Pesquisar este blog

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Resenha Filme: Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma


Ainda existiam cinemas de calçada em Porto Alegre no ano de 1999, quando Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma chegou aos cinemas. Existia também uma imensa expectativa com relação ao filme, o primeiro episódio daquele curioso "Episódio IV" de vinte e dois anos antes, no tapete de letras de Guerra nas Estrelas ou Star Wars ou Uma Nova Esperança...
Todo mundo queria ver o filme. Mais ou menos como estamos todos agora, às portas de O Despertar da Força.
O elenco havia sido montado com Liam Neeson, no papel do mestre Jedi Qui-Gon Jinn, Natalie Portman seria a mocinha Rainha Amidala, Ewan McGregor seria a cara rejuvenescida do padawan Obi-Wan Kenobi, enquanto Ian McDiarmid voltaria ao papel de Palpatine, então um senador de Naboo, junto com Frank OZ, novamente dando voz e movimento à marionete do mestre Yoda.
Além deles, a sueca Pernilla August, com um papel de Virgem Maria no cartel, repetia a rotina de mãe imaculada no papel de Shmi Skywalker, mãe do pequeno Anakin (Jake Lloyd), com Samuel L. Jackson, notório nerd, no papel do mestre Jedi Mace Windu, Ahmed Best como Jar-Jar Binks (provavelmente o primeiro personagem central totalmente digital do cinema), e Ray Park no papel do aprendiz Sith Darth Maul.
Como acontecera em Uma Nova Esperança, George Lucas acumulou as funções de diretor e roteirista além de produtor, e se pôs a contar a história que, segundo ele, não teve recursos técnicos para contar antes.
Era a história de como um embargo da Federação do Comércio ao planeta Naboo obrigava a ordem Jedi a enviar emissários para garantir a correta condução das negociações.
Após as tais negociações falharem de maneira inapelável, os Jedi, com a ajuda do habitante local do povo Gungan, Jar-Jar Binks, conseguiam chegar ao palácio da rainha Amidala, e levá-la para Coruscant, capital da república galáctica, onde ela poderia ser ouvida no Senado, e obter ajuda para seu povo sob a ameaça da guerra.
Infelizmente, na fuga, a nave da rainha era atacada, e, danificada, acabava sendo obrigada a aterrissar no remoto planeta desértico de Tatooine.
Lá, Qui-Gon procura entre os comerciantes de sucata locais por peças para consertar a nave da rainha. O que o leva a um encontro com o desprezível Watto e seu escravo Anakin.
Não demora a Qui-Gon perceber que Anakin é poderoso na Força. Mais do que isso, é um ponto de convergência para o que antes era um campo energético que mantinha a galáxia unida e neste filme virou uma infestação.
O conhecimento do potencial de Anakin leva Qui-Gon a apostar alto tentando obter a liberdade do menino junto a Watto em uma corrida de pods onde Anakin demonstra toda a extensão de suas habilidades.
Em Coruscant, Anakin é levado ao conselho Jedi, que inicialmente não concorda com o treinamento do menino que, nas palavras de Yoda, sente medo demais.
Entretanto, antes que uma resolução seja alcançada, a rainha Amidala, cansada da burocracia do senado, resolve voltar a Naboo e fazer uma aliança com os Gungans para enfrentar o exército robótico da Federação, e livrar seu planeta da ocupação dos comerciantes, algo que pode se tornar consideravelmente mais difícil à medida em que, por trás de toda a trama, encontra-se o mestre sith Darth Sidious e seu aprendiz, o mortal Darth Maul.
Acho que virou uma mania universal pichar A Ameaça Fantasma. Ninguém encontrou no filme aquilo que esperava. Os personagens eram rasos, a direção de atores foi pobre e George Lucas deixou bastante claro o tipo de problema que podia ser ter plenos poderes sobre o longa.
Se em termos de visual há passagens de encher os olhos. A cidade submersa dos Gungans, a câmara de discussão do senado, o duelo entre Qui-Gon e Obi-Wan contra Darth Maul... São todos momentos que se erguem à altura do legado de Star Wars. Infelizmente, eles são todos colocados a perder quase imediatamente ao serem seguidos por momentos onde algo não funciona.
Personagens mal-escritos e o desperdício de momentos cheios de potencial, como a separação de Shmi e Anakin ou a morte de Qui-Gon passam batidos seja pela ausência de talento dos atores (Jake Lloyd deixa bem claro porque só fez mais um filme depois de A Ameaça Fantasma) seja pela forma leviana como a situação é tratada no roteiro, a intrusão de Jar-Jar Binks, tão odiado que seria praticamente limado dos episódios seguintes, e os midi-chlorians.
No final das contas Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma ainda foi um sucesso de bilheteria, mas dividiu a crítica e o público, e muito mais presente do que a sombra de Darth Sidious sobre o futuro de Anakin, pesava a sombra de George Lucas e sua persona centralizadora sobre o Episódio II.

"-Você será um Jedi, Anakin. Eu lhe prometo."

Resenha Filme: Star Wars: Episódio VI - O Retorno de Jedi


Após um dos maiores finais da história do cinema no episódio anterior, O Retorno de Jedi ou Star Wars: Episódio VI - O Retorno de Jedi, tinha um bocado de pontas soltas para atar e uma violenta expectativa para cumprir.
Conforme fizera em O Império Contra-Ataca, George Lucas se concentrou na produção executiva e nos efeitos visuais (além de dirigir parte da segunda unidade e operar algumas câmeras B). A direção chegou a ser oferecida a David Cronenberg e David Lynch (!) que recusaram para seguir com projetos mais autorais, enquanto O Retorno de Jedi ficou com o galês Richard Marquand, o roteiro era novamente de Lawrence Kazdan trabalhando sobre a história original de George Lucas.
O Retorno de Jedi se passava um ano após os eventos de O Império Contra-ataca. O filme começava com os dróides C-3PO e R2-D2 chegando a fortaleza de Jabba, o Hutt nas montanhas de Tatooine.
Os dróides carregavam uma mensagem de Luke Skywalker para o notório mafioso, onde ele oferecia os robôs como um presente, num gesto de boa-vontade, como parte de uma permuta pela vida de Han Solo, congelado em carbonita e sob o domínio do vilão.
Daí pra frente, era uma escalada de tensão e aventura, com sequências de ação espetaculares se empilhando uma sobre a outra.
Da invasão de Luke à fortaleza, sua luta com o Rancor, a sequência no fosso do Sarlacc, onde Luke, Leia, Han, Lando e Chewbacca, com a ajuda dos dróides tocam o terror em Jabba e seus asseclas.
Após o resgate, Luke parte para Dagobah, para cumprir sua promessa e concluir seu treinamento dom Yoda, enquanto seus amigos se reagrupam com a Aliança Rebelde para planejar o próximo passo da guerra.
Em Dagobah, Luke descobriu que Yoda estava morrendo. Antes de se tornar um com a Força, o pequeno mestre confirmou que Darth Vader era de fato o pai de Luke, Anakin Skywalker, seduzido pelo imperador Palpatine e pelo lado sombrio da Força, Obi-Wan, em sua forma astral, lhe contava que havia mais um Skywalker, sua irmã gêmea Leia, e que seu destino era enfrentar Vader...
Enquanto isso, Leia, Han, Lando e companhia descobriam que o Império estava trabalhando na construção de uma segunda Estrela da Morte em uma tentativa de exterminar de uma vez por todas a Aliança Rebelde.
Mais do que isso, descobriam que a nova estação orbital bélica ainda não estava operacional, e que o imperador Palpatine em pessoa iria supervisionar o estágio final das obras.
Criando uma janela única para destruir a estação orbital e matar o imperador pondo um fim ao seu reinado de horror.
Para isso, uma equipe deverá ir até o gerador do escudo de energia que protege a Estrela da Morte na lua florestal de Endor, desabilitar o gerador, enquanto a esquadrão Rogue ataca a estação orbital em si.
Enquanto Han, Leia, Chewbacca e Luke vão a Endor com os dróides, Lando e Wedge Antilles (Dennis Lawson) liderarão o ataque à Estrela da Morte sob o comando do almirante Ackbar.
Em Endor, após serem separados por um ataque de stormtroopers e salvos pelos ewoks, diminutos habitantes peludos da lua, Luke se separa do resto do grupo, e parte para enfrentar seu destino com o intento, não de matar Vader, mas de redimir Anakin Skywalker.
Enquanto, com a ajuda dos ewoks, Han, Leia, Chewbacca, R2-D2 e C-3PO lutam para desabilitar o gerador de escudo da Estrela da Morte possibilitando o ataque de Lando e Wedge, Luke é levado por Vader à presença de Palpatine, que mostra que os planos obtidos pela aliança rebelde podem não ser precisos, uma vez que a Estrela da Morte está totalmente operacional, e que o que parecia uma oportunidade de ouro para a Aliança Rebelde é, na verdade, uma armadilha!
Star Wars : Episódio VI - O Retorno de Jedi não é, nem de longe, uma experiência tão densa e obscura quanto O Império Contra-Ataca, e nem parece uma história com princípio, meio e fim como Uma Nova Esperança, mas isso se explica pelo fato de o longa ser um desfecho de quase duas horas e quinze minutos.
O senso de urgência que se estende desde a primeira sequência de ação é plenamente justificado, e se alguma coisa não funciona em O Retorno de Jedi é apenas a batalha terrestre em Endor, onde os ewoks, ursos de pelúcia de um metro de altura armados com tacapes e arcos e flechas conseguem suplantar os Stortroopers, teoricamente a tropa de elite do império que comanda a galáxia com mão de ferro, mas mesmo essa alegoria George Lucasiana ao Vietnã passa incólume à medida em que todas as outras frentes do longa funcionam à perfeição, tornando o capítulo final da trilogia uma experiência ainda elevada pelo universo estabelecido no primeiro longa e onde ainda reverbera a sombra do segundo.
Nesse sentido, O Retorno de Jedi sucede, fechando com a nota certa a trilogia que redefiniu o cinema de aventura do Século XX.

