Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
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segunda-feira, 21 de julho de 2014
Resenha DVD: Operação Invasão 2
Quem não viu o primeiro Operação Invasão, bom sujeito não é.
Estamos falando de uma das melhores fitas de ação e artes marciais dos anos recentes. O longa dirigido pelo galês Gareth Evans mostrava uma operação de invasão (dã) da polícia de Jacarta a um edifício que servia de covil a traficantes de drogas. Descobertos pelos bandidos e traídos por seu superior corrupto, o tenente Wahyu, todo o esquadrão era massacrado, á exceção do policial Rama (Iko Uwais), que carregando o colega Bowo gravemente ferido, resolvia partir contra os criminosos até alcançar o chefão do crime Tama, uma tarefa indigesta à medida que, entre o policial e seu alvo, havia dúzias de criminosos armados até os dentes, incluindo aí o psicopata marcial Mad Dog.
Baita filme. Operação Invasão foi um tremendo sucesso entre fãs de longas de artes marciais, e graças ao boca-a-boca dos sortudos que viram o filme, ganhou o merecido reconhecimento que fez com que a sequência se tornasse particularmente esperada pelos fãs do estilo.
Novamente escrito e dirigido por Gareth Evans, Operação Invasão 2 começa imediatamente após o desfecho do primeiro longa.
Rama está frente a frente com o policial Bunawar, seu colega ferido, Bowo, e o tenente corrupto Wahyu. Após encaminhar Bowo para o hospital, e Wahyu para o necrotério, Bunawar faz uma proposta a Rama.
Seu triunfo contra Tama e seus homens, foi pequeno comparado ao grande trabalho de eliminar o crime de Jacarta, mas notável o suficiente para fazer com que Rama entrasse no radar dos sindicatos do crime, repletos de policiais e políticos corruptos e muito acima de Tama e seus homens.
Bunawar faz parte de uma pequena força-tarefa disposta a tudo para derrubar esses homens. Os verdadeiros chefões do crime da Indonésia.
Ele faz uma proposta a Rama:
O grupo de Bunawar pode garantir a segurança da esposa e do filho do policial, mas ele terá que se infiltrar na organização do perigoso Bangun, um dos cabeças do crime organizado local com laços profundos com policiais sujos como o comissário Reza.
Para se infiltrar nesse grupo, Rama precisa abandonar sua identidade como policial, e sua família. Ser preso como um delinquente, e fazer amizade com o filho de Bangun, Uco, também encarcerado.
Reticente no princípio, Rama acaba se convencendo da necessidade de proteger sua família, e aceita a missão.
Após dois anos preso, Rama, agora atendendo pela alcunha de Yuda, se tornou amigo de Uco, e é acolhido na organização criminosa de Bangun, o lançando nas entranhas do mundo do crime de Jacarta, onde a corrupção, a violência e a traição estão em toda a parte, um mundo difícil de se adentrar, e quiçá impossível de abandonar com vida!
Muito mais preocupado com trama e desenvolvimento de personagens do que o primeiro filme, Operação Invasão surpreende pelo andamento muito mais cadenciada, que abre mão da ação vertiginosa e quase ininterrupta do antecessor por uma intricada rede de intrigas e trairagens entrecortada por uma sequência de ação aqui e ali até o adrenalínico final.
Gareth Evans mantém o bom toque pra tensão e porradaria do primeiro filme, mas também abre o leque. Embora as atuações do longa sigam o modelo oriental, muito mais teatral e cheio de caras e bocas do que estamos acostumados, alguns atores conseguem se destacar como Arifin Putra, intérprete de Uco, mas ninguém estraga o filme por não saber atuar, mesmo Yayan Ruhian (intérprete de Mad Dog no primeiro filme, que retorna na sequência em outro papel) se esforça para dar estofo ao seu personagem.
Eu sei, a qualidade das atuações pode parecer irrelevante em um filme de ação indonésio, mas não se engane. Como eu disse antes, Operação Invasão 2 é muito mais cadenciado do que o filme original, se estendendo por duas horas e meia que não são porrada do início ao fim, então, não faz mal nenhum que os atores ao menos saibam quem seus personagens são. Por sorte Gareth Evans já tinha mostrado que consegue fazer isso no primeiro filme, quando, em menos de dez minutos, com mínimo diálogo, já havia estabelecido a identidade de seus heróis e vilões, e se alguns deles eram cartunescos então (Rama, Andi, Tama e Mad Dog eram todos personagens arquetípicos), continuam sendo agora, alguns até mais (como Alícia Hammer Girl, o Homem com o Bastão de Beisebol, Bangun, Uco, Eka e Prakoso, novo personagem de Ruhian), mas isso não importa, nem tira o brilho do longa, que se equilibra entre a trama do tira disfarçado evocando Os Infiltrados, e a ultra violência de uma fita de artes marciais. Se o durante do filme, vez que outra faz a audiência duvidar que está, de fato, vendo uma sequência do primeiro The Raid, o final do longa metragem, regado com sangue, martelos, bastões de beisebol, facas karambit e pancak silat pra tudo que é lado deixa absolutamente claro qual é a linhagem dessa segunda parte.
Alugue e divirta-se, vale horrores a pena.
E que venha Operação Invasão 3.
"-Não... Pra mim, chega."
Resenha Cinema: Sob a Pele
Quem leu a premissa de Sob a Pele, filme de alienígena comedora de gente disfarçada de mulher-sonho-de-consumo-de-qualquer-homem-em-idade-reprodutiva-ou-não, certamente teve lembranças de A Experiência e Garota Infernal, pra ficar nas mais óbvias evocações de o que seria um filme com essa premissa estrelada por Scarlett Johansson, que está na lista de top-10 mulheres gostosas do cinema de qualquer homem (certamente está na minha).
Curiosamente o diretor Jonathan Glazer (do bom Sexy Beast e do péssimo Reencarnação) foi na contramão de tudo o que era óbvio na hora de adaptar o livro de mesmo título escrito por Michael Faber em 2001.
Sob a Pele começa com a construção da pele da alien sem nome de Johansson enquanto ela fala palavras em ordem alfabética para a criação de sua voz. Imediatamente após, vemos seu ajudante (o ex-piloto de corridas Jeremy McWilliams) arrancar uma mulher morta do meio do mato, e colocá-la nos fundos de uma van.
Lá, Scarlett, em sua gloriosa nudez de mulher de verdade, despe a defunta, e rouba suas roupas. Dali, ela faz uma parada em um shopping, compra um casaco e maquiagem, e inicia sua caçada, parando desconhecidos a pretexto de pedir informações, apenas para seduzi-los, e levá-los a seu abatedouro, onde eles são transformados em alimento.
