Bem vindos a casa do Capita. O pequeno lar virtual de um nerd à moda antiga onde se fala de cinema, de quadrinhos, literatura, videogames, RPG (E não me refiro a reeducação postural geral.) e até de coisas que não importam nem um pouco. Aproveite o passeio.
Pesquisar este blog
sexta-feira, 31 de março de 2017
Resenha Série: Punho de Ferro Temporada 1 Episódio 6: Immortal Emerges From Cave
Punho de Ferro vinha de dois bons episódios, os capítulos quatro e cinco haviam sido os pontos altos da série nessa primeira temporada mas foi no sexto episódio, sob a batuta do rapper The RZA, óbvio amante de filmes de Kung Fu (além de ter dirigido os dois O Homem Com os Punhos de Ferro, seu grupo de hip-hop, Wu-Tang Clan era batizado em homenagem a um antigo filme de artes marciais chinês), que Punho de Ferro deu um salto de qualidade, alcançando o patamar dos melhores episódios de suas séries-irmãs Luke Cage e Jessica Jones (mas ainda abaixo do patamar de Demolidor, um parâmetro aparentemente inalcançável).
Em Immortal Emerges From Cave, Danny Rand recebe um sinistro convite do Tentáculo, para uma luta pela alma das Empresas Rand e pela vida de Sabina, a filha do químico Radovan, responsável pela heroína sintética que Gao está jogando nas ruas.
Enquanto Claire e Colleen tentam manter Radovan vivo e Ward parece finalmente sucumbir à pressão dos segredos de Harold, e cumpre todos os itens do manual do viciado após jogar suas pílulas no lixo ao ser confrontado por Joy, o Punho de Ferro chega ao endereço do convite para encontrar Gao e seus três desafios, três combates contra os irmãos açougueiros Veznikov, e os egressos dos quadrinhos Noiva das Nove Aranhas e Scythe, que, por sinal, tem uma apresentação maneiraça.
Isso leva a três das lutas mais bacanas da série até aqui, com Danny desfilando todo o seu repertório de artes marciais e relembrando os ensinamentos de Lei Kung (Hoon Lee), seu mentor em K'un-Lun, que surge primeiro com um voice over, mas logo aparece envergando o verde e amarelo do traje do herói nos quadrinhos em uma visão recorrente que não sabemos se é uma memória, alucinação ou comunicação estilo Jedi.
Além de tudo isso, ainda tivemos sinistras revelações sobre Madame Gao que, na verdade, apenas suscitaram mais dúvidas sobre sua verdadeira origem: Ela tem super-poderes? Quão velha ela realmente é? Como ela sabe sobre K'un-Lun? Qual era a natureza de sua relação com Wendall Rand?
Enquanto a audiência matuta sobre essas questões, Danny precisa pesar suas decisões e como elas se conectam ao seu destino como o Imortal Punho de Ferro.
Chegando à metade da temporada, Punho de Ferro encontra o caminho. Tomara que mantenha o nível.
"-Você quer escolher uma arma?
-Eu sou a arma."
Marcadores:
Quadrinhos,
Série,
Streaming,
super-heróis
Resenha Série: Punho de Ferro Temporada 1 Episodio 5: Under Leaf Pluck Lotus
Aparentemente Punho de Ferro encontrou seu ritmo após o quarto episódio, uma vez que o quinto capítulo manteve o ritmo.
Após um começo algo exagerado com promotoras gatas vendendo a heroína sintética da organização de Gao (as maletas trazem o símbolo da serpente que vimos nas caixas do depósito de Gao na primeira temporada de Demolidor), descobrimos graças a pancadaria de Danny com os carrascos no episódio anterior que a droga está chegando a Nova York pelo píer Red Hook, que a Rand acaba de negociar.
Danny não gosta nada dessa descoberta, e, uma vez que Ward não parece particularmente interessado nas histórias sobre dragões de K'un-Lun, é o próprio herdeiro da empresa quem resolve verificar a situação na mais nova aquisição da Rand.