"-Seu plano falhou, sua alteza. Eu nunca vou me voltar ao lado sombrio. Nunca. Eu sou um Jedi. Como meu pai antes de mim."

Resenha Filme: The Ridiculous Six


Eu vi críticas extremamente pesadas a The Ridiculous Six na internet. Tanto no Brasil quanto fora, todo mundo destruiu o filme de Adam Sandler, primeiro de uma parceria de quatro longas entre o serviço de streaming Netflix (que mudou minha relação com seriados) e a produtora do comediante, Happy Madison.
Não chegou a me surpreender que o filme fosse ruim. Eu sou um costumeiro detrator de Sandler a quem não acho engraçado. Nunca fui fã do comediante, nem no Saturday Night Live, nem em seus tenebrosos filmes de estréia, O Rei da Áfua, Um Maluco no Golfe, ou Billy Madison - Um Herdeiro Bobalhão... Pra não dizer que desprezo totalmente Sandler, gostei de Embriagado de Amor, Reine Sobre Mim, e sua única comédia que me agrada é Afinado no Amor.
Sandler dá a impressão de ser como aquele amigo pregador de peças que todo mundo tem. O sujeito que adora tirar sarro dos outros, mas fica fazendo beiço quando alguém prega uma peça nele. Em todos os seus filmes ele é um sujeito simplório e/ou de bom coração que bate em todo mundo, trolla todo mundo, é casado com uma tremenda gostosa e ainda é bom em esportes... Tudo bem que cinema é faz de conta, mas acho que até minha irmã consegue dar uma coça no Sandler.
Mas as críticas profundamente ressentidas que eu vi de The Ridiculous Six tinham menos a ver com a (má) qualidade das comédias de Sandler, e mais com o preconceito que o longa destilava contra mulheres e nativos americanos.
Foi por conta dessa faceta que ontem resolvi desperdiçar duas horas da minha vida e assistir The Ridiculous Six ao invés de mais um par de episódios de House of Cards.
No longa, escrito por Tim Herlihy e pelo próprio Sandler com direção de Frank Coraci conhecemos Tommy Faca Branca Stockburn (Sandler).
Tommy é um branco que ficou órfão após um pistoleiro assassinar sua mãe, e foi criado entre os apaches pelo chefe Águia que Grita. Adulto, ele se tornou exímio no uso de facas, forte, rápido, enfim, toda aquela ladainha que já nos acostumamos a ver nos filmes de Sandler, um Zohan do velho oeste, que aproveita-se de sua aparência para trafegar entre os brancos que desprezam os peles-vermelhas e fazer pequenas incursões à cidade com sua noiva, Raposa Quente (a linda Julia Jones).
Após uma dessas incursões, que acaba em uma briga com a gangue do Olho Esquerdo, a tribo de Faca Branca recebe uma visita de seu pai verdadeiro. O há muito desaparecido Frank Stockburn (Nick Nolte).
Frank conta a Tommy que após uma longa vida como fora da lei, ele juntou uma pequena fortuna, e quer dá-la a seu filho para que ele divida com sua tribo.
Antes que Frank e Tommy possam ir desenterrar o dinheiro, porém, a antiga gangue de Frank, agora sob o comando de Cicero (Danny Trejo) surge querendo sua parte. Frank diz que levará os bandidos até o dinheiro, contanto que Tommy e sua tribo sejam deixados em paz.