O trabalho da alienígena operária vai bem, com sua beleza, sua vozinha rouca, e seus generosos atributos físicos, até mesmo sem querer ela obtém comida, entretanto, um encontro com uma vítima, acende uma fagulha de questionamento na caçadora, e ela começa a desenvolver empatia e compaixão por sua presa, a levando a uma fuga e a uma jornada para tentar se descobrir.
OK... Eu gosto de cinema... De cinemão espetaculoso, mesmo. Vingadores, O Homem de Aço, O Hobbit... Mas também sou capaz de curtir cinema mais autoral, me agrada a ideia de tentar desvendar um filme, ou de ver um filme que te obriga a pensar para acompanhar o que está acontecendo ao invés de mastigar a trama e regurgitar pra audiência.
Talvez com Sob a Pele, essa fosse a intenção de Glazer.
Criar um filme onde não há exposição excessiva, onde não há mocinhos ou bandidos, nem explosões, correria e perseguições, ou mesmo romances com final feliz.
Sob certa ótica ele consegue.
Não há nada hiper exposto em Sob a Pele. Nem sequer exposto, pra falar a verdade. Deduzimos que a personagem sem nome de Scarlett é uma alienígena pela abertura do filme e pelo pôster estrelado. Supomos que ela se alimenta dos homens, ou que ela alimenta alguém por causa de duas cenas que sugerem isso. Apenas sugerem.
Podemos deduzir que ela tem um tipo de supervisor... E podemos apenas supôr que a personagem central está fugindo dele quando se cansa de levar homens para a casa da sala negra...
Nada disso é explicado. Com cerca de uma hora e meia, há pouquíssimos diálogos em Sob a Pele, reduzidos à conversa fiada que a protagonista utiliza para seduzir suas presas. E se de certa forma é instigante que a primeira metade do filme, enquanto Scarlett caça, seja assim, despida de conversas e explicações (quem é que estaria interessado em mais uma mitologia besta de aliens comedores de gente? Podemos passar sem), a segunda metade, quando ela se rebela contra sua função, chegando a ser acolhida por um terráqueo, poderia e até deveria ter mais diálogos.
Mas não tem.
Tudo recai sobre as imagens.
As cenas são lentas, silenciosas, reduzidas ao som ambiente, à trilha sonora minimalista, ou entrecortadas por falas breves, tomadas contemplativas, e a criação muda de uma atmosfera muito mais agourenta e maçante do que amedrontadora.
Scarlett Johansson, único nome reconhecível do elenco, faz o que pode em um papel sem muito texto nem espectro emocional, sua função é ser atraente em algumas cenas e parecer perdida em outras, ela se esforça mas a verdade é que não salvaria Sob a Pele nem que passasse o filme todo pelada (tá... Talvez salvasse, vá...).
Em seu admirável esforço autoral para criar um retrato de uma humanidade falha, que passa cega às belezas da vida sem assumir o papel de vilão ou herói de sua própria história, Glazer e o roteirista Walter Campbell criaram um filme lento, que parece mais interessado em abrir brechas para a audiência ter ideias, do que em apresentar e desenvolver qualquer ideia própria.
Pra piorar, toda a trama arrastada e simbólica, se estende em sua marcha lenta sem oferecer nada de realmente relevante, e quando termina, o faz em um encerramento algo abrupto que não oferece desfecho à "não" história que acompanhamos nos noventa minutos anteriores.
Uma pena.
Até seria interessante assistir a um filme de alien sedutora devoradora de homens que almejasse mais. Sob a Pele, porém, não é esse filme.
Assista quando sair em DVD se quiser muito ver a Scarlett nua. É, no final das contas, o ponto alto do filme.
"-Você quer me tocar?"
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Resenha Cinema: Transcendence - A Revolução
É até surpreendente a quantidade de nomes e rostos reconhecíveis que Martin Pfister angariou para o elenco de seu debute na cadeira de diretor cinematográfico.
Lá estão Johnny Depp, Paul Bettany, Morgan Freeman, Rebecca Hall, Cillian Murphy (esses três últimos egressos de filmes de Christopher Nolan, com quem Pfister trabalhou por anos como diretor de fotografia), além de Kate Mara, Clifton Collins Jr. e Cole Hauser. Esse time nada desprezível se juntou ao cineasta para transformar em filme o roteiro do novato Jack Plagen sobre o cientista Will Caster (Depp), um dos maiores nomes da tecnologia de inteligência artificial, que após um atentado engendrado por um grupo terrorista tecnofóbico, vê-se as portas da morte.
Com um mês de vida pela frente, a esposa de Will, Evelyn, pede ajuda ao melhor amigo do casal, Max (Bettany), para escanear a mente do visionário moribundo, e fazer o upload dela em um poderoso computador, onde ele poderá viver indefinidamente como a primeira inteligência artificial verdadeiramente autônoma da história da humanidade!
Max e Evelyn sucedem em seu intento, e pouco após a morte de Caster, ele ressurge nas telas do computador onde sua consciência foi instalada.
De imediato, Will pede para ser ligado à internet, pois sua consciência expandida lhe permitirá realizar em pouco tempo os mais fantásticos avanços que a ciência jamais viu.
Conforme a sede de conhecimento e poder de Will cresce conforme sua mente evolui para uma entidade onipresente, os piores temores de Max e Evelyn parecem se concretizar a medida em que a única certeza para o evento que eles testemunham é o que pode não haver forma de detê-lo!
É visível a inexperiência de Pfister em Transcendence - A Revolução. Fica muito óbvia a falta de malandragem e traquejo do comandante do projeto para aparar as arestas que estão em toda a parte na fita. O roteiro de Plagen não ajuda. Além de não ser exatamente original, é repleto de uma qualidade meio pretensiosa, se achando mais esperto e relevante do que de fato é.
Não bastasse isso, de pouco vale ter um elenco conhecido e talentoso quando os atores são mal utilizados.
Johnny Depp está intragável no papel do cientista que vira computador, revivendo os maus momentos que parecem ter virado regra na filmografia recente do ator transformado em astro por Jack Sparrow, que tem usado sua influência e status para projetos cada vez piores.
Rebecca Hall, a feia mais gatinha de Hollywood também já viu dias melhores. Morgan Freeman e Cillian Murphy fazem figuração de luxo, só com caras e bocas, e Kate Mara, cuja única qualidade é ser bonitinha, está esquisita com um cabelo descolorido medonho. Se salva Paul Bettany, aparentemente o único ator do elenco que comprou a ideia do roteiro (também premiado por ter o único papel vagamente interessante), tentando atuar sempre que a oportunidade se apresenta, mas nada que salve Transcendence - A Revolução do naufrágio cataclísmico que ele efetivamente se torna.
