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sábado, 19 de novembro de 2011

Fresta


"Inacreditável. O fator chance na vida é incompreensível. Você chegou ao Mundo por um evento aleatório em algum lugar às margens do Mississippi. Eu, emergi através da conjunção de Sam e Yetta Yellnikoff no Bronx, décadas antes. E através de uma astronômica concatenação de circunstâncias, nossos caminhos se cruzaram.
Dois fugitivos no vasto, negro, indescritivelmente violento e indiferente universo."
O Boris diz isso à Melody SaintAnne em Tudo pode dar certo.
Assisti ao filme ontem e não pude deixar de notar as semelhanças que vão além da minha má aparência, da minha ataraxia, da minha misantropia, pessimismo sarcasmo e cinismo, e da tua beleza, alegria e jovialidade. Porque por mais que tu não admita, meu anjo, tu é tudo isso. Linda, alegre e jovial. Teu riso é fácil, e tu é cálida, enquanto eu gosto de isolamento e frio, e frieza que são as águas onde eu habitualmente navego com mais facilidade e familiaridade.
E é estranho que, como em Tudo Pode dar Certo, por alguma razão que foge à minha compreensão, tu tenha se interessado por mim, mesmo não sendo avoada como a personagem do filme. E eu tenha aberto os meus pesados portões, ou uma porta reforçada, ou ainda que tenha sido só uma fresta de uma janela com grades, o bastante pra que tu entrasse.
Tudo ali. Igual que nem.
Mas eu não pude deixar de notar ontem, que o Boris e a Melody não terminam juntos. Ela encontra o cara do Superman, e deixa ele. O que é natural, considerando tudo.
Aí é que está o problema.
É natural. A chance de se lutar contra a natureza, já diria o Boris é zero. Zilch.
De toda a sorte, ele não deixa de se importar com ela. E eu, posso garantir, não vou deixar de me importar contigo...
Sua larva.

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