Assim que a gangue parte, Tommy decide seguir no rastro de seu pai, juntando as pistas deixadas pelo velho e cinquenta mil dólares, para alcançá-lo antes que Cicero o mate.
No caminho, porém, Tommy descobre que seu pai se divertiu um bocado na vida, e em cada cidade por onde passa, tem um, ou mais irmãos.
Não tarda para que ele conheça Ramón (Rob Schneider), Lil Pete (Taylor Lautner), Herm (Jorge Garcia, de Lost), Danny (Luke Wilson) e Chico (Terry Crews), e juntos, os seis ridículos comecem uma onda de crimes roubando de todos aqueles que são desonrados para obter os cinquenta mil dólares e salvar a pele do pai que a maioria jamais conheceu.
É óbvio que é ruim.
É uma comédia com Adam Sandler com todos os defeitos recorrentes das comédias de Adam Sandler. Das participações especiais dos amigos do ator (Jon Lovitz, Chris Kattan, John Turturro, Steve Buscemi, David Spade, Nick Swardson, Blake Clark, Chris Parnell, a esposa de Sandler, Jackie Sandler, além de Harvey Keitel, o jurado do The Voice americano Blake Shelton e, que Odin os perdoe, Vanilla Ice interpretando Mark Twain) aos prodígios físicos ímpares que o personagem do protagonista consegue realizar passando pela escatologia absoluta da diarreia do burro tudo o que torna os filmes de Sandler engraçados pro público americano médio (e aparentemente pro brasileiro médio, já que a maioria das atrocidades cinematográficas cometidas por Sandler estréia nos cinemas brasileiros.) está lá.
Vou ser franco e dizer que não. Não achei nada no roteiro particularmente ofensivo aos nativos americanos. Na verdade, os índios são as únicas pessoas sãs do filme. As piadas idiotas com os nomes das mulheres (Raposa Quente, Bafo de Castor e Nunca Usa Sutiã) não são nada comparados aos perenes papéis de vilão dos índios nos westerns de antigamente, e se todas as mulheres do filme são mostradas como donas de casa ou prostitutas... Ora, no que isso difere The Ridiculous Six de oito em dez outros faroestes?
O problema de The Ridiculous Six não é o preconceito racial ou de gênero de seu roteiro, é simplesmente a falta de graça. O único momento vagamente engraçado do filme é quando John Turturro aparece em cena como Abner Doubleday (o general da guerra civil americana a quem é creditada a invenção do beisebol.) ensinando um grupo a jogar beisebol (ou Bastões McShinkles), mas como eu disse, é vagamente engraçado, e isso porque as regras do esporte são de fato muito arbitrárias.
Em suma, The Ridiculous Six não é mais ofensivo que a maioria das boas comédias, nem mais estereotipado do que a maioria dos filmes em geral, é apenas um longa mal escrito, com uma estrutura narrativa pobre, más atuações, e sem graça. A epítome dos filmes de Adam Sandler.

"Esse foi um lance místico!"