É uma pena, mas ao menos serve de lição, para que, no futuro, Plagen e Pfister se toquem que para ser inteligente, um filme não precisa ser pedante.
Assista na TV a cabo, ou por curiosidade mórbida.
"-O que você está fazendo, Will? Nãos não podemos lutar com eles.
-Nós não vamos lutar com eles. Vamos transcendê-los."
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Resenha Cinema: Transformers - A Era da Extinção
Transformers era um bom filme. Falando sério. O primeiro filme, de 2007, dirigido por Michael Bay e produzido por Steven Spielberg era um sci-fi muito competente. Era honesto, divertido, despretensioso e movimentado. Não se pode exigir muito mais de uma fita de ação estrelada por robôs gigantes que foram criados com o único e exclusivo propósito de vender brinquedos.
O filme era bom sim. E foi tão bem de bilheteria que, em 2009, ganhou uma sequência. O irregular Transformers - A Vingança dos Fallen, que nem de longe era tão maneiro quanto o primeiro, mas continuava engraçado, tinha ótimas lutas de robôs gigantes e, claro, a Megan Fox de shortinho em cima da motocicleta, uma imagem que, sozinha, valia um ingresso, ou pelo menos um pôster.
O terceiro filme, deu uma descambada, novamente dirigido por Michael Bay e estrelado por Shia LaBeuf, saiu Megan Fox e entrou Rosie Huntington-Whiteley numa trama sem pé e nem cabeça. Os momentos genuinamente engraçados eram poucos, a trama totalmente sem sentido e, após dois filmes, mesmo as lutas entre robôs gigantes e robôs abissais abraçados em edifícios já não impressionavam tanto.
Ao final da "trilogia", ficava a impressão de que, se Transformers havia feito alguma coisa de bom pelo cinema além de mostrar Megan Fox correndo em câmera lenta, as lutas brutais entre Optimus Prime e qualquer Decepticon, e garantir que Gillermo Del Toro obtivesse recursos para realizar Círculo de Fogo, ninguém ficou sabendo.
Ainda assim, o terceiro filme era uma produção cinematográfica que faturara mais de um bilhão de dólares em bilheterias, de modo que era virtualmente impossível manter essa máquina de fazer dinheiro longe dos cinemas.
E lá estavam novamente Michael Bay, papa dos filmes de ação sem cérebro e o roteirista Ehren Krugger, egresso do segundo e terceiro filmes da franquia para criar mais uma aventura de Autobots e Decepticons.
Transformers - A Era da Extinção se passa três anos após os eventos do terceiro filme, quando a guerra entre Autobots e Decepticons devastou Chicago.
O governo dos EUA pede que qualquer atividade alienígena seja relatada imediatamente, e um braço da CIA criou uma força-tarefa encarregada unicamente de caçar e destruir o povo de Cybertron, não importa se são vilões ou mocinhos.
Essa força tarefa é encabeçada por Harold Attinger (Kelsey Grammer), ex-superintendente da CIA que, ao lado do industrial Joshua Joyce (Stanley Tucci, interpretando uma cópia de Steve Jobs), planeja usar o código genético dos Transformers para produzir, a partir de um material chamado Transformium (é, eu sei...), seu próprio exército de robôs transmorfos.
Ao mesmo tempo, o engenheiro mecânico e inventor fracassado Cade Yeager (Mark Wahlberg), tentando conseguir dinheiro para garantir a faculdade de sua filha Tessa (Nikola Peltz, gostosinha e insossa), compra e reforma sucata.
Em uma de suas negociatas em um antigo cinema por fechar, ele compra um caminhão parcialmente destruído. Ao examiná-lo, descobre tratar-se (claro) de um Transformer, e não qualquer Transformer, Optimus Prime em pessoa!
Cade ajuda Optimus, mas acaba na mira dos homens de Attinger, que invadem sua casa e ameaçam sua filha, salvos por Optimus, Cade, Tessa e seu namorado secreto Shane (Jack Reynor) ficam na mira do governo dos EUA, e agora precisam descobrir por que os Transformers estão sendo caçados pelos humanos, e por que o misterioso Lockdown, o caçador de recompensas intergaláctico, está garantindo que tenham sucesso!
Bem...
Em pelo menos duas ocasiões do filme, o personagem de Wahlberg diz que espera que alguém olhe pro lixo e veja um tesouro. Talvez seja o mote de Michael Bay e Ehren Krugger e sua esperança quando as pessoas assistem Transformers - A Era da Extinção.
Porque o filme é lixo.
Não é o pior longa metragem de todos os tempos, mas o quarto filme da série é apenas uma coleção de explosões, lutas e perseguições automobilísticas que simplesmente não fazem sentido a menos que tu esteja assistindo ao filme em uma tela com doze andares de altura e um quilômetro de largura. É informação visual demais na tela, e pior, informação inútil, já que a trama é rasa feito um pires e frágil que nem casca de ovo.
Os personagens são bobos no sentido de serem mal-construídos ou bobos porque só fazem bobagem, e nem mesmo os reforços de peso na bublagem (John Goodman dá voz a Hound, um robô gordo e barbudo que fuma charutos de metal, e Ken Watanabe dubla Drift, um robô samurai) servem pra alguma coisa no meio da tempestade de explosões, tiroteios, carros arremessados pelo ar e dinossauros robôs cuspidores de fogo.
Com todos os ingredientes dos filmes de Michael Bay, da luz alaranjada que sempre faz parecer que está amanhecendo ou anoitecendo às tomadas com a câmera rodopiando ao redor dos personagens, Transformers - A Era da Extinção é descartável e megalomaníaco como todo o resto do cinema do diretor, mas já perdeu o impacto e a relevância que faziam a série valer a ida ao cinema.
Espere sair em DVD, e enquanto isso assista de novo a qualquer outro filme da franquia. Dá na mesma.
"-Adolescentes...
-Eu passei pela mesma coisa com Bumblebee."
terça-feira, 15 de julho de 2014
Rapidinhas do Capita
Sabe aquelas bobagens que fazem neguinho perder a vontade de ler quadrinhos? Essas coisas tipo Novos 52, Saga do Clone, Homem-Aranha Superior e tal?
Como não poderia deixar de ser, mais uma surgiu.
A pataquada da vez é da Marvel. A editora divulgou que, em sua nova fase, Thor, o Deus do Trovão, será uma mulher.
É.
O Thor, vai ser uma mulher.
E antes que tu te pergute se é uma parceira ou versão feminina, estilo Mulher-Aranha ou Batgirl, reproduzo as palavras de Ryan Penagos, diretor executivo de editorial da Marvel Digital (que porra de cargo é esse...):
"Essa não é a Mulher-Thor. Essa não é Lady Thor. Essa não é Thorita. Essa é Thor."
