Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
Pesquisar este blog
quarta-feira, 9 de julho de 2014
A Brabeza de George R. R. Martin
Em uma entrevista a um jornal suíço, George R. R. Martin, autor dos livros da série As Crônicas do Gelo e Fogo, a fonte para o programa Game of Thrones, da HBO, disse que considera extremamente ofensiva a preocupação dos fãs que acham que ele pode morrer antes de concluir a saga, e disse que os fãs que duvidam da sua capacidade de sobreviver aos livros podem ir "se foder".
Dos prometidos sete livros da série (originalmente imaginada como uma trilogia), Martin publicou cinco, trabalha no sexto, e afirma que podem vir a se tornar oito.
Ora, vamos. Se Ned Stark não sobreviveu UM livro inteiro, como é que nós podemos esperar que o Martin sobreviva a oito?
Eu não quero precisar recorrer à psicografia para saber o que acontece!
Brincadeira, vá...
Tudo bem, George, eu entendo a tua brabeza, é, mesmo indelicado o pessoal ficar aventando a tua morte prematura, mas entenda os fãs...
Se os teus personagens não tivessem se tornado tão queridos aos leitores dos livros e espectadores da série, ninguém ligaria.
O medo e a preocupação ofensivos dos fãs são reflexo da beleza do teu trabalho. Ninguém quer ficar sem saber o que acontece com Tyrion, Arya, Jaime, Davos e Daenerys... Todos nós amamos odiar a Cersei, o Hizdhar Zo Loraq, Gregor Clegane e Robert Strong... Ficar sem saber o que acontece a esses personagens é assustador para todos nós. Mesmo que haja a promessa de que os produtores da série sabem, quem confia neles após terem se distanciado tanto dos livros na última temporada?
Não, George... Não podemos confiar neles. Queremos as tuas palavras em preto no branco das páginas. Queremos os teus capítulos de pontos de vista repletos de uma humanidade quase crua que torna os heróis menos heroicos e os vilões menos vilanescos.
Queremos experimentar a tensão de saber que, na tua Westeros, nada é sagrado, e que mesmo os personagens mais adorados de todos podem morrer. Queremos roer as unhas pensando qual será o próximo Stark a encontrar um fim trágico pela tua pena sangrenta.
Então, perdoe-nos o mau jeito. Não queríamos ofender. Só nos preocupa quando o nosso autor preferido tem 65 anos de idade e corpinho de 75.
Mas se tu diz que consegue, vá lá, eu acredito.
Só apura um pouquinho, e pega leve nas frituras, tá? Não tem porque ficar brincando com a saúde, também...
A Cara da CBF
OK, OK... Sete a um foi meio excessivo, mas o que eu falei dia primeiro de julho ainda vale:
Seria injusto que esse título ficasse com o Brasil.
Essa seleção brasileira montada com cadeiras cativas para Fred e Hulk, com um treinador incapaz de treinar uma jogada além da pressão na saída do adversário, não tinha nem a mais remota chance de vencer uma seleção de ponta.
Se com as presenças de Neymar e Thiago Silva já teria sido extremamente improvável vencer uma Alemanha ou Holanda, sem eles a missão tornou-se impossível.
Basta olhar pra equipe brasileira pra saber que daquele mato não sai coelho.
Quando mesmo o craque do time (Neymar) desaparece em campo enfrentando Chile e Colômbia, quando os expoentes do escrete são a dupla de zaga, quando o outro jogador acima da média do time (Oscar) está sendo marcado pelo próprio treinador, os grandes adversários não têm muito o que temer.
A geração atual é tão fraca que Paulinho, um jogador absolutamente comum, vinha mal e foi substituído por Fernandinho, que ontem era desarmado como se fosse um boneco de gelatina pelo trator alemão Toni Kroos. Com laterais ofensivos que não sabem marcar, volantes fracos, e três jogadores se abstendo totalmente de funções defensivas (Hulk, Fred e Bernard), a defesa brasileira foi patrolada pelo time alemão.
