a dezessete de julho de mil novecentos e trinta e dois ficou conhecido pelo apelido com o qual assinava suas tiras, Quino. Publicando profissionalmente desde 1954, Quino se transformaria em um ícone do cartum em 1964 quando uma personagem que criara para uma campanha publicitária de eletrodomésticos que jamais foi pra frente ganhou as páginas do semanário Primera Plana, a Mafalda. A pimpolha de seis anos de idade que desconsertava seus pais, professores e amigos com um arguto e questionador olhar para o status da sociedade transformou Quino em um dos principais nomes das artes gráficas em um país cheio de papas do gênero. Durante nove anos e quase duas mil tirinhas, Quino e Mafalda se inseriram no imaginário popular indagando os comos e os porquês de um mundo que obviamente não funcionava como deveria, até que o criador se cansou de sua criatura, e a aposentou em 1973 para se dedicar a outros personagens e outras narrativas sem jamais perder de vista a crítica política embrulhada em singeleza que tornaram Mafalda e Quino ícones. Aos oitenta e oito anos, Joaquín Salvador Lavado Tejada faleceu em decorrência de complicações após um AVC, mas Quino e seu trabalho, seguirão para sempre vivos, cativando os corações de gerações que colocarem as mãos em suas publicações.