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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Alternativas


Estão Han Solo e a princesa Leia na ponte de comando da Enterprise.
O contrabandista sentado na cadeira do capitão, Leia em seu colo, eles olhavam um nos olhos do outro. Ela sorri. Leia fica linda quando sorri. O sujeito que vez a volta de Kessel em menos de doze parsec sorri de volta, aquele sorriso torto pro lado que Leia aprendeu a amar, mesmo sendo algo pretensioso.
A líder da Aliança Rebelde fala:
-As vezes eu acho que tu não me ama mais.
O melhor piloto da galáxia maneia a cabeça, de cenho franzido como quem ficou ultrajado ao ouvir a declaração, ele olha o painel que mostra que eles estão entrando em espaço Illithid, e responde:
-Eu sei... Mas tá errado. Eu sempre vou te amar.
Ela afaga o rosto dele, e, esticando a mão delicada para Chewbacca, sinaliza para que o co-piloto coloque os propulsores em velocidade de dobra.
Ou, ou:
Estão o Homem-Aranha e Chloe Frazer explorando a Fortaleza da Solidão.
Chloe, com sua figura atlética e movimentos calculados, vasculha o console de gelo onde se depositam os cristais que comandam a herança kryptoniana do Superman enquanto o Homem-Aranha observa do teto. O cabeça de teia tem suas dúvidas se é uma boa ideia roubar aqueles relíquias, mas Chloe está decidida.
Ele pergunta, hesitante, se ela tem certeza. Ela responde em seu pesado sotaque britânico:
-As vezes eu acho que tu não se lembra mais de mim.
O alter-ego de Peter Parker desce do teto por um único fio de teia, de ponta-cabeça, fica cara a cara com Chloe:
-Admite, gatona... Não passa um dia sem eu me lembrar de ti.
Ou, quem sabe:
Estão a Mulher-Maravilha e Scott Pilgrim em Lórien. O ambiente cheira a cedro e baunilha, e ao longe se pode ouvir o som dos violinos dinamarqueses vindo de Rohan, tamanho o silêncio. Os dois dividem um divã de veludo verde-musgo, têm as pernas entrelaçadas e as caneleiras armaduradas de Diana nem mesmo incomodam Scott, tamanho seu contentamento por estar ali, ao lado dela.
A princesa amazona vira o pescoço e olha para o moleque idiota atrás de si dizendo:
-As vezes acho que tu se lembra de mim como lembra de qualquer outra pessoa. E achar isso é ruim.
Scott engole em seco, passando a mão nos cabelos desalinhados, e hesitante responde:
-Mas... Mas como é que eu poderia pensar em ti como qualquer outra pessoa...? Tu nunca... Nunca, vai ser "qualquer pessoa", morena. Tu é "A" pessoa.
A semi-deusa sorri, puxando Scott pra si, e eles se beijam.
Ou, ainda...
Estavam ela e ele sentados na sala do apartamento que alugavam juntos. Era um sábado de tarde, e estavam ambos em casa. Ela, usando um pijaminha, pantufas de pelúcia e um gorro por conta do frio, num conjunto que lhe caía divinamente bem. Ele de calção, regata e pantufas, num conjunto que não fazia sentido por si só, e muito menos à temperatura de onze graus daquele dia ensolarado e gélido.
Dividiam o sofá. Ela com as pernas por cima dele, lendo um livro sobre a expedição de um jornalista à bordo do navio do Sea Shepherd para tentar abalroar navios baleeiros japoneses, ele, assistindo Cosmos na Netflix, um episódio a respeito de realidades alternativas interessante, mas nem de longe tocante como aquele que falava sobre Isaac Newton e Edmond Halley.
Ela tirou o focinho do livro, olhou pra TV, bem na parte que falava a respeito de inúmeras versões da nossa realidade, umas diferentes das outras. Ela olhou atenta pra TV durante esse tempo, e então pra ele. Fez cara de intrigada:
-Nossa... Imagina isso, Etê... Uma realidade onde a gente não ficou junto... Onde tu acha que eu não te amo, que eu te esqueci, que eu não penso em ti umas 300 vezes ao longo do meu dia…
Ele estava olhando pra ela com um sorriso. Adorava essas elucubrações súbitas dela. Riu:
-Não te preocupa, meu anjo... Se existe essa realidade paralela onde a gente não terminou junto, eu te garanto que, a menos que minha versão alternativa seja um completo e absoluto apedeuta, ele jamais pensaria uma coisa dessas.
Apanhou as pernas dela de seu colo e beijou-lhe as canelas e os joelhos. Continuou:
-Ele ia imaginar ter algum significado na tua vida, só pelo tamanho do teu significado na vida dele. E, em qualquer situação, ele estaria sempre torcendo por ti, e pensaria em ti todos os dias, com um sorriso no rosto e sempre com saudade.
Ela sorriu de volta:
-Tu acha mesmo?
Ele se inclinou pra frente e a beijou:
-Eu sei.

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