Mesmo David Luiz, um dos poucos a se salvar do violento fiasco que foi a partida de ontem, teve alta parcela de responsabilidade em pelo menos dois gols alemães, o primeiro, de Muller, e o segundo gol marcado por Kroos (Acho, foram tantos que posso estar enganado.).
Mas é importante que fique claro que esse fiasco não é apenas do Luís Felipe Scolari, nem tampouco dos atletas, por piores que sejam. Esse é um fiasco da CBF como um todo.
O órgão gerente do futebol brasileiro, segundo Carlos Alberto Parreira "O Brasil que deu certo", é lixo.
É lixo e não é de hoje.
Comandada por uma dinastia de mafiosos e seus cupinchas desde os tempos de João Havelange, passando por Ricardo Teixeira e desembocando em José Maria Marin, a Confederação Brasileira de Futebol é um circo onde futebol é o que menos importa, contanto que os patrocinadores estejam enchendo seus cofres de dinheiro. Em nome de joguetes de interesses, escolhe-se a comissão técnica, compromete-se a preparação do time, e manda-se tudo longe, contanto que se pague, e o esporte que se exploda. Não é novidade que a CBF é corrupta e está à venda. Quem não lembra do que aconteceu à Portuguesa no ano passado, ou com o Internacional em 2005?
A seleção brasileira que levou 7 x 1 da Alemanha, ontem, é o reflexo da confederação que a organiza, decadente como muitos dos jogadores convocados, ultrapassada como as ideias de seus treinador, e precisando urgentemente de uma faxina como o Brasil em geral.
Que o impiedoso massacre da Alemanha ontem não tenha servido apenas para salvar o Brasil de perder a Copa para a Argentina, mas também pra fazer todos acordarem e perceberem que a CBF é um dos cânceres do futebol brasileiro, e precisa ser extirpado.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Resenha DVD: Nebraska
A imagem de abertura de Nebraska, com Woody Grant (Bruce Dern) andando com dificuldade pelo acostamento de uma rodovia de Montana até ser parado por um policial preocupado com aquele idoso dividindo espaço com os automóveis poderia ser uma carta de intenções e tanto do que se trata o filme de Alexander Payne (o rei dos road movies por trás de As Confissões de Schmidt, Sideways e Os Descendentes).
Naquela tomada, na dificuldade de Woody para andar, em sua dificuldade para respirar, na sua forma lacônica de responder com gestos óbvios aos questionamentos do policial que o interpela, existe uma decadência quase palpável.
O cenário urbano, a decrepitude do corpo de Woody em sua dificuldade para andar e de sua mente em sua incapacidade de ser claro com relação ao que quer (ou não quer) expressar... Tudo serviria para evocar um determinado tipo de aura, e apresentar um certo tipo de filme.
Mas não tema.
Há mais em Nebraska do que decrepitude e decadência.
Woody é um veterano da guerra da Coréia, mecânico aposentado que vive em Billings, Montana com sua esposa Kate (June Squibb), aparentemente apenas esperando que a demência o consuma.
Os sinais de demência começam a parecer mais fortes conforme Woody começa a fugir de casa, obrigando seu filho David (Will Forte, do Saturday Night Live) a sair do trabalho para procurá-lo nas ruas, ou apanhá-lo na delegacia.
Woody, porém, sabe pra onde quer ir.
Após receber uma carta de uma empresa de marketing oferecendo assinaturas de revista e a promessa de um prêmio de um milhão de dólares, Woody encasqueta de viajar até Lincoln, Nebraska, para apanhar, em pessoa, seu prêmio.
Sem que Kate ou seu filho mais velho, Ross (Bob Odenkirk, de Breaking Bad), consigam demovê-lo da ideia e convecê-lo de que se trata de um obvio golpe, David decide levar o pai a Lincoln, tanto para fazer sua vontade quanto para passar algum tempo com o velho e, por que, não? Se afastar um pouco dos próprios problemas.
David acabou de terminar um relacionamento de dois anos, trabalha como vendedor em uma loja de aparelhos de som e está entrando em uma crise de meia idade. Passar alguns dias na estrada com seu pai não parece uma ideia horrível.