Mas Danny precisa de ajuda, e ele vai atrás da mais capacitada artista marcial que ele conhece em Nova York, Colleen Wing.
Por sinal, a forma que Rand escolhe pra abordar Colleen é graciosa, com uma tentativa de almoço romântico chique que esbarra numa seguradora de vela danada chamada Claire Temple. Isso mesmo, Rosario Dawson surge para sua quinta temporada na Marvel/Netflix. Aparentemente após quatro temporadas de encontros fortuitos com super-heróis urbanos a enfermeira noturna resolveu aprender a se defender e buscou a sensei Wing no dojo Chikara para ser sua tutora.
O encontro segue para a dupla espiando o píer em busca de um possível carregamento de heroína sintética, mas ao invés disso, Danny acaba fazendo outra descoberta que culmina com a melhor cena de ação da série até aqui, e com mais um turno de trabalho para Claire.
Enquanto isso, Joy e Ward são novamente confrontados com a ingenuidade de Danny, que cai numa arapuca armada por um advogado colocando a Rand em uma posição deveras desconfortável, e madame Gao finalmente descobre com quem está lidando, e não parece particularmente nervosa.
Under Leaf Pluck Lotus manteve o bom ritmo e dá impressão de que Punho de Ferro achou seu passo, se os Meachum seguem algo aborrecidos, Danny finalmente se torna um.personagem mais ativo e sugere que pode se tornar, de fato, o protagonista de sua própria série, com Colleen melhor integrada à trama, mais os retornos de Claire e Gao, o futuro da série parece promissor.
"-Ele arrebentou metal sólido com as mãos.
-Com suas mãos? Tem certeza de que não foi com seu... Punho?"
Marcadores:
Quadrinhos,
Série,
Streaming,
super-heróis
quinta-feira, 30 de março de 2017
Resenha Série: Punho de Ferro Temporada 1: Episódio 4: Eight Diagram Dragon Palm
O terceiro episódio de Pu ho de Ferro havia terminado com um daqueles desnecessários cliffhangers onde a vida do protagonista é ameaçada de maneira absolutamente inócua (como o tiro na cabeça do Demolidor na segunda temporada, ou Luke Cage lutando pela vida tanto em Jessica Jones quanto em sua série solo). Nesse caso um literal cliffhanger, com Danny pendurado pelo lado de fora de um arranha-céu em Manhattan após seguir Ward até o covil de Harold.
Danny, claro, não morreu, ele foi resgatado por Ward e Harold que conta a história de como teve sua vida salva pelo Tentáculo mas pagou um alto preço pelo "presente": Foi obrigado a se tornar um recluso afastado de tudo e quase todos, e viu a organização criminosa se entranhar na empresa que ajudou a fundar.
SContando com a ajuda do "inimigo jurado do Tentáculo", Harold pede que Ward retire o litígio contra Danny para que o jovem possa começar a tomar parte nas atividades da companhia. E, rapaz, Danny chega metendo o pé na cara da diretoria ao derrubar os lucros do setor farmacêutico da Rand ao exigir que uma nova medicação seja comercializada a preço de custo.
Essa chegada brusca do herdeiro coloca os irmãos Meachum e Danny novamente em lados opostos, mas ao menos todo esse papo empresarial leva à primeira cena de luta realmente memorável de Danny, quando a tríade, injuriada após a Rand adquirir um píer usado para contrabando, resolve atacar Joy.
Aparentemente os espaços urbanos de Nova York sempre levam os heróis a lutarem em corredores, e depois das duas memoráveis sequências sem cortes de Demolidor e da invasão de Luke ao depósito do Boca de Algodão, chega a vez do Punho de Ferro enfrentar um bando de vagabundos num espaço exíguo.
E falando em porradaria, Colleen volta à gaiola para enfrentar não um, mas dois oponentes simultaneamente, garantindo o dobro de grana para pagar seu aluguel, e outra boa sequência de luta no episódio, ainda que, pra fins práticos, as brigas de Colleen na gaiola não sirvam em nada pra trama.