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Resenha Filme: Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca


Quando a produção de O Império Contra-Ataca (ou Star Wars: Episódio V - O Império Contra Ataca) começou em meados de 1978, todo mundo já sabia que Uma Nova Esperança havia sido a maior bilheteria da história do cinema.
Se o orçamento do filme original era de oito milhões de dólares, e George Lucas e companhia tiveram que quebrar a cabeça com a Fox pra arrancar mais dois milhões e completar a produção, na melhor tradição de Joh Hammond, não se pouparam gastos na hora de fazer a sequência.
O orçamento original era de 18 milhões e meio de dólares, foi aumentado para 22, e depois para 25.
George Lucas, ainda colhendo os frutos de seus espertos acordos com a Fox, pôde se dar ao luxo de apenas produzir o filme e cuidar dos efeitos visuais, chamando seu ex-professor Irvin Kershner para dirigir o longa que foi roteirizado por Leigh Backett e Lawrence Kazdan, a partir da história original de Lucas.
É até engraçado pensar que, quando do lançamento do filme, em 1981, ele dividiu a crítica.
Episódio V é, de longe, o melhor segmento dos seis filmes da franquia até aqui. Depois da animada ópera espacial de Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca mergulhava no Lado Sombrio sem pestanejar, se aprofundando no desespero de uma guerra contra um inimigo impiedoso e infinitamente mais poderoso. As emoções dispostas em O Império Contra-Ataca ecoam em O Retorno de Jedi, e reverberam em Uma Nova Esperança, elevando o conjunto graças às acertadas escolhas da equipe de produção.
A história se situa três anos após os eventos de Uma Nova Esperança. A Estrela da Morte foi destruída, sim, mas Darth Vader continua vivo, e caçando de maneira incansável o indivíduo poderoso na Força que o derrotou.
Após um ataque imperial em Hoth (onde conhecemos os andadores AT-AT), a trinca principal de herói se separa, com R2-D2 e Luke partindo para Dagobah, onde o jovem deve finalizar seu treinamento Jedi com o poderoso guerreiro Yoda, enquanto Han, Leia Chewbacca e C-3PO, após conseguirem evitar o Império, acabam em Bespin, na Cidade das Nuvens comandada por um antigo amigo de Han, Lando Calrissian (Billy Dee Williams).
Essas linhas narrativas paralelas são ótimas.
De um lado temos Han e Leia Chewie e 3PO se envolvendo em aventuras que incluem voar entre um campo de asteroides, ser engolidos por um monstro gigante e uma inesperada recepção em Bespin, Luke é levado até seu limite pelo sábio mestre Yoda.
O alienígena de 900 anos de idade (com a voz do criador da marionete, Frank Oz) é feito com tal riqueza de detalhes e dublado com tanta paixão por Oz, que é impossível não aprender com o pequeno mestre.
Infelizmente, o treinamento de Luke ainda não está concluído quando ele precisa viajar a Bespin para salvar seus companheiros de uma armadilha.
Han, Leia e Chewie são traídos por Lando, C-3PO é desmantelado, e Darth Vader surge em toda a sua glória tenebrosa para condenar o contrabandista a ser congelado em carbonita e entregue ao caçador de recompensas Boba Fett, que por sua vez, irá levá-lo para Jabba, o Hutt, em Tattoine.
Luke vai bravamente ao encontro de Darth Vader, enfrenta o vilão com tudo o que tem, e é derrotado!
Mais do que isso, Luke tem a mão decepada durante o confronto, e descobre (isso ainda é um spoiler?) que Vader é seu pai!
E esse sequer é o momento definitivo do segmento. Este vem quando Luke prefere morrer, atirando-se do precipício abaixo de si, a viver como filho do vilão.
Claro, Luke não morre. Ele é sugado por um túnel de vento e acaba pendurado pelas pernas abaixo da Cidade suspensa.
Após falhar em impedir a partida de Boba, Leia, Chewie 3PO e R2, agora ajudados por Lando, conseguem retornar e salvar Luke, encerrando o filme com um dos maiores cliffhangers da história do cinema (eu fico entre esse e o final de De Volta Para o Futuro 2).
Mas vamos aos fatos:
Luke é filho de Vader, ficou claro que seu treinamento não estava concluído, Han foi capturado, e o Império deixou dolorosamente claro que ainda tinha a vantagem nessa guerra.
O final, com Lando prometendo encontrar Han, e Leia e Luke, com os dróides, olhando pela escotilha da fragata de escolta EF76 Nebulon-B enquanto a frota rebelde se reagrupa, é demais.
É até difícil pra mim, lembrar da avalanche de sentimentos quando eu assisti O Império Contra-Ataca pela primeira vez. Eu devia ter uns oito anos, e provavelmente poucas coisas devem ter superado o senso de maravilhamento que eu sentia vendo Star Wars. Na época, talvez a cinessérie do Superman me agradasse mais (eu saí correndo da sala chorando depois que o Superman tomou um banho de radiação vermelha abdicando de seus poderes na metade de Superman 2...), mas eu duvido que à época algum filme tenha tido mais impacto sobre mim.
O Império Contra-Ataca é sombrio e sinistro em seu tom e em seu final, é ainda mais envolvente do que o primeiro longa, desafiando as expectativas da audiência e levando a história a níveis inéditos enquanto cada um de nós, olhava pra tela encantado.