A caminho de Lincoln, os dois acabam passando um final de semana na cidade natal de Woody, Hawthorne, onde sua chegada resulta em uma inesperada reunião de família e reencontros com velhos amigos como Ed Pegram (Stacy Keach).
A notícia de que ele se tornou "um milionário" porém, corre ligeira pela cidade, parecendo despertar o que há de pior em todos, mas, ao mesmo tempo, a viagem serve para David aprender um pouco mais sobre seu pai, e vê-lo além do alcoólatra de poucas palavras, encontrando na cidade natal de Woody uma insuspeita história de vida de um homem que sofreu na guerra, teve uma vida amorosa conturbada, e era reconhecido pela generosidade e ingenuidade, dessa forma, contrariando a impressão gerada por aquela imagem inicial, Nebraska deixa de ser a respeito de decrepitude ou decadência, ou mesmo a tristeza do delírio de fortuna do personagem central, mas sim uma bela história sobre sua vida oculta, seu passado e a surpresa de seu filho ao descobri-la.
Com um trabalho excepcional de Bruce Dern, demolidor como Woody, transitando entre o velho frágil, o rabugento e o aéreo com segurança, além dele, June Squibb está ótima como sua desbocada e enfurecida esposa, Kate, roubando a cena em várias ocasiões.
Forte e Odenkirk também vão bem, e Stacy Keach já entrou pro rol da fama dos sujeitos nojentos.
A direção de Payne é segura e tranquila, mesmo dirigindo um script que não foi escrito por ele (mas por Bob Nelson), algo raro em sua carreira, o cineasta está em seu ambiente com velhos solitários e adultos maduros passando por momentos de desilusão e solidão, e a linda fotografia em preto e branco de Phedon Papamichael é um bônus maneiro, emprestando estilo à paisagem monótona e feia de uma América tão decrépita e judiada quanto seus protagonistas.
Entre direção segura, bom roteiro, história tocante, bela fotografia e ótimo trabalho de elenco, não há muito que se dizer:
Assista Nebraska. Vale muito a pena.
"-Como foi que você e a mamãe acabaram se casando?
-Ela queria.
-E você, não?
-Eu pensei, pro inferno...
-E você alguma vez se arrependeu de ter casado com ela?
-O tempo todo."
sexta-feira, 4 de julho de 2014
O Novo(?) Traje do Superman
Viram a foto nova do Superman em Batman v Superman - Dawn of Justice?
Não?
Não perderam muita coisa. Seguindo o exemplo dos filmes do Homem-Aranha de Sam Raimi o traje é praticamente igual ao usado por Henry Cavill em O Homem de Aço, com sensíveis alterações que só podem ser percebidas com muita atenção, ou sendo um nerd muito cri-cri (o meu caso).
As poucas diferenças incluem um design diferente nos braceletes, na fivela flutuante do cinto, nas placas abaixo das costelas e nas botas.
Um escudo peitoral que parece um pouco menor, com um detalhe em corte no centro do "S" (não é um "S") e uma gola levemente mais fechada, além de um cabelo menos amplo na cabeça do herói.
Eu, particularmente gostei de não criarem um novo traje pro herói, a roupa do Superman é icônica, não funcional, é a herança de seu planeta natal, não haveria porque ela ficar mudando de um filme pro outro (já foi ruim o suficiente o traje não ter vindo na sua nave, mas sim ter sido encontrado em uma espaçonave exploratória qualquer).
Faz sentido que Batman e Homem de Ferro troquem de uniforme o tempo todo, afinal, seus trajes são feitos para desempenhar tarefas, de modo que sempre podem passar por um upgrade ou receber novas características, o do Superman não precisa disso.
Ponto pro Snyder, e vamos torcer pra que o traje da Mulher-"Magravilha" seja igualmente bem sacado, e que a Gal Gadot não pareça a Olívia Palito dentro dele...
Marcadores:
Cinema,
Nerd,
Recadinho,
super-heróis
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Quem Vê Cara...