No episódio ainda tivemos os retorno de Madame Gao (Wai Ching Ho), que depois de roubar a cena nas duas temporadas de Demolidor surge pra encrespar a vida do Punho de Ferro.
No quarto capítulo, Punho de Ferro finalmente engata uma marcha, indo além do rocambole novelesco dos três primeiros episódios ao trocar a trama de reivindicação da herança e pelo retorno do Tentáculo, inevitavelmente mais interessante, demorou um pouco, mas a série parece ter achado seu caminho.
"Ninguém deveria lucrar com a miséria dos outros. É errado."
Marcadores:
Quadrinhos,
Série,
Streaming,
super-heróis
Resenha Série: Punho de Ferro Temporada 1 Episódio 3: Rolling Thunder Cannon Punch
O segundo episódio de Punho de Ferro terminou com Danny mostrando toda a extensão do poder que adquiriu em K'un-Lun, arrancando uma porta de aço da parede com um único soco. Mas sair do hospital psiquiátrico onde fora preso por Ward é apenas metade do trabalho, já que Danny precisa provar sua identidade de maneira legal.
Quem melhor para ajudá-lo nessa empreitada do que um advogado?
Mas não. Infelizmente Danny não contratou Matt Murdock pra empreitada, e sim a egressa de Jessica Jones Jeri Hogarth (Carrie Anne-Moss), que se prontifica a aceitar o caso do jovem em nome dos velhos tempos (e de um contrato de representação para a Rand enterprises).
Enquanto Danny e Jeri procuram uma forma de provar sua identidade os Meachum têm tempo de sobra na tela, o que ainda não é um ponto alto pra série. Enquanto Harold segue amaldiçoando seu pacto com o Tentáculo, que o tornou um prisioneiro pelos últimos treze anos, Joy vem e vai em suas disposições para com Ward e Danny.
Eu não me surpreenderia se acontecesse aos irmãos Meachum o mesmo que aconteceu a Boca de Algodão e Black Mariah em Luke Cage, com a parte feminina da dupla sendo a mais perigosa.
Por falar em moças perigosas, Colleen Wing volta a ser o ponto alto do programa ao se apresentar na gaiola de luta ilegal onde mandou seu pupilo Darryl (Marquis Rodriguez, egresso de Luke Cage) não voltar. Lá, sob a alcunha de "A Filha do Dragão", Colleen mostra que tem habilidades de luta aparentemente superiores às de Danny que, de maneira bastante broxante, leva um laço federal de um capanga nos arquivos de um hospital onde fora procurar por provas de sua identidade.
Com três capítulos, começa a ficar a desconfortável sensação de que, a exemplo de Jessica Jones, Punho de Ferro será um programa pra acompanhar apesar da chatice do protagonista.
Finn Jones se esforça, e sua atuação é superior a de, por exemplo, Mike Colter, mas ele simplesmente não tem presença de super-herói, e até o momento, suas cenas de luta têm sido algo sonolentas, incapazes de rivalizar com as de Demolidor, indiscutivelmente a melhor série da parceria Marvel Netflix.
Punho de Ferro está custando a engrenar, partilhando mais em comum com os problemas de Jessica Jones e Luke Cage (séries com coadjuvantes mais interessantes que os protagonistas), mas com uma trama demasiado folhetinesca para seu próprio bem.
É melhor Danny colocar aquele imortal punho de ferro pra trabalhar e começar a chutar umas bundas logo.
"-Eu errei em recusar os cem milhões?
-Essa talvez tenha sido a única coisa certa que você fez desde que chegou a Nova York, além de me procurar. Você vale bilhões."