Então, em sua nova fase nos quadrinhos (escritos por Jason Aaron e ilustrada por Russel Dauterman), Thor seguirá o caminho de Loki (durante a fase escrita por J. Michael Strakzinsky) e experimentará uma fase transgênero.
E depois me perguntam porque eu só leio encadernados de quadrinhos antigos...
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Um dos personagens mais maneiros da quarta temporada de Game of Thrones pode ter ganhado sua herdeira no quinto ano da série.
Explico, segundo o jornal neo-zelandês New Zealand Herald, Keisha Castle-Hughes, de A Encantadora de Baleias, teria sido escalada para o papel de uma das bastardas de Oberyn Martell (Pedro Pascal).
Nos livros, as filhas de Oberyn são oito, e atendem pela alcunha de Serpentes da Areia, um grupo de mulheres fortes e cascudas que causam uma dor de cabeça danada ao princípe Doran, irmão mais velho de Oberyn.
O papel de Keisha Castle-Hughes seria o de Nymeria Sand.
Apesar de serem oito, nos livros, apenas três Serpentes da Areia devem aparecer na série.
Por enquanto trate essa informação como mera especulação, não muito melhor do que a notícia que dizia que Selton Mello seria Doran Martell.
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Feliz dia do homem, rapeize. Honrem suas bolas.
Top 10 Casa do Capita: Games Baseados em Filmes
Conversava com um amigo meu a respeito da má qualidade dos filmes baseados em videogames. Após relembrarmos pérolas como Street Fighter com Jean Claude Van Damme, Super Mario Bros. com Bob Hoskins e John Leguizamo, e a longeva série Resident Evil, com Milla Jovovich, acabei ficando na cabeça com as obras que fizeram o caminho inverso, e migraram do cinema aos consoles.
Analisando friamente, a verdade é que há o mesmo déficit de qualidade por ambas as vias. Seja dos games pras telonas, ou vice e versa, a combinação entre games e filmes raramente valem a mídia em que são armazenados. Há inclusive quem diga que o pior game jamais feito é uma adaptação do filme E.T. - O Extraterrestre para o Atari 3600, que de tão ruim, teve suas cópias enterradas em um canto remoto do Novo México nos anos 80. Mas nem precisa ir tão longe. De Homem de Ferro a Lanterna Verde, passando por A Ilha da Garganta Cortada, Missão: Impossível e Piratas do Caribe, esses tenebrosos caça-niqueis que abrem mão do desenvolvimento para tentar faturar um trocado à custa de um grande (ou nem tanto) lançamento cinematográfico lotam as prateleiras das lojas de games a cada temporada, de modo que, muito mais difícil do que elencar os fracassos, é tentar encontrar dez deles que valham a jogatina.
Foi com isso em mente que surgiu mais um infame top-10 Casa do Capita, dedicado aos melhores games baseados em filmes.
A ele:
10 - Star Wars - Shadows of the Empire (LucasArts, 1996)
Muita gente pode torcer o nariz para esse game lançado no distante ano de 1996 para computadores e Nintendo 64, mas eu, francamente, sou incapaz de entender por quê.
Em Shadows of the Empire o jogador encarnava Dash Rendar, um contrabandista amigo de Han Solo que desempenhava um importante papel em eventos ocultos da saga entre os episódios V e VI, quando o príncipe Xizor tentava assumir a posição de Darth Vader ao lado do imperador Palpatine.
Shadows of the Empire tinha uma jogabilidade mista muito bacana, permitindo que o player experimentasse um jogo de tiro em terceira pessoa, corridas de speeder bike e combate aéreo e espacial. A atmosfera era excelente, os gráficos estavam na média da época, e os controles, mesmo com o joystick jumbo do N64, não eram nenhum pesadelo. Com uma história bem amarrada e cheia de referências à trilogia clássica, um protagonista cativante e uma engenharia de fases esperta, que obrigava o jogador a estar ligado com seus pontos de vida e munição, o game tem um lugar de destaque entre os games que nasceram de filmes, e um lugar carinhoso na coleção dos fãs da saga espacial mais amada do universo.
9 - X-Men Origins - Wolverine (Raven Software, Activision, 2009)
Quer experiência mais satisfatória pra um nerd do que liberar a fúria do Wolverine retalhando, surrando, desmembrando e eviscerando a bandidagem enquanto sofre danos absurdos sendo imolado até o seu esqueleto de adamantium apenas para parar alguns segundos e então ver sua carne crescendo de volta apenas o suficiente para começar a massacrar a próxima leva de inimigos?
Era exatamente o que X-Men Origins - Wolverine Uncaged, game baseado no horroroso filme de 2008 oferecia.
Apesar de se basear livremente no odioso filme solo do mutante canadense, o game se aprofundava sem vergonha no universo dos quadrinhos dando a oportunidade de enfrentar monstros de lava gigantes, criaturas que entravam em combustão espontânea e até um robô sentinela, tudo isso sem abrir mão do sangue, tripas e gosma que os fãs sempre quiseram ver ao se imaginar no controle do mutante mais perigoso do mundo.
8 - The Lord of The Rings - The Two Towers (Eletronic Arts, 2002)
O game baseado em O Senhor dos Anéis - As Duas Torres, mostrava diversos eventos de A Sociedade do Anel e transitava até o desfecho de As Duas Torres dando ao jogador a oportunidade de encarnar Aragorn, Legolas ou Gimli em um saboroso hack and slash contra as forças de Sauron.
Longe de ser um primor de gráficos, enredo ou mesmo jogabilidade, O Senhor dos Anéis tinha uma cara danada daqueles esmaga-botões divertidíssimos da infância, embalado num dos maiores espetáculos cinematográficos que uma geração inteira pôde presenciar. Eu cheguei a fazer calos dos dedos jogando a versão de Game Cube.
7 - Star Wars - Rogue Squadron II: Rogue Leader (LucasArts, Factor 5, 2001)
Mais um game de Star Wars que fez a alegria de milhares de gamers ao redor do mundo. Se o primeiro game da série Rogue Squadron era um divertido jogo de ação, a segunda incursão da LucasArts pelos cockpits de X-Wings, Snowspeeders e Y-Wings era muito superior em todos os aspectos, incluindo aí os gráficos, que receberam tratamento especial já que o game era uma das jóias do lançamento do Nintendo Game Cube.
Oferecendo ao jogador a oportunidade de tomar o lugar de Wedge Antilles, principal piloto da Aliança Rebelde, ou de Luke Skywalker, dependendo da fase, Rogue Squadron II: Rogue Leader passeava pelas principais batalhas da trilogia clássica com missões por vezes encardidas de proteger ou encontrar e destruir por cenários de encher os olhos ao longo de dez estágios por vezes apinhados de Walkers, Tie-Fighters, turretes e Stormtroopers.
Com dublagem de Dennis Lawson, o Wedge Antilles original, som de primeira, e gráficos top de linha da sua época, Rogue Squadron II: Rogue Leader, é tudo o que um simulador de voo de Star Wars deveria ser.
6 - The Lord of the Rings - The Return of the King (Eletronic Arts, 2003)
The Lord of the Rings - The Two Towers foi um game que fez uma ótima carreira na época de seu lançamento. Aproveitando o hype da trilogia cinematográfica de O Senhor dos Anéis, em um game divertido e simples, a EA viu que podia faturar ainda mais se desse uma caprichada, e, rapaz, como eles capricharam.
The Lord of the Rings - The Return of the King era um jogo superior ao antecessor em todos os aspectos. Dos gráficos, à música, passando pela jogabilidade, tamanho e fator replay, TRotK era muito mais jogo que TTT.
O game foi renderizado com duas vezes mais polígonos do que o antecessor, foi inteiro desenhado tomando por base a arte dos filmes da New Line, era dublado pelos atores da trilogia, tinha a música de Howard Shore, ambientes muito maiores, mais interativos e menos lineares, quantidades absurdas de inimigos, um sistema de aprimoramentos mais elaborado, além de três linhas narrativas para seguir com oito personagens jogáveis abarcando os eventos do terceiro filme desde a batalha do Abismo de Helm.
Só a possibilidade de jogar como Gandalf, um Gandalf virtualmente invencível (se tu fizesse tudo direitinho) defendendo Minas Tirith do ataque inclemente das forças de Mordor já garante uma posição para esse game na lista.
5 - Ghostbusters: The Video Game (Atari, Sony, 2009)
Algumas pessoas continuam querendo ver um terceiro filme dos Caça-Fantasmas, que já era uma aposta de risco mesmo antes da morte de Harold Ramis, um dos roteiristas originais e o Egon Spengler dos filmes.
Eu estou no time de Bill Murray, e acho um terceiro longa totalmente dispensável, tanto pela perda de Ramis, quanto porque já existe uma sequência para Os Caça-Fantasmas 2, e é esse Ghostbusters: The Video Game.
O jogo lançado em 2009 pela Atari e Sony é uma carta de amor a Os Caça-Fantasmas, e tudo o que um eventual terceiro filme poderia sonhar em ser um dia. Todos o elenco original está presente, a história se passa em novembro de 1991, tem participação de Ramis e Dan Aykroid nos roteiros e usa e abusa de efeitos visuais que inexistiam na época dos filmes originais, de modo que faz tudo o que um terceiro filme poderia fazer hoje em dia, mas melhor.
O game, um jogo de tiro em terceira pessoa que troca armas comuns por mochilas aceleradoras e feixes de prótons, acompanha os Caça-Fantasmas após terem se tornado contratados da cidade de Nova York, e, contratando um novo membro (um personagem sem nome, chamado de "novato" pelos demais por sugestão de Peter Venkman, para evitar se apegar demais a ele caso algo aconteça), vendo-se as voltas com uma nova trama que culmina com uma grotesca invasão de fantasmas e espíritos demoníacos na cidade.
Embora tenha lá seus defeitos, Ghostbusters: The Video Game tem gráficos excelentes, música de primeira, vozes dos atores originais e uma história bem amarrada que permite ao player a experiência mais próxima de ser um Caça-Fantasmas. Quer melhor do que isso?
4 - Star Wars - The Force Unleashed (LucasArts, 2008)
Pela primeira vez na história dos consoles, o jogador era um Jedi com a possibilidade de fazer tudo, eu disse TUDO, o que um Jedi pode fazer.
Isso, por si só, já garante posição de destaque a Star Wars - The Force Unleashed, game que acompanhava Galen Marek, codinome Starkiller, filho de um cavaleiro Jedi morto durante o expurgo subsequente à Ordem 66, que era cooptado como um aprendiz por Darth Vader e transformado em um peão para os planos do lorde negro de Sith, até ser traído e fazer o caminho oposto ao de Anakin Skywalker, indo das profundezas do lado sombrio até a redenção como um verdadeiro cavaleiro Jedi a serviço do lado luminoso da Força e da incipiente Aliança Rebelde.
Visualmente muito bonito, com boa música, trabalho de dublagem acima da média e uma história bacana que conseguia ser relevante mesmo em meio à pirotecnia de poderes Jedi levados até o limite e além, The Force Unleashed realizou sonhos e fez a alegria de um monte de guri que sempre quis fugir para uma galáxia bem, em distante, e fazer carreira como Jedi.
3 - Aliens vs Predator 2 (Monolith Productions, Fox Interactive, 2001)
Com gráficos meia-boca e olhe lá, o game permitia ao jogador escolher entre ser um Predador, grande, forte, equipado com armamento de altíssima tecnologia, um xenomorfo alien, sorrateiro, ligeiro, mortal ou criar a experiência mais tensa e assustadora que se podia ter num computador à época:
Jogar a campanha como um colonial marine.
Entenda-se que, ao fazer isso, tu estava assumindo a decisão consciente de ser um humano frágil em meio aos xenomorfos alienígenas de sangue ácido que podiam despencar do teto a qualquer segundo, e os predadores alienígenas armados até os dentes que podiam estar bem atrás de ti com o canhão de plasma no ombro, as lâminas de pulso ou a lança apontada pra tua nuca.
Embora a campanha fosse bastante divertida, o multiplayer com seis modos é que era o grande barato do game. Quem nunca ficou invisível num canto esperando os amigos passarem pra desmontá-los com uma rajada de plasma não sabe o que perdeu...
2 - Goldeneye 007 (Rare, Nintendo, 1997)
Goldeneye 007 fez apenas uma coisa:
Criou o game de tiro em primeira-pessoa como o conhecemos hoje.
Pode parecer exagero, mas não é. O game da Rare lançado para Nintendo 64 foi provavelmente o primeiro jogo de tiro com todas as características que se exigem de um FPS atual.
A variedade de armas e gadgets, cenários e objetivos, o ritmo quase frenético de determinadas fases, o desespero de ver Natalya Fyodorovna Simonova se enfiando no meio do tiroteio enquanto tu tentava proteger uma das mais irritantes personagens de todos os tempos em qualquer videogame, tudo isso, mais um dos primeiros bons multiplayers da história dos consoles, criava uma experiência de jogo única.
O prazer de pegar uma arma em cada mão e tocar o horror nos soldados russos e nos capangas de Janus era um lance sem preço!
1 - Spider-Man 2 (Treyarch, Activision 2004)
O Homem-Aranha já tinha tido alguns bons jogos ao longo dos anos. Spider-Man and Venom vs. Maximum Carnage, para Super NES, Spider-Man para PS1 e Nintendo 64, e até o game do primeiro filme, Spider-Man, que tinha algumas falhas bem irritantes mas não era nenhum horror, funcionavam bem.
Mas foi em 2004 que finalmente foi encontrada "A" fórmula para um game do cabeça de teia: Spider-Man 2, game baseado no filme de mesmo título, entregou o que era, até então, a melhor experiência de ser um super-herói.
Num game sandbox com uma Manhattan e áreas adjacentes de tamanho considerável, cheia de emergências aleatórias que requeriam a intervenção do herói, além de um storyline que seguia e extrapolava os eventos do filme, a Activision e a Treyarch não criaram uma cópia perfeita de Nova York, mas criaram a Nova York perfeita para o Homem-Aranha, cheia de arranha-céus, crimes e super-vilões.
Com gráficos bons, dublagem do elenco original do filme, e um game infinito (após terminar a storyline o jogador podia jogar indefinidamente pela cidade, pois sempre haviam mais crimes ocorrendo), Spider-Man 2 é, para este humilde escriba, o melhor game baseado em um filme.
Analisando friamente, a verdade é que há o mesmo déficit de qualidade por ambas as vias. Seja dos games pras telonas, ou vice e versa, a combinação entre games e filmes raramente valem a mídia em que são armazenados. Há inclusive quem diga que o pior game jamais feito é uma adaptação do filme E.T. - O Extraterrestre para o Atari 3600, que de tão ruim, teve suas cópias enterradas em um canto remoto do Novo México nos anos 80. Mas nem precisa ir tão longe. De Homem de Ferro a Lanterna Verde, passando por A Ilha da Garganta Cortada, Missão: Impossível e Piratas do Caribe, esses tenebrosos caça-niqueis que abrem mão do desenvolvimento para tentar faturar um trocado à custa de um grande (ou nem tanto) lançamento cinematográfico lotam as prateleiras das lojas de games a cada temporada, de modo que, muito mais difícil do que elencar os fracassos, é tentar encontrar dez deles que valham a jogatina.
Foi com isso em mente que surgiu mais um infame top-10 Casa do Capita, dedicado aos melhores games baseados em filmes.
A ele:
10 - Star Wars - Shadows of the Empire (LucasArts, 1996)
Muita gente pode torcer o nariz para esse game lançado no distante ano de 1996 para computadores e Nintendo 64, mas eu, francamente, sou incapaz de entender por quê.
Em Shadows of the Empire o jogador encarnava Dash Rendar, um contrabandista amigo de Han Solo que desempenhava um importante papel em eventos ocultos da saga entre os episódios V e VI, quando o príncipe Xizor tentava assumir a posição de Darth Vader ao lado do imperador Palpatine.
Shadows of the Empire tinha uma jogabilidade mista muito bacana, permitindo que o player experimentasse um jogo de tiro em terceira pessoa, corridas de speeder bike e combate aéreo e espacial. A atmosfera era excelente, os gráficos estavam na média da época, e os controles, mesmo com o joystick jumbo do N64, não eram nenhum pesadelo. Com uma história bem amarrada e cheia de referências à trilogia clássica, um protagonista cativante e uma engenharia de fases esperta, que obrigava o jogador a estar ligado com seus pontos de vida e munição, o game tem um lugar de destaque entre os games que nasceram de filmes, e um lugar carinhoso na coleção dos fãs da saga espacial mais amada do universo.
9 - X-Men Origins - Wolverine (Raven Software, Activision, 2009)
Quer experiência mais satisfatória pra um nerd do que liberar a fúria do Wolverine retalhando, surrando, desmembrando e eviscerando a bandidagem enquanto sofre danos absurdos sendo imolado até o seu esqueleto de adamantium apenas para parar alguns segundos e então ver sua carne crescendo de volta apenas o suficiente para começar a massacrar a próxima leva de inimigos?
Era exatamente o que X-Men Origins - Wolverine Uncaged, game baseado no horroroso filme de 2008 oferecia.
Apesar de se basear livremente no odioso filme solo do mutante canadense, o game se aprofundava sem vergonha no universo dos quadrinhos dando a oportunidade de enfrentar monstros de lava gigantes, criaturas que entravam em combustão espontânea e até um robô sentinela, tudo isso sem abrir mão do sangue, tripas e gosma que os fãs sempre quiseram ver ao se imaginar no controle do mutante mais perigoso do mundo.
8 - The Lord of The Rings - The Two Towers (Eletronic Arts, 2002)
O game baseado em O Senhor dos Anéis - As Duas Torres, mostrava diversos eventos de A Sociedade do Anel e transitava até o desfecho de As Duas Torres dando ao jogador a oportunidade de encarnar Aragorn, Legolas ou Gimli em um saboroso hack and slash contra as forças de Sauron.
Longe de ser um primor de gráficos, enredo ou mesmo jogabilidade, O Senhor dos Anéis tinha uma cara danada daqueles esmaga-botões divertidíssimos da infância, embalado num dos maiores espetáculos cinematográficos que uma geração inteira pôde presenciar. Eu cheguei a fazer calos dos dedos jogando a versão de Game Cube.
7 - Star Wars - Rogue Squadron II: Rogue Leader (LucasArts, Factor 5, 2001)
Mais um game de Star Wars que fez a alegria de milhares de gamers ao redor do mundo. Se o primeiro game da série Rogue Squadron era um divertido jogo de ação, a segunda incursão da LucasArts pelos cockpits de X-Wings, Snowspeeders e Y-Wings era muito superior em todos os aspectos, incluindo aí os gráficos, que receberam tratamento especial já que o game era uma das jóias do lançamento do Nintendo Game Cube.
Oferecendo ao jogador a oportunidade de tomar o lugar de Wedge Antilles, principal piloto da Aliança Rebelde, ou de Luke Skywalker, dependendo da fase, Rogue Squadron II: Rogue Leader passeava pelas principais batalhas da trilogia clássica com missões por vezes encardidas de proteger ou encontrar e destruir por cenários de encher os olhos ao longo de dez estágios por vezes apinhados de Walkers, Tie-Fighters, turretes e Stormtroopers.
Com dublagem de Dennis Lawson, o Wedge Antilles original, som de primeira, e gráficos top de linha da sua época, Rogue Squadron II: Rogue Leader, é tudo o que um simulador de voo de Star Wars deveria ser.