Quem via os dois na rua, ele grandalhão, tímido, andando de mãos dadas com ela, bonita e cheia de uma doçura quase ingênua, por vezes ingênua de fato, os tomava quase de imediato por um casalzinho de nerds evangélicos daqueles bem sem-graça.
Quando os dois falavam do que faziam juntos, as pessoas os olhavam dando aquela tradicional quebrada de pescoço que é um sinal de admiração pela fofura, por vezes seguida do "óóóóóin", que pra muita gente escapa quase ao natural.
Era um tal de "Ele me busca no trabalho e a gente volta pra casa de mãos dadas" pra cá, "Eu pego ela na casa dela, a gente janta e vai ao cinema pra lá.", "A gente assiste desenho animado domingo à tardinha" daqui, "A gente joga RPG sábado de noite" dali... Tudo tão baunilha, tão engraçadinho, tão nerdinho... Que as pessoas olhavam pros dois com certa condescendência. Alguma piedade por um casal tão sem graça.
O que ninguém imaginava é que eles chegavam do cinema, começavam a se malhar vigorosamente, com ambos percorrendo o corpo um do outro com beijos e carícias, e ele pedia pra ela ficar de sapatos durante o sexo, ela sorria maliciosa e tirava a roupa bem devagarinho na frente dele, peça por peça, até que sobrassem apenas a calcinha e os sapatos, algum escarpim preto brilhante salto quinze.
Ele resfolegava quase num rosnado, a tomando pra si com força, beijando-a com sofreguidão e mordendo-lhe o lábio inferior enquanto ela o ajudava a se livrar de suas roupas fazendo particular alarido ao manusear a fivela do seu cinto.
O ato se dava sem que ele houvesse conseguido remover toda a sua roupa e com ela ainda de calcinha, a peça íntima apenas afastada para o lado enquanto ela o recebia em si.
Experimentavam posições diversas por mais de duas horas, e terminavam com ele ajoelhado diante dela, deitada sobre as costas, com os pés apoiados em seu peito, o salto agulha a ferir-lhe a pele enquanto ele arremetia de maneira incansável para dentro dela, descabelada, suada, com os olhos manchados de rímel e um sorriso selvagem no rosto, gemendo alto até ambos chegarem juntos ao clímax.
Aí, eles ficavam deitados lado a lado, fazendo carícias no rosto um do outro, ela rindo muito, ele falando muita bobagem, até resolverem tomar banho e ir dormir.
E ninguém nunca ficaria sabendo, porque o que eles faziam entre quatro paredes era da conta só dos dois, e se o resto do mundo quisesse continuar os vendo como um par de bobões, azar do mundo.
Eles não estavam nem aí pro resto da humanidade.
Só ligavam um pro outro.
Resenha DVD: O Grande Herói
Não há grande surpresa em assistir a um filme cujo título original (Lone Survivor) entrega o desfecho da história. Obviamente essa não é a preocupação do diretor/roteirista Peter Berg com seu filme, que abre com o protagonista Marcus Luttrell (Um esforçado Mark Wahlberg) todo arrebentado em cima de uma mesa de operações. A grande preocupação de Berg provavelmente era se recuperar do catastrófico Battleship - A Batalha dos Mares fazendo um filme de guerra visceral e bruto, tomando por base o livro do verdadeiro Marcus Luttrell, um fuzileiro naval americano que, em 2005 participou da malfadada missão Red Wings, descrita no filme. Ao filme, aliás...
No longa conhecemos o grupo de homens-rã especialistas em demolições dos fuzileiros navais dos EUA sediados no Afeganistão. Eles são Michael Murphy (Taylor Kitsch), Marcus Luttrell (Wahlberg), Danny Dietz (Emile Hirsch) e Matt "Axe" Axelson (Ben Foster). Eles são convocados pelo comandante Erik Kristensen (Eric Bana) para uma missão discreta em território inimigo, encontrar, capturar e eliminar Ahmad Shah, líder de uma milícia talibã.