Marcadores:
Quadrinhos,
Série,
Streaming,
super-heróis
quarta-feira, 29 de março de 2017
Resenha Série: Punho de Ferro Temporada 1 Episódio 2: Shadow Hawk Takes Flight
O primeiro capítulo da série do último Defensor não foi exatamente empolgante, mas, a exemplo de Jessica Jones carregava suas promessas a despeito de, como Jessica Jones, ter um protagonista insosso, e a exemplo de Luke Cage, ter um ritmo bem lento.
O segundo episódio não faz maravilhas pelo protagonista.
Trancafiado por Ward em um hospital psiquiátrico contra a sua vontade, Danny é chapado de medicamentos que o impedem de concentrar seu chi e invocar o poder do Punho de Ferro, o herdeiro do império Rand é tratado como um falsário, já que entrou nos Estados Unidos com um passaporte canadense forjado, e um maluco, já que conta histórias sobre a cidade interdimensional de K'un-Lun, o que, sejamos francos, não é uma ideia muito inteligente pra quem está sob observação psiquiátrica.
Enquanto isso, nas empresas Rand, Joy e Ward debatem sobre a verdadeira identidade do maltrapilho que afirma ser Danny. Se Ward está convencido de que Danny é um impostor (ou de fato, não liga), Joy tem suas dúvidas, e sua forma de tirar a prova é enviar um pacote de M&Ms para o hospital.
Enquanto Danny recebe a visita de Harold Meachum, cuja morte, aparentemente foi forjada, já que o co-fundador da Rand vive recluso em uma luxuosa cobertura em Manhattan usando Ward como fantoche para suas aspirações, e parece particularmente interessado em Danny ao ouvir que o imortal Punho de Ferro, defensor dos portões de K'un-Lun é o "inimigo jurado do Tentáculo", a organização criminosa que atucanou o Demolidor na sua segunda temporada e parece estar se infiltrando na Rand.
Se o episódio novamente não foi suficiente pra melhorar a imagem do protagonista (a capacidade de luta de Danny não chega aos pés da do Demolidor, por exemplo), ou aprofundar a personalidade dos coadjuvantes, ao menos nos ajudou a entender as razões para Ward ser perturbado a ponto de beber durante o dia e ter comprimidos o suficiente pra abrir uma farmácia.
Não deve ser fácil ser a marionete do pai "morto" para comandar uma empresa ao lado da irmã que nada sabe.
De qualquer forma Shadow Hawk Takes Flight serviu pra estabelecer Colleen como a personagem mais gostável e proativa do seriado, chegando a negar a ajuda financeira de que obviamente necessita por respeito a um homem que mal conhece, e na falta de um grande desenvolvimento da trama, ao menos pudemos ver o Punho de Ferro em ação.
Fica a torcida para que o terceiro capítulo encaminhe um pouco a história que segue morna.
"Eu me tornei um na longa linhagem de imortais Punho de Ferro. Arma viva. Inimigo declarado do Tentáculo."
Marcadores:
Quadrinhos,
Série,
Streaming,
super-heróis
Resenha Série: Punho de Ferro Temporada 1: Episódio 1: Snow Gives Way
O Imortal Punho de Ferro era a peça que faltava no tabuleiro dos Defensores, a versão urbana e com menos efeitos visuais dos Vingadores.
Após Luke Cage, Jessica Jones e duas temporadas de Demolidor, a Netflix lançou Punho de Ferro para fechar o quarteto de heróis de rua que partilharão uma temporada no segundo semestre desse ano.
O primeiro episódio de Punho de Ferro abre com um jovem de vinte e poucos anos vestido como um hippie, sujo e descalço (Finn Jones o Loras Tyrrell de Game of Thrones) chegando à sede da Empresas Rand e declarando que é o herdeiro do empreendimento, Danny Rand, dado como morto em um desastre aéreo quinze anos antes.
Obviamente a recepcionista do prédio corporativo não acredita no vagabundo, e chama a segurança para lidar com ele, o sujeito, porém, sabe lutar e não tarda para dar um baile nos guardas e ganhar acesso aos andares dos executivos.