"-Se você ao menos conhecesse o poder do lado sombrio... Obi-Wan nunca lhe contou o que aconteceu com seu pai.
-Ele me disse o suficiente! Ele me contou que você o matou!
-Não... Eu sou seu pai."

Resenha Filme: Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança


Apenas duas ideias de Star Wars, ou Guerra nas Estrelas, o nome do filme quando eu assisti pela primeira vez numa noite de segunda na Tela Quente da Globo em idos dos anos oitenta (talvez 86? Talvez 88? Não lembro), já são chocantes o suficiente para tornar o filme digno de nota:
A primeira é que, a despeito de ser uma ficção científica desenrolando-se em um universo de alienígenas, naves estelares, armas laser e espadas de luz, a primeira informação que nos era oferecida era que a história se passava "Há muito tempo atrás".
Quando o tema principal trovejava na tela, e o tapete de letras começava a subir, a segunda informação inesperada:
Episódio IV.
Como assim, episódio 4? Cadê os outros três?
Nós só saberíamos alguns anos mais tarde (infelizmente), mas de qualquer forma, Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança nos posicionava em uma história que, não só ocorria no passado, mas que estava em andamento.
Não bastasse tudo isso, havia então, uma panorâmica do espaço, e então, a entrada em cena de uma corveta corelliana sendo perseguida pelo abissal destróier estelar imperial.
Tudo, nos primeiros minutos de Star Wars, era icônico.
Inclusive sua história:
O Império Galáctico dominava a tudo e a todos com a mão de ferro de Darth Vader fechada ao redor da garganta da liberdade, enquanto um punhado de idealistas lutava com todas as forças contra o grilhão da opressão na forma da Aliança Rebelde.
A nave de fuga não tinha chance, conforme ouvíamos de C-3PO (Anthony Daniels), um dróide de protocolo versado em mais de seis milhões de idiomas. Eles estavam perdidos, dizia ele a seu colega, o dróide de astronavegação R2-D2 (Kenny Baker. Sim, havia alguém dentro do dróidezinho)
Enquanto Vader (Interpretado por David Prowse e dublado por James Earl Jones) e sua tropa de soldados de elite, os stormtroopers em suas armaduras brancas, varriam a corveta, a princesa Leia Organa (Carrie Fisher, a primeira princesa durona de que sou capaz de me lembrar) escondia na unidade R2-D2 planos obtidos a muito custo, acerca da arma definitiva do Império:
A Estrela da Morte. Uma estação orbital bélica poderosa o suficiente para destruir todo um planeta.
Após descarregar os dados no computador de R2, Leia ordena que os dróides escapem da nave em um módulo de fuga enquanto ela confronta Vader e o Grão-Moff Tarfin (Peter Cushing).
O módulo dos dróides cai no desértico planeta de Tatooine, e não tarda para que os dróides sejam apanhados pelos Jawas, catadores e vendedores de sucata do deserto, e vendidos a Owen Lars (Phil Brown), um fazendeiro de umidade de Tatooine. É o sobrinho de Owen, Luke Skywalker (Mark Hammil), um jovem idealista, ansioso por escapar da vida medíocre em Tatooine e partir para desbravar a galáxia, quem descobre uma mensagem de Leia em R2, endereçada a Obi-Wan Kenobi.
Eventualmente a obstinação de R2 leva a um encontro de Luke com Obi-Wan (Alec Guiness), que lhe conta a respeito da Força, e de seu pai, um Jedi. A estirpe de guerreiros místicos que por mais de mil gerações protegeram a paz e a justiça na galáxia antes dos tempos sombrios do Império.
Luke e Obi-Wan deixam Tatooine junto com o contrabandista Han Solo (Harrison Ford) e seu copiloto Chewbacca (Peter Mayhew), e partem em uma missão para resgatar Leia, e pôr um fim à arma de destruição em massa do Império.
Foi assim, com a história da princesa, do salafrário e do garoto da fazenda, que George Lucas criou um capítulo ímpar da história do cinema.
Olhando em perspectiva, Star Wars é um filme bobo sob certos aspectos. O roteiro é repleto de falhas e clichês, além de resoluções simplistas para diversas questões.
Os personagens, ainda que bem definidos, são simples. Os stormtroopers jamais acertam alguém importante, e questões importantes como a destruição de Alderaan ou a morte de Owen e Beru jamais ganham o peso que poderiam. Guerra nas Estrelas, ou Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança, é bobo como um conto de fadas. É superficial e até cafona.
Mas é uma obra prima muito além do triunfo técnico obtido pela ILM de George Lucas e John Dykstra. Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança é o primeiro capítulo de uma saga que criou uma mitologia partilhada por milhões de "Jedi" ao redor do mundo. Star Wars foi um divisor de águas que influenciou praticamente todas as produções que a seguiram. Foi Uma Nova Esperança quem pôs fim à safra cinematográfica setentista de filmes intimistas e crus com cenários urbanos e criou a indústria de blockbusters de efeitos visuais graças à sua mistura de opera espacial folhetinesca com lendas e contos de fadas embrulhados em um visual arrebatador e entregue como um filme de ação.
Olhando em perspectiva, Episódio IV pode parecer (ora, vamos, e é...) o mais fraco dos filmes da trilogia clássica. Ainda assim, cumpriu com louvor seu papel, e estabeleceu as bases para o que estava por vir.
Para o bem, e para o mal.

"A Força é o que dá a um Jedi seu poder. É um campo de energia criado por todas as criaturas vivas. Ela nos cerca e nos penetra. Ela mantém a galáxia unida."

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O trailer de Star Trek - Beyond


A Paramount divulgou hoje o primeiro trailer de Star Trek - Beyond, terceiro filme da franquia após a singularidade temporal que criou uma nova linha do tempo em Star Trek, de 2009.
Na prévia, embalada por um Beastie Boys bem pegado (o clássico Sabotage), deixa bem claro: Com Justin Lin na direção, Star Trek é Velozes & Furiosos no espaço.
Confira:



O trailer obviamente revirou o estômago dos fãs puristas (e o quê não revira o estômago dos fãs puristas?), tem a maior cara de Guardiões da Galáxia, e se afasta solenemente do tom da série original de Gene Roddenberry e também do tom de J. J. Abrams para os dois primeiros filmes.
Star Trek - Beyond, ainda pode ser um filmaço, e muito divertido, mas olhando essa prévia, fica até fácil entender o desgosto dos fãs.
Dirigido por Justin Lin, Star Trek - Beyond, reúne Chris Pyne, Zachary Quinto, Zoe Saldaña, Karl Urban, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin além de Idris Elba e Sofia Boutella, o longa, que comemora os cinquenta anos da série original, estréia em 22 de julho de 2016.