Os quatro fuzileiros se embrenham em um território montanhoso, de difícil acesso e comunicações precárias para confirmar a posição de Shah, mas acabam descobertos por pastores de cabras locais. Os soldados votam entre matar os três e seguir conforme o planejado, ou libertá-los e abortar a missão. Decidindo pelas regras de confronto e optando pela segunda alternativa, eles tentam obter extração por rádio, mas com as comunicações precárias na região montanhosa, acabam presos em território inimigo, com recursos limitados e cercado por duzentos milicianos talibãs armados com metralhadoras, fuzis, morteiros e lançadores de granadas num desesperado esforço de sobrevivência.
Peter Berg certamente acerta a mão no tocante a crueza e brutalidade.
Os tiroteios do longa são tensos, bem filmados, repletos de urgência, graças ao trabalho do cinematógrafo Tobias A. Schliessler, parceiro costumeiro de Berg, que é acima da média, tornando todas as sequências de ação uma montanha russa.
Um filme, porém, não é feito só de tiroteios, nem mesmo um filme de guerra, e há muitos defeitos em O Grande Herói.
O diretor é descarado nas suas tentativas de emocionar a audiência. Ele firma a relação amorosa entre todos os soldados por alguns minutos no início do filme, deixando claro que são todos irmãos, que todos se adoram, e que são todos uns caras muito legais, pra então passar meia hora os explodindo, baleando, jogando ribanceira abaixo, tudo com requintes de crueldade, com feridas pintadas de vermelho vivo por um espertíssimo trabalho de maquiagem, e o ruído de ossos se partindo e carne rebentando a cada tombo improvável de uma beirada pedregosa.
O castigo físico que os personagens suportam, diga-se de passagem, chega a ser ridículo de tão sobre-humano, para Peter Berg os Navy Seals são super-homens.
Super-homens e super burros. Todas as decisões que os militares tomam durante a missão são absolutamente imbecis (Sério? Libertar os três sujeitos, incluindo o rapagão com ódio nos olhos sem ter certeza de uma extração por medo da côrte marcial e da resposta negativa da imprensa? Fazer uma operação de resgate com helicópteros de transporte de tropas sem cobertura dos apaches em um território inimigo apinhado de RPGs 7?), e os clichês do roteiro, cheio de propaganda pró-EUA em frases de dar vergonha, não ajudam, assim como mostrar os verdadeiros membros da operação nos créditos finais, um golpe de sentimentalismo dos mais baixos.
No final das contas, O Grande Herói não chega a ser horrível no conjunto, e até diverte por duas horas, mas quando passa por um escrutínio mais minucioso, perde demais.
Alugue se for um aficionado por filmes de guerra, outrossim, espere até a TV a cabo.
"-Você pode morrer pelo seu país, eu vou viver pelo meu."
terça-feira, 1 de julho de 2014
Selecinha
E a Copa, hein? A despeito da gastança desenfreada com retorno zero em termos de "legado", dos superfaturamentos que inevitavelmente serão descobertos após o torneio, dos "ídolos" falando bobagens como "Copa não se faz com hospitais", e do papelão que alguns jornalistas fizeram entrevistando sósias do Felipão, de uma coisa ninguém pode se queixar:
A qualidade dos jogos.
Fazia muito tempo que uma Copa do Mundo não tinha uma média de gols tão alta, com tanto equilíbrio nos duelos e tantos jogos bons. Até mesmo Coréia do Sul x Argélia, que todo mundo achava que seria uma pelada disputada entre o país do tae-kwon-do e o país do buzkashi (Tá, vá lá, é um esporte afegão, mas enfim. Não sabe que esporte é esse? Assista Rambo III) acabou sendo uma movimentada partida que terminou com cinco gols!
Em meio aos gols de Messi, Müller, Benzema e James Rodríguez, às caretas de Cristiano Ronaldo pro telão, os pulinhos do treinador do México, a surpreendente Costa Rica a gente até esquece as mazelas sócio-econômico-políticas do país (até por que os noticiários todos viraram mesas redondas onde só se fala de Copa, ou, como dizem os gremistas, côpa.).