Lá ele confronta Joy e W ard Meachum (Jessica Stroup e Tom Pelphrey), filhos do co-fundador do conglomerado, Harold Meachum (David Wenham), que, como era de se esperar, também não acreditam no quase mendigo, que, nós sabemos, é Rand.
O início de Punho de Ferro não chega a ser empolgante. O primeiro episódio arma um tabuleiro com uma cara danada de novelão ou do recente remake/continuação de Dallas, com herdeiros corporativos ricos, bonitos e bem-vestido brigando por seu quinhão de uma fortuna.
De qualquer forma, os primeiros episódios de uma série, no geral, são o momento de preparar o terreno pra contar sua história, e Punho de Ferro não é diferente.
Um dos problemas da série, além do começo moroso e dos vilões que, de início, não convencem, é o fato de que o ricaço indo buscar conhecimento em algum lugar exótico voltando para reclamar sua fortuna é um elemento re-re-repetido na mitologia super-heróica. De Batman a Tarzan, passando por Arrow e Doutor Estranho, por sorte o primeiro capítulo dá uma respirada graças à presença de Colleen Wing (Jessica Fenwick), a gatinha surge pela metade da estréia e mostra habilidades marciais, beleza e carisma que ajudam a audiência a aguentar o tranco conforme o cerne do episódio não é o treinamento de Rand em K'un-Lun, nem suas habilidades marciais, ou qual será sua missão de volta a Manhattam, mas sim um reencontro com um passado de privilégios que não parece disposto a recebe-lo de volta.
O começo de Punho de Ferro não é dos mais inspirados, mas o de Jessica Jones e Luke Cage também não foram exatamente maravilhas, então não custa ficar ligado já que a Netflix ainda não nos desapontou.
"Oi, eu sou Danny Rand."
Marcadores:
Quadrinhos,
Série,
Streaming,
super-heróis
Resenha Cinema: T2 Trainspotting
Em 1996 Danny Boyle, Ewan McGregor, Ewen Bremner, Johnny Lee Miller, Robert Carlyle e John Hodge se uniram para transformar a coleção de histórias curtas do escritor Irvine Welsh em um dos mais memoráveis filmes underground dos anos 90.
Trainspotting: Sem Limites contava a história dos amigos Renton, Spud, Sick-Boy e Begbie e seus vícios em heroína, álcool, sexo, ou apenas violência.
Aclamado sucesso de crítica e um daqueles longas discretos que se transformam em cult ao longo dos anos, Trainspotting gerou uma legião de fãs, e eu ainda me lembro de quando um amigo me disse que o filme iria passar na Band, e que eu devia ver porque era "foda".
E fato era.
Mais do que isso, era tão bem fechado em si mesmo que eu me lembro de ter ficado um tano apreensivo quando foi anunciado que a sequência do livro, intitulada Pornô, seria adaptada.
Todos sabemos como anda o cinema, e todos já vimos sequências caça-niqueis de filmes memoráveis sendo lançadas direto pra vídeo com elencos alterados sob a batuta de diretores duvidosos, de Dragão Vermelho a O Pagamento Final - Rumo ao Poder.
Mas fiquei mais tranquilo ao saber que Boyle, McGregor, Bremner, Miller, Carlyle e Hodge estariam de volta, e fiquei extremamente ansioso quando vi o primeiro teaser o longa.
Voltando de férias minha primeira incursão ao cinema só podia ter sido pra me reunir a Renton e companhia.
No longa reencontramos Renton (McGregor) vivendo em Amsterdã.
Vinte anos se passaram e ele está na academia correndo na esteira, um homem adulto e bem ajustado com um emprego estável que em nada lembra o magricela raivoso que roubava para sustentar o vício aos vinte e poucos.
Mas algo leva Renton de volta a Edimburgo. Talvez culpa por ter roubado seu melhor amigo e de Begbie anos antes, talvez uma crise de meia-idade precoce...
