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sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Perspectiva Eike


Perdeu vinte reais, na rua.
Seria possível...? Mão em um bolso... No outro... Bolso da calça, esquerdo, direito... Nada. Nos bolsos de trás... Dentro da carteira... Não... Bolso da camisa?
Não... Também não...
Cadê aqueles vinte reais?
Era uma dessas notas novas, que parece dinheiro de Banco Imobiliário... A guria bonitinha da sorveteria que tinha me dado de troco... Ela tinha feito uma careta e dito "Ai, moço, sorvete nesse frio?", e ele sorriu, fazendo cara de galã do cinema mudo e disse "Mas hoje nem tá tão frio...", do meio de suas luvas, cachecol e dois casacos...
Mas e a nota de vinte? Sumira... Perdera... Tinha a triste mania de enfiar cupom fiscal no bolso, e depois jogar fora. Provavelmente fizera isso. Enfiara o cupom fiscal no bolso junto com a nota de vinte, e, na hora de jogar o cupom fora, amassara a nota e a largara numa lata de lixo qualquer junto.
Burro. Burro, burro, burro.
Perdeu vinte reais. Não sabia que dinheiro não dava em árvore? Não sabia que vinte reais eram algumas horas de trabalho diário? Aqueles vinte reais iam fazer falta... Lembrou-se do Eike Batista, que chegara a ter uma fortuna pessoal avaliada em mais de vinte bilhões de dólares, e que agora era dono de "meros" duzentos milhões... E deu risada.

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