Nesse cenário todo, porém, uma coisa salta aos olhos mais do que todas:
O deserto técnico que é essa seleção brasileira.
Eu acho que a única seleção que eu vi, que era pior do que a de hoje, foi a de 90. E olha que eu acompanhei a Seleção de 94, que era extremamente limitada, mas ao menos tinha Bebeto e Romário, e tinha uma defesa sólida com Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo/Branco, com Mauro Silva e Dunga na cabeça de área. Longe de ser um time de encher os olhos, a Seleção de 94 tinha vontade de vencer, e ao menos dois atacantes fora de série que decidiam.
O time brasileiro da "Copa das Copas" até tem uma dupla de jogadores acima da média, Neymar e Oscar, mas eles não conseguem carregar o time nas costas.
Neymar é indiscutivelmente craque (apesar de se tornar irritante o fato de a Globo o elevar à condição de igual de Messi, Cristiano Ronaldo e Zidane, o que ele não é), mas tem 22 anos, está longe de ter a maturidade necessária pra assumir a bronca e jogar sozinho no meio de uma defesa adversária.
Oscar é igualmente jovem, joga demais, é voluntarioso, inteligente e hábil, mas é prejudicado tanto pela falta de cancha quanto pelo esquema que torna ele o único armados do time, jogando bem aberto pela direita, quase um auxiliar de lateral-direito.
Além desses dois, temos três bons zagueiros no grupo, os titulares Thiago Silva e David Luiz, e o reserva Dante. E a seleção meio que termina por aí.
Se Paulinho, William, Fernandinho, Henrique, Maicon e outros são jogadores de comuns a bons, e nada além disso, outros, como Hulk, Fred e Daniel Alves são rematadas perebas, e, pior de tudo, têm ilusões de genialidade e cadeira cativa com o treinador.
O treinador, aliás, é outro problema. Felipão jamais foi um gênio tático. É um motivador retranqueirista cujos maiores trabalhos sempre primaram muito mais por força e empolgação do que por grande futebol. Felipão não sabe trabalhar com pouco recurso e a geração atual do futebol no Brasil é tão limitada que na hora do hino já tem jogador chorando de ruim... Se Felipão sabia tirar leite de pedra na época de Criciúma e grêmio, times pequenos que conseguiu alavancar a títulos importantes, perdeu o hábito após passar por Palmeiras, Cruzeiro, Chelsea... Se foi campeão do mundo em 2002 (Com Rivaldo voando, Ronaldinho e gordo Ronaldo jogando muito), também perdeu a Euro 2004 com Portugal jogando em casa para a modestíssima Grécia...
Pra piorar, não soube se reciclar, continua apostando no "vamo que vamo" e na "família Scolari" em detrimento da parte tática. Onde estão as variações de jogadas? Será que já não ficou claro que um armador sozinho não consegue fazer o time jogar? Daniel Alves e Marcelo já não deixaram bem claro que são duas perimetrais ao redor da defesa? O que dizer de Fred e Jô? E o Hulk?
A seleção brasileira está tão desnorteada, com os nervos tão em frangalhos que levou um tradicional vareio do Chile no sábado (achando ao acaso um gol no meio da defesa de oompa-loompas do adversário) com os jogadores desmoronando em prantos antes, durante e depois da partida.
Li em algum lugar que Scolari ficou preocupadíssimo após o jogo, inclusive convocando uma psicóloga pra dar uma levantada na moral dos jogadores.
Bacana... Mas ele poderia convocar um treinador reserva, também. Alguém pra treinar um pouco, manja? Umas variações de jogadas, umas saídas diferentes... Alguém pra cuidar do time enquanto ele faz propaganda de galinha assada, operadora de celular, super mercado...
Porque do jeito que está, com um time tecnicamente limitado, com os nervos em frangalhos, e sem treinamento, não há pênalti inventado que faça milagre.
Do jeito que está, seria muito INJUSTO se o título ficasse com essa seleção brasileira. Assim mesmo. Com letra minúscula.
Assinar:
Postagens (Atom)