Resenha Blu-Ray: Sob o Mesmo Céu


A certa altura do escândalo de e-mails da Sony sendo divulgados por um ataque hacker atribuído à Coréia do Norte, algumas palavras duras de Amy Pascal, então presidente do estúdio, vieram a público a respeito, justamente, de Sob o Mesmo Céu.
Entre outras coisas, a produtora dizia que o roteiro e os personagens não faziam nenhum sentido, e que, por mais que ela adorasse o diretor e os atores, o filme não funcionava jamais, em nenhum momento.
Não foi por causa das palavras de Pascal que eu não fui ao cinema assistir Sob o Mesmo Céu. Nesse ano de 2015 eu fui muito pouco ao cinema. Já disse antes que, se em anos anteriores eu cacei filmes pra assistir ao menos uma vez por semana, ás vezes mais, nos últimos doze meses a falta de educação da maioria dos frequentadores de cinemas, aliada ao excesso de filmes sendo exibidos em versão dublada me mantiveram afastado dos cineplexes.
No fim das contas eu não fui assistir Sob o Mesmo Céu apenas por falta de interesse puro e simples.
A premissa, Brian Gilcrest (Bradley Cooper), um ex-militar convertido em construtor para a firma do bilionário do ramo da segurança privada Carson Welch (Bill Murray) volta a seu Havaí natal para vistoriar o lançamento de um satélite, uma parceria entre o exército dos EUA e a empresa de Welch.
Gilcrest, que tem um passado conturbado com Welch (que jamais é explicado de maneira satisfatória), que resultou em ferimentos quase mortais ao ex-milico quando atuava para o ricaço no Afeganistão, pode ser a chave para obter o apoio dos nativos na construção de uma nova base aérea no arquipélago (Por que Gilcrest tem um trânsito tão bom com os nativos, também é um mistério).
Ao chegar ao Havaí de carona com o piloto Woodside (John Krasinski), Brian é apresentado à capitã Ng (Emma Stone), filha de mãe sueca e pai sino-havaiano (é... Tá bom...), a jovem militar surge durinha, distribuindo continências e falatório militar incessante apresentando-se como uma workaholic de carteirinha disposta a tudo para ascender na carreira.
Não fosse o suficiente, a esposa de Woodside é Tracy (Rachel McAdams), ex-namorada de Brian, que escapou dos encantos destrutivos do construtor (francamente, essa é outra coisa nublada no roteiro. Eu ainda não sei qual é o ramo de expertise do personagem...).
Tracy e Woody são um casal feliz, com uma família feliz, que inclui a jovem Grace (Danielle Rose Russel) e o pequeno Mitchell (Jaeden Lieberher, de Santo Vizinho).
Ou talvez eles não sejam tão felizes, já que o retorno de Brian ao Havaí parece desestabilizar um bocado a relação dos dois.
Enquanto se reconecta com Tracy, Brian tenta convencer os líderes locais a darem suas bençãos à construção da nova base militar, lida com a incansável capitã Ng e supervisiona o lançamento do satélite de Welch com o coronel "Dedos" Lacy (Danny McBride) e o general Dixon (Alec Baldwin) na sua cola.
Amy Pascal tinha razão...
Nada faz sentido.
O personagem de Bradley Cooper parece um bom sujeito, então não faz sentido que todos o odeiem tanto, Tracy é adorável demais pra ser real, e suas oscilações com relação à família e Brian são um tanto quanto abruptas (seu casamento com Wodside vai de "Muito feliz" a "problemático" sem aviso), da mesma forma, a personagem de Stone é tão irregular em sua construção, que fica difícil confundi-la com uma pessoa de verdade.
Ela surge como uma mini-exterminadora do futuro, disparando jargão militar, aguentando qualquer esforço físico e qualquer insulto de Gilcrest em nome da carreira, para, sem aviso, mostrar-se espiritualizada, ligada aos mitos havaianos, doce, artística e capaz de enxergar o bem inato no mocinho, e dispôr-se a tudo para ajudá-lo a amadurecer na melhor tradição das Manic Pixie Dream Girls do diretor/roteirista Cameron Crowe.
Há tanta coisa acontecendo de maneira simultânea em Sob o Mesmo Céu que o filme parece uma colcha de retalhos de dois ou três longas inacabados, de modo que não chega a ser surpreendente que nada funcione no filme (exceto a trilha sonora. Há que se tirar o chapéu pra Crowe nesse quesito).
Irregular e sem-sentido, Sob o Mesmo Céu é um violento desperdício de um bom elenco, um fracasso retumbante em todos os termos, e mais uma escorregada na carreira de Cameron Crowe, um diretor estabelecido e de reconhecido talento que, a bem da verdade, tem apenas dois êxitos indiscutíveis em seu cartel.
Se estiver muito curioso, assista de graça no Netflix. Sílvio Santos e eu recomendamos.

"Você vendeu sua alma tantas vezes que mais ninguém está comprando."