6 - The Lord of the Rings - The Return of the King (Eletronic Arts, 2003)
The Lord of the Rings - The Two Towers foi um game que fez uma ótima carreira na época de seu lançamento. Aproveitando o hype da trilogia cinematográfica de O Senhor dos Anéis, em um game divertido e simples, a EA viu que podia faturar ainda mais se desse uma caprichada, e, rapaz, como eles capricharam.
The Lord of the Rings - The Return of the King era um jogo superior ao antecessor em todos os aspectos. Dos gráficos, à música, passando pela jogabilidade, tamanho e fator replay, TRotK era muito mais jogo que TTT.
O game foi renderizado com duas vezes mais polígonos do que o antecessor, foi inteiro desenhado tomando por base a arte dos filmes da New Line, era dublado pelos atores da trilogia, tinha a música de Howard Shore, ambientes muito maiores, mais interativos e menos lineares, quantidades absurdas de inimigos, um sistema de aprimoramentos mais elaborado, além de três linhas narrativas para seguir com oito personagens jogáveis abarcando os eventos do terceiro filme desde a batalha do Abismo de Helm.
Só a possibilidade de jogar como Gandalf, um Gandalf virtualmente invencível (se tu fizesse tudo direitinho) defendendo Minas Tirith do ataque inclemente das forças de Mordor já garante uma posição para esse game na lista.
5 - Ghostbusters: The Video Game (Atari, Sony, 2009)
Algumas pessoas continuam querendo ver um terceiro filme dos Caça-Fantasmas, que já era uma aposta de risco mesmo antes da morte de Harold Ramis, um dos roteiristas originais e o Egon Spengler dos filmes.
Eu estou no time de Bill Murray, e acho um terceiro longa totalmente dispensável, tanto pela perda de Ramis, quanto porque já existe uma sequência para Os Caça-Fantasmas 2, e é esse Ghostbusters: The Video Game.
O jogo lançado em 2009 pela Atari e Sony é uma carta de amor a Os Caça-Fantasmas, e tudo o que um eventual terceiro filme poderia sonhar em ser um dia. Todos o elenco original está presente, a história se passa em novembro de 1991, tem participação de Ramis e Dan Aykroid nos roteiros e usa e abusa de efeitos visuais que inexistiam na época dos filmes originais, de modo que faz tudo o que um terceiro filme poderia fazer hoje em dia, mas melhor.
O game, um jogo de tiro em terceira pessoa que troca armas comuns por mochilas aceleradoras e feixes de prótons, acompanha os Caça-Fantasmas após terem se tornado contratados da cidade de Nova York, e, contratando um novo membro (um personagem sem nome, chamado de "novato" pelos demais por sugestão de Peter Venkman, para evitar se apegar demais a ele caso algo aconteça), vendo-se as voltas com uma nova trama que culmina com uma grotesca invasão de fantasmas e espíritos demoníacos na cidade.
Embora tenha lá seus defeitos, Ghostbusters: The Video Game tem gráficos excelentes, música de primeira, vozes dos atores originais e uma história bem amarrada que permite ao player a experiência mais próxima de ser um Caça-Fantasmas. Quer melhor do que isso?
4 - Star Wars - The Force Unleashed (LucasArts, 2008)
Pela primeira vez na história dos consoles, o jogador era um Jedi com a possibilidade de fazer tudo, eu disse TUDO, o que um Jedi pode fazer.
Isso, por si só, já garante posição de destaque a Star Wars - The Force Unleashed, game que acompanhava Galen Marek, codinome Starkiller, filho de um cavaleiro Jedi morto durante o expurgo subsequente à Ordem 66, que era cooptado como um aprendiz por Darth Vader e transformado em um peão para os planos do lorde negro de Sith, até ser traído e fazer o caminho oposto ao de Anakin Skywalker, indo das profundezas do lado sombrio até a redenção como um verdadeiro cavaleiro Jedi a serviço do lado luminoso da Força e da incipiente Aliança Rebelde.
Visualmente muito bonito, com boa música, trabalho de dublagem acima da média e uma história bacana que conseguia ser relevante mesmo em meio à pirotecnia de poderes Jedi levados até o limite e além, The Force Unleashed realizou sonhos e fez a alegria de um monte de guri que sempre quis fugir para uma galáxia bem, em distante, e fazer carreira como Jedi.
3 - Aliens vs Predator 2 (Monolith Productions, Fox Interactive, 2001)
Com gráficos meia-boca e olhe lá, o game permitia ao jogador escolher entre ser um Predador, grande, forte, equipado com armamento de altíssima tecnologia, um xenomorfo alien, sorrateiro, ligeiro, mortal ou criar a experiência mais tensa e assustadora que se podia ter num computador à época:
Jogar a campanha como um colonial marine.
Entenda-se que, ao fazer isso, tu estava assumindo a decisão consciente de ser um humano frágil em meio aos xenomorfos alienígenas de sangue ácido que podiam despencar do teto a qualquer segundo, e os predadores alienígenas armados até os dentes que podiam estar bem atrás de ti com o canhão de plasma no ombro, as lâminas de pulso ou a lança apontada pra tua nuca.
Embora a campanha fosse bastante divertida, o multiplayer com seis modos é que era o grande barato do game. Quem nunca ficou invisível num canto esperando os amigos passarem pra desmontá-los com uma rajada de plasma não sabe o que perdeu...
2 - Goldeneye 007 (Rare, Nintendo, 1997)
Goldeneye 007 fez apenas uma coisa:
Criou o game de tiro em primeira-pessoa como o conhecemos hoje.
Pode parecer exagero, mas não é. O game da Rare lançado para Nintendo 64 foi provavelmente o primeiro jogo de tiro com todas as características que se exigem de um FPS atual.
A variedade de armas e gadgets, cenários e objetivos, o ritmo quase frenético de determinadas fases, o desespero de ver Natalya Fyodorovna Simonova se enfiando no meio do tiroteio enquanto tu tentava proteger uma das mais irritantes personagens de todos os tempos em qualquer videogame, tudo isso, mais um dos primeiros bons multiplayers da história dos consoles, criava uma experiência de jogo única.
O prazer de pegar uma arma em cada mão e tocar o horror nos soldados russos e nos capangas de Janus era um lance sem preço!
1 - Spider-Man 2 (Treyarch, Activision 2004)
O Homem-Aranha já tinha tido alguns bons jogos ao longo dos anos. Spider-Man and Venom vs. Maximum Carnage, para Super NES, Spider-Man para PS1 e Nintendo 64, e até o game do primeiro filme, Spider-Man, que tinha algumas falhas bem irritantes mas não era nenhum horror, funcionavam bem.
Mas foi em 2004 que finalmente foi encontrada "A" fórmula para um game do cabeça de teia: Spider-Man 2, game baseado no filme de mesmo título, entregou o que era, até então, a melhor experiência de ser um super-herói.
Num game sandbox com uma Manhattan e áreas adjacentes de tamanho considerável, cheia de emergências aleatórias que requeriam a intervenção do herói, além de um storyline que seguia e extrapolava os eventos do filme, a Activision e a Treyarch não criaram uma cópia perfeita de Nova York, mas criaram a Nova York perfeita para o Homem-Aranha, cheia de arranha-céus, crimes e super-vilões.
Com gráficos bons, dublagem do elenco original do filme, e um game infinito (após terminar a storyline o jogador podia jogar indefinidamente pela cidade, pois sempre haviam mais crimes ocorrendo), Spider-Man 2 é, para este humilde escriba, o melhor game baseado em um filme.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Resenha Blu-Ray: 300 - A Ascensão do Império
Era muito claro que a Warner queria lucrar mais um pouco com 300, filme baseado na mini-série em quadrinhos de Frank Miller, baseada no filme Os 300 de Esparta, de 1962, de onde, por sinal, vêm as melhores frases de efeito tanto do quadrinho de Miller quanto do filme de Zack Snyder.
300 fez bastante sucesso, era um filme de 65 milhões de dólares todo realizado com tecnologia de previsão do tempo, e faturou mais de 456 milhões de dólares só em bilheterias. Era uma fita de ação bacana e estilosa que não poupava na violência e na nudez, e, a despeito da tensão homoerótica e de não ser um filme que suportava bem uma segunda assistida, encontrou seu lugar no coração dos fãs naquela galeria de filmes de quadrinhos que não são de super-heróis.
Então até que demorou para 300 - A Ascensão do Império, surgir. Parte da demora (o filme original é de 2006) devia-se ao fato de que não havia fonte para um segundo longa. Apenas em 2011 Frank Miller começou a publicar Xerxes, que, por sinal, permanece inconclusa, mas que serve de base para a sequência, novamente co-escrita por Zack Snyder (ao lado de Kurt Johnstad), também produtor do filme, que deixou a direção a cargo de Noam Murro (Que tinha um único longa no currículo, Vivendo e Aprendendo, de 2008).
O longa, poderia se chamar "De 299 a 301", já que se passa antes, durante e depois do original, e mostra a guerra entre Pérsia e Grécia pelo ponto de vista do ex-general ateniense Temístocles (Sullivan Stapleton), o homem que matou o rei Dario (Igal Naor) e acendeu, no coração de Xerxes (novamente Rodrigo Santoro) o ódio pelos gregos.
Auxiliado, e as vezes manipulado, pela bela e vingativa comandante Artemísia (Eva Green, lindona, ponto alto do filme), a mulher responsável por torná-lo um Deus-Rei, Xerxes lança sua ira contra toda a Grécia para vingar a morte de seu pai.
Ante o ataque iminente, Temístocles tenta unir as polis gregas para enfrentar os exércitos persas, mas as diferenças políticas se fazem notar, e Atenas e Esparta lutam isoladas, a primeira no mar, a segunda nos portões de fogo.
Após a derrota de Leônidas e seus homens, e a destruição da maior parte da frota naval ateniense, Xerxes avança rumo a Atenas, obrigando Temístocles a, novamente, pedir ajuda de Esparta e das demais cidades-estado quando os Persas estão destruindo a mais coruscante joia da Grécia.
Mas mesmo se tal reforço vier, será suficiente para suportar a ira das forças infinitas do Rei-Deus?
Horrível.
No comecinho de 300, quando o emissário persa pede a oferta simbólica de terra e água ao rei de Esparta, Leônidas tergiversa dizendo que soube que a mesma proposta fora feita a Atenas e negada. Ele diz que não ficaria bem para Esparta aquiescer ao pedido se "aqueles filósofos e pederastas" negaram.
Bem, 300 - A Ascensão do Império, é uma tentativa de reproduzir o filme anterior com os filósofos pederastas de capa azul no papel de mocinhos. E, claro, não funciona.
O roteiro de Snyder e Johnstad é tenebroso, pueril, mal escrito, cheio de furos, frases vazias e diálogos embaraçosos. Não sei quanto da culpa recai sobre Frank Miller porque não li os números já lançados de Xerxes, mas vendo esse filme e me lembrando de Sucker Punch, me causa um pouco de receio do que pode sair do roteiro de Batman v Superman - Dawn of Justice, a cargo de Snyder e David S. Goyer.
Não bastasse o script péssimo, a direção de Noam Murro não ajuda em absolutamente nada.
O diretor não tem um décimo da boa mão para ação de Snyder, mesmo usando à exaustão os slow motion, fetiche visual do longa anterior, as lutas do filme são vexatórias, o sangue digital jorra aos borbotões de uma maneira quase cômica de tão caricata, e as sequências de batalha são tudo nessa vida, menos épicas.
Pra piorar, existe uma sugestão de romance entre Temístocles e Artemísia que é absolutamente artificial, e resulta numa cena de sexo tão burlesca que chega a causar vergonha alheia e onde só saem com dignidade inabalada os gloriosos peitos de Eva Green.
Do elenco, inclusive, só ela se salva.
Mesmo prejudicada pelo texto primário, ao menos a francesa ganha um background para sua personagem, feita sob medida pra sensualidade malvada da intérprete. Rodrigo Santoro também acaba conseguindo escapar do fiasco, mas mais porque não chega a ter vinte minutos em cena.
Stapleton Sullivan é uma óbvia má escolha para o papel principal, incapaz de emular a macheza camarada de Gerard Butler ele apenas faz caras e bocas enquanto vomita os diálogos vexatórios do escript, assim como seus parceiros Callan Mulvey (que interpreta Scyllias, personagem com um intragável arco dramático de pai e filho) e Hans Matheson, todos claramente deslocados em seus papéis.
Não bastasse apresentar uma porção de personagens ruins, 300 - A Ascensão do Império ainda faz o favor de estragar alguns dos personagens interessantes do filme anterior, Dilios (David Wenham) e a Rainha Gorgo (Lena Headey) fazem figurações que só servem pra contradizer o final do primeiro longa e diluir sua importância numa clara demonstração do que acontece quando se faz uma sequência a qualquer custo de um filme que se encerrava satisfatoriamente em si próprio.
Em suma?
300 - A Ascenção do Império é igual a 300, só que ruim.
Espere sair na TV a cabo. Não vale a locação.
"Eu prefiro morrer livre a viver como um escravo... Mesmo se estivesse acorrentado a você."
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