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sábado, 2 de abril de 2016

Resenha Cinema: Casamento Grego 2


Em meados de 2002, enquanto o cinemão mainstream era sacudido por filmes monstruosamente grandes fazendo fortunas nas bilheterias, casos de Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones e Homem-Aranha, um filme independente muito menor, com um modesto orçamento de cinco milhões de dólares, alcançaria a impressionante marca de quase 370 milhões em bilheterias.
Era o primeiro Casamento Grego.
Escrito e estrelado por Nia Vardalos baseado no monólogo criado pela própria para o teatro, Casamento Grego se tornou filme após ser assistido por Rita Wilson, atriz casada com Tom Hanks que se identificou com o material por também ter origem grega. Wilson e Hanks viram potencial na peça de Vardalos e através da produtora de Hanks, Playtone, resolveram bancar a versão cinematográfica de Casamento Grego, que viria a se tornar a maior bilheteria de uma comédia romântica na história do cinema ao contar a história de Toula Portokalos, uma mulher de trinta anos que sofre uma crise de meia-idade precoce conforme se torna balzaquiana sem ter realizado o sonho familiar de se casar com um bom rapaz grego em ter filhos e mais filhos com ele.
Toula eventualmente abandonava o emprego no restaurante do pai e começava a trabalhar na agência de viagens de sua tia, onde conhece o professor Ian Miller, se apaixona por ele, e, quando os dois resolvem se casar, viviam as desventuras do casamento grego do título.
O longa tinha uma cara danada de sitcom, mas Vardalos, dona do material, conseguia ser uma protagonista identificável e gostável para a audiência, além de ter uma inegável química com John Corbett, intérprete de Ian. O roteiro tinha algumas boas piadas, a tia Voula, vivida por Andrea Martin era particularmente engraçada e Vardalos chegou a receber uma indicação ao Oscar pelo trabalho na categoria de roteiro original.
O sucesso de Casamento Grego foi tão grande que gerou uma série de vida curta chamada My Big Fat Greek Life, que tinha praticamente todo o elenco do filme, à exceção de John Corbett, e dava sequência aos eventos do longa com alguns ajustes daqui e dali. A despeito do sucesso do filme, a série durou apenas uma temporada de sete episódios.
Todo mundo seguiu a vida e ninguém jamais experimentou novamente sucesso semelhante ao do longa, especialmente o casal protagonista, Vardalos e Corbett.
Com isso, não era de se estranhar que uma sequência do hit de 2002 fosse ser aventada. À essa altura, quase quinze anos após o lançamento do original, ninguém estava em condições de negar a validade da tentativa, e My Big Fat Greek Life deixara bem claro que Vardalos e equipe não estava com vergonha de sugar o filme até a última gota.
E ali estava eu, ontem, assistindo Casamento Grego 2.
Novamente escrito e estrelado por Nia Vardalos e produzido por Rita Wilson e Tom Hanks, com Kirk Jones assumindo a direção no lugar de Joel Zwick, o longa traz de volta todo o elenco original.
Os anos passaram e Toula andou para trás.
Ela continua casada com Ian Miller (Corbett), que agora é diretor do colégio onde a filha de dezessete anos do casal, Paris (Elena Kampouris) estuda.
Toula só não é mãe em tempo integral porque seu pai, Gus (Michael Constantine) e sua mãe, Maria (Lainie Kazan) não conseguem tomar conta do restaurante sozinhos por conta dos problemas de saúde. Esses problemas colocaram Toula de volta na gerência do Dancing Zorba's.
Sua relação de co-dependência com a família, porém, não afeta apenas sua vida profissional. O fato de passar o tempo todo correndo de Herodes para Pilatos com a mãe e o pai, afeta também seu casamento com Ian, com quem não tem nem sombra da velha chama, e a intrusão recorrente de todos os tios, tias e primos em todos os âmbitos de sua vida, incomodam particularmente Paris, que sente vergonha da presença constante dos barulhentos gregos.
Como se Toula já não tivesse o suficiente para se preocupar, remexendo registros de família para provar que é um descendente direto de Alexandre da Macedônia, Gus acaba descobrindo que sua certidão de casamento jamais foi assinada pelo padre da vila de onde ele e Maria vieram, de modo que os dois não são oficialmente casados.
Para reparar o caso, os dois decidem se casar novamente(ó o casamento grego 2 do título), mas, como tudo na vida dos Portokalos, esse casamento não será realizado sem uma boa dose de conflito e confusão, tudo isso enquanto Paris decide para qual universidade pretende ir, apavorando Toula e Ian com a ideia de se afastar deles.
Bom... Casamento Grego 2 é, novamente, um filme com cara de sitcom que usa e abusa da premissa do estranhamento de um grupo étnico inserido na cultura norte-americana.
O longa praticamente se vale de repetir a maioria das piadas do filme de 2002, mas presta um desserviço à Toula de Nia Vardalos.
A personagem destrambelhada e divertida do primeiro longa desaparece, sendo reduzida à uma sombra que faz o que lhe mandam fazer o tempo todo.
Além do desserviço à protagonista e a reprise de trocentas piadas, o roteiro da sequência ainda traz algumas incongruências, como o fato de Maria (uma Lainie Kazan tão cheia de plásticas que parece o Dr. Pig de Arkham Knight), que passou o primeiro filme inteiro querendo que Toula se casasse, e passa a primeira metade do segundo querendo que Paris se case, não queira se casar e questione se quer passar a vida toda como esposa de alguém.
Tia Voula ainda tem as melhores piadas, e o Gus Portokalos de Michael Constantine é terno e divertido com sua mania de dizer que todos são gregos.
Há ainda a participação de Mark Margolis como o tio de Toula (sem nenhuma sineta), e de Rita Wilson e John Stamos, absolutamente despropositados como um casal de descendentes de gregos que frequentam a mesma igreja dos Portokalos.
De qualquer forma, o filme não é ofensivo, e certamente vai agradar às fãs do primeiro longa, mas duvido que chegue sequer perto do êxito comercial do longa original.
Há limite pra tudo nessa vida, inclusive para chutar um cachorro morto.

"-Quem disse que mulheres devem se casar?
-Você. Nossas vidas inteiras."

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