Mas Mark Renton volta pra casa, uma Escócia que ele mal reconhece, e quando Spud (Bremner), que colheu mais má sorte do que é capaz de contabilizar ou suportar, após anos sofrendo com idas e voltas da heroína está a dois passos de dar cabo da própria vida é o retorno de Renton a Edimburgo que o salva no último instante.
O reencontro com Spud o leva a um reencontro com Simon, ex-Sick Boy (Miller), que toca o pub da tia e mantém um negócio de prostituição/chantagem com a namorada búlgara Veronika (Anjela Nedyalkova) enquanto planeja montar um bordel.
Sick-Boy não recebe muito bem o retorno de Renton e sua oferta de paz, as quatro mil libras que Renton roubou dele.
"O que eu vou comprar com quatro mil? Uma máquina do tempo?", pergunta Simon.
Os anos passaram pra todos os rapazes.
Mais lentamente para Begbie (Carlyle), que está encarcerado desde a manhã seguinte ao golpe de Renton, ao menos até perceber que não vai conseguir a condicional, resolver executar uma fuga da prisão e descobrir, com a habitual excitação psicopata que Renton retornou.
Esses quatro personagens à solta em Edimburgo inevitavelmente se reencontrarão para uma última dança.
T2 é exatamente a sequência que Trainspotting precisava depois de duas décadas.
É assustador, excitante, triste e engraçado de uma maneira equilibrada e embalada na sensacional edição de Jon Harris, a esperta fotografia de Anthony Dod Mantle, e a excelência do trabalho de Boyle e um elenco talentoso que amadureceu tanto quanto seus personagens e tira de letra o retorno à pele desses homens apavorados pela idade que parecem só perceber ao olhar para os rostos marcados uns dos outros ou para os filhos crescidos conforme trocam um vício pelo próximo.
T2 é uma ode à emasculação do homem de meia idade preso ao passado por medo do futuro.
Muito do sucesso do longa passa pelo trabalho do elenco.
McGregor está ótimo em seu retorno a Renton, trocando a antiga rebeldia juvenil por disfarçada irresignação. Lee Miller também volta com naturalidade ao papel de Sick-Boy, e sua relação de amor e ódio com Renton é muito divertida. Carlyle nasceu para envergar a pele de Begbie, a despeito do rosto mais cheio e dos cabelos mais grisalhos, Francis Begbie ainda é uma ameaça ambulante e seus olhos cheios de desdém e ódio sempre são assustadores ou pelo menos desconfortantes. Mas surpreendentemente é Ewen Bremner quem mais oferece em termos de dramaturgia.
Seu Spud é uma figura tão cômica quanto trágica, e seu corpo encurvado e a expressão de olhos esbugalhados e boca contorcida num sorriso triste é de partir o coração seja fazendo um discurso a respeito das mazelas do horário de verão, seja relembrando os amigos que se foram.
Não me entenda errado, T2 não é tão bom quanto Trainspotting foi vinte e um anos atrás, e talvez para gostar de T2 tu precise ter visto e amado Trainspotting e sua pegada de bebês mortos e mergulhos em latrinas podres, e assim, talvez, T2 não seja pra todo mundo, mas para aqueles de nós que cresceram com Renton, Spud, Sick-Boy e Begbie, e que agora se olham no espelho ou reencontram velhos amigos e percebem os cabelos branqueando e as marcas ao redor dos olhos, talvez seja para aqueles que são, nas palavras de Sick-Boy, turistas no próprio passado. É um file para se assistir sentindo uma melancolia agridoce, por vezes melodramática ou excessivamente auto-referente, mas ainda assim repleto da energia, e daquele pessimismo visceral, quase desafiador, do original.
Por tudo isso, T2 consegue escapar de diversas armadilhas que arma para si próprio, e entregar um filme que oferece a oportunidade, mas felizmente, sonega a traição.
Assista no cinema.
Renton, Spud, Sick-Boy e Begbie certamente valem o preço do ingresso.
"Escolha a vida."
Assinar:
Postagens (Atom)





