
Não existe, sabe? Nada de errado em sonhar. Em se nutrir um pensamento sem lá grande certeza de que vá, de fato, se tornar realidade. - Ele disse.
Caminhou até o lado dela, e sentou-se. Olhou em volta.
-Se tu parar e analisar, é tudo tão cru... Nos jogam bem na cara que a possibilidade de um final feliz é ínfima sempre, e aparentemente tudo o que nós fazemos só vai tornando mais e mais improvável que as coisas acabem como a gente quer, que... Sei lá. Ás vezes, pra certas coisas, o canal, mesmo, seria abraçar a impossibilidade. Saber que, mesmo que as coisas que queremos não pareçam possíveis, elas não são impossíveis. E lembrar que, a maior parte das coisas impossíveis só foram impossíveis até alguém fazer. Acho que, no final das contas, essa perspectiva... Essa possibilidade, ela tem que estar ali. Ela é meio que, o combustível da vida, manja?
Ela o encarava muito séria. Abriu um sorriso discreto:
-Esse otimismo todo não faz teu gênero.
Ele sorriu, também.
-Pois é. Eu sei. Se te perguntarem tu não ouviu isso tudo de mim, beleza?
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Ele segurou as mãos dela entre as suas, estava olhando-a nos olhos. Estava tudo preparado. Ele tinha quase certeza de que ela era especial. De que era a escolhida. Mas faltava um detalhezinho. Uma coisinha, pra ter certeza.
-Amor... - Ele começou. - Se a tua vida tivesse trilha sonora... Tu gostaria que ela fosse assinada por quem?
Ela ficou olhando pra ele em dúvida. Olhou pra cima e suspirou:
-Tipo... Tipo que nem trilha sonora de filmes, assim? Cada situação da minha vida teria uma música?
-É - Ele respondeu. -Tua vida teria temas musicais igual no cinema. Músicas pra quando tu estivesse triste, feliz ou vivesse um momento de triunfo... Se fosse assim, quem tu gostaria que assinasse a trilha da tua vida?
Ela ficou pensando brevemente. Deus um suspiro, e então fez "Ah!", enquanto erguia a mão:
-Já sei! Ia ser do Coldplay.
-Do Coldplay? - Ele perguntou sem conseguir esconder a decepção na própria voz.
-Sim. - Ela confirmou. -Por que, não? Tu gosta de Coldplay... Mais que eu, até.
-É... É uma banda boa, sim. - Ele confirmou. Levaram o resto da noite normalmente, sem nenhum arroubo. No fim, ele a deixou em casa e a beijou mecanicamente, dizendo "Nos vemos amanhã". Ele gostava de Coldplay, sim. E gostava dela. Mas a resposta correta, seria John Williams. Se ela tivesse dito John Williams, ele teria disparado Across The Stars no MP-3 player e dito, finalmente, que a amava. Ele teria aceitado Ennio Morricone. Afinal, a Untouchables End Credits também serviria a esse propósito, até Howard Shore teria feito o serviço com The Return of The King. Mas Coldplay... Coldplay não matou o que ele sentia por ela, de forma alguma, mas certamente fizera-o pensar melhor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário