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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Resenha Cinema: Cowboys & Aliens


Há alguns filmes cuja premissa nos pega desprevenidos. Ainda me lembro de quão surpreendente foi ver Matrix, em 99. Eu não podia imaginar que o filme, que era descrito como uma "aventura cyber-punk", pela sessão de cinema dos jornais fosse um entrevero tão grande de referências e estilos cinematográficos diversos que iam dos filmes de kung-fu dos anos setenta a Metrópolis de Fritz Lang, a ficção científica realizada pelos irmãos Wachowsky talvez tenha sido o grande filme-pipoca de 1999, ano que teve uma das melhores safras de cinema de que eu me lembro.
Sem o impacto de Matrix, três anos antes Um Drink No Inferno também misturava estilos diversos em uma fita divertida e despretenciosa, mostrando o filme de maníaco dos irmãos Gecko e seu sequestro à família do pastor Fuller sendo invadido pelos monstruosos vampiros no isolado Tittie Twist. Reino de Fogo, de 2002, também era um filme-pipoca que misturava gêneros, no caso as fitas de ação pós-apocalípticas ao estio Mad Max, e acrescentava dragões à mistureba, que ficava até saborosa pra quem era capaz de suspender a descrença e comprar a premissa maluca.
É com a suspensão de descrença alta que devemos ir ao cinema ver Cowboys & Aliens, adaptação do gibi medonho de Scott Rosenberg que Jon Favreau transforma em filme com elenco estrelado de deixar nerd roendo as unhas, Daniel (Bond) Craig, a quase nem um pouco linda Olivia Wilde, de Tron e House, o ladrão de cena Sam Rockwell, o talentoso Paul Dano, e, claro, o homem que representa um ideal nerd, o Blade Runner, o Indiana Jones, o Han Solo, Harrison Ford!
Na trama, um homem desmemoriado (Craig, Daniel Craig) desperta no meio do deserto do arizona. Após alguns percalços, ele chega à cidade de Absolution, uma arruinada colônia mineradora, onde encontra a bartender Ella (Wilde), e descobre que, em Absolution, as pessoas não gostam de forasteiros, e que a cidade funciona de acordo com os interesses do inescrupuloso rancheiro Woodrow Dolarhyde (O homem, o mito, Ford). As diferenças entre ambos encaminham as coisas a um confronto, entretanto, os antagonistas acabam tendo que se unir contra um inimigo em comum:
Os alienígenas que invadem Absolution, abduzindo pessoas e espalhando o caos e o terror!
Claro, ninguém vai ver um filme com o título de Cowboys & Aliens se não for capaz de engolir uma boa brincadeira. Obviamente não seria verossimilhança o ponto primordial do longa desde a sua origem. O problema de Cowboys & Aliens é que ele começa muito bem, especialmente no tocante ao seu lado faroeste, apresentando personagens arquetípicos interpretados por bons atores, mas de repente manda toda a coerência lá pra casa do Capita em nome de uma ficção científica que não diz a quê veio e que não convence ninguém. O que se apresentava como um filme divertido e movimentado abraça a idiotização dos blockbusters que transforma pataquadas como Piratas do Caribe 4 em campeões de bilheteria. O roteiro dá voltas e mais voltas, se contradiz, e transforma os personagens em idiotas bipolares e alterna entre aliens quase indestrutíveis e suficientemente frágeis conforme convém ao ritmo(?) do filme. Questões são sugeridas e depois solenemente esquecidas (Um dos seis(!) roteiristas do longa era escritor de Lost, isso deve ser cortesia dele.), e mesmo ação, que deveria ser fator de excelência obrigatório em um blockbuster desse tipo e quesito no qual Favreau deveria dominar, deixa a desejar.
Aparentemente coerência (E que fique claro que, por "coerência", não quero dizer realismo) e qualidade são matérias em escassez entre os roteiristas hollywoodianos, acostumados à audiências que adoram um texto pasteurizado.
É uma pena que, pra cada Planeta dos Macacos - A Origem e X-Men - Primeira Classe, hajam dez G.I. Joe e Piratas do Caribe, infelizmente, Cowboys & Aliens, com todas as suas promessas, cai no segundo grupo.

"Eu não entendo muito de barcos, mas eu diria que esse está de ponta-cabeça."

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